domingo, 22 de julho de 2012

A freguesia de Prado e a sua igreja paroquial: origem do seu nome e referências históricas



A freguesia de Prado, localizada junto da margem esquerda do rio Minho, encosta-se geograficamente à sede do concelho. Confronta com o rio, a norte, a Vila, Roussas e S. Paio, a nascente, Paderne, a sul e poente, e Remoães, a poente.
É terra antiga, com povoamento remoto. Provam-no os muitos vestígios de considerável valor arqueológico encontrados nos seus limites, e concretamente no monte sobranceiro do rio Minho. São peças em pedra lascada, da Idade da Pedra, e objectos em cerâmica com ornamentações ou outros utensílios, de épocas também longínquas mas posteriores.
De acordo com o padre Aníbal Rodrigues, o seu topónimo terá origem na existência de grandes e numerosas propriedades de pastagem para o gado vacum, caprino lanígero. Na verdade, é célebre na história de Melgaço o chamado Monte de Prado, onde passavam o Inverno os gados de Castro Laboreiro. Luís Vale descreve o monte como “verdadeira mancha verde de pinheiros, um local de prazer e repouso, descendo por pequenos vales frondosos até à frescura das águas do Minho”.
S. Lourenço de prado foi freguesia filial, tal como a vizinha Remoães, da de S. Paio.
O abade de S. Paio apresentava o vigário, que tinha mil réis de côngrua e o pé-de-altar. A renda era dividida em quatro partes iguais: uma para o abade da freguesia mãe, outra, chamada renda do castelo, para a mesa arquilepiscopal de Braga.
A infanta D. Urraca, filha de D. Fernando Magno, deu metade desta renda a D. jorg, bispo de Tui, em 1071. Onega Fernandes e seus filhos, Paio Dias e Argenta dias, deram ao bispo D. Afonso a quarta parte, em 1118.
Finalmente, a rainha D. Teresa e seu filho, D. Afonso Henriques, deram ao mesmo bispo, em 1125, a quarta parte restante.
A freguesia beneficiou, em Novembro de 1513, do foral de Melgaço concedido em Lisboa por D. Manuel I. Em 1839 fazia parte da comarca de monção. No ano 1874 constava já na comarca de Melgaço.
No campo monumental, merecem referência nesta freguesia, para além das capelas da Serra, de Santa Bárbara e de Santo amaro, principalmente a igreja paroquial, do século XVIII e sem um estilo definido, e algumas alminhas.

Na Idade Média, “a Igreja de S. Lourenço de Prado já era tida em público interesse, embora modesta, pois no taxamento das rendas eclesiásticas em 1320 aparece S, Lourenço de Prado com 12 libras, a mais baixa de todo o arcedíago de Valadares que abrangia as terras de Melgaço” (Pintor, 1975).
Na resposta ao ‘Inquérito’pombalino de 1758, o vigário Duarte Vaz Torres afirmava que ‘a igreja está sita no meio da freguezia junto da estrada real que vai para a villa de Melgaço, tem três altares, o maior do dito orago (S. Lourenço mártir) em que está o Santíssimo, os colaterais hum de Nossa Senhora do Rozario e outro das Almas em que há confraria ou irmandade das mesmas’ (Capela-IAN/TT, 2005: 172). O pároco era da apresentação do abade de S. Paio ‘com quem parte e rende para o vigairo de coatro a oito mil réis de congrua, vinte alqueires de pão meado, dous de trigo e hum almude de vinho, além dos incertos do pé do altar’ (Idem, ibidem).
 “Tanto esta freguesia como a de Remoães eram filiais da de S. Paio. A renda era dividida em quatro partes iguais - uma para o abade desta última freguesia - outra chamada renda do castelo, para a Casa de Bragança - as outras duas eram para a mesa arquiepiscopal de Braga” (Leal e Ferreira, 1876).
Integrada em meio rural, esta igreja apresenta arquitectura muito depurada mas de linhas equilibradas.
Situa-se no interior de um adro murado, com pequeno cruzeiro, para o qual se acede por escadaria semicircular extramuros. Também pelo exterior, no muro, está alojada uma bica de água. Todo o conjunto apresenta as mesmas características construtivas da igreja.
A igreja, construída em cantaria autoportante de granito, aparente, com as juntas rebocadas a branco, desenvolve-se segundo planta rectangular em nave e capela-mor com cobertura a duas águas.
Na frontaria, a entrada axial é rectangular e a porta, de duas folhas, em madeira esculpida com losangos e pintada a verde escuro. Sobrepõe-a uma janela com vitral, grade e moldura recortada. Remate por cornija angular rematada no vértice por cruz latina de hastes forquilhadas e pináculos nos extremos laterais.
A torre, situada do lado esquerdo e num plano ligeiramente mais recuado, compõe-se de três registos sendo o último aberto por quatro sineiras. Coruchéu coroado de catavento e rodeado de pináculos. Na parte frontal foi colocado um relógio circular.







Informações recolhidas em:









LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho (org.) e FERREIRA, Pedro Augusto (cont.) - Portugal Antigo e Moderno. Diccionário Geographico, Estatístico, Chorographico, Heraldico, Historico, Biographico e Etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande número de aldeias, Ed. Livraria Mattos & Moreira, Lisboa, 1876.
PINTOR, P.e M. A. Bernardo– Melgaço Medieval. Obra histórica, reed. Rotary Clube de Monção, Monção, 2005.
http://www.cm-melgaco.pt/portal/page/melgaco/portal_municipal/municipio/municipio_freguesias/Prado

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