terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Igreja Paroquial de Roussas (Melgaço): caraterísticas e referências históricas



No séc. XIII, a igreja de Roussas pertencia ao Cabido de Tui, segundo um documento existente na Torre do Tombo elaborado “para servir de lembrança às Inquirições de 1258” (Costa, 1981: 158).
Em 1320, uma concessão papal concedeu a D. Dinis a faculdade de receber, durante três anos, as contribuições das igrejas do reino para a guerra contra os Muçulmanos. Santa Marinha de Roussas foi taxada em 120 libras. No respectivo arrolamento estava adstrita à ‘Terra de Valadares’ (idem, ibidem: 168).
Por bula do Papa Eugénio IV, de 14-VII-1444, e a pedido do regente D. Pedro, a comarca eclesiástica de Valença foi separada do cabido de Tui (na altura adepta do papa de Avinhão) e anexada à diocese de Ceuta (idem, ibidem: 137).
Em 20-IX-1512, por um contrato celebrado entre o D. Diogo de Sousa, arcebispo de Braga, e D. Frei Henrique, bispo de Ceuta, a administração eclesiástica de Valença passou a pertencer à diocese de Braga, enquanto que a administração de Olivença ficou na posse da diocese de Ceuta (idem, ibidem: 145).
Santa Marinha de Roussas passou, então, a ser administrada pelo Arcebispado bracarense. Por um“memorial feito em tempo de Dom Manuel de Sousa (1545-1549) foi avaliada em 40.000 reis encontrando-se referida como pertencente à Terra da «villa de Melgaço»” (idem, ibidem: 202).
O Censual de D. Frei Baltazar Limpo, organizado em 1551 e objecto de cópia no tempo de Frei Bartolomeu dos Mártires (1559-1581), refere que a Igreja de Roussas constava do sumário de D. Diogo de Sousa como pertencente ao “arcebispo e padroeiros”(idem, ibidem: 208) e pelo registo das confirmações do mesmo arcebispo a apresentação desta igreja era “em metade da igreja de Braga e na outra metade dos filhos de Lopo Soares” (idem, ibidem).
A igreja actual de Roussas foi reconstruída no séc. XVII conforme consta da inscrição existente no tardoz da capela mor:
BLASIVS DE AN
DRADA DAGA
MA AbbAS IN
VITROq^ IVRE
LAVREATs AFVN
DAMENTIS ERE-
XIT MDCXXXX.

a qual, segundo a leitura do P.e Bernardo Pintor, diz o seguinte :
BRÁS DE ANDRADE DA GAMA, ABADE DOUTORADO EM AMBOS OS DIREITOS A ERIGIU DESDE OS ALICERCES EM 1690
Em 11 de Maio de 1758, o abade de Sta. Marinha de Roucas, Cleto Joseph de Azevedo Sotto Maior, na sua resposta ao ‘Inquérito’ pombalino informava: “Aprezentação desta igreja antiguamente hera «in solidum» de Dom Gaspar de Menezes morgado da caza do Porto sitta no Reino da Galiza, Bispado de Tui e hoje está alternativa hum anno pertence ao sobredito morgado e outro à «Mitra Primaz» e prezente foi aprezentação de Dom Manoel de Menezes governador da cidade de Tui e morgado da caza do Porto” (IANTT, 1758). Acrescentava ainda o pároco memorialista que poderia ter de renda “quinhentos mil réis” (idem, ibidem).
Nas corografias de Carvalho Costa e Pinho Leal, sustenta-se que “o padroado pertencia aos senhores do Paço de Rouças, uma família muito antiga e nobre que caiu em ruína, passando o paço para os Castros de Melgaço e o padroado para um tal Manuel Pereiro (o Mil Homens) de Monção. Finalmente passou para o arcebispo de Braga, que já o exercia nos princípios do séc. XVIII” (Alves, 2000: 172).
É um templo barroco construído em alvenaria autoportante de granito rebocada e pintada a branco, com embasamento, cunhais, cornijas, molduras e ornamentos aparentes.


 
Apresenta uma morfologia desenvolvida longitudinalmente em nave e capela-mor rectangulares, tendo esta última adossado, do lado norte, um corpo servindo de sacristia. Coberturas diferenciadas a duas águas sobre cornija apoiada em cunhais pilastrados (na nave e na torre) e denteados (na capela-mor e na sacristia) terminados por pináculos piramidais embolados.
Na fachada principal, orientada a poente, a entrada axial é por porta adintelada sobreposta por frontão triangular e pequena janela quadrangular. Remate por pseudo-frontão triangular com cruz latina no vértice.
Num plano ligeiramente mais recuado, adossada a sul, ergue-se torre de dois registos separados por cornija, com campanário de quatro sineiras no último e cobertura piramidal.
No interior destaca-se o retábulo-mor em talha ‘estilo nacional’ e os altares barrocos laterais.

 
Informações recolhidas em:

ALVES, Lourenço -Arquitectura Religiosa do Alto Minho. II - Séc. XVIII ao Séc. XX, Escola Superior de Tecnologia e Ciências Humanas/Instituto Católico, Viana do Castelo, 2000.
CAPELA, J. Viriato (Coord.) - As Freguesias do Concelho de Melgaço nas «Memórias Paroquiais» de 1758. Alto Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, Melgaço, 2005.
COSTA, Avelino de Jesus da - A Comarca Eclesiástica de Valença do Minho (Antecedente da Diocese de Viana), in Separata do 1º Colóquio Galaico Minhoto, Associação Cultural Galaico-Minhota, Ponte de Lima, 1981, Vol. 1, p. 69-235.
PINTOR, Manuel António Bernardo-Melgaço Medieval, 1975, reed. in Obras Completas, Vol. I, Ed. Rotary Club de Monção, Monção, 2005, pp.67-163 .
http://acer-pt.org/vmdacer/index.

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