quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Capela de Santa Bárbara (Prado - Melgaço)


No que toca aos seus fundadores diga-se que em 1752, a 29 Março, dá-se o nascimento de José Lopes, filho de Rafael Lopes e de sua segunda esposa Maria Gonçalves. Em adulto, tomou as ordens de presbítero, assinando como Pe. José Lopes de Araújo. Em 1828, a 23 Novembro, é a data da instituição testamentária de José Lopes. No testamento diz deixar um legado "in perpetum" de 3 missas rezadas, uma no dia do Santíssimo Nome de Jesus, outra no dia de São José e outra no dia de Santa Bárbara, mandadas rezar com os rendimentos do campo da Barronda, avaliado em 300$000, que confrontava com o rego de cortinas, de Sul com o Campo de João Ventura, de Oeste com as terras de Ana Pereira. Dos rendimentos deste campo será administrada a Capela de Santa Bárbara no que não chegarem as esmolas que os fiéis derem à dita Santa. Mais se refere que se ao falecer, a capela de Santa Bárbara ainda não estivesse feita, os rendimentos deste campo correriam para a sua feitura até estar concluída e se poder celebrar as 3 missas do legado deixado. Ainda consta no testamento que José Lopes deixava todos os seus bens móveis e de raiz a seu sobrinho o Dr. José Manuel Durães de Araújo e os bens de prazo deixava-os por vida a seu cunhado João Caetano Durães, estando na companhia do dito sobrinho. Além disto, deixava por fim a seu sobrinho António Manuel, filho de Diogo Manuel Lopes, 50$000 para ajudar a se ordenar e, caso não se ordenasse, esse dinheiro seria repartido por todos os filhos de Diogo Manuel Lopes.
Em 1830, a 2 de Março é a data da morte de José Lopes, quase com 80 anos. Em 1853, a 27 Janeiro, o Dr. José Manuel Durães de Araújo (sobrinho de José Lopes) compra a Joaquina Rosa Alves Torres, por 50$000, a casa de morada nos Bouços, sobrada, telhada e com rocios de pão e vinha, que confrontava a Este com João Manuel Fernandes, a Oeste e Sul com o caminho de carro para a fonte do lugar. A 7 Fevereiro de 1853 regista-se o casamento de Maria Justiniana, filha do Dr. José Manuel com João José Lopes, dos Bouços. Mais tarde, em 1855, a 22 Fevereiro, regista-se a compra a João Manuel Fernandes e mulher, Antónia Maria Soares, por 40$000, da leira do Martingo ou Ambrosinha e a leira dos Cerrados dos Bouços, de pão, vinha e oliveiras, que a Sul confrontava com o caminho do lugar.
O ano de 1856 é o ano da construção da capela e esta data aparece inscrita na verga do portal. Em 1856, a 11 Setembro, regista-se a escritura em que se obriga a conservar com toda a decência a capela de Santa Bárbara, que se achava reedificada no lugar dos Bouços, para nela se celebrar missa. A mesma dotava a capela, para património e veneração da mesma, da quantia de 10.000$00 anuais e, para tal, hipotecava todos os seus bens em geral e em especial a sua propriedade chamada de Trás do Coto, que produzia pão e vinho, situada no mesmo lugar, e que confrontava a Este com as terras de João Ventura de Sousa, a Oeste com o caminho que ia para o lugar de Trás do Coto, a Norte com o rego que vinha de Cortinhas e terras do outorgante e a Sul com as terras de Manuel Luís Tunes.
Em 1858, a 11 Fevereiro é a data do testamento de Dr. Araújo Durães que, por ser viúvo e sem filhos, deixava, por falecimento, os bens, nomeadamente a capela, ao genro e primo João José Lopes. O seu herdeiro devia mandar dizer anualmente 3 missas na capela, uma no dia do nome Santo de Jesus, outra no dia de São José e outra no dia de Santa Bárbara, com os rendimentos do campo da Barronda. Posteriormente, em 1877, a 4 Outubro, verifica-se o falecimento do Dr. Araújo Durães, com posterior abertura do testamento. João José Lopes casou em segundas núpcias com D. Angelina Perpétua Esteves, descendente dos Gamas da Serra, constando a capela no inventário orfanológico da sua viúva. Na década de 50 do século XX, por morte desta, a capela passou para os filhos. Genoveva, casada com João Luís Pinheiro, dos Bouços; Teresa de Jesus, casada com Eduardo José de Magalhães, de Castros, Penso; Aníbal Amadeu, casado com D. Bebiana da Conceição Rodrigues Lobarinhas, da casa do Crato, na Bela, em Monção, e a José Manuel, casado com Júlia Augusta Ribeiro Palhares, do Outeirão, Raposos.


Informações recolhidas em:
- www.monumentos.pt (Paula Noé, 2009);


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