quarta-feira, 6 de março de 2013

A Capela de S. Benedito na vila de Melgaço


Esta capela aparece situada no bairro da Calçada, em frente ao cruzamento formado pelos caminhos para Fiães e para Eiró, de Rouças e ainda pela velha estrada romana para Puente Barjas. Ergue-se à beira da estrada nacional, separado da mesma por passeio, adaptado ao declive do terreno, e flanqueado por muro de alvenaria de pedra, capeado a cantaria, delimitador de propriedade, e junto ao qual existe portão de acesso, entre dois pilares de cantaria. Paralelo à fachada lateral esquerda existe latada de vinha e junto à posterior árvores de grande porte.



Respeitante à fundação desta capela, temos que recuar a 3 Março de 1800, dia do nascimento de D. Maria Benedita Júlia Gomes de Abreu, filha de D. Constância Teresa de Araújo Lima e de Tomás Gomes de Abreu, numas casas próximas onde se ergue o actual nicho ou Capelinha de São Benedito. D. Maria Benedita, grande devota de São Benedito, por muito tempo, teve um tosco oratório de madeira seguro por ganchos de ferro entre as duas varandas da fachada norte da casa, expondo assim a imagem à veneração dos fiéis.

Em 12 Setembro de 1876 é a data do falecimento de D. Maria Bendita, após o qual, a imagem e o oratório de São Benedito passou para o seu herdeiro e sobrinho José Cândido Gomes de Abreu. Em 1882, José Cândido Gomes de Abreu manda construir ao lado da casa, no recanto norte, a nascente de um dos seus campos, junto à nova estrada real, uma pequenina capela, com altar em vidro. Em 1894, José Cândido manda retocar e reencarnar a imagem de São Benedito. Já no século XX, por morte do fundador da capela, ela ficou a pertencer ao Dr. Alfredo Cândido Pinto Alves, bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, e a residir em Vila do Conde, em finais da década de 40. Pouco depois, alienou-a.

Trata-se de um edifício com planta longitudinal simples, com cobertura homogénea em telhado de duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a principal com embasamento de cantaria e cunhais apilastrados, coroados por urnas sobre plintos paralelepipédicos, de faces almofadadas, e terminadas em friso e cornija, sobreposta por beirada simples. Fachada principal virada a este, terminada em empena coroada por cruz latina de cantaria, de braços quadrangulares simples, sobre acrotério. É rasgada por portal abatido de moldura, encimada por lápide de mármore inscrita. Possui fachadas laterais e posterior cegas. O seu interior apresenta as paredes rebocadas e pintadas e branco e cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque, e pavimento em lajes de cantaria. Na parede testeira, possui embutido nicho de cantaria, de perfil curvo, interiormente em cantaria e albergando imaginária, protegida por porta envidraçada, envolvido por moldura convexa, entre duas pilastras almofadadas, assentes em plintos de almofadas de ângulos curvos, que suportam cornija de ângulo bastante apontado. Sob o nicho existe mesa de altar rectangular, sobre falsa mísula.

Texto extraído de:
- www.monumentos.pt (Paula Noé, 2009)

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