domingo, 24 de março de 2013

Castro Laboreiro na obra do grande Orlando Ribeiro



Orlando Ribeiro, figura maior da Geografia em Portugal, visitou Castro Laboreiro e descreve-nos este bonito cenário na década de 30 do século passado nestas palavras: «Do castelo desmantelado de Castro Laboreiro (1033 metros) abrange-se vasto panorama que permite fazer ideia dos aspectos essenciais da região. Para Oeste, Norte e Este, até além da fronteira, estende-se um planalto que atinge nos cimos mais elevados 1200 a 1300 metros, é percorrido por várias ribeiras afluentes do Minho e do Lima, sendo a parte mais importante da drenagem feita pela Ribeira de Castro Laboreiro (ou Rio Laboreiro), que se lança no Lima em frente de Lindoso. Este planalto é o resto de uma superfície de erosão, conservada na parte mais elevada das montanhas galaico-durienses, bem caracterizada por formas de maturidade: cristas de granito desagregadas pela erosão, facilitada pelo fendilhado da rocha e pelos contrastes de temperatura, dentadas, em colunatas ruiniformes e caos de blocos; e, em altitudes vizinhas de 1000 metros, vales largos de fundo levemente abaulado por onde se escoam ribeiras tranquilas que correm à flor do solo. Da intensa desagregação da rocha resultam grandes acumulações de areia granítica, que dá origem a terra arável suficientemente funda e húmida, que se presta à cultura e ao desenvolvimento de prados.»

Extraído de:
Orlando Ribeiro. Brandas e inverneiras em Castro Laboreiro, 1939. Opúsculos Geográficos. IV. O Mundo Rural, 1991
Foto de 1971, Ruínas do Castelo de Castro Laboreiro

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