sábado, 30 de março de 2013

Miguel Torga escreveu em Castro Laboreiro (1948)


"Castro de Laboreiro, 24 de Agosto de 1948 - Estas pequenas comunidades que nos restam, Rio de Onor, Vilarinho da Furna, Laboreiro, etc., estão na última agonia. O Estado já não as pode tolerar, alheias à vida da nação, estrangeiras dentro do próprio território. Por isso manda-lhes ao coração o golpe de uma estrada e a isca da caminheta dum sardinheiro. E assim, um a um se vão apagando estes pequenos enclaves, não digo de paradisíaca felicidade, mas de humana e natural liberdade. Uma vida social assim, apenas acrescentada de ciência e cultura seria ideal. Antes de mais, o homem começou aqui por formar uma consciência cívica e fraterna, fundada em amor, e fez depois as reformas consoantes.Mas parece que se resolveu matar primeiro o homem e sua harmonia espontânea, e construir então sobre cadáveres o futuro."

(Miguel Torga, Diário IV)

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