quinta-feira, 16 de maio de 2013

Águas de Melgaço (1915) e os aquistas que atravessavam o rio Minho



A nostalgia do comboio que trazia gente da Galiza
A estação ferroviária é galega, mas nela desembarcaram, durante anos, até 1915, muitos portugueses que iam tomar águas a Melgaço. Fica em Arbo, na margem direita do rio Minho. Desta terra raiana da Galiza avistam-se as termas de Melgaço. A estação de Arbo servia, assim, de alternativa para os aquistas que, naqueles tempos, só tinham comboio até Valença. Para não fazerem o resto da viagem até Melgaço em carros de cavalos, passando por Monção, onde a via-férrea chegara tarde (e mal), seguiam então de comboio por Tui e, daqui, subindo a margem direita do Minho, chegavam à estação de Arbo. Só tinham, depois, de atravessar o rio em barcaça. Na margem esquerda esperavam-nos as charretes postas à disposição pelos hotéis das termas melgacenses. Maria Júlia Ranhada não viveu esse tempo, mas a estação galega de Arbo aviva-lhe sempre a saga desses hóspedes, que fazem também a história dos primitivos tempos do hotel, fundado pelo seu avô, António Maria Ranhada. Quando lá vai, sente a nostalgia dos comboios que, outrora, traziam gente para as termas de Melgaço. Nesta gare, correm-lhe ainda as histórias da infância, que ela e as irmãs ouviram contar. Vem-lhe à memória o avô António Maria, que ali desembarcara um dia, muito doente, para se salvar com as águas de Melgaço. 


Fonte: "Termas de Melgaço: os dias saborosos de uma glória submersa", texto de Pedro Leitão, in: SIM, Revista do Minho, editado em 6 de Maio de 2013.
Artigo gentilmente enviado por pela Sra. Teresa Lobato a quem agradeço a partilha!




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