domingo, 17 de agosto de 2014

Nos primórdios do Convento de Fiães

Igreja do Convento de Santa Maria de Fiães em 1918

O convento de Fiães é antiquíssimo. Diz-se que já existia no ano de 851, no tempo de D. Ramiro II de Leão e de sua mulher D. Paterna. Esta indicação ainda hoje gera discussão já que há autores que colocam a sua origem no século XII.
Consta que era o mosteiro mais rico das Hespanhas. Tinha foros e rendas no Minho, Trás-os-Montes e Galiza. Na igreja deste convento (como na de Alcobaça) havia Lausperene, no verdadeiro rigor da palavra, estando o santíssimo sacramento em exposição permanente, de dia e de noite.
Tinha regularmente 80 religiosos fora os conversos, minoristas, leigos, etc. Foram aqui sepultados alguns príncipes, três infantes e muitos fidalgos, portugueses e galegos que doaram rendas e propriedades ao convento. Também aqui foi sepultado Fernão Annes de Lima, pai do primeiro visconde de Vila Nova de Cerveira.
Era um edifício magnifíco que existiu mais de três séculos em grande prosperidade mas foi destruído por um pavoroso incêndio, onde arderam todos os papéis do cartório, incluindo todos os títulos das suas rendas reduzindo os frades à miséria, porque os foreiros subnegaram os seus títulos, recusando-se a pagar.
Afonso Paes e seus dois irmãos reedificaram o mosteiro dando-o aos religiosos de Alcobaça. Em 1154, mandaram pedir a Alcobaça um religioso de S. Bernardo (ordem de S. Bento reformada) para instruir os frades daqui que queriam adoptar o novo instituto. É por esta altura que o mosteiro adopta a regra de Cister.
Aqui perto, junto à raia fundaram uma aldeia a que chamaram Alcobaça em honra da vila capital da Ordem. Pagava este convento 40 000 réis à Capela Real e 25 000 réis ao Convento do Desterro em Lisboa. Julga-se, com fundamento, que este convento foi coutado do seu princípio pois já era couto no tempo do nosso primeiro rei que lhe confirmou o coutamento, assim como seu filho, D. Sancho I.
O abade de Fiães tinha jurisdição episcopal, metropolitana, com recurso somente para o pontífice. O provisor, nomeado pelo abade, recebia diretamente os breves apostólicos. O arcebispo de Braga não podia aqui fazer visitas, nem na Orada de Melgaço nem o bispo de Tui as podia fazer na Azoreira e em Lapela, por serem freguesias que, apesar de estarem dentro do se bispado, estavam dependentes deste mosteiro. Sendo abade D. João, deu a condessa D. Frouilla, em 1166, ao mosteiro de Fiães, as quintas da Orada e de Cavaleiros.
Ainda no fim do século XVI tinha este convento a apresentação de 20 abadias, entre as quais Lamas de Mouro, Cristoval, Chaviães, Santa Maria da Porta e Vilela bem como a igreja de Paderne, na Galiza. Tinha também na Galiza o couto de Freixomo, próximo de Allariz, que lhe doara Fernão Perez de Sandias, falecido neste mosteiro em 1386, além de outros coutos, fazendas, granjas e casas em diversos pontos da Galiza. 
Como se pode depreender, Fiães foi um mosteiro bastante rico, poderoso e próspero durante séculos especialmente na Idade Média.


Extraído de:
- PINHO LEAL, Augusto Soares A. B. (1874) - Portugal Antigo e Moderno (Volume III). Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Lisboa.



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