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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

As Águas de Melgaço nos anos 30 do século XX



Nos anos trinta do século passado, as "Águas de Melgaço" viviam tempos de prosperidade e eram muito concorridas na época termal, estando integradas já na empresa "Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas".
Num desdobrável publicitário de 1935 intitulado "Estâncias de Verão", publicado pela VMPS, podemos recolher interessantes informações acerca das termas melgacenses:
"A quatro kilómetros da histórica e pitoresca vila de Melgaço, no distrito de Viana do castelo, está a 115 metros de altitude e dista apenas 900 metros das belas margens do rio Minho. No centro de uma região formosíssima e extremamente salubre, protegida de ventos e isenta de humidade e nevoeiros, goza de um clima muito suave e de um ar muito puro e tónico devido à vizinhança de extensas matas e pinheirais."
Em termos terapêuticos, a grande mais valia das Águas de Melgaço era o facto de serem as únicas, em Portugal, indicadas para o tratamento da diabetes. No desdobrável, é referido que "O tratamento da diabetes assucarada é por excelência a especialização desta estância. Sob esse aspecto, não tem rival nem sequer congénere no paíz. As bem organizadas estatísticas do Corpo Clínico, resultado de rigorosos exames e análises laboratoriais , dão-nos nos últimos anos uma média de 75% de diabetes tratados, em que a glicosuria foi eliminada e 20% em que foi atenuada. Aplicam-se também estas águas com resultados brilhantes no tratamento de dispepsias, atonias gástrica e intestinal, nevroses gástricas, enterocolites, insuficiências hepáticas, litíases biliar e renal, anemias, obesidade e estados neurasténicos."
Também em termos de equipamentos de lazer, a estância das Águas de Melgaço dispunha de "um extenso parque onde não faltam alamedas ensombradas e lugares pitorescos. Os aquistas desportivos dispõem de um magnífico court de ténis, um excelente campo de "midget golf", bem como de outros jogos e passatempos. Melgaço está numa região privilegiada ,não lhe faltando passeios encantadores. Em S. Gregório, a poucos kilómetros, a paisagem é surpreendente. Com o estabelecimento do Posto da Polícia na ponte internacional, há pouco inaugurada, estará em breve assegurada a passagem para excursões na vizinha Galiza."...
Pode encontrar estas e outras informações no desdobrável que se seguida se reproduz na íntegra...


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sexta-feira, 12 de julho de 2019

Uma crónica sobre as Termas do Peso (Melgaço) em 1939




Há 80 anos atrás, as Águas de Melgaço continuavam a ser muito procuradas para os problemas de saúde dos visitantes enquanto estes procuravam desfrutar, durante a sua estadia, de tudo de bom o que a terra tinha para lhes oferecer. Numa crónica publicada no Diário do Minho de 12 de Julho de 1939, podemos ler: "Durante o mês de Junho findo foi sensivelmente diminuta a inscrição dos aquistas na Estância Termal. Atribuía-se este facto estranho à circunstância de os jornais terem propalado o boato da cheia caudalosa e destruidora, que tantos estragos deixou na sua passagem.
Os aquistas, apavorados, convenceram-se naturalmente de que a cheia havia levado consigo as fontes minerais. Mas isso correspondia a crer que uma grande inundação afogara os peixes. Não é verdade?
As circunstâncias, é claro foram outras. O boato só podia ter foros de viabilidade em cérebros avariados ou doentios. O tempo esteve igualmente variável no mês consagrado a Juno, e os doentes aguardavam dias quentes, que chegaram, de uma temperatura constante.
E agora eis que as camionetas de carreiras todos os dias, de manhã e de tarde, vomitam para os grandes hotéis e pensões centenas de hóspedes, que vêm a esta bela estância minhota, encontrar as afamadas águas, alívio e esperança de restabelecimento para os seus sofrimentos.
Nesta semana passada nada houve a registar. Pic-nics, excursões, passeios… nada disso. Está-se a haurir do repouso tónico alento para a distração. Daqui a dias, reina o turismo. Os carros passam para S. Gregório com excursionistas da estância. Passeios recreativos a Monção e à Brejoeira. O salão de jogos do café-bar oscila com o peso dos aquistas. O Martins de Lisboa inicia no Parque do Grande Hotel das Águas (Ranhada) as distrações populares. O Avelino do acordeão não tem pano para mangas na azafama dos concertos musicais. Começaram as rifas e os leilões de quinquilharias da firma acreditada no César & Monteiro. Vêm as cantadeiras de Lisboa ferir nota alacre dos fados e canções portuguesas.
Enfim, começa a vida viva da pitoresca Estância Termal. O sangue dos diabéticos corre por todas as artérias. Vêm estilizar-se da sangria as lavadeiras, as leiteiras, as vendedeiras de fruta, as vendedeiras ambulantes de chocolate, de latas de compota ou conserva de maracoton, as mulheres de recados, os almocreves que transportam nas muares, excursionistas para Fiães ou Castro Laboreiro, o Pires do Cinema, os carros ligeiros de aluguer, as levas numerosas de mendigos, etc., etc. Até a fábrica do Moreira da Silva é uma artéria lautamente beneficiada.
Temos no Peso (Melgaço) duas massas admiráveis: as fontes minero-terapéuticas e a manteiga do Moreira da Silva, cuja obesidade natural e face de cor do presunto de Chaves é um reclame eclatante do produto maravilhoso da sua fábrica.
Vamos adiante. Não vá o público supor que o cronista adiposo de grande diâmetro abdominal, engorda também à custa da Fábrica, por motivo de ali todas as tardes tomar o aromático café ao lado do amável e benquisto fabricante.
Pois é assim, Por enquanto, o espírito sedento de digressões e expansões recreativas deriva a sono solto. Mas breve sai por aí fora muito mexido, ofegante e folgozão.
Damos a seguir as entradas de hóspedes ilustres nos grandes hotéis e pensões:
- No Grande Hotel das Águas (Ranhada)
José Pereira Pimenta de Castro; Comandante José Cunha Santos; Capitão Morais Rosa Salvador Braga, Redactor do “Jornal de Notícias”; Dr. Vitor Viana, médico militar; tenentes coronel Bártolo Simões; Vitoriano Lopes Sampaio, Condessa de Sabrosa e Afonso Vieira Dionísio.

- No Hotel Rocha
Álvaro Lucena; Padre Teófilo de Andrade; D. Maria da Conceição de Lemos Magalhães e D. Margarida de Lemos Magalhães; D. Tereza Furtado da Antas de Figueiredo; Sebastião e Irmão, conscienciosos industriais de Vila Nova de Gaia.

- No Grande Hotel do Peso
Raul Marçal Brandão e esposa; Dr. José Joaquim Machado Guimarães; Elias da Cunha Pinto; Dr. Manuel de Oliveira Campos, médico; D. Mirita Abecassis e sua gentil filhinha D. Cecília; Avelino Vieira Braga e esposa do Porto; Leonardo Palhinha, abastado proprietário de Montemor-o-Novo.

- Na Pensão Boavista
Dr. Manuel Ribeiro da Costa, médico e esposa; Dr. Mexia; capitão César Pina; capitão José Augusto Marçal, esposa e galante filhinha.
Até para a semana.




In: Diário do Minho de 12 de Julho de 1939; republicada em "A Voz de Melgaço", de 1 de Julho de 2019.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

As Águas de Melgaço nos anúncios dos jornais de inícios do séc. XX




Foi no último quarto do século XIX que foram descobertas as propriedades curativas das Águas de Melgaço. Logo em 1884, ano da descoberta das águas, houve um requerimento pedindo o aproveitamento e exploração das “águas alcalino-gasosas”, sendo em 1885 o início do processo de engarrafamento. Tal é feito, numa primeira fase, numa casinha de madeira, construída para abrigo e comodidade dos aquistas na nascente. A partir de 1888, esta água, já conhecida por tratar doenças do foro digestivo e a diabetes, passou a ser engarrafada no próprio local e exportada em garrafa para vários pontos de Portugal e do mundo, nomeadamente para Espanha, as antigas colónias portuguesas e o Brasil. Podemos comprovar que no jornal galego, “Crónica de Pontevedra”, na sua edição de 31 de Agosto de 1888, onde se lê que as Águas de Melgaço eram engarrafadas e vendidas em várias farmácias ou drogarias galegas em Baiona, Vigo ou Gondomar. O engarrafamento era realizado pelo farmacêutico Domingos Ferreira de Araújo, proprietário da farmácia “Ferreira de Araújo”, que ficava na vila de Melgaço. Ele próprio as certificava e garantia a sua qualidade. Podemos ver tal informação neste recorte do jornal:
De utilidad
Aguas ferruginosas-alcalino-litiníferas de Melgazo, Alto Minho (Portugal). Segun el análisis de estas aguas, reconocido por el Doctor D. Antonio Casares, distinguido quimico de Santiago, se vé claramente que son muy útiles en las dispepsias y otros padecimentos del estomago, en las afecciones del higado, vegiga, etc., sustituyendo por esto com ventaja á las de Mondariz.
Se venden embotelladas recientemente por el farmaceutico de Melgazo D. Domingos Ferreira de Araujo,  en las farmacias de los Srés. Espinosa, en Gondomar, y del Rio Gimenez, en Bayona, y en la Drogueria de los Sres. Bermejo Perez y Puente, en Vigo.
Estas botellas llevan el nombre impresso del farmaceutico de Melgazo, para evitar falsificaciones.”


Por esta altura, as Águas de Melgaço eram já vendidas para todo o país em grandes quantidades havendo entrepostos de distribuição em todas as grandes cidades do país. Neste anúncio publicado no jornal melgacense "Espada do Norte", na sua edição de 29 de Dezembro de 1892, podemos ler sobre as suas caraterísticas e prescrições, além e informação do seu ponto de distribuição na cidade do Porto na época. Temos também a informação que era vendida em todas as farmácias.



A confiança nas Águas de Melgaço era que, até alguns dos médicos mais respeitados da época, através de estudos e análises químicas da água, faziam propaganda, para que os doentes tratassem seus problemas no banho ou no consumo direto. Como diz Edmundo Lopes (1949), as águas do Peso (Melgaço), “são, na verdade, excelentes agentes medicamentosos. Nenhuma conhecemos que exerçam em mais alto grau uma acção nitidamente específica sobre o metabolismo hidrocarbonado e certas formas de hepatismo”. Eram indicadas para o tratamento do “diabetes, padecimentos de estômago, intestinos, fígado, rins e bexiga”, como aparece anunciado no Jornal “Diario Illustrado”, na sua edição de 2 de Agosto de 1902, em Lisboa.

A água de Melgaço podia ser bebida simples ou então misturada com leite ou vinho. Podemos ver num anúncio do jornal "Diário Illustrado", na sua edição de 24 de Abril de 1908, onde se publicita um Vinho Verde Branco que dizem ser o ideal para misturar com as Águas de Melgaço:

Na viragem do século, uns anos antes, mais concretamente, em Setembro de 1899, é publicado um anúncio no Diário de Notícias que é hoje de grande interesse relativo às Águas de Melgaço e aos Hotéis do Peso. Por essa altura, o Porto e outras cidades portuguesas estavam a sofrer um surto de peste bubónica que estava a provocar elevada mortalidade, estando Melgaço a salvo desta epidemia. Então, os donos dos hotéis do Peso mandam publicar o seguinte anúncio:
Águas de Melgaço
Em vista da satisfação com que os aquistas de Lisboa e outros pontos do país aqui se demoram, reputando esta estância como um verdadeiro sanatório que é, os proprietários do Hotel do Peso resolveram conservá-lo aberto até meado do mês de outubro, servindo como lugar de refúgio aos receosos de contágios “ (Diário de Notícias, 12/09/1899).

Desde a viragem do século XIX para o século XX, a exportação das Águas de Melgaço para o Brasil cresce de uma forma muito significativa. Tal pode ser comprovado na quantidade de publicidade que encontramos em variada imprensa de diferentes regiões de Brasil dos quais selecionei alguns que aqui se partilham:
- Anúncio das Águas de Melgaço no "Jornal do Commercio" (Rio de Janeiro) na edição de 29 de Janeiro de 1911:

- Anúncio das Águas de Melgaço e Vidago no "Correio da Manhã" (Rio de Janeiro) na edição de 16 de Maio de 1911:

- Anúncio das Águas de Melgaço no "Jornal do Commercio" (Rio de Janeiro) na edição de 25 de Março de 1912:

- Anúncio das Águas de Melgaço no "O Imparcial" (Rio de Janeiro) na edição de 29 de Abril de 1915:

- Anúncio que faz referência à oferta de uma caixa de Águas de Melgaço para um sorteio de beneficência no jornal "O Estado do Pará" (Pará) na edição de 5 de Dezembro de 1915. No anúncio, cita-se que no estado do Pará (Brasil), o consumo das nossas águas era muito significativo:

- Um outro anúncio que faz referência à oferta de uma outra caixa de Águas de Melgaço por parte de uma firma chamada Pires Teixeira & Cia. para um sorteio de beneficência no jornal "O Estado do Pará" (Pará) na edição de 5 de Dezembro de 1915:

- Anúncio das Águas de Melgaço no jornal "A Noite" (Manaus) na edição de 5 de Agosto de 1916:

- Anúncio das Águas de Melgaço no jornal "O Imparcial" (Rio de Janeiro) na edição de 3 de Agosto de 1917. Aqui chama-se à atenção que esta água é eficaz nas doenças de rins além da diabetes:

- Anúncio das Águas de Melgaço no jornal "A Província" (Recife) na edição de 15 de Janeiro de 1921:

- Anúncio das Águas de Melgaço no jornal "Diário do Pernambuco" (Pernambuco) na edição de 11 de Maio de 1915:

Além da forte aposta na exportação para o mercado brasileiro, as Águas de Melgaço eram também vendidas para as antigas colónias, algo que se pode comprovar pela presença assídua na publicidade de publicações como a "Portugal Colonial", distribuída nos antigos territórios ultramarinos. Aqui se apresenta um extrato de um anúncio das Águas de Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas. O slogan publicitário das Águas de Melgaço apresentado é o conhecido "A salvação dos diabéticos" (in: Portugal Colonial, edição de Junho/Julho de 1932):

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Melgaço fotografado pelo pioneiro do cinema em Portugal em 1903 e 1904



As Águas de Melgaço, no início do século XX, atraíam um grande número de aquistas sendo muitos deles personalidades ilustres da sociedade portuguesa. Pelas Águas de Melgaço, passaram Presidentes da República, Ministros, intelectuais, investigadores, artistas, entre outros. Uma das grandes personalidades portuguesas ligadas à arte que esteve em Melgaço foi Aurélio da Paz dos Reis (1862-1931), pioneiro do cinema em Portugal, autor dos primeiros filmes em Portugal, ainda no século XIX sendo também um talentoso fotógrafo ainda que amador.
Aurélio da Paz dos Reis esteve em Melgaço pelo menos em 1903 e 1904 e fotografou as Águas de Melgaço de uma forma única. A Nascente, os aquistas, o Hotel Quinta do Pezo, os passeios dos aquistas das termas ao rio Minho, a Paderne ou a S. Gregório, tudo com um certo glamour, compõe uma bela coleção de raras imagens da nossa terra nessa época. Existem pelo menos quase meia centenas de fotos tiradas em Melgaço por este realizador de cinema que fazem parte do seu extenso espólio.
Partilho com vocês algumas das mais belas e raras fotografias de Aurélio da Paz dos Reis tiradas em Melgaço...


Aquistas das Termas do Peso (Melgaço) em 1903, na margem do rio Minho
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Passeio a S. Gregório (Melgaço), na Ponte Internacional em 1903
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Passeio a S. Gregório (Melgaço), na Ponte Internacional em 1903
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Nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
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Vista sobre a Nascente das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
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Ao lado da Nascente das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
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No Hotel Quinta do Peso, nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1904
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No Hotel Quinta do Peso, nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1904, na saída para um passeio
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Aquistas em passeio nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
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Nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
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Nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
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Nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903, em passeio
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Nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903, em passeio
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No Hotel Quinta do Peso, nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1904
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Aquistas na margem do rio Minho ao lado da barca, nas proximidades
das Termas do Peso (Melgaço) em 1904
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No Hotel Quinta do Peso, no Peso (Melgaço) em 1904, uma foto de grupo
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Aquistas a descer da barca na margem do Minho, no Peso (Melgaço) em 1903
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Junto ao Convento de Paderne (Melgaço) em 1903, à saída da missa
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sexta-feira, 9 de março de 2018

As Águas de Melgaço nos seus primórdios na imprensa




A descoberta das propriedades das águas do Peso (Melgaço) só foram identificadas em 1884, aquando de um caso da esposa de um médico de Vila Nova Cerveira, que sofria de uma doença de estômago e se conta que se curou. A fama das águas depressa se espalhou e em 1885 Bonhorst efectuou as primeiras análises, ano em que também foi construída uma primeira oficina de engarrafamento, em madeira, sobre a fonte Principal. Alfredo Luíz Lopes, em 1892, descreve essa construção e o projecto de uma nova exploração: Pensa-se, porém, em constituir uma companhia que lhe desenvolva a exploração. Hoje são em grande número as garrafas transportadas para diversas terras do Minho e principalmente para o Porto, onde existe um depósito especial, bastante afreguesado.
Contudo, já em data anterior, no jornal galego, “Crónica de Pontevedra”, na sua edição de 31 de Agosto de 1888, podemos ler que as Águas de Melgaço eram vendidas engarrafadas em várias farmácias ou drogarias galegas em Baiona, Vigo ou Gondomar. O engarrafamento era realizado pelo farmacêutico Domingos Ferreira de Araújo, proprietário da farmácia “Ferreira de Araújo”, que ficava na vila de Melgaço. Ele próprio as certificava e garantia a sua qualidade. Podemos ver tal informação neste recorte do jornal:

“De utilidad
Aguas ferruginosas-alcalino-litiníferas de Melgazo, Alto Minho (Portugal). Segun el análisis de estas aguas, reconocido por el Doctor D. Antonio Casares, distinguido quimico de Santiago, se vé claramente que son muy útiles en las dispepsias y otros padecimentos del estomago, en las afecciones del higado, vegiga, etc., sustituyendo por esto com ventaja á las de Mondariz.
Se venden embotelladas recientemente por el farmaceutico de Melgazo D. Domingos Ferreira de Araujo,  en las farmacias de los Srés. Espinosa, en Gondomar, y del Rio Gimenez, en Bayona, y en la Drogueria de los Sres. Bermejo Perez y Puente, en Vigo.
Estas botellas llevan el nombre impresso del farmaceutico de Melgazo, para evitar falsificaciones.”



Melgaço e as suas águas sempre tiveram o efeito benéfico  para o corpo e para a alma de quem nos visitava. Às vezes, a descontração na hora de partir até era demais. Se não atente nesta notícia extraída do periódico “La Correpondencia Gallega” que remonta a 3 de Julho de 1901:
“Buen hallago
Unos acaudalados portugueses que regresaban á Lisboa de las aguas de Melgazo, al tomar el tren correo en la estoción de Arbo, dejaron olvidada en la sala zaguán una bolsa de mano que contenía treinta mil pesetas en valores y albajas.
Recogida por el jefe de la estación D. Félix Blanco, telegrafió su hallago á Guillarey, desde cuyo subió á recogerla su dueño en el tren correo ascendente del mismo dia.
Digna de alabanza es la conducta de este empleado del ferrocarril.”




Fontes consultadas:
- Jornal “La Correpondencia Gallega”, edição de 3 de Julho de 1901.
- Jornal “Cronica de Pontevedra”, edição de 31 de Agosto de 1888.
- Lopes, A. L. (1892) - Águas Minero-medicinais de Portugal. Lisboa.