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sábado, 8 de novembro de 2014

Momentos de grande pânico na Peneda (Fevereiro de 1956)



No dia 2 de Fevereiro de 1956, as gentes da Peneda viveram momento de grande pânico. Um grande penedo rolou vertente abaixo e arrasou casas e cemitério. Por milagre, não houve mortes. O Diário Popular na época conta o sucedido: “A população das imediações do lugar da Peneda, onde se ergue o Santuário do mesmo nome viveu hoje horas de grande alarme, quando um imenso bloco de granito, pesando algumas centenas de toneladas, se deslocou  e começou a rolar pelo terreno, que ali é bastante inclinado, levando na frente arvoredo e casas, tudo destruindo e causando alguns feridos. A princípio, reinou mesmo o terror na região, pois as primeiras notícias deixavam prever que numerosas pessoas jaziam mortas, entre os escombros das casa que foram destruídas pelo imenso pedregulho.
Felizmente, apesar da grave extensão material do desastre, não se registaram mortos e as autoridades tomaram rápidas providências para serenar os ânimos e para prestar imediato auxílio aos feridos, alguns dos quais em estado de certa gravidade. 
Junto ao Santuário de Nossa Senhora da Peneda, existiam duas massas de granito que, pelo sua posição e feitio, despertavam sempre grande interesse entre os milhares de peregrinos que anualmente, em Setembro, acorrem à romaria que ali se efetua e entre os quais se contam sempre muitos espanhóis, vindos a pé de longas distâncias.
Esta manhã, cerca das 10 horas, devido à neve que se acumulara no local, um desses penedos, que pela configuração é denominado “Cabeça da Velha”, quebrou-se e soltou-se da serra, começando a rolar com grande estrondo, pela encosta.
A pouco e pouco, a enorme massa de granito ganhou ainda mais velocidade, nada se podendo então opor à sua marcha. Árvores e outros pedregulhos, tudo era arrasado, num verdadeiro alude, que ameaçava submergir.
Uma das primeiras vítimas – felizmente quase sem consequências – da desenfreada correria do imenso pedregulho foi uma velhinha de 73 anos que andava no campo, a apanhar lenha. Ao ouvir o estrondo enorme produzido pelo granito a rolar no terreno e avistando o pedregulho que avançava na sua direção, a pobrezinha julgou chegado o seu último momento. Num gesto instintivo, não para defesa, mas para não contemplar a morte, a velhinha levantou um braço, cobrindo os olhos.
Nesse instante, a massa de granito, rolando impetuosamente, chego no local e passou sobre a velhinha. Felizmente, esta encontrava-se numa acentuada depressão no terreno. Como o volume do pedregulho era enorme, a massa granítica não penetrou no buraco. E a velhinha apenas foi atingida de raspão, precisamente no braço que erguera para cobrir os olhos, o qual ficou levemente ferido.
Mais adiante, a mole granítica derrubava árvores e, encontrando na sua frente o frágil obstáculo dos muros do cemitério, destruía-os e cruzava todo o espaço ocupado pelos jazidos, fazendo destroços, deixando atrás um sulco profundo.
Não se interrompera ainda a marcha fatídica do penedo de granito. Mais adiante, penetrava em quatro prédios, que derrubava parcialmente, lançando o pavor na vizinhança e causando, então,  ferimentos em muitas das pessoas que se encontravam nas casas atingidas.
Para se fazer uma ideia da força com que o pedregulho rolava, basta referir que uma das casas era bem sólido, pois a sua construção era recente, estando ainda a terminar-se as pinturas ali efetuadas. O penedo gigantesco atravessou a casa de lado a lado, furando as suas paredes como se fossem de cartão e causando assim prejuízos superiores a uma centena de contos.
Esses prejuízos elevaram-se rapidamente, pois outros três prédios foram igualmente atravessados pelo pedregulho. A marcha deste, no entanto, fora já consideravelmente reduzida e o penedo de granito, daí a pouco, em terreno mais plano, imobilizava-se. Para trás dela, em poucos segundos, ficara um espetáculo de horror.
Como acima referimos, ficaram feridas várias pessoas, mas muitas delas, por as suas contusões não serem de gravidade, receberam tratamento na Peneda e foram abrigadas por pessoas amigas. Pelo seu estado inspirar mais cuidados, foram internados no Hospital da Misericórdia desta vila (Melgaço) os seguintes sinistrados: Constança de Sousa, de 45 anos, com várias contusões pelo corpo; Claudina Rosa Martins, de 43 anos, casada, em estado grave, devido ao esmagamento das costelas; Maria de Jesus Martins, de 27 anos, solteira, com vários ferimentos. Estas feridas foram imediatamente assistidas pelo Sr. Dr. Esteves e pelo pessoal de enfermagem.


Na sua correria, a massa de granito causou também prejuízos no abrigo dos romeiros, que pertence ao Santuário e que só não foi destruído por ter sido atingido apenas numa esquina.”  

Recortes de jornal da época (clique nas imagens para ampliar):






Extraído de:
- Diário Popular, edição de 2 de Fevereiro de 1956, nº 4786.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

"Nas alturas da Peneda" - Cântico à Nossa Senhora da Peneda (1946)

Trata-se uma brochura  editada em 1946 onde consta a letra e a música de um cântico religioso à Nossa Senhora da Peneda (no vizinho concelho de Arcos de Valdevez). O cântico intitula-se "Nas alturas da Peneda" e é da autoria do Padre Joaquim Alves (letra) e do Padre Alberto Braz (música).


 







segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Esta reportagem conta-nos como era Castro Laboreiro e o Soajo em 1911 (parte II)


O único logar onde encontrei uma recepção pouco amavel foi em Penêda. Este povo selvagem e intratável, vê em todos os desconhecidos um inimigo, e cconstitue-se na obrigação de d’elle se desembaraçar.
Não sei se eles me tomaram por conspirador ou por carbonário; nem tenho desejo em sabel’o.
Basta-me o facto de me terem preparado uma cilada, onde o menos que poderia perder era a vida.



O regedor da Penêda, com sua filha


Devido á chegada, no momento psychologico, de Domingos Avelino Lourenço, regedor da freguesia, consegui escapar d’esta vez.
O certo, é que eu não conto voltar á serra da Penêda, emquanto não tiver obtido a certeza de que se modificaram os sentimentos fraternaes d’aquelle povo.
O sr. Avelino Lourenço e sua exmª família, prepararam uma recepção hospitaleira, que foi verdadeiramente um raio de luz nas trevas da montanha. Penêda, é o logar mais selvagem que encontrei na minha expedição. Afastada léguas dos centros civilizados, falta á população todo o sentimento de cultura. Não se compreende como o grandioso santuário de Nossa Senhora, se perdeu por aqui. Se os romeiros são recebidos com a mesma gentileza e atenção que nos dispensaram, duvido que algum estranho á terra, volte a estas paragens.
Se tivesse alguma duvida ácêrca da gravidade da minha situação, o sr. Avelino afastou-as no dia seguinte, acompanhando-me durante duas léguas, e dizendo-me na despedida agora é que v. exª está salvo.
Durante o trajecto, tive ocasião de experimentar a eficácia de um instrumento desconhecido a incultos povos. N’uma d’estas aldeias, cujo nome não me ocorre, tirei da algibeira um copo de viagem de alumínio, forma de telescopio que causou o espanto de toda a povoação, e que frequentemente tive de fechar e abrir sob este sol abrasador, para satisfazer a curiosidade ingenua d’esta pobre gente, antes de pode beber uma gota de agua, tão necessária á minha garganta ressequida.
Estou convencido de que, ainda por muito tempo, será o copo do estrangeiro, o thema da conversação dos aldeãos, a maior parte dos quaes desconhece estradas de macadame ou mesmo um caminho de ferro.
O caminho segue sempre entre serras selvagens, talhadas para servirem bem n’uma guerra de guerrilhas; todavia será necessário que os contendores conheçam bem o terreno para evitar qualquer surpresa. Infeliz d’aquelle que cahisse n’uma cilada n’estes abysmos tenebrosos! De longe, n’um planalto rodeado de altos montes, depara-se á vista uma aldeia maior, é o Suajo, estação intermédia entre Penêda e Arcos de Val-de-Vez.




Uma rua no Suajo


Aqui, o meu salvo-conducto, assingnado pelo ilustre ministro do interior, valeu-me uma grande manifestação de sympathia; era um bom republicano que chegava, visto que só como tal poderia o dr. António José d’Almeida, conceder a um estrangeiro a protecção incondicional garantida no documento referido. O povo do Suajo é relativamente culto.




O interior de uma habitação no Suajo. A casa do Juiz de Paz
A maior parte dos homens conhecem Lisboa, por ser tradicional a sua emigração para esta cidade, onde se empregam, de preferência, no mister de moços de padaria. O aspecto da povoação é estranhamente pitoresco.




Typo de casa no Suajo


Na praça principal, ergue-se um antigo pelourinho, encimado por uma horrenda carranca, que faz lembrar, pela sua factura primitiva e ingenua, qualquer trabalho gentílico. Infelizmente, o sol ardente, opunha-se a immortalisar a tal obra na pellicula photographica, bem como os curiosos palheiros, construídos de pedra, em forma de cadela, e todos eles encimados por uma cruz. A gravura, mostra um grupo de aldeãos, entre palheiros, construídos de verga e cobertos de palha. Não lembra, este aspecto, uma scena do continente negro?



Palheiros do Suajo


Á sahida do Suajo, foi a nossa caravana augmentada com o cabo da guarda fiscal, de espingarda ao hombro, cavalgando uma pequena mula; um padeiro de estatura gigantesca, que, n’uma montada egual, quasi arrastava as pernas pelo solo, uma mulher candongueira de estatura avantajada e com um rosto ainda de uma beleza, que há vinte anos devia ser extraordinária.




A nossa caravana à sahida do Suajo


A tia Maria, conduzia ao hombro a espingarda do padeiro, e uma sua sobrinha que a acompanha, não ficava, em formosura, muito áquem de sua tia. Imaginem esta caravana, caminhando penosamente entre os estreitos valles da serra, e comprehenderão, facilmente, que eu me julguei n’uma viagem de exploração, por mares nunca d’antes navegados. No caminho, encontrámos um patrulha de caçadores 5 que me fez lembrar que a minha missão, era talvez assistir a alguma lucta sangrenta, mas, infelizmente, nenhum sangue correu se não o meu, na ocasião de me barbear deante de um espelho, que só poderia prestar bom serviço a um cego. O sol someçava a desaparecer no horisonte, e nós comecámos a acelerar a marcha para podermos chegar antes da noite aos Arcos de Val-de-Vez, deixando o guarda fiscal e o padeiro regressar com os caçadores para o Suajo.




O rio em Arcos de Val-de-Vez


Anoitecia quando entrámos nos Arcos, e a minha aparição, envergando o fato quasi militar, polainas, esporas e pistola, deu ocasião a que umas mulheres espalhassem o boato de que o Paiva Couceiro tinha chegado. Todavia, quando uma hora depois me viram passeando com o comandante Simas Machado, as suspeitas desvaneceram-se por completo.



O banho dos cavallos


Devido á amabilidade do sr. Tenente coronel Simas Machado, tive ocasião de acompanhar uma força de tenente que se ía installar na Portella do Extremo, como posto avançado, para assegurar a estrada de Monsão-Arcos-Braga.



Nos Arcos de Val-de-Vez


A força aquartelou-se no cemitério da aldeia, romanticamente situado entre dois alcantilados montes, coroados por restos de fortificações das campanhas da guerra da independencia.




Um posto avançado na Portella do Extremo


A pequena igreja foi fundada no anno de 1741, por cavalleiros da Ordem de Malta, conforme indica uma cruz d’essa ordem, esculpida sobre fundo azul, na base da qual se encontra a palavra Malta e a era. O cemitério apresenta um aspecto pouco vulgar; não existem lapides, cruzes, jazigos ou mesmo simples indicação sobre as sepulturas.



O meu almoço com o commandante do posto da Portella do Extremo, tenente Velloso


Uma pequena elevação de terra preta sobre a qual repousa uma pequena tigela de agua benta, é a única indicação de que ali descançam das fadigas da vida os que labutaram n’este solo ingrato. Não obstante esta vizinhança pouco convidativa para quem deseja repousar-se um pouco da fadiga de uma jornada extenuante e de uma trovoada formidável que parecia inflamar o ceu, e que encheu o estreito valle com o ruído monumental dos seus trovões, dormimos sobre o feno, cobertos com as mantas dos cavallos, até que, aos primeiros alvores da madrugada, os relinchos e o escarvar das patas dos cavallos, nos chamaram ao cumprimento do dever do dia.





A capella dos cavalleiros de Malta na Portella do Extremo. Ao fundo, veem-se os restos das fortificações levantadas em 1640


No regresso aos Arcos aluguei um trem, que, sem mais incidentes, me conduziu a Braga. Resta-me, talvez, expor a idéa de que n’esta região se podia estabelecer um centro de tourismo, para aquelles cujo estado de saúde não permite a permanência nas altitudes. Encontrariam os doentes n’estas condições, uma situação que lhes permitiria o exercício de pequenas excursões de montanha ainda inexplorada, bastava que se estabelecessem hotéis que proporcionassem as comodidades q que, em geral, estão habituados os que costumam empregar o seu tempo e dinheiro em taes distrações. Creio também, que será proveitoso mandar explorar esta região archeoloca e geologicamente, porque, sestou convencido, que aqui se encontrariam valiosos elementos para a historia dos primitivos habitantes do paiz.




Texto e Clichés de Bruno Buchenbacher
Fonte: Illustração Portugueza, nº 284, de 31 de Julho de 1911

Extraído de:
Blogue do MInho

domingo, 23 de setembro de 2012

Esta reportagem conta-nos como era Castro Laboreiro e o Soajo em 1911 (parte I)

Há cerca de cem anos, mais precisamente em 1911, um jornalista do jornal “O Século” viajou até as montanhas agrestes da Peneda e do Soajo e contatou de perto com as populações locais, mormente Soajo e Castro Laboreiro. Dessa digressão, Bruno Buchenbacher deixou-nos um registo na revista “Illustração Portugueza”, publicação ligada àquele periódico republicano dirigido por Magalhães Lima.

Na realidade, não foi a curiosidade do etnólogo que motivou a deslocação do jornalista a esta região. Ele próprio o confessa: “Não era simples curiosidade de touriste nem tão pouco um espírito de aventura, que me conduziu, n’estes dias caniculares do sol inclemente, áquellas serras abandonadas e desconhecidas, mas sim o dever jornalístico”.
O dever jornalístico consistia em acompanhar os esforços das forças republicanas, do Exército e da Carbonária, numa zona fronteiriça que tinha sido transposta pelas forças realistas sob o comando de Paiva Couceiro ou seja, as chamadas incursões monárquicas. Mas, fiquemo-nos com o registo e com as suas impressões, sobretudo em relação às gentes do Soajo.


COMO EU VISITEI AS SERRAS DO SUAJO E DA PENEDA

Os motivos que me levaram a visitar as regiões do norte de Portugal, compreende-se facilmente.
Não era simples curiosidade de touriste nem tão pouco um espírito de aventura, que me conduziu, n’estes dias caniculares do sol inclemente, áquellas serras abandonadas e desconhecidas, mas sim o dever jornalístico.
Antes de entrar no assumpto, cumpre-me o dever de agradecer publicamente a todas as auctoridades civis e militares a deferência e amabilidade que dispensaram ao visitante, nem sempre commodo e agradável.
Constatei, igualmente, com grande surpresa e satisfação, a hospitalidade carinhosa que quasi sempre me foi dispensada.
A região que percorri, fica afastada dos meios de conducção geralmente empregados. Não há estradas, e os próprios caminhos, são, na verdade, simples caminhos de cabras, onde unicamente estas e a mula, ponney da montanha, transitam com relativa segurança.
A primeira parte da excursão, levou-me de Melgaço a Alcobaça e Castro Laboreiro.
Em todo o caminho, até ás alturas de Alcobaça, perto do Cruzeiro que representa a gravura vêem-se as montanhas pedregosas da Galliza, pobremente arborizadas, manchadas aqui e álem de pequenos núcleos de pastagens e matto.


O cruzeiro de Alcobaça, a 500 metros da Fronteira


O nome Alcobaça, faz-nos recordar as luctas sangrentas travadas entre os fundadores da monarchia e os mouros.
Pelos vestígios que se encontram espalhados pela região vê-se que os combates não pararam n’estas serras quasi inacessíveis. Perto de Alcobaça, existe um logar que o povo chama Lamas de Moiros; a etymologia da palavra indica-nos facilmente como lagrimas de moiros, dando-nos uma prova lendária de sangue derramado – ad majorum dei Gloriam.


A “praia” em Castro Laboreiro


Chegado a Castro Laboreiro, divaga o pensamento por tempos mais remotos, tempos em que um povo glorioso conquistou á força de armas toda a orbe, até que a onda implacável do destino o afogou no mar do esquecimento.
Mas, a tradição do nome romano Castram Laborarum, quer dizer acampamento de trabalhadores, ficou como característico da povoação. São os seus habitantes trabalhadores incansáveis, existindo n’esta aldeia serrana, até o gérmen de uma industria que me causou pasmo e admiração.
Encontram-se no Crato, como os habitantes chamam á sua aldeia, duas fábricas de chocolate! E, em verdade, direi que já encontrei nas minhas viagens, qualidades muito peores n’este artigo de alimentação.


Uma serrana de Castro Laboreiro


A fabricação é, principalmente, para exportação, ramo de negócio muito difícil e até perigoso, atendendo à falta de meios de transporte e á dificuldade de transito pela raia secca.


O “leão das montanhas”: Comendador Mathias de Sousa Lobato, professor oficial de instrucção primaria


Devido á amavel recomendação do administrador do concelho de Melgaço, fui recebido com fidalga hospitalidade pelo sr. Comendador e cavaleiro fidaldo, Mathias de Sousa Lobato, professor oficial de instrucção primaria.
Este cavaleiro, que sacrificou 28 annos da sua vida ao bem estar d’este povo, merece bem, pelo seu aspecto venerando, o cognome de rei das montanhas, que lhe foi conferido pelo falecido Hintze Ribeiro.
Os serviços relevantes prestados ultimamente ao novo regímen, levaram o sr. Dr. Alfredo de Magalhães a transformar a antiga designação autocrática, na mais popular denominação, de Leão das Montanhas. Mas, mesmo assim, sempre rei…


O comício em Castro Laboreiro, em que falou ao povo o jornalista Hermano Neves


N’uma pyramide de rocha que se eleva a pouco mais ou menos a 1:200 metros acima do mar, encontramos, por assim dizer, um livro de historia.
Sobre fundamentos inegáveis de origem romana, elevam-se as ruínas de um castello moiro, de grande área.


A porta das ruínas do Castello dos Mouros em Castro Laboreiro


Foi conquistado e destruído por D. Affonso Henriques, e reedificado por D. Sancho I, o povoador, como indica a inscripção ilegível de uma lapide, que a muito custo foi decifrada pelo comendador Mathias.
As ruínas conservam ainda s suas duas entradas, destinadas a peões e cavalleiros.
Uma terceira porta de comunicação, foi destruída há pouco pelos castrejos, persuadidos que encontrariam um tesouro entre os escombros.
A ex-séde de concelho, de há meio seculo, distingue-se também por dois característicos notáveis: lindas cachopas e formidáveis cães, ambos de recear…


Casas em Castro Laboreiro


Ancioso por continuar a excursão pela serra, conseguiu-me o meu hospitaleiro amigo, uma desembaraçada \Castreja, que simplesmente justificou a segunda das afirmações contidas no período precedente.
Apenas sahido da aldeia, perde-se o caminho entre as penedias da serra.


Um grupo de castrejas


Mas a Castreja conhece os recônditos da montanha, e, ora subindo, ora descendo, por sítios em que um passo em falso da montanha representava a morte certa para o cavaleiro, fômo-nos aproximando da parte peor do caminho, o “Peito do Sagasta”.


A descida do Peito do Lagarto, a caminho da Penêda


Ali, o caminho é constituído por pedras quasi polidas, n’um declive tão acentuado que a cavalgadura mais patina do que anda. É impossível ficar sobre o selim. Mal tinha descido, quando o macho escorregou e cahiu, batendo com a espadua nos rochedos, o que veiu confirmar a minha previdência.
(CONTINUA)


Texto e Clichés de Bruno Buchenbacher
Fonte: Illustração Portugueza, nº 284, de 31 de Julho de 1911

Extraído de:
Blogue do MInho