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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Melgaço em postais a cores de início do século XX




O blogue apresenta-vos uma pequena coleção de postais a cores com paisagens de Melgaço de inícios do século XX. Tratam-se de postais com pinturas a cores feitas em cima de fundo fotográfico e que nos mostram aspectos de vários pontos do nosso concelho: da vila de Melgaço, a Remoães, ao parque termal e hoteleiro do Peso, a fronteira de S. Gregório, sem esquecer  Paços, Paderne ou Castro Laboreiro, entre outros recantos da nossa terra retratados na época...
Viaje no tempo!




















sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O "Leão das Montanhas" (1859-1920): "Der Schulmeister von Castro Laboreiro"




Der Schulmeister von Castro Laboreiro” é o título de um inesperado mas muito interessante artigo de um jornal americano acerca de uma das personalidades melgacenses mais marcantes de finais do século XIX e início do século XX, conhecida na época como o “Leão das Montanhas”.
O professor Mathias de Sousa Lobato, nascido em Alvaredo em 1859 em Alvaredo e falecido na vila de Melgaço em 1920, dedicou boa parte da sua vida às gentes de Castro Laboreiro. Foi, durante décadas, professor de instrução primária e presidente da Junta da Paróquia de Castro Laboreiro o que lhe valeu uma enorme estima e gratidão pelas gentes castrejas, talvez só comparadas às que as gentes de Crasto tinham pelo Padre Aníbal em tempos mais recentes. O carisma e a singularidade da personalidade do professor Mathias foram assunto para um curioso artigo no jornal norte-americano “Der Deutsche Correspondent”, periódico da cidade americana de Baltimore escrito em língua alemã para imigrantes germânicos, na sua edição de 8 de Setembro de 1912.
No artigo, são citados alguns factos ocorridos em Castro Laboreiro na época. Em 1912, o Posto da Guarda Fiscal da Ameijoeira foi assaltado, alegadamente, por um grupo de homens afetos à causa monárquica, tendo roubado armas e munições e de seguida, fugiram para Espanha. Nessa altura, em Castro Laboreiro, o ilustre Professor de instrução primária Mathias de Souza Lobato, conhecido na época como o “Leão das Montanhas”, é acusado de exibir uma bandeira monárquica e ter dados vivas à Monarquia. Foi suspenso de funções e preso.
No artigo pode ler-se:

Der Schulmeister von Castro Laboreiro

O professor de Castro Laboreiro foi preso por ter “içado” a bandeira monárquica. Dom Mathias é um gigante na sua estatura. Sobre as pernas relativamente curtas, mas robustas, assenta um vigoroso tronco sobre o qual se ergue um poderoso crânio. O rosto emoldurado por uma barba negra e selvagem poderia parecer assustador, se não fosse o seu nariz avermelhado e brilhante, e dois olhos pequeninos de quem bebe, denunciam que nesse corpo de gigante vive a alma duma criança. E tal como sua aparência é a sua atitude.
A potente voz e os gestos de herói de comédia conta piadas e faz pequenas brincadeiras inofensivas, tão inofensivas como a sua vida de professor de aldeia, que, pelo mora a pelo menos 60 km de qualquer cultura, e acorda numa espécie de casa entre um monte de rochas. Só quando houve conversas sobre política, o meu anfitrião acorda para a vida plena. Afirma orgulhosamente que possui duas ou até três ordens (comendas), que já foi visitado por ministros na sua casa e que sempre permaneceu o modesto professor da aldeia, embora pudesse, é claro, ter tido cargos muito mais lucrativos. Mas o seu povo, os aldeões incultos, são-lhe tão queridos que ele apenas planeia deixar aquele lugar quando tiver que ir “desta para melhor”.
Agora, claro, por enquanto terá que trocar as suas montanhas agrestes pela prisão no Porto porque a convicção republicana que mostrou em 5 de Outubro de 1910, não era genuína, e que para seu mal se desmascarou quando um bandido gritou "Viva a monarquia".
Agora ele pode citar a donzela de Orleans e exclamar com o seu gesto altaneiro "Adeus, montanhas …".
O professor Mathias foi absolvido destes alegados factos e foi-lhe levantada a suspensão da atividade docente.


Artigo original (clique para ampliar)




Tradução do artigo da autoria de Ramona Fritz e Conceição Coimbra.
Nota - Um grande obrigado à amiga Teresa Lobato.



sábado, 20 de julho de 2019

Casas comerciais melgacenses de antigamente em artigos publicitários




No artigo de hoje, partilho uma pequena coleção de artigos e anúncios publicitários alusivos a casas comerciais melgacenses de outros tempos. Neste conjunto, encontramos desde recortes de jornais e revista até postais de época e cédulas fiduciárias que se estendem desde finais do século XIX até à segunda metade do século XX. Muitas destas casas comerciais já nem existem, de algumas ainda temos uma boa memória e muito poucas ainda existem.
Viaje no tempo!...

Finais do século XIX



Fonte: "Restaurante melgacenses" in Jornal "A Espada do Norte" (1892)



Primeira metade do século XX

Cédula Fiduciária (1920)


Cédula Fiduciária (1920)

Cédula Fiduciária (1920)


Postal circulado de início do século XX

Postal circulado de início do século XX

Postal circulado de início do século XX


Postal circulado de início do século XX



Anúncio de início do século XX


Fonte: Jornal "A Neve" (1920)


Postal circulado de 1912


Segunda Metade do século XX

Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)

Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)

Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)


Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)



Fonte: Revista "Flama" (1967)


Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Revista "Flama" (1967)



sexta-feira, 14 de junho de 2019

Notícias de Melgaço no mais antigo jornal português




O jornal português mais antigo começou a ser publicado há quase 400 anos. Chamava-se a “Gazeta” e foi publicada entre 1641 e 1647. Em alguns dos números, encontramos notícias sobre Melgaço, que se centram sobretudo nos combates das tropas portuguesas na Guerra da Restauração contra as hostes espanholas nestas terras.
Este Periódico serviu também como um importante meio de propaganda nacionalista portuguesa numa época de guerra e de consolidação da independência. É também uma importante ferramenta de estudo da Guerra da Restauração que deve ser usada com cuidado porque nem sempre as notícias parecem ser verdadeiras. Atente-se numa notícia sobre factos passados em Castro Laboreiro na primeira edição deste periódico, em Novembro de 1641, que nos conta que onze camponeses de Castro Laboreiro derrotaram doze cavaleiros espanhóis, matando sete e prendendo cinco, e que desbarataram uma companhia de 300 castelhanos.
Na edição da Gazeta de Fevereiro de 1642, conta-se que “por carta escrita entre o Douro e o Minho, no dia 7 deste mês, avisas-se que o Marquês de Val Paraíso entrou com quatro mil infantes pela Ponte das Varjas (ponte velha de S. Gregório), marchando por Lamas de Mouro, Mosteiro e Coito das Travas e que fez dano porque não havia força bastante para resistir a tanta gente. O relato ainda diz que quando chegou o aviso na praça de armas, se preveniram em Braga o General Dom Gastão Coutinho e o Coronel Francez, saindo ao encontro com a gente do presídio. De Melgasso vieram três companhias. O Marquês de Val Paraíso, vendo a multidão contra ele, não quis esperar e se retirou para Lamas de Mouro, alojando-se em um reduto que os portugueses haviam ganhado.
Na edição de Março de 1642, volta a falar-se de operações militares em Melgaço e na região. Uma notícia fala-nos da presença de oficiais franceses e holandeses na região, além de aventureiros que procuravam, antes de tudo, enriquecer à custa dos saques, e que lutavam ao lado dos portugueses leais à Casa de Bragança contra os castelhanos e os aliados de D. Filipe III. A Gazeta, em diversas notícias, revela essa situação, sendo que na peça seguinte se revela, ainda, outra função do jornalismo – a explicativa, por vezes com base no recurso a formas figurativas e adjetivas de linguagem: “De Entre-Douro e Minho, no primeiro sábado deste mês, veio uma carta em que se avisa que um capitão de infantaria francês, tenente-coronel, enfadado da suspensão das armas e do grande ódio em que os soldados estavam na cidade de Braga, por causa do Inverno, deliberou sair em campanha e entrar por terras dos inimigos, ele só com a sua companhia, para o que foi com muito segredo, persuadindo aos seus soldados (os quais eram todos portugueses que vieram da Flandres e da Catalunha; gastou oito ou nove dias em lhes dispor os ânimos e em prevenir pólvora, balas, corda e tudo o mais que era necessário para reduzir a acto esta generosa deliberação. E um dia antes do amanhecer deu traça com ele, e os seus soldados saíram à desfilada e caminharam para Melgaço e daí foram marchando pela ponte das Varjas até que entraram na Galiza, destruindo e subvertendo e assolando tudo aquilo que com os olhos descobriam. Não ficou gado que não fizessem presa nem encontraram pelo caminho homem nenhum que não rendessem. Com esta bissaria foram avançando e metendo-se pela terra dentro. Porém, acudiram os inimigos de várias partes e saíram-lhes ao encontro divididos em dois troços, uns pela vanguarda e outros pela retaguarda. Estes segundos se meteram pelos matos e, sem serem vistos, nem sentidos, lhes armaram uma cilada com que lhes cortaram o caminho por onde precisamente haviam de passar quando tornassem. De modo que se marchavam para diante iam dar nas mãos dos que investiam pela vanguarda; se se retiravam, era infalível a ruína, pois metiam-se entre os que cortando-lhes o caminho os esperavam na emboscada; e se faziam alto sem dúvida ambos os esquadrões os acometiam e seria irremediável a perdição. Vendo-se o francês neste tão horrível aperto, fez uma prática aos soldados, representando-lhes o perigo em que a fortuna os havia posto e exortando-os a que deliberassem a perder antes a vida do que a honra. Não lhe deixaram os soldados acabar o discurso, porque todos unânimes e conformes se resolveram a romper aquele esquadrão, que emboscado pretendia tolher-lhes o passo antes que o outro (que já lhe tocava arma pela vanguarda) lho estorvasse. Passou o capitão para a retaguarda e logo viraram com muita destreza os soldados os rostos e foram marchando com tão boa ordem que quando chegaram à emboscada lhe descompuseram a frente e com a primeira carga, a puras feridas e mortes, abriram caminho muito antes que chegasse o esquadrão que marchava em seu alcance. Pisando morto e pondo por terra a todos os que lhe serviam de embaraço, romperam, penetraram e saíram da filada até que se puseram a salvo com tanta galhardia e admiração dos inimigos que nem o outro esquadrão, que já estava perto, se atreveu a segui-los. E o maior assombro que houve nesta heroica ousadia foi da nossa parte não ter morrido ninguém e somente um soldado saiu ferido com uma bala no braço esquerdo, o qual se veio curar à cidade de Braga, onde naquele tempo estava o general Dom Gastão Coutinho. E com este exemplo deliberaram todos sair em campanha e logo o coronel francês foi para as fronteiras do Minho”.