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sexta-feira, 12 de junho de 2015

As aldeias de Fiães (Melgaço) descritas em finais do século XIX

Igreja do antigo Convento de Fiães por volta de 1940
Fonte:
Arquivo Fotográfico do AML (Coleção Cassiano Branco)


No livro "O Minho Pittoresco", de 1886, o autor dá-nos uma rara descrição das aldeias de Fiães nesta época. José Augusto Vieira, montado numa mula, sai da vila de Melgaço em direção a Castro Laboreiro e, de passagem, fala-nos de Fiães nestes termos: "Serra acima, o horizonte é encantador para os lados de Melgaço e Galiza, e como que á vol d'oiseau se dominam as encostas e pequenos vales, onde os campanários destacam as suas agulhas brancas. O Minho corre em baixo, como serpente em voltas sinuosas. Para o norte, as serras de Galiza vão-se indistintamente fundindo no índigo esfumado da atmosfera.
Dobramos a montanha. O horizonte largo desaparece e logo na encosta Vila de Conde, lugarejo pertencente a Fiães, principia a dar o toque de melancolia às nossas impressões, até aí cheias do verde claro da vegetação, dos sussurros da água, do espelhar dos rios, do pitoresco das aldeias.
Parece que entramos numa região inóspita e selvagem. Os cães recebem-nos com latidos furiosos, as casas escondem-se como choças humildes na sua cor escura, a vegetação rareia. E assim vamos, ora subindo, ora descendo pelos torcicolos da montanha, até que ao fundo, num vale estreito, Fiães se nos apresenta, brumosa e triste, carregada na cor, como uma velha ruína abandonada.
Em frente fica o lugar da Jugaria, a ela pertencente, mas um pouco mais alegre com os seus tons verdes de prados húmidos. Vadiamos por um regato e eis-nos no terreiro orlado de vidoeiros e olmos, de castanhos e robles, com bancadas de pedra e chafariz de óptima agua, contíguo ao adro do antiquíssimo mosteiro e onde se faz em 11 de Julho a mais estrondosa romaria das povoações serranas.
A indústria de Fiães é agrícola e pastoril. Recolhe algum centeio, milho miúdo, nabos, castanha, e tem muitos gados e caça grossa e miúda, especialmente na floresta das Ramalheiras.
Uma nota... de Savarin.
O presunto, aquele magnifico presunto de Melgaço, cujas deliciosas
qualidades te descrevi, leitor amigo, é especialmente curado em Fiães, onde o preparam sem sal, receita talvez de algum monge epicurista, que a graves locubrações se entregou para mimosear o paladar delicado de qualquer D. Abade do mosteiro, ou de algum dos príncipes ou infantes, que aí estivera de visita.
Pinho Leal, um trabalhador infatigável que a morte arrebatou antes que lograsse ver o fecho do seu colossal Dicionário a que muitas vezes, fique dito para sempre, iremos buscar valiosos subsídios,diz que a palavra Fiães vem do português antigo Fian, Fiaã, Fiaam, Ffia, Sfiaã ou Fiada, e significa vaso de barro chato e redondo, a que depois se chamou Almofia. Servia antigamente para pagar certa medida de cereaes e também de manteiga (16 fiães faziam um alqueire). É provável, — acrescenta,— que aqui se pagasse este foro, pelo que se dizia terra de Fiães, — ou que houvesse aqui oleiros que fabricassem as fians, espécie de alguidar de barro, com a capacidade para dois quartilhos.
O que, porém, tornou Fiães notável, foi o seu mosteiro, de que hoje só por assim dizer o templo atesta a munificência."

Extrato de texto extraído de:
-VIEIRA, José Augusto (1886) - O Minho Pittoresco, tomo I, edição da livraria de António Maria Pereira- Editor, Lisboa.

sábado, 2 de maio de 2015

As incursões de Falangistas em Melgaço durante os tempos da Guerra Civil Espanhola

Ponte Internacional antiga de S. Gregório (1936)

No deflagrar da Guerra Civil espanhola, em Julho de 1936, a resistência à sublevação militar na Galiza foi levada a cabo essencialmente pelos civis das várias correntes políticas apoiantes dos republicanos. Em poucos dias,  com o apoio dos civis falangistas, as tropas franquistas controlaram todo o território galego e iniciaram uma campanha repressiva de que resultariam dois mil e quinhentos fuzilados ou “passeados” nos seis meses seguintes. Alguns conseguiram fugir e conseguiram esconder-se em aldeias raianas do Alto Minho e Trás-os-Montes.
Este clima de guerra originou uma série de incidentes na fronteira melgacense. No dia 3 de Setembro de 1936, a partir da margem galega foram disparados vários tiros contra uma pesqueira portuguesa em Paços (Melgaço) que se encontrava em obras à epoca.
 As autoridades do lado português protestaram. O Posto de Marinha, do lado galego, notificou o Tenente Lopes, Comandante da Secção de Melgaço, de que os autores dos disparos não eram militares mas sim civis. Além disso, as autoridades galegas acrescentaram que os tiros foram produzidos por grupos afetos à Falange que estavam a praticar tiro, por isso não eram dirigidas intencionalmente às obras da pesqueira.
Não foi o único caso problemático que aconteceu na area controlada pela Secção de Melgaço. No dia 10 de Dezembro de 1936, o Comando Provincial de Orense enviou um documento ao Tenente Lopes fazendo referência a factos ocorridos no dia 5 desses mesmo mês no lugar de Ribeiro de Baixo (Castro Laboreiro – Melgaço). Desconhesse-se o alcance real dos acontecimentos mas não deve ter sido coisa pouca já que provocou a intervenção direta da autoridade militar provincial de Orense. Contudo, estará relacionado com incursões e atividades de elementos afetos à Falange em território português. O Comando Territorial desta província refere-se a estes factos nos seguintes termos:
“Os elementos da Falange Espanhola que cometeram tal imprudência, fizeram-nos por conta própria e exclusiva, ignorando os tratandos internacionais que o proíbem, acreditando que fizeram bem à Causa  que defende a Espanha honrada. Nunca foram autorizados nem o fizeram com o conhecimento das autoridades espanholas, que sabemos em todo o mundo respeitar as leis internacionais, e mais ainda tratando-se de Portugal, nação irmã, que nos merece, aos bons espanhóis, respeito, afeto e carinho. Os falangistas citados foram castigados preventivamente, por minha autoridade, e desse assunto dei conta oportunamente ao Exmo. Sr. Governador Militar de Orense, que imporá o castigo definitivo a quem sejam merecedores”.
No mesmo mês, um soldado de vigilância no Posto Fiscal de Pousafoles, na mesma secção de Melgaço, informava de que durante a madrugada do dia 23 do dito mês de Dezembro de 1936, os fascistas espanhóis destruíram a ponte sobre o rio Trancoso nas proximidades de Pouzafoles. Esta ponte servia de trânsito para gado e alfaias agrícolas do povo da localidade melgacense com terrenos na ribeira do lado galego. Evidentemente, a ponte podia servia para facilitar a fuga dos elementos republicanos escondidos em terras galegas.
Como se tratava de uma ponte internacional, a destruição desta ponte foi concretizada evocando o perigo de fuga dos opositores ao General Franco para Portugal. Também por este motivo, esta tarefa foi levada a cabo por elementos civis comprometidos plenamente com a causa franquista ou seja por elementos da Falange, evitando assim o incidente diplomático. Nas mesmas circunstâncias, a antiga Ponte Internacional de S. Gregório foi, por esta altura, também destruída a partir do lado espanhol.
As movimentações dos falangistas em território português são feitas com um grande à vontade, já que as autoridades militares portuguesas e a polícia política (PVDE) prestaram estreita colaboração aos elementos da Falange chegando a irritar as autoridades locais portuguesas.
Em 1937, o comandante do posto da Guarda Fiscal da Ameijoeira (Castro Laboreiro) comunicava ao comandante da secção de Melgaço que «vieram a este posto três indivíduos da classe civil os quais diziam pertencer à Falange Espanhola para que os acompanhasse ao Ribeiro”. O objetivo desta deslocação a território português era a procura de galegos opositores ao regime franquista escondidos em terras castrejas. 
Aqui, em terras de Castro Laboreiro, a colaboração entre as autoridades militares portuguesas e membros da falange foi muito estreita. Desde o começo da guerra, houve um importante contingente de galegos opositores ao regime franquista que, depois de passarem a fronteira, tentaram esconder-se em terras castrejas. Contudo, a permanência de um grupo paramilitar estrangeiro em território português, numa situação de conflito bélico, não era, obviamente, uma situação agradável para as autoridades do Estado Novo. Depois de uma série de incursões de falangistas em Melgaço e noutras localidade raiainas, o Governador Civil de Viana do Castelo, Tomás Fragoso, recordava ao Ministro do Interior português a necessidade de reforçar os postos da Guarda Nacional Republicana para acabar com estas incursões e manter a integridade do território. Contudo os problemas das incursões falangistas em terras de Melgaço continuou praticamente até ao fim da guerra civil espanhola. As batidas na procura dos opositores ao regime franquista continuaram a ser efetuadas com falangistas e com a colaboração de militares portugueses, particularmente a PVDE.
Num documento de comunicação interno classificado, um membro da PVDE descreve o modo como se processam as detenções de galegos escondidos em Castro Laboreiro: “Geralmente, na montanha, estes indivíduos respondem com a fuga, ou com tiros, à intimação de “Alto”. E então a perseguição faz-se a tiro...
Quando presos, estes indivíduos nunca se dizem foragidos, “vermelhos” (comunistas) ou políticos. Alegam sempre terem entrado clandestinamente em Portugal em busca de trabalho. Organizados os respetivos processos, verifica-se a indigência, indocumentação e impossibilidade de se documentarem – pois os consulados espanhóis não os documentam – e é proposta a sua expulsão. E a expulsão não se pode fazer pela fronteira marítima porque os consulados, geralmente, não os documentam e as empresas de navegação não  fornecem passagens a indocumentados”.
O cerco aos galegos escondidos em Castro Laboreiro foi tão intenso que a maioria dos refugiados tentavam fugir para o exílio esperançados em conseguir documentos. A este respeito, o Diretor da PVDE enviou, em 7 de Outubro de 1937,  uma carta ao Chefe de Gabinete do Ministro do Interior, indicando-lhe que a partir da censura da correpondência de alguns portugueses, observa-se que alguns clandestinos localizados nas montanhas de Castro Laboreiro, tinham conseguido certidões de nascimento de nacionalidade argentina, para desse modo poderem documenta-se em Portugal. O diretor da polícia política emite então recomendações: “Nestas circunstâncias, rogo a V. Excelência que se digne obter do Sr. Ministro autorização para (...) que se prendam todos os estrangeiros que se apresentem com passaportes recentes tirados em Portugal sem qualquer visto desta polícia, ou sem documentação que prove a entrada legal no país, ou então sem a autorização de residência autorizada. Qualquer prisão deve ser imediatamente comunicada a esta polícia, explicando-se os motivos da captura”.
 Assim, o que se pensava num primeiro momento como uma das saídas mais fáceis para aqueles que não partilhavam a causa franquista, converteu-se num caminho sem saída. Na realidade, como já aqui foi abordado, os galegos que conseguiram passar a fronteira através do Minho ou através da serra na zona de Castro Laboreiro, encontraram em Portugal um ambiente solidário nas aldeias castrejas, ainda que as autoridades fossem, como se sabe, bastante hostis.


Informações extraídas de :
- LOPEZ, Xejus Balboa & OROZA, Herminia Pernas (2001) - Entre Nós - Estudios de Arte, Xeografia e Historia en homenaxe ó Professor Xosé Manuel Pose Antelo. Faculdade de Xeografia e Historia; Universidade de Santiago de Compostela; Santiago de Compostela;

- OLIVEIRA, César (1987) - Salazar e a Guerra Civil de Espanha, Lisboa, O Jornal, 2ª edição.

domingo, 5 de abril de 2015

Paisagens de Melgaço vistas de um parapente



Veja Melgaço de outra perspetiva. Observe algumas das mais belas paisagens do nosso concelho visualizadas de um parapente pairando sobre sítios fantásticos como o Coto do Pomedelo, Roussas, Fiães, entre outros... Soberbo!!!


sábado, 13 de setembro de 2014

Histórias de Fiães (Melgaço) de tempos passados

Interior da Igreja do Mosteiro de Fiães

Na obra "Portugal Antigo e Moderno", volume III, editado em 1874, Pinho Leal fala-nos como seria a freguesia na época e fala-nos de algumas estórias da terra:
"O clima d'esta freguesia é excessivo, e seu solo, apesar de abundante de águas, é em geral pouco fértil. Produz porém muito centeio, algum milho, pouco vinho, muita castanha e bastante fruta, em um estreito e profundo vale, que fica a este. Cria bastante gado, e os seus presuntos, curados sem sal, são os melhores da província.
Há aqui muita caça de varias espécies, principalmente no sitio das Ramalheiras, imensa floresta de carvalhos, urzes e giestas. Toda a freguesia está assente em terreno muito acidentado, e é vasto o seu território.
Tem montes quase a pique. Ainda li há poucos anos que em em 1841, perto do lugar de Portocarreiro, desabou um cabeço, ao longo de uns seiscentos metros, arrastando na sua queda grandes árvores e penedias, e destruindo uma aldeia, da qual morreram então 15 pessoas.
Esta avalanche monstruosa foi direita a uma capela na encosta, e quando todos se persuadiam que ela seria arrasada, aquela mole imensa se divide em duas, e se precipita pelos dois lados da ermida, ficando esta intacta.
Por muitas vezes se tem nesta freguesia dado deslocações idênticas, deixando sempre tristes consequências da sua passagem devastadora.
A 1500 metros ao sul do mosteiro, se está a majestosa e alta serra de Pernidelo, donde a vista se estende por um vastíssimo e formoso panorama. Ao sopé desta serra se estende na distancia de 6 a 7 Km's a verde e fértil veiga de Melgaço. O ribeiro de Várzeas divide aqui Portugal da província da Galiza.
Conta-se por aqui em Fiães que em 1861 foram devastadas as povoações gallegas de Padrenda, Monte Redondo e Gazgoa, por uma fera, que uns diziam ser lobo outros tigre, outros javali, etc. Dali passou a Portugal e encheu de terror as povoações de Castro Laboreiro, Fiães e outras, fazendo muitas vitimas. Só em um dia, matou duas crianças de 11 anos, em Castro Laboreiro, devorando uma e despedaçando outra. Não era raro encontrar aqui um braço, acolá uma perna, além um crânio, principalmente nas freguesias galegas.
Tudo andava horrorizado. Ninguém sabia de noite, e, mesmo de dia, só bem armado e nunca só. O povo, sempre propenso ao maravilhoso, ligou varias historias sobrenaturais a este acontecimento. Segundo uns, era a fera—um filho indigno, amaldiçoado pelos seus pais. Segundo outros, era um Caim que tinha assassinado um seu irmão. Outros pretendiam que era uma alma do outro mundo. Os mais espertos sustentavam que era um lobisomem e os mais sérios, teimavam que era, nem mais nem menos, o diabo em pessoa.
Combinaram-se todos os povos destes sítios para fazerem uma grande montaria ao animal feroz, qualquer que fosse a espécie a que pertencesse.
Reuniu-se grande numero de povo no terreiro da Capela de Alcobaça, limites de Fiães e Lamas de Mouro, e mais de 300 homens investiram na floresta das Ramalheiras. Não apareceu a fera, mas achou-se um rapaz, de 14 anos, horrorosamente ferido por ela, e salvo por umas vacas, que andava guardando, as quais se atiraram resolutamente ao animal feroz, e o fizeram fugir. O rapaz escapou. Esta fera apareceu nestes sítios por duas vezes, com intervalo de dois anos, demorando -se de cada uma alguns meses. 
Desapareceu sem se saber como, nem para onde. Também nunca se chegou a saber positivamente que espécie de animal era."

Extraído de:
- PINHO LEAL, Augusto Soares A. B. (1874) - Portugal Antigo e Moderno (Volume III). Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Lisboa.

sábado, 6 de setembro de 2014

O estado ruinoso do Convento de Fiães descrito em finais do século XIX


No último quarto do século XIX, diz-se do mosteiro de Fiães (Melgaço): "Este mosteiro está situado a 3 Km’s a Este da vila de Melgaço, na chapada de um monte alpestre, mas cercado por montes ainda mais altos e alcantilados.
São vastas as suas proporções e imponente a sua majestosa aparência, a dominar um vasto horizonte. Confrange-se o coração ao contemplar estas gigantescas ruínas, testemunhas melancólicas e severas da piedade de nossos avós. Ali, onde o incenso se elevava dia e noite em perene adoração ao Omnipotente. Onde a toda a hora se ouvia o plangente som do órgão, os cantos sagrados dos religiosos e do povo: ali, refúgio predilecto dos que no mundo sofriam atribulações; ali, finalmente, a Casa de Deus, em que a piedade tinha amontoado prodígios sobre prodígios de magnificência, de fé e de caridade — que vemos hoje? Ruínas, devastação, silêncio, horror! As silvas e os cardos invadem os mármores de suas aras santas. Os répteis imundos revolvem as ossadas venerandas de varões ilustres. As aves noturnas pairam sobre suas abobadas, e fazem seus ninhos sobre os brincados capitéis de suas colunas, dez vezes seculares.
Quem foi, ó solitário e respeitável mosteiro, que assim desmantelou tuas robustíssimas muralhas, que pareciam desafiar a acção corrosiva de séculos de séculos? Quem destruiu teus sagrados altares? Quem aniquilou tuas esculturas primorosas? Quem desterrou tuas santas imagens? Quem cora tal iniquidade te transformou de um primor d'arte, em um montão de destroços e ruínas?
Não foi a tua vetustez; não foi o incêndio, não foi um inimigo estrangeiro, sanguinário e implacável mas foi coisa pior do que tudo isso. Foi a indiferença, o abandono e a descrença!
Leitor, se tens um coração português, se a luz divina da fé se não apagou totalmente em tua alma, se respeitas a memória de teus passados — dos que te deram uma pátria, um lar, uma família, e se algum dia viajares pelo Alto Minho, não deixes de visitar as tristes e poéticas ruínas do convento de Fiães.
Ali, qualquer um contempla, respeitoso, estes restos venerandos da fé e piedade de nossos maiores, e chora sobre as ruínas deste testemunho de suas crenças inabaláveis.
Milhares de pessoas, de todos os sexos e idades, portugueses e galegos, aqui concorrem no dia 11 de Julho, consagrado á solenidade do patriarca S. Bento, formando-se então aqui um pitoresco arraial.
Já disse que o edifício está construído em uma vasta chapada, ficando no centro dela, e tendo em frente um extenso terreiro assombrado por frondosos carvalhos, dispostos simetricamente em linhas rectas, e formando uma ampla abobada impenetrável aos raios do sol do estio.
O templo ainda se conserva em sofrível estado, e podendo celebrar-se o culto divino. É de arquitetura gótica, vasto, e seu tecto sustentado por formosas arcarias.
A entrada principal é ornada de muitas colunatas da mesma ordem arquitectónica, que, revelando uma remota antiguidade, mostram a largura robustíssima das paredes do templo. Dentro dele, junto ao altar de S. Sebastião, está um elegante túmulo de granito, que se supõe ser o de Fernão Annes de Lima, por ter as armas dos viscondes de Vila Nova da Cerveira (Limas).
O interior da igreja é escuro e triste, como são quase todos os templos góticos. As cornijas e cimalhas são ornadas de diferentes figuras, mais ou menos fantásticas.
A Oeste do adro, rebenta um manancial de água mineral ferruginosa, a que se atribui algumas virtudes medicinais. Consta que houve aqui uns tanques para banhos, mandados entupir por ordem da autoridade por causa das desordens, ferimentos e até mortes, de que eram causa, por quererem todos banhar-se ao mesmo tempo.
Num recanto da larga rua que do lado de Melgaço dá entrada para o rocio do mosteiro, há uma meia laranja, com assentos de pedra, orlados de murta, e no meio um chafariz de frigidíssima e óptima água. Ainda há poucos anos as paredes do mosteiro estavam de pé. Foi o edifício posto em praça. Mas como a ninguém fazia conta tão gigantesca fábrica, naquele sítio, o governo mandou vender a qualquer preço, em detalhe, a pedra das paredes, colunas, arcarias, telhados, portas, janelas, varandas, grades de ferro, etc."

Extraído de:
- PINHO LEAL, Augusto Soares A. B. (1874) - Portugal Antigo e Moderno (Volume III). Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Lisboa.

domingo, 17 de agosto de 2014

Nos primórdios do Convento de Fiães

Igreja do Convento de Santa Maria de Fiães em 1918

O convento de Fiães é antiquíssimo. Diz-se que já existia no ano de 851, no tempo de D. Ramiro II de Leão e de sua mulher D. Paterna. Esta indicação ainda hoje gera discussão já que há autores que colocam a sua origem no século XII.
Consta que era o mosteiro mais rico das Hespanhas. Tinha foros e rendas no Minho, Trás-os-Montes e Galiza. Na igreja deste convento (como na de Alcobaça) havia Lausperene, no verdadeiro rigor da palavra, estando o santíssimo sacramento em exposição permanente, de dia e de noite.
Tinha regularmente 80 religiosos fora os conversos, minoristas, leigos, etc. Foram aqui sepultados alguns príncipes, três infantes e muitos fidalgos, portugueses e galegos que doaram rendas e propriedades ao convento. Também aqui foi sepultado Fernão Annes de Lima, pai do primeiro visconde de Vila Nova de Cerveira.
Era um edifício magnifíco que existiu mais de três séculos em grande prosperidade mas foi destruído por um pavoroso incêndio, onde arderam todos os papéis do cartório, incluindo todos os títulos das suas rendas reduzindo os frades à miséria, porque os foreiros subnegaram os seus títulos, recusando-se a pagar.
Afonso Paes e seus dois irmãos reedificaram o mosteiro dando-o aos religiosos de Alcobaça. Em 1154, mandaram pedir a Alcobaça um religioso de S. Bernardo (ordem de S. Bento reformada) para instruir os frades daqui que queriam adoptar o novo instituto. É por esta altura que o mosteiro adopta a regra de Cister.
Aqui perto, junto à raia fundaram uma aldeia a que chamaram Alcobaça em honra da vila capital da Ordem. Pagava este convento 40 000 réis à Capela Real e 25 000 réis ao Convento do Desterro em Lisboa. Julga-se, com fundamento, que este convento foi coutado do seu princípio pois já era couto no tempo do nosso primeiro rei que lhe confirmou o coutamento, assim como seu filho, D. Sancho I.
O abade de Fiães tinha jurisdição episcopal, metropolitana, com recurso somente para o pontífice. O provisor, nomeado pelo abade, recebia diretamente os breves apostólicos. O arcebispo de Braga não podia aqui fazer visitas, nem na Orada de Melgaço nem o bispo de Tui as podia fazer na Azoreira e em Lapela, por serem freguesias que, apesar de estarem dentro do se bispado, estavam dependentes deste mosteiro. Sendo abade D. João, deu a condessa D. Frouilla, em 1166, ao mosteiro de Fiães, as quintas da Orada e de Cavaleiros.
Ainda no fim do século XVI tinha este convento a apresentação de 20 abadias, entre as quais Lamas de Mouro, Cristoval, Chaviães, Santa Maria da Porta e Vilela bem como a igreja de Paderne, na Galiza. Tinha também na Galiza o couto de Freixomo, próximo de Allariz, que lhe doara Fernão Perez de Sandias, falecido neste mosteiro em 1386, além de outros coutos, fazendas, granjas e casas em diversos pontos da Galiza. 
Como se pode depreender, Fiães foi um mosteiro bastante rico, poderoso e próspero durante séculos especialmente na Idade Média.


Extraído de:
- PINHO LEAL, Augusto Soares A. B. (1874) - Portugal Antigo e Moderno (Volume III). Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, Lisboa.



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O ermita de Fiães e as moçoilas



Num cabeço de quase setecentos metros de altitude, um pouco acima de Melgaço, lado a lado com a raia galega, a agrura do lugar, a pobreza da terra e a localização à roda de mil perigos, valeu-lhe desde os fundamentos da nacionalidade, privilégios e benesses.Afonso Henriques, ele mesmo cumulou de mimos essa terra de coutos e, principalmente, o Convento. A sua origem, cuja origem remonta a meados do século IX; de origem beneditina, mais tarde adoptaria a reforma cisterciense, que o manteria até à sua decadência, aí pelos finais anos quinhentos do passado milénio. Do núcleo conventual, hoje, apenas resta o Mosteiro e algumas memórias da sua história.
Encimado sobre essa terra estéril e montuosa, da qual alegavam os monges ermitas, ser terra que não dava aos mais ricos, para seis meses, o Convento em louvor de Santa Maria de Fiães, ao novelo da sua idade, juntou algumas linhas, de uma rubra história com o seu quê de brejeiro, que sempre encontrou alguém que lhe acrescentasse mais um ponto para dela tirar alguma lambedura ou sorriso mais maroto...
Pois então, diz-se que aí por Janeiro (nos primeiros anos do século XVI) o visitador da casa-mãe de Cister, um tal abade francês de nome Saulieu, acompanhado pelo seu acólito, Claude de Bronseval (afinal, o narrador desta pequena estória, das tais que o crivo censório eclesiástico sempre tinha artes de fazer silenciar...), depois de ter visitado o mosteiro do Ermelo, umas léguas mais abaixo, nas margens planas do Lima, dirigiu-se para Fiães. Desviando-se do caminho mais curto, mas mais custoso, pelas vertentes da serra da Peneda, fizeram-se aos caminhos do Arcos de Valdevez e Melgaço. Daqui, lá sobem por uma linheira no monte, cheia de precipícios, que os leva até ao Convento.
Recebidos por D. João de Cós, abade do Convento, por este sabe Saulieu de um motivo de grande escândalo. Vai, lampinho, Saulieu, com o seu secretário e mais o abade João, até Orada, uma capela mesmo no termo de Melgaço, que pertencia aos preceitos do Convento.
E, então, qual foi o motivo desta estugada e santa indignação, e caminhada de Saulieu? Por ali, um eremita do mosteiro, ganhara hábito de se escapar, cerrado abaixo, para abstrusos encontros com moçoilas perdidas. A uma das raparigas, o extremoso abade, até dera uma casa, ali, na Orada. E foi para lá que a comitiva se dirigiu. Em má hora, parece, já que a dita amásia se entregava a altos e inconfessáveis prazeres com mais outras duas mocinhas do sítio. Logo,  Saulieu convoca o juiz de Melgaço. Explica-lhe a ignomínia (que, parece, não era nenhuma novidade para o julgador...) e, de seguida, leva-o ao local da vergonhaça.
Intima, o juiz, as pecadoras a abandonarem a casa; e dá-lhes um prazo de quinze dias. Nem mais. Voltou, assim, Saulieu, para Fiães, de consciência tranquila e certo de ter eliminado aquela pedra de escândalo na virtuosidade da irmandade. Do reinadio abade trataria ele, de caminho, despachando-o para bem longe...

No dia seguinte, sempre acompanhado com o seu fiel assistente, Saulieu toma o caminho de Espanha. Crónica alguma ou mesmo mexerico, conto ou ponto que seja, explica qual foi o desfecho da história. Mas houve sempre quem suspeitasse, que dando Saulieu costas a Fiães, tudo tivesse ficado como dantes e, assim, as três mocinhas por lá tenham continuado a contribuir para adoçar as melgacenses agruras deste vale de lágrimas...


Retirado de: http://coisasdoarco-da-velha.blogspot.pt/

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Postal antigo - Mosteiro de Fiães (1918)




Postal envido de Melgaço, mais concretamente do Peso em 17 de Setembro de 1918 por um senhor de nome João. Este postal foi enviado para o seu primo residente em Lisboa chamado Henrique Alves (o nome do meio não o consegui decifrar...). No texto o remetente felicita o destinatário por um acontecimento que não é especificado no postal.
Na frente observamos uma fotografia da fachada principal da Igreja do antigo Convento de Fiães (Melgaço) datada do início do século XX.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Melgaço nos tempos anteriores à nacionalidade


O povoamento destas terras deverá remontar a 5 ou 6.000 anos antes de Cristo, tal como o atestam as mamoas ou antas do Alto da Portela do Pau, em Castro Laboreiro. Porém, deste período, quase nada se sabe.

Anta do Alto da Portela do Pau

Sabe-se que os Romanos por aqui estiveram e foram relativamente bem recebidos, também por terem sabido respeitar os nativos e a sua organização em castros. Fazia parte da Gallaecia, quando, em 216, Braga é elevada a capital desta província romana. Braga, aliás, continuou também a ser a capital política e religiosa do reino suevo, que por aqui se implantou em finais do sec. V e boa parte do sec. VI, estendendo-se bem para sul do rio Douro, quase até ao Tejo. E, quando, da Diocese de Braga, se desmembraram as dioceses do Porto e de Tui, o rio Lima ficou a servir de divisória entre as Dioceses de Braga e de Tui. Quer isto dizer que Melgaço ficou na dependência religiosa de Tui, onde se manteve até 1381. Quase 8 séculos! Isto, apesar das vicissitudes da invasão árabe, das lutas da reconquista e mesmo depois de, politicamente, ser parte do reino independente de Portugal.
A Melgaço chegou também a influência da obra pastoral de S. Martinho de Dume. Vindo de Bizâncio, em 552, ao que parece em navios do império, trazia consigo uma equipa de mestres, uma rica biblioteca, copistas e homens preparados para ajudar os suevos. Bem recebido em Braga pelo rei suevo, impulsionou o funcionamento do mosteiro de Dume e da Escola do Palácio.
S. Frutuoso, natural do Norte da Galiza e mais tarde arcebispo de Braga, seguiu-lhe o exemplo, facto que nos leva a pensar que os mosteiros de Paderne, Fiães e de S.Paio  terão sido, na verdade, fundações suevo-visigóticas, de inspiração peninsular nos primórdios do cristianismo e, só mais tarde, beneditinas.
Melgaço obteve de D. Afonso Henriques, em 21.07.1183, depois da independência, o seu primeiro foral. Porém, Paderne e Fiães gozavam desde então, e até à reforma de Mouzinho da Silveira, do privilégio dos Coutos, com jurisdição própria, o que, se por um lado comprometeu o crescimento do concelho de Melgaço (“entalado” entre estes e o rio Minho / Espanha), por outro, não a impediu de dar importantes contributos à Nação portuguesa.


Extraído de: http://www.digitaldevizela.com/

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Lendas de Melgaço X: Criatura misteriosa aterrorizou Fiães e Castro Laboreiro em 1861



"Em 1861 foram devastadas as povoações gallegas de Padrenda, Monte Redondo e Gazgoa, por uma féra, que uns diziam ser lobo, outros tigre, outros javalí, etc. D’alli passou a Portugal e encheu de terror as povoações de Castro Laboreiro e immediatas, fazendo muitas victimas.
Só em um dia, matou duas crianças de 11 annos, em Castro Laboreiro, devorando uma e despedaçando outra. Não era raro encontrar aqui um braço, acolá uma perna, além um craneo; principalmente nas freguezias gallegas.
Tudo andava horrorisado. Ninguem sahia de noite; e, mesmo de dia, só bem armado e nunca só. O povo, sempre propenso ao maravilhoso, ligou varias historias sobrenaturaes a este acontecimento. Segundo uns, era a fera – um filho indigno, amaldiçoado por seus paes. Segundo outros era um Caim que tinha assassinado um seu irmão. Outros pretendiam que era uma alma do outro mundo. Os mais espertos sustentavam que era um lobishomem – e os mais serios, teimavam que era, nem mais nem menos, o diabo em pessoa.
Combinaram-se todos os povos d’estes sitios para fazerem uma grande montaria ao animal feroz, qualquer que fosse a especie a que pertencesse.
Reuniu-se grande numero de povo no terreiro da capella d’Alcobaça, limites de Fiães e Castro Laboreiro, e mais de 300 homens investiram com a floresta das Ramalheiras.
Não appareceu a féra, mas achou-se um rapaz, de 14 annos, horrorosamente ferido por ella, e salvo por umas vaccas, que andava guardando, as quaes se atiraram resolutamente ao animal feroz, e o fizeram fugir. O rapaz escapou.
Esta féra appareceu n’estes sitios por duas vezes, com intervallo de dois annos, demorando-se de cada uma alguns mezes. Desappareceu sem se saber como, nem para onde. Tambem nunca se chegou a saber positivamente que especie de animal era. Pelos signaes que davam os que tiveram a infelicidade de o ver, suppõe-se ser um grande tigre, fugido da jaula de qualquer domador de féras. 
Nunca se soube ao certo o que era..."


Extraído de:
PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de (2006) - Portugal Antigo e Moderno. Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, [1873] , Tomo III, Lisboa.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A tragédia de Fiães (1841) contada no jornal "Revolução de Setembro"



Em 1841, o periódico "A Revolução de Setembro" terá sido a primeira publicação a noticiar a tragédia de Fiães, quase um mês depois do ocorrido.
Escreve o jornal que “O nosso correspondente de Vila Nova de Cerveira participa-nos com data de 25 do passado, o funesto acontecimento que abaixo transcrevemos. Sentimos ter que anunciar repetidas vezes estas cenas de desgraças que sobre nós se desencadeiam. Mas ao mesmo tempo é lisonjeiro\\ observar que nunca os sentimentos da generosidade e filantropia se desenvolveram em tão subido grau para minorar a triste situação das vítimas da desventura. Nós confiamos em que os nossos concidadãos não deixarão nesta ocasião de mostrar o mesmo interesse, que sempre os animou para valerem a seus irmãos perseguidos pela sorte.
 Eis aqui a relação do facto.
Um funesto acontecimento sofreram no dia 17 os habitantes do lugar de S. João, freguesia de Fiães, o qual não só estimula a nossa filantropia, mas também provoca as nossa lágrimas. Naquele dia, à uma hora da tarde desabou uma nuvem de água sobre o monte das Anturas, sobranceiro ao lugar de Portocarreiro, freguesia de Fiães, concelho de Melgaço. Abrindo parte do mesmo monte, despediu dele montruosos penhascos, que vieram rolar sobre o lugar de S. João, lançando por terra 15 casas, ficando debaixo de suas ruínas, 14 pessoas. Esta catástrofe além daquele lastimoso estrago, reduziu à miséria muitas mais famílias pela perda de gados de todas as classes, frutos colhidos e por colher, que a violência das águas e o desabamento da colina entulhou no vale. Esperamos da habitual beneficência dos nossos concidadãos, ver minorada por uma subscrição (já aberta) a pungente miséria a que ficou reduzida aquele infeliz povo”.

       
Ver post Fiães, 1841 - Uma aldeia inteira é varrida do mapa pela MÃE NATUREZA


Extraído de:

BATEIRA, Carlos; SOARES, Laura & GARCIA, João Carlos (1997) - O terramoto de S. João (Melgaço) em 1841: um percurso pela geomorfologia histórica. Instituto de Geografia. FLUP. Porto

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A Capela da Senhora do Alívio (Pousafoles-Fiães)


Foto em http://coxo-melgaco.blogspot.com


Esta capela, localizada no lugar de Pousafoles da freguesia de Fiães, foi construída em 1867, segundo data inscrita numa cartela existente na fachada principal, sobre a porta de acesso. Sobre o óculo, outra cartela exibe a inscrição: ‘NA SA DO ALLIVIO’.
A sua edificação é atribuída ao pedreiro Manuel José Gomes, conhecido como o ‘Mestre do Regueiro’, natural e residente nesse lugar da freguesia de S. Paio. A origem desta capela remonta ao século XIX. Segundo a tradição, "durante as lutas civis com a Espanha, o P.e António que vivia no lugar havia guardado dinheiro a dois foragidos. Como não retornaram um ano volvido após pacificação das partes, terá solicitado ao Arcebispo autorização para edificar a capela e encomendou a obra ao Mestre de São Paio, do lugar vizinho que a fez demasiado singela para gosto do encomendante. O mestre canteiro prometeu então que singela não ficaria e decorou-a profusamente”.
A capela encontra-se inserida em meio rural e isolada, detentora de um pequeno adro murado fronteiro, esta capela, construída em alvenaria autoportante rebocada e pintada a branco excepto embasamento, cunhais, molduras, cimalhas, elementos decorativos e a meia parte superior do frontispício, apresenta planta rectangular, e cobertura de duas águas.
Na frontaria, voltada a sul, abre-se porta axial com padieira ligeiramente encurvada ladeada por dois óculos e, sobre esta, ao centro, um outro óculo. A fachada é rematada por cimalha angular com campanário e cruz latina no vértice e urnas nos extremos.
Contudo, o que mais distingue esta capela é a decoração da frontaria, esculpida no espaço entre a porta e a cimalha que a remata. Os ornatos, envoltos em molduras ou em entrelaçados, são variados privilegiando a temática geométrica e naturalista: losangos, quadrifólios, florais, estrela de oito pontas, coração, cordões, etc. Dir-se-ia que o escultor ‘bordou’ a fachada, dotando-a de uma espécie de‘cortina’ que cai sobre a porta e, além desta, como ‘pingente’.


Extraído de:
- DORDIO, Paulo/DGEMN – Capela da Senhora do Alívio, n.º IPA: PT011603070036, 1996.
www.monumentos.pt.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Fiães, 1841 - Uma aldeia inteira é varrida do mapa pela MÃE NATUREZA

Portocarreiro (Fiães), próximo da localização da antiga aldeia de S. João

A 17 de Novembro de 1841, depois de dois meses de intenso mau tempo, com muita chuva, um terrível desmoronamento de terras destroi em momentos a povoação, morrendo soterrados muitos dos habitantes. Os prejuízos materiais revelam-se catastróficos para a pequena comunidade. Logo no dia seguinte, o regedor Manuel do Rego lança um apelo ao Administrador do Concelho, depois de relatar sumariamente o ocorrido ”Participo a vossa excelência que ontem pela uma hora da tarde rebentou uma parte do monte denominado Anteiro e veio ao lugar de S. João/Porto Carreiro e arrastou e levou 9 casas com muita gente e gado e foi uma desgraça muito grande. Ora é preciso que vossa excelência dê providências mandando vir gente do concelho para ajudar a desenterrar a gente e gados e frutos e aparatos que ficaram debaixo dos rochedos.”
A ajuda chegou principalmente dos lugares vizinhos, onde se recolheram os sobreviventes e donde partiram os grupos de homens a desenterrar os cadáveres e dar-lhes sepultura junto ao Mosteiro de Fiães. A grande torrente de pedras e lama atingira também Porto Carreiro, chegando mesmo ao leito do Trancoso. Na tradição oral, ao chegar à Igreja de Nossa Senhora da Vista, a torrente dividira-se em duas, salvando-se milagrosamente o templo, que ainda hoje se encontra soterrado. As consequências foram contudo destruidoras nos campos, que levarão muitos anos a limpar e reconstruir.
Um importante núcleo existia no lugar de S. João, muito próximo de Porto Carreiro, num lugar a meia vertente onde convergiam vários pequenos ribeiros mas todos com algum caudal. S. João cresceu como um tentáculo de Porto Carreiro, para cima ao longo da vertente, mas encaixado na apertada garganta do pequeno afluente do Trancoso. Uma das suas riquezas era essa força motriz que alimentava as suas azenhas: cinco num aglomerado de apenas cerca de duas dezenas de casas. Mas, uma das fortes razões da sua existência explicará o seu desaparecimento.
Quase um mês depois da catástrofe, o pároco fazia um relatório ao Administrador do Concelho, inventariando o desastre de S. João: 15 casas “com todos os seus aparatos”, 6 pontes, 5 moinhos, 16 cabeças de gado, 200 de gado miúdo, 10 porcos, 30 “carros de pão” (cereal), canstros de milho e “terras de lavradio que nuca mais tornam a dar pão, que tudo levou e desapareceu, foram louvados em 16.000 cruzados”. O total geral é avaliado em 45.000 cruzados. O número de mortos elevou-se a 14 pessoas, afetando 6 famílias, uma das quais perdeu 6 membros.
Organizava-se entretanto a ajuda às famílias atingidas. Primeiro é o Administrador Geral do Distrito de Viana do Castelo que propõe uma subscrição nos diferentes concelhos da sua jurisdição, depois a notícia chegou à capital. Em Lisboa, a Revolução de Setembro parece ter sido o primeiro periódico a divulgar o acontecimento, quase um mês depois, mas as providências por parte do Governo tardarão muito mais. Só em Março do ano seguinte, a rainha D. Maria II assina um documento encarregando as comissões de recolherem donativos a favor das vítimas de S. João. Em Dezembro de 1842, os donativos chegavam ainda a Melgaço.


Extraído de:

BATEIRA, Carlos; SOARES, Laura & GARCIA, João Carlos (1997) - O terramoto de S. João (Melgaço) em 1841: um percurso pela geomorfologia histórica. Instituto de Geografia. FLUP. Porto.

sábado, 28 de julho de 2012

As origens de Fiães


São diversas as teorias sobre as origens do topónimo. O Pe. Aníbal Rodrigues avança três: de feno, terreno onde se produzia muito feno; de Fidelanis, gente de muita fé; ou de ‘terra de fiandeiras ou fiandeiros”, cultivadores de linho e tecelões de teares caseiros.
Pinho Leal, por seu lado, defende que Fian, Fiãa, Fiaam, Ffia, Sfiãa e Fiada é tudo o mesmo (no português arcaico) e significa vaso de barro chato e redondo, a que depois se chamou almofia. Servia antigamente para pagar certa medida de cereais e também de manteiga. Dezasseis fiães faziam um alqueire.
Ainda segundo este autor, é provável que aqui se pagasse este foro, pelo que então se diria terra de Fiães (ou que paga fiães). Ou que houvesse aqui oleiros que fabricassem fians. Afian (em latim fiala) era quase da forma de um alguidar e levava dois quartilhos.
Houve aqui um importante convento de frades beneditinos, antiquíssimo. São bastante confusos os seus primórdios: frei António da Purificação pretende que remonte ao ano de 870, logo ocupado pelos eremitas de Santo Agostinho, que aqui ficariam até se integrarem na regra cisterciense; os beneditinos contestam esta opinião e, pela pena de frei Leão de S. Tomás, avocam-se tal prioridade, dando-no como fundado em 889; finalmente, o Pe. Carvalho da Costa, indo mais longe, afir­ma que aparecem notícias sobre a casa já no ano de 851 (no tempo de D. Ramiro II, de Leão, e de sua mulher, D. Patema).
Não há dúvidas, no entanto, que já era couto antes da fundação da nacionalidade, pois D. Afonso Henriques confirmou-lhe esse privilégio em 1173 e isentou os seus moradores de pegarem em armas e de servirem em quaisquer obras de fortificação, excepto “em uma quadrilha de dezoito braços nos muros de Melgaço”.
Os reis seguintes mantiveram e, em muitos casos, aumentaram estas mercês.
Em 1730, as autoridades militares ordenaram um recrutamento no couto. Imediatamente o abade recorreu para o general comandante da praça de Valença, sendo atendido. Como, anos depois, nova tentativa se fizesse, D. João V recomendou a anulação dessa diligência.
Constava que era o mosteiro mais rico das Espanhas. Recebeu valiosas doações.
Tinha muitos bens e casais e grande número de coutos. Possuía foros no Minho, Trás-os-Montes e Galiza, chegando a dispor de vinte abadias. “Desta forma, podia manter oitenta frades de missa, além dos conversos” (Lionído de Abreu, em “Silva Minhota”). Nesses tempos, quando se pretendia definir a sua grandeza, dizia-se que, “depois de el-rei, não há senhor tão poderoso como o Dom Abade de Fiães”.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O mosteiro de Santa Maria de Fiães (Melgaço)


Igreja do mosteiro com o mesmo nome, classificada como Monumento Nacional desde 1913, como em muitos outros casos as brumas do tempo escondem o seu nascimento. A ausência de dados faz com que se aplique um modelo explicativo para as suas raízes: em finais do séc. IX terá sido fundado um eremitério ou um cenóbio de tradição visigótica de S. Frutuoso e com ligações a Dume, sendo que o primeiro documento conhecido data de 1154, havendo um outro de 1157 onde se menciona a regra de S. Bento. A primeira referência explícita a Cister consta de um documento de 1194 onde consta a filiação de Fiães em Tarouca.


Ficheiro:Fiaes.jpg


É ainda no séc. XII que se constitui o seu património através de doações, legados, compras e escambos onde sobressai em 1157 a constituição do Couto por meio da doação de Afonso Pais (embora falte um documento que confirme as isenções) e o apoio de Afonso Henriques que lhe outorga em 1177 o que possui de bens em reguengos de Melgaço ao termo de Chaviães e de Cátaro ao Rio Minho, erguendo os monges uma granja em terras de Orada e aí erigindo uma capela considerada uma das jóias do românico português. Sancho I revoga a doação da herdade da Senhora de Orada em benefício dos povoadores de Melgaço mas compensa o mosteiro com terras na freguesia de Messegães (Monção).

 O primeiro século de existência será o seu período áureo e, como expressão de sua vitalidade, funda Ermelo na sua dependência, que constituirá caso único em Portugal; embora não se saiba quantos monges terá podido sustentar, a documentação existente só demonstra a decadência posterior causada quer por mudanças de mentalidade quer pelo desmantelar da organização e apropriação dos rendimentos pelos abades comendatários. Estes aparecem para evitar que as igrejas sofressem os inconvenientes de uma vacatura prolongada, assim, até à nomeação de um novo superior era nomeado um pastor temporário, mas o sistema evolui para uma situação de benefício permanente.

A crise económica, social e também espiritual do séc. XIV com o seu rol de guerras , fome e doenças afectará também os mosteiros influindo na crise de vocações, desorganização e perda de rendimentos. Ainda assim, após as guerras fernandinas e a conquista de Melgaço por João I (tendo D. Filipa ficado instalada no mosteiro enquanto decorriam as movimentações militares), em 1392 aquele ainda lhes concederá o “dízimo do pescado miúdo no rio Minho do termo de Melgaço contra Galiza com excepção das lampreias, sáveis e eiróses”.

O grande flagelo será, no entanto, a substituição do abade vitalício e eleito na comunidade pelos abades comendatários, absentistas que não conhecem os monges, não estavam a par das regras e usos, não mantinham a disciplina e não faziam cumprir devidamente o ofício divino, promovendo o relaxamento dos costumes. A eles só interessa os rendimentos do mosteiro, bens e rendas eram dissipados e consumidos, as casas não tinham monges suficientes nem eram providas do sustento necessário para as manter, é natural o desleixo na manutenção e conservação dos edifícios. A casa real protege Alcobaça, mas o resto será dissipado.

Em 1532, fruto da intervenção de D. João III, é nomeado comendatário D. João de Cós, antigo prior de Alcobaça, homem enérgico e que vai residir para Fiães na tentativa de recuperar património fundiário, reorganizar a comunidade e realizar obras urgentes.

Quando o Abade de Claraval chega a Fiães em Janeiro de 1533, verifica com agrado as obras de restauro começadas por D. João de Cós, nos tectos na sala capitular, na igreja do claustro e nos aposentos do Abade; tudo o resto eram grandiosas ruínas e uma pobreza gritante quanto aos paramentos e alfaias litúrgicas, meia dúzia de manuscritos, alguns muito belos mas antigos e obsoletos face ao avanço da imprensa e apenas o abade, quatro religiosos e 2 conversos. Condições de vida que, no entanto, não diferem substancialmente das da população em geral.

A degradação moral, sinais dos tempos de mudança e de reinvenção da espiritualidade no ocidente; a falta de piedade e o relaxamento dos costumes constituem uma nota pouco edificante em muitos conventos. Em Fiães, o caso da filha do anterior comendatário que na granja de Orada exercia a prostituição conjuntamente com 2 outras jovens, motivou a intervenção enérgica do visitador junto do Juiz de Melgaço, conseguindo expulsar as mulheres que exerciam a prostituição, inclusivamente, na abadia.

Em 1567, com a reforma da Igreja Católica, efectuada pelo Concílio de Trento acaba a sangria. Alcobaça fica como responsável pela Ordem em Portugal, institui-se a figura do Abade trienal e passa a ser exercida uma vigilância a cargo dos capítulos gerais de Alcobaça. Aos poucos foi recuperada a vivência monástica e abre-se uma época de reconstrução e recuperação dos edifícios de que Fiães acabará por beneficiar.

O Marquês de Pombal, na sua política de criação de um Estado centralizado, actua no sentido de submeter a Igreja à autoridade civil; é no âmbito desta problemática que entra o combate aos cistercienses; nomeia um geral da Ordem influenciável e que rodeia de homens da sua inteira confiança os quais promovem a reforma dos estudos monásticos e as pastorais de 1774 que, preparando os monges para futuras extinções possibilita o afastamento dos abades trienais com a desculpa de purificação do ambiente. Assim são extintos Mocambo, Tarouca, Lafões, Seiça, Maceira-Dão e Fiães entre outros, anexando as rendas a outras entidades: as de Fiães foram entregues ao Colégio da Conceição em Coimbra.

Esta primeira extinção foi fatal para muitos mosteiros entre os quais se encontrava Fiães. Apesar da restauração de 1777 levada acabo por Maria I, a qual corrige a acção contra Alcobaça, a época já não era propícia à recuperação das instituições monásticas: cerceamento à liberdade de ingresso nas ordens religiosas e tomadas de ordens, efeitos da revolução francesa, da expansão do liberalismo e hostilidades durante a revolução liberal causadas pela posição miguelista que foi adoptada pelas instituições religiosas abrem campo ao decreto de extinção das ordens religiosas em 1834, inventariando-se os bens das ordens e integrando-os na Fazenda Real. 

Embora reduzido a 2 monges, o seu património, apesar de todas as vicissitudes, parece não ter sido posto em causa: o couto, que coincide com a área da actual freguesia, e todo o seu património fundiário é desarticulado e integrado no novo esquema social e administrativo implantado no país pelo liberalismo, no caso particular, integrado no concelho de Melgaço. 

Em termos organizativos, embora não haja muita documentação, na sua época áurea por certo não deferiria muito dos seus congéneres: um abade, monges, de origem nobre, alguns letrados e sacerdotes, outros não, de túnica branca e escapulário negro com capuz, ditos monges do coro e que vivem em clausura.  

Conversos, irmãos leigos ou laicos, de origem campesina ou burguesa, iletrados na esmagadora maioria e que se dedicavam às tarefas económicas dentro e fora do mosteiro, nas granjas; eram a mão de obra, que vestia um hábito um pouco mais escuro e que vivia dentro do, mosteiro mas afastados dos monges.

Nas imediações da Abadia residia a Família: homens e mulheres que se encomendavam ao mosteiro por razões piedosas ou económicas e que em troca da alimentação, roupa e dormida renunciavam ao direito de propriedade, juravam obediência absoluta ao abade e trabalhavam para o mosteiro. O mosteiro também cuidava dos doentes e dos pobres que a ele se dirigiam em aflição e recebia visitantes em instalações próprias. 

O abade era o administrador da comunidade cuidando dos bens, controlando as granjas, velando pela conservação dos edifícios e, dentro do couto, era também a fonte donde emanava o poder terreno.

No âmbito do mosteiro era ajudado pelos monges aos quais estavam atribuídos cargos como os de prior, sacristão, tesoureiro, mestres de noviços e de conversos, enfermeiro, escriba, cantor ou porteiro. Eram encarregados de tarefas tão diversas como as do ensino, ofícios litúrgicos, música, manutenção das alfaias litúrgicas, obras, escrita, contabilidade, cuidados médicos, alimentação, da qual estava excluída a carne, acolhimento a viajantes e das relações da clausura com o exterior, etc. .

A granja cisterciense era o centro de exploração económica do domínio monástico. Ali trabalhavam e viviam conversos dirigidos pelo mestre da granja e supervisionados semanalmente pelo monge a que era atribuída essa responsabilidade. As granjas eram constituídas por um conjunto de edifícios económicos, caso de celeiros, estábulos, teares, fornos, moinhos etc., conforme o tipo de exploração e outros domésticos como sejam cozinhas, refeitórios, dormitórios e capela tudo disposto à volta de um pátio.

A vida diária dos monges alternava entre a oração (opus Dei) no coro, quatro horas diárias mais as missas, com leituras espirituais nos claustros (Lectio Divina) e o trabalho manual (Opus manuum) nas hortas, no scriptorium ou outras dependências do mosteiro, no conjunto, cerca de seis horas no Verão mais o tempo destinado ao descanso.

O silêncio a que eram obrigados só era interrompido pelo canto no coro, na sala capitular, onde se liam as regras, se tomavam as decisões importantes e se fazia a confissão púbica de culpa, e quando o prior distribuía as tarefas diárias no locutório, tarefas e urgências eram resolvidas através de uma sinaléctica própria.

Dentro do couto, terra imune por excelência em que o rei abdicava das suas prerrogativas jurisdicionais e dos direitos materiais a favor do donatário, as suas responsabilidades iam no sentido de organizar o sistema de relações com os seus súbditos e dependentes e articulá-lo    com o poder real e as instituições circundantes..

O abade designava os magistrados existentes na Casa da Audiência do mosteiro, como o Juiz, procurador, meirinho e porteiro. Os 12 homens-bons que compunham a assembleia deliberativa do couto eram nomeados pelo juiz, pelo procurador e pelo Abade, sendo que após as reformas, no séc. XVII, passou a haver representantes de Alcobaça nessa assembleia; em 1671 havia uma coima de 500réis por cada falta às reuniões. Magistrados e vereadores, encarregues da administração do couto eram também designados. Entre outras funções contam-se a milícia, aferidores, recebedores e vendedores. Portanto, uma estrutura similar aos concelhos, cuja diferença reside na origem do poder que, nos concelhos, é de cariz popular e no couto é delegado, neste caso pelo Abade.

Do antigo convento subsiste a igreja de planta longitudinal, composta por três naves e quatro tramos, cabeceira tripartida com três capelas quadrangulares, a capela-mor tem dois tramos e as laterais um só, abóboda de berço quebrado e altar de talha dourada (séc. XVIII); no absídiolo esquerdo está um retábulo de gosto maneirista (séc. XVII). Existem ainda alguns capitéis geminados provenientes do mosteiro. A capela da cabeceira do lado do evangelho está decorada com medalhões e arcaturas e na fachada e no altar-mor estão representados os três padroeiros celestes: St Maria, S. Bento e S. Bernardo. O túmulo existente na nave sul data do séc. XV, de Fernão Eanes de Lima, pai do 1º Visconde de Vila Nova de Cerveira.

De salientar que o corpo actual da Igreja data da fase de restauro já no séc. XVII, tal como a fonte da Madalena e a alameda. A Igreja manteve a cabeceira, o portal e as paredes das naves. Elevadas as naves, ganhou em grandiosidade e luz, com uma janela na fachada e no alçado norte contrastando com as frestas a sul mas perdeu a proporcionalidade e a elegância austera anteriores, ainda hoje documentada pela cabeceira, alguns capitéis avulsos e pela pureza do pórtico. Os edifícios da clausura, ainda em ruínas há cerca de 50 anos, já não existem hoje. Algumas casas em redor foram construídas sobre muros e arcos do antigo claustro e materiais foram usados para construção.

O espírito da ordem é visível na austeridade da sua arquitectura na figuração quase inexistente, na ausência de decoração do pórtico (as estátuas da fachada são do séc. XVII). O espaço interno e as arcadas, de planimetria seiscentista alteraram a luminosidade e o ambiente próprios do espaço cisterciense. Os carvalhos, que se erguem no terreiro, foram mandados plantar pelo abade Frei Félix de Cerveira em 1737.

Informações recolhidas em:
- http://rotascister.home.sapo.pt/P7.html