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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Um retrato do concelho de Melgaço no último quarto do século XIX





No livro "O Minho Pitoresco", publicado em 1886, o autor, não termina o longo capítulo dedicado a Melgaço sem nos deixar um retrato do concelho em termos estatísticos na época. Podemos ler que "Neste ponto, cumpre parar e lançar uma vista retrospetiva sobre todas as manifestações,pelas quais se revela povoação culta o primeiro concelho norte do país.
Serão ainda umas estatísticas curiosas, que tu apreciarás, leitor,sejas ou não filho desta terra, porque elas, por assim dizer, compendiam o movimento civilizador do teu país.
A escola e a imprensa são dois polos da vida intelectual. A segunda não existe em Melgaço, a primeira ramifica a sua luz segundo a distribuição seguinte: tem 8 escolas primárias do sexo masculino, 1 do feminino e 1 mista.
O numero de alunos que frequentou o ano letivo de 1883 – 1884 foi de 559 rapazes e 182 meninas. As escolas são nas seguintes freguesias : Cristoval (mista), Castro Laboreiro, Fiães, Melgaço (duas, uma do sexo masculino e outra do sexo feminino), Paderne, Paços, Parada de Monte, Penso e Remoães.
Como demonstração de moralidade, temos a estatística criminal, referida ao ano de 1880, a ultima publicada. Na comarca foram nesse ano julgados 35 réus, sendo 10 absolvidos e 23 condenados a penas correcionais. Os crimes eram 25, quatro dos quais classificados como atentados contra a ordem e 21 contra pessoas.
De entre os 35 criminosos, 27 eram homens e 8 mulheres e sabiam ler 20, sendo os outros 15 analfabetos. De entre os 35, 2 eram de fora da comarca e 2 estrangeiros.
Do trabalho, na sua tríplice ramificação de comércio, industria e agricultura, pode dizer-se quanto ao primeiro que existe um pouco florescente, atenta a riqueza do concelho, fazendo-se bastantes transações com a Galiza, e exportando para todo o país os celebres presuntos e para os concelhos próximos algum vinho, lãs, cereais e castanha.
A agricultura é a atividade predominante; reduzida, porém, quase ao período pastoril e de criação nas freguesias serranas, onde se apresenta a raça bovina cruzada de barrosã e galega, as ovelhas, e alguns péssimos exemplares de gado equino, asinino e muar, mal alimentados e vivendo pelas pastagens da serra. Nas freguesias da Ribeira Minho, o vinho, os cereais, as frutas, principalmente a castanha, têm já uma larga produção e tornam o concelho bastante fértil. O vinho verde é bastante ácido e taninoso, e usa-se a cultura da vinha pelas pequenas ramadas de arjoeiro, latadas e poucas uveiras. As freguesias mais produtoras são as de Penso, Parada, Passos, Cristoval e Chaviães.
O preço médio é de 26$000 réis por pipa. As castas vulgares são: o espadeiro, o cainho, o pical, e a tinta, vulgarmente chamada espadeiro de Basto.
As vindimas principiam ordinariamente a 20 de setembro. As uvas, sem escolha nem seleção, são lançadas nos lagares de cantaria ou em dornas de madeira. Pisadas logo, ficam em fermentação pelo espaço de 48 a 72 horas, no fim das quais o vinho é envasilhado, sendo em Abril trasfegado para outras vasilhas.
Fazem vinho branco e tinto, e destes distinguem uma qualidade melhor por ser fabricado com uvas de melhores castas, mais sazonadas e escolhidas. A duração do vinho não excede um ano.
O ultimo recenseamento dos gados feito em 1872 dá para o concelho um valor médio de 51.761 $ 810 réis, o que deve considerar-se abaixo da verdade.
As espécies pecuárias são assim divididas:


A vida económica é ainda fácil no concelho. A propriedade rural rende 3 por cento em média e no mercado, abundante de hortaliças, frutas, legumes e aves de criação, os preços regulam pela seguinte tabela:


As feiras efetuam-se nos dias 9 e 22, sendo porém de minguada concorrência esta ultima.
Na página que segue encontra o leitor o mapa elucidativo da população do concelho e do numero de fogos de cada freguesia, tal como o determina o censo de 1878, o ultimo elaborado no nosso país, e bem assim a enumeração dos principais lugares pertencentes a cada uma das paroquias. O leitor compreende, que não podem atingir a verdade rigorosa e exata os elementos de estatística que temos a honra de lhe apresentar.
Que muitas causas não houvesse para essa inexatidão, bastava atender a uma importantíssima,que todos os que se encarregam de trabalhos desta natureza, encontram na sua frente — a ignorância do povo, que nestes trabalhos vê sempre um agravamento do imposto."


- VIEIRA, José Augusto (1886) - O Minho Pittoresco, Tomo I, Livraria de António Maria Pereira-Editor, Lisboa.



sábado, 14 de setembro de 2019

Melgaço, 1956 - Reportagem vídeo sobre a rodagem do filme "Orgulho e Paixão", nas margens do Minho



Há mais de 60, mais concretamente em 1956, decorriam em Melgaço, nas margens do Minho, trabalhos de preparação para a gravação de exteriores do filme "Orgulho e Paixão" do realizador norte-americano Stanley Kramer. 
O filme contava no seu elenco atores célebres como Sophia Loren, Cary Grant ou Frank Sinatra. Na época, tal facto é noticiado em diversos meios de comunicação social. Por exemplo, no jornal brasileiro Correio da Manhã (periódico do Rio de Janeiro), podemos ler a seguinte notícia "Sofia Loren, Cary Grant e Frank Sinatra devem chegar dentro de dias a Portugal para filmar nos arredores de Melgaço os exteriores da película "Orgulho e Paixão", de Stanley Kramer. Uma ponte de barcas está a ser preparada no rio Minho, pois o filme decorre durante as invasões napoleónicas" (edição de 9 de Setembro de de 1956). Boa parte dos exteriores, foram gravadas nas margens do Minho em Arbo, do outro lado do rio.
Fica aqui partilhada uma pequena reportagem em vídeo da época acerca da preparação de exteriores nas margens do Minho, em Melgaço.








sexta-feira, 6 de setembro de 2019

A lenda da Inês Negra contada a crianças pelo escritor José Jorge Letria




A lenda da Inês Negra tem como pano de fundo um facto histórico ocorrido em 1388 durante o cerco à praça-forte de Melgaço. O cronista Fernão Lopes deixou relatado que “nesse dia escaramuçaram duas mulheres bravas, uma da villa, e outra do arraial”. Apenas já durante a segunda metade do século XIX é que a heroína aparece em alguma bibliografia com o nome de Inês Negra e são deste período as primeiras versões escritas da lenda, nomeadamente a contada pelo professor Pinho Leal no seu livro “Portugal Antigo e Moderno".
Já no primeiro terço do século XX aparecem a versão do Conde de Sabugosa no seu livro “Neves de Antanho” e a lenda contada por Júlio Dantas. Recentemente, apareceu publicada em livro infantil, a lenda da Inês Negra contada pelo escritor José Jorge Letria. A história é contada nestes termos:

"UM DUELO POR PORTUGAL

A História de Inês Negra

Tudo aconteceu no ano de 1388, quando D. João I, o Mestre de Avis, lutava para defender as fronteiras portuguesas dos constantes ataques dos castelhanos, que não desistiam de nos subjugar.
Quando os castelhanos ocuparam Melgaço, no norte de Portugal, Inês, uma mulher do povo que ficou conhecida na História como Inês Negra, abandonou essa praça-forte, mas fez uma jura:
Eu hei de voltar, e há de ser para ajudar a expulsar o inimigo.
E cumpriu a promessa. Quando as tropas portuguesas avançaram para a reconquista de Melgaço, Inês juntou-se a elas, disposta a tudo para ver o invasor derrotado. A batalha final entre os dois exércitos, segundo reza a lenda, acabou por nunca acontecer, já que o seu lugar foi ocupado por duas mulheres apenas.
Inês, do lado português, e a Arrenegada, do lado dos castelhanos. Embora sendo portuguesa, esta defendia-os com unhas e dentes. Foi ela que do alto das muralhas do castelo desafiou Inês Negra para um combate corpo a corpo. Inês logo aceitou o repto, empunhando uma espada e contando com o apoio caloroso dos soldados do Mestre de Avis. A Arrenegada, com um golpe certeiro, conseguiu arrancar a espada das mãos de Inês, mas esta serviu-se de uma forquilha, tentando atingir a adversária nas pernas. Seguiram-se alguns golpes certeiros e outros falhados, e muitos gritos e ameaças.
Depois de ser golpeada nas costas com um varapau, Inês Negra, já sem arma para se defender, atirou-se à Arrenegada com tamanha fúria, que esta, já muito mal tratada, correu a refugiar-se dentro do castelo, enquanto as tropas portuguesas apertavam o cerco ao invasor. Só não ouviu quem não quis a valente Inês a gritar:
- Assim como eu te venci, ó Arrenegada, assim as tropas do Mestre de Avis hão de vencer os castelhanos!
E foi o que acabou por acontecer, mesmo sem ali se travar uma batalha. Percebendo que o cerco iria ser longo e sem saída, os castelhanos acabaram por abandonar aquela praça-forte, entregando-a às tropas portuguesas. Assim se evitou um confronto sangrento.
- Como recompensa, dar-te-ei o que me pedires pelo feito que praticaste – anunciou o Mestre de Avis à brava Inês Negra.
Mas esta, altiva, respondeu ao seu rei:
- Senhor, ver o invasor vencido é a maior de todas as recompensas. Sou uma pobre mulher do povo e assim irei continuar, lutando sempre por aquilo em que acredito.
Haverá quem diga que toda esta história é fruto da imaginação de um povo que gosta de ser independente e soberano. Porém, existe na entrada de Melgaço uma estátua que faz perdurar a lenda e a memória da coragem de uma mulher portuguesa do século XIV: a Inês Negra."



Extraído de: LETRIA, José Jorge (2013) - Histórias Curiosas da Nossa História. Oficina do Livro.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

S. Paio de Melgaço (1703) - O que é um clérigo de "sangue limpo"?

Vista parcial sobre S. Paio
(Foto de Annabelle Pereira)



Recuamos cerca de 300 anos até S. Paio, freguesia deste concelho de Melgaço. Na sua igreja paroquial, no dia 13 de Março de 1703, sob a coordenação de um tal Padre João de Nápoles Loureiro, decorre uma reunião da Comissão do Processo de Inquirição de Genere referente a um tal António Dias de Castro, clérigo natural do lugar de Carvalha Furada. Antes de mais, é importante esclarecer os leitores o que é exatamente uma Inquirição de Genere, um instrumento jurídico criado pela Igreja Católica que visava verificar se a pessoa em causa é de “sangue limpo”.
Nessa época, há 300 anos, para se poder enveredar pela carreira eclesiástica, como ser padre por exemplo, era condição obrigatória que o candidato, além de católico de conduta exemplar, fosse de “sangue limpo”, ou seja, que os seus pais e restantes ascendentes fossem cristão católicos não podendo ser convertidos, ou seja, cristão novos. Assim, qualquer indivíduo que tivesse pais ou avós mouros, judeus ou de outras confissões bem como cristãos novos, não poderia nunca seguir a carreira eclesiástica.
De facto, a Inquisição forçou judeus e mouros a converterem-se ao cristianismo mas criou-lhes uma barreira intransponível pois os cristãos-novos estavam manchados pelo “pecado” da sua origem. Consequentemente, era exigida limpeza de sangue. Qualquer suspeita quanto à sinceridade religiosa dos cristãos, originava uma rigorosa discriminação quanto à sua admissão a benefícios eclesiásticos.
Uma Inquirição de Genere consistia numa averiguação que incluía interrogatórios a diversas testemunhas acerca das origens familiares do candidato a uma carreira ou cargo eclesiástico bem como acerca dos seus usos e costumes.
Assim sendo, foram chamadas várias testemunhas para falarem acerca do tal António Dias de Castro e da sua família para se saber se provinha de uma família cristã. A primeira testemunha é um tal Pedro Cyntrão, morador no lugar das Cavencas, da mesma freguesia de S. Paio e disse, quando interrogado que “… conhecia muito bem o justificante António Dias de Castro e sabe ser o próprio e conhecido nesta Comissão que he natural e morador do lugar de Carvalha Furada.” Acrescentou que “...sabia ser o justificante filho legítimo de António de Castro e de sua mulher já defunta Páschoa Rodrigues e morador do dito lugar de Carvalha Furada, ella natural dos Lourenços, ambos lugares desta freguesia, (…) filho legítimo matrimónio, he o justificante tido, havido e de todo respeitado por tal sem haver outra fama. (…) Disse que sabia ser o justificante neto pela parte paterna de Gonçallo Dias natural da freguesia de Parada do termo de Valladares e de sua mulher Maria de Castro natural do lugar do Fecho freguesia de Rouças, e pela parte paterna de Pedro Rodrigues, natural do lugar de Cavaleiro Alvo e de sua mulher Maria Rodrigues natural do lugar dos Lourenços, lugares desta freguesia de S. Paio e que estes avós paternos e maternos, afirma, eram todos lavradores honrados que viviam de suas fazendas e que não tinham alguma alcunha e que a estes os conhecia por tempo de trinta anos e que nesse tempo os conversou e tratou por neto dos sobreditos…
Em relação à limpeza de sangue, a testemunha afirma que “o justificante, por si e pelos ditos pais e avós paternos e maternos é cristão velho inteiro limpo, e de limpo sangue e geração sem ter raça alguma de cristão novo, ou de outra alguma infecta nação das contendas, nem disso há fama, nem rumor, em contrário, se a houvera a saberia por elle testemunha ter muito conhecimento das sobreditas pessoas...
De seguida, são chamadas outras testemunhas para serem interrogadas acerca de António Dias de Castro, nomeadamente um tal Francisco Álvares do lugar da Veiga, e um tal de João Domingues do lugar do Paço e que se limitam a confirmar as informações dadas pela primeira testemunha.
De seguida, é chamado a testemunhar um tal Luís Gomes, também do lugar do Paço. Em relação às origem e aos costumes da família do candidato, confirma as informações dadas pelos testemunhos anteriores. Contudo, em relação àquilo que se entende por “pureza de sangue” é bastante mais explicito quando “disse que o justificante, por si e pelos ditos seus pais e avós paternos e maternos, he christão velho inteiro, limpo e de limpo sangue, e geração sem ter raça alguma de judeu, mouro, mulato, mourisco, ou de outra infecta nação...
De seguida, os membros desta Comissão rumaram a Rouças realizar inquirições para aferir da “limpeza de sangue” da avó materna do justificante, natural daquela freguesia.
Depois de todas os trâmites do processo, no dia 14 de Março desse mesmo ano de 1703, o Padre João de Nápoles Loureiro redigiu o veredicto nos seguintes termos: “Certifico eu, João de Nápoles Loureiro, abade da ifreja de Sta. Eulália de Valladares que fiz inquirição que me foi encomendada (…) que o justificante por si e pelos ditos seus pais, avós paternos e maternos, é christão velho inteiro, limpo de sangue e geração...”.







Informações extraídas de:
- Portugal, Braga, Processos de Habilitação Sacerdotal (Genere et Moribus), 1596-1911," images, FamilySearch (https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QS7-89CS-N46J?cc=2125025&wc=SSVC-H67%3A363118001%2C363228501%2C363233901%2C363236101 : 10 June 2014), Viana do Castelo > Melgaço > São Paio > Processos de habilitação sacerdotal, Pasta 695, 1703 > image 13 of 17; Arquivo Distrital de Braga (Braga District Archive, Braga).


sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Melgaço em postais a cores de início do século XX




O blogue apresenta-vos uma pequena coleção de postais a cores com paisagens de Melgaço de inícios do século XX. Tratam-se de postais com pinturas a cores feitas em cima de fundo fotográfico e que nos mostram aspectos de vários pontos do nosso concelho: da vila de Melgaço, a Remoães, ao parque termal e hoteleiro do Peso, a fronteira de S. Gregório, sem esquecer  Paços, Paderne ou Castro Laboreiro, entre outros recantos da nossa terra retratados na época...
Viaje no tempo!




















sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O "Leão das Montanhas" (1859-1920): "Der Schulmeister von Castro Laboreiro"




Der Schulmeister von Castro Laboreiro” é o título de um inesperado mas muito interessante artigo de um jornal americano acerca de uma das personalidades melgacenses mais marcantes de finais do século XIX e início do século XX, conhecida na época como o “Leão das Montanhas”.
O professor Mathias de Sousa Lobato, nascido em Alvaredo em 1859 em Alvaredo e falecido na vila de Melgaço em 1920, dedicou boa parte da sua vida às gentes de Castro Laboreiro. Foi, durante décadas, professor de instrução primária e presidente da Junta da Paróquia de Castro Laboreiro o que lhe valeu uma enorme estima e gratidão pelas gentes castrejas, talvez só comparadas às que as gentes de Crasto tinham pelo Padre Aníbal em tempos mais recentes. O carisma e a singularidade da personalidade do professor Mathias foram assunto para um curioso artigo no jornal norte-americano “Der Deutsche Correspondent”, periódico da cidade americana de Baltimore escrito em língua alemã para imigrantes germânicos, na sua edição de 8 de Setembro de 1912.
No artigo, são citados alguns factos ocorridos em Castro Laboreiro na época. Em 1912, o Posto da Guarda Fiscal da Ameijoeira foi assaltado, alegadamente, por um grupo de homens afetos à causa monárquica, tendo roubado armas e munições e de seguida, fugiram para Espanha. Nessa altura, em Castro Laboreiro, o ilustre Professor de instrução primária Mathias de Souza Lobato, conhecido na época como o “Leão das Montanhas”, é acusado de exibir uma bandeira monárquica e ter dados vivas à Monarquia. Foi suspenso de funções e preso.
No artigo pode ler-se:

Der Schulmeister von Castro Laboreiro

O professor de Castro Laboreiro foi preso por ter “içado” a bandeira monárquica. Dom Mathias é um gigante na sua estatura. Sobre as pernas relativamente curtas, mas robustas, assenta um vigoroso tronco sobre o qual se ergue um poderoso crânio. O rosto emoldurado por uma barba negra e selvagem poderia parecer assustador, se não fosse o seu nariz avermelhado e brilhante, e dois olhos pequeninos de quem bebe, denunciam que nesse corpo de gigante vive a alma duma criança. E tal como sua aparência é a sua atitude.
A potente voz e os gestos de herói de comédia conta piadas e faz pequenas brincadeiras inofensivas, tão inofensivas como a sua vida de professor de aldeia, que, pelo mora a pelo menos 60 km de qualquer cultura, e acorda numa espécie de casa entre um monte de rochas. Só quando houve conversas sobre política, o meu anfitrião acorda para a vida plena. Afirma orgulhosamente que possui duas ou até três ordens (comendas), que já foi visitado por ministros na sua casa e que sempre permaneceu o modesto professor da aldeia, embora pudesse, é claro, ter tido cargos muito mais lucrativos. Mas o seu povo, os aldeões incultos, são-lhe tão queridos que ele apenas planeia deixar aquele lugar quando tiver que ir “desta para melhor”.
Agora, claro, por enquanto terá que trocar as suas montanhas agrestes pela prisão no Porto porque a convicção republicana que mostrou em 5 de Outubro de 1910, não era genuína, e que para seu mal se desmascarou quando um bandido gritou "Viva a monarquia".
Agora ele pode citar a donzela de Orleans e exclamar com o seu gesto altaneiro "Adeus, montanhas …".
O professor Mathias foi absolvido destes alegados factos e foi-lhe levantada a suspensão da atividade docente.


Artigo original (clique para ampliar)




Tradução do artigo da autoria de Ramona Fritz e Conceição Coimbra.
Nota - Um grande obrigado à amiga Teresa Lobato.



sexta-feira, 9 de agosto de 2019

As Águas de Melgaço nos anos 30 do século XX



Nos anos trinta do século passado, as "Águas de Melgaço" viviam tempos de prosperidade e eram muito concorridas na época termal, estando integradas já na empresa "Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas".
Num desdobrável publicitário de 1935 intitulado "Estâncias de Verão", publicado pela VMPS, podemos recolher interessantes informações acerca das termas melgacenses:
"A quatro kilómetros da histórica e pitoresca vila de Melgaço, no distrito de Viana do castelo, está a 115 metros de altitude e dista apenas 900 metros das belas margens do rio Minho. No centro de uma região formosíssima e extremamente salubre, protegida de ventos e isenta de humidade e nevoeiros, goza de um clima muito suave e de um ar muito puro e tónico devido à vizinhança de extensas matas e pinheirais."
Em termos terapêuticos, a grande mais valia das Águas de Melgaço era o facto de serem as únicas, em Portugal, indicadas para o tratamento da diabetes. No desdobrável, é referido que "O tratamento da diabetes assucarada é por excelência a especialização desta estância. Sob esse aspecto, não tem rival nem sequer congénere no paíz. As bem organizadas estatísticas do Corpo Clínico, resultado de rigorosos exames e análises laboratoriais , dão-nos nos últimos anos uma média de 75% de diabetes tratados, em que a glicosuria foi eliminada e 20% em que foi atenuada. Aplicam-se também estas águas com resultados brilhantes no tratamento de dispepsias, atonias gástrica e intestinal, nevroses gástricas, enterocolites, insuficiências hepáticas, litíases biliar e renal, anemias, obesidade e estados neurasténicos."
Também em termos de equipamentos de lazer, a estância das Águas de Melgaço dispunha de "um extenso parque onde não faltam alamedas ensombradas e lugares pitorescos. Os aquistas desportivos dispõem de um magnífico court de ténis, um excelente campo de "midget golf", bem como de outros jogos e passatempos. Melgaço está numa região privilegiada ,não lhe faltando passeios encantadores. Em S. Gregório, a poucos kilómetros, a paisagem é surpreendente. Com o estabelecimento do Posto da Polícia na ponte internacional, há pouco inaugurada, estará em breve assegurada a passagem para excursões na vizinha Galiza."...
Pode encontrar estas e outras informações no desdobrável que se seguida se reproduz na íntegra...


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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Um retrato da freguesia de S. Paio (Melgaço) de meados do século XVIII






A freguesia de S. Paio é uma das mais antigas do concelho de Melgaço. Existem referências a um antiquíssimo mosteiro que aparece documentado até ao século XII e designado como de “S. Pelagii de Paterni”, ainda que existam algumas dúvidas acerca da sua existência, segundo alguns autores. A paróquia, nos séculos seguintes, conserva-se com a denominação de “S. Payo de Paderne” até ao século XIX, embora apareça desde o século XVIII, por vezes, como “S. Paio de Melgaço” e as duas designações coexistam durante algum tempo. Apenas, a partir de 1936 é que oficialmente passa a ter a atual designação de “S. Paio”.
A igreja paroquial é dedicada ao mártir S. Paio, também conhecido como Pelayo de Córdova, sobrinho do Bispo de Tui, tomado como refém por um rei mouro, e degolado no ano de 825, em Córdova. A dita igreja paroquial situa-se no lugar, atualmente designado, de Cruzeiro. Contudo, nas Memórias Paroquiais de 1758, o Reverendo Domingos Gomes, pároco à época, refere que entre os lugares que compõem a freguesia se encontra “S. Payo em cujo lugar está situada a igreja com seis vizinhos”. A designação de “vizinhos” neste contexto não se refere ao número de residentes no lugar mas antes ao número de fogos (casas de habitação). 
A denominação de Cruzeiro é utilizada pela primeira vez numa assento de batismo em 1798, sendo que antes o lugar era chamado de S. Paio, conforme se comprova na citação. É curioso o lugar se chamar Cruzeiro, derivado da presença de um cruzeiro quinhentista que apresenta a data de construção esculpida na pedra, vários séculos mais recente do que a igreja paroquial. A mudança de nome poderá ter a ver com o crescimento do lugar no setor junto ao cruzeiro e ao longo do antigo caminho que ligava este lugar a Montrigo e aos Lourenços. Julgo que esse crescimento apenas se começa em finais do século XVIII. Até aqui, perto da igreja, apenas existiriam não mais do que seis casas e algo dispersas nas proximidades da mesma. Os lugares mais extensos da freguesia seriam os dos Lourenços, Regueiro, Cavaleiro Alvo e Sante, sendo este último meeiro com Paderne.
Em 1758, o pároco de S. Paio dá-nos a lista de lugares que na época existiam nesta paróquia designada de “S. Paio de Melgaço”. O padre Domingos Gomes refere que a freguesia tem trinta e três lugares. “Seus nomes são os seguintes: Cavaleiro Alvo, Fonte Gonçalo, terra de montanha, Amial, Quangostas, Raza, Requeixo, Sto. André, Cavencas, Paço, Ponte. Nogueiral, Veiga, Outeiro, Costa, Carpinteira, Granja de Cima, Granja de Baixo, Carreira, Rial, Alote, Gaya, Barral, Soutulho, Baratas, S. Payo (…), Rigueiro, Barreiros, Carvalha Furada, Lagendo, Lourenços e Sante, meeiro com a freguesia de Paderne em qual entra a Verdelha (…) estes dois são da alternativa de S. Payo ou Paderne e neste presente ano de 1758 até ao S. João são da alternativa de Paderne”. Em relação aos lugares meeiros Sante e Verdelha, o padre Domingos utiliza uma linguagem algo confusa, querendo ele dizer que os lugares até ao S. João pertenciam a uma das freguesias e depois do S. João até ao fim do ano pertenciam à outra freguesia.
Conforme se pode constatar, a generalidade dos lugares que conhecemos na atualidade já existiam na época ainda que alguns apareçam escritos de uma forma algo diferente da atual. Apenas, salientar que o atual lugar do Granja é citado como dois, e não um lugar, com as designações de “Granja de Cima e Granja de Baixo”. Por outro lado, reparamos na existência de um lugar designado de Fonte Gonçalo que, juntamente com Cavaleiro Alvo, é descrito como as "terras de montanha" da freguesia. O mesmo lugar é mencionado até ao primeiro quarto do século XIX e depois aparentemente desaparece dos documentos. Tanto quanto me parece, este pequeno lugar parecia situar-se nas proximidades de Cavaleiro Alvo e/ou Lobiô mas carece de uma localização mais exata. Por último, saliente-se o facto de o lugar do Pombal, entre outros, não ser referido ainda em meados do século XVIII, presumindo-se que não existisse já que referências a nascimentos de crianças neste lugar só se verificam já no início do século XIX.
O padre Domingos Gomes refere-se também aos limites naturais da freguesia na sua parte mais altaneira. Menciona que “esta freguesia de S. Payo confina com a serra de Pumidelo, Outeiro Escuro, Gavianceiras, montes ásperos, que tem de comprido huma légoa e de largo duas légoas e meya. Principia esta serra na freguesia de Rouças, Fiães e Lamas de Mouro e finda em Cubalhão e Paderne”.
No manuscrito da Memórias Paroquiais desta freguesia, o pároco faz referência aos dois principais cursos de água que correm em S. Paio. O mais curioso é reparar nos nomes utilizados na época. Em relação à chamada Corga de S. Paio que atravessa quase toda a freguesia em direção a Prado, diz-se o seguinte: “tem esta freguesia a Corga e Rio de Montirigo que principia no alto da Gavianceira e se recolhe entre as freguesias de Prado e Paderne”. Montirigo é a forma antiga de designar o lugar de Montrigo, localidade desabitada desde há mais de 30 anos e onde apenas existiu, em tempos, uma ou duas casa de habitação. Havia aí dois moinhos de águas comunitários que não funcionam há pelos menos 35 anos.
O pároco faz ainda alusão à corga que é o limite natural da S. Paio com a freguesia de Rouças, citada atualmente como a Ribeira de S. Lourenço. Há quase três séculos, a designação usada é completamente diferente. Atentemos neste extrato: “tem mais o Rio de Cantes que são limites desta freguesia e Rouças. Este tem seu princípio na serra de Pumidelo (…) o peixe desse são algumas trutas e anguias...”.
No total, a paróquia, contava, em 1758, segundo o pároco, com “vizinhos (fogos) duzentos e quarenta e nove e número de pessoas, setecentas e treze”. Se analisarmos os cadernos da paróquia de S. Paio entre os anos de 1758 a 1765, chegamos à conclusão que, por esta altura, nasciam à volta de 20 a 30 crianças por ano, estando a população da freguesia em franco crescimento, em face dos constantes saldos fisiológicos positivos. Em termos do número de óbitos, nesta época, os números situavam-se entre os 10 e os 20 óbitos anualmente, conforme se pode conferir nas tabelas.
Tomemos como exemplo o ano de 1765, em que nasceram 29 crianças na freguesia, registando-se apenas 10 óbitos, distribuindo-se os mesmos por diferentes lugares conforme as tabelas seguintes:




Tendo em conta os dados apresentados, entre 1758 e 1765, em menos de uma década, a população de S. Paio passou de 713, segundo informação do pároco da época, para um universo populacional aproximado de 800 habitantes. Podemos conferir esses dados na tabela seguinte:


Um outro pormenor que importa salientar é a prova da presença de população escrava na freguesia na época. Normalmente, os escravos eram propriedades de famílias nobres e em S. Paio tínhamos a “Quinta da Gaya” e a “Quinta da Lotta” (Alote) como exemplos de propriedade de famílias fidalgas locais. Assim, se atentarmos num assento de óbito lavrado em Janeiro de 1765, podemos ler o seguinte: “Francisco, preto, escravo de Manuel Joaquim António Pereira de Castro da Quinta da Gaya desta freguesia de São Payo. Se faleceo desta vida presente com todos os sacramentos e se lhe fez hum offício de sete sacerdotes… aos dezasseis dias de Fevereiro de mil setecentos e sassenta e sinco annos”.
Muito provavelmente este escravo pertencente ao senhor da Quinta da Gaia dedicar-se-ia a trabalhos agrícolas. Obviamente, a freguesia vivia essencialmente da agricultura como a generalidade do país. O pároco escreve em 1758 que, na época, em S. Paio de Melgaço se colhiam “frutos, milhão, centeio, trigo e milho alvo em abundância” bem como “vinho em abundância”.
Em 1758, o abade Domingos Gomes fala-nos ainda da igreja paroquial e das capelas existentes na freguesia. A igreja de S. Paio, tinha três naves, uma com três arcos, e cinco altares: o do orago S. Paio, onde estava o Santíssimo Sacramento; o da Senhora do Rosário; o da Senhora do Carmo; o do Santo Cristo e o das Almas.
As capelas que atualmente existem na paróquia, à exceção da do lugar do Regueiro, já existiam pelo menos há cerca de 300 anos. Em meados do século XVIII, existem referências à presença de quatro capelas nesta freguesia: a de Santo André, a de Nossa Senhora do Amparo, a de Nossa Senhora do Bom Despacho e a de S. Paio, no lugar de Cavaleiro Alvo. Em relação a esta última, no livro “Diccionário Geográfico” de 1751, o autor refere que já nessa época existia no dito lugar “uma ermida com a invocação de S. Payo”. Sabemos que em 1758, a administração desta capela pertencia ao povo desse lugar.
Além desta ermida, havia nesta freguesia de S. Paio, em meados do século XVIII, a capela de Nossa Senhora do Bom Despacho, no lugar de Barata. A mesma era administrada por um tal Manuel Fernandes, da freguesia de Rouças. Sabe-se que em 1913, já existia no lugar de Barata uma capela de invocação a S. Bento. Não sabemos se se trata da mesma capela antes citada da Nossa Senhora do Bom Despacho ou uma outra.
Em meados do século XVIII, já existia na freguesia de S. Paio, como se disse antes, uma capela dedicada a Santo André. A mesma capela era administrada pelo abade da paróquia, à época, o Reverendo Domingos Gomes que era natural do lugar da Rasa.
Falta fazer referência à capela de Nossa Senhora do Amparo, no lugar do Barral. A mesma já existia em meados do século XVIII, sendo referida nas Memórias Paroquiais de 1758. Na época era administrada por Manuel Gonçalves, morador no lugar do Barral, juntamente com o Doutor Miguel Gomes de Abreu, da freguesia de Paderne, Diogo Álvares, residente no lugar do Granjão (Paderne) e Domingos Álvares, morador no Barral.
Apesar da escassez de fontes de estudo, ficamos com um retrato possível da freguesia de S. Paio numa época em que, segundo o seu pároco, atravessava uma época relativamente próspera que talvez ajude a explicar o franco crescimento populacional. Neste sentido, o pároco escreve, em 1758, "nesta freguesia se colhe vinho com abundância e em toda ella, excepto os dous lugares que estão no monte, Cavaleiro Alvo e Fonte Gonçalo, dá abundante pam para seu sustento de frutas peras e maçãs, alguns pêssegos e ortaliças e alfaceas, tudo isto se dá nesta freguesia e algumas castanhas...".












Fontes consultadas:
- Arquivo Distrital de Viana do Castelo – Paróquia de S. Paio (Melgaço) – Livro de Assentos de Batismos (1721-07-02/1768-07-04).
- Arquivo Distrital de Viana do Castelo – Paróquia de S. Paio (Melgaço) – Livro de Assentos de Óbitos (1727-07-01/1803-06-08).
- Arquivo Nacional da Torre do Tombo - “Memórias paroquiais da freguesia de S. Paio (Melgaço)”, in Dicionário Geográfico de Portugal, volume 27, nº 25, p. 149 a 152.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

A capela de Santo António (Melgaço): um pouco de História




Quem vem de Santo Cristo em direção à Escola Secundária de Melgaço, descendo a Avenida Salgueiro Maia, encontra do lado direito uma capela dedicada a Santo António, umas das poucas dedicadas a este santo em Melgaço. Em tempos antigos, esta encontrava-se no interior da Quinta de Galvão. Foi fundada por seis irmãs ainda em finais do século XVII, ainda que só tenha sido concluída a sua construção já em pleno século XVIII.
As origens desta capela remontam a 1694. Nesse mesmo ano, a 28 Novembro é lavrada uma escritura para a constituição da fábrica de uma capela pelas seis filhas de António Lobato de Sousa e Castro (D. Madalena Felgueiras Soares, D. Francisca de Cavedo Araque, D. Maria Lobato de Castro, D. Jacinta Zores de Castro, D. Antónia Soares Barbosa e D. Juliana Felgueiras), as quais viviam com o seu irmão D. António de Castro de Sousa Lobato, capitão de cavalos, familiar do Santo Ofício e cavaleiro da Ordem de Cristo, casado com D. Joana Maria Menezes Cardoso. Na escritura, referem como encargos impostos pela sua devoção e vontade duas missas anuais a celebrar nesta capela: uma no dia de Santo António e outra a 2 de Fevereiro, consagrada à Purificação de Nossa Senhora.
Em 1703, a 16 Dezembro, concretiza-se a instituição do vínculo de morgado por D. António e sua esposa, destinando para o mesmo os seus terços das casas que os instituidores tinham começadas na Quinta do Galvão que encostaram e uniram às que herdaram de seus seus pais. As irmãs uniram todos os seus bens aos do irmão para constituição do morgadio, de que faziam parte a Quinta de Galvão, com 432 varas cada um de 10 palmas de comprimido, circundada a norte pelo rio que ia para a Ponte Pedrinha e do sul com a estrada real que ia para a vila de Melgaço, bem como outros bens que tinham em Corujeiras, no Carvalho do Lobo, Rouças, Galvão de Baixo, Caneiro, Beatas, Arrochal e várias pensões. Posteriormente, as seis irmãs aumentaram o número de missas anuais na capela para 13, que seriam ditas a Nossa Senhora da Conceição, a Nossa Senhora, a Nossa Senhora da Encarnação, a Nossa Senhora do Rosário, uma no dia de Natal, duas a Santo António (uma no seu dia e outra noutro dia), outra a Santa Maria Madalena, outra a São José, outra à Paixão do Senhor, outra a São Francisco, outra a Santa Joana. As fundadoras da capela escolheram como primeiro administrador, o irmão António de Castro de Sousa Lobato, passando depois para os seus sucessores no morgado.
No ano de 1750, a 1 Julho, o visitador, o Dr. Domingos Fernandes Ramos, reitor de São Pedro de Merufe, acha a capela necessitada de alfaias e obras.
Em 1754, a 4 Setembro, segundo o visitador, o Padre Marcelino Pereira Cleto, era administrador da capela, Joaquim António de Castro.
Em 1758, a 24 Maio é referido nas Memórias Paroquiais pelo padre Bento Lourenço de Nogueira que a capela era particular.
Em 1771, D. Margarida Matildes de Morais Sarmento, mulher do morgado de Galvão, solicita autorização para ela e sua família se confessar na sua capela, que já tinha confessionário feito na forma da constituição.
A capela de Santo António apresenta alguns aspetos de interesse arquitetónico. Possui planta longitudinal, de corpo retangular, com sacristia retangular, adossada a sudoeste. Apresenta volumes escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas e uma água.
As fachadas são rebocadas e caiadas e em alvenaria de granito, sendo, no corpo da capela, percorridas por cornija saliente, com pilastras nos cunhais, sobrepujados por pináculos com esferas, e cruzes sobre acrotério, no remate das empenas. A fachada principal, virada a sudeste, termina em frontão triangular truncada por sineira, com ventana de arco pleno, assente em pilastras, encimadas por cornija recortada e coroada por cruz. É rasgada por duas janelas retangulares, avivadas superiormente por cornija saliente, enquadrando portal de verga reta, encimado por arquitrave. No tímpano, e interrompendo a linha do entablamento, pedra de armas com timbre e largo paquife.
A fachada nordeste é rasgada por uma janela rectangular. A fachada sudoeste, onde é visível o escalonamento dos corpos, é rasgada por janela retangular na sacristia. A fachada posterior apresenta-se com uma porta retangular na sacristia.
O interior da capela é rebocado e caiado e com embasamento pintado, com pavimento cimentado e lajeado e tendo teto de madeira, de 3 panos. O lado da Epístola possui uma pia de água benta, estriada, e nicho de remate em arco pleno, com parapeito saliente sobre mísula decorada com enrolamentos, e do lado do Evangelho apresenta porta de verga reta e janela retangular, gradeada, comunicando com a sacristia. Sobre supedâneo, com acesso por dois degraus, assenta sobre pano de muro rebocado, retábulo-mor em talha policroma, albergando, centralmente, uma imagem da Virgem. A sacristia é rebocada e caiada e com embasamento pintado de azul, com teto em madeira, tendo pavimento cimentado.


Informações extraídas de:
ESTEVES, Augusto César, Obras Completas, vol. 1, tomo 1, Melgaço, 2003.


sábado, 20 de julho de 2019

Casas comerciais melgacenses de antigamente em artigos publicitários




No artigo de hoje, partilho uma pequena coleção de artigos e anúncios publicitários alusivos a casas comerciais melgacenses de outros tempos. Neste conjunto, encontramos desde recortes de jornais e revista até postais de época e cédulas fiduciárias que se estendem desde finais do século XIX até à segunda metade do século XX. Muitas destas casas comerciais já nem existem, de algumas ainda temos uma boa memória e muito poucas ainda existem.
Viaje no tempo!...

Finais do século XIX



Fonte: "Restaurante melgacenses" in Jornal "A Espada do Norte" (1892)



Primeira metade do século XX

Cédula Fiduciária (1920)


Cédula Fiduciária (1920)

Cédula Fiduciária (1920)


Postal circulado de início do século XX

Postal circulado de início do século XX

Postal circulado de início do século XX


Postal circulado de início do século XX



Anúncio de início do século XX


Fonte: Jornal "A Neve" (1920)


Postal circulado de 1912


Segunda Metade do século XX

Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)

Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)

Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)


Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)



Fonte: Revista "Flama" (1967)


Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Revista "Flama" (1967)