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domingo, 21 de julho de 2013

A PROCISSÃO DOS DEFUNTOS e outras história do sobrenatural


“Morava eu com os meus tios. O meu tio, que se chamava Cândido, era um corpo aberto: falava sozinho..., arrastava os socos..., tinha, assim, um comportamento diferente, mas era boa pessoa.
Uma noite, estava eu a arrumar a cozinha, mesmo ali perto da janela que dava para um caminho que ia para Castro Laboreiro. Mesmo junto havia uma Capela do Santo Cristo. Eu estava, então, a arrumar a cozinha e fui abrir a janela. Por ali passavam as gentes de Castro Laboreiro para irem para as feiras. Eles iam às feiras da Barca, dos Arcos, e saíam à quarta-feira. Traziam os porcos, os animais e outras coisas. Lá ao fundo, na entrada da vila, havia um posto de gasolina onde as camionetas paravam para meter gasolina.
Quando era noite, as luzes, assim viradas para cima, para Castro, enchiam tudo de luz. Antigamente era tudo escuro..., não havia luz como agora! E eu ouvia os castrejos a rir e a falar, o ruído dos porcos... Era um divertimento! Naquele tempo não havia nada, nem rádio. Aquilo para mim era uma alegria.
O meu tio chegou à minha beira e disse: Rapariga! – Que é que me quer? - Fecha a janela! E eu respondi: Não fecho! Pois eu estava ali só a me divertir... Mas ele disse-me assim: ou fechas a janela ou levas uma bofetada! Ele nunca me tinha falado assim! Vi que era coisa grave e fechei a janela.
Fechei a janela e deixei-o ir para a sala. A sala era grande e ficava ao fundo da casa. Ele lá foi, com os socos a rasto e a falar sozinho... era seu hábito... hui!, quantas vezes eu já o tinha escutado a falar assim....
Mas depois, para me vingar dele, abri a janela. Ao abrir a janela vi aquelas luzes todas..., de varias cores: umas eram como a luz do sol, clarinhas; outras de um cor-de-rosa também clarinho; outras verdinhas..., mas muitas luzes! Diabo!». A gente quer-se ter mais que as outras, e afinal não somos. Quando nós julgamos que somos mais que as outras, não somos. Somos menos! E descemos um degrau ainda mais abaixo do que elas. E isto foi o que lhe aconteceu a ela!»
Quando fixei melhor o olhar, aquilo saltitava de um lado para o outro...; umas mais altas e outras mais baixas (os homens são mais altos e as mulheres são mais baixas.... Nos enterros vão homens e mulheres). E saltitavam e iam a correr ali pela estrada fora, pelo caminho. Eu fiquei assim um pouco tonta: isto não é uma procissão de velas...., não vejo nenhuma pessoa!, só vejo ali as velas. Como é que elas saltam? E depois na frente vi uma grande luz, e essa grande luz ia lá no alto, por cima de todas! No outro dia vi o enterro e compreendi: era o mordomo que ia à frente e levava o crucifixo lá no alto. E a cabeça do Santo Cristo, aquela imagem na cruz, parecia uma roda de luz como uma tigela cheia de luz, fluorescente. Tinha uma cor... assim um encarnado que não era bem encarnado... um cor-de-rosa ....
E aquela luz ia na frente e comandava as outras luzes. As outras iam todas atrás dela. E eu não tive medo nenhum! Hoje é estrada, mas antigamente era um caminho fundo. E aquelas luzes meteram-se para o caminho do cemitério, e foram desaparecendo com a outra luz lá em cima.
No dia seguinte morreu um homem que vinha lá à Quinta, que eu conhecia muito bem. Ele tinha trinta e três anos e deixou uma mulher com trinta e três, trinta e um anos, com dois filhinhos. Eu fui ver o enterro, na beira da estrada, e aí vi que o Cristo era mesmo a luz que ia lá em cima. Não disse nada ao meu tio porque tinha medo que ele me batesse, pois talvez ele pensasse que me acontecesse o mesmo que lhe acontecera a ele, como me contou a minha avó.
Quando ele tinha dezasseis anos, e diziam até que era um homem muito bonito.... Um dia vinha de tapar uma água ali para os lados do cemitério, com um bonito chapéu (daqueles redondinhos, como se usava naquele tempo) na cabeça. Então, passou por ele um grande cavalo branco que ia no caminho para Castro Laboreiro, e que atirou o chapéu dele para longe, e ele assustou-se! Assustou-se e ficou com o corpo aberto. Depois quando morria uma pessoa, ele sabia-o na véspera. Eu própria sou testemunha, pois a minha cama ficava encostada à parede do quarto ao lado do dele. De noite, ouvia-o gemer. E perguntava-lhe: Tio Cândido, o que é que teve ontem à noite? – Ah moça, eles «judiam» de mim..., botam a burra à camisa; a canga às calças.... judiam de mim!
Ele quando passou pelo cavalo ficou maluquinho. Mas a minha avó disse que fora com ele a uma mulher e que o fecharam com sete chaves de sete igrejas. Mas ele ficou sempre assim com o corpo aberto a estas coisas. Depois não era maluco, mas era assim bonzinho..., não se metia com ninguém. Via-se que, às vezes, com «a vista à ferida»... aquela vista, assim fixa nas pessoas... O maior sofrimento dele era à noite.
Sempre a gemer, queixava-se que as pessoas se metiam com ele:
«Judiam de mim!».
Um dia encontrei-o de baixo de uma «lata», assim deitado com os olhos abertos....Pensei que tinha tido um ataque: – Ó tio Cândido, vocemessê o que é que tem?
– Atiraram comigo..., atiraram comigo.... Passaram com uma burra muito grande... - Mas aqui não passa uma burra!
Atiraram comigo moça....”.

Extraído de:

CAMPELO, Álvaro - Caminhando pelo Mundo do Fantástico no Vale do Minho. “A Procissão dos Defunto”. Testemunho de Dª Conceição, de Melgaço, Paderne.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aldeia do Bico (Castro Laboreiro) em documentário de realizador finlandês


Este filme realizado por Aki Kaurismäki no lugar de Bico, em Castro Laboreiro, concelho de Melgaço, faz parte de um conjunto de curtas-metragens inserido na longa-metragem Visões da Europa.

Em Maio de 2004, a União Europeia ganhou a adesão de dez novos países - a maioria nações do Leste Europeu, ex-membros do bloco soviético. A integração desse grupo aos 15 membros originais provocou um choque cultural e político na parte ocidental do continente. Na mesma época, a produtora Zentropa, de Lars Von Trier, encabeçou o projeto Visões da Europa. A ideia era produzir 25 curtas de diferentes cineastas sobre cada país membro, refletindo as suas visões sobre a atual integração europeia. A única restrição era o tempo, limitado a cinco minutos. A produção reuniu realizadores de estilos e reputações diversas. 
Muito provavelmente, ficaremos surpreendidos com a exposição do mundo rural de uma aldeia isolada como esta do Bico (Castro Laboreiro), filmado com o olhar frio mas acutilante do finlandês Aki Kaurismaki...


Ficha Técnica:
Realização, Argumento e Produção: Aki Kaurismäki
Diretor de Fotografia: Timo Salminen
Som: Jouko Lumme
Música: Abel Alves 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A revolta das mulheres de Melgaço (1886)

Melgaço em 1886

Como se sabe, até meados do século XIX, os enterramentos em Portugal eram feitos no interior das igrejas. Esta situação foi alterada com os decretos de 21 de Setembro e 8 de Outubro de 1835, elaborados por Rodrigues da Fonseca Magalhães, nos quais o autor considera que os enterramentos no interior das igrejas eram próprios de uma “ignorância da Idade Média”.
Perante eles, o país dividiu-se: no centro e sul as populações, de imediato, começaram a construir cemitérios junto às igrejas, enquanto que nas populações do norte, em especial do Minho, as recusas em enterrar os mortos fora das igrejas eram constantes.
Foram várias as revoltas populares que ocorreram um pouco por toda a região do Minho, tendo particular destaque as que se verificaram em Alvarães (Viana do Castelo), Vilaça (Braga) e em Soutelo (Vila Verde). Mas a que nos interessa agora destacar é uma revolta que ocorreu em Melgaço.
Decorria a manhã do dia 16 de Fevereiro de 1886 (um domingo) quando, na igreja de Melgaço, tudo estava preparado para se realizar o funeral de um homem natural da freguesia de Prado (Melgaço).
Os boatos que tinham decorrido nos dias anteriores, segundo os quais a população estava a preparar-se para impedir que o defunto fosse sepultado no cemitério da vila, fez com que as autoridades desse concelho esperassem o pior. Nesse sentido, o administrador do concelho de Melgaço resolveu solicitar a presença, logo pela manhã desse dia 16 de Fevereiro, das forças militares, compostas por catorze elementos do regimento de Infantaria 10, de Melgaço, comandados pelo alferes Pires. A preocupação das autoridades de Melgaço era de tal ordem, que estas forças aguardaram a chegada do funeral à entrada da vila, junto à ponte.
Às 9.30 da manhã, hora em que terminaram as cerimónias religiosas, um grupo de mulheres presentes na igreja resolveu apoderar-se do defunto, enquanto que outras levantaram algumas tábuas do chão da igreja e começaram a abrir uma sepultura.
Perante isto, o administrador do concelho de Melgaço actuou de imediato, impedindo que as mulheres levassem as suas pretensões avante. Mas estas, indignadas, enveredaram por uma acção ofensiva, começando a ofender e agredir o administrador e outras autoridades presentes, através de murros e enxadadas, enquanto que outras mulheres começaram a tocar o sino da igreja, como sinal de alarme. O administrador, indignado, tentava por todos os meios impedir que as mulheres enterrassem o homem no interior da igreja e, nesse contexto, chegou mesmo a colocar-se dento da cova que as mulheres estavam a abrir.
Todavia as mulheres, em número cada vez maior, não desarmavam, retiraram o administrador e continuaram a abertura da cova. Perante esta afronta, o administrador deu ordem às forças militares que usassem a força, quando as mulheres proclamaram em uníssono que “Soldados não atiram contra mulheres!”.
Com dificuldade os militares conseguiram expulsar as mulheres do interior da igreja, mas ao chegarem à porta foram recebidos por uma enorme chuva de pedras, atiradas por outras mulheres e pelos seus maridos, que entretanto tinham sido chamados. Para além das pedras, surgiram muitas foices, paus e até tiros. Deste cenário, resultou o grave ferimento de dois soldados (um atingido com um tiro na cabeça e outro com uma enorme pedra).
O administrador, assustado e com as mãos na cabeça, deu ordem para que os soldados abrissem fogo. Mas as mulheres não desarmaram e gritavam que esses tiros eram de “pólvora seca”!
Verificou-se então um cenário absolutamente impensável: os soldados do interior da igreja a dispararem contra a multidão, que se encontrava no exterior. No meio desta confusão, foi morto um homem que tinha vindo buscar a sua mulher (que deixou 4 filhos); uma mulher atingida na face e várias foram feridas com gravidade. Até o padre foi atingido com uma bastonada, que o colocou na cama!
Só depois desta confusão, é que conseguiram sepultar no cemitério o defunto. Quanto à igreja, ficou repleta de pedras e manchada de sangue.
Este invulgar cenário fez com que o Arcebispo de Braga, D. António José de Freitas Honorato, publicasse uma portaria que obrigava o pároco de S. Lourenço de Prado, a proceder a preces públicas, durante três dias, tentando com isto reconciliar a Igreja com os seus paroquianos. 

Texto de: Joaquim Gomes
Consultado em: http://www.correiodominho.com/cronicas.php?id=450

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Vila de Melgaço (cerca de 1950) - vista da Torre de Menagem - Postal Antigo

Neste postal, podemos ver na sua frente uma fotografia parcial da vila de Melgaço a partir do topo da Torre de Menagem. Vemos em primeiro plano a Igreja Matriz da vila e uma parte da vila e a encosta que sobe em direcção à serra.
No espaço de mensagem no verso do postal, o remetente refere que chegaram bem a Melgaço e lamenta que não possa ter escrito algo mais cedo devido ao seu problema de reumatismo. De seguida, promete escrever uma carta quando tiver disponibilidade e manda cumprimentos ao destinatário e aos seus. 
Este posta foi enviado para Lisboa mas não tem carimbo de Estação de Correios. Provavelmente, foi entregue em mão por terceira pessoa ao destinatário.



sábado, 13 de julho de 2013

A rede de transportes e a fraca circulação de mercadorias em Melgaço na 2ª metade do século XIX



Se analisarmos o desenvolvimento da rede de transportes na segunda metade do século XIX, ela não é nada favorável à circulação de mercadorias do Norte Minhoto. Recordemos que a política dos governos liberais pós 1851 — a Regeneração — investiu excepcionalmente no sector das Obras Públicas: «com efeito, para finais do período (1888) tinham sido abertas mais de 10 000 Km de estradas e mais de 2000 Km de vias férreas» (CABRAL, 1979), sendo tais despesas «indicador interessante da maneira como as relações mercantis penetravam desigualmente no território do país» (CABRAL, 1979). Este factor de desenvolvimento ou, pelo menos, de mutações aceleradas a nível da economia rural, encontrava-se ainda em 1879 bastante pouco implantado ao nível do concelho de Melgaço. Há unicamente a estrada real n.º 23, que parte de Melgaço e atravessa as freguesias de Prado, Remões, Alvaredo e Penso, da Comarca de Melgaço e que está construída por ora até Valadares da Comarca de Monção. Dos 23 Km que separam Melgaço de Monção estavam, portanto, apenas construídos cerca de 10 Km de estrada a partir do primeiro.

Em 1886, a estrada que liga Monção e Valença é já referida, continuando por construir a ligação para a fronteira em Cristóval (S. Gregório) e Castro Laboreiro. No mesmo ano fica assegurada a ligação ferroviária de Valença com a linha do Minho (apesar dos insistentes pedidos, durante o Estado Novo, a linha nunca chegaria a Melgaço). Este lento desenvolvimento do «fontismo» no Distrito de Viana do Castelo, agravado pela posição excêntrica de Melgaço, terá pesado bastante na lentidão do desenvolvimento económico local, patenteado, aliás, pela pouca importância do equipamento funcional. A generalidade das lojas do distrito podem considerar-se antes como basares, onde se encontra à venda as mais variadas mercadorias, do que como estabelecimentos comerciais especialiados num tipo de produtos.

Informações extraídas de: 
- CABRAL, M. Villaverde (1979) — Portugal na Alvorada do séc. XX, Lisboa;
- DOMINGUES, Álvaro (1986) - Estrutura sócio-económica e mobilidade geográfica - Melgaço na segunda metade do séc. XIX. REVISTA DA FACULDADE DE LETRAS - GEOGRAFIA
I Série, Vol. I, Porto, p. 113 a 177.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Melgaço, 1912 - Postal da Pharmacia de Domingos Ferreira d' Araújo


Postal enviado em 1912 da farmácia Araújo para a empresa "Casimiro de Sousa Fontes & Filhos, Successor" do Porto. Esta farmácia existia já em 1892 tal como consta no semanário de Melgaço "Espada do Norte" em publicidade ao estabelecimento. A mesma pertencia a Domingos Ferreira d'Araújo, farmacêutico licenciado pela Escola Médico Cirúrgica do Porto. Neste postal, Domingos d'Araújo pede à dita empresa que lhe despache pelo comboio 12 mamadeiras para o seu stock.

Domingos Ferreira d'Araújo e família (talvez em 1915)
(Foto gentilmente partilhada por Teresa Lobato)

Fonte: Semanário "Espada do Norte" (publicação melgacense), nº 52 de 29 de Dezembro de 1892

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A Igreja de Nossa Senhora da Visitação em Castro Laboreiro: características arquitetónicas

Igreja Matriz de Castro Laboreiro
(Foto de Daniel Jorge)

A Igreja Matriz de Castro Laboreiro, da invocação de Nossa Senhora da Visitação, é um pequeno templo de fundação ainda pré-românica, embora com grandes alterações posteriores. No edifício são visíveis várias fases de obras distintas, nomeadamente a da sua edificação primitiva, que alguns autores colocam no século IX, e da qual pouco resta. É possível identificar uma campanha gótica, e outra datada da segunda metade do século XVIII, da qual resultou a feição actual do monumento. 
Igreja de construção medieval, reformada possivelmente no século XVI, período de que deve datar a divisão da nave em tramos, marcados, exteriormente, por contrafortes e, interiormente, por arcos diafragma, denotando influência galega e como é comum surgir em zonas de fronteira portuguesas. Sofreu ainda reformas no século XVII, época de que deverão datar as pilastras dos cunhais coroados por pináculos, o remate das fachadas em friso e cornija e o púlpito, e no século XVIII, altura em que se construiu a sacristia, se abriram janelas na nave e capela-mor, e se fez o portal lateral sul, de moldura recortada. Este, é uma cópia tosca do portal norte da Igreja Paroquial de Santa Maria la Real de Entrimo, em território galego mas muito próxima de Castro Laboreiro, que poderá ter inspirado mais profundamente a reforma moderna da igreja de Castro Laboreiro. Destaca-se ainda a pia baptismal quinhentista, decorada com alto friso de flores-de-lis interligadas e, inferiormente, gomada. O retábulo-mor é neoclássico, mas apresenta alguns elementos de transição barrocos, nomeadamente na estrutura do trono e nas colunas definidores do eixo, com terço inferior estriado e o restante liso.
Esta igreja possui uma planta longitudinal composta por nave única e capela-mor rectangular, mais estreita, tendo adossado à fachada lateral norte, torre sineira quadrada, flanqueando a frontaria, e corpo que se prolonga ao longo da nave e capela-mor. Volume homogéneo na igreja, com cobertura indiferenciada em telhado de duas águas, e de uma, mais baixa, no corpo adossado e no prolongamento da primeira. Fachadas em cantaria aparente, de aparelho regular, tendo várias cruzes de via sacra relevadas, com cunhais apilastrados, coroados por pináculos piramidais com bola, e os ângulos das empenas rematados por cruzes latinas de cantaria, a da fachada principal com chanfro, sobre acrotério. Fachada principal orientada, terminada em empena, com friso e cornija, e rasgada por portal de verga recta, de falsas aduelas dispostas em cunha, sobrepostas na chave por ornato polilobado inscrito num círculo, ladeado por pilastras toscanas, pouco relevadas. Encima o portal em cornija recta, pequeno óculo quadrilobado e um nicho, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, assentes em mísula de perfil contracurvado e formando pingente, interiormente concheado e desnudo e, superiormente, rematado por pinha. Junto à pilastra esquerda existe gárgula de canhão. Sensivelmente recuada à frontaria, surge a torre sineira, com duas ordens de pilastras toscanas sobrepostas nos cunhais, coroados por pináculos piramidais com bola, e com dois registos, marcados por friso e cornija, rasgando-se no primeiro, virada a oeste, porta de verga recta, moldurada, e, no segundo, em cada uma das faces, sineira em arco de volta perfeita, envolvida por moldura, albergando sino. Esta termina em friso e cornija, encimada a oeste por falso frontão sem retorno para conter o relógio, circular. Cobertura em coruchéu facetado, encimado por cata-vento de ferro. Fachadas laterais terminadas em friso e cornija, sobreposta por beirada simples, as da nave reforçadas por cinco contrafortes, quadrangulares e superiormente inclinados, os da fachada norte encobertos pelo anexo adossado, no qual se rasgam duas pequenas janelas rectangulares de capialço. Fachada lateral sul rasgada, junto ao friso, por duas janelas rectangulares de capilaço no primeiro, quinto e sexto panos da nave e por outras duas janelas, mais pequenas, na capela-mor, no meio das quais surge cartela ovalada inscrita com a data de 1775 encimada por cruz relevada. Todas as janelas são gradeadas. No terceiro plano abre-se portal de verga recta, com moldura recortada nos ângulos superiores, tendo a chave sobreposta por ornato concheado. Junto à pilastra do cunhal sudoeste da igreja surge relógio de sol circular, virado ao meio-dia, encimado por concheado. Fachada posterior com capela-mor cega terminada em empena, abrindo-se na sacristia janela. Interior com nave de paredes em cantaria aparente, de seis tramos marcados por cinco arcos diafragmas de volta perfeita, assentes em pilares circulares, com pavimento de madeira assinalando antigas sepulturas com as guias de granito, na zona central, e em lajes de granito, no restante, e tecto de madeira, de duas águas entre os arcos diafragmas. Coro-alto de madeira sobre dois pilares de cantaria, com guarda em balaústres de madeira e acesso por escada disposta no lado da Epístola. No sub-coro, entre os pilares, tem guarda-vento de madeira envidraçada, no lado da Epístola ampla pia de água benta gomada, encimada por nicho em arco de volta perfeita, interiormente concheada, e, no Evangelho, pia baptismal cilíndrica, com decoração em flores-de-lis estilizadas e relevadas, inferiormente formando gomos, sobre pé cilíndrico. Lateralmente, sensivelmente a meio da nave, surge, do lado do Evangelho, púlpito de bacia rectangular, sobre mísula, com guarda plena de madeira e acesso por porta de verga recta moldurada, e, no lado da Epístola, a porta travessa, com arco abatido encimado por arco de descarga, ladeada por duas pias de água benta gomadas encimadas por nicho em arco de volta perfeita. No lado do Evangelho, tem, no último tramo, porta de verga recta para o anexo, onde existem sanitários, com pavimento cerâmico, e, no lado oposto, no quinto tramo, capela em arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas. Arco triunfal de volta perfeita, almofadado no intradorso, sobre pilastras toscanas, ladeadas por mísulas com imaginária e cerrado por teia de madeira. Capela-mor com paredes rebocadas e pintadas de branco, tendo no lado do Evangelho porta de acesso à sacristia e, no lado oposto, entre as janelas, pequeno nicho de alfaias. Retábulo-mor em talha policroma a branco, beje, azul e dourado, de planta recta e três eixos, definidos por duas pilastras caneladas exteriores e duas colunas de terço inferior canelado e de capitéis coríntios, assentes em dupla ordem de plintos paralelepipédicos, frontalmente ornados de motivos fitomórficos. Ao centro, abre-se tribuna de perfil curvo, com moldura fitomórfica dourada, de fecho saliente, albergando trono expositivo, de cinco degraus rectangulares, com chanfro canelado nos ângulos, ornados de elementos vegetalistas, ladeados por jarras com flores, e tendo o fundo pintado com glória de querubins e a inscrição IHS. Nos eixos laterais surgem apainelados, definidos por molduras de perfil abatido com acantos relevados no fecho e inferiormente, enquadrando mísulas com imaginária. Sobre o entablamento, com friso contendo florões, desenvolve-se o ático, adaptado ao perfil da cobertura, tendo ao centro espaldar com frisos e cartela de onde pendem festões, terminada em cornija rematada por acantos relevados. O espaldar é ladeado por urnas sobre as colunas e apainelados com motivos fitomórficos enrolados. O sotobanco tem portas de acesso à tribuna, de perfil curvo, molduradas e com motivos vegetalistas dourados, encadeados na vertical. Altar paralelepipédico sobre o qual existe sacrário tipo templete, com colunas nos ângulos e cúpula. Pavimento de granito e tecto em madeira, de perfil curvo. A sacristia é de pequenas dimensões e iluminada por um vão, tendo lavabo de espaldar rectangular.


Extraído de: www.monumentos.pt ( Textos de Paulo Amaral e Alexandra Cerveira 1999 / Paula Noé 2008)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Histórias da Guerra da Restauração IV




Ano de 1641


Morre o sol entre as nuvens pretas, enormes, a encherem o horizonte.
      - ‘’Ai meu senhor, não me lebe! Quem bai colher o binhinho! Ai meu senhor! Sou doente. Pelas ‘aurmas’ deixe-me ficar! Ai meu senhor!...”
      - “E o prebilégio? E o prebilégio? Somos caseiros da Senhora da Oliveira. Ele não bai, boa! Ai meu senhor!...”
      Atiram-se ao chão. Rogam. O lavrador, a mulher, os filhos, mocetões e tremerem como folhas ao vento. Lá vai a leva. Mais uma, os soldados a venderem as toucas e saias das mulheres e depois as armas, a deixarem-se ficar pelos caminhos dizimados pela fome e doença.
“Em 1641, a 1 de Abril, os capitães desta vila requerem que lhes fossem dados os socorros precisos para eles e soldados, porquanto já haviam ido duas companhias para guarda da vila de Melgaço, tendo, para a grande jornada os soldados vendido as toucas das mulheres, não chegando lá muitos, por adoecerem com fome e ficarem pelo caminho”
      Ares pesados, a terra sufocada, assombrada aqui e além por relâmpagos. Escaramuças, sortidas, entradas “a parecerem mais de bandoleiros que de soldados”. Gente sem disciplina, sem comando, a rastejar pelas veredas, a fugir com os despojos. Chicotes a zunirem, a estalarem nas costas dos mais temerosos, a obrigá-los a combater. Do outro lado da raia impiedosas mãos de oficiais, tomadas de fúria, estrangulam soldados apavorados a recusarem o combate. Terras da fronteira, aldeias cobertas de colmo e paz, a saque, a arderem inocentes!
      A Guerra. O horror da Guerra. Pior ainda é ver os castelhanos a entrarem, a Pátria mais uma vez a correr perigo. Vamos! Marchemos com a Companhia de Ordenanças de Frei Pedro Cirne de Sousa. Entre os fidalgos vai também o Capitão Dionísio do Amaral Barbosa, já experimentado em vários rebates, filho mais novo de Gregório do Amaral. Avante! Sempre a direito, rumo ao Castelo de Lindoso. Prestes, a cumprir a ordem: juntar-se aos de Braga, entrar pela Galiza.
      Na iminência daquele monte, o inimigo! Avistam-se 200 homens; tem mosquetes, arcabuzes e outras armas. Pelo vale, junto ao Lima, avançam mais 400. Portugueses são só 70. Não se hesita. Escala-se o monte. Ataca-se como “leões os peitos descobertos”.
      - Atirai inimigos, que lá vos imos buscar! Atirai!
      A primeira carga. Desbarataram-se as trincheiras castelhanas. No encalço, as forças de Guimarães. Mais um reencontro, continuam a fugir. Vamos! Pela Galiza adentro, a marchar saquear seis lugares, a espalhar o medo. Nesta entrada “que se fez por Castro Laboreiro foi Dionísio do Amaral dos primeiros que se empenhou com os inimigos e ajudou a por fogo em vários lugares com tão particular valor que se lhe atribuiu grande parte do bom sucesso desta empreza”.
      Duas léguas acima de Melgaço fica Lamas de Mouro “terra da Galiza” já tomada pelos portugueses. Para reforçar a defesa: a hoste vimaranense, duas companhias pagas, outros soldados. Queimam o reduto, esperam com balas, pólvora e cordas o adversário que não chega. Agora o objectivo é Padrenda, entre Porto de Cavaleiros e Ponte das Várzeas, bem guarnecida pelo exército castelhano. Entram os portugueses pela Portela do Homem, por Lindoso, avançam de Melgaço. Atacam. Há quem fuja, há quem roube, há quem combate com valentia. Vencemos. Fazem-se prisioneiros. Ardem as vilas de Lobios e Compostela. “Tomam-se assim num só dia nove redutos rompendo ao inimigo dentro dos seus mesmos quarteis e fortificações”. Dionísio do Amaral cumpre como devia.

 Maria Adelaide Pereira de Moraes

Casa de Sezim
Boletim de Trabalhos Históricos
Revista de Guimarães

domingo, 23 de junho de 2013

Castro Laboreiro: a Terra e a sua Igreja Paroquial (algumas referências históricas)


No século IX, D. Afonso III, o Magno, doou, a título hereditário, a Hermenegildo Mendo, Conde do Porto e Tui, a maior parte da Limia, a região do Bubal e os Montes de Laboreiro, como recompensa por ter submetido o rebelde Guicia. No final do século X, segundo a lenda, teria sido nesta época que São Rosendo de Celanova terá fundado a vila e a sua igreja. Em 1241, a 28 Fevereiro, foi assinado um acordo entre D. Sancho II e o abade e Convento de Celanova, pelo qual o rei recebeu a igreja e Castelo de Castro Laboreiro, com todos os seus direitos e pertences, ficando o mosteiro com a igreja de Monte de Córdova, no bispado do Porto, também com todos os seus direitos e pertences.
Em 1258, faz-se referência à igreja paroquial de Santa Maria em Castro Laboreiro nas Inquirições de D. Afonso III. Era pároco João Pais, o primeiro de que se tem conhecimento. Deste edifício, deverão provir alguns silhares siglados que integram actualmente construção fronteira à igreja. Em 1271, a 15 Janeiro, na carta de foro de Padrão de Sistelo nos Montes de Laboreiro, o Conde de Bolonha impôs aos seus moradores que pagassem os dízimos à sua Igreja de Santa Maria de Castro Laboreiro. Em 1275, a 29 Agosto, D. Afonso III manda que se cumpra a carta de composição, assinada em Zamora, entre D. Sancho II e o abade e convento de Celanova. Em 1279, a 14 Maio ou em 1280, a 1 Janeiro, (não há certeza) foi feita a apresentação régia de Romano Pedro como pároco, por carta de D. Dinis. Ainda em 1297, a 23 Setembro, D. João Fernandes de Soutomayor, bispo de Tui, recebe de D. Dinis o padroado das Igrejas de Santa Maria de Castro de Laboreiro e de Viana. Em 1319, Castro Castro Laboreiro foi integrada na Comenda da Ordem de Cristo da Casa de Bragança, cujos Reitores eram de apresentação régia aos arcebispos de Braga. Em 1307, a 22 Maio, D. Dinis revogou a doação anteriormente feita, alegando ter sido induzido em erro pelo bispo de Tui. Em 1308, a 1 Janeiro, o bispo D. João devolve ao rei de Portugal o direito de padroado da Igreja de Castro de Laboreiro, juntamente com o de Santa Maria de Monção, mas reservando para o episcopado os direitos de padroado de várias igrejas de entre Lima e Minho. Em 1320 ou 1321, existe referência à Igreja de Santa Maria de Castro Laboreiro no Catálogo de todas as Igrejas integrando as Igrejas da Terra de Valadares sendo neste contexto taxada num valor só superado pelos mosteiros de Fiães e Paderne. Em 1330, a 3 Setembro verifica-se a confirmação do escambo por D. Afonso IV. O monarca queixa-se do não cumprimento pontual do contrato, segundo o qual o bispo se comprometera a restaurar a igreja de Monção em duzentas libras anuais. Em 1359, a 18 Julho, dá-se a apresentação de Vasco Afonso como pároco por D. Pedro I. Em 1379, a 18 Junho, verifica-se a apresentação de Estêvão Pires pelo rei D. Fernando. Em 1481, a 23 Fevereiro, o rei D. Afonso V concedeu o direito de padroado da igreja ao 3º Duque de Bragança, D. Fernando, solicitando ao prelado do arcebispo de Braga que lhe confirmasse o pároco que por ele fosse apresentada na igreja. Em 1483, tendo o Duque de Bragança sido acusado de traição régia e executado, o direito de padroado da igreja passou para a Coroa.
No início do século XVI, apesar de a casa de Bragança ter sido restaurada durante o reinado de D. Manuel, o padroado de Castro Laboreiro não lhe foi restituído, continuando na Coroa. Em 1509, foi elaborado o desenho de Duarte D'Armas do Castelo de Castro Laboreiro figurando a vila na qual se ergue a igreja com nave, capela-mor diferenciada e campanário de dupla sineira disposto lateralmente. No século XVI, a Igreja passou para a comenda da Ordem de Cristo, tendo sido seu primeiro comendador Álvaro Rodrigues Correia, que também foi abade da igreja. D. Manuel recomenda ao então Arcebispo de Braga que não pusesse qualquer entrave à nomeação do Reitor que ele havia apresentado.


Em 1546, na avaliação efectuada no tempo do arcebispo D. Manuel de Sousa, a igreja foi avaliada em 60$000 e figurava na terra da vila de Melgaço. Em Janeiro de 1565, durante o mandato do 2º comendador, Francisco Nobre, elaborou-se o Tombo da comenda de Santa Maria de Castro Laboreiro e seu limite. Em 1612, a 18 Agosto foi lavrada a carta da administração desta comenda a D. Francisco de Lima, visconde de Vila Nova de Cerveira e alcaide-mor de Ponte de Lima. Em 1616, a 26 Março, foi elaborada a carta de nomeação de Rui Barreto, visto D. Francisco ter renunciado ao cargo a favor do rei. Em 1641, a igreja foi incendiada pelos espanhóis, sendo rapidamente reconstruída. Ainda em 1641  ou 1642, durante a Restauração, o comendador da igreja Diogo Soares, tomou partido por Castela, pelo que a comenda ficou vaga. Em 1642, a 20 Março, a comenda é atribuída a D. António da Cunha, sobrinho de D. Rodrigo da Cunha, arcebispo de Lisboa. Em 1644, a igreja e os paços do concelho eram os únicos imóveis na vila com telha. No século XVII,  no decurso da última década, era referida como "formosa igreja que foi vigairaria anexa à Matriz de Ponte de Lima, passou a abadia dos bispos de Tui...e no século XIX era Comenda da Ordem de Cristo e reitoria". Em 1758, a 11 Maio, pertencia à comarca de Valença, arcebispado de Valença, sendo terra do rei. A freguesia tinha 402 vizinhos, 291 fogos inteiros e 201 meios fogos. E era vigararia que apresentava um conde de Espanha. A igreja, com invocação da Visitação de Santa Isabel e festividade a 2 de Julho, tinha três altares: o altar-mor, com a Visitação de Santa Isabel, Santa Maria e o Menino, e dois colaterais, o do lado do Evangelho com a imagem de Nossa Senhora do Rosário, São José e Santa Bárbara, e o do lado da Epístola com as imagens do Mártir São Sebastião e Santo António.  Tinha a Irmandade das Almas e duas Confrarias, a do Santíssimo Sacramento e a de Nossa Senhora do Rosário. Era reitoria com apresentação da Casa de Bragança e a renda dos dízimos era de 655$000, recebendo anualmente de côngrua o reitor 40$000 pagos em dois quartéis, 20$000 pelo Natal e o restante pelo São João e o mais em pé de altar, que rendia cerca de 160$000. Em 1775, é lavada a cabo a reconstrução da capela-mor, com data inscrita em cartela na fachada Sul da mesma. Em 1777, a 18 Junho, mandou-se reformar todo o corpo da Igreja. Em 1779, a 29 Outubro, manda-se coagir todos os moradores para contribuírem para as obras de reforma e acréscimo da igreja. Em 1812, a 3 Setembro, foi emitido o alvará nomeando o último comendador conhecido, Marino Miguel Franzine. Em 1816, o Reitor de Castro Laboreiro, tendo apenas de congrua 10$000 e 20 alqueires de centeio, solicita a D. João VI a concessão de um subsídio de 50$000 reis para o Reitor da freguesia, para poder pagar esta quantia, em dinheiro, ao seu Coadjutor, em virtude de muitos e custosos trabalhos para bem paroquiar a freguesia. Em 1836, em termos administrativos,  pertencia ao concelho de Ponte de Lima enquanto que em 1853, Castro Laboreiro era sede de concelho. Em 1855, a 24 Outubro, é decretada a extinção do concelho de Castro Laboreiro. Em 1878, passou a fazer parte do julgado de Fiães e, posteriormente, do concelho de Melgaço. Em 1910 ou 1911, ocorre um incêndio na sacristia e capela-mor. Em meados do século passado, foi feito o frontão sem retorno na torre sineira para colocar o relógio. 

Informações recolhidas em: www. monumentos.pt

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Lamas de Mouro, 1945 - Com o grande antropólogo Jorge Dias rumando a Castro Laboreiro...



Lamas de Mouro, 23 de Agosto de 1945.

« De Melgaço, um automóvel pega-nos ao colo e pousa-nos na serra, onde nos diz adeus, sem mais, das suas rodas que fogem. Palmilhamos por entre as obras de construção da estrada a meia hora que nos separa de Castro Laboreiro, onde há tempo desejava vir. Castro Laboreiro interessou-me desde sempre, nem sei porquê. Pelo castro e as ruínas do arcaico castelo? Pelo sítio perdido nos confins? Pelos seus cães famosos? Nem sei. Imaginei-o centro de lendas e saiu-me ele próprio inacessível, remoto e vetusto, lenda de pedra e alturas. Antigo e perdido na erma paisagem sobre o vale a pique, onde o castelo é proa natural e milenar.
Procuramos o jovem abade amigo do António Jorge. Alto, magro, o rosto de criança onde paira a inocência duma certa tristeza resignada. Meio possesso de entusiasmo, queima nesse ardor mesmo o resto que a ordenação lhe levou. Vem connosco, monte acima, de pistola no bolso, a bengala na mão e o perdigueiro ao lado. Vive daqueles montes, que conhece como a palma das mãos, e da alma dos seus paroquianos, que talvez não conheça com tanto amor. Deve reconhecer melhor o penedo que o pecado, e saber tocar-lhe com mais jeito. Mostra-nos o caminho da aldeia onde vamos pernoitar. Despedimo-nos no alto do vale, entre o ladrar do podengo aos coelhos e as sombras que caem rápidas. Segue, solitário, no seu vulto de vigília que se destaca, triste, no cimo dum rochedo, com aquele cão, único companheiro da eternidade, ao lado. »
O nomeado António Jorge era Jorge Dias, o grande etnólogo continuador de José Leite de Vasconcelos. Os outros companheiros, não nomeados aqui, poderiam bem ser, como em tantas outras saídas por esses povos em fora (que eram outras tantas entradas no nosso mais interior português) a esposa de Jorge, Margot Dias; o minucioso e precioso desenhador e pintor Fernando Galhano; ou o Ernesto Veiga de Oliveira, não menos eminente etnólogo, que trabalhou com Jorge Dias, de quem era amigo de infância. Quanto ao escritor do texto, permanece hoje quase tão anónimo quanto o padre descrito, mas na descrição que faz logo se assina por quem é: um grande poeta da nossa prosa portuguesa do século XX."
Texto de Ernesto Veiga de Oliveira.

Extraído de: http://toneldiogenes.blogspot.pt/2010/08/eduardo-de-oliveira.html

domingo, 16 de junho de 2013

A introdução do milho grosso em Parada do Monte e Vale do Mouro no séc. XVI


A introdução do milho grosso (mays) no séc. XVI provocou uma alteração estrutural na economia do Vale do Mouro. Isabel Medeiros considera a difusão e generalização da cultura do milho grosso posterior a 1527 ( data de um primeiro ‘Numeramento’ da população do Reino) mas anterior a 1758, ano do ‘Inquérito paroquial’ onde, pela primeira vez, aparece referido (Medeiros, 1984:67). Os monges de Fiães deveriam ter tido alguma influência na introdução da nova cultura nas suas granjas. Os beneditinos eram profundos conhecedores das melhores técnicas agrárias. Sob a administração dos abades trienais, a congregação passou por profunda remodelação de modo a retirá-la da situação de decadência encontrada pelo superior da congregação D. Saulieu que em Janeiro de 1533 a visitou acompanhado do seu secretário Claude Bronseval (Cocheril, 1986: 44). Foi a recuperação pós-tridentina, após o ‘trágico ciclo dos comendatários’ e que foi iniciada com constituição da Congregação autónoma dos mosteiros portugueses, em 1567, passando a Real Abadia de Alcobaça a ser considerada a sua cabeça ou casa mãe (Marques, 1990: 33).
Entre as medidas adoptadas procurou-se obter um melhor aproveitamento dos seus domínios que eram vastos. Para além dos bens de exploração directa situados no interior do seu couto (as hortas, campos de feno, cercas de carvalhos, tapadas de tojo, souto de castanheiros, etc.) e, por aforamento, os localizados numa vasta área que incluía 8 freguesias do concelho de Melgaço, 11 freguesias dos termos de Valadares, Monção e Valença (interior da praça), a freguesia de Gondomil (couto de S. Fins), Castro Laboreiro e terras de Valdevez, Bouro, Lanhoso, Vieira do Minho, Ribeira de Pena, Santa Cruz, Felgueiras, Santa Maria de Revinhade e Santa Eulália de Barrosas. Na Galiza, possuíam prazos nos coutos de Gogilde, Ganceiros e em Padrenda ( Marques, 1990).
Parada do Monte estava entre os domínios que os monges de Fiães exploravam indirectamente por aforamento. No quadro elaborado pelo Prof. José Marques e inserido no seu estudo ‘O Mosteiro de Fiães (Notas para a sua história)’, encontra-se a referência a um pagamento de 2.600 réis pelos foreiros de Parada, termo de Valadares. Quantia relativamente avultada representando 74,3% da média dos pagamentos em numerário- 3.498, 6 réis.
Havia ainda a comenda de Távora que recebia do Casal do Fojo de Travaços, a prestação de ‘$300 réis brancos de moeda corrente e duas boas galinhas’ (Domingues, 1999).
Possivelmente nestas contribuições pecuniárias entraria o rendimento proporcionado pelo milho. A inovação com a introdução do ‘mays’ no agros das terras de Parada do Monte e das outras freguesias vizinhas deve-se, sobretudo, aos lavradores que ordenaram o seu território desafectando áreas incultas e até aí revestidas por florestas, reorientando-as para milheirais.
O processo de apropriação do solo das várzeas e da meia encosta foi lento exigindo um denodado trabalho de despedrega e o alargamento do regadio por uma intrincada rede de regos e levadas partindo de represas (ou presas), algumas delas também servindo os moinhos de rodízio horizontal cujo número aumentou extraordinariamente.

No interior dos agregados houve necessidade de ampliar a capacidade de armazenamento dos grãos e as casas sofreram transformações com a reserva do seu piso térreo para estabulação do gado no Inverno ficando o andar superior dedicado à área de habitação. 

Extraído de:
LEITE, Antero & LEITE, Maria Antónia Cardoso - Parada do Monte, História e Património. ACER.

Outra bibliografia citada:


Carta Geológica de Portugal (Folha 1-B), Ed. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa
1986.
AGCVC- Correspondência com várias entidades (Abril 1846-Nov. 1846). Cota 1.8.3.9:
-Circular de 08.04.1846 do Secretário do Ministério do Reino ao Governador Civil de
Viana do Castelo;
-Circular de 15.04.1846 do Secretário do Ministério do Reino ao Governador Civil de
Viana do Castelo;
-Circular de 30.06.1846 do Administrador do concelho de Monção ao Governador Civil
de Viana do Castelo;
-Circular de 22.09.1846 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino ao Governador
Civil de Viana do Castelo.
Um fulão-Desenho de F. Galhano
24
AMM – Livro de registo da correspondência expedida pela Câmara de Valadares, ano
1853, Cota 1.18. 6. 20.
AMM-Tombo do extincto Concelho de Valadares, 1829, s/cota.
IAN/TT–Memórias Paroquiais, vol. 27, memoria 58, pp. 383-388 (publicado em CAPELA,J.
Viriato - As freguesias do concelho de Melgaço nas Memorias Paroquiais de 1758-Alto
Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, 2005).
IAN/TT – Inventários de 1834, pasta B, Santa Maria de Fiães, n.º 1539, pp.1-11.
IAN/TT–Memórias Paroquiais, vol. 17, memória 69, pp. 361-364 (publicado em CAPELA,J.
Viriato - As freguesias do concelho de Vila Nova de Cerveira nas Memorias Paroquiais
de 1758-Alto Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, 2005).
IAN/TT – Inventários de 1834, pasta B, Santa Maria de Fiães, n.º 1539, pp.1-11.
Mappa do Districto entre o Rio Douro e Minho feito por ordem do Illmo. Exmo. Snr.
Nicolau Trant, Brigadeiro das Armas do Partido do Porto, Ano 1813.
CAPELA, José Viriato – A Revolução do Minho de 1846, Ed. Governo Civil de Braga,
1997.
CAPELA, José Viriato – Os vinhos de Monção. Problemas de produção e comércio no
tempo das Memórias Paroquiais de 1758, in ‘Monção nas Memórias Paroquiais de
1758’, Ed. Casa Museu de Monção/Universidade do Minho, 2003, pp. 62-72.
CAPELA, José Viriato – As freguesias do concelho de Melgaço nas Memórias Paroquiais
de 1758, Ed. Câmara Municipal de Melgaço, 2005.
COCHERIL, Dom Maur – Routier des abbayes cisterciennes du Portugal, Ed. Fondation
Calouste Gulbenkian-Centre Culturel Portugais, Paris, 1986.
COSTA, Avelino de Jesus da – A comarca eclesiástica de Valença do Minho, in ‘I
Colóquio Galaico-Minhoto’, Ponte de Lima, 1981.
DIAS, Jorge – Problemas de método em estudos de comunidade, 1957, in ‘Estudos de
Antropologia. Vol. I, Col. Temas Portugueses, Ed. Imprensa Nacional/Casa da Moeda,
Lisboa, 1990.
DOMINGUES, António – O Ontem de Parada do Monte. Subsídios Etnográficos, 2008.
DOMINGUES, José – O Couto de S. João de Lamas de Mouro. Suplemento Histórico, Ed.
Câmara Municipal de Melgaço, 1999.
DOMINGUES, José – A pastorícia e a passagem de gado na Serra do Laboreiro, in
‘Boletim Cultural’, n.º 6, 2007, Ed. da C. M. de Melgaço’, pp. 87-107.
FEIJÓ, Rui Graça – Liberalismo e Transformação Social, Ed. Fragmentos, Lisboa, 1992.
LEITE, Antero – As pesqueiras do Rio Minho. Economia, Sociedade e Património. Ed.
COREMA, Caminha, 1999.
LEITE, Antero – As vendas dos vinhos da Ribeira Minho às ‘Fábricas’ de Aguardente da
Companhia Geral do Alto Douro (1779-1780), in ‘Boletim Cultural da Câmara Municipal
de Melgaço’, n.º 5, 2006, pp. 179 a 214.
LIMA, Alexandra Cerveira Pinto S.-Castro Laboreiro. Povoamento e organização de um
território serrano, in Cadernos Juriz/Xures, n.º 1Ed. ICN, PNPG, C.M. Melgaço, 1996.
MARQUES, José – Relações económicas do Norte de Portugal com o reino de Castela
no séc. XV, Sep. ‘Bracara Augusta’, Braga, 32, Fasc. 73-74 (85-86), 1978.
MARQUES, José – O Mosteiro de Fiães, Braga, 1990.
MARQUES, José – Relações entre Portugal e Castela nos Finais da Idade Média, Ed.
Fundação Calouste Gulbenkian-Junta Nacional de Investigação Científica e
Tecnológica, Lisboa, 1994.
MARQUES, José – Vereações municipais de Melgaço, 1799 (2.ª parte), in ‘Boletim
Cultural’, n.º 3, 2004, Ed. Câmara Municipal de Melgaço.
MATTOSO, José – Identificação de um País, vol I- Oposição, Ed. Estampa, Lisboa, 1988.
MEDEIROS, Isabel – Estruturas pastoris e povoamento na Serra da Peneda, in ‘Estudos
de Geografia Humana e Regional’, Centro de Estudos Geográficos, Universidade de
Lisboa/INIC, 1984.
OLIVEIRA e F. GALHANO, Ernesto Veiga de – Tecnologia Tradicional. Pisões Portugueses,
Ed. Instituto Nacional de Investigação Científica - Centro de Estudos de Etnologia,
Lisboa, 1977.
PINTOR, Bernardo – Melgaço Medieval, in ‘Obras Completas I’, reed. Rotary Club de
Monção, 2005, pp. 67-163.
25
PINTOR, Bernardo – Por Terras de Soajo, São Bento do Cando na freguesia de Gavieira,
in ‘Terras de Valdevez’, 2, Braga, 1981, pp. 5-30.
RIBEIRO, Maria Luísa e ARMANDO MOREIRA – Notícia Explicativa da Folha 1-B
(Monção), Ed. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa, 1986.
RODRIGUES, Henrique – Emigração e Alfabetização. O Alto Minho e a Miragem do
Brasil, Ed. Governo Civil de Viana do Castelo, 1995.
SOUSA, Fernando e Jorge Fernandes Alves - ‘Alto Minho. População e Economia nos
Finais de Setecentos’, Editorial Presença, 1997, pp.102-162).
VASCONCELLOS, Leite de – De terra em terra. Excursões arqueológica-etnográficas
através de Portugal. Vol. I, Lisboa, 1927, p.20-30.
VILLASBOAS, Custódio Jozé Gomes de – Descripção Topographica das Commarcas
Fronteiras da Província do Minho, 1800 (inserido em Fernando de Sousa e Jorge
Fernandes Alves- ‘Alto Minho. População e Economia nos Finais de Setecentos,

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Parada do Monte nos tempos anteriores à formação de Portugal e Idade Média (parte II)



A produção de gado tinha nos baldios o seu principal espaço. Os pastos comuns situavam-se nas zonas mais altas da freguesia envolvendo as brandas de Travassos e Mourim. Era o território do ‘gado do vento’ referido nos forais. Dos baldios obtinha-se ainda matos, lenha e carvão. Isabel Medeiros data a sua origem dos tempos da ‘primeira fase da Reconquista’ (Idem, ibidem: 27).
Para a mesma investigadora, ‘a evolução registada na utilização da área baldia em relação com a própria posição dos lugares repercutiu-se amplamente nas formas de organização do pastoreio’ (Idem, ibidem: 36). A ‘vezeira‘ era predominante ocupando a comunidade de pastores que em dias alternados se deslocavam com a ‘fazenda’ de ovelhas e cabras para os baldios por caminhos íngremes e muitas das vezes arrostando com intempéries sem outra protecção contra o frio e a chuva a não ser a da ‘croça’. Percorriam grandes distâncias até Santo António de Val de Poldros e Aveleira. Durante a sua permanência nos montes utilizavam, como poiso, as ‘cardenhas’ - construções ciclópicas em falsa cúpula dispondo de rudimentares condições de conforto mas subdivididas em dois andares para alojamento separado dos animais e do pastor Com este movimento interno coexistia um trânsito pela raia seca de Porto dos Asnos de gados e mercadorias praticado pelos dois povos desde tempos imemoriais e que não foi afectado pela divisão entre os dois estados (Domingues, 2007: 94). ‘Nos tempos medievais já os Montes de Laboreiro recebiam rebanhos provenientes da Galiza, movimento compensado por deslocações de gados portugueses também para o lado da fronteira. Este intercâmbio, que durante muito tempo nem teria sido sujeito a tributação, e que animava o pastoreio na montanha, passou mais tarde a ser afectado pelo imposto de montado, o qual recairia decerto sobre os gados galegos transumantes que, a partir de Abril, tilizavam as ervagens frescas da serra’ (Idem, ibidem).
Para Carlos Alberto Ferreira de Almeida, ‘a complementaridade que o mosteiro de Fiães desenvolveu entre a criação de gado e cultivos de Verão (na serra) e a agricultura em ecologia de vale, é bem possível que o sistema de brandas e das inverneiras lhe deva muito’ (Almeida, 1991: 79-cit. Lima, 1996: 88-nota. 6).
Bernardo Pintor encontrou documentos do mosteiro de Fiães do séc. XIV nos quais ‘aparece delimitada a «granja de Fervença», entre a «granja de Travassos», hoje um lugar de Parada do Monte e a «Bouça dos Homens», branda da freguesia da Gavieira.
Da mesma forma surge o «aforamento do montâdego» de Campelo, junto à Aveleira. Esta última povoação é hoje uma branda de Gave’ (Lima, 1996: 83-cit. Pintor, 1981:20).
As Inquirições de 1258 são omissas a Parada do Monte mas ao referirem-se a S. Pedro de Mouro (hoje Riba de Mouro) ‘disseram que quando houver guerra hão de guardar as travessas (travessias) do Monte de Laboreiro’. Os habitantes de Parada do Monte estavam também obrigados a prestar tal serviço pois o seu território integrava-se no de Riba de Mouro. Havia ainda o costume antigo de prestarem ‘rogos’ quando algumas pessoas da Galiza casavam e que eram ‘o mesmo que geiras ou prestações de serviços agrícolas e cada geira do campo, sendo completa, constava de cinquenta homens de cava’ (Marques, 1994:20). Este costume causava a ruína dos lavradores conforme se aludia numa petição dirigida pelo concelho de Valadares a D. Afonso V. Em 1462, o Rei decidiu que taes rogas nom aver nem se darem nem irem dar a Gualiza nem virem de la os dar ca’, tendo fixado a multa de 1.000 reais aos que infringissem esta sua directiva (idem, ibidem).
Na ocupação humana do território sob os Montes Laboreiro e em particular do Vale do Mouro exerceu importância significativa a circulação de pessoas e bens por estradas e caminhos. Existia uma via vinda de Valadares pelo Monte da Cumieira e que se dirigia para Cousso, Pomares, Cubalhão e Lamas de Mouro. Daqui continuava para Alcobaça e Porto de Cavaleiros onde atravessava a fronteira. Uma outra derivação atingia Portelinha ramificando-se para o Soajo, Castro Laboreiro e Entrimo. Era o eixo do comércio do gado pela raia seca referido em documentos (Marques, 1978). Também permitia a circulação do carvão, mel, cera e caça (Medeiros, 1984:64). Parada do Monte comunicava com aqueles destinos através do percurso pela branda de Travassos, de difícil progressão dado o relevo do terreno, ou então atravessando o Mouro pela ponte da Minhoteira e subindo a Pomares. Era também nesta direcção que se ía à feira em Melgaço com passagem por Paderne, lugar de Moinhos, ponte da Folia e Remoães. O percurso estabelecia também ligação com S. Marcos onde existia uma barca de passagem do Rio Minho permitindo a entrada na Galiza por Arbo.
Havia ainda o caminho seguindo pela margem esquerda do rio Mouro com passagem por Gave, Riba de Mouro até Valadares, sede do concelho. Era por ele que se fazia um importante trânsito de pessoas e mercadorias, particularmente nos dias em que havia feira em Valadares.

Extraído de:
LEITE, Antero & LEITE, Maria Antónia Cardoso - Parada do Monte, História e Património. ACER.

Outra bibliografia citada:


Carta Geológica de Portugal (Folha 1-B), Ed. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa
1986.
AGCVC- Correspondência com várias entidades (Abril 1846-Nov. 1846). Cota 1.8.3.9:
-Circular de 08.04.1846 do Secretário do Ministério do Reino ao Governador Civil de
Viana do Castelo;
-Circular de 15.04.1846 do Secretário do Ministério do Reino ao Governador Civil de
Viana do Castelo;
-Circular de 30.06.1846 do Administrador do concelho de Monção ao Governador Civil
de Viana do Castelo;
-Circular de 22.09.1846 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino ao Governador
Civil de Viana do Castelo.
Um fulão-Desenho de F. Galhano
24
AMM – Livro de registo da correspondência expedida pela Câmara de Valadares, ano
1853, Cota 1.18. 6. 20.
AMM-Tombo do extincto Concelho de Valadares, 1829, s/cota.
IAN/TT–Memórias Paroquiais, vol. 27, memoria 58, pp. 383-388 (publicado em CAPELA,J.
Viriato - As freguesias do concelho de Melgaço nas Memorias Paroquiais de 1758-Alto
Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, 2005).
IAN/TT – Inventários de 1834, pasta B, Santa Maria de Fiães, n.º 1539, pp.1-11.
IAN/TT–Memórias Paroquiais, vol. 17, memória 69, pp. 361-364 (publicado em CAPELA,J.
Viriato - As freguesias do concelho de Vila Nova de Cerveira nas Memorias Paroquiais
de 1758-Alto Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, 2005).
IAN/TT – Inventários de 1834, pasta B, Santa Maria de Fiães, n.º 1539, pp.1-11.
Mappa do Districto entre o Rio Douro e Minho feito por ordem do Illmo. Exmo. Snr.
Nicolau Trant, Brigadeiro das Armas do Partido do Porto, Ano 1813.
CAPELA, José Viriato – A Revolução do Minho de 1846, Ed. Governo Civil de Braga,
1997.
CAPELA, José Viriato – Os vinhos de Monção. Problemas de produção e comércio no
tempo das Memórias Paroquiais de 1758, in ‘Monção nas Memórias Paroquiais de
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