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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Melgaço em postais a cores de início do século XX




O blogue apresenta-vos uma pequena coleção de postais a cores com paisagens de Melgaço de inícios do século XX. Tratam-se de postais com pinturas a cores feitas em cima de fundo fotográfico e que nos mostram aspectos de vários pontos do nosso concelho: da vila de Melgaço, a Remoães, ao parque termal e hoteleiro do Peso, a fronteira de S. Gregório, sem esquecer  Paços, Paderne ou Castro Laboreiro, entre outros recantos da nossa terra retratados na época...
Viaje no tempo!




















sábado, 20 de julho de 2019

Casas comerciais melgacenses de antigamente em artigos publicitários




No artigo de hoje, partilho uma pequena coleção de artigos e anúncios publicitários alusivos a casas comerciais melgacenses de outros tempos. Neste conjunto, encontramos desde recortes de jornais e revista até postais de época e cédulas fiduciárias que se estendem desde finais do século XIX até à segunda metade do século XX. Muitas destas casas comerciais já nem existem, de algumas ainda temos uma boa memória e muito poucas ainda existem.
Viaje no tempo!...

Finais do século XIX



Fonte: "Restaurante melgacenses" in Jornal "A Espada do Norte" (1892)



Primeira metade do século XX

Cédula Fiduciária (1920)


Cédula Fiduciária (1920)

Cédula Fiduciária (1920)


Postal circulado de início do século XX

Postal circulado de início do século XX

Postal circulado de início do século XX


Postal circulado de início do século XX



Anúncio de início do século XX


Fonte: Jornal "A Neve" (1920)


Postal circulado de 1912


Segunda Metade do século XX

Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)

Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)

Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)


Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)



Fonte: Revista "Flama" (1967)


Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Revista "Flama" (1967)



sexta-feira, 21 de junho de 2019

O património da paróquia de Paderne há cerca de 100 anos

Paderne (1903)
Foto de Aurélio da Paz dos Reis



Com a implantação da República em 1910, veio, pouco tempo depois, a Lei da Separação das Igrejas do Estado, que cria uma divisão clara entre as instituições do Estado e as instituições religiosas. No âmbito da referida lei, foi feito o arrolamento dos bens pertencentes às paróquias que nos permite conhecer o património das mesmas na época. Em Paderne, o dito inventário dos bens foi feito no dia 13 de Janeiro de 1913 e dá-nos uma ideia clara do património da paróquia padernense desde o seu convento e propriedades anexas, até às capelas espalhadas pela freguesia. Ora leia o que está escrito no dito documento: Aos treze dias dos mês de Janeiro de mil novecentos e treze, nesta freguezia de Paderne, e no edifício da igreja denominado “Convento”, onde compareceram o cidadão bacharel José Joaquim de Abreu, administrador deste concelho e bem assim o cidadão Francisco Luiz Fernandes. Membro da Junta da Paroquia indicado previamente pela Câmara Municipal do referido concelho, comigo, Manuel José da Costa, servindo de secretário de Finanças e da Comissão Concelhia de Inventário para os fins consignados no artigo sessenta e dois da Lei de Separação das Igrejas do Estado, e assim principiamos o arrolamento e inventário da forma seguinte: igreja paroquial, antiquíssimo convento remontando a data da sua fundação a tempos anteriores à monarquia portuguesa, que se não pode precisar, vendo-se uma inscrição existente ao lado esquerdo da porta principal do mesmo convento, que este foi reconstruido em mil cento e oitenta e seis e o qual se compõe de seis altares, dois púlpitos, coro, encontrando-se ao longo da porta principal do mesmo convento, bancos destinados aos frades regrantes para exercerem as suas funções eclesiásticas. Três daqueles referidos altares, encontram-se separados do corpo principal da igreja por grades de madeira também de manufatura antiga, uma pia baptismal rodeada de grade e ao lado um retábulo antiquíssimo designando o Baptismo de Christo. O coro, já mencionado, também tem assentos dos lados, onde os frades faziam as sua rezas diariamente. Vinte e cinco imagens de diferentes santos. Casa de residência paroquial composta de um andar e jojas, com uma porta principal por uma escadaria de pedra e outra lateral para a cozinha.
Casa denominada de “Fábrica”, de um andar e lojas, destinada à realização das sessões da Junta da Paróquia, tendo o referido convento ou igreja uma torre com quatro sinos. Cemitério proquial contíguo ao adro da mesma igreja. Capela de S. Miguel com um altar com quatro imagens. Capela de Crastos com adro e nesta seis árvores e uma sineta, com um altar e duas imagens. Capela de São Roque, com sineta e um altar com quatro imagens. Capela de S. Silvestre com sineta e um altar e três imagens. Capela de Pomares, com sineta e um altar com cinco imagens. Uma custódia que se supõe de prata dourada, muito antiga e de grande valor artístico, que, desarmada pode servir de cálice. Uma cruz de prata e vara do mesmo metal e ainda uma outra vara delgada, de prata. Um turíbulo e naveta também de prata. Dois cálices, sendo um de prata e outro de latão dourado. Um santo lenho de prata, antiquíssimo e de grande valor artístico, marchetado com sete pedras e cujo valor não se pode precisar, por não haver indivíduo competente para lhe dar o respetivo valor. Um braço dourado onde estão guardadas as relíquias dos mártires de Marrocos e cujo braço é de madeira, segundo informações. Uma banqueta de seis castiçais e cruxifixo de pau dourado e mais quatro castiçais e competente cruz de estanho e ainda quatro tocheiras de madeira. Um cordão de oiro, uns brincos (um par), um alfinete de oiro, um collar de oiro e com uma cuz, antigo, um par de argolas e um par de botões. Duas inscrições de cem mil réis nominais cada uma com os números cento e oitenta mil e cem e cento e oitenta mil cento e um. Treze escrituras na importância total de um conto noventa mil seiscentos e oitenta e seis, cento e um documentos particulares de mútuo na importância total de dois contos trezentos e trinta mil e cento e vinte e seis. Dois gavetões e uma caixa, tudo de castanho para a guarda das alfaias, que são as seguintes: a saber. Arco camarim completo, arco cruzeiro, arco de S. Sebastião, arco de Santa António, arco de São Salvador, arco de São Francisco, dois arcos incompletos, duas sanefas dos púlpitos, completas; nove sanefas, dezoito peças de damasco vermelho, duas de tafetá, duas peças da tribuna, uma de damasco roxo, um pano encarnado da grade do Santíssimo, um palio com as respetivas varas, uma vestimenta, seis peças de damasco para o andor de São Francisco, quatro sanefas para o andor de São Francisco, um reposteiro, uma opa de seda, treze de lanzinha, encarnadas, dois pendões, uma bandeira, quatro lanternas, um paramento completo de seda, branco, três capas de asperges, oito tralhas de linho e seis coroas de diversas imagens, de prata e ainda seis resplendores. E para constar se lavrou o presente em duplicado, que depois de lido vai se ser assinado por todos.
Pelos vistos, no primeiro inventário, houve bens que não foram arrolados, pelo que foram feitos dois inventários adicionais. No primeiro, pode ler-se: Aos oito dias do mês de Fevereiro de mil novecentos e dezassete, nesta freguezia de Paderne e local chamado Campo da Feira, junto à casa da residência paroquial (…), para os fins consignados no artigo sessenta e dois da Leia da Separação das Igrejas do Estado, e assim principiamos o arrolamento adicional e inventário pela forma seguinte: Um quinteiro junto da residência paroquial, que se compõe de um terreno murado com vinha em latadas que confronta pelo nascente com a escadaria da residência paroquial, poente com a horta da residência, norte com o largo da feira e do sul com a referida residência.
Um terreno de horta com vinha em latadas e dois pessegueiros murado em volta e que confina pelo nascente com o quinteiro da residência paroquial, poente e norte com o largo da feira e do sul com Maria da Glória Pereira e Cândido de Abreu. E para constar se lavrou este em duplicado ficando um exemplar na Câmara Municipal sendo outro enviado à Comissão Central da Lei da Separação do estado das Igrejas...
No segundo inventário adicional, realizado no mesmo dia do anterior aqui citado, e referentes a bens legado em testamento pelo Padre João Luís Rodrigues Torres, pode ler-se “Aos oito dias do mês de Fevereiro de mil novecentos e dezassete, nesta freguezia de Paderne e casa de morada do cidadão António Joaquim Rodrigues Torres, compareceram o cidadão Joaquim de Souza Alves, administrador deste concelho, bem assim o cidadão Manuel António de Souza Lobato, presidente da Junta da Paróquia, indicado previamente pela Câmara Municipal do referido concelho, comigo Luís de Passos Viana, Secretário de Finanças, da Comissão concelhia do inventário para os fins consignados no artigo sessenta e dois da Lei da Separação das Igrejas do Estado, e assim principiamos o arrolamento adicional pela forma seguinte: um relógio de bolso, com caixa de couro, marca Longines, número setenta e cinco mil e seis contos noventa e cinco, ao qual atribuiram o valor de quarenta escudos e um cordão de ouro (…) objetos estes legados em testamentos, pelo padre João Luís Rodrigues Torres, da dita freguezia, a imagem da senhora do Rozário, da referida freguezia de Paderne, que deixaram de ser arrolados e inventariados em devido tempo...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O legado de Manuel José Gomes (S. Paio, Melgaço, 1825-1901): o mais famoso pedreiro do seu tempo




Na segunda metade do século XIX, Melgaço conheceu todo o esplendor da arte de trabalhar a pedra pelo maior mestre do ofício do seu tempo. Refiro-me a Manuel José Gomes, mais conhecido na época como o “Mestre do Regueiro”.
Nasceu em Julho de 1825 no dito lugar da freguesia de S. Paio, deste concelho de Melgaço, filho de Manuel José Gomes e de Anna Joaquina de Freitas, lavradores, naturais e residentes no mesmo lugar do Regueiro.
No livro “Padre Júlio Vaz apresenta Mário”, o autor elogia os dotes artísticos de Manuel José Gomes nesta palavras: Em terras de Melgaço, é de crer que nenhum outro artista tenha deixado de si tantas e tão belas memórias escritas no duro granito da região como as que deixou Manuel José Gomes vulgo Mestre Regueiro, canteiro distinto que de toscas e rudes pedras obrou maravilhas. Os seus trabalhos quer pela solidez e perfeição de acabamento, quer pela pureza e harmonia de linhas denotam ter sido ele não só um artista consumado, como também um homem consciencioso e de vistas largas. Não era ceguinho… e no Alto Minho, apenas o deve ter igualado, igualado, mas não excedido, Mestre Francisco Luís Barreiros, de Ponte do Mouro, autor do célebre «Pedro Macau» deste lugar, do sumptuoso e formosíssimo escadório da Santuário da Peneda e de suas respectivas estátuas e de muitos outros não menos apreciados lavores.
Associado com seu irmão António bom artista também, mas muito longe de chegar às solas daquele Mestre Regueiro, deixou no concelho uma obra vastíssima, entre ela os prédios do sr. dr. Pedro Augusto dos Santos Gomes, na Praça da República, do sr. dr. António Cândido Esteves, na Rua Nova de Melo (1873); o que foi do médico Francisco Luís Rodrigues Passos, na Vinha das Serenadas (1885), e o que foi de Joaquim Luís Esteves, na Rua da Calçada; o edifício do Hospital (iniciado em 1875) [e concluído em 1892]; o [casarão onde mais tarde iria funcionar] “Asilo Pereira de Sousa”, em Eiró; o frontal, ou melhor a escadaria, da igreja de Prado (1884) e pouco depois a de Remoães; o artístico e aprimorado cruzeiro do Regueiro (1859) e a capelinha da Senhora dos Aflitos no mesmo lugar (1866); o cruzeiro de Fiães (1875), a pia baptismal e uma imagem em pedra da igreja de S. Paio, cuja perfectibilidade e acabamento dão a impressão de terem sido feitas em mármore, etc., etc.
Porém, o seu maior título de glória, é o falado cruzeiro do Regueiro, onde o artista atingiu, por assim dizer, o sublime. O seu maior título de glória é este, é; mas… ainda assim… tenho para mim que há outra obra à sua autoria atribuída que, se não iguala aquela, pouco lhe ficará a dever. E esta é, nem mais nem menos, do que o arrebatador e elegantíssimo fontanário da Casa do Reguengo (1875) uma joia… uma maravilhazinha em pedra lavrada, desconhecida ou quase da maioria dos Melgacenses.”

Cruzeiro, junto à capela de Nossa Senhora dos Aflitos (S. Paio, Melgaço)

De facto, o cruzeiro junto da capelinha de Nossa Senhora dos Aflitos, no lugar onde nasceu, é a obra maior deste pedreiro e merece uma demorada contemplação. Foi construído em granito, tal como todas as restantes obras mencionadas, e constituído por uma base rectangular de três degraus na qual assenta um plinto paralelipipédico que sustém a coluna de secção circular, com o terço inferior do fuste canelado sendo a parte restante lisa. Sobre este apresenta-se um capitel compósito onde se insere a cruz de braços cilíndricos estriados. Diversas esculturas ornamentam o cruzeiro: sobre o capitel dois querubins suportam coroa encimada por ave; na parte superior do fuste e logo abaixo do capitel encontra-se uma imagem da Virgem vestida de manto e uma pequena estatueta sobre mísula. Todo este trabalho escultórico é de qualidade pela minúcia e perfeição dos lavrados.
Na enumeração das obras do Mestre do Regueiro, o Padre Júlio Vaz, certamente por esquecimento, não citou outra obra admirável de Manuel José Gomes que são as Almas de S. Jerónimo em Parada do Monte, neste concelho de Melgaço.

Almas de S. Jerónimo (Parada do Monte, Melgaço)

Manuel José Gomes, o Mestre do Regueiro, nunca casou nem teve filhos. Faleceu no lugar do Regueiro, onde nasceu e sempre viveu em de Agosto de 1901, com 76 anos de idade. Foi sepultado no adro da igreja de S. Paio no dia 5 do mesmo mês e ano. Ficou a sua herança que chegou até nós.


Informações extraídas de: 
- VAZ, Júlio (1996) - Padre Júlio Vaz apresenta Mário. Edição de Autor.