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sábado, 5 de dezembro de 2015

As águas da Fonte Santa (Penso)


Desde há mais de um século que se fala e se escreve acerca de umas águas com propriedades curativas. Em Penso, nas margens do rio Minho existia uma nascente a que chamavam a Fonte Santa e que dela brotavam umas águas indicadas para a cura de algumas maleitas. 
Luiz Alfredo Lopes, no seu livro «Águas Minero-medicinais de Portugal", de 1892, diz-nos acerca desta Fonte Santa que brota uma nascente de água sulfúrea, ainda não quimicamente analisada, gozando de uma certa fama de utilidade no tratamento das doenças de pele. É usada em banhos e loções num pequeno charco para tal fim arranjado.”
C. Calado, no seu livro “Carta de Nascentes Minerais” de 1995, classifica esta água comoSulfúrea sódica e hipotermal”.
Em 1988, J. Almeida no livro “Inventário Hidrológico de Portugal” refere que “a antiga fonte está assoreada pelas areias das enchentes dos Invernos. A cerca de 2 metros, encontra-se um tanque de 1,5 x 0,8 metros com pequena altura e de fundo aberto na terra. Era aqui que, em tempos antigos, os doentes faziam os seus banhos pois foi grande a fama desta água em doenças de pele.”
Também Ascensão Contreiras no seu livro “Manual Hidrológico de Portugal” de 1951 se refere a estas águas como indicadas para reumatismo e doenças de pele. Há poucas décadas atrás, um habitante de Penso referia que estas águas ”Também servem para os olhos…  Não só por fora, quando se tinha algum mal nos olhos, lava-se com essa água.” E acrescenta “Eu ainda anteontem lá fui buscar uns garrafões para a minha mulher. Para umas feridas que ela tem … para qualquer coisa dela” (provavelmente, o senhor estava a referir-se a qualquer problema dermatológico na zona genital).
Segundo Almeida (1988), a nascente localiza-se a 15 metros do álveo médio do rio Minho, ao lado de um velho tanque de banhos. Num projeto de inventariação de águas termais e nascentes com águas com caraterísticas terapêuticas intitulado “Das termas aos "spas": reconfigurações de uma prática terapêutica”, o autor tentou visitar a Fonte Santa. Um habitante local disse-lhe que “Com este tempo chuvoso não sei se lá consegue chegar.” O autor bem tentou localizar a nascente. Então refere que “embora tenha chegado à “boca do rio”, tenha andado sobre os maciços muros (ruínas de azenha ou moinho) e pedregulhos da Pesqueira Grande, com várias escorregadelas pelo meio, não conseguiu localizar o ponto de emergência da água. Não havia nenhum pescador que se tivesse aventurado nas margens selvagens do Minho neste dia chuvoso, quando voltei ao caminho de subida era já noite.”
Há algumas décadas atrás, estas águas da nascente da Fonte Santa já só eram aproveitadas para recolha, para lavagens em casas. Os banhos de S. João são uma memória de uma recente tradição, os últimos ter-se-ão realizado há já algumas décadas atrás...


Informações recolhidas em:
- ACCIAIUOLI, L. (1944) – Águas de Portugal. Direção Geral de Minas e Serviços Geológicos, Lisboa.
-  ALMEIDA, A. & ALMEIDA J. (1988) – Inventário Hidrológico de Portugal. 4º volume, Minho. Instituto Hidrologia de Lisboa.
- CALADO, C. (1995) – Carta de Nascentes Minerais: Notícia Explicativa. Atlas do Ambiente. Direcção-Geral do Ambiente, Lisboa.
- CONTREIRAS, Ascensão (1951) – «Manual Hidrológico de Portugal»; Empresa Nacional de Publicidade; Lisboa.
- LOPES, Luiz Alfredo (1892) – «Águas Minero-medicinais de Portugal»; Editora não identificada; Lisboa.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Penso (Melgaço) em postal centenário

Penso (Melgaço) em frente de postal do início do século passado

Neste postal encontramos uma fotografia de Penso, Melgaço, do início do século passado. Não sei precisar a data mas será de 1906 ou anterior.
Trata-se de um postal circulado enviado em 5 de Dezembro de 1906 proveniente de Valença com destino a Lisboa. Possui um selo com a face do rei D. Carlos, monarca de Portugal à época...



quarta-feira, 24 de junho de 2015

Penso (Melgaço) em postais de antigamente

Penso (Melgaço) nos anos 40 do século passado

Veja um pequeno conjunto de postais alusivos à freguesia de Penso (Melgaço) de outros tempos, entre os anos 40 até aos anos 80...


Penso (Melgaço) nos anos 40 do século passado



Casa do Castro em Penso (Melgaço) em finais dos anos 60 do século passado


Casa do Castro em Penso (Melgaço) nos anos 80 do século passado



Casa do Castro em Penso (Melgaço) nos anos 80 do século passado


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

MELGAÇO, 1956 - Faltam braços para a lavoura




Na edição de 15 de Abril de 1956, no jornal diário "República", um artigo fala-nos de um problema que existia na época em Melgaço e na região. Conta-nos que este jornal recebeu de um agricultor de Penso de nome Ricardo Esteves Cordeiro uma carta onde o mesmo fala da "falta de braços para a agricultura" especialmente na altura de Abril, época das sementeiras. Fala que muitos lavradores emigraram e os jovens ausentam-se para "cumprir os seus deveres para com a Pátria" e desta forma existe uma grande falta de mão de obra para realizar as tarefas agrícolas. 
Leia o artigo na totalidade no recorte aqui apresentado.



terça-feira, 30 de outubro de 2012

A Freguesia de Penso e a sua Igreja Paroquial: algumas referências históricas


A freguesia de S. Tiago de Penso pertenceu ao antigo concelho de Valadares, até á sua extinção, em 24 de Outubro de 1855. Em 1839 aparece na comarca de Monção, e em 1862 faz parte já da comarca de Melgaço. Esta freguesia era de vigairaria da apresentação do Mosteiro de Paderne, que vendeu o direito de apresentação à Casa dos Caldas.
O seu topónimo parece lembrar, de imediato, as medidas usadas para avaliar o peso das mercadorias que entravam ou saíam do concelho. Seria aqui o local do pagamento das antigas portagens.

No “Minho Pirotesco”, José Augusto Vieira descrevia a freguesia, em 1886, como “uma vilota em miniatura”. E acrescentava um pormenor curioso: “Na quinta de S. Cibrião [Cipriano], é tradição que existiu um templo gentílico, dedicado a Júpiter, no ponte onde está hoje a capela. Há quem diga, porém, que essa tradição foi inventada com o fim de enobrecer a quinta, já de si notável pela família que possui e pelo bom vinho que produz.”
Tradição verdadeira, e de que o povo de Penso não se despega, é a da Alumiada, no dia anterior ao S. Tomé, a 20 de Dezembro.
Assim a conta do padre Carvalho da Costa: “Lá no alto da serra desponta a capelinha de S. Tomé. (…) Nesse dia, pobres e ricos, mal a noite cai, iluminam, com feixes de palha [centeia] a arder [as fantocheiras] a visita que este santo faz ao seu visinho S. Fins, na serra da Galiza, na outra margem. Apagado o lume, em grande algazarra, come-se a ceia que é, por assim dizer, uma antecipação à consoada. Há todas [rabanadas], arroz-doce e vinho quente açucarado”. Modernamente, estas reverências a S. Tomé são rematadas com fogo-de-artifício.
Os vinhos verdes produzidos nas terras férteis desta freguesia, donde sobressai um excelente Alvarinho, são considerados como dos melhores de toda a região. Existe em Penso uma nascente de águas sulfurosas, de notável valor terapêutico. É a chamada Fonte Santa.
A igreja paroquial, do século XVII e sem um estilo definido, merece alguma atenção. Há já alguns anos foi roubada a cruz em granito, com a imagem do Crucificado, também em pedra, num interessante trabalho de arte popular.


Igreja Paroquial de Penso

Não existem muitas referências históricas à igreja de Penso. Sabe-se que foi taxada em 62 libras na relação mandada fazer por D. Dinis quando lhe foi concedida por bula papal a concessão, por três anos, de arrecadar rendimentos para custear a guerra com a moirama (Costa, 1981).
Pelo Censual de D. Frei Baltasar Limpo de 1551-1581, Santiago de Penso estava adstrita à Terra de Valadares e anexa ‘im perpetuum’ ao mosteiro de Paderne que apresentava o pároco. O abade de Messegães ‘podia reter os frutos desta igreja de Penso’ (Costa, 1981).
Na resposta ao ‘Inquérito’ pombalino de 1758, Diogo Manuel de Sousa, pároco de Santiago de Penso confirmou que a apresentação pertencia ao Dom prior donatário do mosteiro de São Salvador do Couto de Paderne e esclareceu que tinha de rendimento ‘de frutos certos e incertos cento e trinta mil réis, pouco mais ou menos’ (Capela-IAN/TT, 2005).   
Esta igreja, integrada em meio rural, é construída em cantaria autoportante de granito, aparente, de aparelho regular, apresenta planta rectangular e cobertura a duas águas.
Na fachada abre-se porta axial com padieira encurvada à qual se sobrepõe uma janela rectangular gradeada. Remate por cimalha angular com cruz latina no vértice e pináculos nos extremos a coroar os robustos cunhais que reforçam toda a estrutura arquitectónica.
Torre em dois registos estando o último ocupado por quatro sineiras. É Rematada por cornija saliente recortada, coruchéu e pináculos sobre os cunhais. Banco corrido em bloco de granito adossado à base da torre, em toda a sua largura.

Informações extraídas de:

- CAPELA, J. Viriato (Coord.) - As Freguesias do Concelho de Melgaço nas «Memórias Paroquiais» de 1758. Alto Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, Melgaço, 2005  

- COSTA, Avelino de Jesus da - A Comarca Eclesiástica de Valença do Minho (Antecedente da Diocese de Viana), in Separata do 1º Colóquio Galaico Minhoto, Associação Cultural Galaico-Minhota, Ponte de Lima, 1981, Vol. 1, p. 69-235.

- Dicionário Enciclopédico das Freguesias: Braga, Porto, Viana do Castelo; 1º volume, pág. 423 a 439; Coordenação de Isabel Silva; Matosinhos: MINHATERRA, 1996.

http://acer-pt.org/vmdacer/index

- http://www.cm-melgaco.pt