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sexta-feira, 31 de março de 2017

Um passeio até à fronteira de S. Gregório (Melgaço) em 1913


No início do século passado, Melgaço e as sua águas estavam na moda. Os aquistas além de desfrutarem das virtudes das sua águas milagrosas, gostavam de dar os seus passeios. Um dos passeios mais apreciados era saírem dos hotéis e irem dar uma volta até à fronteira de S. Gregório e apreciarem as belezas do vale do Minho. Em 1913, um desse passeios ficou descrito numa reportagem publicado na revista Ilustração Portugueza: 

"No Extremo Norte de Portugal
À tarde, em pleno mês de Julho, quando os cravos ensanguentam os muros dos hortejos, - é agradável abalar em direção a S. Gregório.
O veículo, tirado a dois finos, nervosos cavalos, roda serenamente sobre um macadam lavado, batido de sol. Atravessada a pequena ponte, onde delicado regato se escoa por entre rosários de redondos, polidos seixos, - pinheiros esguios, de cor verde azeitona, acolhem, num requinte de fidalga gentileza, os transeuntes com a sua sombra protetora, amável.
Bouquets de flores silvestres pintalgam, mancham numa orgia de coloração forte, bizarra as leiras que se estendem por aí fora. Do alto da estrada, após ligeira curva, enorme veiga se desenrola até à vista poisar na fita de montanhas que abraça carinhosamente o Peso. À esquerda, a via pública, que dá acesso às termas, com os seus hotéis e habitações indígenas.
Acolá, o casarão da Quinta do Peso, onde lindas rosas chá se entrelaçam volutuosamente pelo frontispício do hotel como que tentando, numa ânsia revolucionária, esconder maliciosamente o brasão de visconde, que encima o velho solar.
É a região do Belo em guerra aberta de extermínio às velharias. À direita, a povoação raiana – Arbo, sobranceira ao rio.

Carruagem Taxi da época a travessar a PonTe do Martingo, próximo do Peso (Melgaço)
(Foto de Aurélio da Paz dos Reis)

Da nossa margem, ciprestes, grandes de altivez, postam-se à entrada de vetustas residências solarengas. No fundo, seguindo um carreiro bordado de fetos, o manancial milagroso das águas minerais.  Para além, deixado os vinhedos que se agacham medrosamente pelas leiras, surge a encarroada torre do castelo de Melgaço. Mais alguns metros percorridos, num ápice, ei-nos no lugar de Prado. Quintas e pomares, próprios para almas floridas de ventura, vão ficando presos ao nosso olhar apaixonado.

Torre de Menagem do castelo de Melgaço

Deixemos Melgaço, com os prédios a debruçarem-se sobre a corrente do Minho, e tomemos a estrada que segue para o extremo norte da pátria lusitana.
Cristos, de rosto macerado, incutindo fé ao viajante, e alminhas que penam num inferno de tostas, inestéticas figuras, em profusão, se deparam. De Marelhe, olhando para baixo, descortina-se majestoso panorama.
Lá está, emergindo de entre viçoso ramalhete de verdura, a freguesia de Paços, salpicada de imersos casões escuros. Por toda a parte aqui, ali, acolá, se divisam canteiros cuidadosamente amanhados. Uns retangulares, tabuleiros arrelvados que amaciam a retina, outros em quadrilátero, tapete policromo. É o verde do linho, o matiz aloirado do centeio que está a pedir a sega.
Circunda-se a vinha baixa, que oscula levemente o solo abençoado, ou a cheirosa madressilva que se enovela em ouriçada cabeleira, pontuada de negras e apetitosas amoras. Vê-se na outra banda a paróquia espanhola de Crecente. O caminho de ferro do país vizinho, duas filas de aço luzidio, contorna o rio Minho, que nos vai amigavelmente separando da Galiza. As telhas, de nuances carregadas, batidas fortemente pelo reflexo solar, berram atrevidamente na paisagem campesina.
A maior parte, representam propriedade de gente que, quando menina e moça, demandou aos Brazis, em busca do oiro almejado.
A água espadana-se, precipita-se às catadupas monte abaixo. Silhuetas de cachopas, de formas esculturais e olhares provocadores, agarotados, formigam nas agras, enquanto, - mais adiante - rapazes, descaradamente, com ligeirezas de acrobata, rebolam-se à vontade na relva.

S. Gregório no início do século XX

À nossa frente, de ponto em branco, S. Gregório. À entrada, meia dúzia de casitas alinham-se. Esta povoação teve em tempos de antanho grande movimento comercial com os pueblos fronteiriços. O comboio galego, depois, deu-lhe o golpe mortal. Então, mantinha estabelecimentos importantes como demonstram os prédios construídos nessa época. A rua Verde, a mais movimentada da terreola, desce por escabrosa ladeira à ponte internacional sobre o rio Trancoso. 

Ponte Internacional de S. Gregório/Ponte Barjas
(Foto de Aurélio da Paz dos Reis)

Das janelas das casas cravos rubros fintam atrevidamente quem passa. Castanheiros seculares, de frondosa ramaria, trepam ousadamente encosta acima. Calcorreando alguns metros de piso escorregadio, estamos na ponte. Meia dúzia de velhas, desmanteladas tábuas ligam-nos ao lugarejo espanhol Ponte Barjas. Sob o tosco pontilhão, leques de verdura prendem-se nervosamente. E as águas, rio abaixo, num turbilhonar desordenado, cobrem de beijos loucos os ventres roliços das pedras.

Peso (Melgaço) – Julho de 1913."


Extraído de:
- Reportagem "No extremo norte de Portugal" In: Revista "Ilustração Portugueza", edição de 4 de Agosto de 1913.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Memórias de uma passeio por Melgaço em 1903

Vila de Melgaço, vista de sul, no início do séc. XX 
No início do século passado, Melgaço era ponto de interesse para turistas, sobretudo aqueles que procurava no Peso a cura para as suas maleitas. Passaram também pela nossa terra alguns dos maiores vultos da ciência, que aqui se deslocaram para estudar os nossos monumentos bem como os singulares usos e costumes das aldeias do nosso concelho. Um desses vultos foi Guilherme de Oliveira. Dessa visita resultou o livro “Uma Visita ao Real Mosteiro de Fiães” onde nos conta os seus passeios por terras melgacenses. Pelo Peso, Prado até Roussas e Fiães, onde não resiste a contar-nos algumas estórias da sabedoria popular que por lá ouviu. No livro podemos ler “O Minho é o rival da Suíça, no elegante dizer do primoroso estilista D. António da Costa, naquele seu livro, a que deu por título o nome desta encantadora região, aonde alguns antigos quiseram que fossem os Campos Elísios; — o paraíso pagão, segundo Homero, — em que os homens gozavam uma vida doce e tranquila.
Li que, tudo quanto a imaginação dos poetas figurou naquele lugar de paz e bem-aventurança, — parece ser a descrição deste formoso terreno. Há também uma perfeita comparação do Minho, com um mar, que depois de agitado pela maior das tempestades e erguido em ondas temerosas, fosse tornado, de repente, imóvel pela mão do criador, tais e tão vários são os acidentes do solo.
Os montes e os vales que se sucedem lembram as ondas enfileiradas do oceano revolto, havendo sobrepostas naqueles como espumas — pedrenias calvas e ermas — a solidão e o recolhimento; — e no fundo destes, como carinhoso leito, — as verduras e sombras; — a vida e seu ruído.
Isto, vinha-me à recordação, quando trepava pelas escarpadas serras que do Melgaço vão ter ao arruínado mosteiro de Fiães, e descobria as deliciosas paisagens que ante meus olhos surpresos se desenrolavam pelo horizonte fora.
Lá ia eu realizar o meu mais profundo desejo. Lá ia eu cumprir o meu ardente voto; lá ia eu, enfim, — ver e apalpar essas ruínas, de cujas sentidíssimas noticias históricas levava o coração repleto. Na frente, o guia explicava:— Ali, em baixo, é Prado, antiga freguesia. Já teve grandes rendas; — lá está a sua capelinha. Adiante, Remoães, com os seus torreõezinhos e campanários.
— Aqueles telhados, são do estabelecimento das Águas de Melgaço. — Veja daqui, como é bonita a vila, com a sua torre de menagem. Dizem que foi mandada fazer por D. Afonso  Henriques; — ainda lá tem nas muralhas uma porta com o nome deste rei, em uma pedra com mais dizeres, e a data 1170.
— Aquela cinta de muralhas, mais pequenas, é de outro rei.
— D. Diniz, talvez?
— É isso. Já ouvi dizer.
— Estamos agora em Cavaleiros. O nome vem da quinta que pertenceu ao mosteiro. Eu tinha noticia desta propriedade, a qual era essencial em vinhos, e foi doada em 1166, pela condessa D. Frovilla, em tempos do Abade Dom João.
Ha também a suposição de lhe ter sido doada a igreja que lhe era junta, de Nossa Senhora da Ourada, e onde, — diziam os frades, — existiu o mosteiro de S. Bento; fundado quando o de Fiães, de que veio a ser priorado.
Assegura-se, — e disto constam vestígios, — que foi de Cavaleiros Templários, dos quais tomou o nome, e era seu passal. Percebiam-se, há anos, ruínas das celas, claustros, e os encanamentos de pedra, que abasteciam de água o convento.
Lá está Roussas, a igreja do antigo padroado da casa do Paço de Roussas. Era de gente valente e destemida, que se fazia respeitar por aquelas redondezas.
Viveram os abades em demandas contínuas com os de Fiães, durante séculos. Datam de 1340, os primeiros atritos. Em 1349, os de Roussas, quebraram os marcos que dividiam o couto, pelo que tiveram de responder.
Em 1344, com o abade à frente, e armados, foram de noite às terras do convento, e desmolharam as messes de um João Soutello, esbulhando os monges dos seus dízimos.
Condenado o abade Antonio de Castro, não houve quem tivesse coragem de ir-lhe publicar a sentença, por ser pessoa fidalga e poderosa, e morar em lugar ermo — onde se podia fazer mau recado.
Tomou a si, o procurador do convento fazer a citação. Acompanhado do escrivão, meirinhos e mais pessoas, foi a casa do abade, o qual se negou, apesar de estar nela, como o confessou seu filho — um rapaz de dezoito anos, que encontraram a um tiro de besta da pousada.
Prosseguiram as diligências, sem resultado. Então, o de Fiães, obteve do vigário geral de Braga, licença para se dizer missa na igreja do réu, e, em domingo de Ramos, notificou o filho do abade Castro, e o povo que a enchia e era do lugar.
Em 1693, um neto deste abade, Capitão Mór, de acordo com o governador das armas de Melgaço, mandou os soldados praticar desmandos nas terras do couto. Queixaram-se os frades do ódio herdado que esta família alimentava, com prejuízo do sossego e tranquilidade do mosteiro — e nesta vida levaram, os sucessores de uns e de outros, até 1807, em que Francisco de Sá Sotto Maior fez novas demarcações nas terras da freguesia de Roussas, de que era abade, terminando os processos.
Os Senhores do Paço de Roussas, de apelido Besteiros — de antiga família nobre, foram  atingidos pela pobreza.  As suas armas eram em campo azul, uma uma torre fumada em penhas azuis, e três bestas de ouro, uma por cima e as outras aos lados. O solar passou aos Castros, e o padroado, a Manoel Pereira, — o Mil Homens.
Prosseguimos, lentamente, por terras incultas. Apesar de abundantes em águas, só ao longe descobri raras plantações de milho ou de centeio.
No terreno acidentado há montes a prumo, como ameaça tenebrosa à população do lugar. Já há anos, uma dessas molhes imensas desabou lá de cima, e veiu como um cataclismo medonho, destruindo na sua passagem horrorosa, casas, árvores e plantações, na direcção de uma capela da encosta.
No momento em que todos esperavam vê-la arrasada, aquela separou-se em duas que precipitaram-se pelos lados da ermida, deixando-a intacta. Foram muitas as mortes, do que  ficou sentida recordação que ainda perdura, apesar do facto ter-se passado há cerca de trinta anos.
Têem-se repetido estas deslocações, deixando sempre dolorosa reminiscência. Tivemos que retardar o andamento, para abrir caminho por entre rebanhos de grandes e lanzudos carneiros, de cor têrrea, que pastavam, ocupando enorme área que atravessamos. Há tempos, andou por aqui uma fera vinda das povoações galegas, a qual devastou a freguesia. Encontravam-se restos humanos devorados, e o povo vivia aterrado, saindo unicamente de companhia e bem armado. Fizeram-se várias batidas infrutiferas. Começou então o pânico de atribuir à arte do demónio e à feitiçaria, esses factos. Em vista do que reuniram-se os moradores dos arredores, e, depois de bem preparados, fizeram uma grande montaria em todos os sentidos, encontrando apenas uma criança maltratada pela fera, que as vacas, que aquela guardava, providencialmente salvaram, investindo contra o feroz animal e pondo-o em fuga.
Nunca mais dele houve indício ou noticia. Chamou-me à atenção, no meio da serra, — em lugar alcantilado, — uma abertura de mais de metro e meio com porta de ferro.
— Que era aquilo ?
Um velho morador que passava, parou e disse, solenemente:
— Ali, estão escondidos os tesouros dos frades. Quem lá vai, lá fica. Foi a justiça quem mandou pôr o tapamento.
Andava ali tudo maluco com as riquezas e agora acabou-se.
Oh! Os informadores obsequiosos, são terríveis em toda a parte...”  (Extrato retirado de: OLIVEIRA, Gilherme (1903) - Uma visita às ruínas do Real Mosteiro de Fiães. Livraria Ferreira, LIsboa.)

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A casa "Bon Marché" de Prado em 1920 e a emissão de moeda

A casa "Bon Marché" ficava em Prado e tinha sido fundada em 1914. O seu proprietário era Cândido Augusto Esteves. Como podemos ver neste postal de 1920, comercializava desde fazendas, couros e calçado entre outros artigos.
Uma particularidade desta casa era ser emissora de papel moeda. De facto, nesta época, a emissão de dinheiro para circulação não era exclusividade da entidades públicas. Era frequente as Câmaras Municipais, as Misericórdias e algumas casas comerciais emitirem valores equivalentes a dinheiro para circulação local. 
Esta situação excepcional justifica-se pela conjuntura em que o país vivia. De facto,  embora Portugal tivesse entrado em 1916 na I Grande Guerra, essencialmente por motivos que se prendiam com a manutenção do estatuto e da integridade das colónias no pós-guerra, e em 1918 se encontrasse entre os Aliados vitoriosos, o fim da guerra não veio minorar as dificuldades financeiras nem acalmar a agitação social do país.
O aumento do custo de vida era contínuo e a valorização do metal durante o conflito levou a que diversas instituições, emitissem, entre 1917 e 1922, papel-moeda de baixo valor – as cédulas. Estas cédulas vinham facilitar os trocos e substituir as moedas, entretanto quase desaparecidas de circulação devido ao ávido aforro metálico da população.






Cédula de 2 centavos de 1920 da casa "Bon Marché" de Prado

Cédula de 4 centavos de 1920 da casa "Bon Marché" de Prado

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Batizado na Barriga na Ponte de S. Lourenço (Prado - Melgaço)

Prado (Melgaço)
(Foto de Steve Fernandes)

“A Ana, aqui nossa vizinha, teve três abortos. E depois, o médico disse para ela não engravidar outra vez, pois era muito fraca e poderia apanhar qualquer coisa..., ou até a criança nascer defeituosa.
Um dia, numa esfolhada, eu disse-lhe. Ó Ana, e se tu fosses baptizar a criança, ainda na barriga, debaixo da ponte de S. Lourenço? É uma ponte aqui próxima, neste regato. Disse ela: Você vai comigo? – Vou! – Então eu vou pensar nisso...
Engravidou outra vez! Andava ela grávida de três meses, e uma noite viemos para cima da ponte (eu, ela e o marido). Esperamos em cima da ponte enquanto o marido foi debaixo da ponte buscar água. Depois, ficamos os três em cima da ponte à espera da primeira pessoa que ali passasse depois da meia-noite. Mas não podia passar nem cão nem gato, senão aquela noite já não servia, e tínhamos que vir noutra.
Veio o primeiro carro e eu fiz-lhe «alto». Mas ele não parou. Veio o segundo e eu voltei a fazer «alto» e ele parou. Mas a pessoa negou-se... e eu até o conhecia... Eu disse-lhe: É para baptizar uma criança.... assim, assim..., mas ele negou-se. Veio o terceiro. Parou e aceitou. E disse: Ai que bom que me aconteceu! Já ouvira falar dessa história, mas nunca esperei que me acontecesse tal coisa. Era do Registo Civil. Estava o pai com a água. O que é que eu tenho de fazer?, perguntou o homem. Eu disse-lhe: Você pega na água e diz: “Eu te baptizo, em nome do Pai, do Filho e do espírito Santo”. Não diga Amém, senão fecha o Baptismo à criança! Ele conhecia a rapariga e disse-lhe: Levanta bem a blusa, que eu quero regar-te bem! E passado o tempo nasceu uma rapariga linda!”.

Estória narrada na 1ª pessoa em: CAMPELO, Álvaro (2002) - Caminhando pelo Mundo do Fantástico no Vale do Minho.“ in Revista Antropológicas. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Capela de Santa Bárbara (Prado - Melgaço)


No que toca aos seus fundadores diga-se que em 1752, a 29 Março, dá-se o nascimento de José Lopes, filho de Rafael Lopes e de sua segunda esposa Maria Gonçalves. Em adulto, tomou as ordens de presbítero, assinando como Pe. José Lopes de Araújo. Em 1828, a 23 Novembro, é a data da instituição testamentária de José Lopes. No testamento diz deixar um legado "in perpetum" de 3 missas rezadas, uma no dia do Santíssimo Nome de Jesus, outra no dia de São José e outra no dia de Santa Bárbara, mandadas rezar com os rendimentos do campo da Barronda, avaliado em 300$000, que confrontava com o rego de cortinas, de Sul com o Campo de João Ventura, de Oeste com as terras de Ana Pereira. Dos rendimentos deste campo será administrada a Capela de Santa Bárbara no que não chegarem as esmolas que os fiéis derem à dita Santa. Mais se refere que se ao falecer, a capela de Santa Bárbara ainda não estivesse feita, os rendimentos deste campo correriam para a sua feitura até estar concluída e se poder celebrar as 3 missas do legado deixado. Ainda consta no testamento que José Lopes deixava todos os seus bens móveis e de raiz a seu sobrinho o Dr. José Manuel Durães de Araújo e os bens de prazo deixava-os por vida a seu cunhado João Caetano Durães, estando na companhia do dito sobrinho. Além disto, deixava por fim a seu sobrinho António Manuel, filho de Diogo Manuel Lopes, 50$000 para ajudar a se ordenar e, caso não se ordenasse, esse dinheiro seria repartido por todos os filhos de Diogo Manuel Lopes.
Em 1830, a 2 de Março é a data da morte de José Lopes, quase com 80 anos. Em 1853, a 27 Janeiro, o Dr. José Manuel Durães de Araújo (sobrinho de José Lopes) compra a Joaquina Rosa Alves Torres, por 50$000, a casa de morada nos Bouços, sobrada, telhada e com rocios de pão e vinha, que confrontava a Este com João Manuel Fernandes, a Oeste e Sul com o caminho de carro para a fonte do lugar. A 7 Fevereiro de 1853 regista-se o casamento de Maria Justiniana, filha do Dr. José Manuel com João José Lopes, dos Bouços. Mais tarde, em 1855, a 22 Fevereiro, regista-se a compra a João Manuel Fernandes e mulher, Antónia Maria Soares, por 40$000, da leira do Martingo ou Ambrosinha e a leira dos Cerrados dos Bouços, de pão, vinha e oliveiras, que a Sul confrontava com o caminho do lugar.
O ano de 1856 é o ano da construção da capela e esta data aparece inscrita na verga do portal. Em 1856, a 11 Setembro, regista-se a escritura em que se obriga a conservar com toda a decência a capela de Santa Bárbara, que se achava reedificada no lugar dos Bouços, para nela se celebrar missa. A mesma dotava a capela, para património e veneração da mesma, da quantia de 10.000$00 anuais e, para tal, hipotecava todos os seus bens em geral e em especial a sua propriedade chamada de Trás do Coto, que produzia pão e vinho, situada no mesmo lugar, e que confrontava a Este com as terras de João Ventura de Sousa, a Oeste com o caminho que ia para o lugar de Trás do Coto, a Norte com o rego que vinha de Cortinhas e terras do outorgante e a Sul com as terras de Manuel Luís Tunes.
Em 1858, a 11 Fevereiro é a data do testamento de Dr. Araújo Durães que, por ser viúvo e sem filhos, deixava, por falecimento, os bens, nomeadamente a capela, ao genro e primo João José Lopes. O seu herdeiro devia mandar dizer anualmente 3 missas na capela, uma no dia do nome Santo de Jesus, outra no dia de São José e outra no dia de Santa Bárbara, com os rendimentos do campo da Barronda. Posteriormente, em 1877, a 4 Outubro, verifica-se o falecimento do Dr. Araújo Durães, com posterior abertura do testamento. João José Lopes casou em segundas núpcias com D. Angelina Perpétua Esteves, descendente dos Gamas da Serra, constando a capela no inventário orfanológico da sua viúva. Na década de 50 do século XX, por morte desta, a capela passou para os filhos. Genoveva, casada com João Luís Pinheiro, dos Bouços; Teresa de Jesus, casada com Eduardo José de Magalhães, de Castros, Penso; Aníbal Amadeu, casado com D. Bebiana da Conceição Rodrigues Lobarinhas, da casa do Crato, na Bela, em Monção, e a José Manuel, casado com Júlia Augusta Ribeiro Palhares, do Outeirão, Raposos.


Informações recolhidas em:
- www.monumentos.pt (Paula Noé, 2009);


sábado, 22 de setembro de 2012

No tempo em que a empresa Bon Marché em Prado emitia papel-moeda (1ª República)...



Embora Portugal tivesse entrado em 1916 na I Grande Guerra, essencialmente por motivos que se prendiam com a manutenção do estatuto e da integridade das colónias no pós-guerra, e em 1918 se encontrasse entre os Aliados vitoriosos, o fim da guerra não veio minorar as dificuldades financeiras nem acalmar a agitação social do país.
   O aumento do custo de vida era contínuo e a valorização do metal durante o conflito levou a que diversas instituições, desde Câmaras Municipais a Associações Comerciais, passando por mercearias, papelarias e Misericórdias, emitissem, entre 1917 e 1922, papel-moeda de baixo valor – as cédulas. Estas cédulas vinham facilitar os trocos e substituir as moedas, entretanto quase desaparecidas de circulação devido ao ávido aforro metálico da população.


Frente e verso de uma cédula de 4 centavos emitida pela mercearia Bon Marché, de Candido Augusto Esteves & Cª., Prado, Melgaço, no início da década de 1920. Impressão realizada em A Intermediaria, Limitada, Porto. 






Informações extraídas de: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Por Melgaço: Da vila ao rio Minho em imagens!


Esta é a melhor maneira de conhecer Melgaço e o Rio Minho! Um percurso que nos arrebata ao longo da marginal, mostrando-nos a beleza da paisagem de Melgaço. O trajecto inicia-se no centro da Vila, junto às Igrejas Matriz e da Misericórdia, templos que fascinam pela sua história e pela formosura dos elementos decorativos. Logo ao lado, o sublime Solar do Alvarinho, edifício seiscentista com a missão de promover e divulgar o vinho Alvarinho. De seguida, saímos do centro histórico, em direcção ao Centro de Estágios do Monte Prado. Trata-se de um esplêndido complexo com estádio, pista de atletismo, campos de ténis, um parque de merendas, um campo de mini golfe e uma deliciosa piscina com jactos de água, tudo locais abertos ao público em geral e que o farão parar por ali algum tempo. O percurso continua ao longo de uma levada até ao Monte Prado em si, um espaço soberbo com um hotel de quatro estrelas, um restaurante e uma pousada da juventude, tudo isto rodeado de vastos espaços florestais e já com o Rio Minho como companhia. Na marginal do rio encontramos várias pesqueiras, muros em pedra construídos perpendicularmente à corrente do rio -- um dos poucos locais onde se preservam as velhas tradições da arte da pesca, actualmente ainda utilizadas para se pescar sável e lampreia. O passeio termina na localidade de Peso, terra de águas termais há muito reconhecidas e apreciadas. Actualmente, estas termas estão a ser alvo de um projecto de recuperação. Todo o parque está envolto por antigo arvoredo que impressiona pela sua dimensão e por edifícios de importância arquitectónica: a Fonte Principal e a Fonte Nova, a Buvete, o Balneário, a Oficina de Engarrafamento e o antigo Hotel do Peso. Um cenário idílico ideal para terminar este percurso que, certamente, o fará ansiar por mais!
Vídeo e texto extraído de:
http://www.youtube.com/watch?v=gXnxapW6SA0

sábado, 25 de agosto de 2012

MELGACENSES PARA A HISTÓRIA: Inácio Soares (jesuíta, nascido em Prado em 1712)

 
A inovação da introdução das matemáticas nos estudos filosóficos foi louvada por Inácio Soares (Prado, Melgaço, 1712 – Ruffinella, 12.10.1783). Este jesuíta entrou para a Companhia de Jesus em Coimbra a 20.3.1729, onde fez o noviciado e os estudos de Retórica (1731-1732), Filosofia (1732-1736), Matemática (1739-1741) e Teologia (1741-1745). Após ensinar Latim nos Colégios de Braga (1736-1738) e Portimão (1745-1746), foi prefeito dos estudos e lente de Teologia Moral no Colégio de Santarém. De 1751 a 1754 deu, em Braga, um curso de filosofia que ficou célebre quer pela orientação ecléctica quer pelo esplendor dos seus actos académicos e pela actualidade dos assuntos tratados. A GAZETA DE LISBOA (ano de 1754. pp. 191-192) referia-se nestes termos ao curso dado por Inácio Soares: As conclusões foram dedicadas a suas Magestades Fidelíssimas e a suas Altezas, e incluíam toda a Filosofia eclética, racional, natural e moral, ou da eleição das doutrinas de todos os autores antigos e modernos, assim filósofos como matemáticos, com maior vastidão que até agora se tem visto. Posteriormente, encontrando-se no Colégio de Jesus, onde ensinava Teologia Moral, Inácio Soares começou a dar mostras de desarranjo mental, facto que levou ao seu afastamento do ensino. Sebastião José de Carvalho, julgando-o ofendido e queixoso dos superiores, mandou chamá-lo a Lisboa. A atitude de Inácio Soares, ao afirmar perante o cardeal reformador Saldanha e Sebastião José de Carvalho, que iriam parar ao inferno se não desistissem da perseguição aos jesuítas, levou-o a oito anos e meio de prisão, na Junqueira e S. Julião da Barra. Foi preso em 11.1.1759, tendo sido depois exilado, foi para Itália a 6.9.1767. Das suas lições ficaram uma postila de Lógica, e a PHILOSOPHIAM UNIVERSAM ECLECTICAM, EX CUNCTIS PHILOSOPHORUM SECTIS METHODICE SELECTAM AC CONCINNATAM, defendida por António Neto da Fonseca (Coimbra 1754).

 
Extraído de:

htpp://nautilus.fis.uc.pt

domingo, 22 de julho de 2012

A freguesia de Prado e a sua igreja paroquial: origem do seu nome e referências históricas



A freguesia de Prado, localizada junto da margem esquerda do rio Minho, encosta-se geograficamente à sede do concelho. Confronta com o rio, a norte, a Vila, Roussas e S. Paio, a nascente, Paderne, a sul e poente, e Remoães, a poente.
É terra antiga, com povoamento remoto. Provam-no os muitos vestígios de considerável valor arqueológico encontrados nos seus limites, e concretamente no monte sobranceiro do rio Minho. São peças em pedra lascada, da Idade da Pedra, e objectos em cerâmica com ornamentações ou outros utensílios, de épocas também longínquas mas posteriores.

De acordo com o padre Aníbal Rodrigues, o seu topónimo terá origem na existência de grandes e numerosas propriedades de pastagem para o gado vacum, caprino lanígero. Na verdade, é célebre na história de Melgaço o chamado Monte de Prado, onde passavam o Inverno os gados de Castro Laboreiro. Luís Vale descreve o monte como “verdadeira mancha verde de pinheiros, um local de prazer e repouso, descendo por pequenos vales frondosos até à frescura das águas do Minho”.
S. Lourenço de prado foi freguesia filial, tal como a vizinha Remoães, da de S. Paio.
O abade de S. Paio apresentava o vigário, que tinha mil réis de côngrua e o pé-de-altar. A renda era dividida em quatro partes iguais: uma para o abade da freguesia mãe, outra, chamada renda do castelo, para a mesa arquilepiscopal de Braga.
A infanta D. Urraca, filha de D. Fernando Magno, deu metade desta renda a D. jorg, bispo de Tui, em 1071. Onega Fernandes e seus filhos, Paio Dias e Argenta dias, deram ao bispo D. Afonso a quarta parte, em 1118.
Finalmente, a rainha D. Teresa e seu filho, D. Afonso Henriques, deram ao mesmo bispo, em 1125, a quarta parte restante.
A freguesia beneficiou, em Novembro de 1513, do foral de Melgaço concedido em Lisboa por D. Manuel I. Em 1839 fazia parte da comarca de monção. No ano 1874 constava já na comarca de Melgaço.
No campo monumental, merecem referência nesta freguesia, para além das capelas da Serra, de Santa Bárbara e de Santo amaro, principalmente a igreja paroquial, do século XVIII e sem um estilo definido, e algumas alminhas.

Na Idade Média, “a Igreja de S. Lourenço de Prado já era tida em público interesse, embora modesta, pois no taxamento das rendas eclesiásticas em 1320 aparece S, Lourenço de Prado com 12 libras, a mais baixa de todo o arcedíago de Valadares que abrangia as terras de Melgaço” (Pintor, 1975).
Na resposta ao ‘Inquérito’pombalino de 1758, o vigário Duarte Vaz Torres afirmava que ‘a igreja está sita no meio da freguezia junto da estrada real que vai para a villa de Melgaço, tem três altares, o maior do dito orago (S. Lourenço mártir) em que está o Santíssimo, os colaterais hum de Nossa Senhora do Rozario e outro das Almas em que há confraria ou irmandade das mesmas’ (Capela-IAN/TT, 2005: 172). O pároco era da apresentação do abade de S. Paio ‘com quem parte e rende para o vigairo de coatro a oito mil réis de congrua, vinte alqueires de pão meado, dous de trigo e hum almude de vinho, além dos incertos do pé do altar’ (Idem, ibidem).
 “Tanto esta freguesia como a de Remoães eram filiais da de S. Paio. A renda era dividida em quatro partes iguais - uma para o abade desta última freguesia - outra chamada renda do castelo, para a Casa de Bragança - as outras duas eram para a mesa arquiepiscopal de Braga” (Leal e Ferreira, 1876).
Integrada em meio rural, esta igreja apresenta arquitectura muito depurada mas de linhas equilibradas.
Situa-se no interior de um adro murado, com pequeno cruzeiro, para o qual se acede por escadaria semicircular extramuros. Também pelo exterior, no muro, está alojada uma bica de água. Todo o conjunto apresenta as mesmas características construtivas da igreja.
A igreja, construída em cantaria autoportante de granito, aparente, com as juntas rebocadas a branco, desenvolve-se segundo planta rectangular em nave e capela-mor com cobertura a duas águas.
Na frontaria, a entrada axial é rectangular e a porta, de duas folhas, em madeira esculpida com losangos e pintada a verde escuro. Sobrepõe-a uma janela com vitral, grade e moldura recortada. Remate por cornija angular rematada no vértice por cruz latina de hastes forquilhadas e pináculos nos extremos laterais.
A torre, situada do lado esquerdo e num plano ligeiramente mais recuado, compõe-se de três registos sendo o último aberto por quatro sineiras. Coruchéu coroado de catavento e rodeado de pináculos. Na parte frontal foi colocado um relógio circular.







Informações recolhidas em:











LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho (org.) e FERREIRA, Pedro Augusto (cont.) - Portugal Antigo e Moderno. Diccionário Geographico, Estatístico, Chorographico, Heraldico, Historico, Biographico e Etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande número de aldeias, Ed. Livraria Mattos & Moreira, Lisboa, 1876.
PINTOR, P.e M. A. Bernardo– Melgaço Medieval. Obra histórica, reed. Rotary Clube de Monção, Monção, 2005.
http://www.cm-melgaco.pt/portal/page/melgaco/portal_municipal/municipio/municipio_freguesias/Prado