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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Chaviães



Há cerca de um século atrás, dezenas de milhares de portugueses embarcaram com destino às trincheiras de França. De Melgaço, partiram 74 filhos da terra, dos quais 5 combatentes eram naturais da freguesia de Chaviães e que hoje são aqui homenageados neste artigo. Eram eles José Maria da Cunha, do lugar da Portela, condecorado com a Cruz de Guerra; José Narciso Pinto, do lugar da Igreja; António José Lourenço, do lugar de Louridal; José Joaquim Lopes, do lugar de Cortinhal e Anselmo Augusto Malheiro, do lugar da Bouça, sendo todos membros da célebre Brigada do Minho (4ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português). Infelizmente, apenas os dois últimos iriam sobreviver à guerra. Os restantes faleceram em combate e encontram-se sepultados no Cemitério Militar Português de Richebourg l’Avoile (França).
Consegui reunir um conjunto de informações acerca do percurso destes valentes soldados melgacenses de Chaviães durante a guerra:
1 - José Maria da Cunha, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 11 de Março de 1893 no lugar da Portela, freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Aníbal dos Anjos da Cunha e de Felisbela Cândida Alves.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 24 de Agosto de 1912 com Zalminda Rosa Calheiros e era morador em Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho, portador da chapa de identificação nº 49 027.
Já no cenário de guerra, em França, baixa ao hospital em 21 de Abril de 1917, tendo alta no dia 31 de Maio seguinte. Em Setembro desse mesmo ano, encontrava-se em combate, tendo sido ferido durante as hostilidades. Segundo o que podemos ler no seu Boletim Individual, na sequência deste episódio, recebeu um Louvor por parte do Quartel General do Corpo Expedicionário “pela coragem que mostrou na defesa do flanco direito do seu posto, não o abandonando, embora já ferido, senão por ordem do respetivo comandante depois do mesmo terminado”. (Ordem de Serviço do Quartel General, de 28 de Setembro de 1917). Em virtude do seu comportamento e coragem, foi condecorado com a Cruz de Guerra de 3ª classe (publicado em Decreto de 5 de Novembro de 1917).
Faleceu na 1ª linha das posições, em virtude de ter sido gravemente ferido em combate, no dia 22 de Novembro de 1917. Foi sepultado no Cemitério Militar de Le Touret, no coval nº 100. Posteriormente, os seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué (França), Talhão A, Fila 13, Coval 3.

2 - José Narciso Pinto, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às oito horas da noite do dia 3 de Março de 1893 no lugar da Igreja, na freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Manuel António Pinto e de Cândida Maria Alves.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Ana Joaquina Rodrigues desde 24 de Maio de 1916 e era morador no referido lugar da Igreja, na freguesia de Chaviães. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho, portador da chapa de identificação nº 49 864.
Já no cenário de guerra em França, foi punido no dia 14 de Dezembro de 1917 pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção porque “sendo incumbido no serviço de limpeza do Quartel da Companhia, não tinha no estado de asseio e limpeza a área do quartel que está a seu cargo na revista que em 14 (dia) foi passada…”.
Viria a ser colocado no Batalhão de Infantaria nº 29 em 6 de Abril de 1918. Combateu na Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918, integrado na Brigada do Minho. Foi inicialmente dado como desaparecido em combate durante a batalha, segundo anotação inscrita no seu Boletim Individual. Aparentemente, o seu corpo apenas foi recuperado mais tarde. Nesta batalha, houve corpos que apenas foram encontrados cerca de um mês depois.
Os seus restos mortais encontra-se sepultados no Cemitério de Richebourg l`Avoué (França), Talhão D, Fila 3, Coval 24.

3 - José Joaquim Lopes, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às dez horas da manhã do dia 3 de Maio de 1895 no lugar de Cortinhal, freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Vitorino José Lopes e de Maria Rosa Cortes.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Coutinhal, freguesia de Chaviães, deste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, portador da chapa de identificação nº 49 537, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Já no cenário de guerra, em França, foi punido “em 3 de Outubro de 1917, pelo Comandante da 2ª Companhia com oito (8) dias de (…) detenção porque estando debaixo de forma, comunicou fogo ao conteúdo de um cartucho que tinha previamente tirado a bala…”. Viria a ser punido novamente em 2 de Abril de 1918 “com 10 dias de prisão disciplinar por ser encontrado na estrada levando o cavalo a trote contra o que está determinado…”.
Baixou ao Hospital da Base 2 em 22 de Maio de 1918, tendo alta no dia seguinte. Em 10 de Julho desse mesmo ano, iniciou o gozo de 30 dias de licença, findos os quais se devia apresentar a uma “nova Junta Médica”. Esta anotação permite-nos saber que anteriormente já tinha sido presente a Junta Médica ainda que não haja nenhuma anotação referente a isso no seu Boletim Individual. Nesse sentido, seguiu para o Depósito de Infantaria afim de ser repatriado em 17 de Julho desse ano.
Posteriormente, passou em 30 de Setembro de 1918, para o Batalhão de Infantaria nº 22, 3ª Companhia.
Em 9 de Novembro, foi abatido ao efetivo do batalhão e à companhia a que pertencia por ter tido passagem ao Quartel General 1, por ordem do comando do 1º Batalhão de Infantaria, ficando adido ao Trem Divisionário desde o dia 10 do dito mês de Novembro de 1918.
Encontrava-se presente em 12 de Março de 1919 no Esquadrão de Remonta ficando aí adido vindo do Trem Divisionário.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Embarque de Cherbourg (França) em 3 de Maio de 1919, com destino a Portugal a bordo do navio inglês “Maryland”, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 6 de Maio de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Maria da Silva Fontes em 9 de Junho de 1927 no Rio de Janeiro (Brasil).

4 - Anselmo Augusto Malheiro, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às nove horas da manhã do dia 29 de Agosto de 1894 no lugar da Bouça, na freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de José de Abreu Malheiro e de Florinda Rosa Vaz.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar da Bouça, na freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, neste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, portador da chapa de identificação nº 49 459, tendo desembarcado no Porto de Brest (França) em 19 do mesmo mês e ano.
Conhece-se pouco do percurso do soldado Anselmo Malheiro durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, não há registo no seu Boletim Individual entre meados de Abril de 1917 e meados de Agosto de 1918. Sabe-se que em 12 de Agosto de 1918, foi promovido a 1º Cabo contando para efeitos de antiguidade a partir do dia seguinte (Ordem de Serviço nº114 do 1º Batalhão da Brigada do Minho de 12/8/1918).
Em 14 de Setembro de 1918, foi punido “pelo Sr. Comandante da Companhia com 4 dias de detenção por ser encontrado no campo de instrução e durante o intervalo apoderou-se de alguns frutos de uma nogueira pertencente a uma propriedade que confina com o mesmo campo”. Contudo, em 16 de Setembro seguinte, inicia o gozo de uma licença de campanha de 53 de duração.
Embarca em data que se desconhece no Porto de Embarque de Cherbourg (França) e viria a desembarcar, juntamente com a Brigada do Minho, em Lisboa, no Cais de Alcântara, em data que não aparece inscrita no seu Boletim Individual.
Após voltar da guerra, viria a casar com Alice da Conceição Rodrigues, natural de Chaviães, em 19 de Outubro de 1919. Anselmo Malheiro faleceu em 21 de Março de 1981, nesta freguesia de Chaviães, deste concelho de Melgaço.

5 - António José Lourenço, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às oito horas da noite do dia 26 de Abril de 1892 no lugar do Louridal, na freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Augusto Cândido Lourenço e de Ana Marinha.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 24 de Janeiro de 1912 com Isaura Salgado e era morador na freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, neste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, portador da chapa de identificação nº 49 454, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Conhece-se pouco do percurso do soldado António José Lourenço durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, baixou à ambulância nº 5 em 2 de Agosto de 1917, tendo tido alta no dia 29 do mesmo mês e ano.
Em 12 de Março de 1918, encontrava-se em combate na 1ª linha das posições. Foi ferido e faleceu nesse mesmo dia durante as hostilidades. O seu corpo foi sepultado no Cemitério de Laventie (localidade no norte de França onde se encontrava em combate). Posteriormente, os seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué (França), Talhão A, Fila 2, Coval 3.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de S. Martinho de Alvaredo




No artigo de hoje, prestamos homenagem aos soldados de São Martinho de Alvaredo que integraram o Corpo Expedicionário Português e que combateram nas trincheiras da Flandres Francesa entre meados de 1917 e Novembro de 1918. Foram eles António Besteiro, do lugar da Carrasqueira; Avelino Fernandes, do lugar de Ferreiros; Abel Fernandes, do lugar da Fonte; Nicolau de Souza Lobato, do lugar da Charneca e Artur Domingues do lugar do Maninho. Os três primeiros pertenciam à célebre Brigada do Minho (4ª Brigada de Infantaria do Corpo Exedicionário Português), enquanto que o soldado Nicolau Lobato integrava o Regimento de Cavalaria 4 e o soldado Artur Domingues pertencia ao 1º Esquadrão de Remonta.
Todos regressaram vivos da guerra. Apresentam-se aqui as informações que se conseguiram apurar acerca do percurso de cada um deles durante a guerra:

1 - Avelino Fernandes, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às três horas da manhã do dia 7 de Novembro de 1893, filho de Francisco Fernandes e Libania Martins Peixoto, natural do lugar de Ferreiros, freguesia de Alvaredo, neste concelho de Melgaço.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Justina Domingues Caldas desde 4 de Janeiro de 1913.
Embarcou para França em 18 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 462, onde pertenceu à celebre Brigada do Minho.
Do seu percurso no cenário de guerra, em França, pouco se sabe. Sabemos que participou na trágica Batalha de La Lys. Nessa batalha, a 9 de Abril de 1918, desapareceu em combate. Em Novembro de 1918, no final do conflito, por comunicação da Comissão dos Prisioneiros de Guerra, verificou-se que o soldado Avelino Fernandes constava nas listas de prisioneiros de guerra internados em campos alemães. Tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Dulmen (Alemanha).
O soldado Avelino Fernandes viria a sobreviver à guerra. Ainda se encontrava no campo de prisioneiro em 17 de Dezembro de 1918. Seguiu para a Holanda onde embarcou no navio inglês "Northwestern Miller" em 12 de Janeiro de 1919, tendo desembarcado no Cais de Alcântara, em Lisboa no dia 18 de Janeiro de 1919.
Viria a falecer às seis horas do dia 6 de Agosto de 1964, na freguesia de Alvaredo, concelho de Melgaço.

2 - Abel Fernandes, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu à meia noite do dia 19 de Abril de 1894 no lugar da Fonte, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de Bento Fernandes e de Ana Pires.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar da Fonte, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. Já no cenário de guerra, em França, foi colocado na 1ª Bateria de Morteiros Pesados em 25 de Outubro de 1917, onde se encontrava na 1ª linha de defesa das posições.
Terá combatido na Batalha de La Lys em 9 de Abril de 1918, tendo inclusivamente recebido um louvor “pela boa vontade e inteligência com que desempenhou todos os serviços de serralheiro de que foi encarregado durante o tempo que a bateria esteve na 1ª linha de que resultou todo o pessoal estar bem alojado e com comodidades o que concorreu para a saúde do pessoal” (Louvor pelo Comandante do Batalhão em 11 de Abril de 1918).
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 9 de Junho de 1919.
Depois de voltar da guerra, casou com Alzira Domingues no dia 4 de Fevereiro de 1922. Viria a falecer na freguesia de S. Martinho de Alvaredo em 24 de Novembro de 1984.

3 - Nicolau de Souza Lobato, soldado chauffeur do Regimento de Cavalaria nº 4 do Corpo Expedicionário Português. Nasceu no dia 17 de Janeiro de 1895 no lugar da Charneca, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de José de Souza Lobato e de Hermínia da Glória Domingues.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar da Charneca, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 21 de Abril de 1917.
Já no cenário de guerra, em França, desempenhou sobretudo serviço de condutor no Parque Automóvel do Corpo Expedicionário Português. Viu-se frequentemente envolvido em vários episódios de indisciplina. Baixa à ambulância 5 em 29 de Outubro de 1917, tendo tido alta em 2 de Novembro. Em 13 de Novembro do mesmo ano, volta a baixar à ambulância, tendo alta no dia 17 do mesmo mês e ano.
Em 4 de Fevereiro de 1918, foi punido pelo “Sr. Comandante do 3º Grupo Automóvel com 2 dias de detenção porque tendo ido à revista de saúde e dizendo-lhe ser facultativo para não sair da enfermaria sem tomar um purgante, não cumpriu esta ordem”.
Em 30 de Maio de 1918, volta a envolver-se num episódio de indisciplina, tendo sido punido “pelo Sr. Comandante do Parque Automóvel com 4 dias de detenção por ter faltado à 1ª refeição sem motivo justificado”.
Na sequência destes episódios, em 29 de Julho de 1918, o soldado Nicolau Lobato foi punido pelo Tribunal de Guerra do Corpo Expedicionário “com 60 (sessenta) dias de prisão correcional.
Em 6 de Fevereiro de 1919, baixou ao Hospital de Sangue 8. Em 18 de Março de 1919, passou ao Esquadrão de Remonta. Em 3 de Abril do mesmo ano, encontrava-se no Hospital de Sangue 6, de onde foi evacuado nessa data para o Hospital da Base 1, tendo tido alta no dia 2 de Maio de 1919 para o C.M.C.A. Nessa data, deu entrada nas Prisões da Base afim de recolher ao Depósito Disciplinar 1 “por ali pertencer”. Em 24 de Maio, encontrava-se no Comando Militar do Corpo, de onde seguiu de novo, no dia seguinte, sob escolta, para o Depósito Disciplinar 1. No dia 30 de Maio de 1919, encontrava-se presente no Depósito Disciplinar 1 “afim de cumprir 60 dias de prisão correcional”.
Em 9 de Junho de 1919, encontrava-se no Porto de Embarque de Cherbourg (França) com vista a ser repatriado. Embarcou, juntamente com o pessoal dos Serviços Administrativos, em 22 de Junho de 1919 com destino a Portugal. Desembarca em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 25 de Junho do mesmo ano.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 9 de Junho de 1919.
Depois de voltar da guerra, casou com Claudina Maria Martins no dia 9 de Outubro de 1920. Viria a falecer na freguesia de S. Martinho de Alvaredo, concelho de Melgaço, às 18 horas e 30 minutos dia 17 de Outubro de 1923.

4 - Artur Domingues, soldado do 1º Esquadrão de Remonta - Escola de Equitação. Nasceu às três horas da manhã do dia 14 de Outubro de 1894 no lugar do Maninho, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de André Domingues e de Maria Martins.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar do Maninho, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 2 de Julho de 1917, portador da chapa de identificação nº 67360.
Sabe-se muito pouco do seu percurso durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, seguiu para o Esquadrão de Remonta em 3 de Agosto de 1918, tendo sido promovido a 1º Cabo em 5 de Setembro do mesmo ano. Em 2 de Novembro, estava presente no Quartel General do Corpo Expedicionário, proveniente do dito Esquadrão de Remonta.
Em 6 de Abril, passou à 1ª Secção Auxiliar do Comando do Quartel General do Corpo Expedicionário.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal a bordo do navio “Mormugão” (navio alemão de nome original “Kommodore” que foi apresado pelos portugueses em Goa, Índia Portuguesa em 1916) e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 1 de Novembro de 1919.

5 - António Besteiro, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 18 de Fevereiro de 1892 no lugar da Carrasqueira, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de José Besteiro e de Florinda Pires.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar da Carrasqueira, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, portador da chapa de identificação nº 66538, tendo desembarcado no Porto  de Brest (França) no dia 18.
Sabe-se muito pouco do seu percurso durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, baixou à ambulância em 5 em 23 de Agosto de 1918, tendo alta no dia 3 de Setembro.
Após a reformulação do Corpo Expedicionário Português, passa a integrar o 6º Batalhão do C.E.P. Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal a bordo do navio inglês “Northwestern Miller” em 15 de Abril de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Abril de 1919.
Após voltar da guerra, casa com Aurora Bernardo em 21 de Maio de 1925. Viria a falecer em 31 de Outubro de 1985 na freguesia de São Martinho de Alvaredo, deste concelho de Melgaço.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Paderne



No artigo de hoje, o blogue presta homenagem aos valentes soldados naturais de Paderne, deste concelho de Melgaço, que combateram nas trincheiras de França na 1ª Grande Guerra. Dos mais de 70 homens que partiram de Melgaço para a guerra em 1917, 14 eram naturais desta freguesia de Paderne. Destes homens, 3 deles faleceram na guerra (António Alberto Dias, do lugar da Verdelha; Raul Gomes, do lugar de Queirão e José Afonso, do lugar de Fontes). 
Um outro soldado, António José Rodrigues, foi feito prisioneiro de guerra durante a Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918. Durante meses, nada se soube dele permanecendo como um dos milhares de soldados portugueses que tinham desaparecido durante os combates. Apenas em Novembro de 1918, se soube que estava num campo de prisioneiros na Alemanha, tendo sido libertado após o fim da guerra...
Estes foram os padernenses que combateram na 1º Grande Guerra. Honra a estes heróis!

Eles foram:
1 - António Alberto Dias, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às sete horas da tarde do dia 11 de Janeiro de 1892, no lugar da Verdelha, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de José Bernardino Dias e de Maria do Carmo Alves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Áurea Rebelo desde 7 de Setembro de 1914 e era morador na freguesia de São Paio, concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria (Brigada do Minho).
Já em França, em cenário de guerra, foi punido no dia 16 de Setembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detenção por não apresentar a bolacha de ração de reserva que lhe havia sido distribuída com a recomendação expressa de não a comer sem autorização, recomendação esta que lhe foi feita por um oficial antes da marcha para as trincheiras da 2ª Brigada de Infantaria e na ocasião da distribuição”.
Faleceu na primeira linha de trincheiras em resultado de ferimentos em combate em 9 de Outubro de 1917. Os seus restos mortais foram sepultados no Cemitério de Le Tourette, coval nº 78. Posteriormente, foram trasladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué, Talhão D, Fila 13, Coval 25.


Sepultura de António Alberto Dias
no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué (França)

2 - Raul Gomes, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às onze horas da noite do dia 27 de Agosto de 1894 no lugar de Queirão, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de Manuel Joaquim Gomes e de Luciana Rosa Rodrigues. À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro era morador na freguesia de Paderne.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França, integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Já em França, em cenário de guerra, foi promovido a 2º Cabo em 27 de Agosto desse ano de 1917. A sua permanência no teatro de operações foi curta. Em 9 de Outubro desse mesmo ano, foi ferido em combate tendo baixado à ambulância nº 3. Faleceu nesse mesmo dia, vítima desses ferimentos, sendo o seu corpo sepultado no cemitério de Vielle Chapelle, coval C13. Posteriormente, os seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué, Talhão A, Fila 13, Coval 3.


Sepultura de Raul Gomes
no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué

3 - Manuel António Gonçalves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às duas horas da tarde do dia 30 de Março de 1892 no lugar de Crastos, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de António Joaquim Gonçalves, sapateiro (natural da freguesia de Salamonde, concelho de Vieira do Minho) e de Angelina Augusta Meixeiro (natural de Paderne). Era neto paterno de Umbelina Rosa Gonçalves, solteira, e materno de João Maria Meixeiro e Emília da Graça Puga.  À época da partida para a guerra, encontrava-se solteiro e morava no lugar de Crastos, freguesia de Paderne. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917.  Já em França, por ordem superior da 4ª Brigada de Infantaria, foi integrado no Quartel General da Base -  Depósito de Materiais de Bagagens, em 6 de Novembro de 1917. Foi punido em 6 de Fevereiro de 1918 “pelo Chefe da Secção de Fardamento com 8 dias de detenção por não responder à chamada para o trabalho na oficina de sapateiro ontem pelas 14 horas”. Foi novamente punido no dia 14 de Fevereiro de 1918 “pelo Snr. Chefe da Secção com 8 (oito) dias de detenção por não dedicar na Oficina de Sapateiro toda a sua aptidão…”. Em 19 de Fevereiro de 1918, ainda se encontrava na secção de fardamentos. Em 11 de Dezembro de 1918, seguiu para as Escolas do Corpo Expedicionário Português “afim de ali prestar serviço da sua especialidade”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) em 16 de Maio de 1919, juntamente com o Quartel General 2 com destino a Portugal. Desembarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Maio. Após a guerra, casou, em 19 de Janeiro de 1921, com Rosa Joaquina Durães, natural de S. Paio. Viria a falecer em 19 de Fevereiro de 1975, na freguesia de S. Paio (Melgaço).

4 - José Cerqueira Afonso, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às cinco horas da manhã dia 14 de Março de 1892 no lugar de Fontes, lugar da freguesia de São Salvador de Paderne, filho de Inácio José Afonso e de Maria Cerqueira, ambos lavradores e moradores no lugar antes citado. Era neto paterno de Maria Joaquina Afonso, solteira, e neto materno de Manuel Joaquim Cerqueira e Maria Rosa Afonso. À época da sua partida para a guerra, era casado com Capitolina Afonso e era morador em Paderne. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Foi punido no dia 16 de Setembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detenção por não apresentar a bolacha da ração de reserva que lhe havia sido distribuída com a recomendação expressa de a não comer sem autorização, recomendação esta que lhe foi feita por um oficial antes da marcha para as trincheiras da 2ª Brigada de Infantaria e na ocasião da sua distribuição”. Foi novamente punido no dia 17 de Setembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 6 dias de detenção por ter faltado à 3ª refeição de 16 (dia anterior) sem motivo justificado, apresentando-se meia hora depois”. Combateu na Batalha de La Lys em 9 de Abril de 1918. Inicialmente, foi dado como desaparecido em combate na dita batalha mas posteriormente verificou-se que tinha falecido. Provavelmente, o seu corpo apareceu só mais tarde. Os seus restos mortais encontram-se sepultados em França, no Cemitério de Richebourg l`Avoué, Talhão C, Fila 10, Coval 10.


Sepultura de José Cerqueira Afonso
no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué


5 - Manuel Ferreira, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 24 de Maio de 1893 no lugar de Queirão, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de pai incógnito e de Rosa Ferreira. Era neto materno de António Manuel Ferreira e Marcelina Pires. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar de Queirão, na dita freguesia de Paderne.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 16 de Maio de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Do seu percurso militar na guerra, não se conhece praticamente nada. O seu Boletim Individual encontra-se praticamente “em branco”. Apenas se sabe que sobreviveu à guerra e desembarcou em Lisboa em 9 de Junho de 1919.
Viria a falecer em 24 de Janeiro de 1968 na cidade de Lisboa.

6 - António José Rodrigues, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu em data desconhecida, filho de José Manuel Rodrigues e Carolina Rosa Rodrigues, natural da freguesia de Paderne. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 526. Sobreviveu à guerra. Combateu na Batalha de La Lys de onde foi dado como desaparecido em combate. No final da guerra, em Novembro de 1918 e por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, soube-se que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a dita batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Münster II (Alemanha). O soldado António José Rodrigues embarcou no navio inglês "Northwest Miller" em 31 de Janeiro de 1919 e desembarcou em Lisboa de 4 de Fevereiro de 1919.        

7 - António Xavier Nunes, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 29 (Braga), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro da manhã do dia 2 de Maio de 1897 no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de António Nunes, Guarda Fiscal, e Rosa Besteiro, lavradeira. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar a Várzea, freguesia de Paderne. Embarcou para França em 22 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 47 193, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. A sua estadia em cenário de guerra foi bastante curta e de apenas alguns meses. Em sessão de Junta Médica de 13 de Agosto de 1917, foi julgado incapaz de todo o serviço. Em face de tal decisão, foi repatriado tendo embarcado em Cherbourg (França)  a bordo do cruzador auxiliar “Pedro Nunes” em 9 de Novembro de 1917, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 12 de Novembro.
Viria a falecer no dia 16 de Janeiro de 1955, na freguesia de Miragaia, concelho do Porto.

8 - Manuel Rodrigues, 2º Sargento do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às dez da manhã do dia 10 de Setembro de 1896 no lugar da Longarinha, na freguesia de Paderne, filho de José Rodrigues e Custódio Esteves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Maria Adelaide da Costa desde 11 de Setembro de 1911 e era morador em Valença do Minho. Embarcou para França em 15 de Março de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 019, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. Conhecemos muito pouco do seu percurso durante a guerra. Sabemos que esteve de licença durante 30 dias por ordem de serviço do Quartel General do Corpo Expedicionário de 10 de Julho de 1918 “findos os quais deve ser presente a nova junta médica”. Consta no seu Boletim Individual que foi “abatido ao efetivo do batalhão em 25 de Agosto de 1918”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 4 de Fevereiro de 1919.

9 - Faustino Esteves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro da manhã do dia 29 de Julho de 1893 no lugar da Portela, na freguesia de Paderne, filho de José Joaquim Esteves e Claudina de Castro Araújo, proprietários. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Rosa da Glória Fernandes desde 2 de Junho de 1913 e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 437, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. Conhecemos muito pouco do seu percurso durante a guerra. Foi colocado em 20 de Agosto de 1917 no 2º Grupo de Companhias de Pioneiros. Entretanto, em data desconhecida é promovido a 1º Cabo, posto que detinha em 4 de Setembro de 1917. Em Abril de 1918, ainda se encontrava na mencionada unidade, tendo combatido na Batalha de La Lys (9 de Abril) fazendo parte do referido 2º Grupo de Pioneiros.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 20 de Março de 1919.
Viria a falecer em 4 de Dezembro de 1957, na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço.

10 - Dinis da Silva, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às dez horas da noite do dia 16 de Março de 1892 no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de Ladislau Augusto da Silva e Maria de Jesus Besteiro, lavradores. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 468, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. O seu percurso durante a guerra é abundante em atos de indisciplina, frequente entre os soldados portugueses nesta guerra e respetivas punições. Foi punido em 19 de Julho de 1917 “pelo Exmo. Comandante do Batalhão com 1 (um) dia de Prisão Disciplinar por ter faltado a uma formatura…”. Foi igualmente punido em 12 de Agosto “pelo Comandante da Companhia com 8 dias de detenção por ter saído da forma sem autorização quando a companhia se dirigia para local  de instrução de noite e ter recolhido ao quartel da sua companhia…”. Uma terceira punição foi-lhe aplicada em 26 de Outubro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 8 (oito) dias de detenção por ter sido incorreto na maneira como se dirigiu ao 1º sargento da companhia quando este o advertia por uma falta…”. Foi-lhe aplicada uma outra punição em 15 de Março de 1918 “pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção porque, tendo-se ausentado ontem do alojamento da companhia, faltou à formatura que às 18 horas teve lugar afim desta companhia de entrar como reforço do sub-setor…”. Foi ainda punido em 29 de Agosto de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por ter faltado aos trabalhos deste dia sem motivo justificado”. Por motivo que não aparece descortinado no seu Boletim Individual, o soldado Dinis da Silva, em 5 de Junho de 1919, seguiu da Prisão da sua Base para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) afim de ali aguardar julgamento. Sabemos ainda que baixou à ambulância 3 em 8 de Junho de 1919, tendo tido alta no dia 15, seguindo para o Depósito Disciplinar 1.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, juntamente com os soldados do Depósito Disciplinar 1, em 5 de Julho de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 8 de Julho de 1919.
Após regressar da guerra, casou com Isménia Rosa Afonso no dia 24 de Maio de 1921. Viria a falecer em 29 de Julho de 1970, na freguesia de Paderne, neste concelho de Melgaço.

11 - Aldemiro Magno Gomes, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da tarde do dia 1 de Setembro de 1892 no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de Constantino José Gomes, guarda fiscal, e Maria de Sousa e Castro. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Berta Alves desde 29 de maio de 1916 e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 852, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho.
A sua permanência no cenário de guerra foi realtivamente curta. Foi colocado na 1ª Companhia em 18 de Outubro de 1917. Contudo, em sessão de junta médica de 22 de Julho de 1918, foi julgado incapaz de todo o serviço e salienta-se que o soldado não tem condições para “angariar meios de subsistência”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 28 de Outubro de 1918.
Viria a falecer em 14 de Dezembro de 1969, na freguesia de Paderne, neste concelho de Melgaço.

12 - Bernardo Esteves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às oito horas da noite do dia 11 de Março de 1895 no lugar da Golães, na freguesia de Paderne, filho de José Luís Esteves e Maria do Carmo Rodrigues, lavradores. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 22 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 846, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho.
A sua permanência em cenário de guerra não foi muito longa. Ficou ferido num desastre ocorrido em serviço no dia 10 de Agosto de 1917, dia em que baixou ao Hospital de Sangue nº 1, sendo no mesmo dia evacuado para o Hospital Geral britânico nº 3. Recebe alta e volta à Base em 2 de Setembro do mesmo ano. Baixa ao hospital 32 em 1 de Outubro, sendo evacuado no mesmo dia para o Hospital 54. Baixa de novo à ambulância nº 3 em 9 de Janeiro de 1918, sendo evacuado para o Hospital de Sangue nº 1 no dia 10. Deu entrada nos hospitais da Base em 11 de Janeiro de 1918, sendo evacuado para o Depósito de Convalescentes.
Em sessão de junta médica de 4 de Fevereiro de 1918, reunida na ambulância 3, foi julgado incapaz de todo o serviço, tendo seguido para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) em 11 de Março, onde embarca com destino a Portugal. Sobreviveu à guerra, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 18 de Março de 1918.

13 - José Maria Gomes, Soldado Servente do Regimento de Artilharia nº 5, 3º Grupo de Baterias de Artilharia (6ª Bateria). Nasceu às onze horas da noite do dia 24 de Outubro de 1892 no lugar do Cabo, na freguesia de Paderne, filho de António caetano Gomes e Maria do Rosário Esteves, lavradores. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 25 de Julho de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 70 854.
Sabemos muito pouco sobre o percurso deste soldado durante o conflito. Já no cenário de guerra em França, foi transferido para o 3º Grupo de Baterias de Artilharia em 23 de Agosto de 1917. Contudo, foi condecorado com a Medalha de Expedição a França em 27 de Fevereiro de 1919.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, juntamente com a 4ª Bateria do 3º Grupo de Baterias de Artilharia, em 28 de Março de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 31 de Março de 1919.
Após voltar da guerra, casou com Teresa de Jesus Alves em 8 de Abril de 1931. Viria a falecer em 13 de Maio de 1975, na freguesia de Paderne, neste concelho de Melgaço.

14 - Manuel de Jesus, Soldado do 1º Esquadrão de Cavalaria - Escola de Equitação. Nasceu em data desconhecida no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de Manuel de Jesus, alfaiate, e de Claudina Rosa Souza, doméstica. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 2 de Julho de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 67 361.
Sabemos pouco sobre o percurso deste soldado durante o conflito. Sabe-se que foi punido em 10 de Fevereiro de 1919 “pelo Sr. Comandante do 1º Esquadrão com cinco (5) dias de detenção porque estando de guarda à cavalariça e de quanto originou pela falta de vigilância que um cavalo se ferisse…”.
Em junta médica de 20 de Abril de 1918, o soldado Manuel de Jesus foi julgado incapaz de todo o serviço. Por essa razão, seguiu para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) afim de ser repatriado em 6 de Agosto desse ano.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 25 de Agosto de 1918.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia da Vila (Melgaço)


Há cerca de 100 anos, 72 melgacenses partiram para França para participarem no conflito mais horrendo que a História já tinha conhecido.
O blogue “Melgaço, entre o Minho e a Serra” homenageia nestes dias a coragem destes homens melgacenses que combateram numa guerra para a qual não estavam preparados. Desse contingente de soldados da nossa terra, 10 deles nasceram na freguesia de Santa Maria da Porta, atualmente designada de Vila. Entre os soldados desta freguesia, apenas António José Cardoso Ferreira Pinto da Cunha morreu na guerra, concretamente na célebre batalha de La Lys, a 9 de Abril de 1918, nunca se tendo encontrado os seus restos mortais. Outros dois soldados da vila de Melgaço foram feitos prisioneiros de guerra nessa batalha. Foram eles os combatentes Mário Afonso, nascido na Quinta de S. Julião, e António dos Reis, natural da Rua Direita, que estiveram em campos de prisioneiros na Alemanha até ao fim da guerra em Novembro de 1918.
Saibam quem foram os homens naturais desta vila de Melgaço que combateram nas trincheiras de França…

1 - António José Cardoso Ferreira Pinto da Cunha, segundo-sargento do Regimento de Obuses de Campanha, unidade sediada em Castelo Branco. Nasceu às 7 horas e meia do dia 28 de Julho de 1892, na Rua Direita, vila e freguesia Santa Maria da Porta, concelho de Melgaço, filho de António José Ferreira Pinto da Cunha, juiz desta comarca, e de Carlota Amália Cardoso. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Arcos de Valdevez. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 20 de Agosto de 1917, onde pertenceu ao 6.º Grupo de Baterias de Metralhadoras (4ª Bateria). Combateu na Batalha de La Lys. Inicialmente dado como desaparecido em combate. Contudo, ao contrário de outros desaparecidos em combate melgacenses na batalha, o segundo sargento não constava entre os prisioneiros de guerra feitos pelos alemães. Mais tarde, foi dado como morto em combate na Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918. Desconhece-se o paradeiro dos seus restos mortais.

2 - Mário Afonso, soldado do Regimento de Artilharia nº 5 (2º Grupo de Baterias de Artilharia). Nasceu às duas horas e meia da manhã do dia 28 de Julho de 1891, filho de António Luiz Afonso e Tereza de Jesus, natural da Quinta de S. Julião, freguesia de Santa Maria da Porta, concelho de Melgaço. À época da sua partida para a guerra, era casado com Mariana Afonso desde 7 de Outubro de 1916 e residia na freguesia de Chaviães (Melgaço). Embarcou para França em 20 Agosto de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 28 641, tendo desembarcado no Porto de Brest em 25 de Agosto. Já em cenário de guerra, foi colocado no 2º Grupo de Baterias de Artilharia, 3ª Bateria, em 23 de Janeiro de 1918.  Combateu na célebre Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918), onde foi dado como desaparecido em combate. Apenas em Novembro de 1918, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, se soube que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Dulmen, situado na região da Westefalia (Alemanha). Sobreviveu à guerra. Depois da guerra ter terminado, foi libertado. Posteriormente, o soldado Mário Afonso foi punido pelo Comandante do Corpo Expedicionário Portugal no dia 31 de Dezembro de 1918, com 10 dias de detenção disciplinar porque “em 3 de Janeiro do presente ano acendeu uma vela no balcão que ocupava em Blessy (localidade a cerca de 70 Km a oeste da cidade de Lille) a qual caindo sobre uma porção de palha que ali se encontrava, originando um incêndio que produziu estragos na importância de 7971,88 francos que o Estado teve que pagar…”.
O soldado Mário Afonso embarcou no navio inglês "Northwestern Miller" em 31 de Janeiro de 1919 e desembarcou em Lisboa de 4 de Fevereiro de 1919. Viria a falecer às 20 horas do dia 28 de Dezembro de 1963.

Cartão de inventariação do soldado Mario Afonso
(Campo de Prisioneiros de Hameln - Alemanha)


3 - António dos Reis, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às nove horas da manhã do dia 25 de Junho 1892, filho de João Batista Reis e Laureana Joaquina Esteves, natural da Rua Direita, freguesia de Santa Maria da Porta (atualmente designada por freguesia da vila). À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era residente na vila de Melgaço. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 563. Já no cenário de guerra, sabemos que baixou ao Hospital nº 51 em 17 de Maio de 1917, tendo alta no dia 13 de Junho. Foi punido em 19 de Agosto do mesmo ano pelo Comandante da Companhia com 8 dias de detenção “porque tendo em 18 do corrente respondido à chamada para a formatura da instrução de noite, se ausentou dela sem autorização recolhendo ao seu alojamento…”. Ainda nesse ano de 1917, voltou a infringir as regras do Regulamento Disciplinar e recebeu nova punição em 19 de Dezembro por parte do Comandante da Companhia. Desta vez, foi punido com 10 dias de detenção por “ter saído da 1ª linha de trincheiras, onde prestava serviço, sem autorização e ainda porque sendo interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome ao Comandante exposto o que se averiguou ser falso…”.
O soldado António dos Reis combateu na Batalha de La Lys tendo sido dado como desaparecido em combate na batalha em 9 de Abril de 1918. Meses mais tarde, soube-se, através da Comissão dos Prisioneiros de Guerra, que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante as hostilidades e levado para o Campo de Prisioneiros de Friedrichsfeld (Alemanha). Sabe-se que em 2 de Fevereiro de 1919, se encontrava integrado no Batalhão de Infantaria nº 12. Posteriormente, o soldado António dos Reis fez a viagem até ao Porto de Embarque em Cherbourg (França) onde embarcou no navio inglês "Orita" em 13 de Fevereiro e desembarcou em Lisboa de 16 de Fevereiro de 1919. Viria a falecer em 6 de Maio de 1958, na vila de Melgaço.

Cartão de inventariação do soldado Mario Afonso
(Campo de Prisioneiros de Hameln - Alemanha)
4 - Adriano do Paço, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às seis horas da tarde do dia 16 de Fevereiro do ano de 1894, filho de Lourenço do Paço e de Albina Cândida Moreira, na Rua de Mello, na vila de Melgaço. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho. Já em França, sabemos que foi colocado do Depósito de Material de Bagagens, na Base de Retaguarda, em 6 de Novembro de 1917 “afim de fazer serviço nas oficinas anexas à secção de fardamento”. Foi punido em 15 de Abril de 1918 pelo Diretor  do Depósito de Fardamentos e Bagagens, "com 6 dias de detenção por ter faltado à formatura do recolher do dia 14, apresentando-se às 6 horas do dia seguinte…”. Baixou ao Hospital nº 30 em 29 de Abril de 1918, tendo alta em 4 de Maio. Foi punido em 21 de Junho desse ano pelo Diretor do Depósito de Fardamento “com 6 dias de detenção tendo em atenção o seu comportamento anterior porque estando nomeado para serviço  de ronda no dia 17 do corrente, apresentando-se 10 minutos mais tarde depois da hora determinada…”. Posteriormente, baixou ao Hospital Inglês de Calais em 19 de Janeiro de 1919, tendo alta no dia 25. Sobreviveu à guerra, tendo embarcado com destino a Portugal em 9 de Agosto de 1919.  Desembarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, em 12 de Agosto de 1919.

5 - Agostinho de Araújo, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às seis horas da manhã do dia 23 de Março de 1892 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), filho de José Joaquim de Araújo e de Anna Joaquina Domingues. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia da Vila. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho. São muito escassos os dados sobre o percurso deste soldado durante a guerra. Sabe-se que foi promovido ao posto de 1º Cabo em 12 de Agosto de 1918. Sobreviveu à guerra e embarcou para Portugal no dia 15 de Abril de 1919 em Cherbourg, a bordo do navio inglês “Northwestern Miller”, tendo desembarcado em Lisboa em 19 de Abril. Após a guerra, viria a casar com Emília Rosa Bermudes em 18 de Janeiro de 1930. Faleceu no dia 11 de Setembro de 1954.

6 - João Gonçalves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 4 de Fevereiro de 1894 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua Direita, filho de pai incógnito e de Rosa Gonçalves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na rua Direita, na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Já em França, foi colocado no Quartel General da Base - Depósito de Materiais da Base em 6 de Novembro de 1917, ficando a prestar serviço na Secção de Fardamento.
Foi punido em 25 de Maio de 1918 pelo Diretor do Depósito de Fardamentos da Base “com 2 dias de detenção  tendo que atendendo ao seu bom comportamento anterior, porque estando nomeado para serviço de ronda no dia 17 do corrente, apresentou-se 10 minutos mais tarde depois da hora que lhe havia determinada…”. Foi novamente punido em 15 de Abril de 1918 pelo Diretor do Depósito e Oficinas de Fardamentos da Base “com 6 dias de detenção por ter faltado à formatura do recolher do dia 14 do corrente apresentando-se às 6 horas do dia 15…”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal no dia 6 de Maio de 1919, a bordo do navio português “Gil Eanes”, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 10 de Maio. Após a guerra, viria a casar com Isolina Augusta Gonçalves em 11 de Novembro de 1940. Faleceu às 12 horas e 50 minutos do dia 19 de Dezembro de 1940.

7 - José Maria Pereira, Soldado do Regimento de Obuses de Campanha - 4ª Bateria, unidade sediada em Castelo Branco. Nasceu às oito horas da manhã do dia 7 de Maio de 1892 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua Direita, filho de Alfredo Fernandes Pereira e de Ludovina Rosa Gonçalves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na rua Direita, na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 17 de Agosto de 1917.
Já em França, foi promovido a 1º Cabo em 1 de Setembro de 1917. Viria a ser punido no dia 26 de Novembro de 1917 “pelo Comandante da Bateria com 4 dias de detenção por não cumprir uma determinação  de serviço ordenada pelo seu Comandante de bateria”.
Posteriormente, em 8 de Fevereiro de 1918, baixa à ambulância nº 3, sendo evacuado para o Hospital de Sangue no dia seguinte (dia 9). De seguida, volta a ser evacuado, desta vez para o Hospital Canadiano 3 no dia 11 desse mês de Fevereiro. Em 29 de Março de 1918, foi evacuado para o Hospital da Base nº 1.
Em 22 de Abril de 1918, foi julgado incapaz para todo o serviço e foi repatriado. Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal no dia 14 de Maio de 1918, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 17 de Maio.

8 - Mário Teixeira Pinto, Soldado do Regimento de Obuses de Campanha - 5ª Bateria, unidade sediada em Castelo Branco. Nasceu às onze horas da noite do dia 5 de Abril de 1893 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua da Misericórdia, filho de Arthur Napoleão de Mattos Teixeira Pinto, telegrafista, e de Claudina Roza da Silva. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 1 de Janeiro de 1916 com Emília Delfina de Araújo e era morador na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 20 de Agosto de 1917.
Já em França, foi colocado no 6º Grupo de Baterias de Artilharias em 21 de Dezembro de 1917 por ordem do Comando da 2ª Divisão do C.E.P.
Em 10 de Junho de 1918, foi “condenado pelo Tribunal de Guerra do Corpo, na penas de seis meses de Presídio Militar, ou em alternativa, na pena de seis meses de incorporação no Depósito Disciplinar e, em qualquer dos casos, na pena de baixa de Posto. Ordem do Corpo Expedicionário Português nº 158, 22/6/1918”. Em consequência da decisão do Tribunal Militar, segue marcha escoltado até Cherbourg onde dá entrada no dia 28 de Junho de 1918, no Depósito de Adidos do Corpo Expedicionário. Em 2 de Julho de 1918, dá entrada na prisão do acampamento. Em 8 de Julho desse ano, segue marcha até ao Porto de Embarque de Cherbourg, de onde sai a bordo do navio “Pedro Nunes” no dia 16 de Julho de 1918, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 19 de Julho.
Viria a falecer em Luanda (Angola) no dia 14 de Julho de 1971.

9 - António de Melo, Soldado do 3º Grupo Automóvel - Comboio Automóvel. Nasceu às nove horas da noite do dia 31 de Dezembro de 1894 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua Direita, filho de pai incógnito e de Júlia da Glória de Melo. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 26 de Setembro de 1917, tendo chegado ao Porto de Brest no dia 30 do mesmo mês.
Já em França, sabe-se que foi colocado no Serviço de Transporte Automóvel em 1 de Abril de 1918 onde ficou com o nº 961. Foi punido em 21 de Abril de 1918 pelo Comandante do Parque Automóvel “com 2 guardas por ter faltado à 1ª refeição”. Foi novamente punido em 28 de Abril do mesmo ano pelo Comandante do Parque Automóvel com 2 dias de detenção por ter saído do estacionamento sem licença”. Foi novamente punido e 5 de Maio de 1918 pelo Comandante do Parque Automóvel “com 4 dias de detenção por ter faltado à 1ª refeição sem motivo justificado”.
Foi condecorado com a Medalha Comemorativa da Expedição a França segundo consta Ordem de Serviço nº 49 da Secção Automóvel do Quartel General do Corpo Expedicionário de 22 de Fevereiro de 1919.
Em 10 de Junho de 1919, abandona a Secção Automóvel afim de seguir para Cherbourg para o Porto de Embarque com vista a ser repatriado. Embarca com a Secção de Adidos em 5 de Julho no navio inglês “Northwest Miller”, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 19 de Julho desse ano de 1919.
Viria a falecer em 31 de Agosto de 1944, na vila de Melgaço.

10 - Secundino Augusto Calheiros, Soldado da 2ª Companhia do Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro. Nasceu às oito horas da noite do dia 13 de Dezembro de 1892 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), filho de pai incógnito e de Silvana Inocência Calheiros. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Maria Emília Ferreira desde 5 de Dezembro de 1916 era solteiro e era morador em Vila Praia de Âncora, Caminha. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, com destino a França integrado no Corpo Expedicionário Português a 26 de Maio de 1917, em direção ao Porto de Brest.
Já em França, sabe-se que baixou ao Hospital da Base 1 no dia 9 de Abril de 1918, dia da batalha de La Lys. No mesmo Hospital, foi julgado incapaz para todo o serviço por Junta Médica. Teve alta no dia 2 de Maio. Posteriormente, embarca no Porto de Embarque em Cherbourg com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 17 de Maio de 1918.
Viria a falecer em 28 de Maio de 1973 em Vila Praia de Âncora (Caminha).

11 - Joaquim de Egas Afonso, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às sete horas da manhã do dia 15 de Março de 1895 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), filho de Joaquim de Egas Afonso e de Maria José de Sousa e Castro Meleiro. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Melgaço.
Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França, integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho, portador da chapa de identificação nº 49 561.
Já em França, no cenário de guerra, recebeu várias punições por comportamento julgado não adequado em contexto militar em tempo de guerra. Assim, foi punido em 12 de Setembro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção, atendendo ao seu comportamento anterior por haver faltado à instrução que no dia 11 teve lugar das 13 às 17 horas…”.
Novamente, em 2 de Outubro de 1917, foi punido “ pelo Comandante da Companhia com cinco dias de detenção por se ter ausentado ontem da área da companhia sem autorização”. Ainda em Outubro de 1917, mais precisamente no dia 19, foi de novo punido “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional por não ter ido ao trabalho em “Krigs Cross” na manhã de 16 (dia) por declarar estar doente, doença que não foi confirmada em revista de saúde a que foi presente…”. Contudo, os episódios de indisciplina não se ficam por aqui, recendo novamente punição em 18 de Fevereiro de 1918 “pelo Sr. Comandante da 4ª Companhia com 2 guardas por não tratar do arrumo da sua companhia como lhe foi determinado pelo Cabo Chefe do Grupo do seu alojamento…”.
Baixou ao Hospital da Base 1 em 24 de Outubro de 1918, ficando tendo tido alta em 11 de Novembro, ficando ali a fazer serviço. Posteriormente, seguiu para o Quartel General da Base em 2 de Fevereiro de 1919 “por ser dispensado do serviço daquele hospital”. Em 6 de Fevereiro desse mesmo ano, passa a integrar o Batalhão de Infantaria 6, 4ª Companhia.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França), juntamente com o Batalhão de Infantaria 6, com destino a Portugal no dia 15 de Abril de 1919, a bordo do navio inglês “Northwestern Miller”, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 19 de Abril.

Faleceu às 9 horas do dia 15 de Março de 1959, na freguesia de Paranhos, concelho do Porto.