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quinta-feira, 21 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Tomás das Quingostas: herói do povo ou salteador? IV

A partir do Verão de 1835 as coisas aquecem ainda mais...
No Verão de 1835, multiplicaram-se as investidas de Quingostas e da sua quadrilha e as várias tentativas para conseguir o seu desmantelamento revelavam-se infrutíferas, o que ditará uma mudança de estratégia. Em Outubro desse ano, lançou-se um novo plano, que previa a atribuição de um prémio pecuniário a quem o denunciasse e entregasse às autoridades.
No mês seguinte, face ao pendor cada vez mais político assumido por esta organização,foi planeado um ataque, que envolveu alguns batalhões de guardas nacionais, do qual resultou a prisão de vários dos parceiros do guerrilheiro. Aliás, os poderes nacionais tomaram consciência da verdadeira importância desta guerrilha, quando, nesse mesmo mês, Quingostas sitiou a vila de Valadares, arrombou a cadeia e dela retirou José Luís Alves Azevedo, um preso político que tinha sido oficial do exército realista, mais propriamente ex-capitão das ordenanças da freguesia de São Miguel de Valadares.
Segundo testemunhas, praticou este acto “dando vivas ao usurpador e cantando o Hynno Absolutista”. Neste ataque, Quingostas comandava cerca de 40 homens bem armados. As autoridades, nomeadamente as judiciais, mostravam-se atemorizadas com o aumento do número de rebeldes e com a aceitação que estes gozavam em algumas povoações.
Apesar da realização de uma batida e da captura de alguns dos seus sequazes, nomeadamente do famigerado “Branco”, o certo é que Quingostas continuava a monte. O apoio de que desfrutava, optou, mais uma vez, por uma nova estratégia, que assentava na responsabilização das populações. Assim, em Dezembro do mesmo ano, foram afixados editais em todos os concelhos da raia, ordenando que “logo que conste que o chefe dos salteadores, ou alguns de seus sócios he acoutado em qualquer casa, o chefe de família ficará desde logo responsável pelo individuo que agasalhou, e será entregue à authoridade judiciária para o julgar conforme a lei.”
Havia agora a tentativa de responsabilizar como cúmplice quem contactasse com o grupo. No dealbar de 1835, José Manuel Gonçalves, professor, que tinha sido encarregado pelo administrador do concelho de Melgaço de vigiar Quingostas, foi ferido por este em plena feira, na freguesia de Paderne, concelho de Valadares, numa clara demonstração de poder, sob o olhar de várias testemunhas, que nada fizeram para impedir tal atentado nem para socorrer o ferido. Se o carácter político do bando era já uma certeza, também o apoio dos povos das freguesias de Valadares e Melgaço se tinha tornado uma realidade.
Por medo ou concordância, as populações mantinham-se silenciosas e apoiavam o grupo de rebeldes e saqueadores. Na freguesia de S. Paio, à chegada de militares e de representantes do poder administrativo e judicial, os populares afastavam-se, usando sinais para avisar o bando, quando este ali se encontrava, da presença das autoridades.
(CONTINUA...)
Informações extraídas
de:
"ESTEVES, Alexandra
Patrícia Lopes (2010) - Entre o crime e a cadeia: violência e marginalidade no
Alto Minho (1732 - 1870). Tese de Doutoramento, Universidade do Minho, Instituto
de Ciências Sociais.
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tomás das quingostas
Local:
Vila Nova de Gaia, Portugal
terça-feira, 19 de junho de 2012
Ainda a beleza do Peso (Melgaço) pela objetiva de Manoel de Oliveira!
Último trabalho do ator Marcello Mastoianni, que morreu
logo depois das filmagens. Representou já gravemente doente e consciente que o tempo de vida que lhe restava era pouco. Para o seu merecido descanso eterno, leva as memórias de Melgaço. Neste vídeo, pela câmara de Manuel de Oliveira no filme "Viagem ao princípio do mundo" (1997), rodado em parte em Melgaço, na paisagem bucólica do Peso. Sem mais comentários. Deixo-os para os caros leitores, sobretudo para aqueles que nunca viram o filme.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
As águas termais do Peso
Folheto publicitário do início da década de 70 do século passado.
As águas termais do
Peso têm efeitos benéficos o tratamento de diabetes e das suas complicações,
inclusive da retinopatia diabética, estados hipercolesterolémicos, disquinésias
biliares e da pequena insuficiência hepática (Anuário,1963), obesos pletóricos, insuficiência hepática infantil, anemias, gota
e hipertensão arterial (Almeida, 1988), entre outras maleitas.
“A presença do cálcio e do Magnésio, minerais importantíssimos em várias funções do corpo humano, explica, em parte, os seu efeitos benéficos na diabetes, na hiperuricemia (gota) e nas alterações das gorduras do sangue. Os bicarbonatos e o teor moderado do gás carbónico da água de Melgaço são, por sua vez, as causas das melhorias sentidas nas perturbações do aparelho digestivo, mas também do sistema osteoarticular (inflamação, rigidez com ou sem dor das articulações e coluna vertebral) e do aparelho respiratório (rinite, sinusite, faringite, Bronquite crónica), conforme foi comprovado recentemente em Estudo Médico realizado nestas Termas” (Folheto, Unicer, s.d.).
“A presença do cálcio e do Magnésio, minerais importantíssimos em várias funções do corpo humano, explica, em parte, os seu efeitos benéficos na diabetes, na hiperuricemia (gota) e nas alterações das gorduras do sangue. Os bicarbonatos e o teor moderado do gás carbónico da água de Melgaço são, por sua vez, as causas das melhorias sentidas nas perturbações do aparelho digestivo, mas também do sistema osteoarticular (inflamação, rigidez com ou sem dor das articulações e coluna vertebral) e do aparelho respiratório (rinite, sinusite, faringite, Bronquite crónica), conforme foi comprovado recentemente em Estudo Médico realizado nestas Termas” (Folheto, Unicer, s.d.).
As duas nascentes
(Fonte Principal e Fonte Nova ou Galeria Nova), a monumental Buvete, o
Balneário, e a Oficina de Engarrafamento, fazem parte harmoniosa de um Parque
Termal de frondosa e variada vegetação cortado pela ribeira da Bouça Nova.
Monumental buvete (in Acciaiuoli, 1944)
É sem dúvida a Buvete da Fonte Principal o ex-libris das Termas de Melgaço,
obra desenhada pelo Engenheiro Luís Couto dos Santos, terminada em 1915.
Trata-se de um pavilhão monumental da arquitectura do ferro, construído sobre a
captação. De planta quadrada a nível mais baixo do que o solo, para o qual se
desce por 3 largas escadarias para o centro, no qual se encontra a nascente.
Todo este conjunto encontrava-se em obras de recuperação a quando da visita,
num Relatório da UNICER de 27/8 de 2003, surge uma verbal de 2 milhões de euros
dedicados à recuperação das termas, dos quais 250 mil euros eram destinados á
recuperação de buvete.
O Balneário ficou concluído em 1924, mas já no ano anterior funcionara metade
dele, como se depreende do relatório de 1923 citado por Acciaiouli (1944).
Pertence à mesma escola arquitectónica embora sem a monumentalidade da Buvete,
é uma espaçosa construção em 2 corpos laterais a um central de entrada, que
correspondia, quando da construção à divisão por sexos dos tratamentos
balneoterápicos.
A oficina de engarrafamento é uma discreta construção industrial, ao lado da buvete, concluída em 1927.
A oficina de engarrafamento é uma discreta construção industrial, ao lado da buvete, concluída em 1927.
A cerca de 80 metros desta oficina, e no meio da vegetação do parque encontra-se o pavilhão da Fonte Nova, actualmente desactivada, é uma construção da década de 30, um telheiro em arcos abertos para o exterior.
Anexo ao parque do seu lado poente encontra-se a propriedade do Hotel do Peso, construído em vários corpos onde não falta a capela, é actualmente uma nostálgica ruína a lembrar outros tempos em que foram mais frequentadas estas termas.
Francisco da Fonseca
Henriques autor do Aquilégio Medicinal (1726), cita as Caldas do
Convento de Paderne, do qual resta a igreja do século XII. Para Almeida (1988)
estas referências não coincide com as da Quinta do Peso, pois: “… ficavam a
uma distância tal das nascentes do Peso de que não resta duvida que nada tinham
a ver com estas”
As águas do Peso só foram assinaladas em 1884, quando da cura da mulher do médico de Vila Nova Cerveira, que sofria de uma doença de estômago. A fama das águas depressa se espalhou e em 1885 Bonhorst efectuou as primeiras análises, ano em que também foi construída uma oficina de engarrafamento, em madeira, sobre a fonte Principal.
Lopes (1892) descreve essa construção e o projecto de uma nova exploração: “Pensa-se, porém, em constituir uma companhia que lhe desenvolva a exploração. Hoje são em grande número as garrafas transportadas para diversas terras do Minho e principalmente para o Porto, onde existe um depósito especial, bastante afreguesado.”(344)
Em 1889 começou a exportação desta água para as colónias e Brasil.
Nesse mesmo ano um emigrante regressado do Brasil, de nome Guerreiro Ranhadas, natural de Vilar de Mouros, curou com esta água uma doença hepática o que o levou a interessar-se pela exploração das Caldas, construiu um hotel. Depressa a fama das águas espalharam-se por terras minhotas e galegas, atraído a clientela das vizinhas termas galegas Mondariz. (Almeida, 1988).
As águas do Peso só foram assinaladas em 1884, quando da cura da mulher do médico de Vila Nova Cerveira, que sofria de uma doença de estômago. A fama das águas depressa se espalhou e em 1885 Bonhorst efectuou as primeiras análises, ano em que também foi construída uma oficina de engarrafamento, em madeira, sobre a fonte Principal.
Lopes (1892) descreve essa construção e o projecto de uma nova exploração: “Pensa-se, porém, em constituir uma companhia que lhe desenvolva a exploração. Hoje são em grande número as garrafas transportadas para diversas terras do Minho e principalmente para o Porto, onde existe um depósito especial, bastante afreguesado.”(344)
Em 1889 começou a exportação desta água para as colónias e Brasil.
Nesse mesmo ano um emigrante regressado do Brasil, de nome Guerreiro Ranhadas, natural de Vilar de Mouros, curou com esta água uma doença hepática o que o levou a interessar-se pela exploração das Caldas, construiu um hotel. Depressa a fama das águas espalharam-se por terras minhotas e galegas, atraído a clientela das vizinhas termas galegas Mondariz. (Almeida, 1988).
A concessão foi dada em 1893, a favor da sociedade Santos & Sobral e C.ª. Nos relatórios de inspecção do médico Tenreiro Sarzedas em 1902 e 1906, publicados respectivamente em 1903 e 1907, o Médico Inspector relata no primeiro que quando da sua visita: “ cuidava-se ao tempo de instalar de novo a buvete”. Na segunda visita esta buvete tinha sido modificada: “Mudou de um dos lados do pavilhão, em que assentava para o centro deste, em forma apropriada, embelezando consideravelmente a edificação em que assenta, que foi também beneficiada em decoração, pela abertura de quatro escadórios amplos e espaçosos, que no conjunto prestam à instalação a aparência condigna do valor terapêutico das águas”(167). Neste relatório é reproduzida uma fotografia dessa mesma buvete, trata-se de um espaço ao ar livre de planta quadrada onde em cada lado se abre os “escadórios” para um plano mais baixo ao centro da qual se encontra a nascente protegida por um telheiro cónico. O curioso desta fotografia é o espaço definido por esta buvete, o mesmo que anos mais tarde seria coberto pelo monumental pavilhão em ferro terminado em 1915.
Analisadas por Lepierre em 1907 que as classificou de gasocarbonicas, bicarbonatadas mistas ( Cálcica, sódica, magnésia, férrea, litinica, arsenical manganesifera).
Artur Araújo (1912) na sua visita a esta estância como estudante do último ano de medicina da Faculdade do Porto, faz o seguinte comentário sobre a estância:: “ quinta do Peso, onde desde 1885 vem sendo aproveitado o precioso manancial… concluída a nossa visita às modernas instalações, ali mesmo o Dr. Sousa nos quis falar, como director clínico das águas, das suas indicações e dos seus efeitos terapêuticos…”
Mas nada acrescenta sobre o que considerava ser essas “modernas instalações”, numa altura em que a Buvete ainda não estava concluída e faltavam 8 anos para a construção do Balneário.
Em 1920 iniciou-se a construção do balneário terminado em 1924. Ano este em que a exploração das águas de Melgaço passou para a sociedade exploradora das nascentes Vidago & Pedras Salgadas, passando a designar-se Sociedade Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas.
Em 1929 a estância contava com um laboratório de análises clínicas, na década seguinte era seu director o médico e investigador Mark Athias, já então famoso fisiologista, de que Acciaiouli (1941, 183) publicou parte de uma entrevista concedida aquando da sua visita em 1939: “ Por agora podemos afirmar que as águas desta estância dão excelentes resultados nos estados hepáticos e nas formas diabéticas em que a terapêutica hidromineral está indicada. Não pretendemos, continua o mesmo clínico, curar a diabetes nem substituir a insulina por águas minerais, mas afirmamos que os diabéticos beneficiam todos com o uso das águas, inclusive os que não podem prescindir da insulina. A estes continuamos a aconselhar a medicação pela hormona, tentando diminuir as doses diárias o que muitas vezes conseguimos, após um certo número de dias de tratamento hidromineral, havendo alguns que têm mesmo deixado de a usar durante a estadia no Peso”.
Mark Athias deixou uma vasta produção cientifica, com estudos sobre vários
tipos de cancros, da raiva, da sexualidade e da reprodução entre outros, os
seus estudos sobre a aplicação das águas minerais foram feitos no Laboratório
de Melgaço O estudo experimental das águas medicinais nos doentes e nos
animais (1937) e Les etats apasmodiques de la musculature lisse et
crenotherapie, (1930), este último em colaboração com o médicos Cascão de
Anciães, que veio a ser professor na faculdade de Medicina de Lisboa, afastado
da docência por oposição a Salazar em 1946.
Em meados da década de 40 o balneário contava, com: “20 salas para banho de água mineral ou mista, em duas das quais o banho pode ser antecedido ou seguido de duche; em duas outras são aplicados duches subaquáticos e noutros quatro tomam-se banhos carbogasosos. Há ainda, duas salas de duches com sete cabines cada. (Acciaiouli, 1944,IV. 13).
Estas águas foram novamente analisadas por Lepierre em 1933, por Herculano de Carvalho em 1944 e 1963.
No final da década de 80 as termas encontravam bastante deterioradas. A década seguinte é marcada pela passagem da Sociedade Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas para os grupos económico Sousa Cintra e Jerónimo Martins. No final da década a situação não se tinha modificado e Câmara Municipal de Melgaço propões a compra da parte termal da estância a essa sociedade, sobre esta proposta acrescenta Mangorrinha (2002, 198): “Não tendo sido concretizado esta vontade da autarquia local, a empresa proprietária das termas[…], prevê actualmente a criação de um Centro de Diabetologia para curas com internamento, procurando atingir o lugar de «estância termal de diabetes, por excelência»”.
Em 2000 o projecto camarário de renovação do património construído dentro das termas candidata-se ao programa europeu “Projectos integrado turístico estruturante de base regional”. Em 2002 a Sociedade foi adquirida pela Unicer, numa época em que o complexo termal tinha já verbas aprovadas para a sua renovação, mas as obras de renovação foram sempre adiadas, os prazos de candidatura foram prolongados até Junho de 2005. O presidente da autarquia Rui Solheiro em entrevista ao jornal de Viana (6/5/2004), afirmava sobre a situação: “ … escapa à vontade da autarquia que, apesar da constante preocupação e das sucessivas tentativas no sentido de promover e apoiar a sua recuperação, pouco mais pode fazer, já que se trata de um espaço privado, pertencente à empresa, também detentora da exploração da linha de engarrafamento de águas.”
Em Novembro de 2004 a Unicer garantia a conclusão da recuperação da buvete até à abertura da época termal de 2005 (DN-13/11/2004), o que veio a acontecer, espera-se agora que a recuperação dos restantes equipamentos termais se concretize em breve.
Em meados da década de 40 o balneário contava, com: “20 salas para banho de água mineral ou mista, em duas das quais o banho pode ser antecedido ou seguido de duche; em duas outras são aplicados duches subaquáticos e noutros quatro tomam-se banhos carbogasosos. Há ainda, duas salas de duches com sete cabines cada. (Acciaiouli, 1944,IV. 13).
Estas águas foram novamente analisadas por Lepierre em 1933, por Herculano de Carvalho em 1944 e 1963.
No final da década de 80 as termas encontravam bastante deterioradas. A década seguinte é marcada pela passagem da Sociedade Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas para os grupos económico Sousa Cintra e Jerónimo Martins. No final da década a situação não se tinha modificado e Câmara Municipal de Melgaço propões a compra da parte termal da estância a essa sociedade, sobre esta proposta acrescenta Mangorrinha (2002, 198): “Não tendo sido concretizado esta vontade da autarquia local, a empresa proprietária das termas[…], prevê actualmente a criação de um Centro de Diabetologia para curas com internamento, procurando atingir o lugar de «estância termal de diabetes, por excelência»”.
Em 2000 o projecto camarário de renovação do património construído dentro das termas candidata-se ao programa europeu “Projectos integrado turístico estruturante de base regional”. Em 2002 a Sociedade foi adquirida pela Unicer, numa época em que o complexo termal tinha já verbas aprovadas para a sua renovação, mas as obras de renovação foram sempre adiadas, os prazos de candidatura foram prolongados até Junho de 2005. O presidente da autarquia Rui Solheiro em entrevista ao jornal de Viana (6/5/2004), afirmava sobre a situação: “ … escapa à vontade da autarquia que, apesar da constante preocupação e das sucessivas tentativas no sentido de promover e apoiar a sua recuperação, pouco mais pode fazer, já que se trata de um espaço privado, pertencente à empresa, também detentora da exploração da linha de engarrafamento de águas.”
Em Novembro de 2004 a Unicer garantia a conclusão da recuperação da buvete até à abertura da época termal de 2005 (DN-13/11/2004), o que veio a acontecer, espera-se agora que a recuperação dos restantes equipamentos termais se concretize em breve.
Oficina de engarrafamento
Foto, pelas informações que tenho, será da década de 60 do século passdo.
Informações extraídas de:
- http://www.unicer.pt
- www.aguas.ics.ul.pt/viana_peso.html
sábado, 16 de junho de 2012
Tomás das Quingostas: herói do povo ou salteador? III
Em 1835, Tomás das Quingostas volta a Melgaço...
Em Janeiro de 1835, Quingostas regressou ao concelho de Melgaço e, em finais desse mês, levou a cabo um assalto con tra comerciantes galegos.
Na mesma altura, surgiu nova polémica envolvendo, mais uma vez, o provedor de Melgaço, responsabilizado pelo fuzilamento de um preso durante a sua transferência para a cadeia de Valença. As acusações foram lançadas pelo corregedor de Barcelos, com base nas informações transmitidas pelo juiz de fora daquela localidade, que não mantinha boa relação com o provedor. Contudo, a sub-prefeitura de Monção saiu em defesa do provedor e da escolta que acompanhava o preso, considerando que este foi vítima da troca de tiros durante uma emboscada maquinada por Tomás das Quingostas.
Desde cedo, o juiz de fora de Melgaço tinha procurado alertar outros poderes para a perigosidade da quadrilha de Quingostas, aludindo, em Maio de 1835, a “quatro mortes e que nos três dias tem ferido com tiro três pessoas, dous dos quais em perigo de vida, e hum gravemente ferido.”
Para esta autoridade, a força que a quadrilha vinha adquirindo não se devia à inércia das autoridades militares, mas antes ao auxílio prestado pelas populações, o qual, no seu entender, era explicado pelo medo e pelo “espírito revoltoso”.
As actividades criminosas do bando de Quingostas, que estava sedeado na freguesia de S. Paio, concelho de Melgaço, prosseguiam com grande violência. Entretanto, as autoridades tomaram conhecimento de que esta quadrilha estava a aliciar as populações para a realização de ataques contra o governo e a organizar uma guerrilha, seguindo orientações provindas de Espanha, o que significava a união com os guerrilheiros carlistas.
Tinham, igualmente, a noção de que o número de seguidores de Quingostas tinha aumentado através da inclusão de elementos espanhóis.
Em Julho de 1835, um soldado do destacamento militar foi esfaqueado por Tomás das Quingostas.
Nessa data, a sua quadrilha era constituída por mais de 12 homens e movimentava-se entre os concelhos de Melgaço e Valadares, contando com a conivência das populações locais, às quais os bandidos solicitavam, através de carta, dinheiro e comida.
Entretanto, avolumavam-se os argumentos que procuravam alicerçar a força da “gavilha” na “frouxidão das autoridades locais, de Melgaço e Valadares e dos seus empregados.”
Comentava-se que a circulação de Quingostas e dos seus seguidores era facilitada pela protecção de que usufruíam por parte de algumas autoridades, nomeadamente do administrador do concelho de Valadares, tido como afecto ao miguelismo. Em Janeiro de 1836, o provedor do concelho de Melgaço recorreu à expressão “um Boi só não leva o carro” para reforçar a ideia de que, na região, era a única autoridade que se empenhava no combate às acções terroristas de Quingostas.
Aliás, o presidente da câmara municipal desta localidade era João de Sousa Azevedo Sotomaior, miguelista convicto, conhecido por dar asilo a salteadores, em particular ao “guerrilheiro Coutinho”, que residia habitualmente na sua casa, e João de Araújo, vereador daquela municipalidade, que fora capitão-mor, nomeado por D. Miguel. Aires da Rocha e Manuel José Barbeitas, que também faziam parte da referida câmara, tinham sido capitães das ordenanças, responsáveis pela perseguição aos liberais da região.
(CONTINUA...)
Informações extraídas de:
"ESTEVES, Alexandra Patrícia Lopes (2010) - Entre o crime e a cadeia:
violência e marginalidade no Alto Minho (1732 - 1870). Tese de Doutoramento,
Universidade do Minho, Instituto de Ciências Sociais.
Saudações...
Este novo espaço pretende ser um instrumento de divulgação de tudo aquilo que diz respeito a Melgaço e a nós, melgacenses.
Sou um melgacense de S. Paio e tal como eu muitos de vós tiveram que abandonar a terra pelas mais variadas razões mas todos nós deixamos lá o coração e mais do que nunca achamos esta terra uma beleza.
Por isso, é também um olhar de fora para este concelho que tem perdido nas últimas décadas o que têm de melhor, as suas gentes. Uma Terra onde o sossego dos Invernos é quase fantasmagórica e contrasta com a fugaz e alegre confusão de Verão. Quando se aproxima o fim de Agosto, volta a ser inundada de uma melancolia que resiste até ao próximo Verão
De onde vimos? É uma pergunta que cuja resposta é complicada mas ajuda a perceber aquilo que somos. De que massa é que somos feitos...
Veremos o que sai daqui. Deste espaço...
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