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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Histórias da RODA de Melgaço - séc. XVIII e XIX (parte III)


Não se tem conhecimento, nos registos da RODA de Melgaço, na época em causa, de nenhuma exposição que tivesse sido efectuada em locais completamente isolados ou de fraca acessibilidade. A terem acontecido, estes casos não deixariam de configurar um cenário de infanticídio. Poderia ser esse o caso de quem expôs uma menina na freguesia de Cristóval, concelho de Melgaço, no dia 26 de Agosto de 1862, tendo-a deixado debaixo de uma figueira, sobre um roço de silvas, a qual foi achada na madrugada desse dia, «quasi expirando por estar chovendo e sem agasalho». Esta menina estava «embrulhada em dois panos velhos de algodão que são inúteis e sem préstimo», assim como por um pequeno enxoval, constituído por uma camisa d’elefante e uma outra com as mangas sem pregar. Todavia, o facto de estar acompanhada por um pequeno enxoval, como vinha descrito no seu registo, afasta a hipótese de se tratar de uma forma de infanticídio deliberado, antes de uma negligência grosseira de quem se encarregou de a expor. Estes crimes seriam passíveis de punição, se fossem conhecidos e identificados os seus autores.

Este tipo de situações não passaram de casos isolados, como actos negligentes que terão sido gerados em contextos de extrema miséria ou em consequência de situações de desespero, estados de loucura ou irresponsabilidade dos condutores. Contudo, estes actos não terão passado despercebidos a uma sociedade atenta, sempre pronta a agir em favor dos mais carenciados. Essa intervenção poderia acontecer no momento do parto, ajudando as parturientes e expondo as crianças nas Rodas/Hospícios ou em locais onde pudessem ser recolhidas e tratadas.

Informações recolhidas em:

- PONTE, Teodoro Afonso (2004) - No limiar da honra e da pobreza - A infância desvalida e abandonada no Alto Minho (1698 - 1924). Tese de doutoramento; Universidade do Minho, Braga.

sábado, 25 de agosto de 2012

MELGACENSES PARA A HISTÓRIA: Inácio Soares (jesuíta, nascido em Prado em 1712)

 
A inovação da introdução das matemáticas nos estudos filosóficos foi louvada por Inácio Soares (Prado, Melgaço, 1712 – Ruffinella, 12.10.1783). Este jesuíta entrou para a Companhia de Jesus em Coimbra a 20.3.1729, onde fez o noviciado e os estudos de Retórica (1731-1732), Filosofia (1732-1736), Matemática (1739-1741) e Teologia (1741-1745). Após ensinar Latim nos Colégios de Braga (1736-1738) e Portimão (1745-1746), foi prefeito dos estudos e lente de Teologia Moral no Colégio de Santarém. De 1751 a 1754 deu, em Braga, um curso de filosofia que ficou célebre quer pela orientação ecléctica quer pelo esplendor dos seus actos académicos e pela actualidade dos assuntos tratados. A GAZETA DE LISBOA (ano de 1754. pp. 191-192) referia-se nestes termos ao curso dado por Inácio Soares: As conclusões foram dedicadas a suas Magestades Fidelíssimas e a suas Altezas, e incluíam toda a Filosofia eclética, racional, natural e moral, ou da eleição das doutrinas de todos os autores antigos e modernos, assim filósofos como matemáticos, com maior vastidão que até agora se tem visto. Posteriormente, encontrando-se no Colégio de Jesus, onde ensinava Teologia Moral, Inácio Soares começou a dar mostras de desarranjo mental, facto que levou ao seu afastamento do ensino. Sebastião José de Carvalho, julgando-o ofendido e queixoso dos superiores, mandou chamá-lo a Lisboa. A atitude de Inácio Soares, ao afirmar perante o cardeal reformador Saldanha e Sebastião José de Carvalho, que iriam parar ao inferno se não desistissem da perseguição aos jesuítas, levou-o a oito anos e meio de prisão, na Junqueira e S. Julião da Barra. Foi preso em 11.1.1759, tendo sido depois exilado, foi para Itália a 6.9.1767. Das suas lições ficaram uma postila de Lógica, e a PHILOSOPHIAM UNIVERSAM ECLECTICAM, EX CUNCTIS PHILOSOPHORUM SECTIS METHODICE SELECTAM AC CONCINNATAM, defendida por António Neto da Fonseca (Coimbra 1754).

 
Extraído de:

htpp://nautilus.fis.uc.pt

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Castro Laboreiro (Melgaço): a Noruega de Portugal (1791)

Castro Laboreiro em 1911


Castro Laboreiro, 26 de Setembro de 1791

"Escrevi (…) da Vila dos Arcos, agora faço-o de Castro Laboreiro (…).Que serras fragosíssimas; que caminhos, que desfiladeiros! O Lugar onde estou actualmente é a Noruega de Portugal: não se vêem senão rochas escarpadas e medonhas; árvores de frutos nem uma só; e até as outras são muito raras: não há milho, nem trigo nem hortaliça de casta alguma; apenas o grão do centeio.

Que lhe hei-de dizer da gente? Estão na sua primitiva simplicidade, sem que o luxo tenha feito aqui a mais leve alteração: homens, e mulheres com o seu respectivo uniforme, do qual nenhum se afasta.
Não há coisa mais feia que o (uniforme) do sexo feminino: uma manta de Saragoça dobrada na cabeça descendo da parte de diante até ao peito, muito cosida com o rosto, sendo que por traz chega quase até ao chão; um avental do mesmo tecido (…), polainas de pano branco, e uns tamancos muito altos, atados com diferentes correias; é assim o vestido geral de todas. As caras são de tapuias tostadas e disformes, contudo sabem os Mistérios da nossa Santa Religião; amam as coisas de Deus, e não me consta que haja no lugar escândalos grosseiros.
Ficaram contentíssimos de me ver na sua terra, aonde não ia nenhum prelado há cerca de um século; e desde que cheguei, sempre a igreja tem estado cheia de povo.
Queria dizer-lhe mais, pois há muito para contar; mas falta o tempo.»


Esta carta, escrita por Dom Frei Caetano Brandão, Arcebispo de Braga de 1790 a 1805, a quem Camilo Castelo Branco designou como «O mais glorioso vulto das cristandades lusitanas.» expressa o espanto e o assombramento com que o mencionado Arcebispo encarou Castro Laboreiro aquando da sua viagem em 1791 (portanto no Reinado de Dona Maria I -24/02/1777 a 20/03/1816).É desde logo curiosa a comparação que faz quando diz que «o Lugar onde estou actualmente é a Noruega de Portugal».

Também é interessante a descrição que faz sobre a indumentária (uniforme) das mulheres referindo-se à tradicional capa como sendo «(…) uma manta de Saragoça (…)», aos “calçons” como «(…) polainas de pano branco(…)» e aos “soques” como «(…) uns tamancos muito altos (…)atados com diferentes correias».

Depois passa para uma descrição da cara dos Castrejos utilizando uma comparação nada abonatória para os nossos longínquos antepassados. Diz ele que parecem «(…) tapuias tostadas e disformes (…)». Ora os tapuias eram, e ainda são, um grupo indígena que habita o noroeste do estado brasileiro de Goiás, que o Dom Frei Caetano conhecia por ter sido entre 1782 e 1790 Bispo de Belém do Pará. Claro que para um indivíduo habituado às peles lustrosas que frequentavam (como ainda frequentam) as cortes e os Paços episcopais, aquela pobre e sofrida gente que mourejava dia a dia sob as inclemências do clima da montanha com as consequências que daí advém para a pele do rosto, pareciam «tapuias disformes».

Apesar desta comparação nada feliz para os nativos de Castro Laboreiro, tem que ser dado o mérito ao Dom Frei Caetano de lá ter ido, pois isso revela-nos uma preocupação, pelo menos, com o bem estar espiritual daquelas pessoas, tanto que diz ele àquela terra «(…) não ia nenhum prelado há cerca de um século (…), embora não «(…) haja no lugar escândalos grosseiros» (presumo que o nosso Arcebispo se quis referir a incestos, concubinatos e escândalos do género).

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[Transcrição em português actual da Carta de Dom Frei Caetano Brandão in AMARAL, António Caetano de. Memórias para a história da vida do venerável D. Frei Caetano Brandão. 2 vols. Lisboa, Na Impressão Régia, 1818. 2ª ed. Braga, Typografia dos Orphãos 1867, extracto publicado por Alice Duarte Geraldes in Brandas e Inverneiras – particularidades do sistema agro-pastoril crastejo, Cadernos Juríz Xurês n.º 2, 1996, págs. 13 e 14.]
Fonte: Blogue "Longe de Castro Laboreiro"

sábado, 4 de agosto de 2012

PADERNE (1720) - É elaborado o "Costumeiro" que regula o pagamento do dízimo ao Prior


Em 15 de Dezembro de 1720 regista-se a intervenção de um ‘examinador sinodal’ do Arcebispado de Braga chamado a Paderne para resolver ‘os pleitos’ entre o Mosteiro (na altura também paroquial) e os habitantes da freguesia. Decidindo pela elaboração de um ‘costumeiro’, aquela autoridade eclesiástica fixou um conjunto de direitos e obrigações sem por em causa o poder do D. Prior (ou Reverendo Pároco). Assim se regulou o pagamento dos dízimos: “De todo o pão, ou seja milho grande ou pequeno, trigo ou centeio, se costuma pagar de dez alqueires um, a saber: nove para o lavrador ou senhor e um para o Mosteiro ou rendeiro que arrenda pela mesma medida e da mesma sorte que medem os que lhe ficam se há de medir e mede o dízimo. De cada dez cabaços de vinho dão um de dízimo na forma sobredita. De dez castanhas se paga também dízimo nesta mesma forma. De feijões não pagam o dízimo pelos haver nesta freguesia há pouco tempo, e até ao presente não serem compelidos a isso ou o dissimularem. De frangos pagam um de dízimo quer tenham muitos quer poucos cada ano e um só que tenham o darão de dízimo. E que de cada vaca que tiverem parida pagarão dois vinténs de dízimo, e de animais de casa e horta oito réis, e de porco, de cada um que lhes nascerem, ainda que seja de uma só, lhes dá de dízimo de cada um bácoro, quinze réis não querendo dar de dez um, porque é à escolha do senhor deles” . Os fregueses, ‘sendo casados’ eram ainda obrigados a pagar “meio alqueire de pão, cada ano, de obrada e sendo viúvo ou solteiro pagará um quarto de pão e na mesma forma todos os mais sem diversidade de estado ou pessoa sendo morador na freguesia”; “falecendo algum casado ou viúvo, sendo rico pagará ao Reverendo Pároco de obradação três alqueires de pão, três cabaços de vinho, duas broas ou alqueire de pão, duzentos réis de carne, um carneiro ou quatrocentos réis, duzentos réis de esmola, um vintém de missa cantada, quatro palmos de fieira ou trinta réis, uma obrada no primeiro domingo que valha cinquenta réis ou o dinheiro; isto acima se entende pelo dia de corpo presente e primeiro o ofício, e pelo segundo e terceiro ofício tem o Reverendo Pároco em cada um deles duzentos réis de esmola, duzentos réis de carne e um vintém de missa cantada, quatro palmos de fieira ou trinta réis”. Se o falecido não fosse rico, tinha o Reverendo Pároco “de obradação no corpo presente dois alqueires de pão, dois cabaços de vinho e tudo o mais pelo modo acima, tanto em o primeiro e segundo e terceiro ofício” . No ‘costumeiro’ considerava-se “que os ricos são os que não compram pão, e os pobres são os que o compram”. Tal entendimento fazia com que a base social da tributação fosse muito alargada, pois, é crível que, na época, quase todos os agregados produzissem pão nos fornos a lenha existentes nas suas cozinhas. Havia ainda uma série de outros pagamentos: na morte de filhos, nos “nocturnos por defuntos mandados fazer voluntariamente” , nos baptizados, para os sermões das festas e missas cantadas, para a iluminação da lâmpada do Senhor, etc. A freguesia era ainda obrigada “a consertar as campas da Igreja”, a “varrer a Igreja todos os sábados” e a “encher as pias de água para se benzer, limpar o adro quando for necessário e concertá-lo quando houver missa”. Ao Mosteiro competia-lhe “fabricar e ter sempre preparados dois altares em o corpo da Igreja para os sacerdotes dizerem missa, e fabricar o altar de Nossa Senhora e o altar de Santo Cristo e tudo o mais que por razão do seu Mosteiro devem fabricar, sem que para isso contribua a freguesia em coisa alguma”.

O ‘costumeiro’ pretendeu regular as relações entre o Mosteiro como paróquia e os fregueses ou paroquianos no sentido “de não fomentar discórdias para o futuro que se pudessem suscitar entre o povo e religião que poderia nascer como tinha nascido por diversos arbítrios e inteligências dos Reverendos Dom Priores a seus súbditos”. Esta observação, redigida em 12 de Fevereiro de 1756 pelo Bacharel Pe. Miguel Gomes de Abreu, deixa subentender terem existindo episódios de contestação por parte habitantes da freguesia. Segundo o estudo de Célia Maria Taborda da Silva sobre o Mosteiro de Ganfei, os indicadores de produção e preços dos cereais revelam no período 1701-1710 “uma tendência dos preços para a alta, o que nos leva a supor que terá sido um período de baixa de produção e dificuldades generalizadas em todo o Alto Minho, que é em parte consequência das condições adversas do princípio do século”. No período 1711-1719, ocorreu “uma baixa bem demarcada, em que os preços descem cerca de 37,5% em relação a 1710. Esta fase corresponderia, portanto, a uma recuperação da produção da zona, que é igualmente evidenciada em Ganfei”. O ‘costumeiro’ de 1720 foi, assim, celebrado logo a seguir a uma época de boas colheitas de modo a ser melhor aceite pelos habitantes da freguesia depois de um período de tensões que se teriam verificado nos dez primeiros anos do séc. XVIII.

Informações recolhidas de:

- http://acer-pt.org/vmdacer/

terça-feira, 31 de julho de 2012

Principais pontes em Melgaço no séc. XVIII (segundo as memórias paroquiais de 1758)


As principais pontes localizam-se pois no rio de Mouro, na área do concelho de Melgaço. A ponte da Estadela (Memória de Parada do Monte) e a ponte da Minhoteira, que antes era de pau e há poucos anos de cantaria (Memória de Parada do Monte). Sobre o rio Mourilhão, a ponte de Mourilhão e outra no sítio ficando em Parada do Monte (Memória de Parada do Monte). Sobre o rio que nasce no sítio das Regadas, afluente do Mourilhão, em Parada do Monte, a ponte do Porto do Rio (de cantaria) e outras de pedra tosca, do Borrageiro, da Cerdeira, de São Marcos (Memória de Parada do Rio). Estas pontes de pedra, porque outras são ainda de pequenos pontilhões de padieiros de pedra e de madeira, de mais pequeno porte e curso, que atravessa o rio Mouro – designadamente a ponte de pau para passar entre a freguesia de Cousso e a freguesia da Gávea. No rio de Castro Laboreiro 3 pontes de cantaria: a do Rodeiro, a Ponte Pedrinha (junto a Castro), e a da Assureira. E também nos seus afluentes: sobre o rio Campelo, uma ponte de pau (no sitio de Porto Campelo), e uma de cantaria no sitio de Varziela; no rio da Ponte das Veigas, a ponte de cantaria no sitio das Veigas e no rio Barreiro, a ponte de cantaria no sitio de S. Brás (Memória de Castro Laboreiro).

Informações recolhidas em:
- CAPELA, José Viriato (2005) - As freguesias do Distrito de Viana do Castelo nas Memórias Paroquiais de 1758. Alto Minho: Memória, História e Património Casa Museu de Monção/Universidade do Minho.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O aproveitamento dos rios e ribeiros de Melgaço segundo as Memórias Paroquiais de 1758


No território do concelho de Melgaço, é naturalmente o rio Minho que faz figura principal. Nele confrontam muitas das freguesias do concelho e relativamente a ele se orienta, em declive, o território concelhio, para ele fazendo confluir muitos rios e ribeiros que aí nascem e se desenvolvem. Por ele se delimita o território português do galego e se desenvolvem muitas relações sociais e comerciais. Por ele se articulam as terras do concelho melgacense do interior do território ao litoral marítimo e à foz em Caminha. A desenvolver-se numa grande secção no termo concelhio, o mais importante curso de água é o do Rio de Mouro, que pertence também ao concelho de Monção e por cuja bacia hidrográfica se fazem, aliás, os limites de ambos os concelhos. Tem seu princípio no sítio da Portela do Lagarto, freguesia de Lamas de Mouro e vem ao fim de 2 léguas a lançar-se no rio Minho de que é afluente importante no sítio da Ponte de Mouro (Memória de Cousso, Cubalhão). Diz-se rio caudaloso – com enchentes no Inverno –, que corre todo o ano, ainda que sem qualquer navegação, porque de grande declive e correndo frequentes vezes entre fortes penedias (Memória de Ceivães). É no final o resultado de algumas importantes confluências: a do rio Mourilhão, que nasce nos limites da freguesia de Parada do Monte e se junta ao rio de Mouro junto à ponte de Estadela. É também relativamente caudaloso e de «curso arrebatado» por correr entre penedias e fragões (Memória de Parada do Monte) e outros ribeiros, designadamente os que tem princípio na serra de Parte Aguas e serra de Buzenlhe (Memória de Lamas de Mouro). O rio do Porto nasce no sítio da Espartanga (Memória de Parada do Monte). Em Roussas diz-se nascer um regato no sítio de Pumadelo (Memória de Roussas) e em S. Paio de Melgaço faz-se referência à corga e rio de Montirigo e rio [Lantes] (Memória de S. Paio de Melgaço).
Em Crasto Laboreiro nasce o rio de Castro Laboreiro, ao qual se juntam o rio de Campelo, o rio de Ponte das Veigas e o rio de Barreiro. Corre o Crasto Laboreiro para o Soajo, acabando no rio Tibo do Soajo (Memória de Casto Laboreiro). A pescaria do rio Mouro é em especial de trutas, frequentes da Gávea para cima; para baixo pesca-se também bogas e enguias (Memória de Parada do Monte). Neste como nos demais ribeiros e riachos a pescaria é livre, também de um modo geral é livre o acesso às águas. Nalguns casos andam repartidas e separadas entre os moinhos e os campos, num regime geral com muitas aplicações por todo o lado, tal como vai referido pelo memorialista de Remoães: «as aguas das ribeiras andam partidas desde o dia 18 de Julho até o dia 8 de Setembro (…) e neste tempo correm de noite para os ribeiros para moerem os moinhos, excepto à noite dos Sábados que se tem determinada para as terras que não tem quinhão de agua» (Memória de Remõaes, Melgaço).



Informações recolhidas em:
- CAPELA, José Viriato (2005) - As freguesias do Distrito de Viana do Castelo nas Memórias Paroquiais de 1758. Alto Minho: Memória, História e Património Casa Museu de Monção/Universidade do Minho.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O Santuário de Santa Rita (Roussas)

 Santurário de Santa Rita 
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Trata-se de uma capela com planta longitudinal composta por nave, integrando ao centro da frontaria torre sineira quadrada, e capela-mor, mais estreita e da mesma altura, tendo adossado à fachada lateral esquerda sacristia rectangular. Volumes escalonados com coberturas homogénas em telhados de duas águas na nave e capela-mor e de uma na sacristia. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento e cunhais apilastrados.

Dos registos históricos, sabe-se que nos finais do Séc. XVII ou início do séc.XVIII, a capela de São Paio, inicialmente construída um pouco acima do lugar de Lobiô, estava arruinada. Os visitadores eclesiásticos, repetidas vezes, apelaram para a sua construção nos limites da aldeia de Lobiô.

Em 1738, dá-se a reconstrução da capela, num dos lugares da aldeia de Vilela, na Eira ou Estremadouro, ficando desviada do primitivo local 2 Km, sendo abade da freguesia o Reverendo Manuel da Cunha Lira. O Cabido da Sé de Braga deu a comissão ao abade de Lira de benzer a capela e dizer a primeira missa. Em 1740, os fregueses doaram uma coutada, no termo de Fiães, conhecida por Candosa, para a construção da capela. Neste mesmo ano, o abade de Lira emprazou a tapada a João (?) Domingues do Sobral, João Domingues e Rafael Domingues, ambos dos Perzes, e a Sebastião Alves, de Telheiro, por 1$300, pagos anualmente no dia de São Miguel. Sabe-se também que em 1755, a 20 Julho, por escritura, o Pe. Manuel António Pinheiro, de Figueiroa, impôs na Confraria das Almas de Rouças uma capela de 4 missas anuais, das quais uma seria cantada a 2 de Maio, dia de Santa Rita, e assistida por 4 padres, uma cantada, outra rezada na mesma capela de Santa Rita a 26 Junho, no dia de São Paio, o seu patrono. Em 1758, segundo o relato do padre Cleto José de Azevedo Sotomaior, nas Memórias Paroquiais, a capela era uma das quatro existentes na freguesia, sendo dedicado a São Paio e Santa Rita e ficava fora do lugar e pertencia à Igreja.




Informações recolhidas em:

-  ESTEVES, Augusto César, Obras completas nas páginas do Notícias de Melgaço, vol. 1, tomo 2, Melgaço, 2003.

- www.monumentos.pt


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Igreja Paroquial de Remoães (Melgaço)




Estamos perante arquitectura religiosa, seiscentista e setecentista. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, interiormente com iluminação axial e bilateral. Fachadas rebocadas e pintadas, a principal terminada em empena, e rasgada por portal em arco abatido, com moldura terminada em cornija e chave relevada, encimada por cartela, e janela do mesmo perfil e formando brincos rectos. Fachadas laterais rasgadas por janelas iguais à da frontaria e, na lateral esquerda, por porta travessa do mesmo perfil; a posterior termina em empena.





Trata-se de uma igreja com planta longitudinal composta de nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, tendo adossado à fachada lateral esquerda campanário rectangular e sacristia rectangular. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja e de três na sacristia. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento de cantaria, pilastras toscanas nos cunhais, coroadas por fogaréus sobre plintos paralelepipédicos, e terminadas em friso e cornija, sobreposta por beirada simples. Fachada principal virada a O., terminada em empena, rematada por cruz latina de braços quadrangulares rematados em ponta, sobre acrotério; é rasgado por portal em arco abatido, de moldura levemente recortada lateralmente e terminada em cornija, com chave saliente, encimada por cartela oval lisa, e por janela de verga abatida com moldura formando brincos rectos e terminada em cornija.



Campanário sensivelmente recuada, de dois registos, separados por friso e cornija, o primeiro cego e o segundo rasgado por vão em arco de volta perfeita sobre pilastras, albergando sino, e terminada em cornija recta. Fachadas laterais rasgadas na nave e capela-mor por uma janela de verga abatida com moldura formando brincos rectos e terminada em cornija, abrindo-se ainda na lateral esquerda porta travessa igual à da frontaria e porta de verga recta sobrelevada de acesso ao coro-alto, precedida por escadas de pedra que conduzem também à sineira, onde forma balcão, protegida por guarda em ferro; neste mesmo lado, a sacristia é rasgada por porta de verga recta, de moldura simples. Sobre o cunhal frontal na fachada lateral direita, surge ainda relógio de sol, circular. Fachada posterior da capela-mor terminada em empena, coroada por cruz latina de braços quadrangulares e remate apontado sobre acrotério, e a sacristia terminada em empena recta, rasgada por janela de capialço jacente.



Junto à fachada lateral esquerda ergue-se o cruzeiro paroquial, composto por plataforma de planta quadrangular formada por dois degraus, plinto paralelepipédico, com a face frontal almofadada, decorada por almofada rectangular relevada e as faces laterais e posterior lisas, sendo a lateral direita inscrita com a data de 1729; possui orifício para encaixe da cruz, de braços quadrangulares, tendo a face frontal percorrida por filete, e tendo remate saliente, formando falsa cartela.





Percorrendo os registos históricos...

- O ano de 1622 corresponde à data do primeiro registo de baptismos e de óbitos documentado;

- 1623 corresponde à data do primeiro registo de casamentos documentado;

- 1729 é a data inscrita no cruzeiro paroquial existente no adro; 

- 1755, 1 Novembro - não sofreu danos de maior durante o violento terramoto;

- 1758, 13 Maio - segundo o padre Gregório Salgado nas Memórias Paroquiais, a freguesia pertencia ao termo de Melgaço, comarca de Valença, arcebispado de Braga e, no secular, era da comarca de Barcelos, da Casa de Bragança; tinha 25 fogos inteiros e 25 meios fogos, 147 pessoas maiores e 11 menores; a igreja, com orago de São João Baptista, ficava no meio do lugar e não tinha naves; tinha o altar-mor com as imagens da Senhora do Rosário, São Miguel e o padroeiro São João Baptista, o altar colateral do Evangelho com a imagem da Senhora da Purificação e São Domingos, e o colateral da Epístola com as imagens de Nossa senhora e Santo António; o pároco era vigário perpétuo ad nutum apresentado pelo abade de São Paio de Melgaço, tendo de rendimento 20 alqueires de pão, 2 alqueires de trigo, 12 potes de vinho e 80 em dinheiro; os fogos inteiros pagavam meio alqueire de pão e um pote de vinho e os meios fogos pagavam um quarto de pão e meio pote de vinho; nesta época existia na freguesia um barco de duas dornas para passar as pessoas de uma margem para a outra no rio Minho;

- séc. XVIII, 2ª metade é a época provável da abertura dos vãos das fachadas.



Informações recolhidas em:

 - http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=15248;

- CAPELA, José Viriato, As freguesias do distrito de Viana do Castelo nas Memórias Paroquiais de 1758, Braga, Casa Museu de Monção / Universidade do Minho, 2005.

sábado, 7 de julho de 2012

Melgacenses para a História: Jerónimo José Nogueira de Andrade (militar e inventor)

Jerônimo José Nogueira de Andrade, nasceu em Melgaço em 1748. Era filho de Francisco Daniel Nogueira, médico do exército e de D.Mariana Josefa Veloso de Campos Andrade. Teve uma educação católica e foi casado com D.Caetana Gregória Nogueira de Carvalho, Assentou praça em soldado no Regimento de Artilharia do Porto em 1 de Janeiro de 1779, sendo sucessivamente 2º Tenente de Bombardeiros do Regimento de artilharia da Marinha em 21 de Janeiro de 1779, prestando serviço na Capitania de Moçambique, Capitão em 4 de Março de 1782, prestando serviço na Capitania de Moçambique, Sargento-Mor do Regimento de Artilharia da Marinha em 13 de Dezembro de 1791, Tenente-Coronel do Regimento de Artilharia do Algarve em 7 de Novembro de 1797, Coronel do Regimento de Artilharia do Alentejo (Estremoz) em 17 de Dezembro de 1799 e Brigadeiro em 14 de Fevereiro de 1803, sendo Comandante das tropas e Inspector Geral das Fortificações da Capitania do Pará.

Enquanto Tenente-Coronel, em 17 de Novembro de 1795, fez parte de um Conselho de Guerra em que foi presidente. Foi aluno da Academia Militar do Rio de Janeiro e de 1782 a 1784 (?) foi Secretário do Governo de Moçambique "por concorrerem nele todas as necessárias circunstâncias para o dito ministério..." segundo provisão de Saldanha de Albuquerque de 11 de Março de 1783, na altura Capitão-General de Moçambique, e de cujas idéias Nogueira de Andrade foi entusiástico defensor.

Em 1790, cumpridas as missões de Inspecção Geral das Fortificações de Moçambique, Nogueira de Andrade regressa a Portugal e em 1791 mora na Quinta da Mineira, Estrada do Convento de São Cornélio ao Poço do Bispo.

Homem do seu tempo, não podia deixar de participar de uma mentalidade racionalista e de uma filosofia das luzes, unindo à inspiração humanista, uma ideologia do desenvolvimento. Nesta altura, a Maçonaria, institiução que vinha na linha das grandes Academias estrangeiras do séc. XVIII, provavelmente num desígnio unificador da Europa, forma uma rede que cobre todo o território europeu, incluindo Portugal. Congregando a "intelligenzia" e os nomes mais prestigiados da aristocracia e da alta burguesia, não era fácil para todos os que exerciam funções relevantes em qualquer área do saber, não aderirem ao seu fascínio. E Jerônimo José, não fugiu à regra. Foi iniciado na Maçonaria em 1790, talvez em Setembro, numa Loja situada em Marvila, proposto por José Joaquim da Costa, mas em 5 de Dezembro de 1791 acusado da prática de maçonaria, denunciou-se à Inquisição bem como a outros Irmãos.


Documento manuscrito lavrado por Jerónimo de Andrade dirigido à Inquisição onde se denuncia

Jerônimo José Nogueira de Andrade é conhecido como autor da obra intitulada "Descripção do estado em que ficarão os negócios da Capitania de Mossambique nos fins de Novembro de 1789, com algumas observaçoens, e reflexoens sobre os mesmos negócios, e sobre as cauzas da decadência do Commercio, e dos Estabelecimentos Portuguezes na Costa Oriental d'Africa escriptos no anno de 1790", publicada no Investigador Portuguez em 1815 e no Arquivo das Colônias em 1917. O exemplar original, encontra-se manuscrito na Biblioteca Nacional, Divisão dos Reservados, com a cota (COD 808), Trata-se de um extenso relatório, minucioso, bem elaborado, primorosamente ilustrado com 10 desenhos aguarelados de modelos de uniformes militares e dois planos cartográficos, um da Barra da Ilha de Moçambique e outro dos quartéis da fortaleza da mesma Ilha.

É de facto um importante trabalho que merece, a nosso ver, uma consideração toda especial no campo da história colonial portuguesa. Todo o seu discurso revela uma profunda lucidez e espírito crítico que não esconde, quando censura as "podres" "e mal começadas" estruturas das fortalezas, os prejuízos de uma má administração "do cabedal" da Fazenda Pública, chegando mesmo a declarar, em relação ao Porto da Baía de Lourenço Marques, que "tiido quanto ali existe nada presta". Quanto ao Comércio, afirma que está na mão dos estrangeiros e aconselha o Rei a tomar providências no sentido de tirar benefícios do investimento que fez, mandando para Ia pessoal qualificado e meios materiais. Critica a má qualidade e a baixa condição dos homens brancos degradados que são enviados para Moçambique que cuidam logo em promover-se a grandes senhores com "pomposos ti'tijlos" e da mesma maneira a "incrível preguiça" dos negros. Faz também ásperas censuras ao Governador João Pereira da Silva Barba.

Diz Fritz Hoppe, na sua obra "A África Oriental Portuguesa no tempo do Marquês de Pombal": "A importância fundamental da memória de Nogueira de Andrade reside no facto de ele recusar ao Governo Central e à Administração da índia Portuguesa o direito de darem instruções de caracter obrigatório para o Comércio da África Oriental Portuguesa, uma vez que eram deficientes os seus conhecimentos das relações e necessidades comerciais locais leste-africanas."

A sua meticulosidade descritiva é tão grande e tão viva que em notas de roda pé, faz observações e explica o significado da terminologia indígena que aqui ou ali se utiliza. Interessa-se por relatar coma maior frontalidade, espada desembainhada e preocupada exactidão dos factos a alta corrupção da administração pública, a precaridade da situação social, econômica, judicial, religiosa e militar, sempre numa intenção de crítica construtiva, apresentando, por isso, pareceres e propostas de solução para corrigir o que, na sua óptica, estava errado.

Mas para além desta obra. Nogueira de Andrade é também autor do 'Trojecto de huma nova arma Portugueza. Anno de 1796.

Por Jerônimo Joze Nogueira d'Andrade Sargento Maior do Regimento de Artilharia da Marinha".

Este manuscrito, com a cota COD 7665, da Biblioteca Nacional, Divisão dos Reservados, caracterizado pela meticulosidade habitual do seu autor, descreve a construção de uma arma balística denominada "foguete incendiário". Ele próprio diz na "Prefação" "Proponho-me a descrever a construção a fábrica, e o úzo de huma arma Portugueza totalmente nova, e sendo Eu o primeiro, que me tenho lembrado depor em pratica o úzo dos Foguetes arremeçados pellas armas de fogo, sôu por isso mesmo o Inventor desta nova arma, e o Creador de todos os instrumentos que positivamente imaginei e mandei formar para a sua fábrica" e mais adiante, depois de referir a utilidade desta arma em combates quer em terra quer no mar, acredita que os oficiais do corpo da Real Marinha "não desestimarão esta descuberta, em que se lhes oferece huma nova arma offenciva: Arma Nacional que as outras Naçoens não conhecem".

Nogueira de Andrade, ele próprio, depois de inventar o foguete incendiário experimentou-o com êxito, e pretende partilhá-lo com aqueles a quem se dirige, dizendo: "Ajunto no fim destes Planos os Mappas das ultimas experiências que eu fiz, e quem quizer tomar o trabalho de combinállos; verá; que os tiros corresponderão em parallelo com os das lanternetas ordinárias. Nesta certeza; pareceme; que a descuberta vale a penna de ser olhada com alguma atenção para sêr posta em úzo; e suppôsto que Eu estou inteiramente persuadido de que esta arma deve sêr adoptada para as acçõens de guerra, tanto terrestre como marítima; com tudo dou-me por suspeito, pelo receio de que acúzem o mêu amor próprio; e por que conheço, que todas as expeculaçõens neste gênero devem ser confirmadas pela experiência para se poder segurar e convencer da sua utilidade, e valor  para o Serviço. Para os Signáes a bordo dos Navios podem estes Foguetes servir muito milhôr que as Tigêlinhas de fogo; pois são mais baratos, e superiores em effeito; e para os Signáes de Campanha são muito cômodos, e preferíveis aos Foguetes de Cauda; por isso mesmo que aquelles são mais cômmodos a transportar, e sobem a huma altura muito maior daquella, a que sobiririão os Foguetes de Cauda com dobrado diâmetro, e atirados do modo Ordinário, Em seguimento dos Planos da construção, e fábrica destes Foguetes, vão determinadas as cargas para o seu úzo. Esta prevenção hé indespençavel; por que sendo que os Foguetes vazados interiormente por hum furo cônico, correm o risco de rebentarem sempre, que a carga fôr maior daquella, que Eu tenho calcullado pela experiência; Este fenômeno será bem compreencivel a quem reflectir, que a explozão da Pólvora, ou da

carga adjunta àquella da escórva, que se inflama dentro do Cone, ou brôca do foguete, óbrão com huma força análoga ao effeito da Cunha e daqui se pode deduzir também, que não forão pequenos os obstacullos que Eu tive aprevenir, ver (?) e remediar para imendar os deffeitos do Foguete, e os da baila, que no recipiente, da sua indispençavel cava esférica, sofre de mais huma grande actividade de chama, e calor; que alem de obrar como a Cunha, fáz dispor em fuzão o chumbo de q'a baila hé formada. Ultimamente descrevo o modo de fazer as pontarias na execução e úzo destes Foguetes nos cazos das suas aplicaçõens; e senêstes ensaios da minha profição tenho feito alguma couza útil em serviço do meu Princepe, e da minha Pátria hé toda aminha ambição."

Esta obra é tanto mais importante quanto é certo que, depois de consultarmos o que nos foi possível sobre a história da artilharia portuguesa, verificámos não haver tradição de inventos portugueses nesta matéria nem tão pouco tradição de escola, o que nos aumentou o incentivo para a divulgação deste manuscrito.

De facto, até ao século 18, o conhecimento científico da artilharia em Portugal fez-se através de obras manuscritas e impressas de autores estrangeiros. A Arma de Artilharia portuguesa teve no Conde de Lippe

um grande mestre que fundou quatro escolas nos quatro Regimentos de Artilharia existentes na sua época, mas os mestres continuavam a ser estrangeiros na sua quase totalidade. Apesar deste desenvolvimento, só no terceiro quartel do século 18 a artilharia portuguesa acompanhava muito de perto, na formação do seu pessoal, a francesa, que tinha então na Europa, a proeminência. Mas é tembém neste século que se assiste à decadência das Escolas Regimentais para dar lugar à formação científica dada pela Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra e pela Academia Real da Marinha com o seu curso de matemática para engenheiros e artilheiros, que vão reorganizar os Regimentos de Artilharia com toda uma hierarquia e uma carreira específica.

Até setecentos não havia uma distinção entre artilheiros de mar e de terra. Só com a criação do Regimento de Artilharia da Marinha, o qual pertencia Jerônimo José Nogueira de Andrade, houve uma definição dos serviços de artilharia no mar e nas fortalezas marítimas.

Ora na verdade e atendendo às circunstâncias antecedentes, este oficial superior, especialista na Arma de Artilharia Marítima, deu um extraordinário contributo para o desenvolvimento da balística, para além de colocar a Nação Portuguesa num plano pioneiro nesta matéria.


Informações recolhidas em:

ANDRADE, Maria Fernanda Macedo Nogueira de (1990) -  Jerónimo José Nogueira de Andrade, militar e inventor português do séc. XVIII. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, nº 5, Lisboa.