Mostrar mensagens com a etiqueta termas do peso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta termas do peso. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Melgaço em postais a cores de início do século XX




O blogue apresenta-vos uma pequena coleção de postais a cores com paisagens de Melgaço de inícios do século XX. Tratam-se de postais com pinturas a cores feitas em cima de fundo fotográfico e que nos mostram aspectos de vários pontos do nosso concelho: da vila de Melgaço, a Remoães, ao parque termal e hoteleiro do Peso, a fronteira de S. Gregório, sem esquecer  Paços, Paderne ou Castro Laboreiro, entre outros recantos da nossa terra retratados na época...
Viaje no tempo!




















sexta-feira, 9 de agosto de 2019

As Águas de Melgaço nos anos 30 do século XX



Nos anos trinta do século passado, as "Águas de Melgaço" viviam tempos de prosperidade e eram muito concorridas na época termal, estando integradas já na empresa "Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas".
Num desdobrável publicitário de 1935 intitulado "Estâncias de Verão", publicado pela VMPS, podemos recolher interessantes informações acerca das termas melgacenses:
"A quatro kilómetros da histórica e pitoresca vila de Melgaço, no distrito de Viana do castelo, está a 115 metros de altitude e dista apenas 900 metros das belas margens do rio Minho. No centro de uma região formosíssima e extremamente salubre, protegida de ventos e isenta de humidade e nevoeiros, goza de um clima muito suave e de um ar muito puro e tónico devido à vizinhança de extensas matas e pinheirais."
Em termos terapêuticos, a grande mais valia das Águas de Melgaço era o facto de serem as únicas, em Portugal, indicadas para o tratamento da diabetes. No desdobrável, é referido que "O tratamento da diabetes assucarada é por excelência a especialização desta estância. Sob esse aspecto, não tem rival nem sequer congénere no paíz. As bem organizadas estatísticas do Corpo Clínico, resultado de rigorosos exames e análises laboratoriais , dão-nos nos últimos anos uma média de 75% de diabetes tratados, em que a glicosuria foi eliminada e 20% em que foi atenuada. Aplicam-se também estas águas com resultados brilhantes no tratamento de dispepsias, atonias gástrica e intestinal, nevroses gástricas, enterocolites, insuficiências hepáticas, litíases biliar e renal, anemias, obesidade e estados neurasténicos."
Também em termos de equipamentos de lazer, a estância das Águas de Melgaço dispunha de "um extenso parque onde não faltam alamedas ensombradas e lugares pitorescos. Os aquistas desportivos dispõem de um magnífico court de ténis, um excelente campo de "midget golf", bem como de outros jogos e passatempos. Melgaço está numa região privilegiada ,não lhe faltando passeios encantadores. Em S. Gregório, a poucos kilómetros, a paisagem é surpreendente. Com o estabelecimento do Posto da Polícia na ponte internacional, há pouco inaugurada, estará em breve assegurada a passagem para excursões na vizinha Galiza."...
Pode encontrar estas e outras informações no desdobrável que se seguida se reproduz na íntegra...


(Clique na imagem para ampliar)

(Clique na imagem para ampliar)

(Clique na imagem para ampliar)

(Clique na imagem para ampliar)

(Clique na imagem para ampliar)

(Clique na imagem para ampliar)

(Clique na imagem para ampliar)

(Clique na imagem para ampliar)


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O sonho da luz elétrica em Melgaço há um século atrás




Em Melgaço, os primeiros acessos à luz elétrica remontam há mais de um século. Contudo, para a generalidade da população não passava de um sonho nessa época. O Dr. António Augusto Durães, enquanto administrador do concelho entre 1913 e 1914, terá sido dos primeiros a pugnar pela luz elétrica para Melgaço ainda que nunca tenha conseguido que tal se concretizasse durante o seu mandato.
O Peso e Castro Laboreiro seriam dos primeiros locais, em Melgaço, a possuir engenhos de produção de energia elétrica para diferentes fins em meados da segunda década do século XX. Em terras castrejas, foi Abílio Alves Carabel o primeiro a ter acesso a energia elétrica na sua fábrica de chocolate. Até então, as primitivas instalações que ocupavam parte do edifício em pedra do atual Núcleo Museológico de Castro Laboreiro, não tinham ao tempo energia elétrica, e o carvão, a que o pai Domingos Carabel sempre recorrera, onerava os custos. Abílio Carabel consegue então autorização dos Serviços Hidráulicos, onde chegou a trabalhar, para um barracão no rio Laboreiro, e aproveita a força motriz da água para gerar energia para a sua nova fábrica de chocolate.
No Peso, em 1913, as termas e os hotéis estão muito concorridos mas necessitam de se modernizarem. O complexo termal sonha com a luz elétrica. No jornal "Correio de Melgaço", na sua edição de 1 de Junho desse mesmo ano de 1913, podemos ler acerca de Cícero Solheiro que aspirava a instalar no Peso um cinematógrafo para a projeção de cinema e para isso precisava de energia elétrica: “Há indivíduos que pela sua ilustração e inteligência se impõem à nossa consideração e estima; outros, que pelo seu espírito verdadeiramente regional e empreendedor se impõem à nossa veneração. Neste caso está (…) Cícero Cândido Solheiro, que heroicamente trabalha para o engrandecimento material deste concelho, a quem adora, não se cansando de (…) lhe introduzir os melhoramentos indispensáveis à vida provinciana. O ano passado comprou (…) um magnífico camion para transporte de passageiros e bagagens, de Valença a esta Vila, e vice-versa, melhoramento de capital importância, já pela rapidez relativa da viagem, já pela comodidade com que nos transportamos, estradas em fora, numa distância de 42 kms. A sua actividade, porém, não parou aqui. Cícero Solheiro, estendendo as suas vistas de águia, reconheceu a necessidade de mais um camion, para quando houvesse grande movimento para as Águas do Peso e além disso poder facultar aos (…) hóspedes anuais digressões cómodas e agradáveis. Efectivamente, mais um luxuoso e elegante “Berliet” foi adquirido por este nosso amigo, melhoramento importante para o concelho, extraordinária e vantajosa comodidade para os seus hóspedes, que se podem transportar para onde lhes apraza, com a rapidez e conforto indispensáveis. Mas o Peso, dizia o bom do nosso Cícero, não tem uma única distracção, onde os aquistas possam relembrar a vida das cidades, onde passem algumas horas de ócio, despreocupadas e alegres. O Peso não tem outra distracção que não seja a beleza do nosso solo, tapetado de verdura e coberto de luxuriante vegetação. Dotar o Peso com luz eléctrica e um cinematógrafo era a ideia que mais o preocupava e que pôs imediatamente em execução, mandando-o construir e aplicar-lhe os mais aperfeiçoados aparelhos que a Companhia Cinematográfica Portuguesa pode fornecer e com cujo mecanismo fornecerá, de luz eléctrica, não só o salão cinematográfico, mas também os hotéis e estância das águas, caso queiram tal melhoramento, o que é muitíssimo plausível. Para deliciar os amadores de música adquiriu um lindíssimo e completo piano eléctrico, que também pode ser manual, ao qual adaptará belas composições musicais, ficando assim o Peso, até aqui de uma monotonia aldeã, transformado numa aprazível e encantadora estância. Sabemos que em 15 de Junho (…) será inaugurado o cinematógrafo, onde todos iremos, como verdadeiros regionais e amantes do progresso deste lindo rincão, prestar a nossa homenagem de consideração, veneração e estima, a esse novo, mas corajoso e intrépido trabalhador, a quem Melgaço deve todos os melhoramentos que possui. Mas a nossa veneração aumenta de intensidade ao lembrarmo-nos que Cícero Solheiro se não fora o grande amor pela sua terra (…), podia gozar despreocupado e sem canseiras, os seus avultados rendimentos. Mas não! Cícero Solheiro quer melhorar a sua terra, por cujo engrandecimento trabalha afanosamente, crendo nós bem que não haverá nenhum melgacense que ao pronunciar o seu nome não sinta por ele a veneração devida aos beneméritos da sociedade. Receba o nosso Cícero os cumprimentos do “Correio de Melgaço” pelo seu gesto dum verdadeiro patriota, dum sincero e desprendido regional”.
O sonho do Sr. Cícero Solheiro apenas se realizou em parte. Para tal, podemos dar uma leitura no referido jornal “Correio de Melgaço”, na sua edição de 24 de Agosto de 1913, que nos conta que “Inaugurou-se ontem, no Peso, com extraordinária concorrência, este belo salão cinematográfico… É uma bela casa de recreio, dotada de todos os aperfeiçoamentos modernos e requisitos indispensáveis a edifícios desta natureza; profusamente iluminado a luz eléctrica e pintado com muito gosto artístico. Admira-se ali um magnífico piano-concerto accionado a electricidade, que também pode ser tocado por qualquer pianista – sensacional novidade entre nós. Hoje há quatro sessões, que prometem muito, pela variedade e importância das fitas: às 14, 16, 20 e 22 h, que corresponderão à carreira de automóveis, entre a Vila e o Peso, pelo preço de 50 centavos, ida e volta, com direito a uma sessão. Há sessões todas as noites”.
Contudo, o complexo termal do Peso apenas iria ter luz elétrica nos espaços públicos e nos hotéis em 1931. Esse momento marcante é-nos contado no jornal “Notícias” de Melgaço”, na sua edição de 17 de Maio desse mesmo ano onde nos relata a instalação da electricidade em vários prédios desta estância: 500 lâmpadas no Hotéis Rocha, Quinta do Peso e filiais, no Parque e avenidas da empresa das Águas. Anunciava a inauguração para os primeiros dias de Junho sendo a energia fornecida pela Companhia do Tambre com sede na vila de Noia, província da Corunha, Espanha.
Amiudadas vezes faltava a luz, como refere o correspondente no Peso daquele jornal: “É raríssima a noite em que nesta localidade se conserve a luz eléctrica toda a noute sem por vezes se apagar, o que causa grandes prejuízos não só à casas particulares, como aos hotéis, casas de pensão e casas comerciais… Assim é que os hoteleiros e casas de pensão são obrigados a ter em depósito em sua casa de caixas de velas”.
O emprego da electricidade possibilitou a que se fizessem no balneário aplicações de diatermia, para o que foi adquirido um aparelho; ampliou-se também a secção de banhos carbo-gasosos. O balneário ficou provido de um serviço completo de banhos de imersão, carbo-gasosos, duchas escocesas e sub-aquáticas. Em 1935 começou a direção clínica “a empregar sistematicamente as curvas glicémicas como meio de investigação dos efeitos das águas na diabetes”.
Com maior frequência o Parque, o Pavilhão das Águas, os salões dos hoteis se animaram com as galas de iluminações nocturnas, as harmonias de bandas de música e orquestras, a elegância dos bailes e a alegria das quermesses. Era a beneficência, o melhor incentivo das festas, segundo as boas tradições das estâncias portuguesas. Contribuir para a filial que a Associação Protectora dos Diabéticos Pobres, em 1931, instalou no Peso, contribuir para o hospital da Misericórdia de Melgaço, contribuir para os pobres, tornou-se pretexto para amiudadas festas”.
Em 28 de Agosto de 1932 o “Notícias de Melgaço” descrevia assim a animação na estância que agora se prolongavam durante o período noturno até à madrugada: “As 9 horas da manhã deu entrada no Peso a afamada Banda dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, com um primoroso passo dóbli e depois de executar várias peças do seu vasto reportório no Parque do Grande Hotel Ranhada, dirigiu-se para o parque das Águas, e aí permaneceu até à noite, tendo início dentro do Pavilhão das Águas e fora, um concorridíssimo baile que se prolongou até às três horas do dia 29. Durante a tarde houve jogos variadíssimos e diferentes divertimentos. A ordem era mantida por uma patrulha de marinheiros fardados e devidamente armados, comandada pelo Sr. E. P. de Mendonça, que devido à boa educação de todo o povo que foi assistir a estes festejos, não foi alterada a ordem da força acima referida”.
Três dias depois houve, no Peso, um outro baile, “por iniciativa de alguns hóspedes no Grande Hotel Ranhada e realizou-se a convite, visto encontrarem-se ali as damas mais distintas não só da vila de Melgaço como também desta localidade. O baile correu animadíssimo até às 2 horas da madrugada; foi oferecido às damas à meia noute um explêndido chá. A música constava de um quarteto composto de uma concertina, violão, flauta e violino, dirigido pelo Sr. Dinis de Brito, que fez executar com a inteligência e exactidão inumeráveis peças do seu grande reportório”.
O Parque do Grande Hotel do Peso conheceu também noites animadas como a da ‘Festa da Caridade’ realizada em 17 de Setembro de 1932, “por iniciativa das Ex.mas Sras. D. Judit Alheas, D. Maria José Nascimento e D. Sara Brou da Rocha Brito que foi abrilhantada com Iluminação, Bailes, Quermesses, Barracas de chá e petiscos nacionais servido por gentis senhoras com trajes a carácter. As Barracas muito originais e de um fino gosto artístico foram obra do Ex.mo Sr. Lino do Nascimento tendo como auxiliar o incansável Ex.mo Sr. Rocha Brito.
Às vinte e duas horas, entrou com um primoroso passo doble a banda de Valadares que depois de dar entrada no seu respectivo coreto, ali se conservou executando inúmeras peças do seu vasto reportório até às três da madrugada”.
No concelho de Melgaço, além do Peso, em 1931, foi também montada a iluminação pública com luz elétrica na vila de Melgaço. Até esta altura, existia na vila de Melgaço ou em Castro Laboreiro, iluminação pública fornecida por candeeiros a gás. Para instalar luz elétrica nas ruas de Melgaço, a Câmara Municipal pediu autorização, à Secretaria Geral das Finanças, para contrair um empréstimo de 150 contos para financiar tal operação. Numa missiva enviada pelo Governador Civil de Viana do Castelo ao Secretário Geral do Ministério das Finanças em 9 de Janeiro de 1930, podemos ler:

Ex.mo Sr. Secretário Geral do Ministério das Finanças

Tendo sido autorizado por Sua Ex.a, o Ministro do Interior, um empréstimo de 150.000$00 a contrair pela Câmara Municipal de Melgaço para a instalação da iluminação pública na Vila sede de concelho e encontra-se o respetivo processo nesse Ministério, venho solicitar a Vossa Ex.a se digne mandar submeter este assunto a despacho com a urgência que for possível.
Saúde e Fraternidade.
Viana do Castelo, 9 de Janeiro de 1930.”

O empréstimo recebeu o aval do Secretário Geral do Ministério das Finanças em 22 de Maio de 1930. A iluminação pública seria inaugurada em 1931. A energia elétrica da rede pública será assegurada pela empresa espanhola J. Valverde & C.ª. Esta empresa galega, mais tarde, vai obter da Câmara Municipal a concessão da exploração da rede elétrica no concelho. A energia que alimentava esta rede elétrica era proveniente de Espanha através de uma linha de transporte. A dita empresa manterá esta concessão até Setembro de 1962, quando a Empresa Hidro-Eléctrica do Coura, Lda, a empresa já concessionária em quase todo o distrito, assume essa função.
A luz elétrica só chegou à última aldeia de Melgaço já no século XXI.

Fontes consultadas: 
- Correio de Melgaço, edição de 1 de Junho de 1913;
- Correio de Melgaço, edição de 24 de Agosto de 1913;
- FIGUEIRA, João José (2012) - O estado da eletrificação portuguesa. Dissertação de Doutoramento apresentado à Faculdade de Letras da UC; Coimbra.
- Notícias de Melgaço, edição de 17 de Maio de 1931;
- Notícias de Melgaço, edição de 28 de Agosto de 1932;
- Carta do Governador Civil de Viana do Castelo ao Secretário Geral das Finanças.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

As Águas de Melgaço nos anúncios dos jornais de inícios do séc. XX




Foi no último quarto do século XIX que foram descobertas as propriedades curativas das Águas de Melgaço. Logo em 1884, ano da descoberta das águas, houve um requerimento pedindo o aproveitamento e exploração das “águas alcalino-gasosas”, sendo em 1885 o início do processo de engarrafamento. Tal é feito, numa primeira fase, numa casinha de madeira, construída para abrigo e comodidade dos aquistas na nascente. A partir de 1888, esta água, já conhecida por tratar doenças do foro digestivo e a diabetes, passou a ser engarrafada no próprio local e exportada em garrafa para vários pontos de Portugal e do mundo, nomeadamente para Espanha, as antigas colónias portuguesas e o Brasil. Podemos comprovar que no jornal galego, “Crónica de Pontevedra”, na sua edição de 31 de Agosto de 1888, onde se lê que as Águas de Melgaço eram engarrafadas e vendidas em várias farmácias ou drogarias galegas em Baiona, Vigo ou Gondomar. O engarrafamento era realizado pelo farmacêutico Domingos Ferreira de Araújo, proprietário da farmácia “Ferreira de Araújo”, que ficava na vila de Melgaço. Ele próprio as certificava e garantia a sua qualidade. Podemos ver tal informação neste recorte do jornal:
De utilidad
Aguas ferruginosas-alcalino-litiníferas de Melgazo, Alto Minho (Portugal). Segun el análisis de estas aguas, reconocido por el Doctor D. Antonio Casares, distinguido quimico de Santiago, se vé claramente que son muy útiles en las dispepsias y otros padecimentos del estomago, en las afecciones del higado, vegiga, etc., sustituyendo por esto com ventaja á las de Mondariz.
Se venden embotelladas recientemente por el farmaceutico de Melgazo D. Domingos Ferreira de Araujo,  en las farmacias de los Srés. Espinosa, en Gondomar, y del Rio Gimenez, en Bayona, y en la Drogueria de los Sres. Bermejo Perez y Puente, en Vigo.
Estas botellas llevan el nombre impresso del farmaceutico de Melgazo, para evitar falsificaciones.”


Por esta altura, as Águas de Melgaço eram já vendidas para todo o país em grandes quantidades havendo entrepostos de distribuição em todas as grandes cidades do país. Neste anúncio publicado no jornal melgacense "Espada do Norte", na sua edição de 29 de Dezembro de 1892, podemos ler sobre as suas caraterísticas e prescrições, além e informação do seu ponto de distribuição na cidade do Porto na época. Temos também a informação que era vendida em todas as farmácias.



A confiança nas Águas de Melgaço era que, até alguns dos médicos mais respeitados da época, através de estudos e análises químicas da água, faziam propaganda, para que os doentes tratassem seus problemas no banho ou no consumo direto. Como diz Edmundo Lopes (1949), as águas do Peso (Melgaço), “são, na verdade, excelentes agentes medicamentosos. Nenhuma conhecemos que exerçam em mais alto grau uma acção nitidamente específica sobre o metabolismo hidrocarbonado e certas formas de hepatismo”. Eram indicadas para o tratamento do “diabetes, padecimentos de estômago, intestinos, fígado, rins e bexiga”, como aparece anunciado no Jornal “Diario Illustrado”, na sua edição de 2 de Agosto de 1902, em Lisboa.

A água de Melgaço podia ser bebida simples ou então misturada com leite ou vinho. Podemos ver num anúncio do jornal "Diário Illustrado", na sua edição de 24 de Abril de 1908, onde se publicita um Vinho Verde Branco que dizem ser o ideal para misturar com as Águas de Melgaço:

Na viragem do século, uns anos antes, mais concretamente, em Setembro de 1899, é publicado um anúncio no Diário de Notícias que é hoje de grande interesse relativo às Águas de Melgaço e aos Hotéis do Peso. Por essa altura, o Porto e outras cidades portuguesas estavam a sofrer um surto de peste bubónica que estava a provocar elevada mortalidade, estando Melgaço a salvo desta epidemia. Então, os donos dos hotéis do Peso mandam publicar o seguinte anúncio:
Águas de Melgaço
Em vista da satisfação com que os aquistas de Lisboa e outros pontos do país aqui se demoram, reputando esta estância como um verdadeiro sanatório que é, os proprietários do Hotel do Peso resolveram conservá-lo aberto até meado do mês de outubro, servindo como lugar de refúgio aos receosos de contágios “ (Diário de Notícias, 12/09/1899).

Desde a viragem do século XIX para o século XX, a exportação das Águas de Melgaço para o Brasil cresce de uma forma muito significativa. Tal pode ser comprovado na quantidade de publicidade que encontramos em variada imprensa de diferentes regiões de Brasil dos quais selecionei alguns que aqui se partilham:
- Anúncio das Águas de Melgaço no "Jornal do Commercio" (Rio de Janeiro) na edição de 29 de Janeiro de 1911:

- Anúncio das Águas de Melgaço e Vidago no "Correio da Manhã" (Rio de Janeiro) na edição de 16 de Maio de 1911:

- Anúncio das Águas de Melgaço no "Jornal do Commercio" (Rio de Janeiro) na edição de 25 de Março de 1912:

- Anúncio das Águas de Melgaço no "O Imparcial" (Rio de Janeiro) na edição de 29 de Abril de 1915:

- Anúncio que faz referência à oferta de uma caixa de Águas de Melgaço para um sorteio de beneficência no jornal "O Estado do Pará" (Pará) na edição de 5 de Dezembro de 1915. No anúncio, cita-se que no estado do Pará (Brasil), o consumo das nossas águas era muito significativo:

- Um outro anúncio que faz referência à oferta de uma outra caixa de Águas de Melgaço por parte de uma firma chamada Pires Teixeira & Cia. para um sorteio de beneficência no jornal "O Estado do Pará" (Pará) na edição de 5 de Dezembro de 1915:

- Anúncio das Águas de Melgaço no jornal "A Noite" (Manaus) na edição de 5 de Agosto de 1916:

- Anúncio das Águas de Melgaço no jornal "O Imparcial" (Rio de Janeiro) na edição de 3 de Agosto de 1917. Aqui chama-se à atenção que esta água é eficaz nas doenças de rins além da diabetes:

- Anúncio das Águas de Melgaço no jornal "A Província" (Recife) na edição de 15 de Janeiro de 1921:

- Anúncio das Águas de Melgaço no jornal "Diário do Pernambuco" (Pernambuco) na edição de 11 de Maio de 1915:

Além da forte aposta na exportação para o mercado brasileiro, as Águas de Melgaço eram também vendidas para as antigas colónias, algo que se pode comprovar pela presença assídua na publicidade de publicações como a "Portugal Colonial", distribuída nos antigos territórios ultramarinos. Aqui se apresenta um extrato de um anúncio das Águas de Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas. O slogan publicitário das Águas de Melgaço apresentado é o conhecido "A salvação dos diabéticos" (in: Portugal Colonial, edição de Junho/Julho de 1932):

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Melgaço fotografado pelo pioneiro do cinema em Portugal em 1903 e 1904



As Águas de Melgaço, no início do século XX, atraíam um grande número de aquistas sendo muitos deles personalidades ilustres da sociedade portuguesa. Pelas Águas de Melgaço, passaram Presidentes da República, Ministros, intelectuais, investigadores, artistas, entre outros. Uma das grandes personalidades portuguesas ligadas à arte que esteve em Melgaço foi Aurélio da Paz dos Reis (1862-1931), pioneiro do cinema em Portugal, autor dos primeiros filmes em Portugal, ainda no século XIX sendo também um talentoso fotógrafo ainda que amador.
Aurélio da Paz dos Reis esteve em Melgaço pelo menos em 1903 e 1904 e fotografou as Águas de Melgaço de uma forma única. A Nascente, os aquistas, o Hotel Quinta do Pezo, os passeios dos aquistas das termas ao rio Minho, a Paderne ou a S. Gregório, tudo com um certo glamour, compõe uma bela coleção de raras imagens da nossa terra nessa época. Existem pelo menos quase meia centenas de fotos tiradas em Melgaço por este realizador de cinema que fazem parte do seu extenso espólio.
Partilho com vocês algumas das mais belas e raras fotografias de Aurélio da Paz dos Reis tiradas em Melgaço...


Aquistas das Termas do Peso (Melgaço) em 1903, na margem do rio Minho
(clique na imagem para ampliar)

Passeio a S. Gregório (Melgaço), na Ponte Internacional em 1903
(clique na imagem para ampliar)
Passeio a S. Gregório (Melgaço), na Ponte Internacional em 1903
(clique na imagem para ampliar)

Nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
(clique na imagem para ampliar)
Vista sobre a Nascente das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
(clique na imagem para ampliar)

Ao lado da Nascente das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
(clique na imagem para ampliar)


No Hotel Quinta do Peso, nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1904
(clique na imagem para ampliar)
No Hotel Quinta do Peso, nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1904, na saída para um passeio
(clique na imagem para ampliar)

Aquistas em passeio nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
(clique na imagem para ampliar)


Nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
(clique na imagem para ampliar)

Nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903
(clique na imagem para ampliar)
Nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903, em passeio
(clique na imagem para ampliar)
Nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1903, em passeio
(clique na imagem para ampliar)

No Hotel Quinta do Peso, nas proximidades das Termas do Peso (Melgaço) em 1904
(clique na imagem para ampliar)

Aquistas na margem do rio Minho ao lado da barca, nas proximidades
das Termas do Peso (Melgaço) em 1904
(clique na imagem para ampliar)

No Hotel Quinta do Peso, no Peso (Melgaço) em 1904, uma foto de grupo
(clique na imagem para ampliar)


Aquistas a descer da barca na margem do Minho, no Peso (Melgaço) em 1903
(clique na imagem para ampliar)


Junto ao Convento de Paderne (Melgaço) em 1903, à saída da missa
(clique na imagem para ampliar)