Mostrar mensagens com a etiqueta vila de melgaço. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta vila de melgaço. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Melgaço em postais a cores de início do século XX




O blogue apresenta-vos uma pequena coleção de postais a cores com paisagens de Melgaço de inícios do século XX. Tratam-se de postais com pinturas a cores feitas em cima de fundo fotográfico e que nos mostram aspectos de vários pontos do nosso concelho: da vila de Melgaço, a Remoães, ao parque termal e hoteleiro do Peso, a fronteira de S. Gregório, sem esquecer  Paços, Paderne ou Castro Laboreiro, entre outros recantos da nossa terra retratados na época...
Viaje no tempo!




















sábado, 20 de julho de 2019

Casas comerciais melgacenses de antigamente em artigos publicitários




No artigo de hoje, partilho uma pequena coleção de artigos e anúncios publicitários alusivos a casas comerciais melgacenses de outros tempos. Neste conjunto, encontramos desde recortes de jornais e revista até postais de época e cédulas fiduciárias que se estendem desde finais do século XIX até à segunda metade do século XX. Muitas destas casas comerciais já nem existem, de algumas ainda temos uma boa memória e muito poucas ainda existem.
Viaje no tempo!...

Finais do século XIX



Fonte: "Restaurante melgacenses" in Jornal "A Espada do Norte" (1892)



Primeira metade do século XX

Cédula Fiduciária (1920)


Cédula Fiduciária (1920)

Cédula Fiduciária (1920)


Postal circulado de início do século XX

Postal circulado de início do século XX

Postal circulado de início do século XX


Postal circulado de início do século XX



Anúncio de início do século XX


Fonte: Jornal "A Neve" (1920)


Postal circulado de 1912


Segunda Metade do século XX

Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)

Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)


Anúncio publicitário da 2ª metade do século XX (data incerta)

Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)


Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)

Fonte: Jornal "El Pueblo Gallego" (1965)



Fonte: Revista "Flama" (1967)


Fonte: Revista "Flama" (1967)

Fonte: Revista "Flama" (1967)



sexta-feira, 28 de junho de 2019

Sobre a desaparecida igreja paroquial de S. Fagundo de Melgaço





A localização exata da antiquíssima igreja paroquial de S. Fagundo de Melgaço perdeu-se no tempo. Sabemos por documentos de época que, onde hoje se situa a vila de Melgaço, existiam, até há cerca de 500 anos, não uma mas sim três paróquias: Santa Maria da Porta, Santa Maria do Campo e S. Fagundo. As igrejas paroquiais das duas primeiras ainda hoje existem, apesar de muito antigas. Acerca da de S. Fagundo, apenas sabemos que no primeiro quarto do século XVII já se encontrava em ruínas, não se conhecendo referências posteriores.
O saudoso Padre Bernardo Pintor num artigo de há meio século atrás traz-nos alguma luz sobre a paróquia de S. Fagundo, extinta na segunda metade do século XVI. No seu trabalho refere que “a primeira notícia da igreja de S. Fagundo encontra-se em um documento do Cartulário de Fiães outorgado em Junho de 1246, na arbitragem de um litígio entre o mosteiro de Fiães e a igreja de Chaviães, em que interveio como árbitro João Joanes, pároco de S. Fagundo e procurador de Santa Maria da Porta juntamente com Rodrigo Mendes, padre de Chaviães.
Vem esta igreja mencionada nas inquirições de D. Afonso III, de 1258, a par com as de Santa Maria da Porta e Santa Maria do Campo, sem qualquer referência em pormenor.
Em 1320 foram os rendimentos avaliados em 30 libras, como os de Santa Maria do Campo, o que a situava em posição baixa ao lado das outras.
No Igrejário de D. Diogo de Sousa, princípios do século XVI, vem mencionada como benefício de livre atribuição de arcebispo e já sem cura, isto é, já não tinham cura de almas, ou melhor, já não era paróquia. Qualquer leitor dado a estes estudos encontra nos livros antigos S. Facundo, mas eu prefiro a grafia evoluída S. Fagundo.
O falecido Dr. Augusto César Esteves achou referência à igreja de S. Fagundo até ao ano de 1619. O mesmo criterioso investigador das antiguidades melgacenses diz que a Fonte da Vila se chamou em tempos antigos Fonte de S. Fagundo, o que nos indica ter ficado nas proximidades a sua igreja.
Mais ainda: segundo elementos por mim fornecidos, aceitou a mudança da invocação da referida igreja para Sant’Iago, de que achou referências no ano de 1733. A velha igreja paroquial, já sem cura de almas na entrada do século XVI, deve ter sido reduzida à condição de simples capela, como aconteceu com a antiga paroquial da Santa Comba de Felgueiras, primeiro anexa a Paderne e depois incorporada em Penso, e uma outra de S. Vicente, ali em Alvaredo contra o rio Minho.
O Concílio de Trento deu aos Prelados das dioceses faculdades para anexar ou extinguir as paróquias cuja subsistência era demasiado precária ou para fundar novas paróquias onde fossem precisas, e daí terá vindo a extinção da de S. Fagundo.
A mudança do título tem a sua explicação e não é caso único. Aconteceu também com outras, como por exemplo com a padroeira de Chaviães que era Santa Seguinha e passou para Santa Maria Madalena.
O fundamento da mudança de S. Fagundo para Sant’Iago é o seguinte: Sabe o leitor que há vários santos com o mesmo nome, dois apóstolos são Sant’Iago, o maior e o menor. Mais conhecido por nós é o que se festeja em 25 de Julho, que em Compostela tem antiquíssimo culto, visitado por peregrinos das maiores categorias sociais e de terras distantes desde recuados tempos. É o Sant’Iago de Longe, como dizem os velhos.
Há um outro Sant’Iago, chamado Interciso, que a Liturgia recorda em 27 de Novembro, dia também dedicado a S. Fagundo. Como ambos os Santos são comemorados no mesmo dia, e S. Fagundo deixou de ser festejado na categoria de padroeiro da freguesia, porque ela tinha desaparecido, veio a sobrepor-se o culto, a Sant’Iago, Interciso.
Isto tem uma explicação e o leitor deve querer saber qual seja, por isso eu vou expô-la: Nos princípios do século XII, o arcebispo de Braga, D. Maurício, conseguiu trazer de Roma para a sua catedral o corpo de Sant’Iago Interciso, mártir da Pérsia do tempo das perseguições aos cristãos.
No tempo do arcebispo D. Agostinho de Jesus realizou-se em Braga um sínodo, ou seja um concílio diocesano, em 1606, com início a 18 de Outubro. Entre outras actividades do sínodo, teve lugar em 27 desse mês a transladação das relíquias de Sant’Iago Interciso para melhor jazida. Este facto provocou o revigoramento do culto do referido Santo cujas relíquias até então permaneciam na sacristia da catedral desconhecidas do público.
O seu culto estendeu-se a toda a diocese sobrepondo-se ao de S. Fagundo que assim foi esquecido em Melgaço com a vinda da memória do novo Santo, novo no culto dos fiéis.
Sobrepondo-se, no mesmo dia, à comemoração de S. Fagundo, absorveu a denominação da sua igreja e com o seu nome ficaram conhecidas as antigas terras ou passais, de S. Fagundo, conhecidas ainda nos nossos dias por campos de Sant’Iago, ali nas proximidades da nova escola primária da vila.
O Dr. Augusto César Esteves, na obra já citada, escreveu: «A alguns passos dos fossos pertinho da fortaleza, no caminho aquingostado para os Chãos, a vila ainda hoje situa o Poço de S. Tiago. No local onde se fez, há meia dúzia de anos, uma casa de campo, erguia-se uma igreja pequena, chamada pelo povo capela de São Tiago.»
Quanto à meia dúzia de anos, lembro que o livro do Dr. Esteves tem a data de 1952. Julgo ficarmos a saber com aproximação onde era a Igreja de S. Fagundo.”
Num interessante artigo publicado no jornal “A Voz de Melgaço”, na edição de Julho de 2017, com o título “Dois párocos de S. Fagundo de Melgaço – 1360”, aflora mais alguns pormenores acerca as parcas informações que hoje em dia temos acerca da igreja e desaparecida paróquia de S. Fagundo, acerca de factos ocorridos nesse ano: “É possível que o título deste breve artigo leve os leitores mais novos a interrogarem-se onde ficava esta paróquia melgacense, de que hoje nem o orago é conhecido. Para os mais interessados, esta e outras oportunidades contribuirão para conhecerem melhor a história do nosso concelho e das freguesia ou paróquias que o integravam.
Simplificando a resposta à pergunta sugerida, adiantamos que a freguesia de S. Fagundo era uma das três existentes ao longo da Idade Média e até ao terceiro quartel do século XVI, na sede do concelho de Melgaço e junto das muralhas do castelo, conhecidas pelos seus oragos ou titulares das igrejas paroquiais: Santa Maria da Porta, situada dentro das muralhas; Santa Maria do Campo, fora das muralhas, do lado sul, que tinha como sede a atual igreja da Misericórdia; e finalmente, S. Fagundo, a noroeste do castelo, cuja sede estaria nas proximidades da Fonte da Vila.
Três freguesias com as sua igrejas num espaço não concentrado, sabendo da crise demográfica a que Melgaço não ficou isento, apenas seria compreensível por respeito à tradição e à longevidade das mesmas. Depois do Concílio de Trento, encerrado em 3 de Dezembro de 1563, a cuja e terceira e última fase assistiu e na qual participou ativamente o arcebispo D. Bartolomeu dos Mártires, que muito gostaríamos de ver canonizado, na sequência do conhecimento direto desta e doutras situações pastorais existentes em Melgaço, que se impunha corrigir, extinguiu as paróquias de Santa Maria do Campo e de S. Fagundo, integrando-as na de Santa Maria da Porta, que ainda hoje não abrange uma área muito vasta, nem tem população excessiva.
Quanto à de S. Fagundo, perdeu-se o conhecimento do local exato da implantação da igreja paroquial e a memória dos clérigos designados para a orientação dos seus fiéis. Para isso, muito terá contribuído o facto de a região de Entre Douro e Minho, que – desde a célebre divisão diocesana realizada, em Lugo, em 569, sob a presidência de S. Martinho de Dume, arcebispo de Braga e metropolita de toda a Galécia Sueva, promulgada pelo rei Miro – também designado Teodomiro -, ter permanecido integrada na diocese de Tui, até 1381, e só após algumas vicissitudes, ter passado para a Arquidiocese de Braga, em 1514.
Conhecemos as circunstâncias em que se processou essa transferência, incluindo a de alguns livros de registo, até então, utilizados na chancelaria episcopal de Tui, que, devidamente autenticados, passaram para a chancelaria arquiepiscopal bracarense. Entre eles, embora desnecessariamente, veio também para Braga um códice pergamináceo, com os registos das confirmações, isto é, das cartas de nomeação e confirmação dos presbíteros e, eventualmente, de outros clérigos, incumbidos da ação e do governo pastoral das diversas paróquias,à medida que iam vagando , pelos mais diversos motivos ou por transferências decididas pelo bispo de Tui que, de 1351 a 1385, foi D. João de Castro, da conhecida família dos “Castros”, com extensões em Portugal. Trata-se do códice nº 314 do Arquivo Distrital de Braga, cuja publicação está a ser ultimada.
A informação anunciada em epígrafe encontra-se no registo nº 234, datado de Tui, em 10 de Setembro de 1360, integralmente em latim, que vamos expor nas suas linhas gerais, de forma a identificarmos os dois párocos de S. Fagundo – Melgaço, publicando-o na íntegra, a fim de respondermos à eventual curiosidade dos mais interessados.
Pelo teor deste documento, ficamos a saber que, em 1360, o reitor ou pároco de S. Fagundo de Melgaço era Martim Gil (Martinus Egidii), que foi para a igreja ou paróquia de Santa Maria de Panton, na diocese de Orense, com plena anuência do bispo de Tui, D. João de Castro. Impunha-se por isso, preencher a vaga aberta pela saída de Martim Gil. Aqui surge uma informação inesperada, quanto ao padroado desta freguesia melgacense, que pertencia ao bispo de Tui e ao Mosteiro de S. João de Longos Vales, cada um destes padroeiros com direito de apresentação sobre metade do benefício, cabendo, no entanto, ao bispo o direito de decidir sobre a idoneidade do candidato proposto pelo outro padroeiro e de proceder à necessária confirmação.
Estas eram as disposições canónicas inerentes ao direito de padroado, de que o prelado diocesano era guardião e lhe competia observar. Como é compreensível, em relação ao clérigo apresentado pelo Prior e Convento de S. João de Longos Vales, além de não o ter identificado nem mencionado o motivo da falta de idoneidade para assumir as funções de pároco – opção compreensível, inerente ao sigilo episcopal, limitou-se a afirmar apesar de lhes pertencer o direito de apresentação para metade deste benefício, não apresentaram pessoa idónea - “presentaverunt persona minus idonea” - não o tendo aceitado.
Nessas condições, considerou o direito de apresentação do Mosteiro de Longos Vales ineficaz, a título devolutivo - “iure devoluto” -, por esta vez somente, passava a pertencer-lhe também o direito de apresentar para a metade do mosteiro agostinho de Longos Vales. Como lhe pertencia o direito de apresentar para a outra metade, podia apresentar e confirmar, de pleno direito, o novo pároco de S. Fagundo, que passou a ser o padre Lourenço Domingues, natural de Melgaço, que, na data acima referida, investiu nessas funções, de acordo com as formalidades do estilo, reiteradamente expressas no citado códice das Confirmações, a publicar brevemente.
A decisão tomada pelo bispo de Tui, D. João de Castro, que sabemos ter passado por diversas localidades de Entre o Douro e Minho, como Fontoura, S. Pedro da Torre, S. Paio de Paderne (atualmente designada apenas, S. Paio), Orada, Corujeiras, Mazedo, Merufe, Ganfei, Friestas e Viana, revela mais um ponto de ligação entre o mosteiro de S. João de Longos Vales e Melgaço, além da já conhecida colaboração na construção das muralhas do nosso castelo...”





Fontes citadas: 
- PINTOR,  Padre Bernardo (2005) - Obra Histórica. Edição do Rotary Club de Monção.

- MARQUES, José (2017) - Dois párocos de S. Fagundo de Melgaço - 1360. In: "A Voz de Melgaço", edição de 1 de Julho de 2017.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A História da Capela de Santo António do Campo da Feira de Melgaço



A extinta capela de Santo António, ficava situada no antigo Largo do Comércio, ao fundo da atual Praça da República, na vila de Melgaço mas foi demolida no início do século XX. Foi mandada construir por Pêro de Castro, fidalgo melgacense e alcaide-mor da vila, morto na batalha de Alcácer-Quibir e era local de paragem obrigatória das principais procissões organizadas pela Misericórdia.
A sua construção terá começado por volta de 1570 mas apenas foi concluída alguns anos mais tarde já no tempo de Gil Gonçalves Leitão, juiz de fora de Melgaço e provedor desta Santa Casa da Misericórdia. Sabemos que este determinou em 1595 que se terminassem as paredes desta ermida. Estas informações podemos encontrá-las no Livro dos Provedores, onde se lê numa memória posterior de 1597: O Licenciado Gil Gonçalves Leitão juiz de fora que foi nesta vila e provedor que foi nesta casa fez acabar a ermida de Santo António de paredes que havia muitos anos que estava começada por ordem de Pêro de Castro, alcaide-mor desta vila”.
Foi já com outro provedor em funções, também juiz de fora, António de Távora, que a capela foi concluída, logo depois de uma pequena festa organizada por sua esposa, Dona Maria de Anciães, para comemorar o dia do batizado de seu filho Jerónimo em 16 de Janeiro daquele ano de 1600, festa que marcou pela roda de fidalgos amigos reunidos à sua volta. Nessa altura, o carpinteiro tinha-lhe dito que o retábulo da capela estava terminado mas para o santo sacrifício, faltavam os últimos retoques. Urgia dar-lhos e não desperdiçou tempo.
Em 16 de Fevereiro de 1600, reuniram-se os irmãos nobres Gonçalo Rodrigues de Araújo, escrivão e tabelião, o comerciante Henrique Coronel, Estevão d’Amorim, sargento-mor das Ordenanças, Manuel da Cunha, para quem tinha sempre um gracejo por causa dos compadrios, Manuel Ribeiro, casado com Isabel Gomes, morador em Eiró e secretário da Câmara e João Gomes Ribas, mercador e homem de grandes negócios ao tempo e os irmãos mecânicos João Dias, Pero Gomes, António Martins, Gonçalo Coelho, o carpinteiro Álvaro Vaz e Gaspar Rodrigues Pereira, alfaiate e então deixam escrito para memória futura “assentou-se em mesa que por a Casa de Santo António do campo da feira ser anexa a esta Casa é esta consertada e ordenada para nela se dizer missa e sagrar Francisco Soares, abade na vila, o capelão desta Casa e provedor e mais irmãos abaixo assinados em seu nome e dos que em diante foram ditos que eles se obrigavam com as esmolas da dita casa a fabricar todo o necessário à fábrica da dita igreja de Santo António e isto com declaração que não chegando as esmolas desta casa, a dita fábrica se obriga a tudo satisfazer de suas fazendas e o irmão que for do mês será obrigado a arrecadar as esmolas que aí se derem para todo o ano; cada irmão seu mês para as dar para as dar aos tesoureiros da dita casa que agora e em diante forem e sendo necessário fazer nesta caso escritura pública se obrigavam a fazer logo para o qual requereram ao arcebispo a licença de se dizer missa na dita capela”.
O Sargento-mor Estevão d’Amorim deixou um relato da festa da benção da pequena ermida em 27 de Março de 1600, que era segunda-feira da semana santa. Nele pode ler-se: ”Aos vinte e sete do mês de Março do ano de mil e seiscentos anos nesta Casa da Santa Misericórdia desta vila de Melgaço onde estava o provedor e irmãos em cabido com campa tangida se levou desta Casa da Santa Misericórdia se levou o bem-aventurado Santo António com procissão a sua Casa que para ele estava fabricada no Campo da Feira por ordem da dita Casa no qual dia acima se disse a primeira missa cantada com licença do Vigário Geral desta Comarca como dela e dos papeis consta que estão no Cartório desta Casa de que mandou fazer este assento para todo o sempre constar desta verdade e assinaram estando presente o senhor abade Francisco Soares…”
Para o culto de Santo António mais uma capela se construíra e esta foi a primeira a erigir-se no nosso concelho ao santo de quem o juiz de fora era tão devoto, que aproveitando a animosidade dos almocreves, por serem obrigados a fazer o papel de diabretes nas procissões do ano, conseguiu comutar aquele jogo numa confraria instituída na dita ermida, em honra do glorioso Santo António, com duas missas em cada mês, o que se fez com consentimento dos vereadores de então.
Contudo, já durante a segunda metade do século XVIII, esta capela encontrava-se num estado bastante degradado. O arrefecimento da devoção a este santo veio com o rodar dos tempos e a consequência do facto foi o desinteresse de todos pela capela. Em 1773, ameaçava ruína e por isso «dentro dela se anda rectificando e se lhe faz um grande acrescentamento», registou o Padre Manuel da Ribeira, abade da vila de Melgaço.
No ano confrarístico de 1842-1843, gastou a Misericórdia mais de duas dezenas de escudos na compra de barrotes para o telhado desta capelinha e o conserto do mesmo. Sabemos porém que nos princípios de 1854 estava «em partes completamente arruinada e até próxima a ir a terra».
Dado o seu delicado estado de conservação, em 1867 foi decretada pela Câmara a sua demolição. Contudo, este pequeno templo apenas seria demolido no início do século XX.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia da Vila (Melgaço)


Há cerca de 100 anos, 72 melgacenses partiram para França para participarem no conflito mais horrendo que a História já tinha conhecido.
O blogue “Melgaço, entre o Minho e a Serra” homenageia nestes dias a coragem destes homens melgacenses que combateram numa guerra para a qual não estavam preparados. Desse contingente de soldados da nossa terra, 10 deles nasceram na freguesia de Santa Maria da Porta, atualmente designada de Vila. Entre os soldados desta freguesia, apenas António José Cardoso Ferreira Pinto da Cunha morreu na guerra, concretamente na célebre batalha de La Lys, a 9 de Abril de 1918, nunca se tendo encontrado os seus restos mortais. Outros dois soldados da vila de Melgaço foram feitos prisioneiros de guerra nessa batalha. Foram eles os combatentes Mário Afonso, nascido na Quinta de S. Julião, e António dos Reis, natural da Rua Direita, que estiveram em campos de prisioneiros na Alemanha até ao fim da guerra em Novembro de 1918.
Saibam quem foram os homens naturais desta vila de Melgaço que combateram nas trincheiras de França…

1 - António José Cardoso Ferreira Pinto da Cunha, segundo-sargento do Regimento de Obuses de Campanha, unidade sediada em Castelo Branco. Nasceu às 7 horas e meia do dia 28 de Julho de 1892, na Rua Direita, vila e freguesia Santa Maria da Porta, concelho de Melgaço, filho de António José Ferreira Pinto da Cunha, juiz desta comarca, e de Carlota Amália Cardoso. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Arcos de Valdevez. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 20 de Agosto de 1917, onde pertenceu ao 6.º Grupo de Baterias de Metralhadoras (4ª Bateria). Combateu na Batalha de La Lys. Inicialmente dado como desaparecido em combate. Contudo, ao contrário de outros desaparecidos em combate melgacenses na batalha, o segundo sargento não constava entre os prisioneiros de guerra feitos pelos alemães. Mais tarde, foi dado como morto em combate na Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918. Desconhece-se o paradeiro dos seus restos mortais.

2 - Mário Afonso, soldado do Regimento de Artilharia nº 5 (2º Grupo de Baterias de Artilharia). Nasceu às duas horas e meia da manhã do dia 28 de Julho de 1891, filho de António Luiz Afonso e Tereza de Jesus, natural da Quinta de S. Julião, freguesia de Santa Maria da Porta, concelho de Melgaço. À época da sua partida para a guerra, era casado com Mariana Afonso desde 7 de Outubro de 1916 e residia na freguesia de Chaviães (Melgaço). Embarcou para França em 20 Agosto de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 28 641, tendo desembarcado no Porto de Brest em 25 de Agosto. Já em cenário de guerra, foi colocado no 2º Grupo de Baterias de Artilharia, 3ª Bateria, em 23 de Janeiro de 1918.  Combateu na célebre Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918), onde foi dado como desaparecido em combate. Apenas em Novembro de 1918, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, se soube que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Dulmen, situado na região da Westefalia (Alemanha). Sobreviveu à guerra. Depois da guerra ter terminado, foi libertado. Posteriormente, o soldado Mário Afonso foi punido pelo Comandante do Corpo Expedicionário Portugal no dia 31 de Dezembro de 1918, com 10 dias de detenção disciplinar porque “em 3 de Janeiro do presente ano acendeu uma vela no balcão que ocupava em Blessy (localidade a cerca de 70 Km a oeste da cidade de Lille) a qual caindo sobre uma porção de palha que ali se encontrava, originando um incêndio que produziu estragos na importância de 7971,88 francos que o Estado teve que pagar…”.
O soldado Mário Afonso embarcou no navio inglês "Northwestern Miller" em 31 de Janeiro de 1919 e desembarcou em Lisboa de 4 de Fevereiro de 1919. Viria a falecer às 20 horas do dia 28 de Dezembro de 1963.

Cartão de inventariação do soldado Mario Afonso
(Campo de Prisioneiros de Hameln - Alemanha)


3 - António dos Reis, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às nove horas da manhã do dia 25 de Junho 1892, filho de João Batista Reis e Laureana Joaquina Esteves, natural da Rua Direita, freguesia de Santa Maria da Porta (atualmente designada por freguesia da vila). À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era residente na vila de Melgaço. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 563. Já no cenário de guerra, sabemos que baixou ao Hospital nº 51 em 17 de Maio de 1917, tendo alta no dia 13 de Junho. Foi punido em 19 de Agosto do mesmo ano pelo Comandante da Companhia com 8 dias de detenção “porque tendo em 18 do corrente respondido à chamada para a formatura da instrução de noite, se ausentou dela sem autorização recolhendo ao seu alojamento…”. Ainda nesse ano de 1917, voltou a infringir as regras do Regulamento Disciplinar e recebeu nova punição em 19 de Dezembro por parte do Comandante da Companhia. Desta vez, foi punido com 10 dias de detenção por “ter saído da 1ª linha de trincheiras, onde prestava serviço, sem autorização e ainda porque sendo interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome ao Comandante exposto o que se averiguou ser falso…”.
O soldado António dos Reis combateu na Batalha de La Lys tendo sido dado como desaparecido em combate na batalha em 9 de Abril de 1918. Meses mais tarde, soube-se, através da Comissão dos Prisioneiros de Guerra, que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante as hostilidades e levado para o Campo de Prisioneiros de Friedrichsfeld (Alemanha). Sabe-se que em 2 de Fevereiro de 1919, se encontrava integrado no Batalhão de Infantaria nº 12. Posteriormente, o soldado António dos Reis fez a viagem até ao Porto de Embarque em Cherbourg (França) onde embarcou no navio inglês "Orita" em 13 de Fevereiro e desembarcou em Lisboa de 16 de Fevereiro de 1919. Viria a falecer em 6 de Maio de 1958, na vila de Melgaço.

Cartão de inventariação do soldado Mario Afonso
(Campo de Prisioneiros de Hameln - Alemanha)
4 - Adriano do Paço, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às seis horas da tarde do dia 16 de Fevereiro do ano de 1894, filho de Lourenço do Paço e de Albina Cândida Moreira, na Rua de Mello, na vila de Melgaço. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho. Já em França, sabemos que foi colocado do Depósito de Material de Bagagens, na Base de Retaguarda, em 6 de Novembro de 1917 “afim de fazer serviço nas oficinas anexas à secção de fardamento”. Foi punido em 15 de Abril de 1918 pelo Diretor  do Depósito de Fardamentos e Bagagens, "com 6 dias de detenção por ter faltado à formatura do recolher do dia 14, apresentando-se às 6 horas do dia seguinte…”. Baixou ao Hospital nº 30 em 29 de Abril de 1918, tendo alta em 4 de Maio. Foi punido em 21 de Junho desse ano pelo Diretor do Depósito de Fardamento “com 6 dias de detenção tendo em atenção o seu comportamento anterior porque estando nomeado para serviço  de ronda no dia 17 do corrente, apresentando-se 10 minutos mais tarde depois da hora determinada…”. Posteriormente, baixou ao Hospital Inglês de Calais em 19 de Janeiro de 1919, tendo alta no dia 25. Sobreviveu à guerra, tendo embarcado com destino a Portugal em 9 de Agosto de 1919.  Desembarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, em 12 de Agosto de 1919.

5 - Agostinho de Araújo, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às seis horas da manhã do dia 23 de Março de 1892 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), filho de José Joaquim de Araújo e de Anna Joaquina Domingues. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia da Vila. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho. São muito escassos os dados sobre o percurso deste soldado durante a guerra. Sabe-se que foi promovido ao posto de 1º Cabo em 12 de Agosto de 1918. Sobreviveu à guerra e embarcou para Portugal no dia 15 de Abril de 1919 em Cherbourg, a bordo do navio inglês “Northwestern Miller”, tendo desembarcado em Lisboa em 19 de Abril. Após a guerra, viria a casar com Emília Rosa Bermudes em 18 de Janeiro de 1930. Faleceu no dia 11 de Setembro de 1954.

6 - João Gonçalves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 4 de Fevereiro de 1894 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua Direita, filho de pai incógnito e de Rosa Gonçalves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na rua Direita, na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Já em França, foi colocado no Quartel General da Base - Depósito de Materiais da Base em 6 de Novembro de 1917, ficando a prestar serviço na Secção de Fardamento.
Foi punido em 25 de Maio de 1918 pelo Diretor do Depósito de Fardamentos da Base “com 2 dias de detenção  tendo que atendendo ao seu bom comportamento anterior, porque estando nomeado para serviço de ronda no dia 17 do corrente, apresentou-se 10 minutos mais tarde depois da hora que lhe havia determinada…”. Foi novamente punido em 15 de Abril de 1918 pelo Diretor do Depósito e Oficinas de Fardamentos da Base “com 6 dias de detenção por ter faltado à formatura do recolher do dia 14 do corrente apresentando-se às 6 horas do dia 15…”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal no dia 6 de Maio de 1919, a bordo do navio português “Gil Eanes”, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 10 de Maio. Após a guerra, viria a casar com Isolina Augusta Gonçalves em 11 de Novembro de 1940. Faleceu às 12 horas e 50 minutos do dia 19 de Dezembro de 1940.

7 - José Maria Pereira, Soldado do Regimento de Obuses de Campanha - 4ª Bateria, unidade sediada em Castelo Branco. Nasceu às oito horas da manhã do dia 7 de Maio de 1892 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua Direita, filho de Alfredo Fernandes Pereira e de Ludovina Rosa Gonçalves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na rua Direita, na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 17 de Agosto de 1917.
Já em França, foi promovido a 1º Cabo em 1 de Setembro de 1917. Viria a ser punido no dia 26 de Novembro de 1917 “pelo Comandante da Bateria com 4 dias de detenção por não cumprir uma determinação  de serviço ordenada pelo seu Comandante de bateria”.
Posteriormente, em 8 de Fevereiro de 1918, baixa à ambulância nº 3, sendo evacuado para o Hospital de Sangue no dia seguinte (dia 9). De seguida, volta a ser evacuado, desta vez para o Hospital Canadiano 3 no dia 11 desse mês de Fevereiro. Em 29 de Março de 1918, foi evacuado para o Hospital da Base nº 1.
Em 22 de Abril de 1918, foi julgado incapaz para todo o serviço e foi repatriado. Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal no dia 14 de Maio de 1918, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 17 de Maio.

8 - Mário Teixeira Pinto, Soldado do Regimento de Obuses de Campanha - 5ª Bateria, unidade sediada em Castelo Branco. Nasceu às onze horas da noite do dia 5 de Abril de 1893 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua da Misericórdia, filho de Arthur Napoleão de Mattos Teixeira Pinto, telegrafista, e de Claudina Roza da Silva. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 1 de Janeiro de 1916 com Emília Delfina de Araújo e era morador na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 20 de Agosto de 1917.
Já em França, foi colocado no 6º Grupo de Baterias de Artilharias em 21 de Dezembro de 1917 por ordem do Comando da 2ª Divisão do C.E.P.
Em 10 de Junho de 1918, foi “condenado pelo Tribunal de Guerra do Corpo, na penas de seis meses de Presídio Militar, ou em alternativa, na pena de seis meses de incorporação no Depósito Disciplinar e, em qualquer dos casos, na pena de baixa de Posto. Ordem do Corpo Expedicionário Português nº 158, 22/6/1918”. Em consequência da decisão do Tribunal Militar, segue marcha escoltado até Cherbourg onde dá entrada no dia 28 de Junho de 1918, no Depósito de Adidos do Corpo Expedicionário. Em 2 de Julho de 1918, dá entrada na prisão do acampamento. Em 8 de Julho desse ano, segue marcha até ao Porto de Embarque de Cherbourg, de onde sai a bordo do navio “Pedro Nunes” no dia 16 de Julho de 1918, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 19 de Julho.
Viria a falecer em Luanda (Angola) no dia 14 de Julho de 1971.

9 - António de Melo, Soldado do 3º Grupo Automóvel - Comboio Automóvel. Nasceu às nove horas da noite do dia 31 de Dezembro de 1894 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua Direita, filho de pai incógnito e de Júlia da Glória de Melo. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 26 de Setembro de 1917, tendo chegado ao Porto de Brest no dia 30 do mesmo mês.
Já em França, sabe-se que foi colocado no Serviço de Transporte Automóvel em 1 de Abril de 1918 onde ficou com o nº 961. Foi punido em 21 de Abril de 1918 pelo Comandante do Parque Automóvel “com 2 guardas por ter faltado à 1ª refeição”. Foi novamente punido em 28 de Abril do mesmo ano pelo Comandante do Parque Automóvel com 2 dias de detenção por ter saído do estacionamento sem licença”. Foi novamente punido e 5 de Maio de 1918 pelo Comandante do Parque Automóvel “com 4 dias de detenção por ter faltado à 1ª refeição sem motivo justificado”.
Foi condecorado com a Medalha Comemorativa da Expedição a França segundo consta Ordem de Serviço nº 49 da Secção Automóvel do Quartel General do Corpo Expedicionário de 22 de Fevereiro de 1919.
Em 10 de Junho de 1919, abandona a Secção Automóvel afim de seguir para Cherbourg para o Porto de Embarque com vista a ser repatriado. Embarca com a Secção de Adidos em 5 de Julho no navio inglês “Northwest Miller”, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 19 de Julho desse ano de 1919.
Viria a falecer em 31 de Agosto de 1944, na vila de Melgaço.

10 - Secundino Augusto Calheiros, Soldado da 2ª Companhia do Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro. Nasceu às oito horas da noite do dia 13 de Dezembro de 1892 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), filho de pai incógnito e de Silvana Inocência Calheiros. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Maria Emília Ferreira desde 5 de Dezembro de 1916 era solteiro e era morador em Vila Praia de Âncora, Caminha. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, com destino a França integrado no Corpo Expedicionário Português a 26 de Maio de 1917, em direção ao Porto de Brest.
Já em França, sabe-se que baixou ao Hospital da Base 1 no dia 9 de Abril de 1918, dia da batalha de La Lys. No mesmo Hospital, foi julgado incapaz para todo o serviço por Junta Médica. Teve alta no dia 2 de Maio. Posteriormente, embarca no Porto de Embarque em Cherbourg com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 17 de Maio de 1918.
Viria a falecer em 28 de Maio de 1973 em Vila Praia de Âncora (Caminha).

11 - Joaquim de Egas Afonso, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às sete horas da manhã do dia 15 de Março de 1895 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), filho de Joaquim de Egas Afonso e de Maria José de Sousa e Castro Meleiro. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Melgaço.
Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França, integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho, portador da chapa de identificação nº 49 561.
Já em França, no cenário de guerra, recebeu várias punições por comportamento julgado não adequado em contexto militar em tempo de guerra. Assim, foi punido em 12 de Setembro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção, atendendo ao seu comportamento anterior por haver faltado à instrução que no dia 11 teve lugar das 13 às 17 horas…”.
Novamente, em 2 de Outubro de 1917, foi punido “ pelo Comandante da Companhia com cinco dias de detenção por se ter ausentado ontem da área da companhia sem autorização”. Ainda em Outubro de 1917, mais precisamente no dia 19, foi de novo punido “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional por não ter ido ao trabalho em “Krigs Cross” na manhã de 16 (dia) por declarar estar doente, doença que não foi confirmada em revista de saúde a que foi presente…”. Contudo, os episódios de indisciplina não se ficam por aqui, recendo novamente punição em 18 de Fevereiro de 1918 “pelo Sr. Comandante da 4ª Companhia com 2 guardas por não tratar do arrumo da sua companhia como lhe foi determinado pelo Cabo Chefe do Grupo do seu alojamento…”.
Baixou ao Hospital da Base 1 em 24 de Outubro de 1918, ficando tendo tido alta em 11 de Novembro, ficando ali a fazer serviço. Posteriormente, seguiu para o Quartel General da Base em 2 de Fevereiro de 1919 “por ser dispensado do serviço daquele hospital”. Em 6 de Fevereiro desse mesmo ano, passa a integrar o Batalhão de Infantaria 6, 4ª Companhia.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França), juntamente com o Batalhão de Infantaria 6, com destino a Portugal no dia 15 de Abril de 1919, a bordo do navio inglês “Northwestern Miller”, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 19 de Abril.

Faleceu às 9 horas do dia 15 de Março de 1959, na freguesia de Paranhos, concelho do Porto.