Trilho pelo antigos caminhos que ligavam as aldeias de Castro Laboreiro. Estes caminhos merecem ser percorridos e estes sítios explorados. Só respirando aquele ar é que se sente de facto Castro Laboreiro!!!
terça-feira, 31 de julho de 2012
Principais pontes em Melgaço no séc. XVIII (segundo as memórias paroquiais de 1758)
As
principais pontes localizam-se pois no rio de Mouro, na área do concelho de Melgaço.
A ponte da Estadela (Memória de Parada do Monte) e a ponte da Minhoteira, que
antes era de pau e há poucos anos de cantaria (Memória de Parada do Monte).
Sobre o rio Mourilhão, a ponte de Mourilhão e outra no sítio ficando em Parada do
Monte (Memória de Parada do Monte). Sobre o rio que nasce no sítio das Regadas,
afluente do Mourilhão, em Parada do Monte, a ponte do Porto do Rio (de cantaria)
e outras de pedra tosca, do Borrageiro, da Cerdeira, de São Marcos (Memória de Parada
do Rio). Estas pontes de pedra, porque outras são ainda de pequenos pontilhões
de padieiros de pedra e de madeira, de mais pequeno porte e curso, que
atravessa o rio Mouro – designadamente a ponte de pau para passar entre a
freguesia de Cousso e a freguesia da Gávea. No rio de Castro Laboreiro 3 pontes
de cantaria: a do Rodeiro, a Ponte Pedrinha (junto a Castro), e a da Assureira.
E também nos seus afluentes: sobre o rio Campelo, uma ponte de pau (no sitio de
Porto Campelo), e uma de cantaria no sitio de Varziela; no rio da Ponte das
Veigas, a ponte de cantaria no sitio das Veigas e no rio Barreiro, a ponte de
cantaria no sitio de S. Brás (Memória de Castro Laboreiro).
Informações recolhidas em:
- CAPELA, José Viriato (2005) - As freguesias do Distrito de Viana do Castelo nas Memórias Paroquiais de 1758. Alto Minho: Memória, História e Património Casa Museu de Monção/Universidade do Minho.segunda-feira, 30 de julho de 2012
O aproveitamento dos rios e ribeiros de Melgaço segundo as Memórias Paroquiais de 1758
No território do concelho de Melgaço,
é naturalmente o rio Minho que faz figura principal. Nele confrontam muitas das
freguesias do concelho e relativamente a ele se orienta, em declive, o
território concelhio, para ele fazendo confluir muitos rios e ribeiros que aí
nascem e se desenvolvem. Por ele se delimita o território português do galego e
se desenvolvem muitas relações sociais e comerciais. Por ele se articulam as
terras do concelho melgacense do interior do território ao litoral marítimo e à
foz em Caminha. A desenvolver-se numa grande secção no termo concelhio, o mais
importante curso de água é o do Rio de Mouro, que pertence também ao concelho
de Monção e por cuja bacia hidrográfica se fazem, aliás, os limites de ambos os
concelhos. Tem seu princípio no sítio da Portela do Lagarto, freguesia de Lamas
de Mouro e vem ao fim de 2 léguas a lançar-se no rio Minho de que é afluente
importante no sítio da Ponte de Mouro (Memória de Cousso, Cubalhão). Diz-se rio
caudaloso – com enchentes no Inverno –, que corre todo o ano, ainda que sem
qualquer navegação, porque de grande declive e correndo frequentes vezes entre
fortes penedias (Memória de Ceivães). É no final o resultado de algumas
importantes confluências: a do rio Mourilhão, que nasce nos limites da freguesia de Parada do Monte e se
junta ao rio de Mouro junto à ponte de Estadela. É também relativamente
caudaloso e de «curso arrebatado» por correr entre penedias e fragões (Memória
de Parada do Monte) e outros ribeiros, designadamente os que tem princípio na
serra de Parte Aguas e serra de Buzenlhe (Memória de Lamas de Mouro). O rio do
Porto nasce no sítio da Espartanga (Memória de Parada do Monte). Em Roussas
diz-se nascer um regato no sítio de Pumadelo (Memória de Roussas) e em S. Paio
de Melgaço faz-se referência à corga e rio de Montirigo e rio [Lantes] (Memória
de S. Paio de Melgaço).
Em Crasto Laboreiro nasce o rio de Castro Laboreiro, ao qual se juntam o rio de Campelo, o rio de Ponte das Veigas e o rio de Barreiro. Corre o Crasto Laboreiro para o Soajo, acabando no rio Tibo do Soajo (Memória de Casto Laboreiro). A pescaria do rio Mouro é em especial de trutas, frequentes da Gávea para cima; para baixo pesca-se também bogas e enguias (Memória de Parada do Monte). Neste como nos demais ribeiros e riachos a pescaria é livre, também de um modo geral é livre o acesso às águas. Nalguns casos andam repartidas e separadas entre os moinhos e os campos, num regime geral com muitas aplicações por todo o lado, tal como vai referido pelo memorialista de Remoães: «as aguas das ribeiras andam partidas desde o dia 18 de Julho até o dia 8 de Setembro (…) e neste tempo correm de noite para os ribeiros para moerem os moinhos, excepto à noite dos Sábados que se tem determinada para as terras que não tem quinhão de agua» (Memória de Remõaes, Melgaço).
Em Crasto Laboreiro nasce o rio de Castro Laboreiro, ao qual se juntam o rio de Campelo, o rio de Ponte das Veigas e o rio de Barreiro. Corre o Crasto Laboreiro para o Soajo, acabando no rio Tibo do Soajo (Memória de Casto Laboreiro). A pescaria do rio Mouro é em especial de trutas, frequentes da Gávea para cima; para baixo pesca-se também bogas e enguias (Memória de Parada do Monte). Neste como nos demais ribeiros e riachos a pescaria é livre, também de um modo geral é livre o acesso às águas. Nalguns casos andam repartidas e separadas entre os moinhos e os campos, num regime geral com muitas aplicações por todo o lado, tal como vai referido pelo memorialista de Remoães: «as aguas das ribeiras andam partidas desde o dia 18 de Julho até o dia 8 de Setembro (…) e neste tempo correm de noite para os ribeiros para moerem os moinhos, excepto à noite dos Sábados que se tem determinada para as terras que não tem quinhão de agua» (Memória de Remõaes, Melgaço).
Informações recolhidas em:
- CAPELA, José Viriato (2005) - As
freguesias do Distrito de Viana do Castelo nas Memórias Paroquiais de 1758. Alto
Minho: Memória, História e Património Casa Museu de Monção/Universidade do
Minho.domingo, 29 de julho de 2012
Melgaço vive acentuado clima de insegurança na primeira metade do século XIX
Cadeia de Melgaço no século XIX
Em
tempos mais recuados, assistiu-se à actuação de quadrilhas, cuja actividade se
fez sentir por todo o Alto Minho, desde os inícios do século XIX. Em 1818, as povoações
ribeirinhas do rio Minho, quer do lado português, quer da Galiza, eram constantemente
atacadas por bandos de salteadores encapuzados, que não só roubavam como invadiam
as aldeias, intimidando as populações com tiros e ocupando tabernas e vendas. Alguns
destes bandos tinham motivações políticas e contavam, inclusive, com a
conivência do poder judicial. Outros foram, entretanto, desmantelados, como
a quadrilha que actuava em Melgaço, intitulada “A Cruzada de S. Gregório”. Este
grupo era liderado por Manuel Joaquim Veloso, capturado em quatro de Novembro
de 1834 e julgado e condenado em Junho de 1836. A aceitação da vitória liberal,
não sendo um facto consumado em todo o reino, contribuiu para o desenvolvimento
de uma política de guerrilha. Constituíu o primeiro passo para a
formação de bandos organizados, que se dedicavam à prática de todo o tipo de
atentados. Apesar da detenção, no decurso do ano de 1835, de algumas figuras
destacadas da guerrilha, em Janeiro de 1836 o provedor de Melgaço traçou um
cenário desolador. Algumas estradas, nomeadamente a que ligava a freguesia de
Penso a Valadares, estavam praticamente intransitáveis, devido ao clima de medo
imposto por bandoleiros, sendo o mais conhecido Tomás das Quingostas, que
deambulavam por aquelas terras.
Por outro lado, funcionários judiciais recusavam-se a entrar nas aldeias e afixar editais contra eles, com receio de perder a vida, imperando, por isso, um verdadeiro clima de medo e delação. Em Fevereiro de 1836, o administrador geral do distrito dava conta da disseminação de bandos de salteadores, que, em alguns concelhos, não se limitavam a realizar incursões nocturnas, de beira de estrada, mas atacavam as povoações e todos aqueles que ousavam resistir. Para agravar a situação, tais acontecimentos desenrolavam-se num quadro em que a ordem liberal ainda não estava consolidada, os recursos eram limitados e os serviços de polícia e segurança incipientes, permitindo que os criminosos vagueassem livremente e, por consequência, se registasse a propagação da violência. Nos últimos anos da década de trinta, bem como nos primeiros anos da década seguinte, a criminalidade foi potenciada pelo contexto político, por antagonismos religiosos e pela elevada actividade de bandoleiros, aos quais se juntavam desertores e inimigos da monarquia constitucional. A sua actuação traduzia-se não só em atentados contra a propriedade, ou contra os representantes locais do poder liberal, mas também contra a população em geral. Por sua vez, muitos dos antigos funcionários da ordem política anterior, afastados dos seus cargos e sem meios de sustento, dedicavam-se à gatunice e vagabundeavam pelo distrito.
Por outro lado, funcionários judiciais recusavam-se a entrar nas aldeias e afixar editais contra eles, com receio de perder a vida, imperando, por isso, um verdadeiro clima de medo e delação. Em Fevereiro de 1836, o administrador geral do distrito dava conta da disseminação de bandos de salteadores, que, em alguns concelhos, não se limitavam a realizar incursões nocturnas, de beira de estrada, mas atacavam as povoações e todos aqueles que ousavam resistir. Para agravar a situação, tais acontecimentos desenrolavam-se num quadro em que a ordem liberal ainda não estava consolidada, os recursos eram limitados e os serviços de polícia e segurança incipientes, permitindo que os criminosos vagueassem livremente e, por consequência, se registasse a propagação da violência. Nos últimos anos da década de trinta, bem como nos primeiros anos da década seguinte, a criminalidade foi potenciada pelo contexto político, por antagonismos religiosos e pela elevada actividade de bandoleiros, aos quais se juntavam desertores e inimigos da monarquia constitucional. A sua actuação traduzia-se não só em atentados contra a propriedade, ou contra os representantes locais do poder liberal, mas também contra a população em geral. Por sua vez, muitos dos antigos funcionários da ordem política anterior, afastados dos seus cargos e sem meios de sustento, dedicavam-se à gatunice e vagabundeavam pelo distrito.
A
implantação definitiva do regime liberal e das consequentes reformas conduziram
à disseminação dos crimes políticos e religiosos. Tratava-se de ecos do
miguelismo, que se materializavam no cometimento de delitos contra o Estado,
sob a forma de sedições, rebeliões e assuadas, e contra a ordem religiosa
reformada. Foram vários os “cismáticos” perseguidos em Melgaço e noutros
concelhos do distrito de Viana do Castelo, mas outros conseguiram escapar à
justiça e engrossaram as fileiras dos bandos de salteadores.
É,
todavia, de salientar que não podemos considerar que a totalidade do povo rural
do Alto Minho, manipulado pelas oligarquias locais, pugnava cegamente pela
defesa do absolutismo e pela fé cristã. Corremos, aliás, o risco de nos
revelarmos preconceituosos e redundantes, ao admitirmos a possibilidade de a
ignorância, a falta de instrução, o conservadorismo e o fanatismo das
populações serem os únicos elementos do discurso explicativo da adesão à causa miguelista
e considerá-las uma força de bloqueio ao progresso da nação.
Texto extraído de:
- "ESTEVES, Alexandra Patrícia Lopes (2010) - Entre
o crime e a cadeia: violência e marginalidade no Alto Minho (1732 - 1870). Tese
de Doutoramento, Universidade do Minho, Instituto de Ciências Sociais.
Em 1462, o rei D. Afonso V confirma para Castro Laboreiro, entre outros, o privilégio da fronteira livre com Milmanda e Araúxo (Galiza)
Nunca foi fácil a estas populações raianas, marcadas por um forte periferismo sacudir, quer a crescente pressão fiscal dos agentes régios que desanimava a vinda dos galegos, quer a influência senhorial, que cobrava portagens arbitrárias e exercia abusos, contrariando, assim, a corrente regular de trocas, causando, em muitos casos, uma animosidade entre comunidades vizinhas, como o deixam transparecer as múltiplas declarações efectuadas nas diversas Cortes do séc. XV.
Populações, altamente lesadas pelas medidas de foro
fiscal, aproveitaram a presença de Afonso V no vale do Minho, em 1462, para
irem ao seu encontro e queixarem-se, não só da violência de que eram alvo, por
parte das autoridades, como para lhe solicitar a confirmação dos velhos
privilégios de vizinhança, que abrangiam, também, as vizinhas populações
galegas. Curioso é, ainda, registar, que populações galegas raianas tomaram a
mesma iniciativa perante o monarca português.
De todas as povoações raianas, Castro Laboreiro, talvez,
fosse a mais atingida, por este conjunto de medidas, atendendo ao isolamento a
que ficou votada e que levantou graves problemas de subsistência.
D. Afonso V sensível ao pedido e à situação de penúria da
população castreja, outorgou, em Monção, uma carta em que lhes concedeu a manutenção
do velho privilégio de fronteira livre, nomeadamente, com Milmanda e Araúxo,
além da regalia de “lá hirem paçer com seus gados (...) e assi meesmo y o
faziam os dictos lugares que vinham ca a nossos rregnos ssem lhe sobre ello ser
posto embarguo (...) porquanto a dicta terra era muito fragosa e sse a assi nom
fezessem se nam poderiam manter nem soportar, ouvemos por bem de ellos
vizinharem e trautarem com os sobredictos assy como sempre teveram de custume”.
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