Em
1918 verifica-se a disputa pela exploração das águas de Melgaço. Como
concorrentes apareciam a Empresa Santos, Sobral & C.ª que havia adoptado, à
revelia dos seus estatutos de 1894, a denominação de ‘Empreza das
Águas«Minerais»’ ou ‘Minero-Medicinais de Melgaço’ e a outra sociedade era
a‘Empreza das Águas Minerais de Melgaço’ cujos sócios eram Luís Manuel
Solheiro, Lício de Miranda Solheiro e Bento Fernandes Pinto.
O
litígio andou pelos tribunais com recursos à Relação e ao Supremo Tribunal
Administrativo. A Santos, Sobral & C.ª foi negado o registo da denominação
que havia adoptado e à outra empresa decretou-se um embargo às obras de
captação que vinha efectuando no campo da Viscondessa do Peso mas o
Administrador do concelho recusou a fazê-lo cumprir. Esta recusa foi mantida
pelo Governador Civil o que lhe custou a sua demissão pelo governo de Afonso
Costa.
Finalmente
em 1919, um parecer de uma comissão, nomeada por portaria governamental,
concluía que “mesmo provada a independência das nascentes, elas nunca deviam
ser concedidas a mais de uma empresa, sob pena de nunca os conflitos cessarem
pelo que era proposto um acordo entre as partes” (Lopes, 1949: 103). Este
atingiu-se em 8 de Setembro daquele ano pela constituição da ‘Companhia das
Águas de Melgaço’ com o capital de 300 contos representativo do activo de 324
contos de Santos, Sobral & C.ª líquido de 24 contos devidos por essa firma
ao Banco Popular Português. Os quinhões de Santos, Sobral & C.ª tinham sido
adquiridos entre doze sócios fundadores da Companhia das Águas e Melgaço,
tocando a cada um 25 contos em acções: o Dr. Adolfo de Castro e Sola, director;
o Prof. J. A. Ferreira da Silva; António Ferraz de Sequeira, director da filial
do Banco de Portugal no Porto; o Dr. José de Oliveira Lima; e outros nomes
conhecidos de capitalistas portuenses (idem, ibidem).
A
nova empresa procurou então empreender um conjunto de ‘grandes iniciativas’
como se referiu o Prof. Ferreira da Silva em entrevista concedida ao diário
portuense ‘Debate’ e publicada entre 25 de Julho e 9 de Agosto de 1919.
Propunha-se executar o plano de melhoramentos gizado em 1917: um hotel, um
casino, parque e balneários (idem, ibidem).
Em
1919, deu-se início à construção do balneário termal. Numa primeira fase, foi
apenas construída uma das alas, por forma a dar-se imediatamente início à
actividade, que se manteve quase até ao final da construção com 10 banheiras em
ferro esmaltado e uma sala de duches, tendo duas caldeiras de vapor para
aquecer as águas dos banhos, conforme relatório da visita efectuada em 1923
pela Inspecção das Águas Minerais à estância. Neste ano, funcionava “apenas
metade do edifício, com 10 banheiras de ferro esmaltado e sala de duchas”(idem,
ibidem).
Em
1924 ficaram concluídas as obras do balneário. “A sua inicial estruturação
interna, que segundo os padrões da época configurava a divisão por sexos,
apresentava duas alas, espelhos quase perfeitos uma da outra. Tudo era
duplicado: os balneários, as salas de duche e mesmo o número de
banheiras”(Câmara Municipal de Melgaço).
O
aumento da frequência das termas pelos aquistas justificou um “pedido de
licença para exploração de uma segunda Nascente, a do Prado. O aproveitamento
desta emergência foi planeado em Outubro de 1920, sendo o projecto apresentado
em Dezembro, por forma a vincar indelevelmente a entrada da nova Administração.
Mas nem tudo correu bem na captação deste novo manancial: não foi escolhido um
ponto de emergência adequado e as águas brotavam através das camadas argilosas
e ferruginosas mais altas, provocando a libertação de gás e a perda de água.
Assim os trabalhos tiveram que se prolongar até 1921, tendo sido feita a adução
da nova água ao Pavilhão da Fonte Principal, via uma tubagem de grés implantada
numa galeria, preparada para visitas técnicas, o que era um avanço
relativamente à época” (idem, ibidem).
A
publicidade à água de Melgaço descrevem-na como sendo:
“Hypotermal-Hypomineralisasda-
Gazocarbónica-Bicarbonatada- Mixta-Cálcica-Sodica- Magnésica-Ferrea-
Lithinica-Manganésica. Utilíssima nas doenças gerais (diabetes, arthritismo,
etc.), doenças do aparelho digestivo (dispepsias, úlceras de estômago cicatrizadas,
enterites, etc.) e do sistema nervoso (neurastenia, histeria, etc)” (Notícias
de Melgaço, Julho 1921).
Os
aquistas aumentaram no Peso. Em 10 de Julho de 1922, o jornal ‘Notícias de
Melgaço’ justificava a cada vez maior afluência pelos preços praticados nos
hotéis da estância e recomendava que os hoteleiros os mantivessem mais baixos
comparativamente aos de outras termas, “pois desta forma muito concorrerão para
o desenvolvimento desta localidade” (Notícias de Melgaço, Julho 1922).
Em
1924 deu-se também início ao Parque das Termas, traçado por Jacinto de atos,
frondoso espaço com árvores de grande porte (plátanos, faias, cedros, tílias,
etc).
Os
anos do primeiro quartel do séc. XX corresponderam a um período de relativa
estabilidade na frequência de aquistas nas Termas do Peso. Uma carta de um
leitor enviada ao jornal ‘Melgacence’ referia que “não há exemplo, desde que
frequento esta estância, de maior movimento, como agora. Os hotéis estão à
cunha. Os hoteleiros não teem mãos a medir. O Figueiroa, já se considera rei
destes sítios com ou sem óculos. Pelo trespasse do seu estabelecimento pediu
nada mais nada menos que 500 contos, se é verdade o que me disseram. As águas
mal chegam par os que a bebem à bica, pelo que a Empresa leva mais 10, além dos
45 da inscrição, para os que dela precisam para tomar em casa” (Melgacence,
Setembro 1926).
Esta
favorável situação económica contribuiu para uma reanimação do Peso reflectida
no comércio e restauração. Diversificou-se o padrão de consumo até aí muito
centrado nos bens de primeira necessidade. Desde 24 de Maio de 1915 que existia
na localidade um “estabelecimento de fazendas «High life», filial
da«Republicana» de Francisco de Sousa Cardoso, da Vila” (VAZ, 1996: 224). Em 8
de Agosto de 1926, o ‘Jornal de Melgaço’ noticiava a abertura, na localidade,
de um estabelecimento de rendas, “de variados desenhos e finos gostos
confeccionados em linha e seda” (Jornal de Melgaço, 8 de Agosto de 1926)
provenientes de oficinas de Vairão (Vila do Conde) “dirigidas por distintas
senhoras da melhor sociedade vilacondense” (idem, ibidem).
Nos
hotéis, os aquistas divertiam-se com festas e bailes: “Os hóspedes mais
entusiasmados são os da Quinta do Peso e Ranhada. Os do Rocha são mais
socegados, mais maduros, a cuja cura de repouso se entregam sob o mais rigoroso
preceito, tendo apenas por distracção algum canto, música e o indispensável
quino” (Melgacence, Setembro 1926), No dia 1 de Setembro de 1926 realizou-se
no‘Hotel Ranhada’ uma “festa elegante. Música no parque, danças populares,
jogos de rapazes e à noite no Salão de baile, dança, música, canto e versos
recitados a primor” (idem, ibidem).


As
ligações com o exterior passaram a ser alvo de atenção por parte das
autoridades locais. A estrada entre Monção e Melgaço, onde os passageiros dos
automóveis sofriam ‘torturas’ pois iam aos ‘solavancos, em bolandas, foi, em 21
de Janeiro de 1927, objecto de uma “arrematação por empreitada, dos concertos
entre o quilómetro 12 a 23” (Melgacence, 1927). Advogava-se ainda o
prolongamento do caminho de ferro entre Monção e Melgaço na extensão aproximada
de 22 quilómetros, como complemento da Linha do Minho e em via larga (idem,
ibidem).
Porém,
em 1927, a época termal estava muito comprometida a atender ao que o
jornal‘Melgacence’ dizia: “Contrista ver o estado em que estão as nossas
preciosas águas. As primitivas nascentes do grande pavilhão envidraçado feito
quando era seu director o inesquecível médico Dr. António Pereira de Sousa,
estão cobertas de areia, lodo e água” (Melgacence, Maio 1927).
A
situação originou uma petição dirigida à Câmara Municipal e Governo Central na
qual se afirmava: “As águas medicinais do logar do Pezo, deste concelho, únicas
no País, estão em claro, evidente e indiscutível decadência. Sem reclame, sem
comodidades, sem meios de transporte, sem pavilhões, sem protecção às
nascentes, a sua condenação é certa e cremos bem o seu fim está próximo. Sem
instalações apropriadas, sem utensílios competentes e necessário, arrolhamento
de garrafas pouco limpas fora de todos os preceitos essenciais do cuidado e da
higiene, conduzindo impurezas. São durante meses e meses um charco de todo
imundo. As águas das chuvas e dos regatos inunda os pavilhões, atinge metros de
altura!. A estância das águas envergonha-nos: esboços de avenidas mal principiadas,
onde há muito paralisaram as obras; pontes de madeira, anos e anos à
intempérie, apodrecendo, pavilhões de vidros quebrados, de ferros enferrujados,
de pedras a enegrecer à míngua de cuidado; balneário a desconjuntar-se,
interiormente a arruinar-se, ao abandono; barracões de madeira desfiando; regos
primitivos, charcos, lamas; plantas e arbustos irrompendo de toda a parte a
dar-lhe um aspecto de montado; e lixo e imundície e desleixo, sempre e sempre
miséria! Aparência de bairro pobre a desmoronar-se afugentando os
frequentadores e entristecendo os habitantes desta região” (Melgacence,
Novembro 1927).
Verifica-se
então a mudança na direcção clínica. Em 1929 o Dr. Silvério Gomes da Costa
substitui o Dr. António José Duro. Foi nomeada uma ‘Comissão de Iniciativa’
para introduzir melhoramentos na estância: “Remodelou-se a secção das senhoras
no Balneário, instalou-se um laboratório de análises ampliado com uma farmácia
sob a direcção do Dr. Eduardo Costa, ainda aluno do curso de medicina” (Lopes, 1949:
119). Uma outra melhoria foi a da iluminação do Peso que passou a dispor de
seis candeeiros ‘Petromax’ de 500 velas cada um, desde 1 de Julho a 31 de
Outubro (Notícias de Melgaço, Junho 1929).
Como
a expansão das termas necessitaria de terreno, o Conselho de Administração
deliberou requerer a expropriação de parte dos terrenos pertencentes à
Viscondessa do Peso sem os quais ficariam comprometidos os melhoramentos que a
Companhia pretendia fazer (Notícias de Melgaço, Abril 1929).
Os
esforços para a afirmação das águas de Melgaço foram coroados pela atribuição
da medalha de ouro da Exposição de Sevilha, distinção que o Notícias de 23 de
Março de 1930 relata como tendo sido recebida “com a maior satisfação das
pessoas que conhecem estas milagrosas águas que tantas vidas têm salvo e em
sinal de regozijo foram imediatamente embandeiramos o pavilhão e oficinas por
ordem do Sr. António Joaquim Gomes, fiscal do estabelecimento, fazendo feriado
o dia para o pessoal que trabalha no estabelecimento” (Notícias de Melgaço,
Março 1930).
Continuou-se
com a arborização do Parque com a “plantação de algumas centenas de árvores nem
só de sombra, mas também de fructa e flores, o que muito agradará aos hospedes
que anualmente nos visitam” (Notícias de Melgaço, 1930), na opinião do
correspondente no Peso do ‘Notícias de Melgaço’ de 4 de Maio de 1930.
O
mesmo jornal, em 8 de Junho, daquele ano, noticiava a abertura do Balneário,
sob a direcção do Dr. Athias Ark e informava serem os preços praticados por
aquele estabelecimento os seguintes: Inscrição médica 50$00, idem uso das águas
50$00, duches seclalisos 5$00, banho de imersão água mineral 6$00, irrigações
vaginais no banho 7$00, banho bolha de ar em água comum 7$00, massagem geral
20$00, idem parcial 15$00, banho de imersão em água comum 4$50, idem bolha de
ar em água mineral 8$50, banho gaso-carbónico 12$00, actinoterapia 15$00, duche
ar quente 10$00, lençol e toalha 2$00, balança $50.
Os
novos preços permitiram obter, durante o mês de Junho do mesmo ano, um
rendimento do Balneário de 10:991$60 e proveniente, principalmente, de 72
inscrições médicas; 76 inscrições de água no hotel; 76 inscrições de águas; 23
banhos de imersão em água comum; 48 banhos em água mineral; 48 banhos
gaso-carbónico e 57 duches (Notícias de Melgaço, Julho 1930).
Uma
visita às Termas do correspondente no Peso do mesmo jornal descrevia assim as
impressões: “Ficamos maravilhados com a limpeza e o aceio que notamos logo à
primeira vista, a dentro e fora do rico pavilhão que cobre a primitiva
nascente” (Notícias de Melgaço). Referindo-se às avenidas do interior do Parque
destaca “a que corre na direcção de nascente para poente dirigindo-se a um
simples pavilhão de madeira, que cobre uma outra nascente de águas minerais,
que foi descoberta recentemente, e aonde se encontram duas raparigas muito
frescas e aciadas cujas amabilidades atraem ali os hóspedes que frequentam as
águas…” (Notícias de Melgaço, Agosto 1930).
O
Hotel da Quinta do Peso foi sujeito a obras de ampliação. O respectivo pedido
de licença, dirigido em 3 de Junho de 1931 pelo seu proprietário José Figueiroa
Granja ao Administrador da Câmara Municipal, pretendia aumentar o corpo já
existente acrescentando-o para o poente conforme planta que se anexava ao
requerimento. Destinava-se o aumento a cozinha e outras dependências, sendo a
construção em pedra “tendo as janelas e portas as dimensões determinadas na
mesma planta” (Arquivo da Câmara Municipal de Melgaço, 1931).
Em
1931 é inaugurada a luz eléctrica no Peso. O Notícias de Melgaço’ de 17 de Maio
daquele ano relata a instalação da electricidade em vários prédios desta
estância: 500 lâmpadas no Hotéis Rocha, Quinta do Peso e filiais, no Parque e
avenidas da empresa das Águas. Anunciava a inauguração para os
primeiros dias de Junho sendo a energia fornecida pela Companhia do Tambre com
sede na vila de Naia, província da Corunha, Espanha (Notícias de Melgaço, Maio
1931).
Amiudadas
vezes faltava a luz, como refere o correspondente no Peso daquele jornal: “É
raríssima a noute em que nesta localidade se conserve a luz eléctrica toda a
noute sem por vezes se apagar, o que causa grandes prejuízos não só à casas
particulares, como aos hotéis, casas de pensão e casas comerciais… Assim é que
os hoteleiros e casas de pensão são obrigados a ter em depósito em sua casa de
caixas de velas” (Notícias de Melgaço, Setembro 1932).
O
emprego da electricidade possibilitou a que se fizessem no balneário aplicações
de diatermia, para o que foi adquirido um aparelho; ampliou-se também a secção
de banhos carbogasosos. O balneário ficou provido de um serviço completo de
banhos de imersão, carbo-gasosos, duchas escocesas e subaquáticas. Em 1935
começou a direcção clínica “a empregar sistematicamente as curvas glicémicas
como meio de investigação dos efeitos das águas na diabetes” (Lopes, 1949).
Foram
também anos em que se procurou dotar os aquistas de meios de diversão tendo-se
inaugurado em 1931 o campo de ténis.
“Com
maior frequência o Parque, o Pavilhão das Águas, os salões dos hoteis se
animaram com as galas de iluminações nocturnas, as harmonias de bandas de
música e orquestras, a elegância dos bailes e a alegria das quermesses. Era a
beneficência, o melhor incentivo das festas, segundo as boas tradições das
estâncias portuguesas. Contribuir para a filial que a Associação Protectora dos
Diabéticos Pobres, em 1931, instalou no Peso, contribuir para o hospital da
Misericórdia de Melgaço, contribuir para os pobres, tornou-se pretexto para
amiudadas festas” (idem, ibidem).
Em
28 de Agosto de 1932 o ‘Notícias de Melgaço’ descrevia assim a animação na
estância: “As 9 horas da manhã deu entrada no Peso a afamada Banda dos
Bombeiros Voluntários de Melgaço, com um primoroso passo dóbli e depois de
executar várias peças do seu vasto reportório no Parque do Grande Hotel
Ranhada, dirigiu-se para o parque das Águas, e aí permaneceu até à noute, tendo
início dentro do Pavilhão das Águas e fora, um concorridíssimo baile que se
prolongou até às três horas do dia 29. Durante a tarde houve jogos
variadíssimos e diferentes divertimentos. A ordem era mantida por uma patrulha
de marinheiros fardados e devidamente armados, comandada pelo Sr. E.P. de
Mendonça, que devido à boa educação de todo o povo que foi assistir a estes
festejos, não foi alterada a ordem da força acima referida” (Notícias de
Melgaço, Setembro 1932).
Três
dias depois houve, no Peso, um outro baile, “por iniciativa de alguns hóspedes
no Grande Hotel Ranhada e realizou-se a convite, visto encontrarem-se ali as
damas mais distintas não só da vila de Melgaço como também desta localidade. O
baile correu animadíssimo até às 2 horas da madrugada foi oferecido às damas à
meia noute um explêndido chá. A música constava de um quarteto composto de uma
concertina, violão, flauta e violino, dirigido pelo Sr. Dinis de Brito, que fez
executar com a inteligência e exactidão inumeráveis peças do seu grande
reportório” (idem, ibidem).
O
Parque do Grande Hotel do Peso conheceu também noites animadas como a da ‘Festa
da Caridade’ realizada em 17 de Setembro de 1932, “por iniciativa das Ex.mas
Sras. D. Judit Alheas, D. Maria José Nascimento e D. Sara Brou da Rocha Brito
que foi abrilhantada com Iluminação, Bailes, Quermesses, Barracas de chá e
petiscos nacionais servido por gentis Senhoras com trajes a carácter. As
Barracas muito originais e de um fino gosto artístico foram obra do Ex.mo Sr.
Lino do Nascimento tendo como auxiliar o incansável Ex.mo Sr. Rocha Brito. Às
vinte e duas horas, entrou com um primoroso passo doble a banda de Valadares
que depois de dar entrada no seu respectivo coreto, ali se conservou executando
inúmeras peças do seu vasto reportório até às três da madrugada” (idem, ibidem).
Contudo,
os bailes não compensavam grande parte dos aquistas que se sentiam prejudicados
com os aumentos de preços verificados nos serviços das Termas. O ‘Notícias de
Melgaço’ refere-se aos “protestos dos hóspedes que juram não voltar cá mais
devido ao elevadíssimo preço porque lhe fazem pagar a inscrição de banho”(idem,
ibidem). O correspondente daquele jornal no Peso afirmava: “Não há razão alguma
de uma inscrição custar 110$00 quando em outras termas, em que nada falta ao
hóspede, custa menos de metade desta importância. Não há razão alguma de um
enchimento custar um escudo quando é certo que a maior parte da água mineral
corre para o regato” (idem, ibidem). E concluía: “Temos ouvisto dizer a vários
hóspedes que o que vale ter vindo aqui deve-se à água ter feito milagres e aos
distintíssimos directores clínicos” (idem, ibidem).
A
fama dos bons serviços termais espalhou-se por todo o País e interessou a
comunidade científica. O complexo do Peso passou a ser visitado por médicos,
como os “diplomados pelo Instituto de Climatologia e Hidrologia, de Lisboa, em
excursão dirigida pelo Prof. Armando Narciso. Nos dias 29 e 30 de Julho de
1939, realizou-se também no Peso um Congresso de Medicina e Desportos
Higiénicos limitados aos diplomados da Escola de Medicina do Porto, do curso de
1931-32” (Lopes, 1949).
Em
1932, o prof. Ch. Lepierre repetiu a análise das águas, pela primeira vez
extensiva à Nascente Nova, e, com a colaboração do Prof. Herculano de Carvalho,
à pesquisa da radioactividade. Apresentava-se a Nascente Nova mais alcalina e
mineralizada que na análise de vinte e cinco anos atrás. Edmundo Correia Lopes,
interpretou os resultados da análise do seguinte modo: “a diferença entre as
duas nascentes não é de molde a criar-lhes especializações distintas, antes o
aproveitamento conjugado de ambas constitui em muitos casos, ampliação valiosa
dos meios terapêuticos. As águas são não só radioactivas, pelo radon, mas
possuem sais radíferos de duração a bem dizer perene e por isso de efeitos
permanentes. São bacteriologicamente puríssimas” (idem, ibidem).
Informações recolhidas de:
ACMM- Processo existente no Arquivo da Câmara Municipal de Melgaço, Melgaço, 1931.
Banhos de Caldas e Águas Minerais, 1875.
CÂMARA MUNICIPAL DE MELGAÇO - ‘Memória Descritiva’ do processo de pedido de classificação apresentado ao IPPAR, Ed. C. M. de Melgaço, Melgaço.
‘Jornal de Melgaço’, Melgaço, 21 de Julho de 1917 (BPMP).
‘Jornal de Melgaço’, Melgaço, 8 de Setembro de 1917 (BPMP).
‘Jornal de Melgaço’, Melgaço, 8 de Agosto de 1926 (BPMP).
LEITE, Antero e FERRAZ, Susana - O Edifício da Fonte Principal das Termas do Peso (Melgaço), in Boletim Cultural de Melgaço, Ed. C. M. de Melgaço, Melgaço, 2007, p. 109-136.
LOPES, Edmundo Correia - Melgaço. Estância Termal, Ed. Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas, Porto, 1949, p. 51, 65-67, 71, 73-77, 103-105, 111, 119-120, 125.
MARINHO, Óscar - Arquivo fotográfico, Melgaço.
‘Melgacence’,n.º 28, Melgaço, 5 de Setembro de 1926 (BPMP).
‘Melgacence’,n.º 48, Melgaço, 31 de Janeiro de 1927 (BPMP).
‘Melgacence’,n.º 60, Melgaço, 8 de Maio de 1927 (BPMP).
‘Melgacence’,n.º 87, Melgaço, 13 de Novembro de 1927 (BPMP).
Melgaço e as suas águas, in ‘Jornal de Melgaço’, n.º 1173, Melgaço, 1 de Setembro de 1917 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 17, Melgaço, 10 de Julho de 1921 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 48, Melgaço, 10 de Julho de 1922 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 17, Melgaço, 16 de Junho de 1929 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 9, Melgaço, 21 de Abril de 1929 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 54, Melgaço, 23 de Março de 1930 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 59, Melgaço, 4 de Maio de 1930 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 68, Melgaço, 13 de Julho de 1930 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 72, Melgaço, 10 de Agosto de 1930 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 109, Melgaço, 17 de Maio de 1931 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 163, Melgaço, 4 de Setembro de 1932 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 165, Melgaço, 18 de Setembro de 1932 (BPMP).
ORTIGÃO, Ramalho - Banhos de Caldas e Águas Mineirais, Ed. Colares Editora, Sintra, p. 25.
Regulamento do estabelecimento hidrológico das Águas Minerais de Melgaço, in no ‘Jornal de Melgaço’, n.º 1150, Melgaço, 10 de Março de 1917 (BPMP).
RIBEIRO, Maria Luísa e MOREIRA, Armando - Notícia explicativa da Folha 1-B (Monção), Carta Geológica de Portugal, Ed. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa, 1986, p. 30-31.
SILVA, M. Antunes da - Pesquisa e Captação de Água MineraL em Melgaço. Prospecção, Pesquisa e Captação de Águas Minerais Naturais. Recursos Geotérmicos e Águas de Nascente, IGM. (Disponível em WWW:http://e-Geo.lneti.pt/geociencias/edições_online/diversos/prosp_pesq/indice.htm>.
UNICER/VMPS- ÁGUAS E TURISMO, S.A - Projecto de Conservação, UNICER/VMPS - Águas e Turismo, S.A, Porto/Melgaço, 2002 (Arquivo Histórico da C. M. de Melgaço).
VAZ, P.e Júlio - Mário. Ed. autor, 1996, pp. 214, 221-222, 224.
http://acer-pt.org/vmdacer/index.php?option=com_content&task=view&id=602&Itemid=65