sábado, 4 de agosto de 2012

PADERNE (1720) - É elaborado o "Costumeiro" que regula o pagamento do dízimo ao Prior


Em 15 de Dezembro de 1720 regista-se a intervenção de um ‘examinador sinodal’ do Arcebispado de Braga chamado a Paderne para resolver ‘os pleitos’ entre o Mosteiro (na altura também paroquial) e os habitantes da freguesia. Decidindo pela elaboração de um ‘costumeiro’, aquela autoridade eclesiástica fixou um conjunto de direitos e obrigações sem por em causa o poder do D. Prior (ou Reverendo Pároco). Assim se regulou o pagamento dos dízimos: “De todo o pão, ou seja milho grande ou pequeno, trigo ou centeio, se costuma pagar de dez alqueires um, a saber: nove para o lavrador ou senhor e um para o Mosteiro ou rendeiro que arrenda pela mesma medida e da mesma sorte que medem os que lhe ficam se há de medir e mede o dízimo. De cada dez cabaços de vinho dão um de dízimo na forma sobredita. De dez castanhas se paga também dízimo nesta mesma forma. De feijões não pagam o dízimo pelos haver nesta freguesia há pouco tempo, e até ao presente não serem compelidos a isso ou o dissimularem. De frangos pagam um de dízimo quer tenham muitos quer poucos cada ano e um só que tenham o darão de dízimo. E que de cada vaca que tiverem parida pagarão dois vinténs de dízimo, e de animais de casa e horta oito réis, e de porco, de cada um que lhes nascerem, ainda que seja de uma só, lhes dá de dízimo de cada um bácoro, quinze réis não querendo dar de dez um, porque é à escolha do senhor deles” . Os fregueses, ‘sendo casados’ eram ainda obrigados a pagar “meio alqueire de pão, cada ano, de obrada e sendo viúvo ou solteiro pagará um quarto de pão e na mesma forma todos os mais sem diversidade de estado ou pessoa sendo morador na freguesia”; “falecendo algum casado ou viúvo, sendo rico pagará ao Reverendo Pároco de obradação três alqueires de pão, três cabaços de vinho, duas broas ou alqueire de pão, duzentos réis de carne, um carneiro ou quatrocentos réis, duzentos réis de esmola, um vintém de missa cantada, quatro palmos de fieira ou trinta réis, uma obrada no primeiro domingo que valha cinquenta réis ou o dinheiro; isto acima se entende pelo dia de corpo presente e primeiro o ofício, e pelo segundo e terceiro ofício tem o Reverendo Pároco em cada um deles duzentos réis de esmola, duzentos réis de carne e um vintém de missa cantada, quatro palmos de fieira ou trinta réis”. Se o falecido não fosse rico, tinha o Reverendo Pároco “de obradação no corpo presente dois alqueires de pão, dois cabaços de vinho e tudo o mais pelo modo acima, tanto em o primeiro e segundo e terceiro ofício” . No ‘costumeiro’ considerava-se “que os ricos são os que não compram pão, e os pobres são os que o compram”. Tal entendimento fazia com que a base social da tributação fosse muito alargada, pois, é crível que, na época, quase todos os agregados produzissem pão nos fornos a lenha existentes nas suas cozinhas. Havia ainda uma série de outros pagamentos: na morte de filhos, nos “nocturnos por defuntos mandados fazer voluntariamente” , nos baptizados, para os sermões das festas e missas cantadas, para a iluminação da lâmpada do Senhor, etc. A freguesia era ainda obrigada “a consertar as campas da Igreja”, a “varrer a Igreja todos os sábados” e a “encher as pias de água para se benzer, limpar o adro quando for necessário e concertá-lo quando houver missa”. Ao Mosteiro competia-lhe “fabricar e ter sempre preparados dois altares em o corpo da Igreja para os sacerdotes dizerem missa, e fabricar o altar de Nossa Senhora e o altar de Santo Cristo e tudo o mais que por razão do seu Mosteiro devem fabricar, sem que para isso contribua a freguesia em coisa alguma”.

O ‘costumeiro’ pretendeu regular as relações entre o Mosteiro como paróquia e os fregueses ou paroquianos no sentido “de não fomentar discórdias para o futuro que se pudessem suscitar entre o povo e religião que poderia nascer como tinha nascido por diversos arbítrios e inteligências dos Reverendos Dom Priores a seus súbditos”. Esta observação, redigida em 12 de Fevereiro de 1756 pelo Bacharel Pe. Miguel Gomes de Abreu, deixa subentender terem existindo episódios de contestação por parte habitantes da freguesia. Segundo o estudo de Célia Maria Taborda da Silva sobre o Mosteiro de Ganfei, os indicadores de produção e preços dos cereais revelam no período 1701-1710 “uma tendência dos preços para a alta, o que nos leva a supor que terá sido um período de baixa de produção e dificuldades generalizadas em todo o Alto Minho, que é em parte consequência das condições adversas do princípio do século”. No período 1711-1719, ocorreu “uma baixa bem demarcada, em que os preços descem cerca de 37,5% em relação a 1710. Esta fase corresponderia, portanto, a uma recuperação da produção da zona, que é igualmente evidenciada em Ganfei”. O ‘costumeiro’ de 1720 foi, assim, celebrado logo a seguir a uma época de boas colheitas de modo a ser melhor aceite pelos habitantes da freguesia depois de um período de tensões que se teriam verificado nos dez primeiros anos do séc. XVIII.

Informações recolhidas de:

- http://acer-pt.org/vmdacer/

Pelas ruas do centro histórico de Melgaço (para visitar e revisitar!!!!)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A Capela de Nossa Senhora da Orada (Vila de Melgaço)


Planta longitudinal orientada, composta por uma só nave e ábside quadrada. Volumes articulados com cobertura de telha a duas águas. Fachada principal enquadrado lateral e frontalmente por contrafortes e terminado em empena encimada por cruz foliculada sobre dorso de carneiro. Portal de três arquivoltas com enxaquetados, motivos vegetalistas, molduras e besantes, sobre imposta corrida e esculpida assente em colunas com capitéis vegetalistas. Encima-o cornija sobre cachorrada e fresta com colunelos, capitéis lisos, arquivolta e frisos envolventes de motivos vegetalistas e geométricos. Fachadas laterais corridas por friso e vários modilhões de apoio a dependências, fresta central, cornija sobre cachorros esculpidos e portal lateral; o do N. de arco de volta perfeita, e nós de Salomão gravados nas aduelas, sobre impostas zoomórficas; tímpano com árvore da vida ladeado por harpia e outro animal. Ábside com cornija besantada sobre cachorros esculpidos e fresta na parede testeira, abrindo para fora em arco quebrado. Interior com cobertura de madeira; de ambos os lados corre soco; arco cruzeiro quebrado, de duas arquivoltas: a exterior com friso esculpido sobre imposta e a interior sobre colunas com capitéis quadrangulares; ladeia-o dois nichos estreitos de arco quebrado e encima-o fresta. Na parede da Epístola inscrição. Capela-mor com pavimento mais alto, fresta da parede testeira abrindo também para o interior e dois nichos laterais, de arco quebrado.

Algumas referências históricas...

Em 1166, verifica-se a doação do senhorio de Orada ao mosteiro de Fiães pela Condessa Froila; 1170 - integrava-se no couto que D. Afonso Henriques outorgou ao mesmo mosteiro; por se encontrar em ruínas, D. Afonso Henriques manda-o reedificar, segundo escritura de doação feita por D. Sancho I em 11 Setembro 1204; 1189 - D. Sancho I deu aos frades de Fiães os quatro casais e meio de Figueiredo pela remissão dos seus pecados e pela herdade de Santa Maria da Orada que seu pai D. Afonso, lhes deu; 1211 - D. Afonso II teve algumas questões com as Infantas suas irmãs por causa dos bens que D. Sancho I lhes legou; 1218 - o senhorio da capela e seus bens estavam em dívida, e durante o século Portugal manteve pleitos mais ou menos declarados com Espanha por causa dela; 1220 - documento refere a capela como eremitério; 1245 - data inscrita junto ao arco triunfal assinalando a reconstrução da igreja, provavelmente substituindo a primitiva, possivelmente um eremitério dos frades de Fiães; a capela era administrada pelo Convento de Fiães; 1258 - Inquirições referem que foi usurpada ao património real e dado a um convento, sem o vigário da terra ter escrito no rol o consagrado - "Perdit Dominus Rex illud" - perdendo-o assim o rei; 1303, 5 Maio - Lourenço Gonçalves Raposo, morador na Bouça, doa trinta soldos à ermida de Santa Maria de Orada pela leira que tinha e fazia "Corredoira" de Orada, mandando que a sua geração dê anualmente à ermida os trinta soldos; posteriormente os frades deixaram de ali ter o seu eremitério, levando as chaves da capela para Fiães, passando assim a estar fechada grande parte do tempo; 1567 - construção do cruzeiro com imagem de Cristo crucificado em frente da capela da Orada, durante um período da peste, como agradecimento por Melgaço ter sido poupada ou a pedir por aqueles que morreram; 1652, 13 Fevereiro - testamento de Catarina Rodrigues, da freguesia de São João de Sá, termo de Valadares, recomendando uma Avé Maria do Rosário de Nossa Senhora da Orada à imagem da capela; 1691 - data inscrita numa pedra lavrada posta a descoberto nas obras de restauro dos anos 40; séc. 17 / 18 - substituição do antigo arco cruzeiro, feitura do púlpito, coro e outros melhoramentos; 1737 / 1738 - Marta Rilva foi a Fiães levar uma carta e pedir licença aos frades para se recolher na Orada a procissão e pedir-lhe a chave da grade, como era costume, e para trazer o Senhor caído; 1758, 24 Maio - segundo o padre Bento Lourenço de Nogueira nas Memórias Paroquiais, a capela de Nossa Senhora da Orada tinha sido fundação dos Templários, pertencia aos monges de São Bernardo do Mosteiro de Fiães e ficava junto à estrada que ia para a raia seca, que dividia Portugal da Galiza; 1834, até - pertencia ao mosteiro de Fiães, altura em que devido à extinção das ordens religiosas, foi entregue às autoridades concelhias; 1888, 1 Janeiro - D. Albina Olímpia de Sousa e Castro, sendo então fabriqueira da capela, oferece um campo na zona da capela, para criar um terreiro frontal à mesma; 1898, 15 Fevereiro - aquando da abertura da estrada nacional de Melgaço para São Gregório, a Junta de Freguesia deliberou colocar o Cruzeiro da Orada no centro do pequeno recinto, à margem da estrada, na confluência das freguesias de Santa Maria da Porta e Santa Maria Madalena de Chaviães, porque até ali estava junto à parede de suporte do terreno da capela; destruição da galilé da capela.


Algumas caraterísticas particulares
Trata-se de uma igreja de fábrica muito cuidada e custosa em relação ao local de implantação, ainda hoje isolada, revelando assim grande devoção. A maior concentração de motivos de carácter apotropaicos gravados no portal N. revela seguir a tendência da região em temer os espíritos virem do N.. Nos cachorros observamos temas tradicionais e populares, como o nó de Salomão, suástica flamejante, roseta, etc. e outros mais modernos, como cabeças - rei coroado -, objectos e geometrizados, de escultura bastante cuidada. O portal axial, sem tímpano, e de arco quebrado, pelas bases de plinto bastante alto, reduzido tamanho dos seus capitéis de folhagem e sem volutas, pela modinatura e organização das arquivoltas e do pé-direito, bem como pelos temas, quase heráldicos, que as decoram, deve ser considerada já como protogótico, embora nele se possam ver ainda aves afrontadas, um friso enxaquetado e as malgas, típicas do portal lateral de Paderne. A decoração do tímpano do portal lateral N., com a árvore da vida, constitui uma composição escultural única em Portugal, de grande carácter simbólico.



Informações recolhidas em:
VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, vol. 1, Lisboa, 1886; DGEMN, Boletim nº 19, Porto, 1940; MONTEIRO, Manuel, A Igreja da Senhora da Orada in Boletim da Academia Nacional de Belas Artes, vol. 8, Lisboa, 1941, pp. 22 - 28; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Primeiras impressões sobre a Arquitectura Românica Portuguesa in Revista da Faculdade de Letras, vol. 2, Porto, 1971, pp. 65 - 116; PINTOR, Pe. M. A. Bernardo, Antiguidades Melgacenses. A Capela da Orada in Voz de Melgaço, Melgaço, 15 Jan. 1975; idem, Melgaço Medieval, Braga, 1975; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho (Dissertação de Doutoramento em História de Arte), vol. 2, Porto, 1978; idem, O Românico in História da Arte em Potugal, vol. 3, Lisboa, 1986; ibidem, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALVES, Lourenço, Arquitectura Religiosa do Alto Minho, Viana de castelo, 1987; FERREIRA, João Palma, Nossa Senhora da Orada tem Elementos Orientais in A Capital, Lisboa, 2 Maio 1988; Relatório dos Trabalhos de Acompanhamento Realizados pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, ao Abrigo dos Protocolos com a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (1997 - 1999) (2001 - 2002), (Universidade do Minho), Braga, 2002; ESTEVES, Augusto César, Obras completas nas páginas do Notícias de Melgaço, vol. 1, tomo 2, Melgaço, 2003; http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3498

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Mosteiro de S. Salvador de Paderne em imagens

Os anos dourados das Termas do Peso


Em 1918 verifica-se a disputa pela exploração das águas de Melgaço. Como concorrentes apareciam a Empresa Santos, Sobral & C.ª que havia adoptado, à revelia dos seus estatutos de 1894, a denominação de ‘Empreza das Águas«Minerais»’ ou ‘Minero-Medicinais de Melgaço’ e a outra sociedade era a‘Empreza das Águas Minerais de Melgaço’ cujos sócios eram Luís Manuel Solheiro, Lício de Miranda Solheiro e Bento Fernandes Pinto.

O litígio andou pelos tribunais com recursos à Relação e ao Supremo Tribunal Administrativo. A Santos, Sobral & C.ª foi negado o registo da denominação que havia adoptado e à outra empresa decretou-se um embargo às obras de captação que vinha efectuando no campo da Viscondessa do Peso mas o Administrador do concelho recusou a fazê-lo cumprir. Esta recusa foi mantida pelo Governador Civil o que lhe custou a sua demissão pelo governo de Afonso Costa.

Finalmente em 1919, um parecer de uma comissão, nomeada por portaria governamental, concluía que “mesmo provada a independência das nascentes, elas nunca deviam ser concedidas a mais de uma empresa, sob pena de nunca os conflitos cessarem pelo que era proposto um acordo entre as partes” (Lopes, 1949: 103). Este atingiu-se em 8 de Setembro daquele ano pela constituição da ‘Companhia das Águas de Melgaço’ com o capital de 300 contos representativo do activo de 324 contos de Santos, Sobral & C.ª líquido de 24 contos devidos por essa firma ao Banco Popular Português. Os quinhões de Santos, Sobral & C.ª tinham sido adquiridos entre doze sócios fundadores da Companhia das Águas e Melgaço, tocando a cada um 25 contos em acções: o Dr. Adolfo de Castro e Sola, director; o Prof. J. A. Ferreira da Silva; António Ferraz de Sequeira, director da filial do Banco de Portugal no Porto; o Dr. José de Oliveira Lima; e outros nomes conhecidos de capitalistas portuenses (idem, ibidem).

A nova empresa procurou então empreender um conjunto de ‘grandes iniciativas’ como se referiu o Prof. Ferreira da Silva em entrevista concedida ao diário portuense ‘Debate’ e publicada entre 25 de Julho e 9 de Agosto de 1919. Propunha-se executar o plano de melhoramentos gizado em 1917: um hotel, um casino, parque e balneários (idem, ibidem).

Em 1919, deu-se início à construção do balneário termal. Numa primeira fase, foi apenas construída uma das alas, por forma a dar-se imediatamente início à actividade, que se manteve quase até ao final da construção com 10 banheiras em ferro esmaltado e uma sala de duches, tendo duas caldeiras de vapor para aquecer as águas dos banhos, conforme relatório da visita efectuada em 1923 pela Inspecção das Águas Minerais à estância. Neste ano, funcionava “apenas metade do edifício, com 10 banheiras de ferro esmaltado e sala de duchas”(idem, ibidem).

Em 1924 ficaram concluídas as obras do balneário. “A sua inicial estruturação interna, que segundo os padrões da época configurava a divisão por sexos, apresentava duas alas, espelhos quase perfeitos uma da outra. Tudo era duplicado: os balneários, as salas de duche e mesmo o número de banheiras”(Câmara Municipal de Melgaço).

O aumento da frequência das termas pelos aquistas justificou um “pedido de licença para exploração de uma segunda Nascente, a do Prado. O aproveitamento desta emergência foi planeado em Outubro de 1920, sendo o projecto apresentado em Dezembro, por forma a vincar indelevelmente a entrada da nova Administração. Mas nem tudo correu bem na captação deste novo manancial: não foi escolhido um ponto de emergência adequado e as águas brotavam através das camadas argilosas e ferruginosas mais altas, provocando a libertação de gás e a perda de água. Assim os trabalhos tiveram que se prolongar até 1921, tendo sido feita a adução da nova água ao Pavilhão da Fonte Principal, via uma tubagem de grés implantada numa galeria, preparada para visitas técnicas, o que era um avanço relativamente à época” (idem, ibidem).

A publicidade à água de Melgaço descrevem-na como sendo:
“Hypotermal-Hypomineralisasda- Gazocarbónica-Bicarbonatada- Mixta-Cálcica-Sodica- Magnésica-Ferrea- Lithinica-Manganésica. Utilíssima nas doenças gerais (diabetes, arthritismo, etc.), doenças do aparelho digestivo (dispepsias, úlceras de estômago cicatrizadas, enterites, etc.) e do sistema nervoso (neurastenia, histeria, etc)” (Notícias de Melgaço, Julho 1921).

Os aquistas aumentaram no Peso. Em 10 de Julho de 1922, o jornal ‘Notícias de Melgaço’ justificava a cada vez maior afluência pelos preços praticados nos hotéis da estância e recomendava que os hoteleiros os mantivessem mais baixos comparativamente aos de outras termas, “pois desta forma muito concorrerão para o desenvolvimento desta localidade” (Notícias de Melgaço, Julho 1922).

Em 1924 deu-se também início ao Parque das Termas, traçado por Jacinto de atos, frondoso espaço com árvores de grande porte (plátanos, faias, cedros, tílias, etc).

Os anos do primeiro quartel do séc. XX corresponderam a um período de relativa estabilidade na frequência de aquistas nas Termas do Peso. Uma carta de um leitor enviada ao jornal ‘Melgacence’ referia que “não há exemplo, desde que frequento esta estância, de maior movimento, como agora. Os hotéis estão à cunha. Os hoteleiros não teem mãos a medir. O Figueiroa, já se considera rei destes sítios com ou sem óculos. Pelo trespasse do seu estabelecimento pediu nada mais nada menos que 500 contos, se é verdade o que me disseram. As águas mal chegam par os que a bebem à bica, pelo que a Empresa leva mais 10, além dos 45 da inscrição, para os que dela precisam para tomar em casa” (Melgacence, Setembro 1926).

Esta favorável situação económica contribuiu para uma reanimação do Peso reflectida no comércio e restauração. Diversificou-se o padrão de consumo até aí muito centrado nos bens de primeira necessidade. Desde 24 de Maio de 1915 que existia na localidade um “estabelecimento de fazendas «High life», filial da«Republicana» de Francisco de Sousa Cardoso, da Vila” (VAZ, 1996: 224). Em 8 de Agosto de 1926, o ‘Jornal de Melgaço’ noticiava a abertura, na localidade, de um estabelecimento de rendas, “de variados desenhos e finos gostos confeccionados em linha e seda” (Jornal de Melgaço, 8 de Agosto de 1926) provenientes de oficinas de Vairão (Vila do Conde) “dirigidas por distintas senhoras da melhor sociedade vilacondense” (idem, ibidem).

Nos hotéis, os aquistas divertiam-se com festas e bailes: “Os hóspedes mais entusiasmados são os da Quinta do Peso e Ranhada. Os do Rocha são mais socegados, mais maduros, a cuja cura de repouso se entregam sob o mais rigoroso preceito, tendo apenas por distracção algum canto, música e o indispensável quino” (Melgacence, Setembro 1926), No dia 1 de Setembro de 1926 realizou-se no‘Hotel Ranhada’ uma “festa elegante. Música no parque, danças populares, jogos de rapazes e à noite no Salão de baile, dança, música, canto e versos recitados a primor” (idem, ibidem).




As ligações com o exterior passaram a ser alvo de atenção por parte das autoridades locais. A estrada entre Monção e Melgaço, onde os passageiros dos automóveis sofriam ‘torturas’ pois iam aos ‘solavancos, em bolandas, foi, em 21 de Janeiro de 1927, objecto de uma “arrematação por empreitada, dos concertos entre o quilómetro 12 a 23” (Melgacence, 1927). Advogava-se ainda o prolongamento do caminho de ferro entre Monção e Melgaço na extensão aproximada de 22 quilómetros, como complemento da Linha do Minho e em via larga (idem, ibidem).

Porém, em 1927, a época termal estava muito comprometida a atender ao que o jornal‘Melgacence’ dizia: “Contrista ver o estado em que estão as nossas preciosas águas. As primitivas nascentes do grande pavilhão envidraçado feito quando era seu director o inesquecível médico Dr. António Pereira de Sousa, estão cobertas de areia, lodo e água” (Melgacence, Maio 1927).

A situação originou uma petição dirigida à Câmara Municipal e Governo Central na qual se afirmava: “As águas medicinais do logar do Pezo, deste concelho, únicas no País, estão em claro, evidente e indiscutível decadência. Sem reclame, sem comodidades, sem meios de transporte, sem pavilhões, sem protecção às nascentes, a sua condenação é certa e cremos bem o seu fim está próximo. Sem instalações apropriadas, sem utensílios competentes e necessário, arrolhamento de garrafas pouco limpas fora de todos os preceitos essenciais do cuidado e da higiene, conduzindo impurezas. São durante meses e meses um charco de todo imundo. As águas das chuvas e dos regatos inunda os pavilhões, atinge metros de altura!. A estância das águas envergonha-nos: esboços de avenidas mal principiadas, onde há muito paralisaram as obras; pontes de madeira, anos e anos à intempérie, apodrecendo, pavilhões de vidros quebrados, de ferros enferrujados, de pedras a enegrecer à míngua de cuidado; balneário a desconjuntar-se, interiormente a arruinar-se, ao abandono; barracões de madeira desfiando; regos primitivos, charcos, lamas; plantas e arbustos irrompendo de toda a parte a dar-lhe um aspecto de montado; e lixo e imundície e desleixo, sempre e sempre miséria! Aparência de bairro pobre a desmoronar-se afugentando os frequentadores e entristecendo os habitantes desta região” (Melgacence, Novembro 1927).

Verifica-se então a mudança na direcção clínica. Em 1929 o Dr. Silvério Gomes da Costa substitui o Dr. António José Duro. Foi nomeada uma ‘Comissão de Iniciativa’ para introduzir melhoramentos na estância: “Remodelou-se a secção das senhoras no Balneário, instalou-se um laboratório de análises ampliado com uma farmácia sob a direcção do Dr. Eduardo Costa, ainda aluno do curso de medicina” (Lopes, 1949: 119). Uma outra melhoria foi a da iluminação do Peso que passou a dispor de seis candeeiros ‘Petromax’ de 500 velas cada um, desde 1 de Julho a 31 de Outubro (Notícias de Melgaço, Junho 1929).
Como a expansão das termas necessitaria de terreno, o Conselho de Administração deliberou requerer a expropriação de parte dos terrenos pertencentes à Viscondessa do Peso sem os quais ficariam comprometidos os melhoramentos que a Companhia pretendia fazer (Notícias de Melgaço, Abril 1929).
Os esforços para a afirmação das águas de Melgaço foram coroados pela atribuição da medalha de ouro da Exposição de Sevilha, distinção que o Notícias de 23 de Março de 1930 relata como tendo sido recebida “com a maior satisfação das pessoas que conhecem estas milagrosas águas que tantas vidas têm salvo e em sinal de regozijo foram imediatamente embandeiramos o pavilhão e oficinas por ordem do Sr. António Joaquim Gomes, fiscal do estabelecimento, fazendo feriado o dia para o pessoal que trabalha no estabelecimento” (Notícias de Melgaço, Março 1930).

Continuou-se com a arborização do Parque com a “plantação de algumas centenas de árvores nem só de sombra, mas também de fructa e flores, o que muito agradará aos hospedes que anualmente nos visitam” (Notícias de Melgaço, 1930), na opinião do correspondente no Peso do ‘Notícias de Melgaço’ de 4 de Maio de 1930.

O mesmo jornal, em 8 de Junho, daquele ano, noticiava a abertura do Balneário, sob a direcção do Dr. Athias Ark e informava serem os preços praticados por aquele estabelecimento os seguintes: Inscrição médica 50$00, idem uso das águas 50$00, duches seclalisos 5$00, banho de imersão água mineral 6$00, irrigações vaginais no banho 7$00, banho bolha de ar em água comum 7$00, massagem geral 20$00, idem parcial 15$00, banho de imersão em água comum 4$50, idem bolha de ar em água mineral 8$50, banho gaso-carbónico 12$00, actinoterapia 15$00, duche ar quente 10$00, lençol e toalha 2$00, balança $50.

Os novos preços permitiram obter, durante o mês de Junho do mesmo ano, um rendimento do Balneário de 10:991$60 e proveniente, principalmente, de 72 inscrições médicas; 76 inscrições de água no hotel; 76 inscrições de águas; 23 banhos de imersão em água comum; 48 banhos em água mineral; 48 banhos gaso-carbónico e 57 duches (Notícias de Melgaço, Julho 1930).

Uma visita às Termas do correspondente no Peso do mesmo jornal descrevia assim as impressões: “Ficamos maravilhados com a limpeza e o aceio que notamos logo à primeira vista, a dentro e fora do rico pavilhão que cobre a primitiva nascente” (Notícias de Melgaço). Referindo-se às avenidas do interior do Parque destaca “a que corre na direcção de nascente para poente dirigindo-se a um simples pavilhão de madeira, que cobre uma outra nascente de águas minerais, que foi descoberta recentemente, e aonde se encontram duas raparigas muito frescas e aciadas cujas amabilidades atraem ali os hóspedes que frequentam as águas…” (Notícias de Melgaço, Agosto 1930).

O Hotel da Quinta do Peso foi sujeito a obras de ampliação. O respectivo pedido de licença, dirigido em 3 de Junho de 1931 pelo seu proprietário José Figueiroa Granja ao Administrador da Câmara Municipal, pretendia aumentar o corpo já existente acrescentando-o para o poente conforme planta que se anexava ao requerimento. Destinava-se o aumento a cozinha e outras dependências, sendo a construção em pedra “tendo as janelas e portas as dimensões determinadas na mesma planta” (Arquivo da Câmara Municipal de Melgaço, 1931).

Em 1931 é inaugurada a luz eléctrica no Peso. O Notícias de Melgaço’ de 17 de Maio daquele ano relata a instalação da electricidade em vários prédios desta estância: 500 lâmpadas no Hotéis Rocha, Quinta do Peso e filiais, no Parque e avenidas da empresa das Águas. Anunciava a inauguração para os primeiros dias de Junho sendo a energia fornecida pela Companhia do Tambre com sede na vila de Naia, província da Corunha, Espanha (Notícias de Melgaço, Maio 1931).

Amiudadas vezes faltava a luz, como refere o correspondente no Peso daquele jornal: “É raríssima a noute em que nesta localidade se conserve a luz eléctrica toda a noute sem por vezes se apagar, o que causa grandes prejuízos não só à casas particulares, como aos hotéis, casas de pensão e casas comerciais… Assim é que os hoteleiros e casas de pensão são obrigados a ter em depósito em sua casa de caixas de velas” (Notícias de Melgaço, Setembro 1932).

O emprego da electricidade possibilitou a que se fizessem no balneário aplicações de diatermia, para o que foi adquirido um aparelho; ampliou-se também a secção de banhos carbogasosos. O balneário ficou provido de um serviço completo de banhos de imersão, carbo-gasosos, duchas escocesas e subaquáticas. Em 1935 começou a direcção clínica “a empregar sistematicamente as curvas glicémicas como meio de investigação dos efeitos das águas na diabetes” (Lopes, 1949).
Foram também anos em que se procurou dotar os aquistas de meios de diversão tendo-se inaugurado em 1931 o campo de ténis.
“Com maior frequência o Parque, o Pavilhão das Águas, os salões dos hoteis se animaram com as galas de iluminações nocturnas, as harmonias de bandas de música e orquestras, a elegância dos bailes e a alegria das quermesses. Era a beneficência, o melhor incentivo das festas, segundo as boas tradições das estâncias portuguesas. Contribuir para a filial que a Associação Protectora dos Diabéticos Pobres, em 1931, instalou no Peso, contribuir para o hospital da Misericórdia de Melgaço, contribuir para os pobres, tornou-se pretexto para amiudadas festas” (idem, ibidem).
Em 28 de Agosto de 1932 o ‘Notícias de Melgaço’ descrevia assim a animação na estância: “As 9 horas da manhã deu entrada no Peso a afamada Banda dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, com um primoroso passo dóbli e depois de executar várias peças do seu vasto reportório no Parque do Grande Hotel Ranhada, dirigiu-se para o parque das Águas, e aí permaneceu até à noute, tendo início dentro do Pavilhão das Águas e fora, um concorridíssimo baile que se prolongou até às três horas do dia 29. Durante a tarde houve jogos variadíssimos e diferentes divertimentos. A ordem era mantida por uma patrulha de marinheiros fardados e devidamente armados, comandada pelo Sr. E.P. de Mendonça, que devido à boa educação de todo o povo que foi assistir a estes festejos, não foi alterada a ordem da força acima referida” (Notícias de Melgaço, Setembro 1932).
Três dias depois houve, no Peso, um outro baile, “por iniciativa de alguns hóspedes no Grande Hotel Ranhada e realizou-se a convite, visto encontrarem-se ali as damas mais distintas não só da vila de Melgaço como também desta localidade. O baile correu animadíssimo até às 2 horas da madrugada foi oferecido às damas à meia noute um explêndido chá. A música constava de um quarteto composto de uma concertina, violão, flauta e violino, dirigido pelo Sr. Dinis de Brito, que fez executar com a inteligência e exactidão inumeráveis peças do seu grande reportório” (idem, ibidem).
O Parque do Grande Hotel do Peso conheceu também noites animadas como a da ‘Festa da Caridade’ realizada em 17 de Setembro de 1932, “por iniciativa das Ex.mas Sras. D. Judit Alheas, D. Maria José Nascimento e D. Sara Brou da Rocha Brito que foi abrilhantada com Iluminação, Bailes, Quermesses, Barracas de chá e petiscos nacionais servido por gentis Senhoras com trajes a carácter. As Barracas muito originais e de um fino gosto artístico foram obra do Ex.mo Sr. Lino do Nascimento tendo como auxiliar o incansável Ex.mo Sr. Rocha Brito. Às vinte e duas horas, entrou com um primoroso passo doble a banda de Valadares que depois de dar entrada no seu respectivo coreto, ali se conservou executando inúmeras peças do seu vasto reportório até às três da madrugada” (idem, ibidem).

Contudo, os bailes não compensavam grande parte dos aquistas que se sentiam prejudicados com os aumentos de preços verificados nos serviços das Termas. O ‘Notícias de Melgaço’ refere-se aos “protestos dos hóspedes que juram não voltar cá mais devido ao elevadíssimo preço porque lhe fazem pagar a inscrição de banho”(idem, ibidem). O correspondente daquele jornal no Peso afirmava: “Não há razão alguma de uma inscrição custar 110$00 quando em outras termas, em que nada falta ao hóspede, custa menos de metade desta importância. Não há razão alguma de um enchimento custar um escudo quando é certo que a maior parte da água mineral corre para o regato” (idem, ibidem). E concluía: “Temos ouvisto dizer a vários hóspedes que o que vale ter vindo aqui deve-se à água ter feito milagres e aos distintíssimos directores clínicos” (idem, ibidem).

A fama dos bons serviços termais espalhou-se por todo o País e interessou a comunidade científica. O complexo do Peso passou a ser visitado por médicos, como os “diplomados pelo Instituto de Climatologia e Hidrologia, de Lisboa, em excursão dirigida pelo Prof. Armando Narciso. Nos dias 29 e 30 de Julho de 1939, realizou-se também no Peso um Congresso de Medicina e Desportos Higiénicos limitados aos diplomados da Escola de Medicina do Porto, do curso de 1931-32” (Lopes, 1949).

Em 1932, o prof. Ch. Lepierre repetiu a análise das águas, pela primeira vez extensiva à Nascente Nova, e, com a colaboração do Prof. Herculano de Carvalho, à pesquisa da radioactividade. Apresentava-se a Nascente Nova mais alcalina e mineralizada que na análise de vinte e cinco anos atrás. Edmundo Correia Lopes, interpretou os resultados da análise do seguinte modo: “a diferença entre as duas nascentes não é de molde a criar-lhes especializações distintas, antes o aproveitamento conjugado de ambas constitui em muitos casos, ampliação valiosa dos meios terapêuticos. As águas são não só radioactivas, pelo radon, mas possuem sais radíferos de duração a bem dizer perene e por isso de efeitos permanentes. São bacteriologicamente puríssimas” (idem, ibidem).


Informações recolhidas de:

ACMM- Processo existente no Arquivo da Câmara Municipal de Melgaço, Melgaço, 1931.
Banhos de Caldas e Águas Minerais, 1875.
CÂMARA MUNICIPAL DE MELGAÇO - ‘Memória Descritiva’ do processo de pedido de classificação apresentado ao IPPAR, Ed. C. M. de Melgaço, Melgaço.
‘Jornal de Melgaço’, Melgaço, 21 de Julho de 1917 (BPMP).
‘Jornal de Melgaço’, Melgaço, 8 de Setembro de 1917 (BPMP).
‘Jornal de Melgaço’, Melgaço, 8 de Agosto de 1926 (BPMP).
LEITE, Antero e FERRAZ, Susana - O Edifício da Fonte Principal das Termas do Peso (Melgaço), in Boletim Cultural de Melgaço, Ed. C. M. de Melgaço, Melgaço, 2007, p. 109-136.
LOPES, Edmundo Correia - Melgaço. Estância Termal, Ed. Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas, Porto, 1949, p. 51, 65-67, 71, 73-77, 103-105, 111, 119-120, 125.
MARINHO, Óscar - Arquivo fotográfico, Melgaço.
‘Melgacence’,n.º 28, Melgaço, 5 de Setembro de 1926 (BPMP).
‘Melgacence’,n.º 48, Melgaço, 31 de Janeiro de 1927 (BPMP).
‘Melgacence’,n.º 60, Melgaço, 8 de Maio de 1927 (BPMP).
‘Melgacence’,n.º 87, Melgaço, 13 de Novembro de 1927 (BPMP).
Melgaço e as suas águas, in ‘Jornal de Melgaço’, n.º 1173, Melgaço, 1 de Setembro de 1917 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 17, Melgaço, 10 de Julho de 1921 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 48, Melgaço, 10 de Julho de 1922 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 17, Melgaço, 16 de Junho de 1929 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 9, Melgaço, 21 de Abril de 1929 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 54, Melgaço, 23 de Março de 1930 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 59, Melgaço, 4 de Maio de 1930 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 68, Melgaço, 13 de Julho de 1930 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 72, Melgaço, 10 de Agosto de 1930 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 109, Melgaço, 17 de Maio de 1931 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 163, Melgaço, 4 de Setembro de 1932 (BPMP).
‘Notícias de Melgaço’, n.º 165, Melgaço, 18 de Setembro de 1932 (BPMP).
ORTIGÃO, Ramalho - Banhos de Caldas e Águas Mineirais, Ed. Colares Editora, Sintra, p. 25.
Regulamento do estabelecimento hidrológico das Águas Minerais de Melgaço, in no ‘Jornal de Melgaço’, n.º 1150, Melgaço, 10 de Março de 1917 (BPMP).
RIBEIRO, Maria Luísa e MOREIRA, Armando - Notícia explicativa da Folha 1-B (Monção), Carta Geológica de Portugal, Ed. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa, 1986, p. 30-31.
SILVA, M. Antunes da - Pesquisa e Captação de Água MineraL em Melgaço. Prospecção, Pesquisa e Captação de Águas Minerais Naturais. Recursos Geotérmicos e Águas de Nascente, IGM. (Disponível em WWW:http://e-Geo.lneti.pt/geociencias/edições_online/diversos/prosp_pesq/indice.htm>.
UNICER/VMPS- ÁGUAS E TURISMO, S.A - Projecto de Conservação, UNICER/VMPS - Águas e Turismo, S.A, Porto/Melgaço, 2002 (Arquivo Histórico da C. M. de Melgaço).
VAZ, P.e Júlio - Mário. Ed. autor, 1996, pp. 214, 221-222, 224.
http://acer-pt.org/vmdacer/index.php?option=com_content&task=view&id=602&Itemid=65