sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Histórias da RODA de Melgaço - séc. XVIII e XIX (parte III)


Não se tem conhecimento, nos registos da RODA de Melgaço, na época em causa, de nenhuma exposição que tivesse sido efectuada em locais completamente isolados ou de fraca acessibilidade. A terem acontecido, estes casos não deixariam de configurar um cenário de infanticídio. Poderia ser esse o caso de quem expôs uma menina na freguesia de Cristóval, concelho de Melgaço, no dia 26 de Agosto de 1862, tendo-a deixado debaixo de uma figueira, sobre um roço de silvas, a qual foi achada na madrugada desse dia, «quasi expirando por estar chovendo e sem agasalho». Esta menina estava «embrulhada em dois panos velhos de algodão que são inúteis e sem préstimo», assim como por um pequeno enxoval, constituído por uma camisa d’elefante e uma outra com as mangas sem pregar. Todavia, o facto de estar acompanhada por um pequeno enxoval, como vinha descrito no seu registo, afasta a hipótese de se tratar de uma forma de infanticídio deliberado, antes de uma negligência grosseira de quem se encarregou de a expor. Estes crimes seriam passíveis de punição, se fossem conhecidos e identificados os seus autores.

Este tipo de situações não passaram de casos isolados, como actos negligentes que terão sido gerados em contextos de extrema miséria ou em consequência de situações de desespero, estados de loucura ou irresponsabilidade dos condutores. Contudo, estes actos não terão passado despercebidos a uma sociedade atenta, sempre pronta a agir em favor dos mais carenciados. Essa intervenção poderia acontecer no momento do parto, ajudando as parturientes e expondo as crianças nas Rodas/Hospícios ou em locais onde pudessem ser recolhidas e tratadas.

Informações recolhidas em:

- PONTE, Teodoro Afonso (2004) - No limiar da honra e da pobreza - A infância desvalida e abandonada no Alto Minho (1698 - 1924). Tese de doutoramento; Universidade do Minho, Braga.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Histórias da RODA de Melgaço - séc. XVIII e XIX (parte II)


“Como primeira responsável pelo acolhimento e tratamento das crianças expostas,o desempenho da rodeira não deixaria de se reflectir directamente no bom ou mau funcionamento da instituição, pelo que a sua escolha e nomeação deveria revestir-se de cuidados particulares, por parte das administrações municipais.

A rodeira deveria estar em condições de amamentar as crianças expostas. A isso mesmo obrigava uma resolução da câmara de Ponte de Lima, aprovada no dia 29 de Julho de 1778, segundo a qual, a partir dessa data, não poderia ser “ama dos enjeitados” senão mulher que tivesse leite e lhes pudesse dar de mamar, para se evitar, como muitas vezes acontecia, que não aparecesse logo ama que os levasse para criar. Foi o que se verificou com um menino que foi exposto no concelho de Melgaço e que «chegou de tal forma desfesado que parecia estar expirando ou próximo disso». Como não apareceu nenhuma ama que quisesse aceitar «este inocente, em atenção ao estado que vinha», a câmara obrigou a rodeira a ficar com ele, «por estar de parto recente». Contudo, o menino acabou por falecer dez dias depois.

Uma situação idêntica foi vivida por dois meninos gémeos que foram expostos na freguesia de Penso, concelho de Melgaço, em 23 de Julho de 1878, acompanhados de um único bilhete, a pedir que pusessem à criança o nome de Gaspar Eduardo, provavelmente uma mensagem elaborada antes de se confirmar um parto duplo. O problema foi resolvido no momento do baptismo, com um deles a receber o nome solicitado de Gaspar Eduardo, enquanto o outro se passou a chamar Eduardo Gaspar.

Estes expostos eram prematuros e um deles estava quase moribundo, pelo que não apareceu nenhuma ama disposta a criá-los, ficando ao cuidado da ama do Hospício de Melgaço, tendo ambos falecido alguns dias depois.

Os primeiros regulamentos locais recomendavam que a rodeira deveria ser substituída, logo que deixasse de ter leite.”




Informações recolhidas em:

- PONTE, Teodoro Afonso (2004) - No limiar da honra e da pobreza - A infância desvalida e abandonada no Alto Minho (1698 - 1924). Tese de doutoramento; Universidade do Minho, Braga.

Necrópole Megalítica do Planalto de Castro Laboreiro (em vídeo)


Dos vários vestígios pré-históricos existentes em Castro Laboreiro, sem dúvida que o mais interessante é a Necrópole Megalítica do seu Planalto.
Aqui encontramos uma das maiores e mais importantes necrópoles megalíticas da Peneda-Gerês, estendendo-se por cerca de 50 km2, sendo visíveis cerca de 90 monumentos -- 36 dos quais já em território galego. É, aliás, a maior concentração de monumentos megalíticos da Península Ibérica e uma das maiores da Europa.
É graças à sua localização, a uma altitude superior a 1100 metros, que este interessante núcleo datado do Neolítico à Idade do Bronze se apresenta em tão boas condições de conservação. A maior parte das mamoas conserva ainda o dólmen megalítico.
Aproveite a elevada altitude para desfrutar das soberbas vistas panorâmicas ao redor.
 
 
Extraído de:
http://www.youtube.com/watch?v=0vKSuIqHvhk

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

António Carneiro (1872-1930) inspirou-se nas lindas paisagens de Melgaço para pintar alguns dos seus belos quadros...

 António Carneiro, Auto-retrato (1918)
António Teixeira Carneiro Júnior nasceu a 16 de Setembro de 1872 em S. Gonçalo de Amarante. Era filho de Francisca Rosa de Jesus, costureira, exposta da Roda, de S. Gonçalo, e de António Teixeira Carneiro.
Teve uma infância difícil. Aos sete anos foi abandonado pelo pai, ficando, pouco depois, órfão de mãe. Sozinho e desamparado, em 1879 foi encaminhado para o internato no Asilo do Barão de Nova Sintra, no Porto. Nesta instituição pertencente à secular Santa Casa da Misericórdia do Porto fez o ensino primário e começou a desenhar, copiando ilustrações de textos religiosos e de periódicos.
O seu talento foi notado de imediato. Por recomendação do professor Adrião Augusto de Sousa Carneiro e do Padre José Marques Dias, bacharel de Direito e director daquele estabelecimento, ingressou, em 1884, na Academia de Belas Artes do Porto, com o apoio da Santa Casa.
Na Academia, o "Mongezinho da Nova Sintra", como era conhecido, fez o curso de Desenho Histórico, entre 1884 e 1890, na qual foi discípulo do mestre
Marques de Oliveira.
Nesse ano de 1890 deixou o asilo e começou a frequentar o curso de Escultura, que veio a abandonar depois da morte de
Soares dos Reis, em 1889. Deste curso transferiu-se para o de Pintura, onde recebeu ensinamentos de João António Correia.
As letras ainda o inspiravam. Como o inspirariam sempre. Em 1891 editou uma plaquette de poemas. Dois anos depois, em 1893, casou com Rosa Carneiro. Desta união nasceram três filhos: Cláudio (1895-1963), Maria Josefina (1898-1925) e Carlos (1900-1971). O primeiro dos seus descendentes veio a notabilizar-se como músico e compositor, o segundo morreu ainda jovem, vítima de tuberculose, e o mais novo foi pintor.

Em 1895 reencontrou-se com o pai, recém-chegado do Brasil, com quem viajou até Amarante, cidade onde conheceu e fez amizade com o poeta Teixeira de Pascoaes, seu conterrâneo. No ano seguinte terminou o curso de Pintura de História, com a classificação final de dezoito valores.
Pouco depois, em 1897 partiu para Paris após a obtenção de uma bolsa patrocinada pelo Marquês de Praia e Monforte. Na capital francesa instalou-se com a esposa no Boulevard Arago e frequentou a Academia Julien, na qual foi aluno de Jean-Paul Laurens e de Benjamin Constant.
Quando regressou ao Porto foi convidado a leccionar na Academia de Belas Artes do Porto, em 1911, sendo investido na qualidade de Professor de Nomeação Definitiva, responsável pela Cadeira de Desenho de Figura. Corria o ano de 1918.
A par das suas actividades como pintor, professor e poeta, dirigiu a revista portuense Geração Nova e integrou a sociedade Renascença Portuguesa, instituída no Porto em 1911. Para este movimento, promotor da cultura nacional, desenhou o ex-libris, usado em todas as suas edições, nomeadamente na revista A Águia, publicação que dirigiu a partir de 1912 com Teixeira de Pascoaes, sendo o responsável pela coordenação literária e pelas ilustrações.
Durante a sua carreira profissional fez diversas viagens. No Verão de 1899 realizou uma visita de estudo a Itália; em 1912, na companhia da família, voltou a Paris; entre 1914 e 1915 fixou-se no Brasil, ficando hospedado na residência do casal de escritores Júlia e Filinto Lopes de Almeida. Ao Brasil regressaria ainda em 1929.
Em meados do século XX era frequentador das praias de Leça da Palmeira, em Matosinhos, e da Figueira da Foz, e também podia ser visto nas Termas de Melgaço, lugares que retratou exemplarmente em muitas das suas paisagens.



Quadro "Melgaço"
c. 1921, óleo sobre tela, 26 x 30 cm, Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.
Nos anos que decorreram entre 1893 e 1929, expôs, individual ou colectivamente, em Portugal (no Centro Artístico Portuense, no Ateneu Comercial do Porto, na Santa Casa da Misericórdia do Porto, no Grémio Artístico de Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, na Photografia Guedes e Photografia União, nas sedes da Ilustração Portuguesa e da Renascença, etc.), no Brasil (na Galeria Jorge no Rio de Janeiro, no Prédio Glória em S. Paulo e na Associação Comercial do Panamá em Curitiba) e participou nas exposições universais de Paris (1900), de Saint Louis (1904) e na Exposição Internacional de Barcelona, de 1907.
Este pintor também aplicou a sua arte à ilustração de livros de autores como António Correia de Oliveira (Tentações de São Frei Gil e O Pinheiro Exilado, em 1907, A Minha Terra, em 1915, outras obras em 1916, Virtudes e Heroísmos Lusíadas com Estefânia Cabreira, em 1926, e Canções de Amor, em 1929), João de Deus (Poesias Religiosas, em 1912) e o Visconde de Vila Moura (Doentes da Beleza, em 1913).
Foi homenageado em Amarante com Teixeira de Pascoaes, em 1924, e no Palácio da Bolsa, no centro histórico do Porto, em 1925, ano em que inaugurou o seu atelier na Rua Barros Lima (actual Rua António Carneiro), na zona oriental da cidade, e lhe morreu a filha Josefina, um trágico acontecimento que teve fortes repercussões na sua obra.
Em 1929 foi nomeado director da Academia de Belas-Artes do Porto, cargo que não veio a exercer.
A 31 de Março de 1930 morreu no Porto o pintor, poeta, professor António Carneiro, consagrado como o precursor do Simbolismo, uma corrente artística sem continuadores em Portugal. Da sua vasta e singular obra são célebres os retratos de grande densidade psicológica, de companheiros, intelectuais e artistas, como Teixeira de Pascoaes, Correia de Oliveira, Antero de Quental ou Guilhermina Suggia, os múltiplos auto-retratos, realizados em diversos materiais e em diferentes fases da vida, as originais paisagens e as decorações produzidas, por exemplo, para a sala de leitura do Palácio da Bolsa do Porto, sede da Associação Comercial do Porto (Eco, Mensageiro da Linguagem Universal).
Poucos anos depois de morrer, em 1936, foi publicada a sua obra poética Solilóquios: sonetos póstumos, com introdução de Júlio Brandão.
António Carneiro está actualmente representado no Museu Municipal Amadeo de Souza Cardoso, em Amarante; na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão; no Museu Nacional de Soares dos Reis e na Casa-Oficina António Carneiro, ambos no Porto; na Quinta de Santiago, em Matosinhos; na Casa-Museu Teixeira Lopes, em Vila Nova de Gaia; no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, da Fundação Calouste Gulbenkian e no Museu do Chiado (antigo Museu Nacional de Arte Contemporânea), em Lisboa, e em colecções particulares, como a do Dr. José Manuel Pina Cabral e Nuno Carneiro.
Extraído de:
http://sigarra.up.pt/up/web_base.gera_pagina?P_pagina=1000929

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Por Melgaço: Da vila ao rio Minho em imagens!


Esta é a melhor maneira de conhecer Melgaço e o Rio Minho! Um percurso que nos arrebata ao longo da marginal, mostrando-nos a beleza da paisagem de Melgaço. O trajecto inicia-se no centro da Vila, junto às Igrejas Matriz e da Misericórdia, templos que fascinam pela sua história e pela formosura dos elementos decorativos. Logo ao lado, o sublime Solar do Alvarinho, edifício seiscentista com a missão de promover e divulgar o vinho Alvarinho. De seguida, saímos do centro histórico, em direcção ao Centro de Estágios do Monte Prado. Trata-se de um esplêndido complexo com estádio, pista de atletismo, campos de ténis, um parque de merendas, um campo de mini golfe e uma deliciosa piscina com jactos de água, tudo locais abertos ao público em geral e que o farão parar por ali algum tempo. O percurso continua ao longo de uma levada até ao Monte Prado em si, um espaço soberbo com um hotel de quatro estrelas, um restaurante e uma pousada da juventude, tudo isto rodeado de vastos espaços florestais e já com o Rio Minho como companhia. Na marginal do rio encontramos várias pesqueiras, muros em pedra construídos perpendicularmente à corrente do rio -- um dos poucos locais onde se preservam as velhas tradições da arte da pesca, actualmente ainda utilizadas para se pescar sável e lampreia. O passeio termina na localidade de Peso, terra de águas termais há muito reconhecidas e apreciadas. Actualmente, estas termas estão a ser alvo de um projecto de recuperação. Todo o parque está envolto por antigo arvoredo que impressiona pela sua dimensão e por edifícios de importância arquitectónica: a Fonte Principal e a Fonte Nova, a Buvete, o Balneário, a Oficina de Engarrafamento e o antigo Hotel do Peso. Um cenário idílico ideal para terminar este percurso que, certamente, o fará ansiar por mais!
Vídeo e texto extraído de:
http://www.youtube.com/watch?v=gXnxapW6SA0