quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Calendário de Coleção (Melgaço, 1987)
Uma relíquia da minha infância...
Do tempo em que se faziam coleções de calendários de bolso...
Calendário de 1987 com a frente preenchida com o brasão do concelho e dados estatísticos/principais atrações turísticas do concelho.
Calendário no verso com o ano civil de 1987 e 1º trimestre de 1988.
Bons tempos...
Local:
Vila Nova de Gaia, Portugal
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Postal do Hotel Figueiroa (Grande Hotel do Peso) - 1919
Postal com carimbo de 8 de Outubro de 1919 tendo como destinatária a Viscondessa do Peso para a sua residência em Paredes de Coura. Desconhece-se o remetente mas como se pode observar no carimbo, foi enviado do Peso e trata-se de um postal do Hotel Figueiroa (Grande Hotel do Peso) nos seus tempos de Glória...
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Esta reportagem conta-nos como era Castro Laboreiro e o Soajo em 1911 (parte II)
O único logar onde encontrei
uma recepção pouco amavel foi em Penêda. Este povo selvagem e intratável, vê em
todos os desconhecidos um inimigo, e cconstitue-se na obrigação de d’elle se
desembaraçar.
Não sei se eles me tomaram
por conspirador ou por carbonário; nem tenho desejo em sabel’o.
O regedor da Penêda, com sua
filha
Devido á chegada, no momento
psychologico, de Domingos Avelino Lourenço, regedor da freguesia, consegui
escapar d’esta vez.
O certo, é que eu não conto
voltar á serra da Penêda, emquanto não tiver obtido a certeza de que se
modificaram os sentimentos fraternaes d’aquelle povo.
O sr. Avelino Lourenço e sua
exmª família, prepararam uma recepção hospitaleira, que foi verdadeiramente um
raio de luz nas trevas da montanha. Penêda, é o logar mais selvagem que
encontrei na minha expedição. Afastada léguas dos centros civilizados, falta á
população todo o sentimento de cultura. Não se compreende como o grandioso
santuário de Nossa Senhora, se perdeu por aqui. Se os romeiros são recebidos
com a mesma gentileza e atenção que nos dispensaram, duvido que algum estranho
á terra, volte a estas paragens.
Se tivesse alguma duvida
ácêrca da gravidade da minha situação, o sr. Avelino afastou-as no dia
seguinte, acompanhando-me durante duas léguas, e dizendo-me na despedida agora
é que v. exª está salvo.
Durante o trajecto, tive
ocasião de experimentar a eficácia de um instrumento desconhecido a incultos povos.
N’uma d’estas aldeias, cujo nome não me ocorre, tirei da algibeira um copo de
viagem de alumínio, forma de telescopio que causou o espanto de toda a
povoação, e que frequentemente tive de fechar e abrir sob este sol abrasador,
para satisfazer a curiosidade ingenua d’esta pobre gente, antes de pode beber
uma gota de agua, tão necessária á minha garganta ressequida.
Estou convencido de que,
ainda por muito tempo, será o copo do estrangeiro, o thema da conversação dos
aldeãos, a maior parte dos quaes desconhece estradas de macadame ou mesmo um
caminho de ferro.
O caminho segue sempre entre
serras selvagens, talhadas para servirem bem n’uma guerra de guerrilhas;
todavia será necessário que os contendores conheçam bem o terreno para evitar
qualquer surpresa. Infeliz d’aquelle que cahisse n’uma cilada n’estes abysmos
tenebrosos! De longe, n’um planalto rodeado de altos montes, depara-se á vista
uma aldeia maior, é o Suajo, estação intermédia entre Penêda e Arcos de
Val-de-Vez.
Uma rua no Suajo
Aqui, o meu salvo-conducto,
assingnado pelo ilustre ministro do interior, valeu-me uma grande manifestação
de sympathia; era um bom republicano que chegava, visto que só como tal poderia
o dr. António José d’Almeida, conceder a um estrangeiro a protecção
incondicional garantida no documento referido. O povo do Suajo é relativamente
culto.
O interior de uma habitação
no Suajo. A casa do Juiz de Paz
A maior parte dos homens
conhecem Lisboa, por ser tradicional a sua emigração para esta cidade, onde se
empregam, de preferência, no mister de moços de padaria. O aspecto da povoação
é estranhamente pitoresco.
Typo de casa no Suajo
Na praça principal, ergue-se
um antigo pelourinho, encimado por uma horrenda carranca, que faz lembrar, pela
sua factura primitiva e ingenua, qualquer trabalho gentílico. Infelizmente, o
sol ardente, opunha-se a immortalisar a tal obra na pellicula photographica,
bem como os curiosos palheiros, construídos de pedra, em forma de cadela, e
todos eles encimados por uma cruz. A gravura, mostra um grupo de aldeãos, entre
palheiros, construídos de verga e cobertos de palha. Não lembra, este aspecto,
uma scena do continente negro?
Palheiros do Suajo
Á sahida do Suajo, foi a
nossa caravana augmentada com o cabo da guarda fiscal, de espingarda ao hombro,
cavalgando uma pequena mula; um padeiro de estatura gigantesca, que, n’uma
montada egual, quasi arrastava as pernas pelo solo, uma mulher candongueira de
estatura avantajada e com um rosto ainda de uma beleza, que há vinte anos devia
ser extraordinária.
A nossa caravana à sahida do
Suajo
A tia Maria, conduzia ao
hombro a espingarda do padeiro, e uma sua sobrinha que a acompanha, não ficava,
em formosura, muito áquem de sua tia. Imaginem esta caravana, caminhando
penosamente entre os estreitos valles da serra, e comprehenderão, facilmente,
que eu me julguei n’uma viagem de exploração, por mares nunca d’antes
navegados. No caminho, encontrámos um patrulha de caçadores 5 que me fez
lembrar que a minha missão, era talvez assistir a alguma lucta sangrenta, mas, infelizmente,
nenhum sangue correu se não o meu, na ocasião de me barbear deante de um
espelho, que só poderia prestar bom serviço a um cego. O sol someçava a
desaparecer no horisonte, e nós comecámos a acelerar a marcha para podermos
chegar antes da noite aos Arcos de Val-de-Vez, deixando o guarda fiscal e o
padeiro regressar com os caçadores para o Suajo.
O rio em Arcos de Val-de-Vez
Anoitecia quando entrámos
nos Arcos, e a minha aparição, envergando o fato quasi militar, polainas,
esporas e pistola, deu ocasião a que umas mulheres espalhassem o boato de que o
Paiva Couceiro tinha chegado. Todavia, quando uma hora depois me viram
passeando com o comandante Simas Machado, as suspeitas desvaneceram-se por
completo.
O banho dos cavallos
Devido á amabilidade do sr.
Tenente coronel Simas Machado, tive ocasião de acompanhar uma força de tenente
que se ía installar na Portella do Extremo, como posto avançado, para assegurar
a estrada de Monsão-Arcos-Braga.
Nos Arcos de Val-de-Vez
A força aquartelou-se no cemitério
da aldeia, romanticamente situado entre dois alcantilados montes, coroados por
restos de fortificações das campanhas da guerra da independencia.
Um posto avançado na
Portella do Extremo
A pequena igreja foi fundada
no anno de 1741, por cavalleiros da Ordem de Malta, conforme indica uma cruz
d’essa ordem, esculpida sobre fundo azul, na base da qual se encontra a palavra
Malta e a era. O cemitério apresenta um aspecto pouco vulgar; não existem
lapides, cruzes, jazigos ou mesmo simples indicação sobre as sepulturas.
O meu almoço com o
commandante do posto da Portella do Extremo, tenente Velloso
Uma pequena elevação de
terra preta sobre a qual repousa uma pequena tigela de agua benta, é a única
indicação de que ali descançam das fadigas da vida os que labutaram n’este solo
ingrato. Não obstante esta vizinhança pouco convidativa para quem deseja
repousar-se um pouco da fadiga de uma jornada extenuante e de uma trovoada
formidável que parecia inflamar o ceu, e que encheu o estreito valle com o
ruído monumental dos seus trovões, dormimos sobre o feno, cobertos com as
mantas dos cavallos, até que, aos primeiros alvores da madrugada, os relinchos
e o escarvar das patas dos cavallos, nos chamaram ao cumprimento do dever do
dia.
A capella dos cavalleiros de
Malta na Portella do Extremo. Ao fundo, veem-se os restos das fortificações
levantadas em 1640
No regresso aos Arcos
aluguei um trem, que, sem mais incidentes, me conduziu a Braga. Resta-me, talvez, expor a
idéa de que n’esta região se podia estabelecer um centro de tourismo, para
aquelles cujo estado de saúde não permite a permanência nas altitudes.
Encontrariam os doentes n’estas condições, uma situação que lhes permitiria o
exercício de pequenas excursões de montanha ainda inexplorada, bastava que se
estabelecessem hotéis que proporcionassem as comodidades q que, em geral, estão
habituados os que costumam empregar o seu tempo e dinheiro em taes distrações.
Creio também, que será proveitoso mandar explorar esta região archeoloca e
geologicamente, porque, sestou convencido, que aqui se encontrariam valiosos
elementos para a historia dos primitivos habitantes do paiz.
Texto e Clichés de Bruno Buchenbacher
Fonte: Illustração Portugueza, nº 284, de 31 de Julho de 1911
Extraído de:
Blogue do MInho
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Local:
Vila Nova de Gaia, Portugal
domingo, 23 de setembro de 2012
Esta reportagem conta-nos como era Castro Laboreiro e o Soajo em 1911 (parte I)
Há cerca de cem anos, mais precisamente em 1911, um jornalista do jornal “O Século” viajou até as montanhas agrestes da Peneda e do Soajo e contatou de perto com as populações locais, mormente Soajo e Castro Laboreiro. Dessa digressão, Bruno Buchenbacher deixou-nos um registo na revista “Illustração Portugueza”, publicação ligada àquele periódico republicano dirigido por Magalhães Lima.
Na realidade, não foi a
curiosidade do etnólogo que motivou a deslocação do jornalista a esta região.
Ele próprio o confessa: “Não era simples curiosidade de touriste nem tão
pouco um espírito de aventura, que me conduziu, n’estes dias caniculares do sol
inclemente, áquellas serras abandonadas e desconhecidas, mas sim o dever
jornalístico”.
O dever jornalístico
consistia em acompanhar os esforços das forças republicanas, do Exército e da
Carbonária, numa zona fronteiriça que tinha sido transposta pelas forças
realistas sob o comando de Paiva Couceiro ou seja, as chamadas incursões
monárquicas. Mas, fiquemo-nos com o registo e com as suas impressões, sobretudo
em relação às gentes do Soajo.
COMO EU VISITEI AS SERRAS DO
SUAJO E DA PENEDA
Os motivos que me levaram a
visitar as regiões do norte de Portugal, compreende-se facilmente.
Não era simples curiosidade
de touriste nem tão pouco um espírito de aventura, que me conduziu, n’estes
dias caniculares do sol inclemente, áquellas serras abandonadas e
desconhecidas, mas sim o dever jornalístico.
Antes de entrar no assumpto,
cumpre-me o dever de agradecer publicamente a todas as auctoridades civis e
militares a deferência e amabilidade que dispensaram ao visitante, nem sempre
commodo e agradável.
Constatei, igualmente, com
grande surpresa e satisfação, a hospitalidade carinhosa que quasi sempre me foi
dispensada.
A região que percorri, fica
afastada dos meios de conducção geralmente empregados. Não há estradas, e os
próprios caminhos, são, na verdade, simples caminhos de cabras, onde unicamente
estas e a mula, ponney da montanha, transitam com relativa segurança.
A primeira parte da excursão,
levou-me de Melgaço a Alcobaça e Castro Laboreiro.
Em todo o caminho, até ás
alturas de Alcobaça, perto do Cruzeiro que representa a gravura vêem-se as
montanhas pedregosas da Galliza, pobremente arborizadas, manchadas aqui e álem
de pequenos núcleos de pastagens e matto.
O cruzeiro de Alcobaça, a
500 metros da Fronteira
O nome Alcobaça, faz-nos
recordar as luctas sangrentas travadas entre os fundadores da monarchia e os
mouros.
Pelos vestígios que se
encontram espalhados pela região vê-se que os combates não pararam n’estas
serras quasi inacessíveis. Perto de Alcobaça, existe um logar que o povo chama
Lamas de Moiros; a etymologia da palavra indica-nos facilmente como lagrimas de
moiros, dando-nos uma prova lendária de sangue derramado – ad majorum
dei Gloriam.
A “praia” em Castro
Laboreiro
Chegado a Castro Laboreiro,
divaga o pensamento por tempos mais remotos, tempos em que um povo glorioso
conquistou á força de armas toda a orbe, até que a onda implacável do destino o
afogou no mar do esquecimento.
Mas, a tradição do nome
romano Castram Laborarum, quer dizer acampamento de trabalhadores, ficou como
característico da povoação. São os seus habitantes trabalhadores incansáveis,
existindo n’esta aldeia serrana, até o gérmen de uma industria que me causou
pasmo e admiração.
Encontram-se no Crato, como
os habitantes chamam á sua aldeia, duas fábricas de chocolate! E, em verdade,
direi que já encontrei nas minhas viagens, qualidades muito peores n’este
artigo de alimentação.
Uma serrana de Castro
Laboreiro
A fabricação é,
principalmente, para exportação, ramo de negócio muito difícil e até perigoso,
atendendo à falta de meios de transporte e á dificuldade de transito pela raia
secca.
O “leão das montanhas”:
Comendador Mathias de Sousa Lobato, professor oficial de instrucção primaria
Devido á amavel recomendação
do administrador do concelho de Melgaço, fui recebido com fidalga hospitalidade
pelo sr. Comendador e cavaleiro fidaldo, Mathias de Sousa Lobato, professor
oficial de instrucção primaria.
Este cavaleiro, que
sacrificou 28 annos da sua vida ao bem estar d’este povo, merece bem, pelo seu
aspecto venerando, o cognome de rei das montanhas, que lhe foi conferido pelo
falecido Hintze Ribeiro.
Os serviços relevantes
prestados ultimamente ao novo regímen, levaram o sr. Dr. Alfredo de Magalhães a
transformar a antiga designação autocrática, na mais popular denominação, de
Leão das Montanhas. Mas, mesmo assim, sempre rei…
O comício em Castro
Laboreiro, em que falou ao povo o jornalista Hermano Neves
N’uma pyramide de rocha que
se eleva a pouco mais ou menos a 1:200 metros acima do mar, encontramos, por
assim dizer, um livro de historia.
Sobre fundamentos inegáveis
de origem romana, elevam-se as ruínas de um castello moiro, de grande área.
A porta das ruínas do
Castello dos Mouros em Castro Laboreiro
Foi conquistado e destruído
por D. Affonso Henriques, e reedificado por D. Sancho I, o povoador, como
indica a inscripção ilegível de uma lapide, que a muito custo foi decifrada
pelo comendador Mathias.
As ruínas conservam ainda s
suas duas entradas, destinadas a peões e cavalleiros.
Uma terceira porta de
comunicação, foi destruída há pouco pelos castrejos, persuadidos
que encontrariam um tesouro entre os escombros.
A ex-séde de concelho, de há
meio seculo, distingue-se também por dois característicos notáveis: lindas
cachopas e formidáveis cães, ambos de recear…
Casas em Castro Laboreiro
Ancioso por continuar a
excursão pela serra, conseguiu-me o meu hospitaleiro amigo, uma desembaraçada
\Castreja, que simplesmente justificou a segunda das afirmações contidas no
período precedente.
Apenas sahido da aldeia,
perde-se o caminho entre as penedias da serra.
Um grupo de castrejas
Mas a Castreja conhece os
recônditos da montanha, e, ora subindo, ora descendo, por sítios em que um
passo em falso da montanha representava a morte certa para o cavaleiro,
fômo-nos aproximando da parte peor do caminho, o “Peito do Sagasta”.
A descida do Peito do
Lagarto, a caminho da Penêda
Ali, o caminho é constituído
por pedras quasi polidas, n’um declive tão acentuado que a cavalgadura mais
patina do que anda. É impossível ficar sobre o selim. Mal tinha descido, quando
o macho escorregou e cahiu, batendo com a espadua nos rochedos, o que veiu
confirmar a minha previdência.
(CONTINUA)
Texto e Clichés de
Bruno Buchenbacher
Fonte: Illustração
Portugueza, nº 284, de 31 de Julho de 1911
Extraído de:
Blogue do MInho
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século XX,
soajo
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sábado, 22 de setembro de 2012
No tempo em que a empresa Bon Marché em Prado emitia papel-moeda (1ª República)...
Embora Portugal tivesse
entrado em 1916 na I Grande Guerra, essencialmente por motivos que se prendiam
com a manutenção do estatuto e da integridade das colónias no pós-guerra,
e em 1918 se encontrasse entre os Aliados vitoriosos, o fim da guerra não veio
minorar as dificuldades financeiras nem acalmar a agitação social do país.
O aumento do
custo de vida era contínuo e a valorização do metal durante o conflito levou a
que diversas instituições, desde Câmaras Municipais a Associações Comerciais,
passando por mercearias, papelarias e Misericórdias, emitissem, entre 1917
e 1922, papel-moeda de baixo valor – as cédulas. Estas cédulas vinham facilitar
os trocos e substituir as moedas, entretanto quase desaparecidas de circulação
devido ao ávido aforro metálico da população.
Frente e verso de uma cédula de 4 centavos emitida pela mercearia Bon Marché, de Candido Augusto Esteves & Cª., Prado, Melgaço, no início da
década de 1920. Impressão realizada em A Intermediaria, Limitada, Porto.
Informações extraídas de: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt
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