sábado, 13 de outubro de 2012

Fotos de S. Gregório (Melgaço) em 1911

Publicou a revista “Ilustração Portugueza” na capa da sua edição de 3 de julho de 1911 uma série de fotografias que retrataram o ambiente vivido na raia minhota, sob o controlo das forças republicanas, por altura da primeira incursão monárquica a partir da Galiza, comandada por Paiva Couceiro.
Entre aquelas, deixo aqui estas fotografias tiradas em S. Gregório (Melgaço)...



S. Gregório, em Melgaço, vista a partir da Galiza


Cruzeiro em S. Gregório 


Carreiros transportando pinheiros de Melgaço a S. Gregório


Extraído de: BLOGUE DO MINHO

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

DIVULGAÇÃO - 11.11.2012 - Dia Europeu do Enoturismo em terras do Alvarinho




INICIATIVAS

Marcações até ao dia 9 de Novembro
Rota do Alvarinho






PROGRAMA


10h00 e 15h00
Visita guiada ao centro histórico

- Melgaço entrada gratuita na rede de museus
(Torre de Menagem, Museu do Cinema e Memória e Fronteira)
- Monção entrada gratuita
(Casa Museu de Monção/UM e Centro Interpretativo de Castro de São Caetano)



11h30 e 16h30
Prova de vinhos
- Melgaço e Monção Solar do Alvarinho e Paço do Alvarinho



15h00 às 17h00
Visita às adegas aderentes da Rota do AlvarinhoMarcações até ao dia 9 de Novembro

- Melgaço (Castaboa, Fontainha de Melgaço, Quintas de Melgaço, Reguengo de Melgaço e
Quinta do Soalheiro)
- Monção (PROVAM)



21h30
TEATRO - “Passvite” performance gastronómica
- Melgaço Centro de Artesanato Artes Rosa Maria (entrada livre)




Marcações até ao dia 9 de Novembro
Solar do Alvarinho - 251 410 195
Paço do Alvarinho - 251 653 215

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Postal enviado das Termas do Peso em 1948 para Queluz




Postal escrito das termas do Peso em 29 de Setembro de 1948 para o Sr. Antero Gonçalves Ribeiro de Queluz onde o remetente elogia a beleza do Peso e o convida e desafia a vir visitar Melgaço...

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Manoel José Rodrigues da Costa, presbítero de Melgaço no Brasil



Manoel da Costa foi um dos primeiros oficiais da Igreja Presbiteriana do Brasil. Nasceu no dia 21 de junho de 1846 em Beleco de Passos, Melgaço (província do Minho), em Portugal, a pequena distância da fronteira espanhola. Em novembro de 1859, aos treze anos, deixou a pátria, aportando no Brasil em janeiro de 1860. Dirigiu-se para Caldas, Minas Gerais, ali chegando no dia 7 de abril. Quatro anos depois, em março de 1864, foi residir em São Gonçalo do Sapucaí, onde se casou em 22 de abril de 1865 com Florisbela de Azevedo Costa (ele com 19 anos e ela com 13). Em 1866, mudou-se para Águas Virtuosas (Lambari), onde no ano seguinte nasceu o primogênito Guilherme.

Em 1870, mudou-se para a Serra de Santos, como empregado da São Paulo Railway. Converteu-se em 1874, através da leitura da Bíblia, sendo recebido por profissão de fé e batismo no dia 6 de dezembro daquele ano pelo Rev. George W. Chamberlain, na Igreja Presbiteriana de São Paulo. Florisbela foi recebida em 7 de março de 1875, em companhia do futuro Rev. Eduardo Carlos Pereira. No dia 21, batizaram os filhos Guilherme, Elisa e Alberto. Manoel deixou o emprego na estrada de ferro por causa do trabalho no domingo e tornou-se comerciante. Teve um armazém na rua Santa Efigênia, transferindo-o em 1879 para a rua dos Andradas.

Foi eleito diácono da Igreja de São Paulo em março de 1876, e presbítero em 3 de outubro de 1880, sendo ordenado no dia 9 de janeiro de 1881. Tornou-se assim o segundo presbítero dessa igreja histórica, organizada em 1865. O primeiro havia sido o inglês William Dreaton Pitt, ordenado em 22 de dezembro de 1867, que ingressou no ministério em 1869 e faleceu no ano seguinte. Foi somente a partir de Manoel da Costa que a Igreja de São Paulo teve com regularidade o ofício de presbítero.

Foi um presbítero exemplar, secretário do conselho por muitos anos e tesoureiro da igreja. Representou a sua igreja na organização do Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil, em 1888, e em muitas reuniões de concílios. Fez parte da primeira comissão permanente do Plano de Missões Nacionais (1888) e foi o seu segundo tesoureiro (1890-1899), em substituição ao Rev. Antônio B. Trajano. Também atuou como tesoureiro do Seminário Presbiteriano. Foi um dos membros fundadores do Presbitério de São Paulo, criado pelo Sínodo e instalado no dia 14 de setembro de 1888, sendo o único presbítero ao lado dos Revs. George Chamberlain, Donald McLaren, George Landes, Emanuel Vanorden, Modesto Carvalhosa, Eduardo Carlos Pereira, João Ribeiro de Carvalho Braga e Manoel Antônio de Menezes. Foi ainda um dos principais fundadores do Hospital Samaritano (1892), atuando nos trabalhos de organização, construção, administração e sustento dessa entidade.

Manso e humilde, mas firme em suas convicções, era combativo nos concílios e na imprensa presbiteriana. No Sínodo de 1900, manifestou o seu dissentimento contra o critério geográfico adotado para a delimitação dos Presbitérios de São Paulo e Oeste de São Paulo. Duas igrejas da capital ficaram no primeiro presbitério e a outra no segundo. Manoel da Costa assim se expressou: “O abaixo assinado respeitosamente dissente da decisão do Sínodo, dividindo a cidade de S. Paulo, ficando assim a pertencer a dois Presbitérios, o que julga contrário ao espírito do Evangelho”. Essa divisão resultou das controvérsias da época, centralizadas em torno do Rev. Eduardo Carlos Pereira, pastor da Igreja de São Paulo. No culto de ação de graças pela vida do Rev. George Chamberlain, realizado no Mackenzie em 23 de agosto de 1902, Manoel da Costa falou em nome da Igreja de São Paulo.

No Sínodo de 1903, em que se dividiu o presbiterianismo brasileiro, Manoel pronunciou-se contra a maçonaria, mas também se opôs à divisão da igreja. Propôs o seguinte substitutivo a uma proposta do Rev. Álvaro Reis: “Que o Sínodo declarasse a incompatibilidade [entre a fé evangélica e a maçonaria], que recomendasse aos crentes que se não filiassem à instituição, e que fossem tolerados os crentes maçons até que Deus os esclarecesse”. Votou com a maioria, com restrições, fundamentando o seu voto que ficou nas atas do Sínodo: “O abaixo-assinado, votando sim no último parecer da comissão de papéis e consultas, não concorda, entretanto, com os seus considerandos por entender que a maçonaria é incompatível com o Evangelho”.

Apesar de não concordar com a divisão da denominação, continuou a freqüentar por algum tempo a Igreja de São Paulo, agora filiada ao movimento independente. Em 1886 havia voltado pela primeira vez a Portugal, onde procurou propagar o evangelho. Residiu por quatro meses em Melgaço, sua terra natal, e pregou várias vezes em Caminha. Fez nova visita à pátria em 1892-1893. Pouco depois do cisma presbiteriano, foi pela terceira e última vez ao seu país de origem. Voltando ao Brasil, residiu em Juiz de Fora de 1905 a 1915, mudando-se no ano seguinte para Mogi das Cruzes. Dona Florisbela faleceu aos 69 anos em 2 de janeiro de 1922.

Manoel da Costa destacou-se como um crente e presbítero piedoso, pontual e zeloso.

O respeito pelo Dia do Senhor foi uma das características da sua vida. Outro destaque foi a sua liberalidade. Por volta de 1882 fez o voto de dar ao Senhor todos os seus dízimos. Prometeu também a Deus que, se chegasse a possuir 50 contos de réis, o excedente seria aplicado para fins evangelísticos e beneficentes. Disse e fez. Ofertou em sua vida 106 mil réis (dízimos mais o excedente dos seus bens). Era o “dizimista n° 5” em sua igreja. Acima de tudo, foi um homem de oração. Alguém disse: “Quando a igreja mais precisa de oração, os primeiros joelhos que se dobram são os de Manoel da Costa; quando mais precisa de dinheiro, a primeira bolsa que se abre é a sua”. No interesse da causa de Cristo, participou de reuniões de outras denominações (metodista, batista, cristã evangélica, etc.).

Foi também um grande evangelista. Quando mais moço, dirigiu cultos de propaganda nos bairros. Foi professor da classe de adultos da sua igreja por muitos anos e dirigiu uma classe bíblica na Associação Cristã de Moços. Durante algum tempo manteve uma escola dominical em sua casa, aos domingos à tarde, na rua dos Andradas. Escreveu e publicou 18 folhetos, distribuindo-os amplamente. São eles: “Primeiro passo para a salvação”, “Uma conversa”, “Salvação de graça”, “Salva-te sem demora”, “Uma carta aos pretos libertos”, “Aos empregados no comércio e aos artistas”, “Amor e simpatia de Jesus para com os pecadores”, “A grande naturalização e a grande salvação”, “Extrato do folheto Trabalho e Economia”, “Jesus Cristo é o nosso maior amigo”, “O domingo não é nosso”, “O dízimo não é nosso”, “A oração do justo”, “Uma despedida ao povo”, “O plano de Deus para a nossa salvação”, “A cura do corpo e a cura da alma”, “Aviso aos espíritas sinceros”. O primeiro foi traduzido para o italiano (“Primo passo verso la salvazione”) e distribuído largamente entre os imigrantes em São Paulo.

Em 1921, adotou para uso diário a oração do salmista: “Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim e o número dos meus dias qual é, para que eu saiba o que resta” (Salmo 39.4, Versão Figueiredo). Em 21 de junho de 1922, ao completar 76 anos, estando presente o filho Alberto, ajoelharam-se e agradeceram a Deus por ter-lhe concedido mais um ano de vida, com saúde e na sua graça. Usaram esta expressão: “Não peço que me prolongues a vida, mas somente os dias que forem para tua glória”. No dia 14 de julho, Deus respondeu à oração que vinha fazendo desde 1921, dando-lhe a entender que ainda teria três anos de vida. Mais tarde, concluiu que Deus lhe daria outros três anos (até 13 ou 14 de julho de 1928). Por fim, acreditou ter recebido nova prorrogação de um ano, o que se confirmou com diferença de um dia.

No dia 6 de julho de 1929, seu filho Alberto e o presbítero Luiz Del Nero foram a Mogi das Cruzes e o levaram para a casa de Alberto em São Paulo. O ancião contraiu pneumonia. No dia 11, já enfraquecido, levantou-se para que tirassem o seu retrato. Faleceu no dia 15 de julho, às 8:44 da manhã. O sepultamento ocorreu no dia seguinte. Na residência oficiaram os Revs. Otoniel Mota e Bento Ferraz; no Cemitério do Redentor, Otoniel Mota e Salomão Ferraz.

O casal Costa teve 19 filhos, quase todos falecidos na infância ou no início da idade adulta. Um deles, Guilherme da Costa, foi consagrado pastor metodista (faleceu no Rio de Janeiro em setembro de 1904, numa epidemia de varíola); Elisa foi casada com José Rodrigues da Costa, de Itapira; Ermelinda casou-se com o Rev. Simão Salem. Seu filho Alberto J. R. da Costa, que foi diácono e presbítero da Igreja de São Paulo, escreveu um opúsculo intitulado A Vida de Meu Pai. O Rev. Bento Ferraz também o homenageou com o escrito Manoel José Rodrigues da Costa – In Memoriam. O Rev. Eduardo Carlos Pereira dedicou-lhe um estudo em folheto, “A fidelidade de Deus ou trabalho e economia”, no qual exaltou o seu caráter.

Extraído de:
http://www.mackenzie.br/10195

sábado, 6 de outubro de 2012

A desativação da fortaleza de Melgaço nos séculos XIX e XX (cronologia)


  • 17 de Dezembro de 1761 - O inspector Luís da Cunha aponta a necessidade de reconstruir dois estrados no quartel dos soldados, colocar uma porta nova na barbacã. Reconstruir as portas de Baixo. Executar novas portas para as entradas a norte e sul da tenalha e recolocar a cantaria de 2 m de comprimento por 5 m de altura de parapeito. Realizar plataformas de madeira para a artilharia. Cobrir com telhas os armazéns e o quartel de infantaria em "miserável estado"; recomendava envernizar as portas novas e as janelas dos armazéns das armas e da praça e fazer uma porta interior do paiol com 6 palmos de altura e 4 de largura.
  • 1786 - O castelo estava arruinado ou praticamente destruído.
  • Entre 1789 e 1800 - Nova inspecção na praça de Melgaço, descrita como uma obra antiga com uma torre e uma muralha simples, com alguns baluartes " muito pequenos, de pouca consideração incapazes de poder jogar a artilharia" na parte exterior. Os armazéns e os quartéis estavam em ruína. A fortaleza carecia de função militar.
  • 1792 - O rei proíbe a construção dentro dos fossos e sobre qualquer obra de fortificação das praças e fortalezas da Província do Minho.
  • Fevereiro de 1797 - Inspecção da fortaleza pelo sargento-mor de engenharia M. José da Serra, que determina que se devem reparar os pavimentos e tectos assim como reconstruir portas e janelas com ferragens adequadas.
  • 15 Junho de 1808 - José Gomes Vilas Boas, sargento maior engenheiro descreve Melgaço como um pequeno recinto, que cercava parte da vila, com altas muralhas, mas que o seu terrapleno e parapeito eram tão escassos que mal se poderia manobrar a artilharia.
  • 1810 - Tendo em conta a defesa de Melgaço, construíram-se baterias em pontos vitais para a entrada do exército invasor do lado galego: uma em São Gregório, outras na estrada entre a vila e Ponte das Várzeas, outras foram projectadas mas não chegaram a ser construídas. As baterias foram executadas com parapeitos de terra servindo para soldados com armas ligeiras e para peças de artilharia.
  • 23 de Maio de 1840 - A torre de menagem é denominada Torre do Relógio. O castelo estava circunscrito por um "caminho de piquetes" tendo a este um hornaveque e a norte algumas obras baixas. No seu interior encontrava-se um quartel de campanha e um armazém reconvertido também em quartel. O recinto magistral estava em bom estado. O castelo tinha uma parte da muralha em ruínas. As portas e os quartéis necessitavam de restauro, o hornaveque estava em ruínas com casas particulares dentro e fora.
  • Meados do século XIX - Desactivação da tenalha. A muralha mantém o adarve ao qual se acedia por escadas interiores.
  • Segunda metade do século XIX - Colocação do relógio da Torre.
  • 13 de Agosto de 1856 - O Ministério da Guerra manda demolir a tenalha.
  • 1857- Segundo uma planta desta época, parte da zona militar e da sua envolvente servia para uso agrícola.
  • 1859 - Segundo um plano desta época ainda subsistia a ?couraça nova? que aparece no desenho de Duarte de Armas, embora agora tivesse uma casa adossada por fora e três edifícios por dentro.
  • 15 de Dezembro de 1861 - segundo relatório, a povoação não deveria ser sacrificada à rigidez histórica, pelo que o "recinto magistral" deveria ser demolido e os seus terrenos e materiais vendidos. Sugere que se deveria conservar como "livro histórico" a "cidadela", previamente reparada e destituída na entrada dos edifícios civís. Nesta época restava ainda um pequeno destacamento com utilização mais policial que militar.
  • 25 de Abril de 1883 - A Câmara Municipal fica a cargo das antigas fortificações da vila compreendidas entre a porta do lado sul e do lado este , assim como o reduto que defendia esta última porta. Inicio da demolição da cerca da vila.
  • 1900 - Ainda subsistia parte do muro da vila. O Ministério da Guerra vende as parcelas de terreno que ainda possuía na fortificação.
  • 4 de Abril de 1900 - Comunicação à Câmara Municipal da necessidade de demolir o que restava das muralhas porque os médicos municipais consideram-na uma das principais causas de insalubridade dos bairros circundantes.

Torre de Menagem em 1908

  • 5 de Dezembro de 1917 - Oficio do Presidente de Arte e Arqueologia perguntando à Câmara o motivo da demolição das muralhas sem considerar a resolução da Comissão dos Monumentos. A Câmara entendeu que a suspensão dos trabalhos de demolição eram contrários aos interesses do município decidindo informar a Inspecção-geral de Fortificações e Obras Militares para garantir os seus direitos.
  • 23 de Janeiro de 1918 - Despacho do Ministério da Guerra anulando a venda de lotes.
  • 26 de Junho de 1919 - A Câmara decide vender a pedra da muralha da couraça nova. Os escombros deveriam ser depositados no antigo lavadouro público. O inspector do Conselho de Arte e Arqueologia pediu informação à Câmara sobre o plano de melhoras para o castelo.
  • 5 de Maio de 1920 - A secretaria de Turismo solicita a constituição de uma comissão para a "guarda e defesa do castelo".
  • 24 de Novembro de 1920- Graças a um reforço orçamental da Secretaria do Turismo solicita-se à Câmara o envio da lista de obras a empreender e respectivos custos.
  • 25 de Fevereiro de 1925 - A Câmara delibera vender a pedra da fundação da muralha da vila.
  • 1936 - Solicitação à Guarda-fiscal para desocupar a parte inferior da torre de menagem onde guardava barris e tinha aberto uma porta na fachada lateral direita.

Extraído de: http://www.cieform.org