sábado, 17 de novembro de 2012

A Capela de Nossa Senhora da Pastoriza II: traços arquitetónicos


Pequena capela de linhas sóbrias terminada em frontão triangular de ângulos inferiores abertos e rasgada no frontispício por vãos encimados por cornijas salientes. Nos cunhais, a sobreposição das cornijas das pilastras. São notórias certas semelhanças com a Capela de Santo António, também em Melgaço. O retábulo, de estilo nacional mas com laivos posteriores, como seja a posição dos anjos e das mísulas gomeadas, levou preparação, mas acabou por não levou o "bolus arménio"; está profusamento entalhado revelando uma exuberância decorativa. Encimando o sacrário e enquadrando a tribuna encontram-se anjos músicos, denotando um certo carácter profano que o entalhador quis transmitir a esta obra, porventura relacionado com a ligação do barroco à festa. O retábulo ostenta um significativo conjunto de imagens, de madeira, de boa execução artística. A cornija que suporta o tecto e o frontal de altar apresentam os mesmos motivos decorativos que estão entalhados no retábulo. A pintura oitocentista do tecto possui um carácter mais popular.

Fachada principal

Planta longitudinal, de corpo único rectangular. Massa simples com cobertura homogénea em telhado de duas águas. Fachadas rebocadas e caiadas, percorridas por embasamento avançado e terminadas em friso e cornija, com cunhais apilastrados coroados por pináculos tipo pêra ou piramidais sobre plintos e cruzes latinas de braços quadrangulares sobre acrotério no remate das empenas. Fachada principal virada a Oeste, terminada em frontão triangular sem retorno, com cornija fortemente moldurada, apresentando no tímpano cartela de moldura recortada. É rasgada por portal de verga recta, encimado por friso e cornija recta e por duas janelas quadrangulares laterais, de moldura terminada em cornija, e gradeadas. Fachada lateral esquerda cega e a oposta, virada a S. rasgada por janela rectangular de capialço na zona do retábulo-mor. Fachada posterior cega e terminada em empena. Interior rebocado e caiado, com pavimento cimentado e lajeado e tecto de madeira, de perfil curvo, sobre cornija em madeira, entalhada, pintado com cartela central, de moldura recortada, com imagem de Nossa Senhora da Pastoriza ladeada por anjos que seguram uma tarja com as inscrições: "ESTA CAPELLA FOI MANDADA FORRAR / E PINTAR NO ANNO DE 1884. POR LIBORIO JOSE DA CUNHA." e "EM VIRTUDE DE UM GRANDE MILARE QUE A VIRGEM / NOSSA S.A DA PASTORIS LHE FES". Coro-alto assente em trave de madeira, com balaustrada entalhada. O lado da Epístola possui pia de água benta ovóide, gomada e com toro superior boleado, encimada por cartela rectangular, moldurada, com a inscrição "IHS", relevada, e nicho de remate em arco pleno. Sobre supedâneo, com acesso por três degraus, surge o retábulo-mor de talha em branco e policroma, de planta recta e três eixos definidos por colunas torsas ornadas de pâmpanos e aves, assentes em mísulas com acantos e anjos e de capitéis coríntios; no eixo central abre-se nicho, em arco de volta perfeita, interiormente albergando imagem do orago, rodeada de anjos encarnados; no intercolúnio côncavo surgem mísulas com imaginária; nos eixos laterais existem nichos à face, em arco de volta perfeita sobre pilastras, decoradas de acantos, com mísulas sustentando imaginária; sobre o entablamento, decorado de acantos, anjos e querubins, desenvolve-se o ático, adaptado ao perfil da cobertura, de várias arquivoltas unidas no sentido do raio, e com cartel a central sustentada por dois anjos. Altar paralelepipédico, com frontal marcado por sebastos e sanefa, decorados por acantos enrolados, e tendo ao meio cartela polilobada, anjos e acantos enrolados.

Altar principal

Informações recolhidas em:
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=9380

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Postal 1917 - Ponte Internacional de S. Gregório (Melgaço)



Postal escrito por uma senhora de nome Adelaide. Esta senhora encontrava-se hospedada no hotel Ranhada, no Peso, no concelho de Melgaço. Este postal foi escrito em 13 de Setembro de 1917 e remetido para uma amiga da dona Adelaide moradora no Porto que se chamava Josefina Júlia d'Araújo e Silva, residente no Largo Coronel Pacheco.
A dona Adelaide conta à amiga Josefina que se encontrava em Melgaço desde o dia 5 de Setembro nas àguas do Peso em tratamento. Contou também que se sentia fraca e que estava com dificuldades em realizar  os tratamentos.
Nestes postais que tenho publicado remetidos por aquistas das termas do Peso, nota-se uma estranha  convivência entre os momentos de lazer e a angústia dos problemas de sáude e os tratamentos... 
Na parte da frente, uma fotografia da ponte internacional de S. Gregório no início do século XX.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Castelo de Castro Laboreiro: disputas entre a coroa portuguesa e Leão nos séculos XI e XII


Desenho do castelo de Castro Laboreiro (séc. XVI - reinado de D. Manuel)
(gravura extraída de http://longedecastrolaboreiro.blogspot.pt/2007_06_01_archive.html)

A primeira referência, devidamente identificada, sobre Castro Laboreiro data de 1143, na Carta de Couto atribuída por Afonso Henriques ao Mosteiro de Paderne, concelho de Melgaço, quando o monarca justifica os privilégios concedidos ao mosteiro, pelos serviços que a Abadessa lhe tinha prestado, quando tomou o castelo de Laboreiro “... pro servitio quod mihi  fecit dona Ilvira Sarrazeni abbatissa ipsi monasterii servitio scilicet decem equas cum suos filios (...) quando tomavit dominus rex castellum de Laborario...” .
Se existe opinião consensual, entre historiadores e arqueólogos, que a posição do castelo corresponde à de um antigo castro, também parece não restarem dúvidas, pela análise deste mesmo documento, que a fortaleza foi conquistada por Afonso Henriques, ao monarca leonês, em data anterior a 1143, muito provavelmente, após a derrota que Afonso VII lhe infringiu, aquando da ocupação, de Toroño e da Límia, em 1141.
Existe um outro facto histórico referido na correspondência trocada no contencioso entre o Convento de Celanova e a Ordem de Cristo de Portugal sobre o domínio senhorial da Igreja de S. Salvador de Monte Córdova, concelho de Stº Tirso, de 1477, resolvido em 1574. O Abade de Celanova justificava o direito que reivindicava, o usufruto das rendas e bens da referida Igreja e Priorado, baseado num primeiro acordo estabelecido, em 1279, em que se decidiu que a vila e castelo de Castro Laboreiro eram pertenças do rei de Portugal, enquanto o Mosteiro ficava com o senhorio do Priorato de Monte Córdova. Uma sentença dada em 1314, pelo rei Afonso, conde de Bolonha, confirmou, definitivamente aquela composição.  
"Pleito entre el monasterio de Celanova y la Orden de Cristo sobre la iglesia de San Salvador de Monte Córdoba, año 1569" e documentos vários que se encontram na mesma pasta. Mas, se não se encontra o documento original sobre este acordo existe na Torre do Tombo, datado de 29 de Agosto de 1275, uma sentença de Afonso III, para que se cumpra a carta de composição, que se transcreve, assinada entre Sancho II e o Abade e Convento de Celanova, em Zamora, a 28 de Fevereiro de 1241, pela qual a Igreja e o castelo de Castro Laboreiro, com todos os seus direitos e haveres, passam para controle do monarca, ficando para o Mosteiro a Igreja de Monte Córdova, no bispado do Porto, também, com todos os direitos e haveres.
Estes factos evidenciam a importância estratégica de Castro Laboreiro, quer para Leão, quer para Portugal, cujo exercício de autoridade dependeria das vitórias conseguidas, nos longos períodos de consolidação da autonomia lusa. Contudo, seria uma solução política, que permitiu a Castro Laboreiro ficar sob a autoridade da Coroa Portuguesa.
A título de curiosidade, reza a tradição histórica, que Afonso III de Leão deu, entre outras, a povoação do mesmo nome, Castro Laboreiro, a Hermenegildo, conde das cidades do Porto e Tui e avô de S. Rosendo, o fundador do mosteiro de Celanova, como recompensa de ter vencido um outro conde, o poderoso Witiza. Costa,
Também, conta a tradição, que o castelo foi construído, por S. Rosendo (que viveu entre 907 e 977), para constituir um flanco de contenção às invasões sarracenas, que provinham do oceano. A verdade é que, ainda hoje, o castelo é conhecido, no grupo das pessoas mais idosas, quer em Milmanda ou em Bande, quer em Castro Laboreiro, pelo castelo de S. Rosendo.
Em que medida podemos questionar, que no morro do castelo e no período anterior à Reconquista, se implantou um reduto defensivo, um mons/castro, em que, nos períodos de perigo, se refugiavam as populações da área envolvente, e, posteriormente, tornado castelo, devido ao posicionamento em relação à fronteira?

Informações extraídas de:
- CARVALHOElza Maria Gonçalves Rodrigues (2006) - Lima Internacional: Paisagens e Espaços de Fronteira. Tese de Doutoramento em Geografia - Ramo de Geografia Humana; Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho.

sábado, 10 de novembro de 2012

MELGAÇO - 19/10/12 - Conferência sobre Alzheimer



Organizado pelo Município e pela Santa Casa da Misericórdia, o seminário abordou temáticas diversas relacionadas com a doença, tratadas por especialistas de diversas universidades, hospitais e associações, entre os quais a Dra. Ana Taborda, da Delegação Norte da Alzheimer Portugal, os Professores Doutores Jorge Pedrosa e Nuno Sousa, da Universidade do Minho, a Professora Doutora Carolina Garrett, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, a Professora Doutora Margarida Sotto Mayor, do Hospital Magalhães Lemos, e o Professor Doutor Pinto da Costa, das Universidades Portucalense e Lusíada.

A Capela da Senhora da Pastoriza: Origens da sua fundação


A origem desta capela remonta a 1703, a propósito de uma ida do capitão Domingos Gomes de Abreu, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo e familiar do Santo Ofício na vila de Melgaço, ao Reino de Galiza, sob ordem do Conde de Atalaia, para tratar de certo assunto real. Disso resultou ser preso pelo governador de Vigo na sua casa, depois durante 5 dias nas minas do Castelo de Castro, depois na Corunha, no Castelo de Santo António e posteriormente no Cárcere Real. Em aflição invocou Nossa Senhora da Pastoriza, prometendo-lhe fazer uma capelinha se regressa-se a Portugal. Data de 1707, o requerimento do Capitão Domingos Gomes de Abreu a D. Rodrigo de Moura Teles, Arcebispo de Braga, então em visita pastoral à vila de Melgaço, pedindo licença para construir à sua custa uma capela à Senhora da Pastoriza no Coto da Pedreira, lugar onde apenas existia uma cruz, e nela colocar os ornatos necessários e nomear-lhe bens livres no valor de dois mil cruzados. Além disto, informa já ter a pedra disposta para a obra. Em 6 Junho, regista-se o despacho de D. Rodrigo autorizando a construção da capela, que foi adiada devido à Guerra da Sucessão. Em 1713, a 21 Janeiro, é dado o deferimento do requerimento de Domingos Gomes de Abreu à Câmara Municipal para construir a capela no Coto da Pedreira, local que era baldio da Câmara. Em 1723 a 23 Julho, o pároco de Rouças informou o Arcebispo de Braga sobre a situação da capela, dizendo que das paredes exteriores, lhe faltava apenas um "outão" e parte de um "costão" para rebocar e caiar, mas já tinha no interior a cal para o fazer; por dentro estava caiada, forrada de novo, com um bom retábulo, ao moderno, e no presbitério tinha algumas imagens, cujos nichos e peanhas estavam no retábulo, e essas sem pintar, nem estofar, acabadas há cinco meses, estando à espera que a madeira secasse; no nicho tinha a imagem do orago, muito bem estofada. O altar tinha um frontal entalhado, pedra de ara, Evangelho de São João, sacras e lavabo, tudo entalhado, missal novo, etc.. Em 1725, a 19 Março, Domingos Gomes de Abreu, Cavaleiro professo da Ordem de Cristo, e sua esposa D. Isabel de Faria, lavraram a escritura da fábrica da Capela. Para a fábrica e conservação da mesma, hipotecaram e doaram para sempre a sua Quinta do Louridal, situada nos arredores da vila, que constava de vinha, campos e lameiros e souto, vedado, sem toro nem pensão. Hipotecaram também a vinha da Pigarrinha, a sua horta chamada de Marrocos, a metade de suas casas de morada na vila de Melgaço, em frente da Misericórdia. Na escritura do património da capela, os fundadores prometeram nomear oportunamente a sucessão. Frei Domingos fê-lo na escritura antenupcial do filho primogénito Lourenço José e da noiva, D. Catarina Peres Barbosa de Lima Távora, doando ao noivo o terço de todos os bens e a propriedade do ofício de Meirinho Geral da vila de Monção e dotando-o com os bens do vínculo do Louridal. Em contrapartida, impôs o encargo de anualmente mandarem dizer na capela missa cantada no dia de Nossa Senhora dos Prazeres. Após a morte de Frei Domingos, Lourenço José e sua irmã não se entenderam nas partilhas, sentindo-se a irmã prejudicada. Na escritura apresentado na Mitra Bracarense, o Procurador-geral anotou, como velada censura, o esfriamento do seu zelo, devido à construção da capela estar muito atrasada. Em 8 de Agosto, por despacho de Bernardo da Rocha, escrivão da Câmara Eclesiástica e administração de Valença, autorizando a construção da capela. Em 1727, foi feito um requerimento por Frei Domingos de Abreu pedindo licença para se benzer a capela, visto estar acabada, de pedras e madeiras e forrada e rebocada, com retábulo de talha, feito ao moderno, com todos os paramentos necessários para se poder dizer missa e com imagem da Senhora no altar. No retábulo-mor, Frei Domingos Gomes de Abreu colocou no lugar de honra a imagem de Nossa Senhora da Pastoriza e nas mísulas laterais santos da sua devoção. No lado do Evangelho São Bernardo e Santa Rosa e no da Epístola São Lourenço e São Domingos. Em 31 Julho de 1727, há registo de uma provisão de D. Rodrigo de Moura Telles, autorizando a bênção da capela para que posteriormente nela se celebrassem ofícios divinos. Em de 17 Agosto, verifica-se a celebração da primeira missa na capela pelo abade de Rouças. Posteriormente, em 1731, 4 Março é a data da carta do Dr. Agostinho Marques do Couto, cónego prebendado da Santa Sé, informando que o Papa Bento XIII concedera indulgências a todos os fiéis que, confessados e sacramentados, visitassem a capela e seus altares. Em 1733, a caixa de esmolas que existia na capela foi mandada fazer pelo padre Manuel da Ribeira, abade da vila, tendo sido feita por Domingos Marques, de Galvão, por meia moeda de ouro. No ano de 1758, a 24 Maio, esta capela é referida nas Memórias Paroquiais pelo padre Bento Lourenço de Nogueira como sendo particular. Em 1778, 12 Fevereiro é a data do alvará de D. Maria I nomeando como 3º administrador da Capela Francisco Xavier Gomes de Abreu, filho e herdeiro de Lourenço, tendo sido nomeado proprietário da vara de Meirinho-mor de Monção. Foi 4º administrador da capela, seu filho António Xavier Marinho Gomes de Abreu, Fidalgo cavaleiro da Casa Real. Em 1815 ocorre o casamento de António com D. Joaquina Barbosa da Silveira e Brito e Melo Pacheco. Em 1816, a 22 Março dá-se o nascimento do 5º administrador da capela, Francisco Xavier Marinho Gomes de Abreu, filho e herdeiro do 4º administrador. No ano de 1832, a 31 Março, na sequência da petição de Francisco Xavier e sua mãe, D. Miguel declara abolida a capela e sua pensão, e livres e elodiais os bens a ela sujeitos. Dá-se assim a abolição do vínculo formado pelo fundador da capela da Pastoriza. Em 1853, ocorre o casamento de Francisco Xavier M. G. de Abreu com D. Catarina Bernardina de Sena Cardoso Pinto de Morais Sarmento. Anos depois, puseram as terras do Louridal em leilão e combinaram com António Máximo Gomes de Abreu venderem-lhe todos os prédios, recebendo de imediato 300$000 como princípio do pagamento. O comprador morreu, contudo, sem ultimar o negócio e os seus herdeiros desinteressaram-se da compra. Em 30 Dezembro desse ano, dá-se o nascimento do filho e herdeiro do último administrador, que foi senhor da Casa de Reguengo, em Jolda, Arcos de Valdevez, e possuidor da Capela de Pastoriza. No ano de 1860, em 20 Abril, ocorre a venda de todos os prédios a Carlos João Ribeiro Lima, por 420$000, mas como fizeram depositar a importância recebida de António Máximo Gomes de Abreu para reverter para os seus herdeiros, receberam apenas 120$000. No poder de Francisco Xavier Marinho Gomes de Abreu, só ficou a capela de Pastoriza. Em 1884, em virtude de um grande milagre que a Virgem da Pastoriza lhe fizera, Libório José da Cunha mandou forrar e pintar a capela e reedificar o adro. Posteriormente, no ano de 1893, a 2 Julho, regista-se a arrematação da capela em hasta pública pelo Dr. António Joaquim Durães, por 205$000. No ano de 1896, a 18 Janeiro, um ofício da Administração do concelho informa que a capela foi vendida em hasta pública pelo bacharel António Joaquim Durães, na vila. Todos os sábados, o padre Caetano Fernandes, pároco da freguesia, ali celebrava missa.