domingo, 10 de janeiro de 2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
No tempo das grandes romarias à Senhora da Orada (Melgaço)
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| Capela da Orada (Melgaço) |
Numa publicação de 1890,
o “Archivo Histórico de Portugal”, faz-se referências ao tempo em que a capela
da Orada era visitada por numerosos romeiros devotos em séculos
anteriores. O autor conta-nos que “Tem
Melgaço um templo digno de menção, edificado sobre uma elevação sobranceira ao
rio Minho, o qual, como se sabe, separa esta villa do reino vizinho. O atrio
d’este é atravessado por uma estrada, que vindo da povoação parte para a
Galliza.
O templo, da invocação
de Nossa Senhora da Orada, é construído de boa cantaria e foi até 1834 da
jurisdição dos monges do Convento de Santa Maria de Fiães. Desde a egreja à
povoação é a estrada ladeada de formosas hortas, pomares, fontes abundantes de
magníficas águas, vistosos campos e casas, o que dá o mais alegre e grato
aspeto do sítio.
Do dia da Ascensão até
ao domingo do Espírito Santo era outrora muito concorrida a estrada pelos romeiros
do concelho de Melgaço, Valladares e Monção, os quais iam oferecer à Virgem da
Orada o resíduo pascal, lavando cada freguesia os seus párocos, e ao menos uma
pessoa de cada família.
Tinham estas romagens um
voto que os povos das mencionadas freguezias fizeram durante uma terrível
epidemia de peste, que, tendo assolado e
deixando desertas inúmeras povoações, áquelas não havia causado o mínimo damno.
Hoje, conquanto ainda
tenha devotos, não é a egreja procurada como d’antes. A civilização fazendo
pouco a pouco no espírito humano tem-lhe ensinado que o verdadeiro templo é a
consciência próprio, que todos devem honrar e respeitar como um sanctuário que
Deus nos collocou dentro do peito.”
Existe também uma lenda
popular alusiva à Senhora da Orada e que remonta ao período da peste. Sendo verdadeira ou não, ajuda-nos a perceber a origem da extrema devoção à Orada nesta região. A lenda diz-nos que "Corria o ano da Graça de
Nosso Senhor de 1569, e pelas terras do vale do Minho espalhava-se a peste. Em
todas as freguesias as pessoas estavam apavoradas com o terrível flagelo. Ricos
e pobres eram atacados por um grande febrão, e ninguém parecia escapar a esta
desgraça. Cheios de pavor e de fé, todos se voltavam para os santos, pois só a
eles parecia restar o poder para debelar tão grande infortúnio.
Por essa altura, morava
no lugar da Assadura, junto da Senhora da Orada, Tomé Anes, mais conhecido como
o "Vira-Pipas", pois andava sempre com uma malguinha a mais. Tomé
Anes era uma figura alegre, mas um pouco desbocada, quando importunado com a
alcunha. Para além de urnas pequenas leiras que amainava, Tomé limpava e
arrumava a capela da Senhora da Orada, trabalho que fazia com muito
desvelo e devoção.
Numa certa manhã, como
de costume, Tomé foi arranjar a capela. Como era ainda cedo, só tinha tomado o
seu «mata-bicho», lá em casa, e uma pequena malga de vinho na tasca da
Mirandolina. Chegado à capela, o "Vira-Pipas" quase morreu de susto,
pois a imagem da Senhora da Orada não estava no seu lugar, nem em qualquer
outro! Vezes acontecia que chegava a ver duas ou três imagens da Senhora,
quando a borracheira passava do normal. Não ver nenhuma assustava-o seriamente.
Cego não estava! Ainda perguntou à imagem do Senhor S. Brás pela ausente, mas
como este não respondeu, pensou que teriam sido os Galegos os autores de tão
vil afronta.
Furioso saiu o
"Vira-Pipas" em direcção à vila de Melgaço para comunicar o sucedido
ao Alcaide, e disposto a juntar o povo para enfrentar tal desfeita. Ia o Tomé
nestes propósitos pela via romana, quando o chamaram da casa do Arrocheíro para
dar uma ajuda na trasfega do vinho. Este era trabalho a que nunca se negava o
Tomé, já que entre o passar dos cabaços do vinho lá ia bebendo uma pequena
malga do apreciado líquido. Depois de muito bebido e comido, deixou-se o
"Vira-Pipas" levar pelo sono, de modo que já só noite dentro acordou
e contou o sucedido para os lados da Orada ao seu amigo. Conhecendo os hábitos
do Tomé, este só se riu, não acreditando em tão fantasiosa história. Mas como o
Tomé insistia tanto, concordou em confirmar o acontecido com uma visita à
igreja. Ao entrarem, verificaram que a imagem da Virgem estava no seu lugar. O
único surpreendido era o "Vira-Pipas"!
No dia seguinte, muito
envergonhado, decidiu o Tomé ir à Senhora da Orada mais cedo do que era
costume. Para testar as suas capacidades, num grande esforço, não bebeu a sua
malguinha de vinho, nem o imprescindível «mata-bicho»! Chegou até a meter a
cabeça debaixo da fonte, para dissipar os possíveis vapores alcoólicos do dia
anterior.
Na capela verificou que
só estava o menino Jesus, sentado, com aquela cara de choro que toda a criança
tem quando a mãe não o leva ao colo. Tomé ficou abismado, sem saber o que
fazer. Com medo que se rissem dele, não contou a ninguém, preferindo
entregar-se ao trabalho, ao ponto dos conhecidos ficarem admirados com tal
dedicação. De manhã e à noite ia à capela, e verificou que a senhora da orada
voltava à noitinha. Umas vezes levava o menino, outras não. Só o Tomé sabia
destas fugas, e pressentiu naquele mistério uma grande responsabilidade. Não
lhe passava da ideia o que lhe acontecera, julgando-se destinatário de uma
mensagem da Senhora para que abandonasse o consumo do álcool. Por isso, começou
a diminuir no vinho, o que a todos surpreendeu!
Enquanto isto sucedia ao
pobre do Tomé, em Riba de Mouro no concelho de Monção, os habitantes viraram-se
para a milagrosa Senhora da orada a fim de se livrarem da mortífera peste, que
por aqueles anos assolava toda a região. Para agradar à Senhora, prometeram uma
romagem anual à capela.
Depois de aparecerem os primeiros casos, surgiu na dita freguesia uma senhora, muito bonita e educada, que dizia saber como tratar aquela doença. Ninguém sabia donde ela viera. Entrava na casa das pessoas doentes, mandava fazer um chá com uma planta que trazia no alforge, e, juntando outras ervas, mandava preparar um banho que ela própria passava no corpo do doente, fosse mulher, criança ou homem. Recomendava às pessoas que se lavassem com ervas de Santa Maria e folhas de sabugueiro, que defumassem as casas com alecrim, e lavassem as roupas amiúde. A bondosa dama não tinha mãos a medir! De manha até à noite, não parava de atender os doentes. Não comia nem aceitava convite para ficar à noite com eles. Quando trazia um menino, que dizia ser seu filho, este ajudava a descobrir a erva de Santa Maria e os sabugueiros que o povo não sabia onde mais encontrar.
Depois de aparecerem os primeiros casos, surgiu na dita freguesia uma senhora, muito bonita e educada, que dizia saber como tratar aquela doença. Ninguém sabia donde ela viera. Entrava na casa das pessoas doentes, mandava fazer um chá com uma planta que trazia no alforge, e, juntando outras ervas, mandava preparar um banho que ela própria passava no corpo do doente, fosse mulher, criança ou homem. Recomendava às pessoas que se lavassem com ervas de Santa Maria e folhas de sabugueiro, que defumassem as casas com alecrim, e lavassem as roupas amiúde. A bondosa dama não tinha mãos a medir! De manha até à noite, não parava de atender os doentes. Não comia nem aceitava convite para ficar à noite com eles. Quando trazia um menino, que dizia ser seu filho, este ajudava a descobrir a erva de Santa Maria e os sabugueiros que o povo não sabia onde mais encontrar.
Entretanto passaram-se
quarenta dias, e a peste abrandou. Poucas pessoas sobreviveram ao flagelo, mas
em Riba de Mouro ninguém morreu! A senhora que tinha ajudado a população
desapareceu tal como havia surgido. Todos se perguntavam agora sobre a
identidade daquela misteriosa senhora. Alguém se lembrou, então, que a roupa, e
até a fisionomia, eram iguais à da Senhora da Orada!
Nesta certeza, logo
partiram em romaria ao seu santuário, agradecendo a protecção. Vendo tal
devoção e escutando o sucedido, o Tomé entendeu rapidamente o que lhe tinha
sucedido e resolveu contar a todos os desaparecimentos da Senhora naqueles dias
anteriores. Agora, todos acreditaram! Os romeiros partiram, espalhando o relato
do milagre por todas as freguesias."
Como já foi referido,
esta devoção à Senhora da Orada foi-se perdendo ao longo dos tempos e no final
do século XIX, o número de romeiros visitantes já não era significativo.
Informações extraídas de: Archivo historico:
narrativa da fundação das cidades e villas do reino, seus brazões d'armas, etc.
(1890), 2ª Série, Typ. Lealdade, Lisboa.
sábado, 2 de janeiro de 2016
A história de um ministro originário de Melgaço: um dos maiores estadistas do seu tempo
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| Ministro Martinho de Mello e Castro, originário dos Castros de Melgaço |
Martinho de Mello e Castro é uma das altas figuras da
História de Portugal oriundas de Melgaço. Foi um reconhecido estadista e
desempenhou o cargo de Ministro da Marinha de Guerra no tempo do rei D. José e
D. Maria I entre outras importantes funções. Nasceu em 1716 e viria a falecer
em 1795.
Quase 100 após a sua morte, encontrámos numa publicação
de 1890, o "Archivo Histórico de Portugal", um texto muito elogioso à sua vida e à terra de origem da sua família e que nos dá uma real dimensão da sua notoriedade.
Nele podemos ler que “Cabe a esta villa também a honra de ter
sahido da família dos Castros de Melgaço o laureado ministro da nossa Marinha,
Martinho de Mello e Castro, nome altamente sympathico e bemquisto da nação.
Nasceu o ilustre varão a 11 de Novembro de 1716. Seguiu a
carreira ecclesiástica e em 1739 foi nomeado cónego da sé patriarchal. Seguiu
depois a carreira diplomática, e estava ministro em Londres, quando rebentou a
guerra entre a nação dos piratas, a Hespanha e a França.
O patriótico ministro prestou então valorosos serviços ao
paíz, já enviando armas e munições de guerra, já envidando todos os meios para
dar lustre ao nome portuguêz. Coube-lhe a elle assignar a paz em Paris, o que
realizou, salvaguardando a honra e os
interesses nacionaes como um verdadeiro portuguêz.
D. José nomeou-o ministro e secretário de estado dos
negócios da marinha, em 1777. Martinho de Mello tomou o mais vivo interesse no
desenvolvimento da marinha de guerra portuguesa, e esteve sempre ao lado do
grande Marquez de Pombal, em todos os commettimentos de utilidade pátria. Conquanto não fosse affeiçoado ao severo ministro, que tanta influência teve no
reinado de D. José, coadjuvou-o sempre que se tratava do engrandecimento e
prosperidade nacional. Depois da queda de Sebastião José de Carvalho e Mello,
continuou a dirigir a pasta da marinha com a mais evidente intelligência e
sollicitude.
A este hábil ministro de deveu a magnífica esquadra que
então houvemos. Ainda quando D. João VI fugiu covarde e criminosamente para o
Brazil, deixando a pátria nas garras do inimigo bonapartista e do pirateiro
alliado, se compunha a esquadra de guerra portugueza de doze fragatas , e doze
naus de linha, afora muitas outras
embarcações de menor importância. Isto em 29 de Novembro de 1807.
Hoje, temos o Pimpão e meia dúzia de chavecos, incapazes
de aguentarem os embates do oceano em revoltas de borrasca.
Ah! Mas é que já não existem homens como o Marquez de
Pombal e Martinho de Mello, à frente da administração pública!
O digno estadista conservou a pasta da marinha até à data
do seu fallecimento, em 24 de Março de 1795. Possuía inalteravelmente a mais
clara intelligência e foi activo no desempenho da sua nobre missão até que a
morte o prostou, velho nos annos, sempre novo na pujança do espírito, e no
discernimento da acção.
Em Luanda, conhecemos ainda um transporte de guerra com o
nome do ilustre ministro. Há annos desarmou este vaso da nossa marinha, e ainda
não houve quem se lembrasse de dar o nome de Martinho de Mello a outra qualquer
embarcação de guerra. Em troca, há-os que têem nomes que nada significam, a não
ser a máxima insignificância.”
Extraído de: Archivo historico: narrativa da fundação das cidades e villas do reino,
seus brazões d'armas, etc. (1890), 2ª Série, Typ. Lealdade, Lisboa.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Castro Laboreiro: Viagem ao séc. XX em postais
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| Castro Laboreiro, junto ao castelo, no início do século XX |
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| Vila de Castro Laboreiro, no início do século XX |
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| Castro Laboreiro, Fraga da Franqueira, no início do século XX |
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| Castro Laboreiro, no início do século XX |
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| Castro Laboreiro, lugar do Vido, no início do século XX |
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| Mulher com traje castrejo no início do século XX |
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| Castro Laboreiro, no início do século XX |
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| Castro Laboreiro, feira quinzenal do gado, no início do século XX |
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| Castro Laboreiro, Largo da Igreja, em meados do século XX |
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| Casas típicas de Castro Laboreiro em meados do século XX |
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| Aspetos de Castro Laboreiro (década de 80 do século XX) |
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| Aspetos de Castro Laboreiro (década de 80 do século XX) |
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| Aspetos de Castro Laboreiro (década de 80 do século XX) |
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| Castro Laboreiro, a "Tartaruga", (década de 80 do século XX) |
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| Castro Laboreiro (década de 80 do século XX) |
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| Ponte Nova, em Castro Laboreiro (década de 90 do século XX) |
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| Nas proximidades dos Portos, em Castro Laboreiro (década de 90 do século XX) |
sábado, 26 de dezembro de 2015
As imagens de Castro Laboreiro no filme "A Cruz de Ferro" (1967)
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| Cena rodada na Ponte Velha e área envolvente |
O filme “A Cruz de
Ferro” foi rodado na década de 60 do século passado em Castro Laboreiro
(Melgaço). O mesmo fala-nos do conflito entre os clãs de duas aldeias vizinhas
de Trás‑os‑Montes que é desafiado por uma história de amor que une dois jovens
oriundos de cada uma das partes desavindas. Retrato dramático da dura vida
transmontana, baseado no livro “Natal da Serra” de Armando Vieira Pinto, com
argumento de Jorge Brum do Canto e Fernando Fragoso. A música é de Joly Braga
Santos. Jorge Brum do Canto também assina os diálogos e a montagem do seu filme
é dele protagonista masculino. Conta também com a interpretação de Alírio de
Sousa, Amílcar Lyra, Cremilda Gil, Cunha Marques, Emília Correia, Octávio de
Matos e Ruy Furtado, entre muitos outros.
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