quarta-feira, 13 de maio de 2026

A origem do culto a Nossa Senhora de Fátima, no Facho (Cristoval - Melgaço)

 



A origem do culto a Nossa Senhora de Fátima no Facho, na freguesia melgacense de Cristoval remonta aos anos quarenta do século passado. Diz-se que a pequena capelinha foi mandada construir para cumprimento de uma promessa de uma pessoa, o Sr. Manuel Trancoso da Silva, que tinha a sua sobrinha gravemente doente. Num texto publicado no jornal "Voz de Melgaço", em Março de 1956, e acerca do assunto, podemos ler: "Monte do Facho! Facho ardente de luz! Cantinho abençoado que muitos desconhecem, mas que por certo ninguém devia ignorar. Nenhum outro conheço mais feiticeiro, nenhum de maior aprazimento e encanto. Lugar de signo tão feliz, que no Céu parece ter uma janela, donde os amigos e as almas o contemplam.

Monte do Facho! Quem haverá que subindo até junto de ti possa esquecer a paisagem que os nossos olhos divisam?

Águas e campos, montes e folhagens... aqui, Cristóval com a sua igreja, que se levanta parece que em prece а Deus; acolá, aldeias com casas caiadas de branco; mais além os rios Trancoso e Minho; ao fundo, S. Gregório a linda aldeia que todos admiram e à qual um poeta vianense chamou "a Suíça Portuguesa". E em frente que se nos depara? A vizinha Espanha com os lugares de Padrenda, Notária, Frieira, servidos por uma estrada que vem ligar à nossa em Puente Barjas para nos levar até Vigo, Corunha. Madrid, etc.

E que feliz inspiração teve o nosso conterrâneo Manuel Trancoso da Silva, quando em cumprimento de uma promessa se lembrou de mandar construir no mais alto do monte uma ermida (onde ele apesar de tão rico muito trabalhou também), na qual havia de ser colocada a Virgem de Fátima.

Em cumprimento de uma promessa? Sim!…

E que linda promessa para todos os que a ouvem contar, mas triste, muito triste, para os que a viveram ou presenciaram.

Ildinha era a filha única de um casal feliz que vivia em S. Gregório donde era natural, sobrinha do Sr. Manuel Trancoso da Silva. Sempre amimada e bem querida, cresceu em ambiente alegre e confortável. Mas chega aos 11 anos e é necessário fazer dela uma menina instruída e culta como é aspiração da família.

E, para que não vivesse muito longe dos pais, resolvem pô-la a estudar no colégio mais próximo da sua terra, para vigiarem de perto todos os seus passos e ver que nada lhe falte. Mas, porque o destino é impiedoso, apesar de tantos cuidados, já em férias, quando a Ildinha passava a ferro o seu vestido novo com o qual iria passear no dia de Páscoa em companhia das suas amigas, sente-se sufocada. Aos gritos lancinantes acode a mãe aflita.

E que triste espectáculo, Deus meu! Aquela inocente deitava sangue pela boca, pelo nariz, pelos ouvidos. Uma tuberculose galopante tinha-se apoderado dela no mais cobarde silencio. Principia com então resignação a vida de martírio para aquele anjo que com tanta resignação soube sofrer.

Procuram os pais salvá-la. Fogem com ela à procura de remédios. Mas eis que regressam de uma longa peregrinação pelos consultórios dos mais célebres especialistas em doenças pulmonares, sem qualquer esperança de cura. Parece que estou a vê-la ainda: prostrada no lei quase inerte, com duas grossas tranças a contornar-lhe o rosto, olhar meigo, sorriso vago nem triste nem alegre, como se fosse ao mesmo tempo a expressão de uma saudade longínqua e a esperança de uma felicidade que morre.

Lembra-se então o tio de apelar para a Bondade Divina. Faz a promessa de mandar erigir no Monte do Facho uma ermida, onde seria colocada a Imagem da Virgem de Fátima, se a sobrinha, único bem da sua vida, fosse curada. E, com tanta confiança fez a sua prece que, mesmo antes de ser atendido, apressou-se em mandar vir a Imagem da Senhora. Os trabalhos no Monte do Facho e a construção da nicho principiaram em 1941, sob a orientação do Senhor Trancoso; grande devoto da Virgem, devidamente autorizado pelo Rev.do Pároco, P. Manuel José Pereira.

1942 era o Ano Jubilar das Aparições de Fátima. O Romano Pontífice Pio XII, em nome da humanidade inteira; dessangrada por espantosa carnificina, debatendo-se num espasmo de agonias incomportáveis; iria consagrar o Mundo ao Imaculado Coração de Maria. Fátima foi o altar da Virgem escolhido para realizar tão solene como significativa cerimónia. Aproveitando este acontecimento invulgar na História da Igreja em Portugal; e para dar cumprimento à sua promessa, resolveu o Senhor Trancoso e com razão, escolher esta data para a bênção e entronização da Imagem da Senhora de Fátima no Monte do Facho.

13 de Fevereiro de 1942 é a primeira data festiva. Na véspera, faz-se a primeira procissão de velas. Saindo da capela de S. Gregório, depois de nela se incorporarem centenas de pessoas cantando e rezando, a procissão, fugindo ao itinerário, vai passar em frente da casa onde aquele pobre anjo sofria. Tendo-a tirado da cama, lá a vemos amparada na varanda, de joelhos, com os olhos postos na Virgem que segue na procissão, pedindo em prece ardente, a sua cura. Todos choram e soluçam ao contemplar tão triste espectáculo. O desfile continua e, à medida que vamos subindo, presenciamos o que de mais maravilhoso e sublime se pode admirar na terra. De cada janela que ao longe ou ao perto se avista, em Portugal ou na vizinha Espanha, erguem-se velas a arder; lembrando-nos quе naquele lar mora um casal feliz, uma pobre viúva que dedilha as contas do seu rosário um velho nos últimos anos da sua vida, todos rendendo homenagem àquele andor sagrado, onde segue a Virgem que vi ser colocada na pequena ermida no monte do Facho. No dia 13, missa campal e outros actos de culto à semelhança daqueles que se realizaram na Cova da Iria. Bendito seja Deus que nos deu por berço um cantinho tão lindo onde a crença e a religião são filhos desta paisagem verde e mansa!

Mas porque nem sempre proveitoso para a alma tudo quanto para bem do corpo реdimos; Deus, achando talvez que aquela menina estava em estado de graça, não quis ouvir as vozes que clamavam piedade na terra e levou-a para junto de si para o Céu. Na noite de 5 de Novembro de 1943, a Ildinha falece com 16 anos de idade. Parece-me contemplá-la ainda na minha eterna saudade, vendo-a sempre dormindo dentro de um caixãozinho branco coberto de flores, com as mãozinhas débeis cruzadas sobre o peito…

O povo receia que depois da sua morte as obras do Facho não se concluam. Contudo o Senhor Manuel Trancoso da Silva não esmorece e; no meio de tanta tristeza, faz o propósito de contribuir cada vez mais para o progresso daquele Monte.

Absorvido em Deus e na sua fé religiosa, procura com o trabalho esquecer a imagem daquela sobrinha que lhe era tão querida e Deus levara para junto de si. Os trabalhos prosseguem. Pensa ainda em mandar construir perto do nicho onde está a Virgem de Fátima, uma capela à qual seria dado o nome de “Capela de S. José”. Mas a morte surpreendeu-o sem ver realizada a sua aspiração.

A partir de 1943, a festa de N. Senhora realizou-se sempre no dia 13 de Maio com tríduo preparatório e procissão de velas na véspera. Em 1947 teve lugar a grandiosa festa da coroacão da Senhora dos Pastorinhos. Em Maio do ano anterior, 1946, Pio XII, acedendo ao pedido insistente dos fiéis de toda a cristandade, apresentou ao mundo a Virgem Santíssima como Rainha Universal dos povos.

A coroação da Senhora, complemento brilhante da consagração, verdadeiro plebiscito mundial, foi ocasião de singular alegria e contentamento para todos os corações piedosos.

O bom povo de Cristóval que nutre pela Senhora de Fátima entranhado amor e viva dedicação, apressou- também a coroá-La. Tudo se dispôs harmoniosamente para esta cerimónia emocionante. O Ex.mo e Rev.mo Sr. Arcebispo Primaz foi convidado a presidir. Um coro misto de portugueses e espanhóis num total de 100 elementos, sob a regência de D. Castor Cartelle. abrilhantou os actos do culto. Os nossos vizinhos espanhóis onde o amor à Virgem é de igual quilate, estiveram largamente representados.

As freguesias de Padrenda e Desteriz presididas pelos seus Revs. párocos tomaram parte colegialmente, avançando pela ponte internacional com as suas bandeiras e cruz alçadas. Um total de mais de 5 mil pessoas enchia o largo recinto, donde se divisa uma das mais surpreendentes paisagens do nosso religioso Minho.

A coroa toda em ouro, num valor superior a doze mil escudos foi oferecida por toda a freguesia. O precioso brilhante que a torna inconfundível é generosa dádiva da Dona Palmira, esposa do Sr. Manuel Trancoso da Silva. Chegada a hora emocionante da coroação, os "vivas" e "hossanas" ecoaram a nono espaço numa manifestação de júbilo e gratidão à Mãe do Céu.

Seguidamente o Ex.mo Sr. Dr. Júlio Outeiro Esteves, ilustre filho da nossa terra, leu em nome de todos, a Consagração a Nossa Senhora.



Igualmente simbólica foi o evento da coroação de Nossa Senhora de Fátima, realizada em Maio de 1947, aqui referida numa notícia na "Voz de Melgaço", na edição de 1 de Maio desse ano: "S. Gregório – Festa da coroação de Nossa Senhora de Fátima – A Comissão tem desenvolvido grande atividade para que esta festa tenha o brilho desejado.

Já está autorizada a passagem dos raianos espanhóis esperando-se que seja grande a sua afluência.

Reina grande entusiasmo em todas as freguesias vizinhas que tomarão grande parte na grande peregrinação presidida por Sua Ex.a Rev. O Sr. Arcebispo Primaz.

Está já assegurado o concurso da afamada Banda Voluntários de Melgaço, sob a regência de mestre Morais.

Os coros e a parte coral da Missa Solene serão regidos pelo grande amigo desta terra, D. Carlos Cartelle que gentil e espontaneamente se pontificou a ensaia-los.

Que sombra de exagero pode afirmar-se que esta será a melhor e mais imponente festa desta freguesia e uma das mais brilhantes do concelho? É pena que nem todos compreendam o grande significado de tal acto de homenagem à Virgem Santíssima”.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Um retrato de São Gregório (Cristóval - Melgaço) no início do século XX

 


Em tempos antigos, S. Gregório conheceu uma prosperidade assinalável, cuja economia girava, sobretudo, à volta da atividade comercial, quer pela via legal, quer através do contrabando. No “Jornal de Melgaço”, na sua edição de 15 de Agosto de 1907, podemos ler uma notícia que nos dá um retrato a esta linda terra na época: "S. Gregório, a primeira povoação portugueza cá do extremo norte, apparece ao viajante no fim da estrada real nº 23. É um pequeno largo rodeado de edifícios com bons estabelecimentos commerciaes, uma pharmacia, uma capella, etc., e segue direcção oblíqua descendente, formando itenerariamente, uma rua de, talvez, uns 400 metros, a sua Rua Verde, que vae até à ponte da Várzea, a primeira ponte internacional (de 6 metros de comprimento, 4 de alto e 2 de largo) de que damos a gravura.



Por esta rua se encontram também alguns bons prédios de granito, sobressaindo o do Sr. Dr. José Joaquim de Abreu, e a 15 decámetros da capella depara-se com o bem montado estabelecimento commercial encyclopedico, onde está também a delegação do correio. Mais abaixo a escola do sexo feminino e, lá no fundo, junto á ponte, o posto fiscal.

Pertence S. Gregorio à freguezia de Christoval, que  é phisicamente de terreno accidentado, - desde Cebido, onde o Trancoso tem a sua confluência no Minho, confluência que é o vértice de um ângulo recto, cujos lados, margens esquerdas do Minho e do Trancoso, são seus limites de fronteira - Os seus outeiros, de natureza eruptiva, que a geologia nos diz serem a consolidação pelo resfriamento de massas líquidas que pressões enormes de gazes produzidos pelo calor central impelliam do interior, lá nas remotissimas epochas da formação do globo, e os seus baixos que a decomposição e as águas etc., tornaram aqui ricamente productivos formam na epocha da florescência um panorama belíssimo, como não tem outro o pittoresco Minho. 

Vamos transcrever o que a respeito de S. Gregorio diz «A Nossa Pátria», revista illustrada da vida portugueza:— «Distante de Melgaço cerca de 8 kilómetros, encontra o viajante, que percorra o nosso Minho, a povoação de S. Gregorio, que fica situada no extremo norte de Portugal; e ali depara com bellissimos panoramas que a cada momento se metamorphoseiam, fazendo-lhe lembrar, o serpentear da magnífica estrada e o arvoredo que a ladeia, algumas passagens de Cintra e do Bussaco. 

Chegado a S. Gregório, sente o forasteiro desejo de ver e de passar a pequena ponte internacional, construída de madeira e sustentada, do centro para os lados, por quatro varões de ferro, ponte de que damos hoje a gravura, reproducção de photographia. N'essa gravura figuram dois carabineiros hespanhoes, vendo-se dois guardas fiscaes do lado de Portugal. 

O pequeno rio que estabelece ali a separação da fronteira, e que é berço de apreciadissimas trutas,apesar de durante todo o verão se passar a vau, é o rio «Trancoso», que tem a sua nascente em Portellinha, corre uma extensão total de 18 kilómetros e vae, a um kilómetro ao norte de S. Gregorio, desaguar no rio «Minho».

S. Gregório, que ainda hoje conserva estabelecimentos bem montados, foi uma das povoações, da raia, de maior movimento commercial para Hespanha, tendo contribuído para a sua decadência o progresso da indústria hespanhola e a facilidade de communicação que proporciona o caminho de ferro que liga Vigo com Orense e Monforte,o qual lhe fica fronteiro e data de 1880. 

De S. Gregorio ouvem-se cantar os gallos (sem exagero) em dois reinos, três províncias e três bispados e arcebispados; taes são; dois reinos, Portugal e Hespanha; três províncias; Pontevedra ao norte, Orense ao nascente e Minho ao sul; e bispados de Tuy e Orense e arcebispado de Braga. 

Em S. Gregório há vinhos muito bem trabalhados e de magnifico sabor, devendo especializar-se os do vinicultor Sr. Antonio Augusto de Araujo, que, dedicando-se com todo o afan ao tratamento, é incansável em estudar não só os progressos e aperfeiçoamentos desde a cultura até ao engarrafamento, como também em apresentar vinhos de velha data, que rivalizam com os melhores que apparecem no nosso mercado, pelo seu bom fabrico. Tem também uma marca de género Champagne, que é o mais que se pôde exigir em tal especialiade, segundo o que affirmam os entendedores.

Mas o que por S. Gregório maravilha, opticamente falando, é esse largo horizonte portuguez-hespanhol e todo esse recortado amphitheatro vegetal que se descobre ao passear, sobranceiro ao Minho, pela nossa estrada real até à capella, em construcção, da Senhora de Lourdes e.restringindo mais, no sítio das Portas de Paradella.

Por aqui passou há tempos um illustre viajante e disse que tendo percorrido todas as aleas e canteiros do «Jardim da Europa» jamais encontrara ponto de vista que tanto surprehendesse.

terça-feira, 7 de abril de 2026

A igreja do antigo convento de Paderne em fotos da primeira metade do século XX




A História de Paderne e do seu antigo convento faz-se desde tempos imemoriais, anteriores à fundação da nacionalidade. Partilhamos uma pequena coleção de três dezenas de fotografias da igreja do antigo mosteiro de São Salvador de Paderne da primeira metade do século passado.

Viaje no tempo!
































Fotos de: Marques Abreu & Cª. In: Centro Português de Fotografia.

domingo, 15 de março de 2026

A Igreja de Chaviães (Melgaço) em fotografias de meados do século XX

 



Na paróquia de Chaviães, o templo cristão mais antigo de que temos conhecimento era uma igreja dedicada a Santa Seguinha. A dita igreja encontra-se documentada desde 1177. A igreja mudou de orago algures no século XVI, para Santa Maria Madalena.

Partilhamos um pequeno conjunto de fotografias da meados do século XX. Viaje no tempo!...












domingo, 8 de março de 2026

A fundação da capela de São Roque (Paderne - Melgaço)

 



Na freguesia de Paderne, ainda hoje encontramos a Capela de S. Roque, no bonito lugar de Golães. A sua fundação remonta a meados do XVII, sendo a sua construção de iniciativa privada por parte dos senhores da denominada Quinta de Golães, na época.

O documento mais antigo que conhecemos relacionado com esta capela remonta a 1656 e refere-se à obrigação da ermida de São Roque no lugar de Golães, a favor de um tal Estêvão Pereira Bacelar e de sua mulher Teodora do Valle, moradores no dito lugar e Quinta de Golães, os quais se obrigam à dita capela. Partilhamos com os caros leitores o histórico documento da constituição do património da fábrica da capela, formalismo sempre necessário para se obter licença para a edificação de novos locais de culto por parte da arquidiocese. No dito documento, podemos ler:

Termo da obrigação da fábrica da Ermida de S. Roque sita no lugar de Golains, Couto de Paderne

Saibam quanto este instromento de doação de Cappella ou como milhor em Direito aja lugar virem que no anno do nacimento de nosso Senhor Jesus Cristo de mil e seis centos e sincoenta e seis annos aos sete dias do mes de Junho do dito anno no lugar de Golains, Cazas da morada de Estevão Pereira Bacelar que he no Couto de Paderne termo da Villa de Baladares ahi perante mim tabalião das cazas adiante nomeadas apareceo Estevão Pereira Bacelar e Sua mulher Theodora do Valle outrossym moradores no dito lugar e quinta de Golains do Couto de Paderne deste dito termo Villa de Baladares pessoas por mim também reconhecidas e por elles foi dito que elles instituirão por Via e forma do direito em tal cazo da entrega e que milhor possa valer e entregarão por via de doação e hipotecarão de hoje para todo o sempre já mais para a fábrica e ermida do bem aventurado São Roque sita na dita quinta de Golains a deveza aonde está a dita Ermida e montes e árvores que estão nella e as que estão junto a ella e no caminho da outra leira nova...”

Note-se que a ermida que podemos observar nos dias de hoje for erguida em 1733, tendo sofrido uma ampla remodelação em 1945. 

Para a História, fica a transcrição na íntegra do dito documento que ainda hoje se conserva no Arquivo da Arquidiocese de Braga, no Livro do Registo Geral, da constituição da fábrica da capela de São Roque. No dito documento, podemos ler:

Termo da obrigação da fábrica da Ermida de S. Roque sita no lugar de Golains, Couto de Paderne

Saibam quanto este instromento de doação de Cappella ou como milhor em Direito aja lugar virem que no anno do nacimento de nosso Senhor Jesus Cristo de mil e seis centos e sincoenta e seis annos aos sete dias do mes de Junho do dito anno no lugar de Golains, Cazas da morada de Estevão Pereira Bacelar que he no Couto de Paderne termo da Villa de Baladares ahi perante mim tabalião das cazas adiante nomeadas apareceo Estevão Pereira Bacelar e Sua mulher Theodora do Valle outrossym moradores no dito lugar e quinta de Golains do Couto de Paderne deste dito termo Villa de Baladares pessoas por mim também reconhecidas e por elles foi dito que elles instituirão por Via e forma do direito em tal cazo da entrega e que milhor possa valer e entregarão por via de doação e hipotecarão de hoje para todo o sempre já mais para a fábrica e ermida do bem aventurado São Roque sita na dita quinta de Golains a deveza aonde está a dita Ermida e montes e árvores que estão nella e as que estão junto a ella e no caminho da outra leira nova e (???) junto a ella assim como está sercada sobre (???) e a caza que ora serve de meter palha junto à dita leira que tudo he dizimo a Deos sem (???) nenhum que parte do nacente a poente com q.ta deste constituinte e seara de Pedro Goncalves e Francisco Alvarez e de Pedro Dias da Aldeia de Golains e outros sy do poente a Sul com vinha e recio [rossio] delles constituintes e do norte com carbalheira de Maria (???) viuva de Domingos de Abreu moradores nas Fontainhas a qual deveza e arvores (???) e pumar feito e Caza constam em seu testamento que ora usam presentes que sempre estivesse obrigado tudo à fábrica da dita Ermida lhe fazião esta doação de bens sobreditos depois da morte de cada hum delles constituintes que sucedesse ficassem estas propriedades ao filho mais Velho ou aquelle q morasse na dita quinta e depois da morte de cada hum delles que suceder ficasse sempre ao filho ou filha mais Velho sudedendo sempre ao maior e ao melhor e não havendo filhos ao herdeiro mais chegado que seja legitimo de legitimo matrimonio para que tenha cuidado de reparar a dita Ermida da fabrica della cas ditas propriedades ficarão sempre sem dar partilha a Irmão nem a outra alguma pessoa; cortando da deveza alguma árvore terá cuidado quem nella suceder, plantar outra de modo que melhorem as ditas propriedades não piorem nem venderão nem alhearão a pessoa alguma nem ainda a seus próprios venderão de cativos e o que gozar as ditas propriedades terá cuidado de mandar dizer todos os dias de S. Roque huma missa cantada e outra rezada e quando não poderem ser cantada ao menos rezada pella alma delles constituintes que bem a ser duas missas e com esta condição lhe doarão as ditas propriedades e quando assim não fizerem elles constituintes querião que o segundo herdeiro fique Senhor das ditas cazas com as mesmas condisoens e assim o disserão e outorgarão e disserão q elles se obrigavão com suas pessoas e bens havidos e por haver assim o cumprirem em juízos afora delle a fazerem os bens aqui hipotecados (???) defender de toda a pessoa que o contrario lhes quizerem ir (???) estes bens aqui hipotecados ficassem sempre livres e izentos e obrigados a dita fabrica e duas missas atras declarado e a sim o outorgarão e mandarão fazer o prezente instromento de doação e hipotecação e outorgarão no dito dia mes e anno sobre dito estando prezentes António Filgueira do Valle a quem elle outorgante asinara por ella e assinou estando mais Manoel Pereira Bacelar e Sebastião da Rocha Pita e João Pereira de Araujo filho de mim escrivão Sebastião Alvarez Mogueimas do Barral do dito termo desta Villa Couto de Paderne que todos aqui assinarão nesta nota com elles outorgantes, Francisco Pereira de Araájo tabaliam que o escrevi. Estevao Pereira Bacelar António Filgueira do Valle Manoel Pereira Bacelar Sebastião da Rocha Pita João Pereira de Araújo Sebastião Alvarez Mogueimas.

Despacho do Sr. Doutor João Ramirez // Registe-se na escritura da fábrica com isso se lhe passe [licença] para nesta Ermida se dizer missa sem embargo do Capitulo de Vizitação que para esse efeito suspendo para o terem satisfeito a obrigacão da fábrica / Muniz Doutor Joaõ Muniz de Carvalho comissário do Sr. (???) Comigo prebendado na Sé desta Cidade de Braga Primaz, Provizor e Vigário Geral em elle e todo seu Arcebispado pellos S.res Senhores do Cabido primas sede Vacante Att.º a tendo respeito ao que na petição atras em vim a dizer Estevao Pr.ª Bacelar e pello q me consta da escritura pello q se dotou a Cappella de que se fez a petição atras mencionada pella prezente dou licença para que na dita Ermida se fez mencão se possa dizer missa Em embargo do Capitulo de Vizitação que suspendo para este efeito visto havere se satisfeito as obrigacões da fabrica dada em Braga sob meu sinal e Sello desta corte aos vinte e nove dias do mes de Junho de mil e seis centos e sincoenta e seis annos o P.e Ant.º Barreto not.º ap.º publico por (???) de Affoncequa [Fonseca] Coutinho escrivão da Câmara e administração de Valença o escrevi João Muniz de Carvalho Sello hua dobra cruzada Sete sentos e vinte e o gomes [assinatura?] Sobre cincoenta reis do Registo Geral duzentos reis – O que tudo eu João de Gouvea escrivão do Registo Geral desta Corte fiz registar o sobredito e por verdade me assino. Braga vinte e nove de Junho de mil e seis centos e sincoenta e seis annos.

João de Gouvea"