domingo, 7 de junho de 2026

Porque é que o rei D. João III mandou entregar a gafaria de São Gião à Misericórdia de Melgaço (1531)

 



Desde tempos muito antigos, existia em Melgaço um hospital de leprosos que se situava junto à atual capela de São Julião, nas proximidades da vila de Melgaço. A dita gafaria, chamada na documentação da época, de “Espritall de São Gião”, situava-se junto à estrada que levava à fronteira da Ponte da Várzeas, e foi instituído em tempos muito recuados para o tratamento e cura de "lázaros" (pessoas que sofriam de lepra). Em 1531, os irmão da confraria da Misericórdia de Melgaço pedem diretamente ao rei D. João III que lhe a gestão do dito hospital para a dita confraria. No documento onde se formaliza esse pedido refere-se que a sua fundação era já tão antiga que se tinha perdido a memória do seu fundador e não existiam registos claros sobre quem o instituiu ou quais eram as obrigações e encargos.
Com o passar dos tempos, a lepra deixou de ser uma realidade na região ("havia muitos anos que aí não havia" lázaros). Sem doentes para tratar, o hospital perdeu o seu propósito inicial.

O hospital possuía várias propriedades e rendas que geravam, anualmente, a quantia exata de 732 réis ("sete centos e trinta e dous réis"). No entanto, como não havia um administrador fixo ou certo (a administração era atribuída de forma avulsa por quem o Provedor da Comarca escolhesse), estes bens estavam a ser mal geridos e os rendimentos "andavam mal aproveitados".
Nesta época, a Confraria da Misericórdia de Melgaço era "muito pobre". Ao ver o património do hospital mal gerido e sem utilidade prática, o Provedor e os Irmãos da Misericórdia pediram ao Rei que o hospital de São Gião lhes fosse anexado. Comprometeram-se a administrar os bens, cumprir as obrigações religiosas do espaço e a usar o dinheiro sobrante nas obras de caridade da Misericórdia.

Antes de tomar uma decisão, o Rei mandou o Provedor de Viana da Foz do Lima fazer uma investigação local. O inquérito confirmou tudo: o hospital era antiquíssimo, não havia leprosos nem registo de fundação, e os rendimentos eram efetivamente de 732 réis.

Perante isto, a 1 de dezembro de 1531, o Rei emitiu o Alvará que dita a união e anexação perpétua do Hospital de São Gião à Misericórdia de Melgaço.
Com esta decisão régia, a Misericórdia de Melgaço tomou posse das propriedades e dos foros da gafaria de São Gião. Em troca, ficaram com a obrigação de reparar a Igreja de São Gião (São Julião), garantir a celebração das missas obrigatórias e de devoção que lá se fizessem, e aplicar o resto dos rendimentos ("o remanescente") para sustentar as obras e despesas da instituição da Misericórdia.

Para a História, deixamos a transcrição do alvará passado em Dezembro de 1531, no tempo do rei D. João III, pelo próprio, em que acede ao pedido da Confraria da Misericórdia de Melgaço para que passasse para a sua gestão, a gafaria de São Julião com as suas propriedades e rendas:

Eu El-Rey faço saber aos que este alvara virem que o Provedor e Irmãos da Comfraria da Mizericordia da Villa de Melgaço me enviaram dizer, que na dita villa havya hum Espritall que Se Chama de São Gião que ele fora instytuido para nelle se Curarem lázaros os quais havya muytos anos que hy não havya, e tinha o dito Espritall certas propriedades que rendião em cada hum ano todas juntamente sete centos e trinta e dous reis e andavão mal aproveytadas e sem administrador a que de dereito pertencese a administração delle, e que os Provedores da Comarqua elegião quem administrasse os bens do dito Espritall, e cumprisse os em carreguos da instytuição delle, e lhe ordenavão por seu trabalho a quinta parte do dito rendimento e que por quamto a dita Comfraria da Mizericordia hera muyto pobre e o dito Espritall não tinha certo administrador, me pedião que houvesse por bem de ounir e anexar a dita comfraria, e que o dito Provedor, e irmãos fossem admenistradores della, e comprissem os encarreguos com que fora instytuido, e o que sobegasse e podessem despemder nas obras da dita Mizericordia. E vysto o seu Requerimento antes de outro despacho, mandey no cazo fazer deligencia pello Provedor dos Resydos e Espritais e Capellas da Comarqua, e Provedoria da Villa de Vianna da Foz do Lima, e que soubesse por quem fora instytuido o dito Espritall, e que visse a Instytuição delle, e os emcarreguos que tinha, e que renda lhe fora deixada, e em que propriedades, e se imformasse por quem era admenistrado, e que Provisão ou títullo tinha, o admenistrador da admenistração delle, e o que levava de seu salario, e se havya no dito Espritall alguns Lazaros, e quantos, ou se os ouve em algum tempo, e a Relação que tinha Cada hum, e não os havendo soubesse em que se gastava a Renda do dito Espritall tomando disso conta ao dito admenistrador e que ou vinda acerca disso as partes, e os oficiais a quem tocasse fizesse fazer os Autos necessarios em os quais se trasladasse a instytuição e tombo das propriedades do dito Espritall, e a provisão ou titullo que o admenistrador tivésse da dita admenistração e nos envyasse e escrevesse seu parecer no dito cazo, ao que foy Satisfeito: E pella dita deligencia se mostra não haver instytuição do dito Espritall por ser muyto antyguo, nem haver pessoa que ouvisse dizer por quem fora instytuido, nem os encarreguos que lhe foram deyxados; rendem as propriedades delle sete cemtos e trinta e dous reiz em cada hum ano somente, nem ter certo admenistrador senão quem os Provedores da Comarqua disso encarregavão, - e o que ora disso tinha carreguo ser ouvido, e não ter dúvida a se anexar o dito Espritall à dita Confraria da Mizericordia; o que tudo vysto com a imformação, e parecer do dito Provedor, e delygencia que no cazo fez por meu mandado; Ey por bem de unir e anexar in perpetuo, e para sempre o dito Espritall de São Gião da dita villa de Melgaço à confraria della, digo a Confraria da Myzericordia della, e quero, e me praz que o Provedor e Irmão da dita Confraria sejão admenistradores delle e do rendimento das propriedades que lhe forão deixadas cumprirão os encarreguos com que foy instytuido e repararão a dita Igreja de São Gião de todo o que lhe for necessário para nella se dizerem as missas obrigatórias, e as mais que algumas pessoas em ella quizerem dizer por sua devoção, e o remanescente das rendas de dito Espritall se despenderá pello dito Provedor, e irmaõs nas obras de Mizericordia como se despendem as que se faz em a dita Comfraria. E portanto mando ao Provedor da dita Comarqua que meta ao dito Provedor, e Irmaõs da Comfraria da Mizericordia da dita villa de Melguaço em posse da admenistração do dito Espritall de São Gião da dita villa e day em diante lho deixe ter, e admenistrar para sempre, asy a elles como aos provedores e irmãos que pello tempo forem da dita Comfraria da Mizericordia, e haver as Rendas, e foros que ao dito Espritall direitamente pertemcerem; obrigando-se elles a cumprir os emcarreguos com que foy instytuido, e lhe fará emtregar o treslado da instytuição delle se ahy houver, e o tombo dos bens, e propriedades que lhe forão deixadas, e que ora posssuem para saberem a obrigação que tem, e onde estão os ditos bens, e quem os tras, e o que cada hum he obrigado a pagar de foro delles; e em tudo cumprir, e faça cumprir este alvara como nelle comthem, por quamto por fazer esmollas a dita comfraria da Myzereicordia asy ey por bem o que neste alvara quero que valha e tenha força e vigor como se fosse Carta feita em meu nome por mim assinada e passada pella chancellaria sem embarguo da ordenação do segundo livro títullo vinte que diz que as cousas cujo efeito houver de durar mais de hum ano passem por Cartas e passando por alvarás não valham. Bastião Ramalho o fes em Lisboa a 1 dias de Dezembro de 1531

Fernão Dalcorta o fes escrever

Alvara por que V. A. há por bem de anexar o Espritall de São Gião da Villa de Melgaço à Comfraria da Myzericordia da dita villa para ver.

Registado f. 19. 20. 21.

Dom Simão [com rubrica]

Regestado na Chancellaria Geral.

Pagou na Chancellaria a nove de Janeiro de mil quinhentos e trinta e dous.

Antonio Vaz

E não se continha mais em o dito alvara que de verbo adverbum aqui o copiei como nelle se continha abaixo do qual nas costas do mesmo se achava hum Auto de posse cujo principio me traslada.”

Apesar da passagem deste alvará por parte do monarca em finais de 1531, a passagem efetiva da posse e gestão da gafaria de São Gião para a Misericórdia apenas se iriam efetivar após confirmação em 1562. Desconhecemos as razões para essa demora.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

A origem do culto a Nossa Senhora de Fátima, no Facho (Cristoval - Melgaço)

 



A origem do culto a Nossa Senhora de Fátima no Facho, na freguesia melgacense de Cristoval remonta aos anos quarenta do século passado. Diz-se que a pequena capelinha foi mandada construir para cumprimento de uma promessa de uma pessoa, o Sr. Manuel Trancoso da Silva, que tinha a sua sobrinha gravemente doente. Num texto publicado no jornal "Voz de Melgaço", em Março de 1956, e acerca do assunto, podemos ler: "Monte do Facho! Facho ardente de luz! Cantinho abençoado que muitos desconhecem, mas que por certo ninguém devia ignorar. Nenhum outro conheço mais feiticeiro, nenhum de maior aprazimento e encanto. Lugar de signo tão feliz, que no Céu parece ter uma janela, donde os amigos e as almas o contemplam.

Monte do Facho! Quem haverá que subindo até junto de ti possa esquecer a paisagem que os nossos olhos divisam?

Águas e campos, montes e folhagens... aqui, Cristóval com a sua igreja, que se levanta parece que em prece а Deus; acolá, aldeias com casas caiadas de branco; mais além os rios Trancoso e Minho; ao fundo, S. Gregório a linda aldeia que todos admiram e à qual um poeta vianense chamou "a Suíça Portuguesa". E em frente que se nos depara? A vizinha Espanha com os lugares de Padrenda, Notária, Frieira, servidos por uma estrada que vem ligar à nossa em Puente Barjas para nos levar até Vigo, Corunha. Madrid, etc.

E que feliz inspiração teve o nosso conterrâneo Manuel Trancoso da Silva, quando em cumprimento de uma promessa se lembrou de mandar construir no mais alto do monte uma ermida (onde ele apesar de tão rico muito trabalhou também), na qual havia de ser colocada a Virgem de Fátima.

Em cumprimento de uma promessa? Sim!…

E que linda promessa para todos os que a ouvem contar, mas triste, muito triste, para os que a viveram ou presenciaram.

Ildinha era a filha única de um casal feliz que vivia em S. Gregório donde era natural, sobrinha do Sr. Manuel Trancoso da Silva. Sempre amimada e bem querida, cresceu em ambiente alegre e confortável. Mas chega aos 11 anos e é necessário fazer dela uma menina instruída e culta como é aspiração da família.

E, para que não vivesse muito longe dos pais, resolvem pô-la a estudar no colégio mais próximo da sua terra, para vigiarem de perto todos os seus passos e ver que nada lhe falte. Mas, porque o destino é impiedoso, apesar de tantos cuidados, já em férias, quando a Ildinha passava a ferro o seu vestido novo com o qual iria passear no dia de Páscoa em companhia das suas amigas, sente-se sufocada. Aos gritos lancinantes acode a mãe aflita.

E que triste espectáculo, Deus meu! Aquela inocente deitava sangue pela boca, pelo nariz, pelos ouvidos. Uma tuberculose galopante tinha-se apoderado dela no mais cobarde silencio. Principia com então resignação a vida de martírio para aquele anjo que com tanta resignação soube sofrer.

Procuram os pais salvá-la. Fogem com ela à procura de remédios. Mas eis que regressam de uma longa peregrinação pelos consultórios dos mais célebres especialistas em doenças pulmonares, sem qualquer esperança de cura. Parece que estou a vê-la ainda: prostrada no lei quase inerte, com duas grossas tranças a contornar-lhe o rosto, olhar meigo, sorriso vago nem triste nem alegre, como se fosse ao mesmo tempo a expressão de uma saudade longínqua e a esperança de uma felicidade que morre.

Lembra-se então o tio de apelar para a Bondade Divina. Faz a promessa de mandar erigir no Monte do Facho uma ermida, onde seria colocada a Imagem da Virgem de Fátima, se a sobrinha, único bem da sua vida, fosse curada. E, com tanta confiança fez a sua prece que, mesmo antes de ser atendido, apressou-se em mandar vir a Imagem da Senhora. Os trabalhos no Monte do Facho e a construção da nicho principiaram em 1941, sob a orientação do Senhor Trancoso; grande devoto da Virgem, devidamente autorizado pelo Rev.do Pároco, P. Manuel José Pereira.

1942 era o Ano Jubilar das Aparições de Fátima. O Romano Pontífice Pio XII, em nome da humanidade inteira; dessangrada por espantosa carnificina, debatendo-se num espasmo de agonias incomportáveis; iria consagrar o Mundo ao Imaculado Coração de Maria. Fátima foi o altar da Virgem escolhido para realizar tão solene como significativa cerimónia. Aproveitando este acontecimento invulgar na História da Igreja em Portugal; e para dar cumprimento à sua promessa, resolveu o Senhor Trancoso e com razão, escolher esta data para a bênção e entronização da Imagem da Senhora de Fátima no Monte do Facho.

13 de Fevereiro de 1942 é a primeira data festiva. Na véspera, faz-se a primeira procissão de velas. Saindo da capela de S. Gregório, depois de nela se incorporarem centenas de pessoas cantando e rezando, a procissão, fugindo ao itinerário, vai passar em frente da casa onde aquele pobre anjo sofria. Tendo-a tirado da cama, lá a vemos amparada na varanda, de joelhos, com os olhos postos na Virgem que segue na procissão, pedindo em prece ardente, a sua cura. Todos choram e soluçam ao contemplar tão triste espectáculo. O desfile continua e, à medida que vamos subindo, presenciamos o que de mais maravilhoso e sublime se pode admirar na terra. De cada janela que ao longe ou ao perto se avista, em Portugal ou na vizinha Espanha, erguem-se velas a arder; lembrando-nos quе naquele lar mora um casal feliz, uma pobre viúva que dedilha as contas do seu rosário um velho nos últimos anos da sua vida, todos rendendo homenagem àquele andor sagrado, onde segue a Virgem que vi ser colocada na pequena ermida no monte do Facho. No dia 13, missa campal e outros actos de culto à semelhança daqueles que se realizaram na Cova da Iria. Bendito seja Deus que nos deu por berço um cantinho tão lindo onde a crença e a religião são filhos desta paisagem verde e mansa!

Mas porque nem sempre proveitoso para a alma tudo quanto para bem do corpo реdimos; Deus, achando talvez que aquela menina estava em estado de graça, não quis ouvir as vozes que clamavam piedade na terra e levou-a para junto de si para o Céu. Na noite de 5 de Novembro de 1943, a Ildinha falece com 16 anos de idade. Parece-me contemplá-la ainda na minha eterna saudade, vendo-a sempre dormindo dentro de um caixãozinho branco coberto de flores, com as mãozinhas débeis cruzadas sobre o peito…

O povo receia que depois da sua morte as obras do Facho não se concluam. Contudo o Senhor Manuel Trancoso da Silva não esmorece e; no meio de tanta tristeza, faz o propósito de contribuir cada vez mais para o progresso daquele Monte.

Absorvido em Deus e na sua fé religiosa, procura com o trabalho esquecer a imagem daquela sobrinha que lhe era tão querida e Deus levara para junto de si. Os trabalhos prosseguem. Pensa ainda em mandar construir perto do nicho onde está a Virgem de Fátima, uma capela à qual seria dado o nome de “Capela de S. José”. Mas a morte surpreendeu-o sem ver realizada a sua aspiração.

A partir de 1943, a festa de N. Senhora realizou-se sempre no dia 13 de Maio com tríduo preparatório e procissão de velas na véspera. Em 1947 teve lugar a grandiosa festa da coroacão da Senhora dos Pastorinhos. Em Maio do ano anterior, 1946, Pio XII, acedendo ao pedido insistente dos fiéis de toda a cristandade, apresentou ao mundo a Virgem Santíssima como Rainha Universal dos povos.

A coroação da Senhora, complemento brilhante da consagração, verdadeiro plebiscito mundial, foi ocasião de singular alegria e contentamento para todos os corações piedosos.

O bom povo de Cristóval que nutre pela Senhora de Fátima entranhado amor e viva dedicação, apressou- também a coroá-La. Tudo se dispôs harmoniosamente para esta cerimónia emocionante. O Ex.mo e Rev.mo Sr. Arcebispo Primaz foi convidado a presidir. Um coro misto de portugueses e espanhóis num total de 100 elementos, sob a regência de D. Castor Cartelle. abrilhantou os actos do culto. Os nossos vizinhos espanhóis onde o amor à Virgem é de igual quilate, estiveram largamente representados.

As freguesias de Padrenda e Desteriz presididas pelos seus Revs. párocos tomaram parte colegialmente, avançando pela ponte internacional com as suas bandeiras e cruz alçadas. Um total de mais de 5 mil pessoas enchia o largo recinto, donde se divisa uma das mais surpreendentes paisagens do nosso religioso Minho.

A coroa toda em ouro, num valor superior a doze mil escudos foi oferecida por toda a freguesia. O precioso brilhante que a torna inconfundível é generosa dádiva da Dona Palmira, esposa do Sr. Manuel Trancoso da Silva. Chegada a hora emocionante da coroação, os "vivas" e "hossanas" ecoaram a nono espaço numa manifestação de júbilo e gratidão à Mãe do Céu.

Seguidamente o Ex.mo Sr. Dr. Júlio Outeiro Esteves, ilustre filho da nossa terra, leu em nome de todos, a Consagração a Nossa Senhora.



Igualmente simbólica foi o evento da coroação de Nossa Senhora de Fátima, realizada em Maio de 1947, aqui referida numa notícia na "Voz de Melgaço", na edição de 1 de Maio desse ano: "S. Gregório – Festa da coroação de Nossa Senhora de Fátima – A Comissão tem desenvolvido grande atividade para que esta festa tenha o brilho desejado.

Já está autorizada a passagem dos raianos espanhóis esperando-se que seja grande a sua afluência.

Reina grande entusiasmo em todas as freguesias vizinhas que tomarão grande parte na grande peregrinação presidida por Sua Ex.a Rev. O Sr. Arcebispo Primaz.

Está já assegurado o concurso da afamada Banda Voluntários de Melgaço, sob a regência de mestre Morais.

Os coros e a parte coral da Missa Solene serão regidos pelo grande amigo desta terra, D. Carlos Cartelle que gentil e espontaneamente se pontificou a ensaia-los.

Que sombra de exagero pode afirmar-se que esta será a melhor e mais imponente festa desta freguesia e uma das mais brilhantes do concelho? É pena que nem todos compreendam o grande significado de tal acto de homenagem à Virgem Santíssima”.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Um retrato de São Gregório (Cristóval - Melgaço) no início do século XX

 


Em tempos antigos, S. Gregório conheceu uma prosperidade assinalável, cuja economia girava, sobretudo, à volta da atividade comercial, quer pela via legal, quer através do contrabando. No “Jornal de Melgaço”, na sua edição de 15 de Agosto de 1907, podemos ler uma notícia que nos dá um retrato a esta linda terra na época: "S. Gregório, a primeira povoação portugueza cá do extremo norte, apparece ao viajante no fim da estrada real nº 23. É um pequeno largo rodeado de edifícios com bons estabelecimentos commerciaes, uma pharmacia, uma capella, etc., e segue direcção oblíqua descendente, formando itenerariamente, uma rua de, talvez, uns 400 metros, a sua Rua Verde, que vae até à ponte da Várzea, a primeira ponte internacional (de 6 metros de comprimento, 4 de alto e 2 de largo) de que damos a gravura.



Por esta rua se encontram também alguns bons prédios de granito, sobressaindo o do Sr. Dr. José Joaquim de Abreu, e a 15 decámetros da capella depara-se com o bem montado estabelecimento commercial encyclopedico, onde está também a delegação do correio. Mais abaixo a escola do sexo feminino e, lá no fundo, junto á ponte, o posto fiscal.

Pertence S. Gregorio à freguezia de Christoval, que  é phisicamente de terreno accidentado, - desde Cebido, onde o Trancoso tem a sua confluência no Minho, confluência que é o vértice de um ângulo recto, cujos lados, margens esquerdas do Minho e do Trancoso, são seus limites de fronteira - Os seus outeiros, de natureza eruptiva, que a geologia nos diz serem a consolidação pelo resfriamento de massas líquidas que pressões enormes de gazes produzidos pelo calor central impelliam do interior, lá nas remotissimas epochas da formação do globo, e os seus baixos que a decomposição e as águas etc., tornaram aqui ricamente productivos formam na epocha da florescência um panorama belíssimo, como não tem outro o pittoresco Minho. 

Vamos transcrever o que a respeito de S. Gregorio diz «A Nossa Pátria», revista illustrada da vida portugueza:— «Distante de Melgaço cerca de 8 kilómetros, encontra o viajante, que percorra o nosso Minho, a povoação de S. Gregorio, que fica situada no extremo norte de Portugal; e ali depara com bellissimos panoramas que a cada momento se metamorphoseiam, fazendo-lhe lembrar, o serpentear da magnífica estrada e o arvoredo que a ladeia, algumas passagens de Cintra e do Bussaco. 

Chegado a S. Gregório, sente o forasteiro desejo de ver e de passar a pequena ponte internacional, construída de madeira e sustentada, do centro para os lados, por quatro varões de ferro, ponte de que damos hoje a gravura, reproducção de photographia. N'essa gravura figuram dois carabineiros hespanhoes, vendo-se dois guardas fiscaes do lado de Portugal. 

O pequeno rio que estabelece ali a separação da fronteira, e que é berço de apreciadissimas trutas,apesar de durante todo o verão se passar a vau, é o rio «Trancoso», que tem a sua nascente em Portellinha, corre uma extensão total de 18 kilómetros e vae, a um kilómetro ao norte de S. Gregorio, desaguar no rio «Minho».

S. Gregório, que ainda hoje conserva estabelecimentos bem montados, foi uma das povoações, da raia, de maior movimento commercial para Hespanha, tendo contribuído para a sua decadência o progresso da indústria hespanhola e a facilidade de communicação que proporciona o caminho de ferro que liga Vigo com Orense e Monforte,o qual lhe fica fronteiro e data de 1880. 

De S. Gregorio ouvem-se cantar os gallos (sem exagero) em dois reinos, três províncias e três bispados e arcebispados; taes são; dois reinos, Portugal e Hespanha; três províncias; Pontevedra ao norte, Orense ao nascente e Minho ao sul; e bispados de Tuy e Orense e arcebispado de Braga. 

Em S. Gregório há vinhos muito bem trabalhados e de magnifico sabor, devendo especializar-se os do vinicultor Sr. Antonio Augusto de Araujo, que, dedicando-se com todo o afan ao tratamento, é incansável em estudar não só os progressos e aperfeiçoamentos desde a cultura até ao engarrafamento, como também em apresentar vinhos de velha data, que rivalizam com os melhores que apparecem no nosso mercado, pelo seu bom fabrico. Tem também uma marca de género Champagne, que é o mais que se pôde exigir em tal especialiade, segundo o que affirmam os entendedores.

Mas o que por S. Gregório maravilha, opticamente falando, é esse largo horizonte portuguez-hespanhol e todo esse recortado amphitheatro vegetal que se descobre ao passear, sobranceiro ao Minho, pela nossa estrada real até à capella, em construcção, da Senhora de Lourdes e.restringindo mais, no sítio das Portas de Paradella.

Por aqui passou há tempos um illustre viajante e disse que tendo percorrido todas as aleas e canteiros do «Jardim da Europa» jamais encontrara ponto de vista que tanto surprehendesse.

terça-feira, 7 de abril de 2026

A igreja do antigo convento de Paderne em fotos da primeira metade do século XX




A História de Paderne e do seu antigo convento faz-se desde tempos imemoriais, anteriores à fundação da nacionalidade. Partilhamos uma pequena coleção de três dezenas de fotografias da igreja do antigo mosteiro de São Salvador de Paderne da primeira metade do século passado.

Viaje no tempo!
































Fotos de: Marques Abreu & Cª. In: Centro Português de Fotografia.

domingo, 15 de março de 2026

A Igreja de Chaviães (Melgaço) em fotografias de meados do século XX

 



Na paróquia de Chaviães, o templo cristão mais antigo de que temos conhecimento era uma igreja dedicada a Santa Seguinha. A dita igreja encontra-se documentada desde 1177. A igreja mudou de orago algures no século XVI, para Santa Maria Madalena.

Partilhamos um pequeno conjunto de fotografias da meados do século XX. Viaje no tempo!...