sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Alvaredo (Melgaço, 1918) - Bomba destrói pesqueira

Rio Minho


A pesqueira Novas do Braço situa-se no rio Minho em Alvaredo (Melgaço). No início do século XX, pertencia a Manuel José Fernandes e outros. No dia 23 de Dezembro de 1917 foi alvo de um atentado com bomba de dinamite, acontecimento contado no Jornal de Melgaço, na edição de 5 de Janeiro de 1918. Leia a notícia:

Selvajaria
Alguém de sentimentos baixos e canalhas, cobarde de mais a mais, receando medir forças, frente a frente, com o respeitável cavalheiro de S. Martinho de Alvaredo, Sr. Manuel José Fernandes; que não podendo vingar-se na sua pessoa, o procura atingir pelas costas e feri-lo nas suas propriedades, no dia 21 de Dezembro findo, procurou destruir-lhe por meio de bombas de dinamite uma pesqueira Novas do Braço.
Felizmente, o criminoso não conseguiu atingir o seu fim pois além de cobarde é ignorante. 
Foi o que felizmente valeu aquele nosso respeitável amigo, porque a bomba colocada em largo buraco não encontrando resistência ao rebentar; e apenas abriu algumas fendas no peal das Novas do Braço.
Ataques destes, atentados assim dirigidos, provam apenas uma baixeza de sentimentos, verdadeiramente lastimável e exigem, por parte das autoridades, uma repressão séria e rápida. O caso, porém, foi entregue à Polícia Judiciária.”

Pesqueira Novas do Braço


Mais tarde, na edição de 5 de Outubro do mesmo ano, o jornal volta ao tema e atualiza a informação contando-nos que a pesqueira já se encontrava reconstruída:

“As «Novas», essas pesqueiras da costa de Alvaredo onde duas infâmias foram praticadas, uma a prisão de cinco homens que nelas trabalhavam havia por 3 dias, alcunhando-os de emigrantes e ao nosso amigo Fernandes denunciando-o como engajador; outra o bombardeamento a dinamite praticado nas mesmas a 23 de Dezembro último, as Novas, repetimos, já se encontram devidamente reconstruídas.
Ao nosso amigo Fernandes aconselhamos que em ocasiões das cheias do nosso Minho, mande lá postar duas sentinelas, munidas cada uma com um canhão de 42, ordenando que ao estampido do novo dinamite lançado pelos infames, façam ecoar os canhões, soltando as suas granadas.”


Enfim, estórias de Melgaço noutro tempo…

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