As origens da capela de São João Batista, sita do monte de São João, freguesia de Alvaredo, perdem-se no tempo e não se encontra no seu local original. De facto, estamos perante uma capela que poderá ter origens medievais, tendo sido reedificada em 1814 e mais tarde, transladada do primitivo local de implantação, em meados do século XX.
É muito possível que este pequeno templo corresponda à velha Capela de São Vicente, que é referida nas Memórias Paroquiais da freguesia de 1758, construída na zona mais baixa da povoação, e posteriormente ter sofrido alteração de orago. De facto, no dito ano de 1758, a 25 Maio, o pároco de Alvaredo, António Rodrigues de Morais, nas Memórias Paroquiais da freguesia, refere apenas a existência de uma capela no lugar de Maninho, mas dedicada a São Vicente, pertencente aos seus moradores. No dito documento, pode ler-se “tem esta freguezia (...) a capella de Sam Vicente no lugar do Maninho que he dos moradores da freguezia.”
Posteriormente, em 1814, esta velha capela terá sido reedificada no mesmo lugar do Maninho, conforme inscrição numa lápide da fachada principal. Na mesma, podemos ler: "REDEFICADA EN O ANO / DE 1814 E / TRANSLADADA EN / 1952". Desconhecemos quando terá mudado de orago e passado a chamar-se “capela de São João”. Contudo, ainda no século XIX, já aqui se celebrava uma festa anual ao São João no seu dia (24 de Junho). Se prestarmos atenção ao periódico melgacense “No Jornal de Melgaço”, de 23 de Junho de 1898, o mesmo fala-nos do programa das festas desse ano nesta capela, sita, à época, no lugar do Maninho:
“Imponentes festejos em honra do milagroso S. João Baptista, em São
Martinho, na Capella do Maninho.
DIA 23
Ao meio-dia, o repicar dos sinos e a fuzilaria de vastas girândolas de foguetes, annunciaram aos fiéis o começo dos festejos em honra de S. João.
As trevas da noite deste dia, serão supplantadas por uma brilhante illuminação e grande variedade de fogos de artificio, que mais uma vez provarão o mérito do habil pyrotechnico Carvalheiras, incontestavelmente um dos primeiros da Comarca.
Duas philarmonicas, uma desta villa e outra de Valladares, farão as delícias da noite, fazendo ouvir escolhidas peças do seu reportório.
DIA 24
A alvorada d'este dia, será saudada por uma girândola de foguetes e pelos sons das philarmonicas.
Às 9 horas, terá começo a missa da festa a qual será realizada a grande instrumental e com toda a solenidade. A tribuna sagrada será occupada pelo illustre sacerdote padre Caetano Fernandes, do qual anciosos esperamos ouvir a sua bem elaborada palavra.
Em procissão, percorrerá o itinerário do costume, o milagroso santo, fazendo-se ouvir durante o trajecto, os tradicionaes cânticos próprios daquelle acto.
À tarde, música no arraial, fogos e outros divertimentos. Para a boa organização dos festejos e decoração da capella, consta-nos que tem sido incansável o muito digno reitor daquella freguezia, com o concurso dos Srs. José Capellas, Domingos Castro e José Gonçalves Torpina, encarregados dos festejos.
É com prazer que notamos que esta imponente festa é realisada a expensas dos nossos conterrâneos e amigos do Pará, os irmãos Capellas, e mais um ou dois conterrâneos, dos quaes não nos foi possível saber o nome."
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