quinta-feira, 6 de junho de 2013

Algumas referências históricas ao Presunto de Melgaço


Marques, José, Prof. Catedrático da Faculdade de Letras do Porto escreve no Boletim Cultural nº 3 da Câmara Municipal, 2004, no tema “Produtos Melgacenses na Gastronomia Medieval” mostra-nos que os produtos da gastronomia melgacense actualmente presentes nos pratos típicos com maior relevo, entre eles o presunto, a sua presença aparece já confirmada na documentação medieval “tendo, assim, direito a serem considerados como verdadeiros produtos tradicionais multisseculares” continua referindo que “fixemos, porém a nossa atenção nos produtos melgacenses típicos (…) O fio condutor desta investigação reside, na obrigatoriedade que os proprietários, foreiros e arrendatários tinham de pagar tais produtos aos respectivos titulares dos foros e rendas (…) Começando pelos direitos reais, o foral manuelino, de 3 de Novembro de 1513, informa que o casal de Cavaleiros, sito na freguesia de Roucas, entre outros tributos, devia pagar também uma marrã. Por sua vez, em Chaviães, além de Vasco Veloso pagar uma marra, sobre o casal de Dinis de Cavaleiros, impedia idêntica obrigação de uma marra (…) o termo marra não é sinónimo de leitão, mas de presunto…tendo o monarca, de acordo com o disposto no foral, o direito de receber apenas 3 marrãs (…) acerca deste importante produto melgacense, dispomos de informações bastante anteriores que explicam algumas das suas características… no contrato de arrendamento das rendas do Mosteiro de Fiães, feito em 9 de Abril de 1483 pelo comendatário D. Frei Justo Baldino, bispo de Ceuta e do Entre-Minho-e Lima, integrado neste bispado, ao abade da freguesia de Roucas, Álvaro Gonçalves, e ao presbítero Fernão Domingues, moradores na vila de Melgaço, ficou expresso que, além dos 21.000 reais brancos da moeda corrente, teriam de lhe dar «mais hua duzea de marrans secas e curadas e dezoito lampreas secas» (…) a partir das fontes documentais invocadas, pode-se afirmar que os três produtos mais característicos da culinária e gastronomia melgacense – o presunto, a lampreia e o cabrito, há mais de cinco séculos que se documentam como produtos nobres da nossa cozinha melgacense…”


Extraído de:Caderno de Especificações do Presunto de Melgaço IG. Melgaço, Associação de Produtores Locais. 

domingo, 2 de junho de 2013

O Traje da Mulher de Castro Laboreiro em 1913



A revista Ilustração Portugueza, publicou na sua edição de 17 de março de 1913, uma reportagem sobre Costumes do Minho, entre os quais debruça-se sobre o traje da mulher castreja. O texto que acompanha as fotos possui também algumas particularidades curiosas que refletem bem a distância que então separava o jornalista habituado ao meio burguês e citadino em relação à profundeza da vida rural nas montanhas quase inacessíveis, que de mais interessante apenas proporcionava os motivos pitorescos com que ilustrava as páginas dos jornais.
Diz a reportagem que "Em luta constante com a natureza, a quem arrancam após porfiadas canceiras as matérias primas que lhe fornecem o fato e o alimento, únicos produtos das rudimentares industrias que exercem: a pastorícia e a agricultura, os montanhezses de Castro Laboreiro são uma pobre gente desconfiada e semi-selvagem.
O vestuário das suas mulheres dá, à primeira vista, ideia lúcida e sugestiva de toda a sua rudeza: capucha ou mantela, o corpete e a saia, é tudo feito de tecido grosseiro de fabrico local a que chamam burel ou picoto. Os tamancos toscos, espécie de sandálias, formadas por rudes madeiros ligados aos pés por correias fortes, chamados chancas ou alabardeiros, completam o vestuário das castrejas, em que as roupas brancas faltam por completo."

Texto da reportagem de A. Mesquita de Figueiredo in: Ilustração Portugueza, edição de 17 de Março de 1013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

S. Gregório (Melgaço) em 1915 - Postal Antigo

Postal antigo com data de 14 de Agosto de 1915 enviado para Lisboa. Na frente do mesmo, observa-se esta fotografia com a entrada da localidade de S. Gregório (freguesia de Cristóval, concelho de Melgaço) junto à fronteira com Espanha.



terça-feira, 28 de maio de 2013

Con viento fresco... (Castro Laboreiro em Artigo de opinião publicado no Diario de León)




"Castro Laboreiro, que antaño fue concejo y hoy pertenece al de Melgaço, es una cuña portuguesa que se adentra en tierras de Galicia. Aquí la frontera con España no la delimita el Miño sino una serie de sierras ásperas, de formas redondeadas, constituidas por bloques graníticos pelados en sus cumbres, en los que se han marcado con cruzes y números una serie de hitos o mojones, Al menos desde el siglo XVI: la raya seca. Estos paisajes inhóspitos y aislados son, como dicen los castrexos, «o fin do mundo»; en ellos nunca hubo pasos fronterizos sino silentes caminos atravesados por contrabandistas, traficantes, bandoleros y, en época de persecución política, huidos, prófugos, exiliados. Aunque aisladas, estas tierras han sido paso de viejas culturas megalíticas, que han dejado su impronta en mámoas, sepulcros de corredor y ancestrales creencias religiosas luego cristianizadas, como la peña de Anamán, cuya ermita a la Señora de ese nombre es un lugar recoleto en medio de una naturaleza telúrica.

El río Laboreiro y sus afluentes han tajado en profundas gargantas estas sierras, que se abren a dos paisajes geomorfológicos y humanos diferentes y complementarios: las brandas e invernías. Las brandas o brañas son las zonas altas, duras y frías en invierno, pues con frecuencia están cubiertas de nieve; pero en el verano son tierras soleadas y de pastos abundantes. Las invernías son las tierras bajas, en lo hondón de los valles y en las solanas, protegidas del frío. Esta singularidad geográfica ha dado lugar a un nomadismo de valle a montaña que, en el Bierzo, nos es conocido también en la Somoza. Allí los habitantes de Aira da Pedra, a orillas del Burbia, pasaban los meses de invierno en el valle, mientras que en Campo del Agua, en lo alto, vivían desde Pascua hasta el otoño, con sus ganados y campos de cultivo. En Castro Laboreiro no era uno, como en la Somoza, sino todos los pueblos los que practicaban este nomadismo, que se ha mantenido sin grandes cambios hasta hace unos veinte años.

La raya seca, la vieja frontera, ha desaparecido legalmente; incluso se han trazado nuevas carreteras que acercan Celanova y Bande a Castro Laboreiro; pero quedan muchos viejos malentendidos y distanciamientos mentales, que algunos españoles y portugueses buscan eliminar. Arraianos, una asociación nacida en la parte gallega, lleva años convocando a gallegos y portugueses a jornada s de convivencia, en las que se nombran como Arraiano Mayor, a los que se destacan por esta labor de unir ambos pueblos y divulgar la cultura de frontera. El año pasado le correspondió tal honor a Méndez Ferrín, el prestigioso escritor gallego, natural de Celanova., una de cuyas obras lleva justamente ese título de Arraianos . Este año, Ferrín, al que acompañamos algunos amigos, pasó el testigo al padre Fontes, un cura del Montealegre portugués un tanto heterodoxo, que además de escribir mucho y bien sobre la cultura popular, es capaz de concitar que miles de personas asistan a la Festa das Bruxas, que con carácter anual organiza en su parroquia.

Fonte: Artigo de opinión publicado no Diario de León, autoria de José A. Balboa de Paz
Blogue "Caderno Arraiano"

domingo, 26 de maio de 2013

Melgaço, 30 de Janeiro de 1911 - Agora como há 100 anos, no país da "Cunha"

Encontrei há dias um documento curioso em que uma professora do então Ensino Primário escrevia esta carta, datada de 1911, à esposa do ilustre Bernardino Machado, um dos obreiros do 5 de Outubro que implantou a  República, para que esta intercedesse junto do marido com a finalidade de a autora desta carta conseguisse transferência para a Escola Feminina de Chaviães (Melgaço).
A professora dá pelo nome de Maria Cândida Lopes Castello e pede a Elzira Machado, esposa do notável político, para que esta convencesse o marido a "mexer os cordelinhos" para que tal transferência se concretizasse. Curioso que no final da carta, a senhora professora parece algo envergonhada por ter pedido tal coisa. 
Não sabemos se o tal pedido foi correspondido. 
Sem mais, convido os leitores a lerem a carta na totalidade.







Extraído de:

(1911), Sem Título, CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_107261, consultado em 2013-5-11.