O edifício dos Três Arcos, em meados do século XX |
Este edifício, também chamado “Edifício
dos Três Arcos” situa-se no interior do núcleo medieval da vila, que era circundado
pela cerca do castelo. A fachada principal vira-se à chamada Rua Direita, o
grande eixo de circulação da cerca, nas extremidades da qual existiam portas,
uma delas ainda subsistente, e que era cortada por várias travessas, a que ia
do postigo do castelo, a norte, passando junto ao edifício da Câmara.
Solar do Alvarinho, na atualidade (Foto: Vitor Oliveira) |
Ergue-se
adaptado ao declive do terreno, delimitado por vias, pavimentadas a lajes de
cantaria e a paralelos, com guias de cantaria formando quadrícula, tendo a
travessa fronteira à fachada lateral esquerda acentuado declive.
O actual edifício resultaria de
uma ‘remodelação’ feita no séc. XVII do existente no séc. XVI. O ano de 1687 encontra-se
inscrito no brasão da fachada lateral esquerda, provavelmente assinalando a
construção ou reforma do edifício.
Segundo Augusto César Esteves, “já no tempo
de D. Pedro (1357-1367) havia vereadores em Melgaço”. Mas só foi a partir de 23
de Agosto de 1533 que os “vereadores de Melgaço conseguiram fazer as suas
sessões públicas nas salas do paço de concelho”.
No início
do século XVI e segundo os desenhos de Duarte d'Armas, a casa de audiência do
concelho situava-se junto à porta da vila, numa torre quadrangular do castelo,
tendo duas janelas no andar superior, onde os juízes julgavam os prisioneiros
ali conduzidos pelo alcaide-pequeno, responsável pelo policiamento da povoação
e pela ronda das muralhas.
Sabemos que em Maio de
1758, a vila tinha Câmara, juiz de fora, sujeita ao governo da Justiça do
Doutor ouvidor de Barcelos.
Sabemos que em 1836,
este era “um edifício sofrível denominado
Paço do Concelho, tendo duas salas, uma cozinha e um quarto
bastante decente, e nos baixos deste edifício se acham constituídas as prisões”.
Por esta altura, a cadeia de Melgaço continuava a dispor, a par da “prisão dos
homens”, de uma “prisão das mulheres”. A prisão das mulheres de Melgaço, por
esta altura, “precisava, entre outros
equipamentos e pequenas reparações, de “tarimba, janela de pau rente das
grades e reedificarem-se estas”.
Em 1844, a 30 Outubro, o
Administrador do Concelho, João António d' Abreu Cunha informa que, apesar de
lhe ter sido designado um quarto do edifício do Paço do Concelho para a
Secretaria da Administração, ainda não tinha mudado, devido à "pouca
capacidade" do mesmo. Solicitava assim, em sessão de Câmara, outra casa
maior, para o pronto e decente expediente de seus deveres e segura guarda dos
objectos. Decide-se escolher até à próxima sessão a casa mais apropriada. A 5
de Novembro desse mesmo ano, é concretizada a aprovação em sessão ordinária da
Câmara da compra da Casa da Administração, fronteira ao edifício dos Paços do
Concelho, calculando-se ser necessário para a sua reedificação e objectos
primários da secretaria a despesa de 225$000.
Em finais do século XIX
ou inícios do século XX será a época provável da feitura ou pintura do tecto do
salão nobre, alusiva ao funcionamento do Tribunal da Comarca no edifício,
mantendo-se no piso térreo a cadeia, masculina e feminina.
Em inícios do século XX
é feita a ampliação da cadeia que ainda aqui funcionava em 1945.
Em Junho de 1955, é
feita, para este edifício, a transferência das aulas de instrução primária,
devido ao abandono do edifício da Escola Conde de Ferreira, que se erguia na
Praça da República, e que apresentava muitos indícios de ruína. Posteriormente,
aqui esteve instalado a Junta de Freguesia da Vila e a Biblioteca Municipal. Em
1965, a Direcção Geral dos Serviços de Urbanização Direcção dos Serviços de
Melhoramentos Urbanos envia ao Director Geral dos Edifícios e Monumentos
Nacionais um exemplar do ante projecto da obra de adaptação dos antigos Paços
para instalação de Serviços Públicos para avaliação.
Em 1997, a 8 Agosto, é
feita a inauguração oficial do Solar do Alvarinho, com a presença do Secretário
de Estado do Comércio e Turismo, Dr. Jaime Serrão Andrez.
Este edifício possui uma
planta rectangular, simples, com cobertura homogénea em telhados de quatro
águas. Fachadas em cantaria de granito aparente, de aparelho irregular, e de
dois pisos, com cunhais apilastrados e terminadas em cornija em papo de rola
sobreposta por beirada simples. Fachada principal virada a norte, de dois
panos, definidos por pilastra toscana, o pano direito rasgado no piso térreo
por janela rectangular, gradeada, e no segundo por duas janelas de peitoril,
rectilíneas, com molduras simples e caixilharia de guilhotina. Ao centro das
janelas, surge um brasão nacional, já muito delido, encimado por coronel. O
pano esquerdo forma, juntamente com a fachada lateral esquerda, alpendre,
aberto com dois arcos de volta perfeita assentes em três colunas toscanas, as
laterais embebidas nos pilares. Na zona do arco direito, desenvolve-se escada,
com guarda em ferro, de acesso a dois portais, um frontal e outro lateral,
ambos de molduras simples. No pano frontal rasgam-se ainda janela de varandim,
com guarda de ferro, e, inferiormente, janela quadrangular, moldurada e
gradeada. O alpendre possui pavimento rebaixado em lajes de cantaria e tecto
plano em madeira, com travejamento e friso do mesmo material. A fachada lateral
esquerda possui dois falsos panos, o direito rasgado por arco de volta perfeita
sobre duas colunas embebidas, de acesso ao alpendre, e o esquerdo, mais
comprido, rasgado, no piso térreo, por portal de verga recta e janela
rectangular, gradeada, e, no segundo, por duas janelas de peitoril, molduradas,
com caixilharia de guilhotina. Ao centro, possui igualmente brasão com as armas
nacionais, datado de 1687, encimado por coroa fechada. Fachada lateral direita
rasgada regularmente por vãos rectilíneos moldurados, sobrepostos, abrindo-se
no primeiro piso dois portais ladeando duas janelas de peitoril, com
caixilharia de guilhotina, e, no segundo, quatro janelas, semelhantes. Fachada
posterior com aparelho muito irregular, abrindo-se no primeiro piso uma janela
de peitoril e uma rectangular jacente e, no segundo, três janelas de peitoril
com caixilharia de guilhotina. Pela fachada lateral esquerda, acede-se ao
interior do piso térreo, subdividido em duas salas, interligadas por porta
rectilínea e com tectos em placas de gesso cartonado, integrando projectores. A
primeira, inicialmente destinada a cadeia das mulheres e actualmente com
serviço de cafetaria, apresenta pavimento em lajes de cantaria, com estrado de
madeira na zona da entrada, onde tem guarda-vento envidraçado, e em soalho
flutuante na restante, e paredes rebocadas e pintadas de branco. O tecto
apoia-se numa viga em T de ferro. Ao fundo, desenvolve-se escada de acesso ao
piso superior. A segunda sala, inicialmente destinada a cadeia de homens e
agora para venda de produtos regionais, tem pavimento cerâmico e paredes em
cantaria aparente, conservando na parede interior antigo mictório. O piso superior
é igualmente subdividido em duas salas, com as paredes rebocadas e pintadas de
branco, pavimento em soalho flutuante e rodapé de madeira e janelas de peitoril
interiormente com vão alto. A sala de prova, com tecto de madeira, em gamela,
tem acesso pela escada do alpendre, protegido por guarda-vento envidraçado, e
um espaço de atendimento personalizado, onde se encontra diversa informação
sobre o vinho Alvarinho e a sua região.
Teto da sala do segundo piso |
Através de porta rectilínea, esta sala
comunica com o salão nobre, destinada a actos culturais, recepções e reuniões,
o qual tem tecto de gamela, pintado de branco e, o pano central, a azul, onde
se inscreve cartela oval, decorada com motivos fitomórficos, tendo nos topos
açafate de flores, e integrando ao centro a representação da Justiça, com os
olhos vendados e segurando a balança e a espada, e um brasão com pelicano,
coroado, suspenso por anjo.
Informações extraídas de:
- CAETANO,Carlos Manuel Ferreira (2011) - As
Casas da Câmara dos Concelhos Portugueses e a Monumentalização do Poder Local (Séculos
XIV a XVIII). Volume I. Dissertação de Doutoramento em História da Arte Moderna;
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas; Universidade Nova de Lisboa; Lisboa.
- ESTEVES, Augusto César (1957) - Melgaço,
Sentinela do Alto Minho. 1.ª Parte. Das Origens ao Liberalismo, Tipografia "Melgacence", Melgaço.
- MARQUES, José, (2003) - Vereações da Câmara Municipal de Melgaço - 1844 in Boletim Cultural de Melgaço, Melgaço, 2002, pp. 267 -334; ESTEVES, Augusto César, Obras Completas, vol. 1, tomo 1, Melgaço.
- www.monumentos.pt.
..o edificio dos Tres Arcos.." a segunda sala,unicamente destinada a cadeia de homens e agora para venda de productos regionaies ,tem pavimiento ceramico e paredes em cantaria aparente, conservando na parede interior antigo micto'rio"
ResponderEliminarPor isso este é o lugar onde meu avô Agustin Lorenzo " El Masilao"foi detido em. 1938.,-17/05/38/--30/07/38).
Artigo Castro Laboreiro 1938 A PVDE e A GUARDA FISCAL em Busca de gallegos fuxidos.....
Paul Feron.
Eu lembro-me...ele adoraba o vinô verde...o metàfora verde vino....
ResponderEliminarPaul.