sábado, 12 de setembro de 2015

A Capela da Senhora de Anamão (Castro Laboreiro - Melgaço)

Capela de Nossa Senhora de Anamão (Castro Laboreiro - Melgaço)

No âmago dos Montes Laboreiro, transpondo a portela onde foi colocado um cruzeiro de pedra, aninhada ao fundo de uma garganta amena, ladeada por carvalhos e castanheiros, aparece uma exígua capela de invocação mariana – a capela da Senhora da Anamão – apadrinhada pela sua perene vigilante, a colossal e multimilenar fraga da Anamão.
Esta capela faz parte do espólio das 10 capelas actuais de Castro Laboreiro: a de S. Bento, em Várzea Travessa; a de S. Brás, na Açoreira; a de S. Miguel, em Mareco; a do Senhor da Boa Morte, na Ameixoeira; a da Senhora da Boavista, nas Cainheiras; a da Senhora dos Remédios, no Rodeiro, a da Senhora de Monserrate, nas Coriscadas, a do Senhor do Bonfim, no Ribeiro de Cima e de Santo António no Ribeiro de Baixo. Mas a de Anamão tem a particularidade de estar afastada de qualquer povoado, ficando o lugar mais próximo das Cainheiras a cerca de dois quilómetros. Esta peculiaridade, só por si, vaticina a existência de um presumível culto pré-cristão, espontaneamente confirmado pela vasta necrópole megalítica do planalto. A pena da Anamão é visível, praticamente, de qualquer ponto do planalto e a sua invulgar configuração criou – nos especialistas que, na década de 90, realizaram trabalhos de prospecção nesta necrópole, a suspeita de que a orientação dos dólmenes lhe pudesse estar relacionada. Num silhar do lado sul consta a data de 1663, memorando uma plausível reconstrução, no âmbito das intensas escaramuças da Restauração com os Galegos. Outra data próxima – 1690 – consta, em silhar invertido, no seu interior. As raízes inveteradas da capela de Anamão perdem-se, assim, na neblina fria do tempo, agasalhadas, durante séculos, numa milagrosa aparição, que os testemunhos dos autores setecentistas e a voz do povo se encarregaram de tornar perdurável até ao século XXI. Não faltam, por isso, motivos para acreditar que este local mítico tenha sido eleito para um qualquer vetusto culto pré-cristão. A tentativa do seu extermínio, por parte da Igreja, erigindo a capela de invocação a Nossa Senhora, não obteve um efeito total.
Reminiscências do paganismo estão bem latentes na tradição hodierna de, no dia da festividade (8 de Setembro, recentemente mudada para o primeiro domingo de Setembro), as raparigas solteiras lançarem, com a mão esquerda, uma pedra para um buraco cavado pela natureza num penedo, à margem do antigo caminho de acesso, a escassos metros da capela. Esse ritual pressagiava a passagem para o estado de casadas, ou seja, se a pedra ficasse na cavidade era sinal de que casaria ainda esse ano, caso contrário, ficava-lhe a consolação de tentar no ano seguinte. Ao efectuar o arremesso, a donzela devia pensar no seu pretendido; Quantas terão concretizado o seu anseio? Com certeza, as bastantes para fazer perdurar esta fantasia até aos nossos dias.
Em simultâneo com a construção do templo cristão propagou-se a lenda de que a Santa teria sido encontrada, por algum pegureiro ou pegureira, num buraco de um penedo e levada à igreja matriz, mas que Ela sempre voltara ao sítio onde tinha sido encontrada. Esta teima foi interpretada como vontade de que ali se lhe levantasse a sua casa religiosa, como efectivamente veio a realizar-se. Este milagre – semelhante a tantos outros espalhados por esse país fora – já vem referido na Corografia do P.e Carvalho da Costa, editada em 1706, mas com licença de 1701: “Senhora de Anamão, imagem milagrosa que está em hum valle junto da raya metida em huns grandes penhascos onde foy achada no buraco que a natureza obrou em hum monstruoso penedo; dizem a trouxerão por vezes à igreja, mas que outras tantas se tornou, causa de alli lhe fazerem Ermida”.
Esta capela possui uma planta rectangular simples e cobertura em telhado de duas águas. Paredes exteriores em aparelho de silhares graníticos com as juntas rebocadas a branco. Cruz latina remata as empenas e pináculos encimam os cunhais. Tem também um frontispício virado a Este, terminado em empena, com porta singela de vão recto flanqueada por duas pequenas frestas e encimada por vão. No alçado Sul. abrem-se duas pequenas janelas junto dos cunhais e porta de vão recto a um terço do comprimento, próxima do frontispício. Um dos silhares apresenta data inscrita: 1663. O alçado Oeste é cego e a Sul abre-se uma porta de vão recto. No interior, as paredes são rebocadas a branco com lambril pintado a vinoso, o pavimento é em lajeado granítico consolidado com cimento e o arco triunfal é pleno, sobre pilastras. O púlpito exterior granítico apresenta as guardas decoradas em baixo-relevo, orladas com moldura e ostentando como motivo central um hexafólio inscrito num círculo.

Informações extraídas de:
- http://www.geocaching.com/geocache/GC1P9VW_senhora-da-anamao
- www.monumentos.pt;

- CARVALHO, Pe. António Carvalho da Costa (1701)  – Cororgrafia portugueza, e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, com as noticias das fundações das cidades, villas & lugares, que contem. Lisboa.

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