sexta-feira, 11 de maio de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de S. Martinho de Alvaredo




No artigo de hoje, prestamos homenagem aos soldados de São Martinho de Alvaredo que integraram o Corpo Expedicionário Português e que combateram nas trincheiras da Flandres Francesa entre meados de 1917 e Novembro de 1918. Foram eles António Besteiro, do lugar da Carrasqueira; Avelino Fernandes, do lugar de Ferreiros; Abel Fernandes, do lugar da Fonte; Nicolau de Souza Lobato, do lugar da Charneca e Artur Domingues do lugar do Maninho. Os três primeiros pertenciam à célebre Brigada do Minho (4ª Brigada de Infantaria do Corpo Exedicionário Português), enquanto que o soldado Nicolau Lobato integrava o Regimento de Cavalaria 4 e o soldado Artur Domingues pertencia ao 1º Esquadrão de Remonta.
Todos regressaram vivos da guerra. Apresentam-se aqui as informações que se conseguiram apurar acerca do percurso de cada um deles durante a guerra:

1 - Avelino Fernandes, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às três horas da manhã do dia 7 de Novembro de 1893, filho de Francisco Fernandes e Libania Martins Peixoto, natural do lugar de Ferreiros, freguesia de Alvaredo, neste concelho de Melgaço.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Justina Domingues Caldas desde 4 de Janeiro de 1913.
Embarcou para França em 18 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 462, onde pertenceu à celebre Brigada do Minho.
Do seu percurso no cenário de guerra, em França, pouco se sabe. Sabemos que participou na trágica Batalha de La Lys. Nessa batalha, a 9 de Abril de 1918, desapareceu em combate. Em Novembro de 1918, no final do conflito, por comunicação da Comissão dos Prisioneiros de Guerra, verificou-se que o soldado Avelino Fernandes constava nas listas de prisioneiros de guerra internados em campos alemães. Tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Dulmen (Alemanha).
O soldado Avelino Fernandes viria a sobreviver à guerra. Ainda se encontrava no campo de prisioneiro em 17 de Dezembro de 1918. Seguiu para a Holanda onde embarcou no navio inglês "Northwestern Miller" em 12 de Janeiro de 1919, tendo desembarcado no Cais de Alcântara, em Lisboa no dia 18 de Janeiro de 1919.
Viria a falecer às seis horas do dia 6 de Agosto de 1964, na freguesia de Alvaredo, concelho de Melgaço.

2 - Abel Fernandes, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu à meia noite do dia 19 de Abril de 1894 no lugar da Fonte, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de Bento Fernandes e de Ana Pires.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar da Fonte, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. Já no cenário de guerra, em França, foi colocado na 1ª Bateria de Morteiros Pesados em 25 de Outubro de 1917, onde se encontrava na 1ª linha de defesa das posições.
Terá combatido na Batalha de La Lys em 9 de Abril de 1918, tendo inclusivamente recebido um louvor “pela boa vontade e inteligência com que desempenhou todos os serviços de serralheiro de que foi encarregado durante o tempo que a bateria esteve na 1ª linha de que resultou todo o pessoal estar bem alojado e com comodidades o que concorreu para a saúde do pessoal” (Louvor pelo Comandante do Batalhão em 11 de Abril de 1918).
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 9 de Junho de 1919.
Depois de voltar da guerra, casou com Alzira Domingues no dia 4 de Fevereiro de 1922. Viria a falecer na freguesia de S. Martinho de Alvaredo em 24 de Novembro de 1984.

3 - Nicolau de Souza Lobato, soldado chauffeur do Regimento de Cavalaria nº 4 do Corpo Expedicionário Português. Nasceu no dia 17 de Janeiro de 1895 no lugar da Charneca, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de José de Souza Lobato e de Hermínia da Glória Domingues.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar da Charneca, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 21 de Abril de 1917.
Já no cenário de guerra, em França, desempenhou sobretudo serviço de condutor no Parque Automóvel do Corpo Expedicionário Português. Viu-se frequentemente envolvido em vários episódios de indisciplina. Baixa à ambulância 5 em 29 de Outubro de 1917, tendo tido alta em 2 de Novembro. Em 13 de Novembro do mesmo ano, volta a baixar à ambulância, tendo alta no dia 17 do mesmo mês e ano.
Em 4 de Fevereiro de 1918, foi punido pelo “Sr. Comandante do 3º Grupo Automóvel com 2 dias de detenção porque tendo ido à revista de saúde e dizendo-lhe ser facultativo para não sair da enfermaria sem tomar um purgante, não cumpriu esta ordem”.
Em 30 de Maio de 1918, volta a envolver-se num episódio de indisciplina, tendo sido punido “pelo Sr. Comandante do Parque Automóvel com 4 dias de detenção por ter faltado à 1ª refeição sem motivo justificado”.
Na sequência destes episódios, em 29 de Julho de 1918, o soldado Nicolau Lobato foi punido pelo Tribunal de Guerra do Corpo Expedicionário “com 60 (sessenta) dias de prisão correcional.
Em 6 de Fevereiro de 1919, baixou ao Hospital de Sangue 8. Em 18 de Março de 1919, passou ao Esquadrão de Remonta. Em 3 de Abril do mesmo ano, encontrava-se no Hospital de Sangue 6, de onde foi evacuado nessa data para o Hospital da Base 1, tendo tido alta no dia 2 de Maio de 1919 para o C.M.C.A. Nessa data, deu entrada nas Prisões da Base afim de recolher ao Depósito Disciplinar 1 “por ali pertencer”. Em 24 de Maio, encontrava-se no Comando Militar do Corpo, de onde seguiu de novo, no dia seguinte, sob escolta, para o Depósito Disciplinar 1. No dia 30 de Maio de 1919, encontrava-se presente no Depósito Disciplinar 1 “afim de cumprir 60 dias de prisão correcional”.
Em 9 de Junho de 1919, encontrava-se no Porto de Embarque de Cherbourg (França) com vista a ser repatriado. Embarcou, juntamente com o pessoal dos Serviços Administrativos, em 22 de Junho de 1919 com destino a Portugal. Desembarca em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 25 de Junho do mesmo ano.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 9 de Junho de 1919.
Depois de voltar da guerra, casou com Claudina Maria Martins no dia 9 de Outubro de 1920. Viria a falecer na freguesia de S. Martinho de Alvaredo, concelho de Melgaço, às 18 horas e 30 minutos dia 17 de Outubro de 1923.

4 - Artur Domingues, soldado do 1º Esquadrão de Remonta - Escola de Equitação. Nasceu às três horas da manhã do dia 14 de Outubro de 1894 no lugar do Maninho, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de André Domingues e de Maria Martins.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar do Maninho, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 2 de Julho de 1917, portador da chapa de identificação nº 67360.
Sabe-se muito pouco do seu percurso durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, seguiu para o Esquadrão de Remonta em 3 de Agosto de 1918, tendo sido promovido a 1º Cabo em 5 de Setembro do mesmo ano. Em 2 de Novembro, estava presente no Quartel General do Corpo Expedicionário, proveniente do dito Esquadrão de Remonta.
Em 6 de Abril, passou à 1ª Secção Auxiliar do Comando do Quartel General do Corpo Expedicionário.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal a bordo do navio “Mormugão” (navio alemão de nome original “Kommodore” que foi apresado pelos portugueses em Goa, Índia Portuguesa em 1916) e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 1 de Novembro de 1919.

5 - António Besteiro, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 18 de Fevereiro de 1892 no lugar da Carrasqueira, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de José Besteiro e de Florinda Pires.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar da Carrasqueira, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, portador da chapa de identificação nº 66538, tendo desembarcado no Porto  de Brest (França) no dia 18.
Sabe-se muito pouco do seu percurso durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, baixou à ambulância em 5 em 23 de Agosto de 1918, tendo alta no dia 3 de Setembro.
Após a reformulação do Corpo Expedicionário Português, passa a integrar o 6º Batalhão do C.E.P. Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal a bordo do navio inglês “Northwestern Miller” em 15 de Abril de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Abril de 1919.
Após voltar da guerra, casa com Aurora Bernardo em 21 de Maio de 1925. Viria a falecer em 31 de Outubro de 1985 na freguesia de São Martinho de Alvaredo, deste concelho de Melgaço.

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