Mostrar mensagens com a etiqueta primeira guerra mundial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta primeira guerra mundial. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de março de 2020

Melgaço, 1917/1918 - Notícias da Grande Guerra nos jornais melgacenses




Em 1917 e 1918, viviam-se tempos de muito medo em Melgaço e na generalidade do nosso país. Em 1917, tinham partido da nossa terra mais de 70 rapazes para as trincheiras de França para aí combaterem os alemães. A gente na terra e em especial as famílias ficam com o coração nas mãos sempre à espera de notícias. Nesses tempos, a informação demorava a chegar e nem sempre era muito exata. Procuravam-se diariamente nos jornais, as listas de mortos e desaparecidos em combate que era publicadas nos jornais nacionais. De vez em quando lá vinha a notícia de um valente melgacense tombado em combate que deixava a terra de luto. Por exemplo, podemos ler o Jornal de Melgaço de 22 de Dezembro de 1917, onde este periódico nos dá conta da morte do soldado José Maria da Cunha de Chaviães. Na notícia pode ler-se:
Sangue Melgacense
Sangue melgacense regou já os campos de França.
Na linha da batalha, no front, e no sector portuguez, um modeste filho desta terra, José Maria da Cunha, acaba de sucumbir aos ferimentos recebidos em combate.
O seu nome, aureolado da glória que se ganha no campo do Dever e da Honra, vem escrito no Rol da Honra.
Brioso, valente, destemido, poucos dias antes tinha sido condecorado com a medalha de valor militar.
Entre os seus companheiros, moços bisonhos como ele, distinguira-se pela sua bravura e pela sua coragem.
Nascera este brioso soldado na freguesia de Chaviães, deste concelho. Era filho de Aníbl dos Anjos Cunha e de Felisbela Cândida Alves e militava em infantaria 3, onde era o soldado nº 659, da 1ª companhia.
Que lá em França, onde jaz coberto de louros, a terra lhe seja leve!”
Menos de um mês depois, podíamos ler no Jornal de Melgaço de 18 de Janeiro de 1918, a trágica notícia da morte do soldado Arsénio Gonçalves, da freguesia de Prado. Na notícia, pode ler-se:
Mais um Bravo
Simples, muito simples, o ofício do districto de recrutamento nº 3 a informar-nos, por intermédio da Câmara Municipal, que em França faleceu em Dezembro do ano findo, o 2º sargento de cavalaria nº 11, Arsénio Gonçalves, filho de Manuel Luís Gonçalves e de Albina Rosa Alves, natural da freguesia de Prado, deste concelho.
Tout court, na sua extrema simplicidade, aquele ofício alguma coisa de grande, de tocante, nos comunica.
Por nos informar de uma morte?
Não. Uma morte a mais, sua alma a menos neste mundo, que importa?
Quantos mais não morreram ainda?
Nas terras longínquas da França, longe da Pátria e dos seus, de armas na mão, defendendo a bandeira verde rubra, quantos mais não morderam ainda o pó?
Aos próprios filhos desta terra, a quem o Dever chamou e que com os seus irmãos de armas, para França marcharam cheios de fé e com o coração abarrotado de esperança de voltarem, a quantos ainda não murchará essa esperança e não desaparecerá essa fé?
A razão é muito outra...”
Contudo, quando um ou outro soldado vinha a Melgaço passar uns dias de licença à terra, o seu estado, por vezes, gerava preocupação entre as famílias e as comunidades melgacenses. Atente-se nesta notícia publicada no “Jornal de Melgaço” de 26 de Janeiro de 1918:
Entre os soldados mortos em França, na luta contra a prepotência alemã, na guerra contra a tirania do teutões, há soldados que eram filhos desta terra, que neste lindo rincão do Minho nasceram, daqui partiram e aqui deixaram família, a carne da sua carne, o sangue do seu sangue.
Entre os soldados portuguezes que, lá em França, com o seu sangue heroico estão escrevendo a página mais linda da História moderna, toda ela feita de luz e de louros, há soldados filhos de Melgaço, que vão arruinando a saúde e perdendo o vigor do corpo, há soldados que d’aqui sahiram chaios de vida e de robustez e hoje aqui se encontram alquebrados de forças e contaminados pelo germen de terríveis doenças, adquiridas na vida árdua das trincheiras, ao troar medonho da artilharia, entre lufadas contínuas de gases asfixiantes.
Novos, moços, todos eles sentiam abrir-se-lhes pela existência fora um futuro risonho, primaveril, cheio de luz e de alvoradas: todos eles, jisavam no cérebro sonhos cor de rosa e no peito acarinhavam uma doce esperança duma vida fácil.”
As notícias trágicas alternavam com aquelas que motivavam a elevação das gentes melgacenses. Ora, leia-se esta publicada no “Jornal de Melgaço”, edição de 8 de Dezembro de 1918:
No front
Consta-nos que alguns filhos desta terra, que no front se batem no sector portuguez, mereceram dos seus superiores referências elogiosas, sendo até alguns condecorados pelos seus heroicos feitos.
Desconhecemos ainda os seus nomes, mas justo é que, se eles tanto se distinguiram, o povo melgacense conheça os seus nomes, e por isso vamos investiga-los e talvez no próximo número os deixaremos já escritos”.
Em 1919, os sobreviventes à guerra voltariam à sua terra mas  encontrariam aqui um outro temível inimigo que dava pelo nome de gripe pneumónica. Foram tempos muito difíceis, certamente!

sábado, 23 de novembro de 2019

A disciplina militar sobre os soldados melgacenses na Primeira Grande Guerra em França





A Primeira Grande Guerra (1914-1918) mobilizou mais de 50 mil soldados portuguesas para a frente europeia. Melgaço contribuiu com mais de 70 filhos da terra que combateram na Flandres (França).
Como sabemos, a participação portuguesa foi dramática, fruto de uma rápida mas muito deficiente preparação dos soldados e a instável situação política em Portugal na época. A moral das tropas foi-se degradando com o passar do tempo e episódios de indisciplina e insubordinação por parte dos soldados foram-se tornado cada vez mais uma constante. Em relação aos soldados melgacenses, os registos contam-nos que alguns deles protagonizaram episódios de insubordinação, outros simplesmente envolveram-se em episódios algo caricatos próprios de homens que não compreendiam a disciplina militar, especialmente em tempo de guerra.
Um dos soldados melgacenses mais vezes punidos durante a sua permanência na frente de guerra foi Alfredo Soares, natural do lugar da Costa, na freguesia de S. Paio. Já em França, no cenário de guerra, foi punido em 12 de Agosto de 1917 pelo “Senhor Comandante da Companhia com 8 dias de detenção por ter saído da forma sem autorização quando a companhia se dirigia para o local de instrução de noite e ter recolhido o quartel da sua companhia”. Dois dias depois, ou seja a 14 de Agosto de 1917, foi novamente punido “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção por ser encontrado no centro de instrução e durante o intervalo apoderar-se de alguma fruta de uma nogueira pertencente a uma propriedade que começa no mesmo campo”. Foi punido ainda em 19 de Junho de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de prisão disciplinar por ter faltado a uma formatura e responder menos conveniente ao Senhor Comandante da Comandante quando este o mandou calar por pretender tomar posse de uma barraca que lhe não pertencia…”. Foi punido novamente em 23 de Setembro de 1918 “pelo Senhor Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por faltar à revista que teria lugar em 22 (dia anterior), sem motivo justificado…”. Alguns dias depois, em 28 de Setembro do mesmo ano, voltaria a ser novamente punido pelo “Senhor Comandante do batalhão com 10 dias de detenção por faltar aos trabalhos de fortificação e instrução de 26”. Alfredo Soares sobreviveu à guerra.
Um outro soldado melgacense bastante castigado pela disciplina militar durante o tempo de guerra foi Joaquim de Egas Afonso, natural da freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta). Durante a sua permanência na frente de guerra na Flandres, recebeu várias punições por comportamento julgado não adequado em contexto militar em tempo de guerra. Assim, foi punido em 12 de Setembro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção, atendendo ao seu comportamento anterior por haver faltado à instrução que no dia 11 teve lugar das 13 às 17 horas…”. Novamente, em 2 de Outubro de 1917, foi punido “ pelo Comandante da Companhia com cinco dias de detenção por se ter ausentado ontem da área da companhia sem autorização”. Ainda em Outubro de 1917, mais precisamente no dia 19, foi de novo punido “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional por não ter ido ao trabalho em “Krigs Cross” na manhã de 16 (dia) por declarar estar doente, doença que não foi confirmada em revista de saúde a que foi presente…”. Contudo, os episódios de indisciplina não se ficam por aqui, recebendo novamente punição em 18 de Fevereiro de 1918 “pelo Sr. Comandante da 4ª Companhia com 2 guardas por não tratar do arrumo da sua companhia como lhe foi determinado pelo Cabo Chefe do Grupo do seu alojamento…”.
Um outro soldado melgacense que várias vezes esteve sob a alçada disciplinar foi Dinis da Silva, natural do lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, O seu percurso durante a guerra é abundante em atos de indisciplina, frequente entre os soldados portugueses nesta guerra e respetivas punições. Foi punido em 19 de Julho de 1917 “pelo Exmo. Comandante do Batalhão com 1 (um) dia de Prisão Disciplinar por ter faltado a uma formatura…”. Foi igualmente punido em 12 de Agosto “pelo Comandante da Companhia com 8 dias de atenção por ter saído da forma sem autorização quando a companhia se dirigia para local de instrução de noite e ter recolhido ao quartel da sua companhia…”. Uma terceira punição foi-lhe aplicada em 26 de Outubro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 8 (oito) dias de detenção por ter sido incorreto na maneira como se dirigiu ao 1º sargento da companhia quando este o advertia por uma falta…”. Foi-lhe aplicada uma outra punição em 15 de Março de 1918 “pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção porque, tendo-se ausentado ontem do alojamento da companhia, faltou à formatura que às 18 horas teve lugar afim desta companhia de entrar como reforço do sub-setor…”. Foi ainda punido em 29 de Agosto de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por ter faltado aos trabalhos deste dia sem motivo justificado”. Por motivo que não aparece descortinado no seu Boletim Individual, o soldado Dinis da Silva, em 5 de Junho de 1919, seguiu da Prisão da sua Base para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) afim de ali aguardar julgamento. Sobreviveu à guerra.
É frequente entre os soldados os episódios de desobediência aos seus superiores. Um desses casos é o do soldado António dos Reis, natural da Rua Direita, freguesia de Santa Maria da Porta (atualmente designada por freguesia da vila). Foi punido em 19 de Agosto do mesmo ano pelo Comandante da Companhia com 8 dias de detenção “porque tendo em 18 do corrente respondido à chamada para a formatura da instrução de noite, se ausentou dela sem autorização recolhendo ao seu alojamento…”. Ainda nesse ano de 1917, voltou a infringir as regras do Regulamento Disciplinar e recebeu nova punição em 19 de Dezembro por parte do Comandante da Companhia. Desta vez, foi punido com 10 dias de detenção por “ter saído da 1ª linha de trincheiras, onde prestava serviço, sem autorização e ainda porque sendo interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome ao Comandante exposto o que se averiguou ser falso…”. António dos Reis sobreviveu à guerra.
Alberto Esteves, natural do lugar do Pomar, freguesia de Penso também sofreu a disciplina militar por desobediência. Em 27 de Outubro de 1917, foi punido pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção por “ter sido nomeado para servir nas trincheiras e não se ter apresentado prontamente para esse serviço tendo sido necessário a intervenção do comandante da companhia para que desse cumprimento à ordem que nesse sentido tinha recebido…”. Sobreviveu à guerra.
A faltas de respeito aos superiores eram também mencionados nos registos individuais de alguns soldados de Melgaço. É o caso do soldado Inocêncio Augusto Carpinteiro, natural do lugar dos Barreiros, na freguesia de S. Paio. Durante a sua permanência na frente de combate, foi punido em 17 de Outubro de 1917 “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional porque aquando da sua nomeação para serviço nas trincheiras, apresentou a sua reclamação como modos pouco respeitosos”. Voltou a ser punido em 19 de Dezembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detenção por ter vindo da 1ª linha de trincheiras onde prestava serviço sem autorização e ainda porque sendo por ele interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome do Comandante do posto o que se averiguou não ser verdade…”. Sobreviveu à guerra.
Um outro exemplo é o do soldado Hipólito Lourenço, natural do lugar da Picota, freguesia de Santa Marinha de Rouças. Já no cenário de guerra, sabe-se que foi punido em 9 de Setembro de 1917 “com 2 dias de detenção por ser pouco cuidadoso com a limpeza do armamento que lhe está distribuído”. Viria a ser novamente punido em 16 de Janeiro de 1918 “pelo Exmo. General Comandante do C.E.P. com 20 dias de prisão correcional por na noite de 7 para 8 de Dezembro, estando de sentinela num posto de 1ª linha, foi encontrado pelo sargento de ronda sentado na banqueta e não ter tomado uma atitude correta quando aquele seu superior o advertia infringindo assim os deveres…”. Sobreviveu à guerra.
Não termino este artigo sem uma ressalva. Não se pretende fazer qualquer julgamento de caráter destes homens. Estes comportamentos são sobretudo fruto de uma rápida mas deficiente preparação dos soldados, não só taticamente mas também mentalmente. A dureza da guerra, a falta de compreensão da mesma e a postura vergonhosa do governo português em relação a estes soldados nalguns momentos tornam atos como os descritos compreensíveis, ou pelo menos que nos abstenhamos de os julgar.

sábado, 11 de agosto de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários das freguesias de Fiães, Paços, Cubalhão e Gave



Foi há pouco mais de 100 anos que os primeiros soldados do contingente que Portugal enviou para combater em França na I Guerra Mundial chegaram à Flandres.
Com base nos dados de que disponho, de Melgaço, partiram para a Flandres, 73 homens, oriundos das diversas freguesias. Estes homens foram autenticamente “roubados” às suas vidas e obrigados a ir para uma guerra para a qual não estavam preparados. Paderne, com 14 homens, Penso, com 12 homens e Vila, com 14 homens são as freguesias melgacenses que mais contribuíram em termos de número de efetivos. Porém, hoje homenageamos os soldados naturais de Fiães, Paços, Cubalhão e Gave. De cada uma destas freguesias, partiu um soldado para esta guerra horrenda. Eles foram João José Pires (lugar de Outeiro, Paços), Justino Pereira (lugar de Cima, Cubalhão), José Fernandes (lugar de Pousafoles, Fiães) e Abílio Alves de Araújo (lugar de Sobreira, Gave).


CUBALHÃO


1 - Justino Pereira, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão).
Nasceu às seis horas da manhã do dia 17 de Junho de 1895, no lugar de Cima, da freguesia de Cubalhão, filho de António Pereira e Maria Esteves.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Cima da freguesia de Cubalhão, neste concelho de Melgaço.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho, portador da chapa de identificação nº 49 544.
Esteve envolvido na Batalha de La Lys, integrado na 4ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português em 9 de Abril de 1918. Nesse dia, foi dado como desaparecido em combate nessa mesma batalha. Contudo, posteriormente, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, soube-se que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Merseburg (Alemanha), que se localiza a cerca de 150 Kms a noroeste da cidade de Dresden, onde ainda se encontrava em 20 de Novembro de 1918. Depois de finalizar o conflito em Novembro de 1918, foi libertado e embarcou em porto desconhecido no dia 28 de Dezembro de 1918, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 3 de Janeiro de 1919.
Após regressar da guerra, viria a casar com Maria Alves, natural da freguesia de Cristoval, concelho de Melgaço, no dia 14 de Abril de 1919.
Viria a falecer às 12 horas do dia 12 de Março de 1959, na freguesia de Cristoval, neste concelho de Melgaço.


FIÂES


1 – José Fernandes, 2º Sargento do Regimento de Cavalaria 11, 1º Esquadrão.
Nasceu às três horas da tarde do dia 9 de Maio de 1894, filho de Manuel José Fernandes e Maria do Carmo Domingues, natural do lugar de Pousafoles, freguesia de Santa Maria de Fiães, concelho de Melgaço.
À época de partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar de Pousafoles, da freguesia melgacense de Fiães.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França em 20 de Janeiro de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português.
Não conhecemos muito do percurso deste soldado durante a guerra. Já no cenário de guerra em França, em 8 de Julho de 1917, integrou uma diligência à 2ª Secção do Trem Divisionário, onde ainda se encontrava adido no dia 29 de Novembro desse mesmo ano. Em 8 de Dezembro de 1917, por ordem do comando da 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português, foi apresentar-se na sua unidade que à data era o 1º Grupo de Metralhadoras.
Sabemos que passou ao Depósito de Pessoal de Metralhadores Pesadas em 4 de Maio de Maio de 1918 “por ter sido suprimido o 1º Grupo de Metralhadoras”, unidade em que estava integrado à data.
Em 20 de Junho de 1918, baixa ao hospital, tendo tido alta no dia 30 do mesmo mês. No dia seguinte, a 1 de Julho, seguiu para o 3º grupo de Metralhadoras, unidade em que permaneceu até ao dia 10 de Setembro. Nesse dia, foi transferido para o Depósito de Infantaria.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) com destino a Portugal e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 10 de Setembro de 1918.
Após regressar da guerra, viria a casar em Lisboa com Maria da Soledade no dia 7 de Julho de 1935.
Viria a falecer no dia 20 de Fevereiro de 1975, na freguesia da Lapa, cidade e concelho de Lisboa.


PAÇOS


1 - João José Pires, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão).
Nasceu às duas horas da tarde do dia 28 de Abril de 1895 no lugar do Outeiro, na freguesia de Santa Maria de Paços, filho de José Joaquim Pires e de Alexandrina Pires.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar do Outeiro, na freguesia de Paços.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França, integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho.
Dispomos de poucas informações quanto ao percurso militar deste soldado durante o conflito. Já no cenário de guerra, na Flandres (França), sabemos que baixou ao Hospital de Sangue nº 1 em 17 de Agosto de 1917.
Combateu na Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918. Foi dado inicialmente como desaparecido durante as hostilidades, tendo sido, mais tarde, dado como morto em combate na referida batalha no dia antes citado.
Encontra-se sepultado no Cemitério de Richebourg l`Avoué (França), Talhão C, Fila 10, Coval 5.


CUBALHÃO


1 - Justino Pereira, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão).
Nasceu às seis horas da manhã do dia 17 de Junho de 1895, no lugar de Cima, da freguesia de Cubalhão, filho de António Pereira e Maria Esteves.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Cima da freguesia de Cubalhão, neste concelho de Melgaço.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho, portador da chapa de identificação nº 49 544.
Esteve envolvido na Batalha de La Lys, integrado na 4ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português em 9 de Abril de 1918. Nesse dia, foi dado como desaparecido em combate nessa mesma batalha. Contudo, posteriormente, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, soube-se que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Merseburg (Alemanha), que se localiza a cerca de 150 Kms a noroeste da cidade de Dresden, onde ainda se encontrava em 20 de Novembro de 1918. Depois de finalizar o conflito em Novembro de 1918, foi libertado e embarcou em porto desconhecido no dia 28 de Dezembro de 1918, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 3 de Janeiro de 1919.
Após regressar da guerra, viria a casar com Maria Alves, natural da freguesia de Cristoval, concelho de Melgaço, no dia 14 de Abril de 1919.
Viria a falecer às 12 horas do dia 12 de Março de 1959, na freguesia de Cristoval, neste concelho de Melgaço.


GAVE


1 - Abílio Alves de Araújo, 1º Cabo  do Regimento de Infantaria nº 29, 4ª Brigada de Infantaria (Brigada do Minho), 2ª Divisão do CEP.
Nasceu às dez horas do dia 12 de Julho de 1897 no lugar de Sobreira, freguesia da Gave, filho de João Manuel de Araújo e Maria Joaquina Alves. À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Oliveira, no concelho de Arcos de Valdevez.
Embarcou para França em 22 Abril de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 46 998, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho.
Combateu na batalha de La Lys no dia 9 de Abril de 1918, onde é dado como desaparecido em combate. Posteriormente, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, verificou-se que constava entre aqueles que tinham sido feitos prisioneiros pelos alemães. Dali foi levado para o Campo de Prisioneiros de Friedrichsfeld (Alemanha).
Depois do fim da guerra, o soldado Abílio de Araújo foi libertado e embarcou no navio inglês "Northwestern Miller", na Holanda, em 31 de Janeiro de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, de 4 de Fevereiro de 1919.
Após regressar da guerra, viria a casar com Amélia da Conceição Guerra em Ponte de Lima no dia 18 de Fevereiro de 1920.
Viria a falecer em Arcos de Valdevez (Salvador) no dia 12 de Abril de 1989.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Rouças



Há cerca de um século atrás, dezenas de milhares de soldados portugueses partem para França e para África para participarem no mais horrendo conflito armado que a Humanidade tinha conhecido até aí. O "contingente melgacense" era formado por mais de 70 soldados, dos quais 6 eram naturais da freguesia de Santa Marinha de Rouças. A estes, hoje prestamos-lhe a merecida homenagem. Eles foram:

1 - Manuel Cardoso, Alferes do Q. A. A. - Arsenal do Exército e Parque Automóvel. Nasceu às quatro horas da tarde do dia 14 de Maio de 1884 na freguesia de Santa Marinha de Rouças em lugar que não consta no respetivo assento de batismo, filho de Joaquim da Costa Cardoso e de Emília de Jesus Cardoso, moradores na referida freguesia de Rouças do concelho de Melgaço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Maria Luíza Esteves Cardoso, natural do concelho de Matosinhos, e era morador em Paço d’Arcos, no concelho de Oeiras.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 5 de Junho de 1918 a bordo do navio Pedro Nunes e desembarcou no Porto de Brest (França) em 10 de Junho desse mesmo ano, ficando de quarentena na ilha de Treberou, seguindo depois em caminho de ferro para Bologne em 23 de Junho.
Sabemos que se encontrava presente no Parque Automóvel no dia 30 de Junho de 1918. Baixa ao hospital em 23 de Outubro desse mesmo ano, tendo alta no dia 28 seguinte.
Já depois do fim da guerra, foi colocado no Depósito de Material da Base 2 (Secção de Material Automóvel) como adjunto em 15 de Março de 1919.
Viria a sobreviver à guerra, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) com destino a Portugal a bordo do navio inglês “Northwestern Miller” em 5 de Julho de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara em 8 de mesmo mês e ano.

2 - José Rodrigues, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às 8 horas da tarde do dia 1 de Abril de 1892, na Quinta de Cavaleiros, freguesia de Santa Marinha de Rouças deste concelho de Melgaço, filho de António Rodrigues e de Anna Domingues.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se viúvo e era morador na referida freguesia de Rouças.
Embarcou para França no Cais de Alcântara, em Lisboa, integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Muito pouco se sabe sobre o percurso deste soldado no conflito armado. Apenas se sabe que embarcou em França com destino a Portugal no dia 19 de Dezembro de 1917 para gozo de 20 dias de licença de campanha e terá desembarcado em Lisboa em Lisboa em 22 de Dezembro do mesmo ano. Aparentemente, por razões que se desconhecem, não voltou a França. Não constam mais anotações no seu Boletim Individual.

3 - Hipólito Lourenço - Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às três horas da tarde do dia 20 de Abril de 1892, no lugar da Picota, freguesia de Santa Marinha de Rouças deste concelho de Melgaço, filho de pai incógnito e de Maria da Nazaré Lourenço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar da Picota, da freguesia de Rouças.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Já no cenário de guerra, sabe-se que foi punido em 9 de Setembro de 1917 “com 2 dias de detenção por ser pouco cuidadoso com a limpeza do armamento que lhe está distribuído”. Viria a ser novamente punido em 16 de Janeiro de 1918 “pelo Exmo. General Comandante do C.E.P. com 20 dias de prisão correcional por na noite de 7 para 8 de Dezembro, estando de sentinela num posto de 1ª linha, foi encontrado pelo sargento de ronda sentado na banqueta e não ter tomado uma atitude correta quando aquele seu superior o advertia infringindo assim os deveres…”.
Sabe-se também que em 14 de Fevereiro de 1918, baixou à Ambulância nº 1, tendo sido evacuado para o hospital no mesmo dia, não se encontrando registada a data em que teve alta.
Viria a ser aumentado ao efetivo do Batalhão de Infantaria nº 22 e à 3ª Companhia com o número 775 em 30 de Outubro de 1918.
Sobreviveu à guerra e seria repatriado juntamente com o Primeiro Batalhão, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) em 25 de Maio de 1919, e viria a desembarcar em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 28 de Maio seguinte.
Depois de regressar da guerra, casou com Deolinda do Espírito Santo da Cunha em 18 de Dezembro de 1920. A sua esposa viria a falecer na freguesia de Rouças em 28 de Setembro de 1941. Contudo, Hipólito Lourenço viria a casar em segundas núpcias com Laurinda Fernandes, do lugar de Eiró, em 2 de Março de 1968.
Viria a falecer no dia 17 de Outubro de 1972, na freguesia de Rouças, neste concelho de Melgaço.

4 - Manuel José Lourenço, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às doze horas da noite do dia 10 de Janeiro de 1895 no lugar de Perzes, freguesia de Santa Marinha de Rouças deste concelho de Melgaço, filho de José Manuel Lourenço e de Joaquina Roza Eanes.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na referida freguesia de Rouças.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
São muito escassos os dados sobre o percurso deste soldado durante a guerra. Apenas encontramos registado que baixou à Ambulância nº 5 em 11 de Março de 1918 e foi evacuado para o Hospital de Sangue nº 1no dia 13 do mesmo mês.
Viria a sobreviver a este conflito armado, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) com destino a Portugal em 16 de Abril de 1919 e viria a desembarcar em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Abril de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Roza Fernandes, natural da freguesia de Rouças, em 27 de Agosto de 1922.
Viria a faleceu às 8 horas da manhã do dia 25 de Setembro de 1967, na freguesia de Rouças, concelho de Melgaço.

5 - António Pires, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às duas horas da manhã do dia 8 de Julho de 1894, filho de pai incógnito e Dolores Pires, natural do lugar do Paço, Rouças, deste concelho de Melgaço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar do Paço, na freguesia de Rouças.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, em 22 de Abril de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português, tendo pertencido à famosa Brigada do Minho, sendo portador da chapa de identificação nº 49 837. Desembarcou no Porto de Brest (França), juntamente com a sua unidade.
Já no cenário de guerra, em França, sabe-se que foi punido em 16 de Setembro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção por não apresentar a bolacha de ração de reserva que lhe havia sido distribuída com a recomendação expressa de não a comer sem autorização, recomendação esta que foi feita por um oficial antes de marchar para as trincheiras da 2ª Brigada de Infantaria e na ocasião da distribuição”.
Foi dado como desaparecido em combate durante a Batalha de La Lys 9 de Abril de 1918. Contudo, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, chegou a informação que, na realidade, tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante as hostilidades e levado para o Campo de Prisioneiros de Friedrichsfeld, na Alemanha, tendo sido libertado após o fim do conflito em Novembro de 1918.
O soldado António Pires encontrava-se presente no Porto de Embarque em 20 de Dezembro de 1918, a aguardar o repatriamento para Portugal. Viria a embarcar na Holanda, em porto que se desconhece, com destino a Portugal, no navio inglês "Northwestern Miller" em 12 de Janeiro de 1919, tendo chegado a território nacional e desembarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 18 de Janeiro de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Delfina Alves em 17 de Abril de 1930.
Faleceu na freguesia de Rouças, neste concelho de Melgaço, no dia 31 de Outubro de 1967.

6Emílio Augusto Veloso, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 24 de Junho de 1894, filho de pai incógnito e Maria Veloso, natural do lugar do Cabreiros, freguesia de Rouças, deste concelho de Melgaço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar do Cabreiros, na dita freguesia de Rouças.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, em 15 de Abril de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português, tendo pertencido à famosa Brigada do Minho, sendo portador da chapa de identificação nº 49 670. Desembarcou no Porto de Brest (França), juntamente com a sua unidade.
Quase nada se conhece acerca do seu percurso durante a guerra. Apenas se sabe que já perto do fim da guerra, foi “aumentado ao efetivo do Batalhão de Infantaria nº 22 e à Formação com o nº 160 em 30 de Outubro de 1918”.
Sobreviveu à guerra. Viria a ser repatriado, juntamente com o Primeiro Batalhão de Infantaria, e embarca no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, em 25 de Maio de 1919, tendo chegado a território nacional e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 28 de Maio do mesmo ano.
Após voltar da guerra, viria a casar com Cândida Augusta Afonso em 6 de Fevereiro de 1929.
Faleceu na freguesia de São Vítor, no concelho de Braga, no dia 18 de Março de 1969.

domingo, 24 de junho de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Cousso


Há cerca de 100 anos, quando o Corpo Expedicionário Português foi constituído, dezenas de milhares de jovens eram autenticamente roubados às suas terras e às suas famílias e iriam entrar no maior conflito militar que a humanidade tinha conhecido, a Primeira Grande Guerra. Entre as dezenas de melgacenses que foram mobilizados, alguns deles eram naturais da freguesia de São Tomé de Cousso e que hoje queremos homenagear neste artigo. Eram eles os soldados Adolfo de Sousa, do lugar de Virtelo; Agostinho Alves, do lugar da Cela e Manuel Duque. Todos eles sobreviveram à guerra.
Aqui ficam as informações que se conseguiram reunir em relação a cada um deles:

1 - Adolfo de Sousa, soldado servente do 5º Grupo de Baterias de Montadas do Regimento de Artilharia n.º 1 (5º Grupo de Baterias de Morteiros).
Nasceu às seis horas da manhã do dia 8 de Fevereiro de 1893 no lugar de Virtelo, freguesia de São Tomé de Cousso, filho de pai incógnito e de Rosa Maria de Sousa.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Virtelo, na freguesia de Cousso, concelho de Melgaço.
Embarcou no Cais de Alcântara, em Lisboa, com destino a França integrado no Corpo Expedicionário Português a 25 de Maio de 1917, tendo desembarcado no Porto de Brest.
Já no cenário de guerra, sabe-se que baixou ao Hospital de Sangue nº 2 em 14 de Março de 1918, tendo tido alta em 22 do mesmo mês e ano. Após o desastre que se mostrou a Batalha de La Lys, no âmbito da reorganização do Corpo Expedicionário Português, é colocado no 4º Grupo de Baterias de Artilharia em 30 de Abril de 1917.
perto do fim da guerra, em Novembro de 1918, foi punido por comportamentos julgados menos adequados. Assim, no dia 26 de Setembro de 1918, foi punido “pelo Senhor Comandante com 12 dias de detenção por ter faltado ao recolher do dia 24”.
Uns meses depois, em 21 de Abril de 1919, foi novamente punido com 4 dias de detenção pelo Senhor Comandante “por se ausentar do seu boleto sem autorização de noite e ter sido encontrado a fazer barulho”.
Sobreviveu à guerra e embarcou no Porto de Cherbourg (França) em data que se desconhece, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Maio de 1919.


2 - Agostinho Alves, Alferes de Administração Militar, 2º Grupo Automóvel.
Nasceu às cinco horas da manhã do dia 5 de Janeiro de 1885 no lugar da Cela, freguesia de São Tomé de Cousso, filho de Firmino Alves e de Rosa Dias.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 29 de Outubro de 1913 com Margarida Alves Ferreira, natural do concelho de Penafiel, e era morador à data no dito concelho do distrito do Porto.
Embarcou no cais de Alcântara, em Lisboa, com destino a França integrado no Corpo Expedicionário Português a 20 de Janeiro de 1917. Em França, durante a sua permanência na guerra, foi louvado pelo Comandante do Grupo a 30 de Julho de 1918 “pelo zelo e competência que mostrou no desempenho dos serviços a seu cargo, como adjunto do comando deste grupo e designadamente pela boa vontade com que ontem desempenhou os serviços de que foi incumbido na marcha desta unidade da zona da retaguarda para a zona da frente…”.
Seguiu para Portugal em 29 de Agosto de 1918, no gozo de 53 dias de licença de campanha, incluindo 8 dias para a viagem. Recebeu novamente um Louvor em Janeiro de 1919 porque “sendo o oficial de serviço no dia 9 de Abril de 1918, providenciou de harmonia com as ordens do comando e na ausência do oficial técnico do Grupo, no sentido de se fazer a evacuação das oficinas, conseguindo em poucas horas disponíveis, fazer evacuar uma grande parte do material automóvel que existia nas mesmas oficinas. E ainda pela maneira como desempenhou nos dias imediatos, durante a retirada, dos vários serviços de que foi incumbido, não obstante as dificuldades do momento, contribuindo para a boa execução das ordens que no Grupo foram dadas e por forma que este bem desempenhou o seu serviço, com os poucos recursos de que dispunha, evidenciando coragem, decisão, energia, interesse pelo serviço e uma boa compreensão do eu dever militar”.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) em data que se desconhece, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 8 de Julho de 1919.
Viria a falecer em 12 de Abril de 1982 no concelho de Penafiel.


3 - Manuel Duque, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão).
Nasceu às oito horas da manhã do dia 10 de Março de 1893, em lugar que não se menciona no seu assento de batismo, na freguesia de São Tomé de Cousso, filho de pai incógnito e de Joaquina Duque.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Ermelinda Esteves, natural desta freguesia, desde 13 de Junho de 1912 e era morador na freguesia de Cousso, deste concelho de Melgaço.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Já no cenário de guerra em França, foi colocado na Companhia de Serviços Auxiliares em 1 de Agosto de 1917. Punido em 2 de Dezembro do mesmo ano pelo “diretor de serviço com 3 dias de detenção por se apresentar no serviço que estava incumbido uma mais tarde”. Baixa à ambulância em 19 de Março de 1919. Evacuado para o hospital em 20 do mesmo mês, tendo alta no dia 23 tendo regressado à unidade. Sobreviveu à guerra e embarcou no Porto de Cherbourg (França) em data que se desconhece, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 9 de Junho de 1919.
Viria a falecer na freguesia de Cousso, deste concelho de Melgaço, no dia 17 de Fevereiro de 1971.