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sábado, 23 de novembro de 2019

A disciplina militar sobre os soldados melgacenses na Primeira Grande Guerra em França





A Primeira Grande Guerra (1914-1918) mobilizou mais de 50 mil soldados portuguesas para a frente europeia. Melgaço contribuiu com mais de 70 filhos da terra que combateram na Flandres (França).
Como sabemos, a participação portuguesa foi dramática, fruto de uma rápida mas muito deficiente preparação dos soldados e a instável situação política em Portugal na época. A moral das tropas foi-se degradando com o passar do tempo e episódios de indisciplina e insubordinação por parte dos soldados foram-se tornado cada vez mais uma constante. Em relação aos soldados melgacenses, os registos contam-nos que alguns deles protagonizaram episódios de insubordinação, outros simplesmente envolveram-se em episódios algo caricatos próprios de homens que não compreendiam a disciplina militar, especialmente em tempo de guerra.
Um dos soldados melgacenses mais vezes punidos durante a sua permanência na frente de guerra foi Alfredo Soares, natural do lugar da Costa, na freguesia de S. Paio. Já em França, no cenário de guerra, foi punido em 12 de Agosto de 1917 pelo “Senhor Comandante da Companhia com 8 dias de detenção por ter saído da forma sem autorização quando a companhia se dirigia para o local de instrução de noite e ter recolhido o quartel da sua companhia”. Dois dias depois, ou seja a 14 de Agosto de 1917, foi novamente punido “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção por ser encontrado no centro de instrução e durante o intervalo apoderar-se de alguma fruta de uma nogueira pertencente a uma propriedade que começa no mesmo campo”. Foi punido ainda em 19 de Junho de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de prisão disciplinar por ter faltado a uma formatura e responder menos conveniente ao Senhor Comandante da Comandante quando este o mandou calar por pretender tomar posse de uma barraca que lhe não pertencia…”. Foi punido novamente em 23 de Setembro de 1918 “pelo Senhor Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por faltar à revista que teria lugar em 22 (dia anterior), sem motivo justificado…”. Alguns dias depois, em 28 de Setembro do mesmo ano, voltaria a ser novamente punido pelo “Senhor Comandante do batalhão com 10 dias de detenção por faltar aos trabalhos de fortificação e instrução de 26”. Alfredo Soares sobreviveu à guerra.
Um outro soldado melgacense bastante castigado pela disciplina militar durante o tempo de guerra foi Joaquim de Egas Afonso, natural da freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta). Durante a sua permanência na frente de guerra na Flandres, recebeu várias punições por comportamento julgado não adequado em contexto militar em tempo de guerra. Assim, foi punido em 12 de Setembro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção, atendendo ao seu comportamento anterior por haver faltado à instrução que no dia 11 teve lugar das 13 às 17 horas…”. Novamente, em 2 de Outubro de 1917, foi punido “ pelo Comandante da Companhia com cinco dias de detenção por se ter ausentado ontem da área da companhia sem autorização”. Ainda em Outubro de 1917, mais precisamente no dia 19, foi de novo punido “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional por não ter ido ao trabalho em “Krigs Cross” na manhã de 16 (dia) por declarar estar doente, doença que não foi confirmada em revista de saúde a que foi presente…”. Contudo, os episódios de indisciplina não se ficam por aqui, recebendo novamente punição em 18 de Fevereiro de 1918 “pelo Sr. Comandante da 4ª Companhia com 2 guardas por não tratar do arrumo da sua companhia como lhe foi determinado pelo Cabo Chefe do Grupo do seu alojamento…”.
Um outro soldado melgacense que várias vezes esteve sob a alçada disciplinar foi Dinis da Silva, natural do lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, O seu percurso durante a guerra é abundante em atos de indisciplina, frequente entre os soldados portugueses nesta guerra e respetivas punições. Foi punido em 19 de Julho de 1917 “pelo Exmo. Comandante do Batalhão com 1 (um) dia de Prisão Disciplinar por ter faltado a uma formatura…”. Foi igualmente punido em 12 de Agosto “pelo Comandante da Companhia com 8 dias de atenção por ter saído da forma sem autorização quando a companhia se dirigia para local de instrução de noite e ter recolhido ao quartel da sua companhia…”. Uma terceira punição foi-lhe aplicada em 26 de Outubro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 8 (oito) dias de detenção por ter sido incorreto na maneira como se dirigiu ao 1º sargento da companhia quando este o advertia por uma falta…”. Foi-lhe aplicada uma outra punição em 15 de Março de 1918 “pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção porque, tendo-se ausentado ontem do alojamento da companhia, faltou à formatura que às 18 horas teve lugar afim desta companhia de entrar como reforço do sub-setor…”. Foi ainda punido em 29 de Agosto de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por ter faltado aos trabalhos deste dia sem motivo justificado”. Por motivo que não aparece descortinado no seu Boletim Individual, o soldado Dinis da Silva, em 5 de Junho de 1919, seguiu da Prisão da sua Base para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) afim de ali aguardar julgamento. Sobreviveu à guerra.
É frequente entre os soldados os episódios de desobediência aos seus superiores. Um desses casos é o do soldado António dos Reis, natural da Rua Direita, freguesia de Santa Maria da Porta (atualmente designada por freguesia da vila). Foi punido em 19 de Agosto do mesmo ano pelo Comandante da Companhia com 8 dias de detenção “porque tendo em 18 do corrente respondido à chamada para a formatura da instrução de noite, se ausentou dela sem autorização recolhendo ao seu alojamento…”. Ainda nesse ano de 1917, voltou a infringir as regras do Regulamento Disciplinar e recebeu nova punição em 19 de Dezembro por parte do Comandante da Companhia. Desta vez, foi punido com 10 dias de detenção por “ter saído da 1ª linha de trincheiras, onde prestava serviço, sem autorização e ainda porque sendo interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome ao Comandante exposto o que se averiguou ser falso…”. António dos Reis sobreviveu à guerra.
Alberto Esteves, natural do lugar do Pomar, freguesia de Penso também sofreu a disciplina militar por desobediência. Em 27 de Outubro de 1917, foi punido pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção por “ter sido nomeado para servir nas trincheiras e não se ter apresentado prontamente para esse serviço tendo sido necessário a intervenção do comandante da companhia para que desse cumprimento à ordem que nesse sentido tinha recebido…”. Sobreviveu à guerra.
A faltas de respeito aos superiores eram também mencionados nos registos individuais de alguns soldados de Melgaço. É o caso do soldado Inocêncio Augusto Carpinteiro, natural do lugar dos Barreiros, na freguesia de S. Paio. Durante a sua permanência na frente de combate, foi punido em 17 de Outubro de 1917 “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional porque aquando da sua nomeação para serviço nas trincheiras, apresentou a sua reclamação como modos pouco respeitosos”. Voltou a ser punido em 19 de Dezembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detenção por ter vindo da 1ª linha de trincheiras onde prestava serviço sem autorização e ainda porque sendo por ele interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome do Comandante do posto o que se averiguou não ser verdade…”. Sobreviveu à guerra.
Um outro exemplo é o do soldado Hipólito Lourenço, natural do lugar da Picota, freguesia de Santa Marinha de Rouças. Já no cenário de guerra, sabe-se que foi punido em 9 de Setembro de 1917 “com 2 dias de detenção por ser pouco cuidadoso com a limpeza do armamento que lhe está distribuído”. Viria a ser novamente punido em 16 de Janeiro de 1918 “pelo Exmo. General Comandante do C.E.P. com 20 dias de prisão correcional por na noite de 7 para 8 de Dezembro, estando de sentinela num posto de 1ª linha, foi encontrado pelo sargento de ronda sentado na banqueta e não ter tomado uma atitude correta quando aquele seu superior o advertia infringindo assim os deveres…”. Sobreviveu à guerra.
Não termino este artigo sem uma ressalva. Não se pretende fazer qualquer julgamento de caráter destes homens. Estes comportamentos são sobretudo fruto de uma rápida mas deficiente preparação dos soldados, não só taticamente mas também mentalmente. A dureza da guerra, a falta de compreensão da mesma e a postura vergonhosa do governo português em relação a estes soldados nalguns momentos tornam atos como os descritos compreensíveis, ou pelo menos que nos abstenhamos de os julgar.

sábado, 11 de agosto de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários das freguesias de Fiães, Paços, Cubalhão e Gave



Foi há pouco mais de 100 anos que os primeiros soldados do contingente que Portugal enviou para combater em França na I Guerra Mundial chegaram à Flandres.
Com base nos dados de que disponho, de Melgaço, partiram para a Flandres, 73 homens, oriundos das diversas freguesias. Estes homens foram autenticamente “roubados” às suas vidas e obrigados a ir para uma guerra para a qual não estavam preparados. Paderne, com 14 homens, Penso, com 12 homens e Vila, com 14 homens são as freguesias melgacenses que mais contribuíram em termos de número de efetivos. Porém, hoje homenageamos os soldados naturais de Fiães, Paços, Cubalhão e Gave. De cada uma destas freguesias, partiu um soldado para esta guerra horrenda. Eles foram João José Pires (lugar de Outeiro, Paços), Justino Pereira (lugar de Cima, Cubalhão), José Fernandes (lugar de Pousafoles, Fiães) e Abílio Alves de Araújo (lugar de Sobreira, Gave).


CUBALHÃO


1 - Justino Pereira, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão).
Nasceu às seis horas da manhã do dia 17 de Junho de 1895, no lugar de Cima, da freguesia de Cubalhão, filho de António Pereira e Maria Esteves.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Cima da freguesia de Cubalhão, neste concelho de Melgaço.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho, portador da chapa de identificação nº 49 544.
Esteve envolvido na Batalha de La Lys, integrado na 4ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português em 9 de Abril de 1918. Nesse dia, foi dado como desaparecido em combate nessa mesma batalha. Contudo, posteriormente, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, soube-se que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Merseburg (Alemanha), que se localiza a cerca de 150 Kms a noroeste da cidade de Dresden, onde ainda se encontrava em 20 de Novembro de 1918. Depois de finalizar o conflito em Novembro de 1918, foi libertado e embarcou em porto desconhecido no dia 28 de Dezembro de 1918, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 3 de Janeiro de 1919.
Após regressar da guerra, viria a casar com Maria Alves, natural da freguesia de Cristoval, concelho de Melgaço, no dia 14 de Abril de 1919.
Viria a falecer às 12 horas do dia 12 de Março de 1959, na freguesia de Cristoval, neste concelho de Melgaço.


FIÂES


1 – José Fernandes, 2º Sargento do Regimento de Cavalaria 11, 1º Esquadrão.
Nasceu às três horas da tarde do dia 9 de Maio de 1894, filho de Manuel José Fernandes e Maria do Carmo Domingues, natural do lugar de Pousafoles, freguesia de Santa Maria de Fiães, concelho de Melgaço.
À época de partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar de Pousafoles, da freguesia melgacense de Fiães.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França em 20 de Janeiro de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português.
Não conhecemos muito do percurso deste soldado durante a guerra. Já no cenário de guerra em França, em 8 de Julho de 1917, integrou uma diligência à 2ª Secção do Trem Divisionário, onde ainda se encontrava adido no dia 29 de Novembro desse mesmo ano. Em 8 de Dezembro de 1917, por ordem do comando da 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português, foi apresentar-se na sua unidade que à data era o 1º Grupo de Metralhadoras.
Sabemos que passou ao Depósito de Pessoal de Metralhadores Pesadas em 4 de Maio de Maio de 1918 “por ter sido suprimido o 1º Grupo de Metralhadoras”, unidade em que estava integrado à data.
Em 20 de Junho de 1918, baixa ao hospital, tendo tido alta no dia 30 do mesmo mês. No dia seguinte, a 1 de Julho, seguiu para o 3º grupo de Metralhadoras, unidade em que permaneceu até ao dia 10 de Setembro. Nesse dia, foi transferido para o Depósito de Infantaria.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) com destino a Portugal e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 10 de Setembro de 1918.
Após regressar da guerra, viria a casar em Lisboa com Maria da Soledade no dia 7 de Julho de 1935.
Viria a falecer no dia 20 de Fevereiro de 1975, na freguesia da Lapa, cidade e concelho de Lisboa.


PAÇOS


1 - João José Pires, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão).
Nasceu às duas horas da tarde do dia 28 de Abril de 1895 no lugar do Outeiro, na freguesia de Santa Maria de Paços, filho de José Joaquim Pires e de Alexandrina Pires.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar do Outeiro, na freguesia de Paços.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França, integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho.
Dispomos de poucas informações quanto ao percurso militar deste soldado durante o conflito. Já no cenário de guerra, na Flandres (França), sabemos que baixou ao Hospital de Sangue nº 1 em 17 de Agosto de 1917.
Combateu na Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918. Foi dado inicialmente como desaparecido durante as hostilidades, tendo sido, mais tarde, dado como morto em combate na referida batalha no dia antes citado.
Encontra-se sepultado no Cemitério de Richebourg l`Avoué (França), Talhão C, Fila 10, Coval 5.


CUBALHÃO


1 - Justino Pereira, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão).
Nasceu às seis horas da manhã do dia 17 de Junho de 1895, no lugar de Cima, da freguesia de Cubalhão, filho de António Pereira e Maria Esteves.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Cima da freguesia de Cubalhão, neste concelho de Melgaço.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho, portador da chapa de identificação nº 49 544.
Esteve envolvido na Batalha de La Lys, integrado na 4ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português em 9 de Abril de 1918. Nesse dia, foi dado como desaparecido em combate nessa mesma batalha. Contudo, posteriormente, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, soube-se que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Merseburg (Alemanha), que se localiza a cerca de 150 Kms a noroeste da cidade de Dresden, onde ainda se encontrava em 20 de Novembro de 1918. Depois de finalizar o conflito em Novembro de 1918, foi libertado e embarcou em porto desconhecido no dia 28 de Dezembro de 1918, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 3 de Janeiro de 1919.
Após regressar da guerra, viria a casar com Maria Alves, natural da freguesia de Cristoval, concelho de Melgaço, no dia 14 de Abril de 1919.
Viria a falecer às 12 horas do dia 12 de Março de 1959, na freguesia de Cristoval, neste concelho de Melgaço.


GAVE


1 - Abílio Alves de Araújo, 1º Cabo  do Regimento de Infantaria nº 29, 4ª Brigada de Infantaria (Brigada do Minho), 2ª Divisão do CEP.
Nasceu às dez horas do dia 12 de Julho de 1897 no lugar de Sobreira, freguesia da Gave, filho de João Manuel de Araújo e Maria Joaquina Alves. À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Oliveira, no concelho de Arcos de Valdevez.
Embarcou para França em 22 Abril de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 46 998, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho.
Combateu na batalha de La Lys no dia 9 de Abril de 1918, onde é dado como desaparecido em combate. Posteriormente, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, verificou-se que constava entre aqueles que tinham sido feitos prisioneiros pelos alemães. Dali foi levado para o Campo de Prisioneiros de Friedrichsfeld (Alemanha).
Depois do fim da guerra, o soldado Abílio de Araújo foi libertado e embarcou no navio inglês "Northwestern Miller", na Holanda, em 31 de Janeiro de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, de 4 de Fevereiro de 1919.
Após regressar da guerra, viria a casar com Amélia da Conceição Guerra em Ponte de Lima no dia 18 de Fevereiro de 1920.
Viria a falecer em Arcos de Valdevez (Salvador) no dia 12 de Abril de 1989.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Rouças



Há cerca de um século atrás, dezenas de milhares de soldados portugueses partem para França e para África para participarem no mais horrendo conflito armado que a Humanidade tinha conhecido até aí. O "contingente melgacense" era formado por mais de 70 soldados, dos quais 6 eram naturais da freguesia de Santa Marinha de Rouças. A estes, hoje prestamos-lhe a merecida homenagem. Eles foram:

1 - Manuel Cardoso, Alferes do Q. A. A. - Arsenal do Exército e Parque Automóvel. Nasceu às quatro horas da tarde do dia 14 de Maio de 1884 na freguesia de Santa Marinha de Rouças em lugar que não consta no respetivo assento de batismo, filho de Joaquim da Costa Cardoso e de Emília de Jesus Cardoso, moradores na referida freguesia de Rouças do concelho de Melgaço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Maria Luíza Esteves Cardoso, natural do concelho de Matosinhos, e era morador em Paço d’Arcos, no concelho de Oeiras.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 5 de Junho de 1918 a bordo do navio Pedro Nunes e desembarcou no Porto de Brest (França) em 10 de Junho desse mesmo ano, ficando de quarentena na ilha de Treberou, seguindo depois em caminho de ferro para Bologne em 23 de Junho.
Sabemos que se encontrava presente no Parque Automóvel no dia 30 de Junho de 1918. Baixa ao hospital em 23 de Outubro desse mesmo ano, tendo alta no dia 28 seguinte.
Já depois do fim da guerra, foi colocado no Depósito de Material da Base 2 (Secção de Material Automóvel) como adjunto em 15 de Março de 1919.
Viria a sobreviver à guerra, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) com destino a Portugal a bordo do navio inglês “Northwestern Miller” em 5 de Julho de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara em 8 de mesmo mês e ano.

2 - José Rodrigues, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às 8 horas da tarde do dia 1 de Abril de 1892, na Quinta de Cavaleiros, freguesia de Santa Marinha de Rouças deste concelho de Melgaço, filho de António Rodrigues e de Anna Domingues.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se viúvo e era morador na referida freguesia de Rouças.
Embarcou para França no Cais de Alcântara, em Lisboa, integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Muito pouco se sabe sobre o percurso deste soldado no conflito armado. Apenas se sabe que embarcou em França com destino a Portugal no dia 19 de Dezembro de 1917 para gozo de 20 dias de licença de campanha e terá desembarcado em Lisboa em Lisboa em 22 de Dezembro do mesmo ano. Aparentemente, por razões que se desconhecem, não voltou a França. Não constam mais anotações no seu Boletim Individual.

3 - Hipólito Lourenço - Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às três horas da tarde do dia 20 de Abril de 1892, no lugar da Picota, freguesia de Santa Marinha de Rouças deste concelho de Melgaço, filho de pai incógnito e de Maria da Nazaré Lourenço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar da Picota, da freguesia de Rouças.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Já no cenário de guerra, sabe-se que foi punido em 9 de Setembro de 1917 “com 2 dias de detenção por ser pouco cuidadoso com a limpeza do armamento que lhe está distribuído”. Viria a ser novamente punido em 16 de Janeiro de 1918 “pelo Exmo. General Comandante do C.E.P. com 20 dias de prisão correcional por na noite de 7 para 8 de Dezembro, estando de sentinela num posto de 1ª linha, foi encontrado pelo sargento de ronda sentado na banqueta e não ter tomado uma atitude correta quando aquele seu superior o advertia infringindo assim os deveres…”.
Sabe-se também que em 14 de Fevereiro de 1918, baixou à Ambulância nº 1, tendo sido evacuado para o hospital no mesmo dia, não se encontrando registada a data em que teve alta.
Viria a ser aumentado ao efetivo do Batalhão de Infantaria nº 22 e à 3ª Companhia com o número 775 em 30 de Outubro de 1918.
Sobreviveu à guerra e seria repatriado juntamente com o Primeiro Batalhão, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) em 25 de Maio de 1919, e viria a desembarcar em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 28 de Maio seguinte.
Depois de regressar da guerra, casou com Deolinda do Espírito Santo da Cunha em 18 de Dezembro de 1920. A sua esposa viria a falecer na freguesia de Rouças em 28 de Setembro de 1941. Contudo, Hipólito Lourenço viria a casar em segundas núpcias com Laurinda Fernandes, do lugar de Eiró, em 2 de Março de 1968.
Viria a falecer no dia 17 de Outubro de 1972, na freguesia de Rouças, neste concelho de Melgaço.

4 - Manuel José Lourenço, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às doze horas da noite do dia 10 de Janeiro de 1895 no lugar de Perzes, freguesia de Santa Marinha de Rouças deste concelho de Melgaço, filho de José Manuel Lourenço e de Joaquina Roza Eanes.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na referida freguesia de Rouças.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
São muito escassos os dados sobre o percurso deste soldado durante a guerra. Apenas encontramos registado que baixou à Ambulância nº 5 em 11 de Março de 1918 e foi evacuado para o Hospital de Sangue nº 1no dia 13 do mesmo mês.
Viria a sobreviver a este conflito armado, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) com destino a Portugal em 16 de Abril de 1919 e viria a desembarcar em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Abril de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Roza Fernandes, natural da freguesia de Rouças, em 27 de Agosto de 1922.
Viria a faleceu às 8 horas da manhã do dia 25 de Setembro de 1967, na freguesia de Rouças, concelho de Melgaço.

5 - António Pires, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às duas horas da manhã do dia 8 de Julho de 1894, filho de pai incógnito e Dolores Pires, natural do lugar do Paço, Rouças, deste concelho de Melgaço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar do Paço, na freguesia de Rouças.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, em 22 de Abril de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português, tendo pertencido à famosa Brigada do Minho, sendo portador da chapa de identificação nº 49 837. Desembarcou no Porto de Brest (França), juntamente com a sua unidade.
Já no cenário de guerra, em França, sabe-se que foi punido em 16 de Setembro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção por não apresentar a bolacha de ração de reserva que lhe havia sido distribuída com a recomendação expressa de não a comer sem autorização, recomendação esta que foi feita por um oficial antes de marchar para as trincheiras da 2ª Brigada de Infantaria e na ocasião da distribuição”.
Foi dado como desaparecido em combate durante a Batalha de La Lys 9 de Abril de 1918. Contudo, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, chegou a informação que, na realidade, tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante as hostilidades e levado para o Campo de Prisioneiros de Friedrichsfeld, na Alemanha, tendo sido libertado após o fim do conflito em Novembro de 1918.
O soldado António Pires encontrava-se presente no Porto de Embarque em 20 de Dezembro de 1918, a aguardar o repatriamento para Portugal. Viria a embarcar na Holanda, em porto que se desconhece, com destino a Portugal, no navio inglês "Northwestern Miller" em 12 de Janeiro de 1919, tendo chegado a território nacional e desembarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 18 de Janeiro de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Delfina Alves em 17 de Abril de 1930.
Faleceu na freguesia de Rouças, neste concelho de Melgaço, no dia 31 de Outubro de 1967.

6Emílio Augusto Veloso, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 24 de Junho de 1894, filho de pai incógnito e Maria Veloso, natural do lugar do Cabreiros, freguesia de Rouças, deste concelho de Melgaço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar do Cabreiros, na dita freguesia de Rouças.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, em 15 de Abril de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português, tendo pertencido à famosa Brigada do Minho, sendo portador da chapa de identificação nº 49 670. Desembarcou no Porto de Brest (França), juntamente com a sua unidade.
Quase nada se conhece acerca do seu percurso durante a guerra. Apenas se sabe que já perto do fim da guerra, foi “aumentado ao efetivo do Batalhão de Infantaria nº 22 e à Formação com o nº 160 em 30 de Outubro de 1918”.
Sobreviveu à guerra. Viria a ser repatriado, juntamente com o Primeiro Batalhão de Infantaria, e embarca no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, em 25 de Maio de 1919, tendo chegado a território nacional e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 28 de Maio do mesmo ano.
Após voltar da guerra, viria a casar com Cândida Augusta Afonso em 6 de Fevereiro de 1929.
Faleceu na freguesia de São Vítor, no concelho de Braga, no dia 18 de Março de 1969.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Prado


Prado (Melgaço)
(Foto em http://coxo-melgaco.blogspot.co)

Há cerca de cem anos, mais de sete dezenas de jovens melgacenses partiram para as trincheiras de França integrados no Corpo Expedicionário Português para aquele que foi o mais horrendo conflito militar da História que a humanidade tinha conhecido. Hoje, prestamos homenagem aos soldados do C.E.P. nascidos na freguesia de Prado, deste concelho de Melgaço:

1 - Tito Arsénio Alves Gonçalves, segundo-sargento do 2.º Esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 11, Coluna Automóvel para Transporte de Feridos. Nasceu às sete horas da tarde do dia 5 de Junho de 1895 no lugar da Bouça Nova, na freguesia de São Lourenço de Prado, filho de Manuel Luís Gonçalves e de Albina Rosa Alves.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e morador no lugar da Bouça Nova, freguesia de Prado, deste concelho de Melgaço. Embarcou em Lisboa com destino a França, integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Fevereiro de 1917.
Já no cenário de guerra, em França, sabemos que se encontrava em diligência na 1ª Divisão desde 6 de Junho de 1917, da qual recolheu em 17 de Agosto desse mesmo ano. Por essa altura, foi louvado “pelo zelo, atividade e competência desenvolvida no desempenho de todos os serviços de que foi encarregado e principalmente no cargo de vagmestre em que mostrou espírito de previdência e honestidade” (Ordem de Serviço da Coluna Automóvel de Transporte de Feridos nº 178 de 26 de Agosto). A partir de 4 de Setembro de 1917, encontrava-se de novo em diligência na 1º Divisão do Corpo Expedicionário Português.
A 24 de Outubro desse mesmo ano, baixa ao Hospital, tendo sido “julgado incapaz de todo o serviço e de angariar os meios de subsistência em sessão” de Junta Médica de 29 do mesmo mês e ano. Recebeu alta hospitalar no dia 30 de Outubro, seguindo para o Depósito de Adidos do Corpo Expedicionário. Posteriormente, seguiu para o Depósito de Adidos da Base em 9 de Novembro.
Contudo, em 27 de Novembro de 1917, baixa de novo ao Hospital Canadiano nº 3, tendo falecido em 5 de Dezembro, vítima de “tuberculose pulmonar”, tendo sido sepultado no cemitério de Boulogne, coval nº 8. Posteriormente, depois da guerra, os seus restos mortais foram trasladados para o Talhão A, Fila 3, Coval 4 do dito Cemitério de Boulogne-sur-Mer (França).

2 – Manuel Joaquim Gomes, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às duas horas da manhã do dia 28 de Agosto de 1894 no lugar de Paredes, na freguesia de São Lourenço de Prado, filho de Manuel Joaquim Gomes e de Justina das Dores Gomes.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Paredes, na freguesia de São Lourenço de Prado, neste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 7 de Agosto de 1917, portador da chapa de identificação nº 49 064, tendo desembarcado no Porto de Brest (França) em 11 do mesmo mês e ano.
Não há registos no seu Boletim Individual até Fevereiro de 1918. Já no cenário de guerra, em França, baixa ao Hospital Inglês nº 30 em 5 de Fevereiro desse ano, tendo tido alta em 15 de Março seguinte.
Em 22 de Julho de 1918, entra em gozo de 30 dias de licença para convalescer, por decisão de Junta Médica (Ordem de Serviço do Quartel General do Corpo Expedicionário nº 200 de 22 de Julho de 1918).
Viria a baixar ao hospital em 18 de Agosto de 1918, desta vez ao Hospital da Base 1, tendo tido alta em 16 de Setembro para o Depósito de Infantaria. Em 18 de Setembro seguinte, apresentou-se no Esquadrão de Remonta vindo do Depósito de Infantaria, afim de ficar adido ao dito esquadrão.
Foi punido em 3 de Novembro de 1918 pelo “Senhor Diretor do Hospital da Base 1 com oito dias de prisão disciplinar por ter sido encontrado embriagado”.
Encontrava-se presente no Comando Militar do Corpo de Adidos em 7 de Maio de 1919, vindo do Hospital da Base 1 “por ter sido dispensado do serviço e fica aguardando oportunidade de ser repatriado. Seguiu para as prisões do Comando Militar do Corpo de Adidos no dia 8 com passagem”. Nesse mesmo dia, já se encontrava presente nas Prisões da Base afim de fazer parte do quadro permanente das mesmas.
Será repatriado juntamente com o Corpo de Adidos e embarca no dia 5 de Julho de 1919 no Porto de Embarque de Cherbourg (França) e viria a desembarcar em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 8 de Julho desse mesmo ano.
Após voltar da guerra, viria a casar com Maria do Céu Barreiro em 9 de Setembro de 1926. Manuel Joaquim Gomes faleceu em 23 de Abril de 1934, no lugar de Cerdedo, nesta freguesia de São Lourenço de Prado, deste concelho de Melgaço.

3Lopo Passos de Almeida, soldado condutor no Sub-Parque de Munições, depois no Depósito de Artilharia de Campanha . Nasceu às três horas da tarde do dia 9 de Fevereiro de 1892 no lugar de Raposos, na freguesia de São Lourenço de Prado, filho de Augusto Passos de Almeida e de Filomena Fortunata Abreu Cunha Araújo.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Raposos, na freguesia de São Lourenço de Prado, neste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 25 de Julho de 1917, portador da chapa de identificação nº 70 886, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Já no cenário de guerra, ficou afeto para os serviços auxiliares do Exército, por decisão de 20 de Dezembro de 1917. Alguns dias depois, em 23 de Dezembro, foi colocado como condutor no Comboio Automóvel.
Durante a guerra o soldado Lopo de Almeida, devido a alguns comportamentos julgados inadequados, foi punido em várias situações. Assim, foi sujeito a punição em 10 de Janeiro de 1918 “pelo Senhor Comandante da unidade com 8 dias de detenção por faltar à instrução”. Em 15 de Janeiro de 1918, foi novamente punido pelo “Comandante da Secção com 4 dias de detenção por se apresentar à parada da guarda em péssimo estado de asseio”. Foi ainda punido em 30 desse mesmo mês de Janeiro “pelo Senhor Comandante da Secção com 5 dias detenção por levar no carro que lhe está distribuído um camarada seu”. Todavia, foi novamente punido em 1 de Abril de 1918 “pelo Senhor Comandante do Serviço de Transporte Automóvel com 5 dias de detenção por sair como carro sem levar o respetivo vigia”.
Embarcou em 27 de Maio de 1918 com destino a Portugal “para repouso por mais de 30 dias”. Não há registo da data em que volta para França. Contudo, sabemos que em 9 de Setembro de 1918 embarcou de novo para Portugal a bordo do navio inglês “Czarita”. Não há registo do regresso a França no seu Boletim Individual.
Em 24 de Outubro de 1918 foi abatido ao efetivo do Serviço de Transporte Automóvel e passa a integrar o Depósito de Artilharia de Campanha, “em virtude da autorização concedida pela nota nº 1650/11 de 18 de Outubro da Repartição dos Serviços do Quartel General do Corpo Expedicionário por ter seguido para Portugal em 27 de Maio de 1918”. É aumentado ao efetivo do Depósito de Artilharia de Campanha, em 26 de Outubro, à 1ª Secção com o número 330, sendo que nesta data ainda se encontrava ausente em Portugal “desde 23 de Outubro”, dia em que abandona definitivamente o cenário de guerra. Em 31 de Janeiro de 1919, ainda se encontrava ausente em Portugal e é abatido ao efetivo do Depósito de Artilharia de Campanha “por excesso de licença”.
Conforme se refere atrás, o soldado Lopo de Almeida não regressou a França ao cenário de guerra.

4Américo de Almeida, soldado do Regimento de Cavalaria nº 11, unidade mais tarde transformada em Companhia de Ciclistas. Nasceu às dez horas da manhã do dia 26 de Fevereiro de 1894 no lugar de Raposos, na freguesia de São Lourenço de Prado, filho de Júlio Augusto Passos de Almeida e de Filomena Fortunata Abreu Cunha Araújo.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Raposos, na freguesia de São Lourenço de Prado, neste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português em data a 26 de Maio de 1917, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Não se conhecem informações acerca do percurso do soldado Américo de Almeida pelo facto de o seu Boletim Individual não se encontrar disponível para consulta.
Sabemos contudo que o soldado Américo de Almeida regressou vivo da guerra à sua terra, tendo falecido nesta freguesia de São Lourenço de Prado, concelho de Melgaço, em 30 de Agosto de 1938.