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sábado, 23 de novembro de 2019

A disciplina militar sobre os soldados melgacenses na Primeira Grande Guerra em França





A Primeira Grande Guerra (1914-1918) mobilizou mais de 50 mil soldados portuguesas para a frente europeia. Melgaço contribuiu com mais de 70 filhos da terra que combateram na Flandres (França).
Como sabemos, a participação portuguesa foi dramática, fruto de uma rápida mas muito deficiente preparação dos soldados e a instável situação política em Portugal na época. A moral das tropas foi-se degradando com o passar do tempo e episódios de indisciplina e insubordinação por parte dos soldados foram-se tornado cada vez mais uma constante. Em relação aos soldados melgacenses, os registos contam-nos que alguns deles protagonizaram episódios de insubordinação, outros simplesmente envolveram-se em episódios algo caricatos próprios de homens que não compreendiam a disciplina militar, especialmente em tempo de guerra.
Um dos soldados melgacenses mais vezes punidos durante a sua permanência na frente de guerra foi Alfredo Soares, natural do lugar da Costa, na freguesia de S. Paio. Já em França, no cenário de guerra, foi punido em 12 de Agosto de 1917 pelo “Senhor Comandante da Companhia com 8 dias de detenção por ter saído da forma sem autorização quando a companhia se dirigia para o local de instrução de noite e ter recolhido o quartel da sua companhia”. Dois dias depois, ou seja a 14 de Agosto de 1917, foi novamente punido “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção por ser encontrado no centro de instrução e durante o intervalo apoderar-se de alguma fruta de uma nogueira pertencente a uma propriedade que começa no mesmo campo”. Foi punido ainda em 19 de Junho de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de prisão disciplinar por ter faltado a uma formatura e responder menos conveniente ao Senhor Comandante da Comandante quando este o mandou calar por pretender tomar posse de uma barraca que lhe não pertencia…”. Foi punido novamente em 23 de Setembro de 1918 “pelo Senhor Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por faltar à revista que teria lugar em 22 (dia anterior), sem motivo justificado…”. Alguns dias depois, em 28 de Setembro do mesmo ano, voltaria a ser novamente punido pelo “Senhor Comandante do batalhão com 10 dias de detenção por faltar aos trabalhos de fortificação e instrução de 26”. Alfredo Soares sobreviveu à guerra.
Um outro soldado melgacense bastante castigado pela disciplina militar durante o tempo de guerra foi Joaquim de Egas Afonso, natural da freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta). Durante a sua permanência na frente de guerra na Flandres, recebeu várias punições por comportamento julgado não adequado em contexto militar em tempo de guerra. Assim, foi punido em 12 de Setembro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção, atendendo ao seu comportamento anterior por haver faltado à instrução que no dia 11 teve lugar das 13 às 17 horas…”. Novamente, em 2 de Outubro de 1917, foi punido “ pelo Comandante da Companhia com cinco dias de detenção por se ter ausentado ontem da área da companhia sem autorização”. Ainda em Outubro de 1917, mais precisamente no dia 19, foi de novo punido “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional por não ter ido ao trabalho em “Krigs Cross” na manhã de 16 (dia) por declarar estar doente, doença que não foi confirmada em revista de saúde a que foi presente…”. Contudo, os episódios de indisciplina não se ficam por aqui, recebendo novamente punição em 18 de Fevereiro de 1918 “pelo Sr. Comandante da 4ª Companhia com 2 guardas por não tratar do arrumo da sua companhia como lhe foi determinado pelo Cabo Chefe do Grupo do seu alojamento…”.
Um outro soldado melgacense que várias vezes esteve sob a alçada disciplinar foi Dinis da Silva, natural do lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, O seu percurso durante a guerra é abundante em atos de indisciplina, frequente entre os soldados portugueses nesta guerra e respetivas punições. Foi punido em 19 de Julho de 1917 “pelo Exmo. Comandante do Batalhão com 1 (um) dia de Prisão Disciplinar por ter faltado a uma formatura…”. Foi igualmente punido em 12 de Agosto “pelo Comandante da Companhia com 8 dias de atenção por ter saído da forma sem autorização quando a companhia se dirigia para local de instrução de noite e ter recolhido ao quartel da sua companhia…”. Uma terceira punição foi-lhe aplicada em 26 de Outubro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 8 (oito) dias de detenção por ter sido incorreto na maneira como se dirigiu ao 1º sargento da companhia quando este o advertia por uma falta…”. Foi-lhe aplicada uma outra punição em 15 de Março de 1918 “pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção porque, tendo-se ausentado ontem do alojamento da companhia, faltou à formatura que às 18 horas teve lugar afim desta companhia de entrar como reforço do sub-setor…”. Foi ainda punido em 29 de Agosto de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por ter faltado aos trabalhos deste dia sem motivo justificado”. Por motivo que não aparece descortinado no seu Boletim Individual, o soldado Dinis da Silva, em 5 de Junho de 1919, seguiu da Prisão da sua Base para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) afim de ali aguardar julgamento. Sobreviveu à guerra.
É frequente entre os soldados os episódios de desobediência aos seus superiores. Um desses casos é o do soldado António dos Reis, natural da Rua Direita, freguesia de Santa Maria da Porta (atualmente designada por freguesia da vila). Foi punido em 19 de Agosto do mesmo ano pelo Comandante da Companhia com 8 dias de detenção “porque tendo em 18 do corrente respondido à chamada para a formatura da instrução de noite, se ausentou dela sem autorização recolhendo ao seu alojamento…”. Ainda nesse ano de 1917, voltou a infringir as regras do Regulamento Disciplinar e recebeu nova punição em 19 de Dezembro por parte do Comandante da Companhia. Desta vez, foi punido com 10 dias de detenção por “ter saído da 1ª linha de trincheiras, onde prestava serviço, sem autorização e ainda porque sendo interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome ao Comandante exposto o que se averiguou ser falso…”. António dos Reis sobreviveu à guerra.
Alberto Esteves, natural do lugar do Pomar, freguesia de Penso também sofreu a disciplina militar por desobediência. Em 27 de Outubro de 1917, foi punido pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção por “ter sido nomeado para servir nas trincheiras e não se ter apresentado prontamente para esse serviço tendo sido necessário a intervenção do comandante da companhia para que desse cumprimento à ordem que nesse sentido tinha recebido…”. Sobreviveu à guerra.
A faltas de respeito aos superiores eram também mencionados nos registos individuais de alguns soldados de Melgaço. É o caso do soldado Inocêncio Augusto Carpinteiro, natural do lugar dos Barreiros, na freguesia de S. Paio. Durante a sua permanência na frente de combate, foi punido em 17 de Outubro de 1917 “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional porque aquando da sua nomeação para serviço nas trincheiras, apresentou a sua reclamação como modos pouco respeitosos”. Voltou a ser punido em 19 de Dezembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detenção por ter vindo da 1ª linha de trincheiras onde prestava serviço sem autorização e ainda porque sendo por ele interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome do Comandante do posto o que se averiguou não ser verdade…”. Sobreviveu à guerra.
Um outro exemplo é o do soldado Hipólito Lourenço, natural do lugar da Picota, freguesia de Santa Marinha de Rouças. Já no cenário de guerra, sabe-se que foi punido em 9 de Setembro de 1917 “com 2 dias de detenção por ser pouco cuidadoso com a limpeza do armamento que lhe está distribuído”. Viria a ser novamente punido em 16 de Janeiro de 1918 “pelo Exmo. General Comandante do C.E.P. com 20 dias de prisão correcional por na noite de 7 para 8 de Dezembro, estando de sentinela num posto de 1ª linha, foi encontrado pelo sargento de ronda sentado na banqueta e não ter tomado uma atitude correta quando aquele seu superior o advertia infringindo assim os deveres…”. Sobreviveu à guerra.
Não termino este artigo sem uma ressalva. Não se pretende fazer qualquer julgamento de caráter destes homens. Estes comportamentos são sobretudo fruto de uma rápida mas deficiente preparação dos soldados, não só taticamente mas também mentalmente. A dureza da guerra, a falta de compreensão da mesma e a postura vergonhosa do governo português em relação a estes soldados nalguns momentos tornam atos como os descritos compreensíveis, ou pelo menos que nos abstenhamos de os julgar.

domingo, 24 de junho de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Cousso


Há cerca de 100 anos, quando o Corpo Expedicionário Português foi constituído, dezenas de milhares de jovens eram autenticamente roubados às suas terras e às suas famílias e iriam entrar no maior conflito militar que a humanidade tinha conhecido, a Primeira Grande Guerra. Entre as dezenas de melgacenses que foram mobilizados, alguns deles eram naturais da freguesia de São Tomé de Cousso e que hoje queremos homenagear neste artigo. Eram eles os soldados Adolfo de Sousa, do lugar de Virtelo; Agostinho Alves, do lugar da Cela e Manuel Duque. Todos eles sobreviveram à guerra.
Aqui ficam as informações que se conseguiram reunir em relação a cada um deles:

1 - Adolfo de Sousa, soldado servente do 5º Grupo de Baterias de Montadas do Regimento de Artilharia n.º 1 (5º Grupo de Baterias de Morteiros).
Nasceu às seis horas da manhã do dia 8 de Fevereiro de 1893 no lugar de Virtelo, freguesia de São Tomé de Cousso, filho de pai incógnito e de Rosa Maria de Sousa.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Virtelo, na freguesia de Cousso, concelho de Melgaço.
Embarcou no Cais de Alcântara, em Lisboa, com destino a França integrado no Corpo Expedicionário Português a 25 de Maio de 1917, tendo desembarcado no Porto de Brest.
Já no cenário de guerra, sabe-se que baixou ao Hospital de Sangue nº 2 em 14 de Março de 1918, tendo tido alta em 22 do mesmo mês e ano. Após o desastre que se mostrou a Batalha de La Lys, no âmbito da reorganização do Corpo Expedicionário Português, é colocado no 4º Grupo de Baterias de Artilharia em 30 de Abril de 1917.
perto do fim da guerra, em Novembro de 1918, foi punido por comportamentos julgados menos adequados. Assim, no dia 26 de Setembro de 1918, foi punido “pelo Senhor Comandante com 12 dias de detenção por ter faltado ao recolher do dia 24”.
Uns meses depois, em 21 de Abril de 1919, foi novamente punido com 4 dias de detenção pelo Senhor Comandante “por se ausentar do seu boleto sem autorização de noite e ter sido encontrado a fazer barulho”.
Sobreviveu à guerra e embarcou no Porto de Cherbourg (França) em data que se desconhece, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Maio de 1919.


2 - Agostinho Alves, Alferes de Administração Militar, 2º Grupo Automóvel.
Nasceu às cinco horas da manhã do dia 5 de Janeiro de 1885 no lugar da Cela, freguesia de São Tomé de Cousso, filho de Firmino Alves e de Rosa Dias.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 29 de Outubro de 1913 com Margarida Alves Ferreira, natural do concelho de Penafiel, e era morador à data no dito concelho do distrito do Porto.
Embarcou no cais de Alcântara, em Lisboa, com destino a França integrado no Corpo Expedicionário Português a 20 de Janeiro de 1917. Em França, durante a sua permanência na guerra, foi louvado pelo Comandante do Grupo a 30 de Julho de 1918 “pelo zelo e competência que mostrou no desempenho dos serviços a seu cargo, como adjunto do comando deste grupo e designadamente pela boa vontade com que ontem desempenhou os serviços de que foi incumbido na marcha desta unidade da zona da retaguarda para a zona da frente…”.
Seguiu para Portugal em 29 de Agosto de 1918, no gozo de 53 dias de licença de campanha, incluindo 8 dias para a viagem. Recebeu novamente um Louvor em Janeiro de 1919 porque “sendo o oficial de serviço no dia 9 de Abril de 1918, providenciou de harmonia com as ordens do comando e na ausência do oficial técnico do Grupo, no sentido de se fazer a evacuação das oficinas, conseguindo em poucas horas disponíveis, fazer evacuar uma grande parte do material automóvel que existia nas mesmas oficinas. E ainda pela maneira como desempenhou nos dias imediatos, durante a retirada, dos vários serviços de que foi incumbido, não obstante as dificuldades do momento, contribuindo para a boa execução das ordens que no Grupo foram dadas e por forma que este bem desempenhou o seu serviço, com os poucos recursos de que dispunha, evidenciando coragem, decisão, energia, interesse pelo serviço e uma boa compreensão do eu dever militar”.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) em data que se desconhece, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 8 de Julho de 1919.
Viria a falecer em 12 de Abril de 1982 no concelho de Penafiel.


3 - Manuel Duque, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão).
Nasceu às oito horas da manhã do dia 10 de Março de 1893, em lugar que não se menciona no seu assento de batismo, na freguesia de São Tomé de Cousso, filho de pai incógnito e de Joaquina Duque.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Ermelinda Esteves, natural desta freguesia, desde 13 de Junho de 1912 e era morador na freguesia de Cousso, deste concelho de Melgaço.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Já no cenário de guerra em França, foi colocado na Companhia de Serviços Auxiliares em 1 de Agosto de 1917. Punido em 2 de Dezembro do mesmo ano pelo “diretor de serviço com 3 dias de detenção por se apresentar no serviço que estava incumbido uma mais tarde”. Baixa à ambulância em 19 de Março de 1919. Evacuado para o hospital em 20 do mesmo mês, tendo alta no dia 23 tendo regressado à unidade. Sobreviveu à guerra e embarcou no Porto de Cherbourg (França) em data que se desconhece, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 9 de Junho de 1919.
Viria a falecer na freguesia de Cousso, deste concelho de Melgaço, no dia 17 de Fevereiro de 1971.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de S. Paio


S. Paio
(Foto de Annabelle Pereira)

No artigo de hoje, o blogue presta homenagem a cada um dos combatentes naturais da freguesia de S. Paio que lutaram nas trincheiras da Flandres, no norte de França, durante a 1ª Guerra Mundial.
Há cerca de 100 anos, mais de 70 combatentes naturais de Melgaço partiram para esse conflito horrendo. Desses, 5 deles nasceram na freguesia de S. Paio. Foram eles: Inocêncio Carpinteiro, do lugar dos Barreiros; Albano José Flores; Manuel Joaquim da Costa, do lugar dos Lourenços; Alfredo Soares, do lugar da Costa e José Maria Alves Pereira, do lugar do Regueiro. Os primeiros quatro pertenciam à célebre Brigada do Minho (4ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português), onde teve um papel muito ativo na Batalha de La Lys, enquanto que o soldado José Maria Pereira pertencia ao Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro.
Todos estes sampaenses regressaram vivos da guerra. Deixo aqui um resumo das informações que foi possível recolher do percurso de cada um destes valentes soldados durante o conflito:

1 - Inocêncio Augusto Carpinteiro, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 23 de Agosto de 1895 no lugar dos Barreiros, na freguesia de S. Paio, filho de Firmino Augusto Carpinteiro e Joaquina Rosa Soares, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar dos Barreiros desta freguesia de S. Paio. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 556.
Já em França, no cenário de guerra, foi punido em 17 de Outubro de 1917 “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional porque aquando da sua nomeação para serviço nas trincheiras, apresentou a sua reclamação como modos pouco respeitosos”.
Foi punido em 19 de Dezembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detençaão por ter vindo da 1ª linha de trincheiras onde prestava serviço sem autorização e ainda porque sendo por ele interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome do Comandante do posto o que se averiguou não ser verdade…”.
O soldado Inocêncio combateu na Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918) tendo sido dado inicialmente como desaparecido em combate. Mais tarde, por comunicação da Comissão dos Prisioneiros de Guerra, verificou-se que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães na referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Dulmen (região da Renânia/Norte Westfalia, Alemanha, a cerca de 40 Kms a norte de Dortmund) tendo estado também no Campo de Senne, que fica próximo da cidade alemã de Bielefeld. Com o fim da guerra em Novembro de 1918, os prisioneiros de guerra foram libertados e o soldado Inocêncio terá embarcou no navio inglês "Northwestern Miller" em 12 de Janeiro de 1919, na Holanda, e desembarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 18 de Janeiro de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Ricardina da Conceição Sérvio, natural de S. Paio, em 24 de Agosto de 1920.
Inocêncio Augusto Carpinteiro faleceu em 16 de Setembro de 1981 na freguesia de S. Paio, deste concelho de Melgaço.


Cartão de identificação de Prisioneiro de Guerra do soldado Inocêncio
(Campo de Prisioneiros de Senne, Alemanha)

2 - Albano José Flores, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão), filho de Manuel José Flores e Maria José da Silva, natural da freguesia de S. Paio. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Claudina Rodrigues, natural da freguesia de Paços, concelho de Melgaço. Embarcou para França em 22 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 890. Já em França, no cenário de guerra, baixou à ambulância em 5 de Agosto de 1917, tendo tido alta em 3 de Setembro. Em 15 de Novembro desse ano, encontrando-se em combate, baixou ao hospital por “ter sido ferido em combate neste dia”. Segundo o seu Boletim Individual, a sua hospitalização teve a ver com o facto de ter sido ferido com “estilhaços de granada”. Em 10 de Fevereiro de 1918, seguiu para o Campo Central de Instrução. Encontrava-se de novo em campanha em 2 de Março desse ano, vindo do dito Campo de Instrução.
Já depois do fim da guerra, em Novembro de 1918, em 24 de Janeiro de 1919, recolheu ao 6º Batalhão, indo da Companhia de Telegrafistas do Corpo Expedicionário. Mais tarde, em 6 de Fevereiro do mesmo ano, baixa ao Hospital de Sangue nº 8, tendo alta no dia 18 do mesmo mês, com 2 dias para convalescença. Acabaria por sobreviver à guerra. Depois de recuperado, seguiu para Portugal, juntamente com o 6º Batalhão em 15 de Abril de 1919, a bordo do navio inglês “Northwest Miller”, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara em 19 de Abril.

3 - Manuel Joaquim da Costa, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às cinco horas da tarde do dia 19 de Novembro de 1895 no lugar dos Lourenços, na freguesia de S. Paio, filho de António Joaquim da Costa e Maria Joaquina Marques, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar dos Lourenços desta freguesia de S. Paio. Embarcou para França em 7 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 517, onde pertenceu à chamada Brigada do Minho.
Sabe-se pouco do seu percurso de guerra durante o conflito. Sabe-se que já em França, no cenário de guerra, terá combatido na Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918), integrando o 2º Grupo de Pioneiros.
Sabe-se também que baixou ao Hospital em 1 de Fevereiro de 1919, tendo tido alta no dia 10 seguinte.
Embarcou no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 3 de Abril de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Carlota da Pureza Fernandes, em 5 de Fevereiro de 1921.
Manuel Joaquim da Costa viria a falecer em 16 de Outubro de 1969 na freguesia de Paderne, deste concelho de Melgaço.


Cartão da Liga dos Combatentes de Manuel Joaquim da Costa
(Cartão gentilmente cedido por JP Rodrigues)

4 - Alfredo Soares, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da tarde do dia 28 de Março de 1894 no lugar da Costa, na freguesia de S. Paio, filho de José Luís Soares e de Emília de Freitas, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 11 de Janeiro de 1914 com Maria Rosa Gomes e era morador no lugar da Granja, desta freguesia de S. Paio, concelho de Melgaço. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 393, onde pertenceu à chamada Brigada do Minho. No seu percurso durante a guerra, ficaram registados diversos episódios de punições disciplinares por atos considerados desadequados para o contexto.
Já em França, no cenário de guerra, foi punido em 12 de Agosto de 1917 pelo “Senhor Comandante da Companhia com 8 dias de detenção por ter saído da forma sem autorização quando companhia se dirigia para o local de instrução de noite e ter recolhido o quartel da sua companhia”. Dois dias depois, ou seja a 14 de Agosto de 1917, foi novamente punido “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção por ser encontrado no centro de instrução e durante o intervalo apoderar-se de alguma fruta de uma nogueira pertencente a uma propriedade que começa no mesmo campo”.
Em 7 de Março de 1918, encontrava-se em combate tendo sido ferido durante as hostilidades.
Foi punido em 19 de Junho de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de prisão disciplinar por ter faltado a uma formatura e responder menos conveniente ao Senhor Comandante da Comandante quando este o mandou calar por pretender tomar posse de uma barraca que lhe não pertencia…”.
Foi punido novamente em 23 de Setembro de 1918 “pelo Senhor Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por faltar à revista que teria lugar em 22 (dia anterior), sem motivo justificado…”. Alguns dias depois, em 28 de Setembro do mesmo ano, voltaria a ser novamente punido pelo “Senhor Comandante do batalhão com 10 dias de detenção por faltar aos trabalhos de fortificação e instrução de 26”.
Em 22 de Outubro de 1918, é ferido e baixou à ambulância nº 4, tendo tido alta para a unidade em 9 de Novembro seguinte.
Em 30 de Outubro, no âmbito da reorganização do C.E.P., é integrado no Batalhão de Infantaria nº 22, 2ª Companhia.
Em 5 de Janeiro de 1919, ainda se encontrava-se no Batalhão de Infantaria nº 22, tendo sido abatido ao efetivo dessa unidade nessa data, dando entrada no Depósito Disciplinar 1 no dia seguinte, facto provavelmente relacionado pelos numerosos casos de indisciplina protagonizados pelo soldado Alfredo Soares. Necessitou de cuidados médicos em 15 de Fevereiro de 1919, quando baixou ao Hospital de Sangue 8, tendo tido alta em 12 de Maio seguinte.
Em 5 de Junho de 1919, seguiu para o Pelotão de Estafetas afim de ali aguardar julgamento, vindo das Prisões da Base. Nada consta acerca do julgamento no seu Boletim Individual. Apenas sabemos que embarcou no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, juntamente com o Depósito Disciplinar 1, em 5 de Julho de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 8 do mesmo mês e ano.

5 - José Maria Alves Pereira, Soldado do Batalhão de Sapadores de Caminhos de Ferro, 2ª Companhia. Nasceu às sete horas da tarde do dia 8 de Março de 1894 no lugar do Regueiro, na freguesia de S. Paio, filho de Francisco José Alves Pereira e de Maria do Livramento Gomes, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar do Regueiro, desta freguesia de S. Paio, concelho de Melgaço. Embarcou para França em 26 de Maio de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 72 482.
Sabemos muito pouco do seu percurso durante a guerra. Já em França, no cenário de guerra, foi integrado na S.E.M.M. em 1 de Setembro de 1917. Sabemos que foi punido em 7 de Agosto de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 2 dias de detenção porque estando naquela data na formatura da limpeza do gado, saiu da mesma formatura sem autorização do sargento que assistia…”.
Após o término da guerra, embarcou no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, juntamente com o Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro, em 27 de Abril de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 1 de Maio seguinte.