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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Rouças



Há cerca de um século atrás, dezenas de milhares de soldados portugueses partem para França e para África para participarem no mais horrendo conflito armado que a Humanidade tinha conhecido até aí. O "contingente melgacense" era formado por mais de 70 soldados, dos quais 6 eram naturais da freguesia de Santa Marinha de Rouças. A estes, hoje prestamos-lhe a merecida homenagem. Eles foram:

1 - Manuel Cardoso, Alferes do Q. A. A. - Arsenal do Exército e Parque Automóvel. Nasceu às quatro horas da tarde do dia 14 de Maio de 1884 na freguesia de Santa Marinha de Rouças em lugar que não consta no respetivo assento de batismo, filho de Joaquim da Costa Cardoso e de Emília de Jesus Cardoso, moradores na referida freguesia de Rouças do concelho de Melgaço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Maria Luíza Esteves Cardoso, natural do concelho de Matosinhos, e era morador em Paço d’Arcos, no concelho de Oeiras.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 5 de Junho de 1918 a bordo do navio Pedro Nunes e desembarcou no Porto de Brest (França) em 10 de Junho desse mesmo ano, ficando de quarentena na ilha de Treberou, seguindo depois em caminho de ferro para Bologne em 23 de Junho.
Sabemos que se encontrava presente no Parque Automóvel no dia 30 de Junho de 1918. Baixa ao hospital em 23 de Outubro desse mesmo ano, tendo alta no dia 28 seguinte.
Já depois do fim da guerra, foi colocado no Depósito de Material da Base 2 (Secção de Material Automóvel) como adjunto em 15 de Março de 1919.
Viria a sobreviver à guerra, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) com destino a Portugal a bordo do navio inglês “Northwestern Miller” em 5 de Julho de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara em 8 de mesmo mês e ano.

2 - José Rodrigues, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às 8 horas da tarde do dia 1 de Abril de 1892, na Quinta de Cavaleiros, freguesia de Santa Marinha de Rouças deste concelho de Melgaço, filho de António Rodrigues e de Anna Domingues.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se viúvo e era morador na referida freguesia de Rouças.
Embarcou para França no Cais de Alcântara, em Lisboa, integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Muito pouco se sabe sobre o percurso deste soldado no conflito armado. Apenas se sabe que embarcou em França com destino a Portugal no dia 19 de Dezembro de 1917 para gozo de 20 dias de licença de campanha e terá desembarcado em Lisboa em Lisboa em 22 de Dezembro do mesmo ano. Aparentemente, por razões que se desconhecem, não voltou a França. Não constam mais anotações no seu Boletim Individual.

3 - Hipólito Lourenço - Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às três horas da tarde do dia 20 de Abril de 1892, no lugar da Picota, freguesia de Santa Marinha de Rouças deste concelho de Melgaço, filho de pai incógnito e de Maria da Nazaré Lourenço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar da Picota, da freguesia de Rouças.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Já no cenário de guerra, sabe-se que foi punido em 9 de Setembro de 1917 “com 2 dias de detenção por ser pouco cuidadoso com a limpeza do armamento que lhe está distribuído”. Viria a ser novamente punido em 16 de Janeiro de 1918 “pelo Exmo. General Comandante do C.E.P. com 20 dias de prisão correcional por na noite de 7 para 8 de Dezembro, estando de sentinela num posto de 1ª linha, foi encontrado pelo sargento de ronda sentado na banqueta e não ter tomado uma atitude correta quando aquele seu superior o advertia infringindo assim os deveres…”.
Sabe-se também que em 14 de Fevereiro de 1918, baixou à Ambulância nº 1, tendo sido evacuado para o hospital no mesmo dia, não se encontrando registada a data em que teve alta.
Viria a ser aumentado ao efetivo do Batalhão de Infantaria nº 22 e à 3ª Companhia com o número 775 em 30 de Outubro de 1918.
Sobreviveu à guerra e seria repatriado juntamente com o Primeiro Batalhão, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) em 25 de Maio de 1919, e viria a desembarcar em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 28 de Maio seguinte.
Depois de regressar da guerra, casou com Deolinda do Espírito Santo da Cunha em 18 de Dezembro de 1920. A sua esposa viria a falecer na freguesia de Rouças em 28 de Setembro de 1941. Contudo, Hipólito Lourenço viria a casar em segundas núpcias com Laurinda Fernandes, do lugar de Eiró, em 2 de Março de 1968.
Viria a falecer no dia 17 de Outubro de 1972, na freguesia de Rouças, neste concelho de Melgaço.

4 - Manuel José Lourenço, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às doze horas da noite do dia 10 de Janeiro de 1895 no lugar de Perzes, freguesia de Santa Marinha de Rouças deste concelho de Melgaço, filho de José Manuel Lourenço e de Joaquina Roza Eanes.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na referida freguesia de Rouças.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
São muito escassos os dados sobre o percurso deste soldado durante a guerra. Apenas encontramos registado que baixou à Ambulância nº 5 em 11 de Março de 1918 e foi evacuado para o Hospital de Sangue nº 1no dia 13 do mesmo mês.
Viria a sobreviver a este conflito armado, tendo embarcado no Porto de Cherbourg (França) com destino a Portugal em 16 de Abril de 1919 e viria a desembarcar em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Abril de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Roza Fernandes, natural da freguesia de Rouças, em 27 de Agosto de 1922.
Viria a faleceu às 8 horas da manhã do dia 25 de Setembro de 1967, na freguesia de Rouças, concelho de Melgaço.

5 - António Pires, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às duas horas da manhã do dia 8 de Julho de 1894, filho de pai incógnito e Dolores Pires, natural do lugar do Paço, Rouças, deste concelho de Melgaço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar do Paço, na freguesia de Rouças.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, em 22 de Abril de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português, tendo pertencido à famosa Brigada do Minho, sendo portador da chapa de identificação nº 49 837. Desembarcou no Porto de Brest (França), juntamente com a sua unidade.
Já no cenário de guerra, em França, sabe-se que foi punido em 16 de Setembro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção por não apresentar a bolacha de ração de reserva que lhe havia sido distribuída com a recomendação expressa de não a comer sem autorização, recomendação esta que foi feita por um oficial antes de marchar para as trincheiras da 2ª Brigada de Infantaria e na ocasião da distribuição”.
Foi dado como desaparecido em combate durante a Batalha de La Lys 9 de Abril de 1918. Contudo, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, chegou a informação que, na realidade, tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante as hostilidades e levado para o Campo de Prisioneiros de Friedrichsfeld, na Alemanha, tendo sido libertado após o fim do conflito em Novembro de 1918.
O soldado António Pires encontrava-se presente no Porto de Embarque em 20 de Dezembro de 1918, a aguardar o repatriamento para Portugal. Viria a embarcar na Holanda, em porto que se desconhece, com destino a Portugal, no navio inglês "Northwestern Miller" em 12 de Janeiro de 1919, tendo chegado a território nacional e desembarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 18 de Janeiro de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Delfina Alves em 17 de Abril de 1930.
Faleceu na freguesia de Rouças, neste concelho de Melgaço, no dia 31 de Outubro de 1967.

6Emílio Augusto Veloso, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 24 de Junho de 1894, filho de pai incógnito e Maria Veloso, natural do lugar do Cabreiros, freguesia de Rouças, deste concelho de Melgaço.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar do Cabreiros, na dita freguesia de Rouças.
Embarcou para França, no Cais de Alcântara, em Lisboa, em 15 de Abril de 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português, tendo pertencido à famosa Brigada do Minho, sendo portador da chapa de identificação nº 49 670. Desembarcou no Porto de Brest (França), juntamente com a sua unidade.
Quase nada se conhece acerca do seu percurso durante a guerra. Apenas se sabe que já perto do fim da guerra, foi “aumentado ao efetivo do Batalhão de Infantaria nº 22 e à Formação com o nº 160 em 30 de Outubro de 1918”.
Sobreviveu à guerra. Viria a ser repatriado, juntamente com o Primeiro Batalhão de Infantaria, e embarca no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, em 25 de Maio de 1919, tendo chegado a território nacional e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 28 de Maio do mesmo ano.
Após voltar da guerra, viria a casar com Cândida Augusta Afonso em 6 de Fevereiro de 1929.
Faleceu na freguesia de São Vítor, no concelho de Braga, no dia 18 de Março de 1969.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Chaviães



Há cerca de um século atrás, dezenas de milhares de portugueses embarcaram com destino às trincheiras de França. De Melgaço, partiram 74 filhos da terra, dos quais 5 combatentes eram naturais da freguesia de Chaviães e que hoje são aqui homenageados neste artigo. Eram eles José Maria da Cunha, do lugar da Portela, condecorado com a Cruz de Guerra; José Narciso Pinto, do lugar da Igreja; António José Lourenço, do lugar de Louridal; José Joaquim Lopes, do lugar de Cortinhal e Anselmo Augusto Malheiro, do lugar da Bouça, sendo todos membros da célebre Brigada do Minho (4ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português). Infelizmente, apenas os dois últimos iriam sobreviver à guerra. Os restantes faleceram em combate e encontram-se sepultados no Cemitério Militar Português de Richebourg l’Avoile (França).
Consegui reunir um conjunto de informações acerca do percurso destes valentes soldados melgacenses de Chaviães durante a guerra:
1 - José Maria da Cunha, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 11 de Março de 1893 no lugar da Portela, freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Aníbal dos Anjos da Cunha e de Felisbela Cândida Alves.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 24 de Agosto de 1912 com Zalminda Rosa Calheiros e era morador em Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho, portador da chapa de identificação nº 49 027.
Já no cenário de guerra, em França, baixa ao hospital em 21 de Abril de 1917, tendo alta no dia 31 de Maio seguinte. Em Setembro desse mesmo ano, encontrava-se em combate, tendo sido ferido durante as hostilidades. Segundo o que podemos ler no seu Boletim Individual, na sequência deste episódio, recebeu um Louvor por parte do Quartel General do Corpo Expedicionário “pela coragem que mostrou na defesa do flanco direito do seu posto, não o abandonando, embora já ferido, senão por ordem do respetivo comandante depois do mesmo terminado”. (Ordem de Serviço do Quartel General, de 28 de Setembro de 1917). Em virtude do seu comportamento e coragem, foi condecorado com a Cruz de Guerra de 3ª classe (publicado em Decreto de 5 de Novembro de 1917).
Faleceu na 1ª linha das posições, em virtude de ter sido gravemente ferido em combate, no dia 22 de Novembro de 1917. Foi sepultado no Cemitério Militar de Le Touret, no coval nº 100. Posteriormente, os seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué (França), Talhão A, Fila 13, Coval 3.

2 - José Narciso Pinto, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às oito horas da noite do dia 3 de Março de 1893 no lugar da Igreja, na freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Manuel António Pinto e de Cândida Maria Alves.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Ana Joaquina Rodrigues desde 24 de Maio de 1916 e era morador no referido lugar da Igreja, na freguesia de Chaviães. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho, portador da chapa de identificação nº 49 864.
Já no cenário de guerra em França, foi punido no dia 14 de Dezembro de 1917 pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção porque “sendo incumbido no serviço de limpeza do Quartel da Companhia, não tinha no estado de asseio e limpeza a área do quartel que está a seu cargo na revista que em 14 (dia) foi passada…”.
Viria a ser colocado no Batalhão de Infantaria nº 29 em 6 de Abril de 1918. Combateu na Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918, integrado na Brigada do Minho. Foi inicialmente dado como desaparecido em combate durante a batalha, segundo anotação inscrita no seu Boletim Individual. Aparentemente, o seu corpo apenas foi recuperado mais tarde. Nesta batalha, houve corpos que apenas foram encontrados cerca de um mês depois.
Os seus restos mortais encontra-se sepultados no Cemitério de Richebourg l`Avoué (França), Talhão D, Fila 3, Coval 24.

3 - José Joaquim Lopes, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às dez horas da manhã do dia 3 de Maio de 1895 no lugar de Cortinhal, freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Vitorino José Lopes e de Maria Rosa Cortes.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar de Coutinhal, freguesia de Chaviães, deste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, portador da chapa de identificação nº 49 537, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Já no cenário de guerra, em França, foi punido “em 3 de Outubro de 1917, pelo Comandante da 2ª Companhia com oito (8) dias de (…) detenção porque estando debaixo de forma, comunicou fogo ao conteúdo de um cartucho que tinha previamente tirado a bala…”. Viria a ser punido novamente em 2 de Abril de 1918 “com 10 dias de prisão disciplinar por ser encontrado na estrada levando o cavalo a trote contra o que está determinado…”.
Baixou ao Hospital da Base 2 em 22 de Maio de 1918, tendo alta no dia seguinte. Em 10 de Julho desse mesmo ano, iniciou o gozo de 30 dias de licença, findos os quais se devia apresentar a uma “nova Junta Médica”. Esta anotação permite-nos saber que anteriormente já tinha sido presente a Junta Médica ainda que não haja nenhuma anotação referente a isso no seu Boletim Individual. Nesse sentido, seguiu para o Depósito de Infantaria afim de ser repatriado em 17 de Julho desse ano.
Posteriormente, passou em 30 de Setembro de 1918, para o Batalhão de Infantaria nº 22, 3ª Companhia.
Em 9 de Novembro, foi abatido ao efetivo do batalhão e à companhia a que pertencia por ter tido passagem ao Quartel General 1, por ordem do comando do 1º Batalhão de Infantaria, ficando adido ao Trem Divisionário desde o dia 10 do dito mês de Novembro de 1918.
Encontrava-se presente em 12 de Março de 1919 no Esquadrão de Remonta ficando aí adido vindo do Trem Divisionário.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Embarque de Cherbourg (França) em 3 de Maio de 1919, com destino a Portugal a bordo do navio inglês “Maryland”, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 6 de Maio de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Maria da Silva Fontes em 9 de Junho de 1927 no Rio de Janeiro (Brasil).

4 - Anselmo Augusto Malheiro, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às nove horas da manhã do dia 29 de Agosto de 1894 no lugar da Bouça, na freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de José de Abreu Malheiro e de Florinda Rosa Vaz.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar da Bouça, na freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, neste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, portador da chapa de identificação nº 49 459, tendo desembarcado no Porto de Brest (França) em 19 do mesmo mês e ano.
Conhece-se pouco do percurso do soldado Anselmo Malheiro durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, não há registo no seu Boletim Individual entre meados de Abril de 1917 e meados de Agosto de 1918. Sabe-se que em 12 de Agosto de 1918, foi promovido a 1º Cabo contando para efeitos de antiguidade a partir do dia seguinte (Ordem de Serviço nº114 do 1º Batalhão da Brigada do Minho de 12/8/1918).
Em 14 de Setembro de 1918, foi punido “pelo Sr. Comandante da Companhia com 4 dias de detenção por ser encontrado no campo de instrução e durante o intervalo apoderou-se de alguns frutos de uma nogueira pertencente a uma propriedade que confina com o mesmo campo”. Contudo, em 16 de Setembro seguinte, inicia o gozo de uma licença de campanha de 53 de duração.
Embarca em data que se desconhece no Porto de Embarque de Cherbourg (França) e viria a desembarcar, juntamente com a Brigada do Minho, em Lisboa, no Cais de Alcântara, em data que não aparece inscrita no seu Boletim Individual.
Após voltar da guerra, viria a casar com Alice da Conceição Rodrigues, natural de Chaviães, em 19 de Outubro de 1919. Anselmo Malheiro faleceu em 21 de Março de 1981, nesta freguesia de Chaviães, deste concelho de Melgaço.

5 - António José Lourenço, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às oito horas da noite do dia 26 de Abril de 1892 no lugar do Louridal, na freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, filho de Augusto Cândido Lourenço e de Ana Marinha.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 24 de Janeiro de 1912 com Isaura Salgado e era morador na freguesia de Santa Maria Madalena de Chaviães, neste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, portador da chapa de identificação nº 49 454, tendo desembarcado no Porto de Brest (França).
Conhece-se pouco do percurso do soldado António José Lourenço durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, baixou à ambulância nº 5 em 2 de Agosto de 1917, tendo tido alta no dia 29 do mesmo mês e ano.
Em 12 de Março de 1918, encontrava-se em combate na 1ª linha das posições. Foi ferido e faleceu nesse mesmo dia durante as hostilidades. O seu corpo foi sepultado no Cemitério de Laventie (localidade no norte de França onde se encontrava em combate). Posteriormente, os seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué (França), Talhão A, Fila 2, Coval 3.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de S. Martinho de Alvaredo




No artigo de hoje, prestamos homenagem aos soldados de São Martinho de Alvaredo que integraram o Corpo Expedicionário Português e que combateram nas trincheiras da Flandres Francesa entre meados de 1917 e Novembro de 1918. Foram eles António Besteiro, do lugar da Carrasqueira; Avelino Fernandes, do lugar de Ferreiros; Abel Fernandes, do lugar da Fonte; Nicolau de Souza Lobato, do lugar da Charneca e Artur Domingues do lugar do Maninho. Os três primeiros pertenciam à célebre Brigada do Minho (4ª Brigada de Infantaria do Corpo Exedicionário Português), enquanto que o soldado Nicolau Lobato integrava o Regimento de Cavalaria 4 e o soldado Artur Domingues pertencia ao 1º Esquadrão de Remonta.
Todos regressaram vivos da guerra. Apresentam-se aqui as informações que se conseguiram apurar acerca do percurso de cada um deles durante a guerra:

1 - Avelino Fernandes, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às três horas da manhã do dia 7 de Novembro de 1893, filho de Francisco Fernandes e Libania Martins Peixoto, natural do lugar de Ferreiros, freguesia de Alvaredo, neste concelho de Melgaço.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Justina Domingues Caldas desde 4 de Janeiro de 1913.
Embarcou para França em 18 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 462, onde pertenceu à celebre Brigada do Minho.
Do seu percurso no cenário de guerra, em França, pouco se sabe. Sabemos que participou na trágica Batalha de La Lys. Nessa batalha, a 9 de Abril de 1918, desapareceu em combate. Em Novembro de 1918, no final do conflito, por comunicação da Comissão dos Prisioneiros de Guerra, verificou-se que o soldado Avelino Fernandes constava nas listas de prisioneiros de guerra internados em campos alemães. Tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Dulmen (Alemanha).
O soldado Avelino Fernandes viria a sobreviver à guerra. Ainda se encontrava no campo de prisioneiro em 17 de Dezembro de 1918. Seguiu para a Holanda onde embarcou no navio inglês "Northwestern Miller" em 12 de Janeiro de 1919, tendo desembarcado no Cais de Alcântara, em Lisboa no dia 18 de Janeiro de 1919.
Viria a falecer às seis horas do dia 6 de Agosto de 1964, na freguesia de Alvaredo, concelho de Melgaço.

2 - Abel Fernandes, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu à meia noite do dia 19 de Abril de 1894 no lugar da Fonte, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de Bento Fernandes e de Ana Pires.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar da Fonte, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. Já no cenário de guerra, em França, foi colocado na 1ª Bateria de Morteiros Pesados em 25 de Outubro de 1917, onde se encontrava na 1ª linha de defesa das posições.
Terá combatido na Batalha de La Lys em 9 de Abril de 1918, tendo inclusivamente recebido um louvor “pela boa vontade e inteligência com que desempenhou todos os serviços de serralheiro de que foi encarregado durante o tempo que a bateria esteve na 1ª linha de que resultou todo o pessoal estar bem alojado e com comodidades o que concorreu para a saúde do pessoal” (Louvor pelo Comandante do Batalhão em 11 de Abril de 1918).
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 9 de Junho de 1919.
Depois de voltar da guerra, casou com Alzira Domingues no dia 4 de Fevereiro de 1922. Viria a falecer na freguesia de S. Martinho de Alvaredo em 24 de Novembro de 1984.

3 - Nicolau de Souza Lobato, soldado chauffeur do Regimento de Cavalaria nº 4 do Corpo Expedicionário Português. Nasceu no dia 17 de Janeiro de 1895 no lugar da Charneca, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de José de Souza Lobato e de Hermínia da Glória Domingues.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar da Charneca, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 21 de Abril de 1917.
Já no cenário de guerra, em França, desempenhou sobretudo serviço de condutor no Parque Automóvel do Corpo Expedicionário Português. Viu-se frequentemente envolvido em vários episódios de indisciplina. Baixa à ambulância 5 em 29 de Outubro de 1917, tendo tido alta em 2 de Novembro. Em 13 de Novembro do mesmo ano, volta a baixar à ambulância, tendo alta no dia 17 do mesmo mês e ano.
Em 4 de Fevereiro de 1918, foi punido pelo “Sr. Comandante do 3º Grupo Automóvel com 2 dias de detenção porque tendo ido à revista de saúde e dizendo-lhe ser facultativo para não sair da enfermaria sem tomar um purgante, não cumpriu esta ordem”.
Em 30 de Maio de 1918, volta a envolver-se num episódio de indisciplina, tendo sido punido “pelo Sr. Comandante do Parque Automóvel com 4 dias de detenção por ter faltado à 1ª refeição sem motivo justificado”.
Na sequência destes episódios, em 29 de Julho de 1918, o soldado Nicolau Lobato foi punido pelo Tribunal de Guerra do Corpo Expedicionário “com 60 (sessenta) dias de prisão correcional.
Em 6 de Fevereiro de 1919, baixou ao Hospital de Sangue 8. Em 18 de Março de 1919, passou ao Esquadrão de Remonta. Em 3 de Abril do mesmo ano, encontrava-se no Hospital de Sangue 6, de onde foi evacuado nessa data para o Hospital da Base 1, tendo tido alta no dia 2 de Maio de 1919 para o C.M.C.A. Nessa data, deu entrada nas Prisões da Base afim de recolher ao Depósito Disciplinar 1 “por ali pertencer”. Em 24 de Maio, encontrava-se no Comando Militar do Corpo, de onde seguiu de novo, no dia seguinte, sob escolta, para o Depósito Disciplinar 1. No dia 30 de Maio de 1919, encontrava-se presente no Depósito Disciplinar 1 “afim de cumprir 60 dias de prisão correcional”.
Em 9 de Junho de 1919, encontrava-se no Porto de Embarque de Cherbourg (França) com vista a ser repatriado. Embarcou, juntamente com o pessoal dos Serviços Administrativos, em 22 de Junho de 1919 com destino a Portugal. Desembarca em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 25 de Junho do mesmo ano.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 9 de Junho de 1919.
Depois de voltar da guerra, casou com Claudina Maria Martins no dia 9 de Outubro de 1920. Viria a falecer na freguesia de S. Martinho de Alvaredo, concelho de Melgaço, às 18 horas e 30 minutos dia 17 de Outubro de 1923.

4 - Artur Domingues, soldado do 1º Esquadrão de Remonta - Escola de Equitação. Nasceu às três horas da manhã do dia 14 de Outubro de 1894 no lugar do Maninho, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de André Domingues e de Maria Martins.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar do Maninho, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 2 de Julho de 1917, portador da chapa de identificação nº 67360.
Sabe-se muito pouco do seu percurso durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, seguiu para o Esquadrão de Remonta em 3 de Agosto de 1918, tendo sido promovido a 1º Cabo em 5 de Setembro do mesmo ano. Em 2 de Novembro, estava presente no Quartel General do Corpo Expedicionário, proveniente do dito Esquadrão de Remonta.
Em 6 de Abril, passou à 1ª Secção Auxiliar do Comando do Quartel General do Corpo Expedicionário.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal a bordo do navio “Mormugão” (navio alemão de nome original “Kommodore” que foi apresado pelos portugueses em Goa, Índia Portuguesa em 1916) e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 1 de Novembro de 1919.

5 - António Besteiro, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 18 de Fevereiro de 1892 no lugar da Carrasqueira, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de José Besteiro e de Florinda Pires.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar da Carrasqueira, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, portador da chapa de identificação nº 66538, tendo desembarcado no Porto  de Brest (França) no dia 18.
Sabe-se muito pouco do seu percurso durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, baixou à ambulância em 5 em 23 de Agosto de 1918, tendo alta no dia 3 de Setembro.
Após a reformulação do Corpo Expedicionário Português, passa a integrar o 6º Batalhão do C.E.P. Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal a bordo do navio inglês “Northwestern Miller” em 15 de Abril de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Abril de 1919.
Após voltar da guerra, casa com Aurora Bernardo em 21 de Maio de 1925. Viria a falecer em 31 de Outubro de 1985 na freguesia de São Martinho de Alvaredo, deste concelho de Melgaço.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de S. Paio


S. Paio
(Foto de Annabelle Pereira)

No artigo de hoje, o blogue presta homenagem a cada um dos combatentes naturais da freguesia de S. Paio que lutaram nas trincheiras da Flandres, no norte de França, durante a 1ª Guerra Mundial.
Há cerca de 100 anos, mais de 70 combatentes naturais de Melgaço partiram para esse conflito horrendo. Desses, 5 deles nasceram na freguesia de S. Paio. Foram eles: Inocêncio Carpinteiro, do lugar dos Barreiros; Albano José Flores; Manuel Joaquim da Costa, do lugar dos Lourenços; Alfredo Soares, do lugar da Costa e José Maria Alves Pereira, do lugar do Regueiro. Os primeiros quatro pertenciam à célebre Brigada do Minho (4ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português), onde teve um papel muito ativo na Batalha de La Lys, enquanto que o soldado José Maria Pereira pertencia ao Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro.
Todos estes sampaenses regressaram vivos da guerra. Deixo aqui um resumo das informações que foi possível recolher do percurso de cada um destes valentes soldados durante o conflito:

1 - Inocêncio Augusto Carpinteiro, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 23 de Agosto de 1895 no lugar dos Barreiros, na freguesia de S. Paio, filho de Firmino Augusto Carpinteiro e Joaquina Rosa Soares, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar dos Barreiros desta freguesia de S. Paio. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 556.
Já em França, no cenário de guerra, foi punido em 17 de Outubro de 1917 “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional porque aquando da sua nomeação para serviço nas trincheiras, apresentou a sua reclamação como modos pouco respeitosos”.
Foi punido em 19 de Dezembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detençaão por ter vindo da 1ª linha de trincheiras onde prestava serviço sem autorização e ainda porque sendo por ele interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome do Comandante do posto o que se averiguou não ser verdade…”.
O soldado Inocêncio combateu na Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918) tendo sido dado inicialmente como desaparecido em combate. Mais tarde, por comunicação da Comissão dos Prisioneiros de Guerra, verificou-se que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães na referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Dulmen (região da Renânia/Norte Westfalia, Alemanha, a cerca de 40 Kms a norte de Dortmund) tendo estado também no Campo de Senne, que fica próximo da cidade alemã de Bielefeld. Com o fim da guerra em Novembro de 1918, os prisioneiros de guerra foram libertados e o soldado Inocêncio terá embarcou no navio inglês "Northwestern Miller" em 12 de Janeiro de 1919, na Holanda, e desembarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 18 de Janeiro de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Ricardina da Conceição Sérvio, natural de S. Paio, em 24 de Agosto de 1920.
Inocêncio Augusto Carpinteiro faleceu em 16 de Setembro de 1981 na freguesia de S. Paio, deste concelho de Melgaço.


Cartão de identificação de Prisioneiro de Guerra do soldado Inocêncio
(Campo de Prisioneiros de Senne, Alemanha)

2 - Albano José Flores, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão), filho de Manuel José Flores e Maria José da Silva, natural da freguesia de S. Paio. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Claudina Rodrigues, natural da freguesia de Paços, concelho de Melgaço. Embarcou para França em 22 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 890. Já em França, no cenário de guerra, baixou à ambulância em 5 de Agosto de 1917, tendo tido alta em 3 de Setembro. Em 15 de Novembro desse ano, encontrando-se em combate, baixou ao hospital por “ter sido ferido em combate neste dia”. Segundo o seu Boletim Individual, a sua hospitalização teve a ver com o facto de ter sido ferido com “estilhaços de granada”. Em 10 de Fevereiro de 1918, seguiu para o Campo Central de Instrução. Encontrava-se de novo em campanha em 2 de Março desse ano, vindo do dito Campo de Instrução.
Já depois do fim da guerra, em Novembro de 1918, em 24 de Janeiro de 1919, recolheu ao 6º Batalhão, indo da Companhia de Telegrafistas do Corpo Expedicionário. Mais tarde, em 6 de Fevereiro do mesmo ano, baixa ao Hospital de Sangue nº 8, tendo alta no dia 18 do mesmo mês, com 2 dias para convalescença. Acabaria por sobreviver à guerra. Depois de recuperado, seguiu para Portugal, juntamente com o 6º Batalhão em 15 de Abril de 1919, a bordo do navio inglês “Northwest Miller”, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara em 19 de Abril.

3 - Manuel Joaquim da Costa, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às cinco horas da tarde do dia 19 de Novembro de 1895 no lugar dos Lourenços, na freguesia de S. Paio, filho de António Joaquim da Costa e Maria Joaquina Marques, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar dos Lourenços desta freguesia de S. Paio. Embarcou para França em 7 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 517, onde pertenceu à chamada Brigada do Minho.
Sabe-se pouco do seu percurso de guerra durante o conflito. Sabe-se que já em França, no cenário de guerra, terá combatido na Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918), integrando o 2º Grupo de Pioneiros.
Sabe-se também que baixou ao Hospital em 1 de Fevereiro de 1919, tendo tido alta no dia 10 seguinte.
Embarcou no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 3 de Abril de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Carlota da Pureza Fernandes, em 5 de Fevereiro de 1921.
Manuel Joaquim da Costa viria a falecer em 16 de Outubro de 1969 na freguesia de Paderne, deste concelho de Melgaço.


Cartão da Liga dos Combatentes de Manuel Joaquim da Costa
(Cartão gentilmente cedido por JP Rodrigues)

4 - Alfredo Soares, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da tarde do dia 28 de Março de 1894 no lugar da Costa, na freguesia de S. Paio, filho de José Luís Soares e de Emília de Freitas, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 11 de Janeiro de 1914 com Maria Rosa Gomes e era morador no lugar da Granja, desta freguesia de S. Paio, concelho de Melgaço. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 393, onde pertenceu à chamada Brigada do Minho. No seu percurso durante a guerra, ficaram registados diversos episódios de punições disciplinares por atos considerados desadequados para o contexto.
Já em França, no cenário de guerra, foi punido em 12 de Agosto de 1917 pelo “Senhor Comandante da Companhia com 8 dias de detenção por ter saído da forma sem autorização quando companhia se dirigia para o local de instrução de noite e ter recolhido o quartel da sua companhia”. Dois dias depois, ou seja a 14 de Agosto de 1917, foi novamente punido “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção por ser encontrado no centro de instrução e durante o intervalo apoderar-se de alguma fruta de uma nogueira pertencente a uma propriedade que começa no mesmo campo”.
Em 7 de Março de 1918, encontrava-se em combate tendo sido ferido durante as hostilidades.
Foi punido em 19 de Junho de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de prisão disciplinar por ter faltado a uma formatura e responder menos conveniente ao Senhor Comandante da Comandante quando este o mandou calar por pretender tomar posse de uma barraca que lhe não pertencia…”.
Foi punido novamente em 23 de Setembro de 1918 “pelo Senhor Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por faltar à revista que teria lugar em 22 (dia anterior), sem motivo justificado…”. Alguns dias depois, em 28 de Setembro do mesmo ano, voltaria a ser novamente punido pelo “Senhor Comandante do batalhão com 10 dias de detenção por faltar aos trabalhos de fortificação e instrução de 26”.
Em 22 de Outubro de 1918, é ferido e baixou à ambulância nº 4, tendo tido alta para a unidade em 9 de Novembro seguinte.
Em 30 de Outubro, no âmbito da reorganização do C.E.P., é integrado no Batalhão de Infantaria nº 22, 2ª Companhia.
Em 5 de Janeiro de 1919, ainda se encontrava-se no Batalhão de Infantaria nº 22, tendo sido abatido ao efetivo dessa unidade nessa data, dando entrada no Depósito Disciplinar 1 no dia seguinte, facto provavelmente relacionado pelos numerosos casos de indisciplina protagonizados pelo soldado Alfredo Soares. Necessitou de cuidados médicos em 15 de Fevereiro de 1919, quando baixou ao Hospital de Sangue 8, tendo tido alta em 12 de Maio seguinte.
Em 5 de Junho de 1919, seguiu para o Pelotão de Estafetas afim de ali aguardar julgamento, vindo das Prisões da Base. Nada consta acerca do julgamento no seu Boletim Individual. Apenas sabemos que embarcou no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, juntamente com o Depósito Disciplinar 1, em 5 de Julho de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 8 do mesmo mês e ano.

5 - José Maria Alves Pereira, Soldado do Batalhão de Sapadores de Caminhos de Ferro, 2ª Companhia. Nasceu às sete horas da tarde do dia 8 de Março de 1894 no lugar do Regueiro, na freguesia de S. Paio, filho de Francisco José Alves Pereira e de Maria do Livramento Gomes, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar do Regueiro, desta freguesia de S. Paio, concelho de Melgaço. Embarcou para França em 26 de Maio de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 72 482.
Sabemos muito pouco do seu percurso durante a guerra. Já em França, no cenário de guerra, foi integrado na S.E.M.M. em 1 de Setembro de 1917. Sabemos que foi punido em 7 de Agosto de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 2 dias de detenção porque estando naquela data na formatura da limpeza do gado, saiu da mesma formatura sem autorização do sargento que assistia…”.
Após o término da guerra, embarcou no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, juntamente com o Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro, em 27 de Abril de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 1 de Maio seguinte.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Paderne



No artigo de hoje, o blogue presta homenagem aos valentes soldados naturais de Paderne, deste concelho de Melgaço, que combateram nas trincheiras de França na 1ª Grande Guerra. Dos mais de 70 homens que partiram de Melgaço para a guerra em 1917, 14 eram naturais desta freguesia de Paderne. Destes homens, 3 deles faleceram na guerra (António Alberto Dias, do lugar da Verdelha; Raul Gomes, do lugar de Queirão e José Afonso, do lugar de Fontes). 
Um outro soldado, António José Rodrigues, foi feito prisioneiro de guerra durante a Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918. Durante meses, nada se soube dele permanecendo como um dos milhares de soldados portugueses que tinham desaparecido durante os combates. Apenas em Novembro de 1918, se soube que estava num campo de prisioneiros na Alemanha, tendo sido libertado após o fim da guerra...
Estes foram os padernenses que combateram na 1º Grande Guerra. Honra a estes heróis!

Eles foram:
1 - António Alberto Dias, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às sete horas da tarde do dia 11 de Janeiro de 1892, no lugar da Verdelha, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de José Bernardino Dias e de Maria do Carmo Alves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Áurea Rebelo desde 7 de Setembro de 1914 e era morador na freguesia de São Paio, concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria (Brigada do Minho).
Já em França, em cenário de guerra, foi punido no dia 16 de Setembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detenção por não apresentar a bolacha de ração de reserva que lhe havia sido distribuída com a recomendação expressa de não a comer sem autorização, recomendação esta que lhe foi feita por um oficial antes da marcha para as trincheiras da 2ª Brigada de Infantaria e na ocasião da distribuição”.
Faleceu na primeira linha de trincheiras em resultado de ferimentos em combate em 9 de Outubro de 1917. Os seus restos mortais foram sepultados no Cemitério de Le Tourette, coval nº 78. Posteriormente, foram trasladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué, Talhão D, Fila 13, Coval 25.


Sepultura de António Alberto Dias
no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué (França)

2 - Raul Gomes, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às onze horas da noite do dia 27 de Agosto de 1894 no lugar de Queirão, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de Manuel Joaquim Gomes e de Luciana Rosa Rodrigues. À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro era morador na freguesia de Paderne.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França, integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Já em França, em cenário de guerra, foi promovido a 2º Cabo em 27 de Agosto desse ano de 1917. A sua permanência no teatro de operações foi curta. Em 9 de Outubro desse mesmo ano, foi ferido em combate tendo baixado à ambulância nº 3. Faleceu nesse mesmo dia, vítima desses ferimentos, sendo o seu corpo sepultado no cemitério de Vielle Chapelle, coval C13. Posteriormente, os seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué, Talhão A, Fila 13, Coval 3.


Sepultura de Raul Gomes
no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué

3 - Manuel António Gonçalves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às duas horas da tarde do dia 30 de Março de 1892 no lugar de Crastos, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de António Joaquim Gonçalves, sapateiro (natural da freguesia de Salamonde, concelho de Vieira do Minho) e de Angelina Augusta Meixeiro (natural de Paderne). Era neto paterno de Umbelina Rosa Gonçalves, solteira, e materno de João Maria Meixeiro e Emília da Graça Puga.  À época da partida para a guerra, encontrava-se solteiro e morava no lugar de Crastos, freguesia de Paderne. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917.  Já em França, por ordem superior da 4ª Brigada de Infantaria, foi integrado no Quartel General da Base -  Depósito de Materiais de Bagagens, em 6 de Novembro de 1917. Foi punido em 6 de Fevereiro de 1918 “pelo Chefe da Secção de Fardamento com 8 dias de detenção por não responder à chamada para o trabalho na oficina de sapateiro ontem pelas 14 horas”. Foi novamente punido no dia 14 de Fevereiro de 1918 “pelo Snr. Chefe da Secção com 8 (oito) dias de detenção por não dedicar na Oficina de Sapateiro toda a sua aptidão…”. Em 19 de Fevereiro de 1918, ainda se encontrava na secção de fardamentos. Em 11 de Dezembro de 1918, seguiu para as Escolas do Corpo Expedicionário Português “afim de ali prestar serviço da sua especialidade”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) em 16 de Maio de 1919, juntamente com o Quartel General 2 com destino a Portugal. Desembarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Maio. Após a guerra, casou, em 19 de Janeiro de 1921, com Rosa Joaquina Durães, natural de S. Paio. Viria a falecer em 19 de Fevereiro de 1975, na freguesia de S. Paio (Melgaço).

4 - José Cerqueira Afonso, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às cinco horas da manhã dia 14 de Março de 1892 no lugar de Fontes, lugar da freguesia de São Salvador de Paderne, filho de Inácio José Afonso e de Maria Cerqueira, ambos lavradores e moradores no lugar antes citado. Era neto paterno de Maria Joaquina Afonso, solteira, e neto materno de Manuel Joaquim Cerqueira e Maria Rosa Afonso. À época da sua partida para a guerra, era casado com Capitolina Afonso e era morador em Paderne. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Foi punido no dia 16 de Setembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detenção por não apresentar a bolacha da ração de reserva que lhe havia sido distribuída com a recomendação expressa de a não comer sem autorização, recomendação esta que lhe foi feita por um oficial antes da marcha para as trincheiras da 2ª Brigada de Infantaria e na ocasião da sua distribuição”. Foi novamente punido no dia 17 de Setembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 6 dias de detenção por ter faltado à 3ª refeição de 16 (dia anterior) sem motivo justificado, apresentando-se meia hora depois”. Combateu na Batalha de La Lys em 9 de Abril de 1918. Inicialmente, foi dado como desaparecido em combate na dita batalha mas posteriormente verificou-se que tinha falecido. Provavelmente, o seu corpo apareceu só mais tarde. Os seus restos mortais encontram-se sepultados em França, no Cemitério de Richebourg l`Avoué, Talhão C, Fila 10, Coval 10.


Sepultura de José Cerqueira Afonso
no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué


5 - Manuel Ferreira, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 24 de Maio de 1893 no lugar de Queirão, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de pai incógnito e de Rosa Ferreira. Era neto materno de António Manuel Ferreira e Marcelina Pires. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar de Queirão, na dita freguesia de Paderne.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 16 de Maio de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Do seu percurso militar na guerra, não se conhece praticamente nada. O seu Boletim Individual encontra-se praticamente “em branco”. Apenas se sabe que sobreviveu à guerra e desembarcou em Lisboa em 9 de Junho de 1919.
Viria a falecer em 24 de Janeiro de 1968 na cidade de Lisboa.

6 - António José Rodrigues, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu em data desconhecida, filho de José Manuel Rodrigues e Carolina Rosa Rodrigues, natural da freguesia de Paderne. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 526. Sobreviveu à guerra. Combateu na Batalha de La Lys de onde foi dado como desaparecido em combate. No final da guerra, em Novembro de 1918 e por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, soube-se que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a dita batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Münster II (Alemanha). O soldado António José Rodrigues embarcou no navio inglês "Northwest Miller" em 31 de Janeiro de 1919 e desembarcou em Lisboa de 4 de Fevereiro de 1919.        

7 - António Xavier Nunes, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 29 (Braga), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro da manhã do dia 2 de Maio de 1897 no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de António Nunes, Guarda Fiscal, e Rosa Besteiro, lavradeira. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar a Várzea, freguesia de Paderne. Embarcou para França em 22 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 47 193, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. A sua estadia em cenário de guerra foi bastante curta e de apenas alguns meses. Em sessão de Junta Médica de 13 de Agosto de 1917, foi julgado incapaz de todo o serviço. Em face de tal decisão, foi repatriado tendo embarcado em Cherbourg (França)  a bordo do cruzador auxiliar “Pedro Nunes” em 9 de Novembro de 1917, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 12 de Novembro.
Viria a falecer no dia 16 de Janeiro de 1955, na freguesia de Miragaia, concelho do Porto.

8 - Manuel Rodrigues, 2º Sargento do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às dez da manhã do dia 10 de Setembro de 1896 no lugar da Longarinha, na freguesia de Paderne, filho de José Rodrigues e Custódio Esteves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Maria Adelaide da Costa desde 11 de Setembro de 1911 e era morador em Valença do Minho. Embarcou para França em 15 de Março de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 019, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. Conhecemos muito pouco do seu percurso durante a guerra. Sabemos que esteve de licença durante 30 dias por ordem de serviço do Quartel General do Corpo Expedicionário de 10 de Julho de 1918 “findos os quais deve ser presente a nova junta médica”. Consta no seu Boletim Individual que foi “abatido ao efetivo do batalhão em 25 de Agosto de 1918”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 4 de Fevereiro de 1919.

9 - Faustino Esteves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro da manhã do dia 29 de Julho de 1893 no lugar da Portela, na freguesia de Paderne, filho de José Joaquim Esteves e Claudina de Castro Araújo, proprietários. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Rosa da Glória Fernandes desde 2 de Junho de 1913 e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 437, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. Conhecemos muito pouco do seu percurso durante a guerra. Foi colocado em 20 de Agosto de 1917 no 2º Grupo de Companhias de Pioneiros. Entretanto, em data desconhecida é promovido a 1º Cabo, posto que detinha em 4 de Setembro de 1917. Em Abril de 1918, ainda se encontrava na mencionada unidade, tendo combatido na Batalha de La Lys (9 de Abril) fazendo parte do referido 2º Grupo de Pioneiros.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 20 de Março de 1919.
Viria a falecer em 4 de Dezembro de 1957, na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço.

10 - Dinis da Silva, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às dez horas da noite do dia 16 de Março de 1892 no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de Ladislau Augusto da Silva e Maria de Jesus Besteiro, lavradores. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 468, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. O seu percurso durante a guerra é abundante em atos de indisciplina, frequente entre os soldados portugueses nesta guerra e respetivas punições. Foi punido em 19 de Julho de 1917 “pelo Exmo. Comandante do Batalhão com 1 (um) dia de Prisão Disciplinar por ter faltado a uma formatura…”. Foi igualmente punido em 12 de Agosto “pelo Comandante da Companhia com 8 dias de detenção por ter saído da forma sem autorização quando a companhia se dirigia para local  de instrução de noite e ter recolhido ao quartel da sua companhia…”. Uma terceira punição foi-lhe aplicada em 26 de Outubro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 8 (oito) dias de detenção por ter sido incorreto na maneira como se dirigiu ao 1º sargento da companhia quando este o advertia por uma falta…”. Foi-lhe aplicada uma outra punição em 15 de Março de 1918 “pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção porque, tendo-se ausentado ontem do alojamento da companhia, faltou à formatura que às 18 horas teve lugar afim desta companhia de entrar como reforço do sub-setor…”. Foi ainda punido em 29 de Agosto de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por ter faltado aos trabalhos deste dia sem motivo justificado”. Por motivo que não aparece descortinado no seu Boletim Individual, o soldado Dinis da Silva, em 5 de Junho de 1919, seguiu da Prisão da sua Base para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) afim de ali aguardar julgamento. Sabemos ainda que baixou à ambulância 3 em 8 de Junho de 1919, tendo tido alta no dia 15, seguindo para o Depósito Disciplinar 1.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, juntamente com os soldados do Depósito Disciplinar 1, em 5 de Julho de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 8 de Julho de 1919.
Após regressar da guerra, casou com Isménia Rosa Afonso no dia 24 de Maio de 1921. Viria a falecer em 29 de Julho de 1970, na freguesia de Paderne, neste concelho de Melgaço.

11 - Aldemiro Magno Gomes, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da tarde do dia 1 de Setembro de 1892 no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de Constantino José Gomes, guarda fiscal, e Maria de Sousa e Castro. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Berta Alves desde 29 de maio de 1916 e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 852, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho.
A sua permanência no cenário de guerra foi realtivamente curta. Foi colocado na 1ª Companhia em 18 de Outubro de 1917. Contudo, em sessão de junta médica de 22 de Julho de 1918, foi julgado incapaz de todo o serviço e salienta-se que o soldado não tem condições para “angariar meios de subsistência”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 28 de Outubro de 1918.
Viria a falecer em 14 de Dezembro de 1969, na freguesia de Paderne, neste concelho de Melgaço.

12 - Bernardo Esteves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às oito horas da noite do dia 11 de Março de 1895 no lugar da Golães, na freguesia de Paderne, filho de José Luís Esteves e Maria do Carmo Rodrigues, lavradores. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 22 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 846, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho.
A sua permanência em cenário de guerra não foi muito longa. Ficou ferido num desastre ocorrido em serviço no dia 10 de Agosto de 1917, dia em que baixou ao Hospital de Sangue nº 1, sendo no mesmo dia evacuado para o Hospital Geral britânico nº 3. Recebe alta e volta à Base em 2 de Setembro do mesmo ano. Baixa ao hospital 32 em 1 de Outubro, sendo evacuado no mesmo dia para o Hospital 54. Baixa de novo à ambulância nº 3 em 9 de Janeiro de 1918, sendo evacuado para o Hospital de Sangue nº 1 no dia 10. Deu entrada nos hospitais da Base em 11 de Janeiro de 1918, sendo evacuado para o Depósito de Convalescentes.
Em sessão de junta médica de 4 de Fevereiro de 1918, reunida na ambulância 3, foi julgado incapaz de todo o serviço, tendo seguido para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) em 11 de Março, onde embarca com destino a Portugal. Sobreviveu à guerra, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 18 de Março de 1918.

13 - José Maria Gomes, Soldado Servente do Regimento de Artilharia nº 5, 3º Grupo de Baterias de Artilharia (6ª Bateria). Nasceu às onze horas da noite do dia 24 de Outubro de 1892 no lugar do Cabo, na freguesia de Paderne, filho de António caetano Gomes e Maria do Rosário Esteves, lavradores. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 25 de Julho de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 70 854.
Sabemos muito pouco sobre o percurso deste soldado durante o conflito. Já no cenário de guerra em França, foi transferido para o 3º Grupo de Baterias de Artilharia em 23 de Agosto de 1917. Contudo, foi condecorado com a Medalha de Expedição a França em 27 de Fevereiro de 1919.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, juntamente com a 4ª Bateria do 3º Grupo de Baterias de Artilharia, em 28 de Março de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 31 de Março de 1919.
Após voltar da guerra, casou com Teresa de Jesus Alves em 8 de Abril de 1931. Viria a falecer em 13 de Maio de 1975, na freguesia de Paderne, neste concelho de Melgaço.

14 - Manuel de Jesus, Soldado do 1º Esquadrão de Cavalaria - Escola de Equitação. Nasceu em data desconhecida no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de Manuel de Jesus, alfaiate, e de Claudina Rosa Souza, doméstica. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 2 de Julho de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 67 361.
Sabemos pouco sobre o percurso deste soldado durante o conflito. Sabe-se que foi punido em 10 de Fevereiro de 1919 “pelo Sr. Comandante do 1º Esquadrão com cinco (5) dias de detenção porque estando de guarda à cavalariça e de quanto originou pela falta de vigilância que um cavalo se ferisse…”.
Em junta médica de 20 de Abril de 1918, o soldado Manuel de Jesus foi julgado incapaz de todo o serviço. Por essa razão, seguiu para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) afim de ser repatriado em 6 de Agosto desse ano.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 25 de Agosto de 1918.