Mostrar mensagens com a etiqueta chaviães. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta chaviães. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de março de 2026

A Igreja de Chaviães (Melgaço) em fotografias de meados do século XX

 



Na paróquia de Chaviães, o templo cristão mais antigo de que temos conhecimento era uma igreja dedicada a Santa Seguinha. A dita igreja encontra-se documentada desde 1177. A igreja mudou de orago algures no século XVI, para Santa Maria Madalena.

Partilhamos um pequeno conjunto de fotografias da meados do século XX. Viaje no tempo!...












sábado, 15 de abril de 2023

O povo de Chaviães (Melgaço) pede a proteção divina (1910)


 

 

Em tempos antigos os surtos epidémicos eram bastante frequentes na nossa região. Doenças como o tifo, a tuberculose, a pneumonia ou a varíola, entre outras, provocavam frequentes picos de mortalidade entre a população. 

A generalidade das pessoas tinha uma inabalável fé em Deus e com uma certa frequência o povo organizava rituais religiosos para que Deus os livrasse da fome ou das doenças fatais.

Pela leitura dos jornais melgacenses, sabemos que em 1910, o povo de Chaviães saiu em procissão, desde a sua igreja até à capela de Gondufe, em Paços, levando a imagem de São Sebastião e implorando proteção divina contra a epidemia de varíola que tinha feito bastantes vítimas por estas bandas. De facto, no “Jornal de Melgaço” de 27 de Janeiro desse ano, podemos ler: 

 

Procissão de penitência 

Implorando a proteção divina por causa da terrível epidemia da varíola, que tantas vítimas têm causado neste concelho, realizou-se, no último domingo, na freguesia de Chaviães, uma posição de penitência, levando à sua frente o glorioso mártir São Sebastião.  

A concorrência do povo era extraordinária. Na capelinha de Gondufe, aonde se dirigiu aquela posição, houve sermão pelo Reverendo Francisco José Dias, que, apesar de não estar preparado, proferiu uma linda oração. 

Bem hajam os habitantes de Chaviães pela sua iniciativa, porque se Deus não velar por nós com mais cuidado do que aqueles que, na terra, tinham por dever empregar todos os meios ao seu alcance para afastar aquela moléstia, estamos irremediavelmente perdidos. 

Melhor seria que em vez de, em certos tascos, agora se censurarem os atos de quem, no exercício das suas funções, procede dignamente, se fosse mais humanitário, menos malcriado e até atrevido. 

Mas estejam certos, esses cavalheiros, que um dia, talvez não muito tarde, lhes será cortada a ponta da língua já que a tem cumprida demais. 

A bom entendedor... 

 

Extraído de: “Jornal de Melgaço”, edição de 27 de Janeiro de 1910. 


domingo, 5 de março de 2023

Quem foi Amadeu Abílio Lopes, o melgacense que dá nome à praça na Calçada?

 



A Calçada é uma das áreas mais emblemáticas da vila de Melgaço. Espaço de passagem mas também de convivência, a Calçada foi, durante décadas, designada de Largo José Cândido Gomes de Abreu, antes de ser renomeado de Praça Amadeu Abílio Lopes tal como se chama na atualidade. Mas quem foi este distinto melgacense? Deixamos aqui algumas notas biográficas que conseguimos reunir.

Amadeu Abílio Lopes era filho de Vitorino José Lopes, soldado da Guarda Fiscal, e de Maria Rosa Cortes, lavradeira. Foi também neto paterno de Manuel José Lopes e de Maria Benedita Pereira, sendo, por outro lado, neto materno de António Luís Cortes e de Balbina de Castro.

Nasceu no lugar do Cortinhal, Chaviães, a 13 de Março de 1913. Emigrou em 1927 para o Brasil. Depois de adulto ingressou no mundo dos negócios, tendo sido proprietário de estabelecimentos ligados à panificação, entre outras áreas de atividade, conseguindo amealhar considerável fortuna.

Casou a 13 de Setembro de 1942 com Ulysseia Pires, senhora natural do Rio de Janeiro.

Na edição de Julho de 1945 da publicação “Vida Carioca” do Rio de Janeiro, fala-nos dos negócios do Sr. Amadeu Lopes na chamada Cidade Maravilhosa. Ali, podemos ler: “Há três anos, o Sr. Amadeu Abílio Lopes fez sociedade com o Sr. Duque e, sob a firma Duque & Lopes Ltda., adquiriram a propriedade da bem situada e bem afreguezada Panificação Modelo de Botafogo, à Rua Mena Barreto, 55, num dos pontos mais importantes daquele bairro aristocrático.

Tendo trabalhado na Padaria São João, que é outro importantíssimo estabelecimento de panificação de Botafogo, durante o período de 1930 a 1942, o Sr. Amadeu Abílio Lopes adquiriu uma prática do ramo notável, que o fez um verdadeiro mestre da arte. (...)

trabalha com 15 empregados. (…) Faz as suas entregas em cinco carochinhas higiénicas e rápidas.

É uma casa e primeira ordem...

Em 1956, mandou construir no lugar onde nascera, junto à estrada, a vivenda a que chamou “Lar da Saudade”, onde ele e a esposa passavam as férias quando vinham a Portugal.

Em vários momentos, ajudou com avultadas somas em dinheiro, a Santa Casa da Misericórdia de Melgaço e os Bombeiros Voluntários de Melgaço. No que toca aos contributos para a Santa Casa, estes eram consideráveis, dadas as palavras dirigidas pelo Padre Carlos Vaz, provedor, nas páginas da “Voz de Melgaço”, na edição de 15 de Agosto de 1960: “Deve todo o concelho uma grande homenagem. Deve-a também e sobretudo o nosso hospital. E, pela nossa parte, vamos prestá-la dentro de alguns meses, descerrando na sala principal do hospital as fotografias de dois benfeitores muito dedicados aos problemas do nossos doentes.

Queremos referir-nos a S. Ex.cias o Sr. Amadeu Abílio Lopes e Sua Ex.ma esposa. Nos arquivos desta Santa Casa, já se encontra há muito uma verba muito avultada para o novo hospital, outras e outras vêm sendo dadas por aqueles ilustres benfeitores. Ainda agora, para a ambulância, 5.000$00…

O Padre Carlos Vaz, provedor da Santa Casa, volta e enaltecer o caráter altruísta do Sr. Amadeu Lopes na edição da “Voz de Melgaço, na edição de 15 de Dezembro desse mesmo ano nestes termos: “Um dos grandes melgacenses dos nossos dias e que de longe, e de olhos fixos na sua terra, vem para ela contribuindo com o seu carinho, a sua dedicação, a sua generosidade, veio a todos dar-nos o seu exemplo, oferecendo a avultada soma de 280.000$00, para o novo edifício. Que belo exemplo para todos nós! E nas vésperas do Cortejo!

Ao Senhor Amadeu Abílio Lopes, a Sua Ex.ma Esposa, de Chaviães, sempre presentes nesta gloriosas batalhas do Coração, por nós e por todo o povo da nossa Terra, os mais vivos agradecimentos.

Na Voz de Melgaço, de 15 de Novembro de 1963, o provedor da Santa Casa escreve: “Já não nos falta exemplos dignos de imitar-se, o do Sr. Amadeu Abílio Lopes e de Sua Ex.ma Esposa, de Chaviães, com a sua valiosíssima oferta de 350 000$00.” Existem outros contributos a que fazem referância a imprensa local nomeadamente para a Santa Casa melgacense.

Amadeu Lopes deve ter sido um cidadão distinto em terras do Brasil. Foi-lhe atribuído, em data que não conseguimos apurar, o grau de comendador e era figura de destaque na sociedade. Podemos atestar esta observação com uma notícia do “Diário do Paraná”, edição de 25 de Novembro de 1971, onde destaca a presença do comendador na visita do Arcebispo de Braga a Curitiba nos seguintes dizeres: “Desde ontem de manhã, Curitiba é a segunda cidade brasileira Alvares que guarda um “fac-simile” da cruz do almirante Pedro Álvares Cabral que esteve no altar da missa celebrada em Porto Seguro, quando do Descobrimento do Brasil.

A cruz foi entronizada pelo arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, Dom Francisco Maria da Silva, no anfiteatro da Reitoria da Universidade Católica do Paraná, em solenidade que lugar às 10 horas de ontem, estando presente o comendador Amadeu Abílio Lopes, e Dona Ulisséia Pires Lopes, descendente direto do descobridor do Brasil.

Já numa fase adiantada da sua vida, juntamente com outros melgacenses, criou a sociedade anónima “Quintas de Melgaço, Agricultura e Turismo, SA.” Em 1997, doou as suas ações Câmara Municipal de Melgaço. O município atribuiu ao Largo José Cândido Gomes de Abreu, mais conhecido por Largo da Calçada, o seu nome.

A sua esposa finou-se em 1999, na sua residência da Praia de Botafogo, Rio de Janeiro, com 76 anos de idade.

Ele morreu também no Brasil, em Abril de 2013, com cem anos de idade. Não teve quaisquer filhos.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

O pedido do povo de Chaviães (Melgaço) ao rei D. João VI (1817)


 


Em 1817, estávamos no reinado de D. João VI, que ainda permanecia no Brasil. Nessa época, na freguesia de Chaviães, os fregueses estão descontentes com o sino da igreja e decidem pedir ao rei que lhe concedesse uma esmola para comprar um novo. 

Assim, no dia 10 de Junho desse ano, o pároco Manuel Diogo Alves de Abreu e fregueses lavram um documento a expor a situação ao monarca. Afirmam os fregueses que “precizam de um sino porque o que tem he insipido e fraco e não se ouve pela Igreja”. 

Sabendo o povo de Chaviães que o rei tem dado às mais igrejas” idêntica ajuda, resolvem pedir diretamente a S. Majestade “se digne mandar dar hum sino aos suplicantes para a sua igreja que se ouça pela igreja por cuja graça e esmola rogarão pelos aumenttos de vida de Vossa Magestade e do seu reinado 

No texto integral do requerimento do pároco e fregueses de Chaviães, pode ler-se: 

Senhor, 

Dizem o Reverendo Pároco e freguezes da Parochial Igreja de Santa Maria Magdalena de Chaviães do Termo de Melgaço: que requereram a Vossa Majestade lhe fizesse a graça de lhe mandar dar huma esmola para alguns preparos da sua igreja; em consequência dos suplicantes pagarem a 3ª dos dízimos a Vossa Majestade cujo requerimento foi servido mandar informar pelo seu Provedor; que deu, e informou a necessidade dos suplicantes; e que se faziam dignos da compaixão de Vossa Majestade - até ao prezente nada rezultou; e porque Vossa Majestade tem dado às mais igrejas; e precizam de um sino porque o que tem he insípido e fraco e não se ouve pela Igreja portanto: 

se digne mandar dar hum sino aos suplicantes para a sua igreja que se ouça pela igreja por cuja graça e esmola rogarão pelos aumenttos de vida de Vossa Magestade e do seu reinado. 

Como Procurador, 

O Padre Manuel Diogo Alves de Abreu. 

Em 10 de Junho de 1817. "




Extraído de:

- Arquivo da Torre do Tombo - Ministério do Reino (1736 - 1910) - REQUERIMENTO DE PÁROCO E FREGUESES DA IGREJA PAROQUIAL DE SANTA MARIA MADALENA DE CHAVIÃES, TERMO DE MELGAÇO, SOLICITANDO A ENTREGA DE UM SINO PARA A SUA IGREJA (10-06-1817).