quarta-feira, 23 de julho de 2014

As origens da Paróquia de Chaviães: De Santa Seculinha a Santa Maria Madalena

Igreja paroquial de Chaviães dedicada a Santa Maria Madalena
(Foto de J. Braga)

Na paróquia de Chaviães, o templo cristão mais antigo de que temos conhecimento era uma igreja dedicada a Santa Seguinha. A dita igreja encontra-se documentada desde 1177.
Santa Seguinha ou Seculinha é um orago pouco comum nas igrejas medievais Portuguesas, mas Pierre David encontrou-o noutras igrejas da diocese de Braga. Segundo o mesmo autor, refere-se à Santa Segolène de Albi, uma Santa Francesa do séc. VII, adaptada como padroeira de igrejas portuguesas a partir do séc. XI. A escolha desta invocação em Chaviães talvez se relacione com o facto do Mosteiro de Fiães ter, na Idade Média, monges franceses, e ter várias propriedades e direitos em Chaviães, o que aliás deu ocasião a vários litígios entre a Igreja e o mosteiro que se tentaram solucionar por um acordo realizado mais tarde em 1246, revelando-nos também o quanto a Igreja de Chaviães e este mosteiro entre si.
A construção desse templo dedicada a Santa Seculinha deverá estar relacionada com o movimento de criação de igrejas ao longo dos séculos XI e XII, altura em que “toda a vila ou aldeia procurou ter a sua ecclesia(...). Em 1183, metade da igreja de Chaviães pertencia a D. Afonso Henriques que, então, faz doação dela à vila de Melgaço.
A atual igreja de Chaviães conserva importantes vestígios românicos. Dessa época, preserva-se o corpo da igreja, ainda que este tenha sofrido acrescentos e algumas mudanças na época moderna.
Em 1320, foi determinada a taxa a pagar ao rei D. Dinis pelos benefícios eclesiásticos do reino, aí se concluindo os que estavam dependentes do bispado de Tui como acontecia com a igreja de Chaviães. Desse documento, se depreende que a igreja paroquial de Chaviães era então a mais rica paróquia do termo de Melgaço, o que provavelmente justifica a sua cuidada obra ao gosto românico.
Nesta igreja, reencontramos aspetos arquitetónicos e escultóricos semelhantes aos de igrejas próximas de Paderne e Orada, embora, em Chaviães, esses modelos tenham sido seguidos de uma forma menos rica e mais ruralizada. A atual igreja parece assim datar da segunda metade do século XIII.
Conhecemos os rendimentos para o Arcebispo de Braga das igrejas do termo de Melgaço no início do século XVI, algures entre a localização da comarca eclesiástica de Valença no Arcebispado de Braga (1514) e o fim do Arcebispado de D. Diogo de Sousa (1532). Nessa época, Chaviães não era, para o Arcebispo, a mais rendosa das igrejas do termo de Melgaço. Em 1545 – 1549, é feita nova avaliação dos benefícios da Comarca de Valença, verificando-se a mesma situação.

Também no século XVI, Chaviães aparece como sendo do padroado do Duque de Bragança, como consta do tombo de 1547 que volta a ser copiado em 1592. O Censual de D. Frei Baltasar Limpo (1551 – 1581) dá-nos indicações, quer sobre o padroado da igreja de Chaviães, quer sobre a mudança de orago que se viria a verificar. De facto, toda a documentação referida indica como padroeira da igreja “Santa Segoinha” mas o Censual de Frei Baltasar Limpo no capítulo “Terra de Melgaço, annexas im parpetuum” refere a anexação perpétua de Santa Maria Madalena de Chaviães a “Sancta Seculinha de Chaviães”. No capítulo dedicado aos benefícios da Terra de Melgaço, “d’ apresentação dos padroeiros”, refere-se “Chaviães, Sancta Seculinha do Duque de Bragança. Tem anexa pertétua Santa Maria Madalena de Chaviães por doação que lhe fizeram padroeiros leigos”. A anexação das duas igrejas talvez explique que, da junção de ambas e dos dois oragos, um fosse caindo no esquecimento – Santa Seculinha – passando a igreja a ser conhecida como sendo de Santa Maria Madalena.

Extraído de:
BESSA, Paula (2003) - Pintura Mural na Igreja de Santa Maria Madalena de Chaviães. Boletim Cultural de Melgaço, Câmara Municipal de Melgaço, Melgaço.

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