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terça-feira, 18 de novembro de 2014

A tragédia da Peneda em imagens (Fevereiro de 1956)

Acabadinhas de chegar, partilho com vocês um conjunto de fotografias da tragédia da Peneda que a Sra. Teresa Lobato teve a amabilidade de me enviar. As mesmas são da autoria do seu pai, Sr. Júlio Coutinho, funcionário da Junta Autónoma de Estradas.  
Lembro ao leitor que este desastre ocorreu na manhã do dia 2 de Fevereiro de 1956. Na imprensa desse dia contava-se que  "Esta manhã, cerca das 10 horas, devido à neve que se acumulara no local, um desses penedos, que pela configuração é denominado “Cabeça da Velha”, quebrou-se e soltou-se da serra, começando a rolar com grande estrondo, pela encosta. (...) que ali é bastante inclinado, levando na frente arvoredo e casas, tudo destruindo e causando alguns feridos. A princípio, reinou mesmo o terror na região, pois as primeiras notícias deixavam prever que numerosas pessoas jaziam mortas, entre os escombros das casa que foram destruídas pelo imenso pedregulho.
Felizmente, apesar da grave extensão material do desastre, não se registaram mortos e as autoridades tomaram rápidas providências para serenar os ânimos e para prestar imediato auxílio aos feridos, alguns dos quais em estado de certa gravidade."

Leia tudo acerca deste episódio clicando em
PARTE 1
PARTE 2









NOTA: Agradeço à Sra. Teresa Lobato a partilha destas fotografias. Ajudam-nos a ter uma noção real da magnitude dos estragos causado pelo enorme bloco de granito.



sábado, 15 de novembro de 2014

Peneda (Fevereiro de 1956) - Depois da tragédia, tratam-se dos feridos e dos desalojados

A Peneda e o santuário na época


Pareceu um milagre da Nossa Senhora da Peneda. No dia 2 de Fevereiro de 1956, um enorme bloco de granito abateu-se sobre a povoação da Peneda. Miraculosamente, apenas causou alguns feridos e outros desalojados.
Na edição do dia seguinte (3 de Fevereiro), o Diário Popular faz o rescaldo do desastre ocorrido e refere “Em toda a região de Melgaço e no concelho de Arcos de Valdevez causou profunda emoção, o desastre de ontem de manhã, no lugar da Peneda, junto ao santuário do mesmo nome.
Como o Diário Popular foi o primeiro diário a noticiar, uma grande massa de granito, cujo peso é calculado em mais de 150 toneladas, devido à acumulação de neve e à infiltração das águas, tombou do alto da serra, de uma altura superior a 200 metros e principiou a rolar pela encosta, vertiginosamente, destruindo, quase por completo três casas particulares e o refúgio para peregrinos pertencente à Confraria de Nossa Senhora da Peneda.
O bloco imenso era muito admirada em toda a região pela forma estranha em que assentava, deafiando todas as leis do equilíbrio. A sua configuração assemelhava-se a uma cabeça de velha e por este nome era conhecido por toda a população das redondezas.
Por feliz acaso, não houve consequências trágicas a lamentar, as quais, se receavam. Por este facto, de Melgaço, seguiu para o local o Sr. Dr. António Cândido Esteves, tendo o Sr. José Igreja posto à disposição dos serviços de socorros o seu automóvel.
O pedregulho derrubou também na sua marcha várias árvores, assim como o muro do cemitério, o qual por seu turno, tombou desfeito sobre os jazigos. Justamente, alarmada, a população da Peneda saiu para o campo, ouvindo-se gritar as mulheres e as crianças. Umas pediam socorro, outras, ajoelhadas na terra fria, imploravam a clemência de Deus. Depois destas destruições – um dos prédios reconstruído foi atravessado de lado – o grande bloco de granito abrandou de velocidade até se imobilizar. Deixara, porém, atrás de si, um sulco profundo no terreno e no seu caminho arrastara também várias pedras de grandes dimensões.
Felizmente, todos os feridos experimentaram hoje sensíveis melhoras. No Hospital de Melgaço, tiveram já alta, seguindo já para suas casas, Constança de Sousa, casada de 45 anos, e Maria de Jesus Martins, solteira de 27 anos. Apenas continua internada mas livre de perigo, Claudina Rosa Martins.
Esta tarde, seguiram de Arcos de Valdevez para o local do sinistro, os membros da Confraria de Nossa Senhora da Peneda, o Senhor Padre Manuel Alves, os Engenheiros Rebelo Oliveira, Júlio Vilaverde, Anselmo da Cunha e Ramiro Amaral, e o representa do Sr. Arcebispo Primaz de Braga Gilberto de Brito Dantas. Como os terrenos onde se deu o desatre pertencem àquela confraria, deverá ela decidir, em princípio, as previdências a tomar para evitar novos desprendimentos de rocha, os quais, no entanto, não parecem eminentes.
O cemitério do lugar, acanhado e mal situado, estava já para ser transferido para outro local apropriado. A confraria resolveu agora definitivamente colocá-lo noutro terreno. Para o efeito, os dirigentes daquele organismo religioso avistar-se-ão com a Junta de Freguesia, a qual por seu turno, pedirá o necessário apoio económico ao Presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, Sr. Alberto Barreiros Aranha.
A Peneda voltou à calma, regressando toda a população aos seus trabalhos normais.”

(Diário Popular de 4 de Fevereiro de 1956) 

Na edição de 4 de Fevereiro, a edição do Diário Popular conta-nos que “A mesa da Confraria de Nossa Senhora, proprietária dos domínios onde se deu o desmoronamento da Peneda, visitou os locais mais atingidos e resolveu elaborar um plano de estudos tendentes a facilitar a solução dos inconvenientes criados pelo desastre.

O seu primeiro cuidado será proceder à construção de novos alojamentos para os habitantes da Peneda que viviam gratuitamente nas casas, agora destruídas ou danificadas, caso que será resolvidos urgentemente para evitar que a pequena população ali instalada abandone a terra e se fixe noutro local com melhores meios de acesso e ligação com os centros importantes do norte do país, o que seria um perigo para os importantes bens da confraria que ficariam sujeitos a assaltos. Está também assente a construção de um novo cemitério.”

Leia tudo sobre este desastre clicando em Momentos de grande pânico na Peneda (Fevereiro de 1956)






Extraído de:
- Diário Popular, edição de 3 de Fevereiro de 1956, nº 4787;
- Diário Popular, edição de 4 de Fevereiro de 1956, nº 4788.

sábado, 8 de novembro de 2014

Momentos de grande pânico na Peneda (Fevereiro de 1956)



No dia 2 de Fevereiro de 1956, as gentes da Peneda viveram momento de grande pânico. Um grande penedo rolou vertente abaixo e arrasou casas e cemitério. Por milagre, não houve mortes. O Diário Popular na época conta o sucedido: “A população das imediações do lugar da Peneda, onde se ergue o Santuário do mesmo nome viveu hoje horas de grande alarme, quando um imenso bloco de granito, pesando algumas centenas de toneladas, se deslocou  e começou a rolar pelo terreno, que ali é bastante inclinado, levando na frente arvoredo e casas, tudo destruindo e causando alguns feridos. A princípio, reinou mesmo o terror na região, pois as primeiras notícias deixavam prever que numerosas pessoas jaziam mortas, entre os escombros das casa que foram destruídas pelo imenso pedregulho.
Felizmente, apesar da grave extensão material do desastre, não se registaram mortos e as autoridades tomaram rápidas providências para serenar os ânimos e para prestar imediato auxílio aos feridos, alguns dos quais em estado de certa gravidade. 
Junto ao Santuário de Nossa Senhora da Peneda, existiam duas massas de granito que, pelo sua posição e feitio, despertavam sempre grande interesse entre os milhares de peregrinos que anualmente, em Setembro, acorrem à romaria que ali se efetua e entre os quais se contam sempre muitos espanhóis, vindos a pé de longas distâncias.
Esta manhã, cerca das 10 horas, devido à neve que se acumulara no local, um desses penedos, que pela configuração é denominado “Cabeça da Velha”, quebrou-se e soltou-se da serra, começando a rolar com grande estrondo, pela encosta.
A pouco e pouco, a enorme massa de granito ganhou ainda mais velocidade, nada se podendo então opor à sua marcha. Árvores e outros pedregulhos, tudo era arrasado, num verdadeiro alude, que ameaçava submergir.
Uma das primeiras vítimas – felizmente quase sem consequências – da desenfreada correria do imenso pedregulho foi uma velhinha de 73 anos que andava no campo, a apanhar lenha. Ao ouvir o estrondo enorme produzido pelo granito a rolar no terreno e avistando o pedregulho que avançava na sua direção, a pobrezinha julgou chegado o seu último momento. Num gesto instintivo, não para defesa, mas para não contemplar a morte, a velhinha levantou um braço, cobrindo os olhos.
Nesse instante, a massa de granito, rolando impetuosamente, chego no local e passou sobre a velhinha. Felizmente, esta encontrava-se numa acentuada depressão no terreno. Como o volume do pedregulho era enorme, a massa granítica não penetrou no buraco. E a velhinha apenas foi atingida de raspão, precisamente no braço que erguera para cobrir os olhos, o qual ficou levemente ferido.
Mais adiante, a mole granítica derrubava árvores e, encontrando na sua frente o frágil obstáculo dos muros do cemitério, destruía-os e cruzava todo o espaço ocupado pelos jazidos, fazendo destroços, deixando atrás um sulco profundo.
Não se interrompera ainda a marcha fatídica do penedo de granito. Mais adiante, penetrava em quatro prédios, que derrubava parcialmente, lançando o pavor na vizinhança e causando, então,  ferimentos em muitas das pessoas que se encontravam nas casas atingidas.
Para se fazer uma ideia da força com que o pedregulho rolava, basta referir que uma das casas era bem sólido, pois a sua construção era recente, estando ainda a terminar-se as pinturas ali efetuadas. O penedo gigantesco atravessou a casa de lado a lado, furando as suas paredes como se fossem de cartão e causando assim prejuízos superiores a uma centena de contos.
Esses prejuízos elevaram-se rapidamente, pois outros três prédios foram igualmente atravessados pelo pedregulho. A marcha deste, no entanto, fora já consideravelmente reduzida e o penedo de granito, daí a pouco, em terreno mais plano, imobilizava-se. Para trás dela, em poucos segundos, ficara um espetáculo de horror.
Como acima referimos, ficaram feridas várias pessoas, mas muitas delas, por as suas contusões não serem de gravidade, receberam tratamento na Peneda e foram abrigadas por pessoas amigas. Pelo seu estado inspirar mais cuidados, foram internados no Hospital da Misericórdia desta vila (Melgaço) os seguintes sinistrados: Constança de Sousa, de 45 anos, com várias contusões pelo corpo; Claudina Rosa Martins, de 43 anos, casada, em estado grave, devido ao esmagamento das costelas; Maria de Jesus Martins, de 27 anos, solteira, com vários ferimentos. Estas feridas foram imediatamente assistidas pelo Sr. Dr. Esteves e pelo pessoal de enfermagem.


Na sua correria, a massa de granito causou também prejuízos no abrigo dos romeiros, que pertence ao Santuário e que só não foi destruído por ter sido atingido apenas numa esquina.”  

Recortes de jornal da época (clique nas imagens para ampliar):






Extraído de:
- Diário Popular, edição de 2 de Fevereiro de 1956, nº 4786.