domingo, 13 de janeiro de 2013

Vila de Melgaço (1919) - Postal antigo



Postal antigo que nunca foi enviado mas apenas datado pela pessoa que o adquiriu com a data de 21 de  Setembro de 1919. 
Na frente do postal, fotografia do início do século XX tirada do lado poente. Conseguimos observar muito bem as diferenças paras os dias de hoje. Destaca-se como sempre a Torre de Menagem, algo degradada no topo onde lhe faltam algumas pedras conforme se pode observar no seu lado esquerdo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Capela de Santa Bárbara (Prado - Melgaço)


A Capela de Santa Bárbara fica situada no lugar de Bouços, na freguesia melgacense de São Lourenço de Prado. A sua origem remonta à primeira metade do século XIX e a sua construção deve-se a um sacerdote. Vamos referir-nos às suas origens...
Em 1752, a 29 Março, nasce um tal José Lopes, filho de Rafael Lopes e de sua segunda esposa, Maria Gonçalves. Em adulto, tomou as ordens de presbítero, assinando como Padre. José Lopes de Araújo. Em 1828, a 23 Novembro, o mesmo redige o seu testamento. Nas suas últimas vontades, diz deixar um legado "in perpetum" de 3 missas rezadas, uma no dia do Santíssimo Nome de Jesus, outra no dia de São José e outra no dia de Santa Bárbara, mandadas rezar com os rendimentos do campo da Barronda, avaliado em 300$000, que confrontava com o rego de cortinas, de Sul com o Campo de João Ventura, de Oeste com as terras de Ana Pereira. Dos rendimentos deste campo será administrada a Capela de Santa Bárbara no que não chegarem as esmolas que os fiéis derem à dita Santa. Nessa altura, decorria a construção de uma capela no referido lugar dos Bouços patrocinada pelo dito clérigo. 
Mais se refere no testamento que, se ao falecer, a capela de Santa Bárbara ainda não estivesse acabada, os rendimentos deste campo correriam para a sua feitura até estar concluída e se poder celebrar as 3 missas do legado deixado. Ainda consta no testamento que José Lopes deixava todos os seus bens móveis e de raiz a seu sobrinho o Dr. José Manuel Durães de Araújo e os bens de prazo deixava-os por vida a seu cunhado João Caetano Durães, estando na companhia do dito sobrinho. Além disto, deixava por fim a seu sobrinho António Manuel, filho de Diogo Manuel Lopes, 50$000 para ajudar a se ordenar e, caso não se ordenasse, esse dinheiro seria repartido por todos os filhos de Diogo Manuel Lopes.
Em 1830, a 2 de Março, ocorre a morte de José Lopes, quase com 80 anos. Em 1853, a 27 Janeiro, o Dr. José Manuel Durães de Araújo (sobrinho de José Lopes) compra a Joaquina Rosa Alves Torres, por 50$000, a casa de morada nos Bouços, sobrada, telhada e com rocios de pão e vinha, que confrontava a Este com João Manuel Fernandes, a Oeste e Sul com o caminho de carro para a fonte do lugar. A 7 Fevereiro de 1853 regista-se o casamento de Maria Justiniana, filha do Dr. José Manuel com João José Lopes, dos Bouços. Mais tarde, em 1855, a 22 Fevereiro, regista-se a compra a João Manuel Fernandes e mulher, Antónia Maria Soares, por 40$000, da leira do Martingo ou Ambrosinha e a leira dos Cerrados dos Bouços, de pão, vinha e oliveiras, que a Sul confrontava com o caminho do lugar.
No ano de 1856 é conclui-se a remodelação da capela e esta data aparece inscrita na verga do portal. Em 11 Setembro do mesmo ano, o Dr. José Manuel Durães de Araújo regista a escritura em que se obriga a conservar com toda a decência a capela de Santa Bárbara, que se achava reedificada no lugar dos Bouços, para nela se celebrar missa. A mesma dotava a capela, para património e veneração da mesma, da quantia de 10.000$00 anuais e, para tal, hipotecava todos os seus bens em geral e em especial a sua propriedade chamada de Trás do Coto, que produzia pão e vinho, situada no mesmo lugar, e que confrontava a Este com as terras de João Ventura de Sousa, a Oeste com o caminho que ia para o lugar de Trás do Coto, a Norte com o rego que vinha de Cortinhas e terras do outorgante e a Sul com as terras de Manuel Luís Tunes.
Em 1858, a 11 Fevereiro é a data do testamento de Dr. Araújo Durães que, por ser viúvo e sem filhos, deixava, por falecimento, os bens, nomeadamente a capela, ao genro e primo João José Lopes. O seu herdeiro devia mandar dizer anualmente 3 missas na capela, uma no dia do nome Santo de Jesus, outra no dia de São José e outra no dia de Santa Bárbara, com os rendimentos do campo da Barronda. Posteriormente, em 1877, a 4 Outubro, verifica-se o falecimento do Dr. Araújo Durães, com posterior abertura do testamento. João José Lopes casou em segundas núpcias com D. Angelina Perpétua Esteves, descendente dos Gamas da Serra, constando a capela no inventário orfanológico da sua viúva. Na década de 50 do século XX, por morte desta, a capela passou para os filhos. Genoveva, casada com João Luís Pinheiro, dos Bouços; Teresa de Jesus, casada com Eduardo José de Magalhães, de Castros, Penso; Aníbal Amadeu, casado com D. Bebiana da Conceição Rodrigues Lobarinhas, da casa do Crato, na Bela, em Monção, e a José Manuel, casado com Júlia Augusta Ribeiro Palhares, do Outeirão, Raposos.


Informações recolhidas em:
- www.monumentos.pt (Paula Noé, 2009);


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Vila de Melgaço (1922) - Postal antigo



Postal escrito a 12 de Agosto de 1922 do Peso (Paderne - Melgaço) e enviado para Santo Tirso para a mãe do remetente.
Na frente do postal, encontramos uma fotografia da vila de Melgaço no lado virado a sul onde observamos a torre de menagem e parte da vila, especialmente a parte mais antiga. Nos arredores, vemos as parcelas agrícolas, a estrada antiga e alguns pessoas de passagem...

sábado, 5 de janeiro de 2013

O significado de inscrições em monumentos melgacenses IV

Inscrição na Igreja do Mosteiro de Paderne (Melgaço)


Inscrição gravada em silhares em granito.

Leitura:
OBIIT : R : GARSIE : MEnSE : DeCemBeR I / Era : Ma : CCa : 2XXXXa : / ILP : G[il]BE(r)TO (?) : FECIT
Inscrição funerária de Rodrigo ou Rui Garcia, gravada em dois silhares da face exterior da parede Norte da nave da Igreja de Paderne, na quinta fiada de pedras, antes do primeiro contraforte.
Tanto quanto sabemos, a insc. funerária de R. Garcia foi publicada uma única vez, por Carlos Alberto Ferreira de Almeida. Este autor apresentou uma versão um pouco divergente da nossa, registando:
"... na parede exterior da nave virada para este recanto (...) temos uma importante inscrição obituária, a qual nos diz que «No Mês de Dezembro de 1255 morreu R. Garcia, que fez este templo». Como este nome parece não ser o do prior desse tempo, é possível que aluda ao mestre da obra." (ALMEIDA C.A.F. 1986(b), p. 55).
As nossas divergências concentram-se, como se pode verificar, apenas na interpretação da última regra do primeiro silhar, depois dos numerais relativos à Era. Carlos A. Ferreira de Almeida entende que se trata de uma referência à iniciativa de R. Garcia enquanto construtor ou encomendador da Igreja monástica, enquanto que nos parece que a referência - G[il]BE(r)TO FECIT, na nossa interpretação - se deverá relacionar antes com o autor da epígrafe: o seu redactor ou o seu lapicida.
A inscrição funerária de R. Garcia apresenta, no seu conjunto, uma deficiente qualidade paleográfica. Sublinhemos que a inscrição foi gravada depois de os silhares se encontrarem na actual posição. Isso é provado pela sequência do epitáfio, com a primeira regra a ocupar dois silhares (embora no segundo apenas os primeiros 86 cm) e as restantes dispostas apenas no primeiro silhar. Ambos os silhares já apresentavam gravadas as respectivas siglas de pedreiro. No primeiro silhar, a sigla encontra-se sobre o primeiro C da Era, podendo passar algo despercebida. Na segunda pedra encontra-se por baixo do S de MEnSE, sendo bem evidente. Em ambos os casos a sigla é constituída por uma pequena espiral, um sinal que aparece abundantemente representada noutras zonas do monumento. Por baixo do primeiro silhar, encontra-se gravada uma cruz e quatro símbolos ou letras isoladas, de difícil compreensão. É possível que nada tenham a ver com a inscrição funerária de R. Garcia. Temos dúvidas quanto à leitura da parte terminal da inscrição quando se regista o nome do escriba/redactor ou do autor material do epitáfio. Conseguimos ler, sem dificuldade, o G (semelhante ao de GARSIE, na primeira regra) e, depois de pequeno espaço desgastado, as letras BETO com pequeno traço sobre o O, um sinal universal de abreviatura que suscita dificuldades de desdobramento. Propomos G[il]BE(r)TO mas temos algumas dúvidas.
O Mosteiro de S. Salvador de Paderne recebeu Carta de Couto das mãos de D. Afonso Henriques, em 16 de Abril de 1141, em sinal de reconhecimento pelo auxílio prestado por D. Elvira Sarracins "... quando tomavit dominus rex castellum de Labo-rario ...". Começou por ser mosteiro beneditino feminino, tendo mudado, antes de 1225, para os Cónegos Regrantes. A inscrição corresponde, portanto, já à segunda fase desta instituição monástica.


Extraído de:
- BARROCA, Mário Jorge (2000) - Epigrafia Medieval Portuguesa - (862-1422), vol. II, CORPUS EPIGRAFICO MEDIEVAL PORTUGUÊS. Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Porto.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O significado de inscrições em monumentos melgacenses III


Inscrição na Igreja da Misericórdia de Melgaço.


Inscrição gravada em silhares em granito com um Comprimento de 60 cm e uma Altura de 35 cm. (altura média das letras gravadas):

Leitura:
... LAVOR i MA ... / DOMINGO D(ia)S (?) ...

Tal inscrição encontra-se gravada em silhar na face exterior da parede Sul da nave da Igreja da Misericórdia de Melgaço, hoje colocado na terceira fiada de pedras. Um pouco abaixo desta inscrição na segunda fiada de silhares, e à sua direita, encontra-se outro silhar com vestígios de inscrição também com duas regras, que não conseguimos decifrar.
A inscrição da Igreja Matriz de Melgaço permaneceu inédita até aos nossos dias. Por estar muito truncada, oferece dificuldades à compreensão do seu verdadeiro significado. Assinalaria o nome do arquitecto da obra? Se assim fosse, o seu texto poderia ser reconstituído na forma:
"Foi deste LAVOR MAestre DOMINGO D(ia)S" ou algo parecido. Devemos, no entanto, confessar que são demasiado frágeis as bases em que nos apoiamos para sugerir esta reconstituição.


Extraído de:
- BARROCA, Mário Jorge (2000) - Epigrafia Medieval Portuguesa - (862-1422), vol. II, CORPUS EPIGRAFICO MEDIEVAL PORTUGUÊS. Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Porto.