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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Estórias do Tomás das Quingostas contadas na Galiza


Junto à Pena de Anamão (Castro Laboreiro), um dos principais refúgios do Tomás das Quingostas

"A canteira está ben dura
e témola que arrombar
iá ama do señor cura
la tenemos de matar"

 Conta o pobo que um célebre ladrón, o Tomás das Congostras, que no século XIX andaba por estas terras, foi unha noite com vários compañeiros a roubar a Reitoral de Lobeira; non poideran entrar pola porta e entón comenzaron a abrir un burato na parede e pra que o abade non ouvise o ruído que faguían, cantaban a cantiga trascrita namentras estaban na su a angueira. Iste inxenuo recurso non lles valeu, xa que o crego espertou e comenzou a tiros coiles deica faguelos fuxir. Engade a lenda que anos despois o Tomás asaltou ao mesmo párroco na Reitoral de San Mamede de Grou, pra onde fora trasladado; colleuno entón e cortoulle as orellas namentras lle decía: ‘’Aqui non estamos en Lobeira, señor abade’’.

os pobres non o tem
os ricos non o dán;
quen queira sentar plaza
saia á Pedra de Anamán

Esta cantiga refírese ao Tomás de Congostras. Dí a lenda que o Tomás era moi boi mozo e tiña a súa gurida na Pena de Anamán. Tales foran os seus delitos que a raiña de Portugal madóu unha partida contra il; a forza de o precurar atopárano e déronlle morte; pra xustificar o seu feitio, cortáranlle a cabeza e leváronlla á raiña, que en canto o ollóu dixo: ‘’Se soubera que era tan bo mozo nono mandaba matar’’. Esta cantiga servia pra indicar aos seus simpatisantes onde tiñen que iren pra se xuntaren á súa partida.."

Extraído de: www.ourensebaixalimia.com.

sábado, 18 de agosto de 2012

O rio Minho: origem do seu nome e local de nascimento (segundo as Memórias Paroquiais de 1758)


O rio Minho à passagem por Melgaço

O rio Minho assume-se como um símbolo geográfico e político para todo o Nororeste português e peninsular. O rio dá o nome à antiga província e eterna região que se prolonga para sul até ao Douro Litoral e que possui uma identidade paisagística singular. O nome deste rio vem-lhe, conforme o testemunho de 2 memorialistas, do nome da fonte chamada Minho, na Galiza, onde nasce (Memória de Vila Meã, Vila Nova Cerveira; vila de Monção). Pelo seu curso manso e aprazível há também quem o queira tomar pelo rio Lethes! (Memória de Vila Meã, Vila Nova Cerveira). Quando se trata de fixar o local, terra, bispado de nascimento do rio, os memorialistas fornecem informações variadas. E há múltiplas propostas, umas mais genéricas e imprecisas que outras: a Galiza, Montes de Leão, Astúrias, Castela, Bispado de Lugo, Bispado de Mondonhedo, Riba d’Ave ou Riba d’Avia e mais vezes, Castro d’El Rei, na Galiza. Em abono da referência geográfica, o lugar de «Castro de Rei», 4 léguas de Mondonhedo, cita o memorialista de Seixas (Caminha) o A. de Oliveira Freire na sua Descriçam corographica do reyno de Portugal (Lisboa, 1739). A Geografia Moderna fixa-lhe a serra de Meira (Galiza) como local de origem. O desconhecimento da geografia galega em geral e da geografia do território das origens do rio Minho em Espanha, era de facto, geral entre os párocos, que com dificuldade respondiam a este item, comum à descrição «genealógica» dos rios na Geografia Clássica, sobre o que também perguntavam os itens do Inquérito. É certo que alguns ainda se alargam na descrição do trajecto galego do rio Minho. E fizeram algum esforço de recolha de informação para poder responder o mais correctamente à matéria. Tal terá criado até alguma controvérsia, pelo que decorre da resposta do pároco da vila de Monção (concelho de Monção) que se sentiu na necessidade de esclarecer que a Fonte do Minho é no Bispado de Mondonhedo «e não no de Lugo como muitos tem dito e outros escrito….» (Memória respectiva). Entre outros referenciavam o nascimento do rio no Bispado de Lugo, os memorialistas de Chaviães e da vila de Melgaço, do concelho vizinho.


Extraído de:
- CAPELA, José Viriato (2005) - As freguesias do Distrito de Viana do Castelo nas Memórias Paroquiais de 1758. Alto Minho: Memória, História e Património Casa Museu de Monção/Universidade do Minho.