Nesta semana, o programa "Caminhos da História" do Porto Canal é dedicado a Melgaço. O historiador Joel Cleto guia-nos numa viagem a vários pontos do nosso concelho...
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sexta-feira, 15 de outubro de 2021
sexta-feira, 22 de maio de 2020
As bonitas paisagens de Melgaço na obra do pintor Jaime Murteira
No
idos anos sessenta e setenta do século passado, havia uma presença que era notada na
vila de Melgaço nas temporadas de Verão. Era a do pintor Jaime
Murteira que costumava passar os verões no Terreiro onde pintava e
ainda hoje há pessoas que se lembram de o ver por lá a pintar.
Nessas temporadas de permanência em Melgaço, pintou alguns dos seus
mais bonitos quadros que retratam recantos da nossa terra e que vamos
recordar no artigo de hoje. Quadros que retratam Penso, Gondufe
(Chaviães), o rio Minho, um dia de Feira, uma rua da vila de
Melgaço, entre outros...
Quem
se recorda dos tempos em que o conceituado pintor passava temporadas em Melgaço conta que “Do prédio do terreiro saía o Sr. Murteira,
bata branca, olhar altivo, cavalete de madeira debaixo do braço e
maleta na mão, passo largo como que a medir terreno e chegado ao
terreiro pequeno cravava o cavalete de pontas metálicas, sacava da
maleta, paleta, tintas e espátula e os putos esqueciam o jogo. Eles
eram os únicos a seguir o filme que o Sr. Murteira passava para a
tela, silenciados pela maravilha das cores que nem no Pelicano com
índios e cowboys os impressionavam tanto.
Os
outros sussurravam, encolhiam os ombros, debandavam para a tasca
escolhida sem darem conta que os jogos e berreiro dos putos tinham
acabado.
Sentados
à roda ou em pé, bocas abertas seguiam os vermelhos e amarelos,
azuis e verdes, as cores da terra que os vira nascer e sempre
ignoraram.
Recolhida
a tela, fechado o cavalete, o cortejo dos putos seguia Sr. Murteira
até à porta do prédio. Nessa noite os sonhos dos rapazes da vila
foram mais coloridos e até o comboio galego, feio e cinzento, apitou
com mais doçura”. (in: Blogue “Melgaço do Monte à Ribeira”)
Jaime
Murteira (1910-1986) nasceu em Lisboa e foi um seguidor tardio do
movimento naturalista português. Em 1942, frequentou o curso de
pintura da Sociedade Nacional de Belas-Artes, tornando-se discípulo
de Frederico Aires e António Saúde. Em 1954, obteve a primeira
medalha em pintura da Sociedade Nacional de Belas-Artes, e mais tarde
o prémio Silva Porto do Secretariado Nacional de Informação. As
suas obras figuram em colecções particulares e instituições
nacionais, onde se destaca o Museu José Malhoa, nas Caldas da
Rainha, acervo de referência do Naturalismo Português.
Faleceu
em 1986 e Melgaço permanece como uma das suas maiores inspirações...
Deixamos aqui alguns dos mais bonitos quadros que retratam Melgaço...
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| Quadro com o nome "Rio Minho", de data desconhecida |
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| Quadro "Rua de Melgaço" da autoria de Jaime Murteira. Óleo sobre platex. De data desconhecida mas provavelmente da década de 70. |
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| "Casa Minhota - Gondufe - Melgaço", óleo sobre platex, assinado e datado de Setembro de 1970 no verso |
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| Quadro "PENSO STREET", Rua de Penso (Melgaço) pintada por Jaime Murteira, por volta de 1970. |
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| Quadro com o título "Melgaço", pintado em data desconhecida. |
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| Quadro com o título "Melgaço" pintado em 1967. |
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| Quadro com o título "Paisagem Campestre de Melgaço", de data desconhecida |
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| Quadro com o título "Melgaço", pintado em 1961 |
sábado, 2 de maio de 2020
Os lugares de Melgaço no mais antigo mapa de Portugal (1560)
O
mapa de Portugal mais antigo conhecido até hoje tem quase 500 anos e
foi elaborado em 1560. O seu autor é o cartógrafo Fernando Álvares
Secco.
Trata-se
de um mapa com um grau de pormenor bastante elevado e onde podemos
encontrar a representação de
diversos lugares e linhas de água. Uma
outra particularidade é que o mapa aparece orientado de forma
diferente daquela a que estamos habituados a ver. Assim o Oeste
aparece posicionado para o topo da página, ou seja, em vez de vermos
Portugal continental posicionado “na vertical” com o norte
voltado para o topo do mesmo, o território aparece-nos numa posição
“horizontal” tal como se pode observar no mapa integral.
| Mapa original e integral " A Descrição atual e precisa de Portugal, antiga Lusitânia" de Ferando Álvares Secco (1560) Ficheiro de grande resolução - clique AQUI |
No
mapa, podemos encontrar assinalados diversos lugares de Melgaço e,
além do rio Minho, os traçados dos rios Trancoso e Laboreiro ainda
que não
se
encontrem referidos os seus nomes. O traçado dos dois pequenos
rios
encontram-se, contudo, desenhado com pouco rigor: Por
um lado, o seu traçado é desenhado dentro do território português
e não representam a linha de fronteira como seria o correto. Por
outro lado, no mapa, o rio Trancoso, à época chamado de Ribeira das
Bárzias, é local de desembocadura das águas do rio Laboreiro.
Assim, no mapa, o rio Laboreiro em vez de correr em direção ao rio
Lima, vai encontrar-se com o Trancoso e
as suas águas vão em
direção ao rio Minho. Daqui se nota que o autor do mapa não tinha
o mínimo conhecimento do terreno da nossa região. No mapa, o rio
Laboreiro, além de ser um afluente do Trancoso, é colocado
com a nascente na serra do Soajo.
No
mapa, aparece traçado também o rio Mouro e representada a Ponte do
Mouro. O autor achou importante marcar a localidade onde nasce o dito
curso de água, Lamas de Mouro, mas inscreveu-o com a designação de
“Mouco” em vez de “Mouro”. Aparentemente, parecem tratar-se
de erros de transcrição e não formas arcaicas dos topónimos.
Chamo
à atenção que neste mapa, apesar de aparecerem assinalados vários
lugares dos, à
época,
concelhos de Melgaço e Castro Laboreiro, a vila de Melgaço
não
merece nenhuma referência, ao
contrário da vila castreja.
Também Paderne ou Fiães não aparecem assinalados. Ao contrário,
encontram-se marcados no mapa, próximos do rio Minho, de Oeste para
Este, a Várzea (próximo do Peso, à época era freguesia), Remoães
(no
mapa “Ramoas”), Prado (no mapa “Prados”) e
S. Paio.
Curiosamente,
S. Paio aparece assinalado de forma errada como situado próximo
da
margem do Minho, tal como Remoães e Prado. Este
erro pode ser explicado da seguinte maneira. Durante séculos, as
igrejas de Remoães e Prado eram subordinadas à de S. Paio e por
alguma razão o autor foi induzido em erro colocando S. Paio na
margem do Minho.
No
território do antigo concelho de Castro Laboreiro, além da vila,
aparece representada a
Branda
do Rodeiro. Temos
ainda inscrito
um lugar designado de “Os Viduais”. Não sabemos se o autor se
queria referir ao lugar ao atual lugar do Vido, mesmo sabendo que a
localização não é muito rigorosa.
Aparecem
ainda inscritos no mapa dois outros locais situados, aparentemente em
terras de Castro Laboreiro: “Corvelhe”
(local totalmente desconhecido em terras castrejas nunca citado,
creio, em documentos antigos). Será
algum erro de transcrição e quereria o autor inscrever o lugar da
“Corveira” (forma antiga de “Curveira”)?
O
mesmo tipo de observação podemos fazer para outro local
identificado no mapa como “Carvalher”. Quereria
o autor escrever “Carvalheira”, lugar que se desconhece em
documentos antigos como topónimo em terras castrejas? Ou
estaria a tentar referir-se ao Porto dos Cavaleiros (Cavaleiros),
antigo lugar situado entre Castro Laboreiro e Lamas de Mouro? É mais
plausível esta segunda hipótese mas não passa de uma conjetura.
Uma
última nota para a designação que é dada à unidade de relevo a
que pertencem as terras altas de Melgaço. Hoje em dia, damos nomes
vários às várias
unidades de relevo situadas dentro do atual território de Melgaço
tais como a Serra do Laboreiro, Serra da Peneda ou Serra do Pomedelo.
Tal como podemos ver neste mapa, todas as terras altas, a sul do rio
Minho, dentro dos concelhos (à época) de Melgaço e Castro
Laboreiro são designadas como a “SERA (Serra) DA STRICA”. Essa
designação é replicada em mapas posteriores durante o século XVII
e XVIII.
Parece
ser um equívoco do autor. Na atualidade, ainda temos o sítio e
localidade de Estrica que fica perto de Sistelo, no vizinho concelho
de Arcos de Valdevez. Em mapas do século XVIII e XIX, encontramos a
designação da Serra da Estrica atribuída a uma unidade de relevo a
sudoeste
de
Castro Laboreiro e
dentro de terra arcuenses. Creio contudo que este nome da serra se
encontra em desuso, existindo
contudo o lugar de Estrica.
Uma
última nota para este mapa que não se pretende criticar com
este pequeno apontamento.
Temos que ter em conta que estamos em meados do século XVI e
elaborar este mapa foi certamente uma tarefa monstruosa. Por isso, é
um marco na cartografia em Portugal e é o mais antigo mapa do nosso
país até hoje conhecido.
Hoje,
a arte da Cartografia é incrivelmente mais fácil com todos os meios
que temos ao dispor.
No
tempo de Fernando Álvares Secco tudo era diferente.
sexta-feira, 14 de abril de 2017
Cevide (Cristóval - Melgaço) no programa Agora Nós" da RTP (13-04-2017)
No programa "Agora Nós" da RTP 1 de 13 de Abril de 2017, falou-se do lugar de Cevide, na freguesia de Cristóval, concelho de Melgaço. Aqui começa Portugal. Destaque para as lindas imagens destes local e para as entrevistas de Mário Monteiro, grande impulsionador da divulgação deste lindo recanto, e do Presidente da Câmara de Melgaço... Veja o vídeo do programa!
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Documentário "Trabalhadores do contrabando": ex-contrabandistas falam na 1ª pessoa
“Trabalhadores do contrabando” é o nome de um
documentário produzido na Galiza que nos fala desta atividade tão antiga como a
existência das fronteiras. Ouça ex-contrabandistas melgacenses e de Arbo a
falar sobre esses tempos onde o contrabando era um verdadeiro “modo de vida”,
essencial para a sobrevivência de muitas famílias em tempos difíceis..... Veja o vídeo completo!
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
A Guerra da Restauração nas fronteiras de Melgaço (Parte 1)
As atrocidades cometidas nas aldeias de Melgaço durante a Guerra da Restauração (1641)
| Cristóval (Melgaço) na atualidade |
Mais de um século depois da Restauração da
independência portuguesa em 1640, um livro intitulado "História do
Portugal Restaurado", publicado em 1751, conta-nos muitos episódios da
Guerra da Restauração. Entre outras passagens, fala-nos das atrocidades cometidas
pelos soldados portugueses e espanhóis nas povoações raianas de Melgaço e
localidades galegas do outro lado da fronteira no ano de 1641. Aldeias em Paços, Cristóval ou
Castro Laboreiro (Melgaço) foram incendiadas e saqueadas. Era o estalar da Guerra da
Restauração...
O dito livro conta-nos que: "Nestes
dias, andando em Melgaço, rondando as sentinelas junto do rio, o Capitão de
Infantaria Francisco de Gouvea Ferraz, estimulado de ouvir da outra parte do
rio a um soldado galego algumas palavras contra o decoro del rei, se lançou
impetuosamento ao rio, e passando a nado, se achou da outra parte sem oposição,
porque o galego, medroso, do seu lado se retirou, antes que ele chagasse,
podendo facilmente tomar vingança da sua ousadia. Tornou da mesma forma a
voltar a Melgaço, e logrou o merecido aplauso da sua resolução.
De Janeiro até Julho se passou de uma e
outra parte sem mais empresa do que estas primeiras ameaças de guerra. Em Julho
quando se rompeu a guerra no Alentejo, conhecendo El Rei que menear as armas só
para a defesa era multiplicar o perigo, e era a paz que se desejava e que se
havia de conseguir fazendo guerra, ordenou aos governadores para dar armas de
todas as províncias, que entrassem em Castela. Não dilatou D. Gastão a
obediência e deu logo ordem a Frei Luiz Coelho da Sylva, Cavaleiro da Ordem de
S. João, que com a gente de Viana, embarcada numa galeota, duas lanchas e
alguns barcos passasse a queimar a vila da Guardia, situada defronte de
Caminha. Mandou a D. João de Souza, Capitão Mor de Melgaço, que entrasse ao
mesmo tempo pela Ponte das Várzeas (próximo a S. Gregório); António Gonçalves
de Olivença pelo Porto dos Cavaleiros; por Lindoso, Manuel de Souza de Abreu e
pela Portela do Homem, Vasco de Azevedo Coutinho. Todas estas entradas se
executaram em lugares muito distantes uns dos outros e toda esta gente não
levava mais disposição que a do seu valor. Porém ignorar os perigos que
buscava, a fazia mais resoluta, achando a fortuna favorável, que costuma pôr-se
da parte dos temerários. D. Gastão passou à Insula, pouco distante da Guardia,
para observar deste sítio o sucesso dos Vianenses, de que não resultou mais,
que voltarem-se com dois barcos de pescadores. Irritou-se muito D. Gastão deste
desconcerto, como se as disposições desta empresa não insinuaram o sucesso
dela. Na Insula, mandou D. Gastão levantar um reduto, parecendo-lhe sítio
acomodado e que necessitava de segurança. Os mais que entraram em Castela
saquearam e queimaram algumas aldeias e trouxeram despojos, que os obrigou a se
animarem a maiores empresas. Governava o Reino de Galiza, o Marquês de
Val-Paraíso. As prevenções e disciplina daquela parte não excediam muitas muito
as nossas e só havia diferença de se haverem nomeado oficiais, que entendiam a
guerra, de que resultava terem os soldados melhor notícia dela.
Poucos dias depois de retirada a nossa gente, mandou o Marquês
de Val-Paraíso 800 infantes à freguesia de Cristóval (Melgaço), que é na raia
junto ao rio Várzea (rio Trancoso), e queimaram algumas aldeias, sem perdoar o
insulto ao sagrado das igrejas. Passaram à freguesia de Paços que segue a
Cristóval. Acudiu D. João de Sousa e Francisco de Gouveia, o que havia passado
o rio a nado, e trazendo consigo só 70 homens, ocuparam a passagem do rio e
obrigaram os galegos a que se retirassem perdendo 40 homens. Estas entradas,
que pareciam mais de bandoleiros que de soldados, se alternavam de uma e outra
parte com pouca vantagem nos sucessos. Com a notícia da entrada que os galegos
fizeram, tornou D. Gastão a convocar a gente, tornou D. Gastão a convocar a
gente que havia dividido, e deu ordem ao Sargento Mor Simão Pita que entrasse
na Galiza, pela Ponte das Várzeas, e Manuel de Souza de Abreu pelo Porto dos
Cavaleiros. Simão Pita teve notícia que o inimigo engrossava por aquela parte o
poder, e susteve a entrada. Manual de Souza passou o Porto dos Cavaleiros com
três mil infantes e 40 cavalos e sabendo que o inimigo ocupava o lugar do Facho
(Cristóval), por onde forçosamente havia de passar, mandou avançar António
Gonçalves de Olivença com 400 infantes a desalojar os galegos, que se achavam
com 400 infantes e 150 cavalos. Investiu-os valorosamente António Gonçalves e
obrigou-os a se retirarem.
Sem embargo desta desordem, marchou Manuel de Sousa para o lugar
de Monte Redondo (Padrenda), grande, rico e fortificado, com duas companhias
pagas e outras da ordenança que guarneceu. Chegando ao lugar, mandou avançar as
trincheiras pelos Capitães D. Vasco Coutinho, Cristovão Mouzinho e Luíz de
Brito, entraram valorosamente e queimaram o lugar à custa das vidas de muitos
galegos. A pressa, e o exemplo da gente de António Gonçalves inculcou a
desordem porque muitos dos portugueses, que sabiam as veredas, se retiraram
para suas casas com os despojos que colheram. Os galegos que saíram do lugar
ocuparam a aspereza de um monte, que era o caminho por onde Manuel de Sousa
forçosamente havia de passar. Vendo ele que era necessário vencer esta
dificuldade, deu ordem a que avançasse toda a gente a desocupar aqueles sítio e
não havendo melhor disciplina que a da competência, disse que aquele que
chegasse primeiro, lograria o aplauso daquela ocasião. O valor de todos
dissimulou este desconcerto. Porque avançando intrépidos por todas as partes,
obrigaram os galegos com morte de alguns a largarem o posto. Aos que se
retiravam, se uniram outros, que dos lugares vizinhos acudiram ao rebate e
chagando ao número de mil infantes e 200 cavalos, e se formaram num vale,
mostrando que desejavam pelejar. Facilmente lograram intento, se Manuel de
Sousa se não achara com menos duas partes da gente que havia levado à empresa.
Retirou-se queimando de caminho algumas aldeias. D. Gastão não estimou tanto o
bom sucesso, como sentiu a desordem dos que se retiraram e castigando os que
tiveram culpa e dando prémios aos que procederam com acerto, foi pouco a pouco
reduzindo a melhor forma a gente daquela província e ao mesmo passo que
ensinava, aprendia. Porém aqueles a que sucede serem primeiro generais que
soldados, dificilmente saem grandes mestres na escola militar.
Dois dias depois do sucesso referido, entrou o inimigo pelo
Porto dos Cavaleiros com dois mil infantes e 300 cavalos e derrotou os Capitães
António de Barros, que com duas companhias pagas, guardavam aquele porto.
Vindo-se retirando os socorreu a Capitão Mathias Ozório, a que dava apoio o
Sargento Mor Simão Pita. Fizeram alto os galegos com perda de alguns oficiais e
os soldados voltaram sobre o concelho de Laboreiro, e o lugar de Alcobaça, que
destruíram e queimaram. A nossa infantaria recolheu ao Convento de Fiães de
frades de S. Bernardo que com esta guarnição ficou livre dos danos que os
galegos determinavam fazer-lhe."
A guerra, essa, apenas acabara de começar... (CONTINUA)
Extraído de: MENEZES, Luiz de (1751) – História de Portugal Restaurado. Tomo I; Oficcina de Domingos Rodrigues; Lisboa.
sábado, 14 de novembro de 2015
As riquezas do rio Minho em Melgaço noutros tempos
Recuamos a um tempo em as água do rio Minho tinham um
riqueza que o leitor poderá achar impensável. Um tempo em que encontrávamos neste rio uma variedade de espécies de peixe que hoje em dia é absolutamente
inimaginável. Houve tempos em que se apanhavam no rio Minho salmões e camarões
de rio. Há pouco mais de um século, o rio Minho, era o único rio onde ainda se pescavam bons salmões
em Portugal...
No livro “Notas sobre Portugal” de 1908, podemos ler que “A partir do norte do país, o Minho, que é o
primeiro curso de água que banha o nosso território, tem o seu principal
destaque por ser o único onde, actualmente, se faz a pesca do salmão, quase
desaparecido de outros rios em que antigamente também aparecia, como no Lima,
no Cávado e até no Ave. Agora, porem, só um ou outro exemplar desgarrado é
conhecido como relíquia de uma pesca tão importante em outros países.
O Minho, que é
fronteira portuguesa desde S. Gregório, é aqui bastante largo, de fundo
pedregoso, de seixos e calhaus rolados, começando depois a estreitar-se pouco a
pouco entre Melgaço e Monção, onde, em alguns lugares, as margens talhadas em
rochas graniticas são cortadas quasi a pique. De Monção até a barra o rio
espraia-se e as margens tornam-se planas. Este rio não tem açudes que o
atravessem de lado a lado, mas sim muros de pedra, chamados pesqueiras, de
comprimento variável, que forçam as águas a tornar-se tumultuosas em algumas
passagens. O salmão não encontra porem obstáculos à sua subida e dirige-se para
as zonas superiores, nas quais a temperatura e a natureza dos fundos são mais
favoráveis para a desova.
Neste rio, também
vive a truta, que se encontra principalmente nos seus afluentes, onde se
refugia no verão, dos quais o primeiro, o ribeiro de Trancoso, que é fronteira
oriental, desce de Alcobaça, povoação insignificante situada a uns 800 metros
de altitude na vertente da serra de Castro Laboreiro. O ribeiro corre por entre
as montanhas fronteiriças portuguesas e espanholas e com grande declive,
recebendo as águas de ambas as vertentes, águas frescas e de terrenos
graniticos e que descem tumultuosas por entre os despenhadeiros das serras. Ao
passar por Alcobaça, o ribeiro atravessa-se por cima de pedras durante o verão.
A sua origem fica pouco acima no maciço granítico que se eleva logo atrás daquela
povoação e que corre a poente de Castro Laboreiro, um dos pontos culminantes do
Alto Minho e de onde deve ir ver-se todo o admirável sistema serrano daquela
província e do leste espânico”.
A este respeito, em 1894, o biólogo Adolfo Moller, de
Universidade de Coimbra fez a sua “Excursão à Serra de S. Gregório” e refere-se
à riqueza dos rios Minho e Trancoso. Menciona
que “No rio Minho encontra-se a truta,
boga, escalo, e a enguia, camarões e mexilhões. Na época própria, pescam-se
salmões, truta marina, sáveis e lampreias. Em Melgaço, vimos a vender no
mercado barbos que diziam ser pescados n'este rio. Na ribeira de Trancoso só se
encontram a truta e a enguia.”
O que é que aconteceu a toda esta riqueza do rio Minho.
Algo mudou. Que pena...
Extraído de :
- JUDICE, António Teixeira (1908) – Notas sobre Portugal.
Volume I; Exposição Nacional do Rio de Janeiro – Secção Portuguesa; Imprensa
Nacional, Lisboa.
- MOLLER, Adolfo Frederico (1894) - Excursão à serra de
S. Gregório. in: Annaes de Sciensias Naturaes, Volume Primeiro, publicado por
Augusto Nobre.
domingo, 16 de agosto de 2015
Rio Minho em Melgaço nos postais dos últimos 100 anos
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| Rio Minho no Peso (Melgaço) e Ponte Internacional, década de 90 do século XX |
Mostramos uma pequena coleção de postais dos últimos 100 anos alusivos ao rio Minho à sua passagem por Melgaço. Faça uma viagem no tempo...
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| Rio Minho no Peso (Melgaço), passagem de batela em meados do século XX |
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| Rio Minho avistado desde Gondufe (início do século XX) |
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| Rio Minho no Peso (Melgaço), inícios do século XX |
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| Rio Minho no Peso (Melgaço), início do século XX |
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| Rio Minho em Remoães (Melgaço), inícios do século XX |
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| Rio Minho no Peso (Melgaço), inícios do século XX |
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| Rio Minho à passagem por Melgaço, com vista para o comboio na margem galega (início do século XX) |
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| Rio Minho no Peso (Melgaço), meados do século XX |
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| Rio Minho no Peso (Melgaço), meados do século XX |
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| Rio Minho no Peso (Melgaço), meados do século XX |
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| Vista para o rio Minho e Capela de Nossa Senhora de Loudes (meados deo século XX) |
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| Rio Minho no Peso (Melgaço), meados do século XX |
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| Rio Minho avistado desde o Cruzeiro de S. Julião (início do século XX) |
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| Rio Minho entre Melgaço e Arbo (década de 80) |
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| Rio Minho (Melgaço), década de 80 do século XX |
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| Rio Minho no Peso (Melgaço) e Ponte Internacional, década de 90 do século XX |
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Melgaço e o rio Minho em reportagem da RTP em 1985
Recuamos 30 anos até Melgaço em 1985. Aqui
pode ver uma reportagem realizada para o programa “Rios de Portugal”.
No dia 9 de Janeiro de 1985, é emitido o
programa desta série dedicado ao rio Minho. Podemos ver imagens da época da
barragem da Frieira, de Cristóval e do vale do Minho até à vila de Melgaço.
Vemos também entrevistas a populares da terra em Cristóval e na vila de
Melgaço. As pessoas são questionadas acerca da importância do rio Minho para a
terra e queixam-se das consequências da construção da barragem para a pesca no
rio. Para eles, o rio já tinha conhecido melhores dias...
Veja e recorde a paisagem e as gentes da terra...
Nota - Pode visionar o programa completo clicando em
Depois de Melgaço, a reportagem percorre os restantes concelhos do vale do Minho até Caminha....
sábado, 27 de abril de 2013
PESO (Melgaço) 1967 - Margens do rio Minho, nas proximidades da passagem internacional de barco
PESO (Melgaço) - Margens do rio Minho, nas proximidades da passagem internacional de barco. Postal circulado datado de 1967 (Data do carimbo do correio da estação do Peso) e enviado de Melgaço para Lisboa.
sábado, 20 de abril de 2013
MELGAÇO (1929) no documentário "Saudades de Portugal" 8
Filme - Documentário de 1929 com o título "Saudades de Portugal nº 8 que nos mostra várias belezas de Portugal, entre as quais este Melgaço lindo...
São imagens raríssimas do nosso concelho em
filme que nos mostram cenas do quotidiano em vários pontos do concelho desde S.
Gregório, onde a nossa Guarda Fiscal aparece em amena cavaqueira com os
Carabineros espanhóis que guardavam a fronteira do lado galego. Vemos também
imagens do rio Minho e da vila numa procissão com andores, banda de música e
muitos populares. Vemos ainda cenas da vida do campo como um senhor a chamar
uma parelha de vacas que puxam um carro...
Muitas outras coisas para ver neste pequeno
tesouro. Tratam-se no fundo das imagens que dão movimento às histórias que os
nossos avós nos contavam...
A autoria deste filme é da produtora Adriano
Ramos Pinto & Irmão.
Fonte: Cinemateca Portuguesa
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Local:
Vila Nova de Gaia, Portugal
quarta-feira, 20 de março de 2013
Peso (Melgaço) - Passagem para Arbo (Espanha) na década de 1930 ou 1940
Nesta fotografia podemos ver as embarcações que faziam a passagem do rio Minho entre o Peso (Melgaço) e Arbo (Espanha) até meados do século XX. Não consigo precisar a data desta imagem mas penso que será algures na década de 1930 ou 1940.
Local:
Vila Nova de Gaia, Portugal
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Por Melgaço: Da vila ao rio Minho em imagens!
Esta é a melhor maneira de conhecer Melgaço e o Rio Minho! Um percurso que nos arrebata ao longo da marginal, mostrando-nos a beleza da paisagem de Melgaço. O trajecto inicia-se no centro da Vila, junto às Igrejas Matriz e da Misericórdia, templos que fascinam pela sua história e pela formosura dos elementos decorativos. Logo ao lado, o sublime Solar do Alvarinho, edifício seiscentista com a missão de promover e divulgar o vinho Alvarinho. De seguida, saímos do centro histórico, em direcção ao Centro de Estágios do Monte Prado. Trata-se de um esplêndido complexo com estádio, pista de atletismo, campos de ténis, um parque de merendas, um campo de mini golfe e uma deliciosa piscina com jactos de água, tudo locais abertos ao público em geral e que o farão parar por ali algum tempo. O percurso continua ao longo de uma levada até ao Monte Prado em si, um espaço soberbo com um hotel de quatro estrelas, um restaurante e uma pousada da juventude, tudo isto rodeado de vastos espaços florestais e já com o Rio Minho como companhia. Na marginal do rio encontramos várias pesqueiras, muros em pedra construídos perpendicularmente à corrente do rio -- um dos poucos locais onde se preservam as velhas tradições da arte da pesca, actualmente ainda utilizadas para se pescar sável e lampreia. O passeio termina na localidade de Peso, terra de águas termais há muito reconhecidas e apreciadas. Actualmente, estas termas estão a ser alvo de um projecto de recuperação. Todo o parque está envolto por antigo arvoredo que impressiona pela sua dimensão e por edifícios de importância arquitectónica: a Fonte Principal e a Fonte Nova, a Buvete, o Balneário, a Oficina de Engarrafamento e o antigo Hotel do Peso. Um cenário idílico ideal para terminar este percurso que, certamente, o fará ansiar por mais!
Vídeo e texto extraído de:
http://www.youtube.com/watch?v=gXnxapW6SA0
Local:
Vila Nova de Gaia, Portugal
sábado, 18 de agosto de 2012
O rio Minho: origem do seu nome e local de nascimento (segundo as Memórias Paroquiais de 1758)
O rio Minho à passagem por Melgaço
O rio Minho assume-se como um símbolo geográfico e
político para todo o Nororeste português e peninsular. O rio dá o nome à antiga
província e eterna região que se prolonga para sul até ao Douro Litoral e que
possui uma identidade paisagística singular. O nome deste rio vem-lhe, conforme
o testemunho de 2 memorialistas, do nome da fonte chamada Minho, na Galiza,
onde nasce (Memória de Vila Meã, Vila Nova Cerveira; vila de Monção). Pelo seu
curso manso e aprazível há também quem o queira tomar pelo rio Lethes! (Memória
de Vila Meã, Vila Nova Cerveira). Quando se trata de fixar o local, terra,
bispado de nascimento do rio, os memorialistas fornecem informações variadas. E
há múltiplas propostas, umas mais genéricas e imprecisas que outras: a Galiza,
Montes de Leão, Astúrias, Castela, Bispado de Lugo, Bispado de Mondonhedo, Riba
d’Ave ou Riba d’Avia e mais vezes, Castro d’El Rei, na Galiza. Em abono da
referência geográfica, o lugar de «Castro de Rei», 4 léguas de Mondonhedo, cita
o memorialista de Seixas (Caminha) o A. de Oliveira Freire na sua Descriçam
corographica do reyno de Portugal (Lisboa, 1739). A Geografia Moderna fixa-lhe
a serra de Meira (Galiza) como local de origem. O desconhecimento da geografia
galega em geral e da geografia do território das origens do rio Minho em Espanha,
era de facto, geral entre os párocos, que com dificuldade respondiam a este
item, comum à descrição «genealógica» dos rios na Geografia Clássica, sobre o
que também perguntavam os itens do Inquérito. É certo que alguns ainda se
alargam na descrição do trajecto galego do rio Minho. E fizeram algum esforço
de recolha de informação para poder responder o mais correctamente à matéria.
Tal terá criado até alguma controvérsia, pelo que decorre da resposta do pároco
da vila de Monção (concelho de Monção) que se sentiu na necessidade de
esclarecer que a Fonte do Minho é no Bispado de Mondonhedo «e não no de Lugo
como muitos tem dito e outros escrito….» (Memória respectiva). Entre outros
referenciavam o nascimento do rio no Bispado de Lugo, os memorialistas de
Chaviães e da vila de Melgaço, do concelho vizinho.
Extraído de:
- CAPELA, José Viriato (2005) - As freguesias do Distrito de Viana do Castelo nas Memórias Paroquiais de 1758. Alto Minho: Memória, História e Património Casa Museu de Monção/Universidade do Minho.
domingo, 5 de agosto de 2012
A Pesqueira ‘Cachões de Merelhe’ ou ‘do Frade’ (Paços - Melgaço)
"Cachões de
Merelhe’ é uma pesqueira muito antiga e que pertenceu ao Mosteiro de Fiães. Vem
referida no ‘Inventário’ elaborado em 1834. As suas 8 bocas foram avaliadas em
200$00 reis, valor muito significativo comparativamente aos dos outros bens do
Mosteiro, sendo mesmo o 2.º melhor avaliado no conjunto dos inventariados. Os
monges detinham ainda a propriedade de 14 outras pesqueiras sendo os ‘Cachões
de Merelhe’ a única explorada em administração
directa.
A sua venda em
hasta pública realizou-se em 18 de Setembro de 1843 na Junta de Crédito Público
tendo sido arrematada, conjuntamente com outros bens, por António Teófilo da
Silva que pagou 1:786$500 reis (Leite, 1999). Em
1967 e segundo relação existente no Arquivo da Capitania do Porto de Caminha, a
sua exploração estava subdividida em quinhões de pesca por António D. Lopes e
outros.
Pertence ao
Tipo II das pesqueiras caracterizadas por possuírem “corpos de base rectangular
ou romboidal com paramentos em blocos de pedra racheada, de dimensão variável,
colocados uns sobre os outros, sem qualquer argamassa e cujo travamento se faz
pela sua própria disposição.
Os corpos da
pesqueira formam entre si ‘caneiros’ por onde correm as águas do rio e na
extremidade a juzante situa-se a ‘boca’ onde se coloca o botirão. No
prolongamento do último corpo situa-se a ‘cauda’, ou ‘rabo’.
Se o rio não andar
muito alto, a passagem das águas sobre a ‘cauda’formam cachoeiras ou ‘cachões’
e redemoinhos. A corrente passa a ter mais velocidade, (‘a água dobra muito’,
na fala dos pescadores) e espécies como a lampreia, ao encontrar o obstáculo da
cauda e a água mais batida, desiste da sua progressão rio acima e dirige-se
para a margem onde á atraída pela água que passa pelas bocas da pesqueira e
entra no botirão.
Estas
pesqueiras são de dimensão considerável e daí o poderem influenciar fortemente
a direcção das correntes” (Leite, 1999).
A
‘Cachões de Merelhe’ encontra-se registada na Capitania do Porto de Caminha sob
o n.º 518 e em 1995 era ainda utilizada. Mede 75m comprimento, por 4m de
largura.Informações recolhidas em:
- LEITE, Antero - As Pesqueiras do Rio Minho. Economia, Sociedade, Património, Ed. COREMA, Caminha, 1999.
- http://acer-pt.org/vmdacer/index
segunda-feira, 30 de julho de 2012
O aproveitamento dos rios e ribeiros de Melgaço segundo as Memórias Paroquiais de 1758
No território do concelho de Melgaço,
é naturalmente o rio Minho que faz figura principal. Nele confrontam muitas das
freguesias do concelho e relativamente a ele se orienta, em declive, o
território concelhio, para ele fazendo confluir muitos rios e ribeiros que aí
nascem e se desenvolvem. Por ele se delimita o território português do galego e
se desenvolvem muitas relações sociais e comerciais. Por ele se articulam as
terras do concelho melgacense do interior do território ao litoral marítimo e à
foz em Caminha. A desenvolver-se numa grande secção no termo concelhio, o mais
importante curso de água é o do Rio de Mouro, que pertence também ao concelho
de Monção e por cuja bacia hidrográfica se fazem, aliás, os limites de ambos os
concelhos. Tem seu princípio no sítio da Portela do Lagarto, freguesia de Lamas
de Mouro e vem ao fim de 2 léguas a lançar-se no rio Minho de que é afluente
importante no sítio da Ponte de Mouro (Memória de Cousso, Cubalhão). Diz-se rio
caudaloso – com enchentes no Inverno –, que corre todo o ano, ainda que sem
qualquer navegação, porque de grande declive e correndo frequentes vezes entre
fortes penedias (Memória de Ceivães). É no final o resultado de algumas
importantes confluências: a do rio Mourilhão, que nasce nos limites da freguesia de Parada do Monte e se
junta ao rio de Mouro junto à ponte de Estadela. É também relativamente
caudaloso e de «curso arrebatado» por correr entre penedias e fragões (Memória
de Parada do Monte) e outros ribeiros, designadamente os que tem princípio na
serra de Parte Aguas e serra de Buzenlhe (Memória de Lamas de Mouro). O rio do
Porto nasce no sítio da Espartanga (Memória de Parada do Monte). Em Roussas
diz-se nascer um regato no sítio de Pumadelo (Memória de Roussas) e em S. Paio
de Melgaço faz-se referência à corga e rio de Montirigo e rio [Lantes] (Memória
de S. Paio de Melgaço).
Em Crasto Laboreiro nasce o rio de Castro Laboreiro, ao qual se juntam o rio de Campelo, o rio de Ponte das Veigas e o rio de Barreiro. Corre o Crasto Laboreiro para o Soajo, acabando no rio Tibo do Soajo (Memória de Casto Laboreiro). A pescaria do rio Mouro é em especial de trutas, frequentes da Gávea para cima; para baixo pesca-se também bogas e enguias (Memória de Parada do Monte). Neste como nos demais ribeiros e riachos a pescaria é livre, também de um modo geral é livre o acesso às águas. Nalguns casos andam repartidas e separadas entre os moinhos e os campos, num regime geral com muitas aplicações por todo o lado, tal como vai referido pelo memorialista de Remoães: «as aguas das ribeiras andam partidas desde o dia 18 de Julho até o dia 8 de Setembro (…) e neste tempo correm de noite para os ribeiros para moerem os moinhos, excepto à noite dos Sábados que se tem determinada para as terras que não tem quinhão de agua» (Memória de Remõaes, Melgaço).
Em Crasto Laboreiro nasce o rio de Castro Laboreiro, ao qual se juntam o rio de Campelo, o rio de Ponte das Veigas e o rio de Barreiro. Corre o Crasto Laboreiro para o Soajo, acabando no rio Tibo do Soajo (Memória de Casto Laboreiro). A pescaria do rio Mouro é em especial de trutas, frequentes da Gávea para cima; para baixo pesca-se também bogas e enguias (Memória de Parada do Monte). Neste como nos demais ribeiros e riachos a pescaria é livre, também de um modo geral é livre o acesso às águas. Nalguns casos andam repartidas e separadas entre os moinhos e os campos, num regime geral com muitas aplicações por todo o lado, tal como vai referido pelo memorialista de Remoães: «as aguas das ribeiras andam partidas desde o dia 18 de Julho até o dia 8 de Setembro (…) e neste tempo correm de noite para os ribeiros para moerem os moinhos, excepto à noite dos Sábados que se tem determinada para as terras que não tem quinhão de agua» (Memória de Remõaes, Melgaço).
Informações recolhidas em:
- CAPELA, José Viriato (2005) - As
freguesias do Distrito de Viana do Castelo nas Memórias Paroquiais de 1758. Alto
Minho: Memória, História e Património Casa Museu de Monção/Universidade do
Minho.
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