Para conhecermos melhor a vida nas freguesias em meados do século XVIII, é essencial lermos os manuscritos das Memórias Paroquiais de 1758. Na freguesia de Paderne, entre outros aspetos, o pároco dá-nos uma descrição das várias capelas que se distribuíam pela paróquia na época. E começa pela de Nossa Senhora dos Remédios em Sante...: “...Tem em Sante, de que atrás já se falou, huma ermida de Nossa Senhora dos Remédios dentro do mesmo lugar, à qual vão romagens no dia da sua festa a 15 de Agosto e tem huma irmandade da mesma Senhora. Tem três altares esta ermida, o principal com a imagem da Senhora, huma de São Francisco, outra de São Jozé e outra mais pequena de Santo António, nos collateraes em hum está a imagem de São Gonçallo, da outra parte à mão direita está o altar de Santa Roza de Lima com sua imagem. No lugar de Granjão, está a capella de São Miguel com hum altar em que estão as imagens de São Miguel e Nossa Senhora dos Perdoens. No lugar de Crastos, está a capella, fora do lugar em hum sítio mais alto de Nossa Senhora de Guadalupe com hum altar em que estão a imagem da Senhora, Santo António e Santa Rita. No lugar da Várzea, na Quinta do Pezo, está uma capella pertencente à mesma quinta, que administra o senhor da mesma Quinta, da Senhora da Conceição com hum altar em que está só a imagem da mesma Senhora, tem mais o mesmo lugar na Quinta do Reguengo huma capella pegada às Cazas da Quinta com o título de S. Miguel, na qual está um altar com três imagens, huma de S. Miguel, outra de S. Gregório e outra de S. Caetano; tem mais fora do lugar em hum monte alto a capella de São Marcos com hum só altar em que está a imagem de São Marcos, a qual administra o morgado do Reguengo assima dito, a ella concorre alguma gente de romagem para alcançar do Santo o remédio das cezoens. Tem o lugar de Golaens a capella de São Roque com hum só altar, em que está a imagem do mesmo Santo, a qual administra o senhor da Quinta. Tem o lugar de Filgueiras huma capella de santa Comba,com hum altar em que estão as imagens de Santa Comba, do Menino Jesus. Tem o lugar de Queirão huma capella de S. Silvestre situada em hum monte fora do lugar, no qual está um altar com as imagens de S. Silvestre e huma pequena de Santa Bárbara, a qual administra o Padre João de Souza com outros. Tem o lugar de Sainde huma capella de São Jozé que administra o mesmo lugar, na qual está um altar com duas imagens de Nossa Senhora e São Jozé. Tem o lugar de Pomares a capella de São Tiago, que administram os moradores do mesmo lugar com hum só altar, em que estão as imagens de São Tiago e São Gregório. Tem o lugar de Barbeito a capella de São Pedro, que hum anno pertence a esta freguezia e outro a São martinho de Alvaredo, na qual está hum altar com a imagem do Santo e outra de Santo António, nos dias em que se celebram os Santos das taes capellas, concorre alguma gente.”
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sexta-feira, 1 de julho de 2022
As capelas da freguesia de Paderne em meados do século XVIII
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Local:
Vila Nova de Gaia, Portugal
sexta-feira, 22 de maio de 2015
O esconderijo secreto dos galegos na Ameixoeira (Castro Laboreiro)
Já aqui fiz referência a várias estórias ligadas a
galegos opositores a Franco que, durante a Guerra Civil Espanhola, cruzaram a
fronteira e se esconderam em terras de Melgaço. A maior parte deles estiveram
refugiados durante meses em Castro Laboreiro. Ainda há muitas estórias por
contar que vamos encontrando enquanto vamos remexendo em documentação da
polícia política, a PVDE.
Hoje vou fazer referência a um documento datada de 4 de
Junho de 1938. É uma comunicação do Chefe do Posto da Guarda Fiscal de Valença
ao Diretor Geral da PVDE onde alude a informações transmitidas pela Guadia
Civil de Tui.
O teor da comunicação refere-se a um galego de nome José,
morador em Salvaterra de Minho. Este galego tinha-se manifestado contra o
movimento do General Franco desde finais de Julho de 1936. Perseguido, fugiu
para Melgaço onde esteve refugiado em csas de um tal Manuel Lopes, morador em
Sainde (Paderne, Melgaço), pelo menos durante seis meses. Depois, viveu um relacionamento com uma senhora chamada
Benesinda Duque, também de Sainde, durante cerca de oito meses e mais tarde foi
servente numa casa de S. Martinho de Alvaredo, propriedade de um tal Delfim
Alves. Posteriormente, esteve em casa de um tal Eduardo conhecido como o “Resineiro”, altura em que ambos foram
presos pelas autoridades portuguesas.
Após a sua prisão, foi expulso de território português
pela fronteira de S. Gregório/Ponte Barxas e as autoridades espanholas
permitiram que ele fosse até sua casa em Salvaterra de Minho para aí ser detido
pela polícia espanhola. Interrogado pelas autoridades espanholas, acaba por
confessar que quando esteve escondido em Melgaço, ajudou a Guarda Fiscal a capturar
oito comunistas espanhóis, entre eles uma professora chamada Eudosia e os seus
pais que ainda à data se encontravam presos em território nacional.
Confessa também às autoridades espanholas que existem
centenas de comunistas galegos escondidos na serra da Peneda e em Castro
Laboreiro. Contou também que em terras castrejas, perto do lugar da Ameixoeira,
existem um conjunto de túneis escavadas pelos próprios galegos com várias
ramificações em forma de cruz. Ali têm inclusivamente camas que lhes foram
dadas pelas suas famílias ou outras pessoas de lugares próximos.
José confessou também às autoridades espanholas que ali
já chegaram a estar escondidos cerca de trezentos foragidos galegos mas que
naquela altura já só estavam cerca de vinte e oito. Estes galegos encontravam-se
armados com Mauser e pistolas metralhadoras.
Confessou também que viu entre os foragidos galegos um
médico da Corunha, alto de uns trinta e cinco anos e dois marinheiros da
Esquadra, um moreno, baixo e entroncado e um outro alto, forte, que tem uma
divisa de cabo, mas que desconhecia os nomes deles.
Por estas bandas, os melhores aliados dos refugiados
galegos foram os próprios castrejos que sofreram muitas vezes as represálias da
Guarda Fiscal e da PVDE por darem guarida aos seus vizinhos do outro lado da
fronteira que se opunham ao General Franco.
Informações extraídas de:
Comunicação Interna/Documento confidencial nº 31/938 ao Secretário Geral da PVDE, endereçado pelo Posto da Guarda Fiscal de Valença.
NOTA: Um obrigado especial a Paul Feron Lorenzo pela partilha de documentação. MERCI, PAUL!
Informações extraídas de:
Comunicação Interna/Documento confidencial nº 31/938 ao Secretário Geral da PVDE, endereçado pelo Posto da Guarda Fiscal de Valença.
NOTA: Um obrigado especial a Paul Feron Lorenzo pela partilha de documentação. MERCI, PAUL!
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