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sábado, 2 de setembro de 2023

Melgaço, 1946 - Dia de jogo no Campo do Monte de Prado, com o Unidos Futebol Club de Melgaço

 



O “Unidos Futebol Club de Melgaço” era um dos clubes de futebol que foram fundados nos anos quarenta do século XX e que tiveram uma vida efémera, desaparecendo poucos anos depois da sua fundação.

Além do Campeonato Nacional, que já existia desde os anos trinta, ainda não havia os campeonatos de futebol nas divisões secundárias. Contudo, realizavam-se jogos de cariz particular que os próprios clubes, com frequência, organizavam entre eles. No dia 1 de Dezembro de 1946, o Unidos Futebol Club de Melgaço recebeu no Campo do Monte de Prado o União Club Cerveirense e do duelo nos dá eco a “Voz de Melgaço”, na sua edição de 1 de Janeiro de 1947: "No dia 1 de Dezembro, pela primeira vez, encontraram-se no Campo do “Monte de Prado”, os populares grupos UNIDOS FUTEBOL CLUB de Melgaço e o UNIÃO CLUB CERVEIRENSE, de Vila Nova de Cerveira. 

Depois de um jogo difícil, aonde a vitória sorriu ao grupo melgacense por 5 bolas a 4, sendoo tento da vitória alcançado nos últimos minutos. 

Os visitantes foram os primeiros a marcar e assim aos 20 minutos de jogo, já venciam por 2 bolas a zero, tentos estes do avançado Regos, que foi o melhor atacante do grupo visitante. 

Contudo, o UNIDOS, reage, e empata por intermédio de Oliveira e Alberto, e com este resultado terminou a primeira parte. 

No começo da 2ª parte, o UNIDOS passa a vencedor, obtendo mais duas bolas por intermédio de Araújo e Oliveira. A equipa de Cerveira não desanima e de novo faz o 4 – 4, sendo marcador o seu marcador o avançado centro Regos. Quando o resultado parecia feito, Oliveira, mais uma vez, marca o tento que deu a vitória ao grupo local. 

Há a destacar neste jogo, no grupo visitante o avançado centro Regos, que foi o autor dos tentos da sua equipa, e no grupo local, Oliveira, o marcador de 3 tentos. O Unidos não podendo contar com o seu guarda-redes habitual, o seu substituto não deu o rendimento necessário. 

Os grupos alinharam:  

UNIDOS – Guilherme, Dantas e Ribeiro; Malheiro, Esteves e Joaquim Alberto, Oliveiros, Araújo, Bermudes e Oliveira. 

UNIÃO - Orlando Mesquita e Quim; Vieira, Martins e Faria; Costa Artur, Regos, Armando e Pereira. 

À noite, em honra dos visitantes foi realizado um baile, na sede dos Unidos, retirando pela madrugada levando de Melgaço as melhores impressões, e agradeceram a maneira gentil como foram recebidos e tratados. 

Manuel L. P. Júnior. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

A emigração nos anos 60 em artigo da "Voz de Melgaço" (1967)





Num artigo publicado na edição da “Voz de Melgaço” de 1 de Fevereiro de 1967, é abordada a questão da emigração e do consequente esvaziamento populacional do concelho e da região.

Emigração: Problema número um do Minho

Todo o país é afectado por esse grande problema que é o da emigração. Falemos, particularmente, do que nos diz respeito, à nossa província e, de um modo especial, a Melgaço. É sabido que grande parte dos nossos contemporâneos deixam a terra que lhe foi berço para procurar noutras, no estrangeiro, o pão-nosso de cada dia, muitos deles, que a sorte sobeja, ganham proventos, que depois, os revertem na terra onde nasceram. Veja-se, por exemplo, a febre da construção civil que vai por todo este concelho. Certamente que é dinheiro dos emigrantes que nunca esquecem a sua querida terra, que lá longe vive dentro deles. A presença da terra e dos seus familiares é sempre sentida e vivida por quem um dia abandonou tudo para um rumo melhor nas suas condições de vida. Porém, há outros, e nesse número estamos nós, que nunca abandonamos esta querida terra talvez que é próprio do ser humano. Não quero dizer com isto que há, em nós, tom de censura, no que outros pensam e desejam ser realizado. No entanto, apesar de não possuirmos ambições, nos limites da nossa vida, sentimos à nossa volta um bem-estar de vida (...).

Talvez um dia pensássemos em ir de alongada pelas terras de África, das nossas províncias ultramarinas. É uma coisa que nos fala ao nosso sangue.”


Extraído de: 
- A Voz Melgaço, edição de 1 de Fevereiro de 1967 citado por CASTRO, Joaquim de & MARQUES, Abel (2003). Emigração e contrabando. Melgaço: Centro Desportivo e Cultural de São Paio.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A propósito de: Professores… (Parte 2)


Contando aos mais novos e lembrando aos mais velhos

D. Luiza Sampaio Fernandes (D. Luisinha)

Depois de na última edição ter recordado à “D. Elvirinha” trago hoje à recordação de todos a “D. Luisinha”, sobretudo das que foram suas alunas.


A D. Luiza Sampaio Fernandes (D. Luisinha) era, no meu tempo, a professora “das raparigas” e S. Gregório era a sua terra de adopção em resultado do casamento em 30 de Julho de 1934 com o quintanista de medicina Júlio Lourdes Outeiro Esteves, pouco mais tarde o médico Dr. Júlio, de quem espero, tão depressa quanto as “pesquisas” que ando a fazer me permitam, escrever algo que esteja à altura da sua memória.

Transmontana, nasceu a D. Luiza no dia 20 de Junho de 1906, na freguesia de Parambos, no concelho de Carrazeda de Ansiães, distrito de Bragança.
Na Escola do Magistério Primário do Porto diplomou-se em 23 de Fevereiro de 1933 com a classificação de 15 valores.
Os dois primeiros anos de serviço, desde 09/04/34 até 30/09/35, foram cumpridos no distrito de Bragança, o primeiro no concelho de Miranda do Douro e o segundo no de Freixo Espada à Cinta.
Chega a Melgaço para dar aulas na escola de Remoães em 01/10/35 e daqui passa para a de S. Gregório onde se mantém até ao fim dos seus dias e este chegou no dia 4 de Agosto de 1969 apanhando-a aos 63 anos de idade.
Dos 36 anos de serviço 34 foram no concelho, um em Remoães e os 33 restantes em S. Gregório.
A par da sua actividade profissional desenvolvia outra, não muito conhecida, mas não menos importante no aspecto social. Ao que me disseram, ela continuava a tarefa curativa dos males do corpo levada a cabo pelo marido, ajudando os doentes a sararem outras “feridas” não menos importantes.

Felizmente esta para além, de ter ficado na memória das que foram suas alunas, continua-se através da filha Dra. Maria Filomena – a “Meninha” do Dr. Júlio como ainda é carinhosamente tratada pelas gentes de S. Gregório do seu tempo – e dos netos que esta lhe deu e que preservarão a sua memória. Para ela o meu “Muito Obrigado” pela cedência da fotografia que se publica.

Quer de uma quer de outra tiveram uma influência decisiva e marcaram para toda a vida a maioria dos que em Cristóval nasceram entre finais dos anos 20 e o início dos anos 60 uma vez que na sua quase totalidade foram seus alunos.

E o que elas faziam por nós…

E se para mais não servir este meu texto, permita pelo menos àqueles que tem responsabilidades na “terra” fazerem uma reflexão e verem a melhor maneira de as recordar.

Pela minha parte e inclinando respeitosamente perante a sua memória dirijo uma prece para que Deus as tenha no lugar que lhes é devido.

Obrigado “Senhoras Professoras”

a)    De acordo com a ortografia da época e tal como ela o fez no seu Registo Biográfico


Armando Coelho Rodrigues

In: A Voz de Melgaço


Texto gentilmente enviado por Armando  Rodrigues a quem muito agradeço a partilha!