Mostrar mensagens com a etiqueta contrbando. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta contrbando. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 16 de março de 2018

Estórias antigas do contrabando do café em Melgaço


O contrabando do café e de outras mercadorias em que a Espanha franquista era deficitária mobilizou um número significativo de pessoas em Melgaço e noutros municípios raianos do Minho que fizeram da região uma complexa base logística de contrabando de algumas mercadorias que asseguravam uma alta rentabilidade. Esta prática minorou as dificuldades na subsistência de muitas famílias de ambos os lados da fronteira. Contudo, muitas das famílias dos contrabandistas ficaram marcadas pela repressão e a cadeia…
Em http://iasousa.blogs.sapo.pt/87445.html encontramos um extrato de testemunhos orais de quem vivenciou a atividade do contrabando do café: “O Sr. António Cândido Rodrigues, natural de Chaviães, morador na Vila, mais conhecido por “Toninho do Talho” diz que começou no contrabando quando tinha 12 anos (1947).
 As fronteiras estavam controladas através dos postos, cada qual com a sua área demarcada “…a minha área era entre o posto de “Portovivo”, em Chaviães e o de Paços, ambos junto ao rio…comprava o café na Loja Nova ao Manuel da Garagem e transportava-o na carroça do “Ronho” e tentava “filtrá-lo” pelos postos … passava o café numa batela pelo rio…ao chegar ao lado espanhol também tentávamos esquivar-nos aos carabineiros … depois da guerra era o café, o sabão, o azeite, o açúcar que iam para Espanha…”.
No tempo do café o Sr. António recorda “…tinha um sócio e no posto de “Portavigo” um guarda apanhou-me 10 embalagens de café Sical…ele queria uma importância para deixar a mercadoria … eu disse-lhe que essa mercadoria não era só minha e pedi-lhe para deixar passar essa que mais tarde passaria com outra e já lhe deixaria ficar alguma coisa…era o passares…eu sabia que no outro dia esse guarda iria ser transferido para o posto de Cevide…nós sabíamos de tudo…vigiávamos constantemente os guardas…
Frequentemente, sobretudo os pequenos contrabandistas, eram apanhados pelas autoridades, quer do lado português, quer do lado espanhol. Normalmente, o facto de uma pessoa ser apanhada não significava que deixasse de praticar o contrabando. Dando uma olhadela pelos jornal galegos de época, podemos observar noticiadas várias situações de prisão de melgacenses e apreensões de mercadorias de contrabando dos dois lados da fronteira.  Nas duas notícias que aqui apresento, podemos ver que um tal David Teixeira, melgacense que era taxista em 1971 e por isso circulava com frequência entre os dois lados da fronteira, foi apanhado nas malhas do contrabando do café pelo menos duas vezes, sempre do lado galego. Numa das apreensões, o volume da mercadoria ascendia a duas toneladas e meia. As notícias distam no tempo cerca de 19 anos sendo que a mais antiga refere-se a acontecimentos de 13 de Março de 1952:
“Pontevedra - Em la parroquia de Cequeliños, del Ayuntamento de Arbo, fueron sorprendidos los vecinos de la misma, Manuel Garcia Estévez y Valentin Gonzalez Fernandez, que com otros sujeitos, al parecer portugueses, que se dieron a la fuga, transportaban  558 kilogramas de café, que habian introducido procedente de Portugal por el rio Miño. De las gestiones practicadas por las autoridades parece deducirse era propriedad de David Teixeira, vecino de Melgazo (Portugal).”

(Jornal “La Noche”, edição de 13 de Março de 1952)

Dezanove anos mais tarde, mais concretamente em 1971, o mesmo Sr. David Teixeira é notícia pelo mesmo motivo, ou seja, por ter sido apanhado na Galiza com café de contrabando proveniente de Portugal:

“Café de contrabando
José Fernández Fernández, de 54 anos, vecino de San Cristóval - Monterrey, fue sorprendido por fuerzas de vigilancia fiscal del puesto de Cualedro, que cuando se disponia a trasladar a su domicilio 60 kilos de café tostado de procedência portuguesa que instantes antes habia comprado a un desconocido. La mercancia, valorada em 6000 pesetas quedó a disposición del Tribunal Provincial de Contrabando.
También fueron intervenidos otros 12 kilos de café tostado por fuerzas de la Guardia Civil de Cortegada, que David Teixeira, vecino de Melgazo - Portugal, taxista, transportaba debajo de los asientos de su vehiculo MO-53-73. La mercancia, valorada en 1200 pesetas quedó a disposicion de la autoridad competente.”

(Jornal “El Pueblo Gallego”, edição de 1 de Abril de 1971)


Fontes consultadas:
- Jornal “La Noche”, edição de 13 de Março de 1952;
- Jornal “El Pueblo Gallego”, edição de 1 de Abril de 1971.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Um estranho esquema de contrabando nas fronteiras de Melgaço (1978)


O jornal espanhol “Las Vanguardia”, na sua edição de 16 de Dezembro de 1978, fala-nos de um estranho esquema de contrabando que passava nas fronteiras de Melgaço. O jornal conta-nos que existiam milhares de cabeças de gado que eram transportadas em camiões vindos do sul de Portugal até à fronteira melgacense e depois passado para Espanha. Contudo, o esquema não ficava por aqui. Quando os camiões voltavam para o sul, iam carregados de gado doente para abater vindo de Espanha. Segundo a notícia, isso permitia aos envolvidos receber um subsídio que o Governo português dava na época aos proprietários nestes casos de gado doente com tuberculose que tinha que ser abatido...
A notícia conta-nos:

“Contrabando de ganado de Portugal a España
Lisboa, 15 - Millares de cabeças de ganado fueron en los últimos introduzidos ilegalmente en España procedentes de Portugal, informa hoy el matutino comunista “O Diário”.
Un enviado de dicho periódico recorrió la region fronteriza portugueza de Melgaço, lindante com la provincia de Orense, donde descubrió que el ganado robado a las unidades colctivas de producción (UCP) de la zona de intervención de la reforma agrária atraviessa todo el país, transportado en camiones, hasta aquella región norteña.
Alli es trasladado a España envehículos pertenecientes a conocidas figuras de la zona, que lo transportan a través de rutas de contrabando “muy familiares para ellos”.
La Guardia Fiscal portugueza asegura conocer las ramificaciones de la organización, pero reconoce la existencia de dificultades burocráticas y operacionales para desmontarla.
Según “O Diario”, el escándalo asume proporciones más graves debido a que los camiones que transportan ganado en buenas condiciones regressan llenos de reses viejas y enfermas.
Dicho tráfico seria un buen negocio debido a que el Gobierno portugués indeminiza a los proprietarios de reses tuberculosas, lo que no ocurre en España.”


Extraído de: Jornal “La Vanguardia”, edição de 16 de Dezembro de 1978”.