quarta-feira, 24 de junho de 2015

Penso (Melgaço) em postais de antigamente

Penso (Melgaço) nos anos 40 do século passado

Veja um pequeno conjunto de postais alusivos à freguesia de Penso (Melgaço) de outros tempos, entre os anos 40 até aos anos 80...


Penso (Melgaço) nos anos 40 do século passado



Casa do Castro em Penso (Melgaço) em finais dos anos 60 do século passado


Casa do Castro em Penso (Melgaço) nos anos 80 do século passado



Casa do Castro em Penso (Melgaço) nos anos 80 do século passado


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Nossa Senhora da Peneda - Viagem ao século XX em postais



Faça uma viagem pelo século XX em postais alusivos ao Santuário de Nossa Senhora da Peneda (Gavieira - Arcos de Valdevez). Local de belezas naturais e de fé é visita obrigatória para muitos...

Viaje no tempo!



quarta-feira, 17 de junho de 2015

Inauguração da nova Ponte Internacional de S. Gregório (1935) em fotos

Inauguração da Ponte Internacional de S. Gregório

A Ponte Internacional de S. Gregório (Melgaço) sobre o rio Trancoso foi inaugurada a 26 de Abril de 1935 com grande pompa.
A revista do Automóvel Club de Portugal produziu uma série de fotografias para um artigo desta publicação que nos mostra S. Gregório e esta nova ponte acabadinha de inuagurar...

(Clique nas fotos para ampliar!)


Inauguração da Ponte Internacional de S. Gregório

S. Gregório e Ponte Barxas com a velha ponte internacional 


Vista para o rio Minho da estrada vila de Melgaço - S. Gregório


Vista para o rio Minho da estrada vila de Melgaço - S. Gregório

Fonte: Revista do ACP, Maio de 1935. 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

As aldeias de Fiães (Melgaço) descritas em finais do século XIX

Igreja do antigo Convento de Fiães por volta de 1940
Fonte:
Arquivo Fotográfico do AML (Coleção Cassiano Branco)


No livro "O Minho Pittoresco", de 1886, o autor dá-nos uma rara descrição das aldeias de Fiães nesta época. José Augusto Vieira, montado numa mula, sai da vila de Melgaço em direção a Castro Laboreiro e, de passagem, fala-nos de Fiães nestes termos: "Serra acima, o horizonte é encantador para os lados de Melgaço e Galiza, e como que á vol d'oiseau se dominam as encostas e pequenos vales, onde os campanários destacam as suas agulhas brancas. O Minho corre em baixo, como serpente em voltas sinuosas. Para o norte, as serras de Galiza vão-se indistintamente fundindo no índigo esfumado da atmosfera.
Dobramos a montanha. O horizonte largo desaparece e logo na encosta Vila de Conde, lugarejo pertencente a Fiães, principia a dar o toque de melancolia às nossas impressões, até aí cheias do verde claro da vegetação, dos sussurros da água, do espelhar dos rios, do pitoresco das aldeias.
Parece que entramos numa região inóspita e selvagem. Os cães recebem-nos com latidos furiosos, as casas escondem-se como choças humildes na sua cor escura, a vegetação rareia. E assim vamos, ora subindo, ora descendo pelos torcicolos da montanha, até que ao fundo, num vale estreito, Fiães se nos apresenta, brumosa e triste, carregada na cor, como uma velha ruína abandonada.
Em frente fica o lugar da Jugaria, a ela pertencente, mas um pouco mais alegre com os seus tons verdes de prados húmidos. Vadiamos por um regato e eis-nos no terreiro orlado de vidoeiros e olmos, de castanhos e robles, com bancadas de pedra e chafariz de óptima agua, contíguo ao adro do antiquíssimo mosteiro e onde se faz em 11 de Julho a mais estrondosa romaria das povoações serranas.
A indústria de Fiães é agrícola e pastoril. Recolhe algum centeio, milho miúdo, nabos, castanha, e tem muitos gados e caça grossa e miúda, especialmente na floresta das Ramalheiras.
Uma nota... de Savarin.
O presunto, aquele magnifico presunto de Melgaço, cujas deliciosas
qualidades te descrevi, leitor amigo, é especialmente curado em Fiães, onde o preparam sem sal, receita talvez de algum monge epicurista, que a graves locubrações se entregou para mimosear o paladar delicado de qualquer D. Abade do mosteiro, ou de algum dos príncipes ou infantes, que aí estivera de visita.
Pinho Leal, um trabalhador infatigável que a morte arrebatou antes que lograsse ver o fecho do seu colossal Dicionário a que muitas vezes, fique dito para sempre, iremos buscar valiosos subsídios,diz que a palavra Fiães vem do português antigo Fian, Fiaã, Fiaam, Ffia, Sfiaã ou Fiada, e significa vaso de barro chato e redondo, a que depois se chamou Almofia. Servia antigamente para pagar certa medida de cereaes e também de manteiga (16 fiães faziam um alqueire). É provável, — acrescenta,— que aqui se pagasse este foro, pelo que se dizia terra de Fiães, — ou que houvesse aqui oleiros que fabricassem as fians, espécie de alguidar de barro, com a capacidade para dois quartilhos.
O que, porém, tornou Fiães notável, foi o seu mosteiro, de que hoje só por assim dizer o templo atesta a munificência."

Extrato de texto extraído de:
-VIEIRA, José Augusto (1886) - O Minho Pittoresco, tomo I, edição da livraria de António Maria Pereira- Editor, Lisboa.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Castro Laboreiro, 2ª metade do séc. XIX - Entre as Brandas e as Inverneiras



O escritor Alfredo Campos, algures na segunda metade do século XIX testemunhou o modo de vida das gentes de Castro Laboreiro e observou como os castrejos passavam parte do ano numa casa e depois passavam a outra parte do ano numa outra habitação. Então conta-nos que uma das casas assenta nalgum lugar da região de Castro Laboreiro, e é nela que o castrejo e sua família vivem os nove meses das estações da Primavera, Verão e Outono, lugares a que dão os nomes de brandas. A outra é situada para o lado dos Arcos de Vale de Vez, num vale profundo, denominado as inverneiras, e é ali que ele passa a estação rigorosa. Foge deste modo à aspereza do Inverno, procurando esse clima mais temperado pela situação, dias mais amenos e temperatura mais regular. Deste sistema de vida resulta que, sobretudo, nos meses de Novembro, Dezembro e Janeiro, o forasteiro que percorrer os lugares de Castro Laboreiro, encontrará a maior parte das habitações e propriedades fechadas e desertas, parecendo que aquela região foi abandonada por efeito de uma força qualquer superior. A mudança para as inverneiras opera-se, pouco mais ou menos, depois de meio de Novembro, e há para isto um dia determinado ou combinado, porque nesse é que emigram quase todos os que deixam a montanha pelo vale. 
Conta-nos também que "Eu assisti em Castro Laboreiro, ponto forçado para o termo das inverneiras, à passagem da extensa caravana. Parecia-me aquilo um longo comboio de viveres e materiais, em tempo de guerra. Estava nevoento o dia, e havia pronúncios de que, uma vez abertas as cataratas do céu, a chuva seria abundante, copiosa e fria. Logo ao romper da madrugada começou a passar a extensa fila de carros de bois, chiadores, vagarosos, monótonos, balanceando-se, segundo as depressões do caminho, conduzindo ao mesmo tempo a família, homens, mulheres, crianças, cães, gatos, galinhas, caixas de pau com presunto, todos os acessórios enfim, indispensáveis para o estabelecimento nas inverneiras, e muito semelhantemente ao que praticam muitas famílias do Minho, quando partem para o mar, a uso de banhos. Era curioso e digno de ver-se aquele espectáculo original, que durava desde manhã até ás duas ou três horas da tarde. Não sei porquê, mas tudo aquilo me produzia uma certa tristeza, que eu atribuo, sem duvida, à ideia de que, tendo de demorar-me, ia ficar só em Castro Laboreiro - ou pelo menos quase só. Com efeito, nas minhas excursões posteriores à partida para as inverneiras, tive ocasião de reconhecer, não só quanto tinha de natural o meu sentimento, mas quanto era justificada aquela emigração da montanha, a que poucos podiam resistir – por diferentes circunstâncias. Os povoados tornam-se desertos, é certo, semelham-se a lugares por onde passou o archanjodos flagelos, pondo tudo em fuga e deixando tudo envolto num céu de extrema melancolia. Mas o rigor do Inverno que nada deixa fazer, a neve, que chega em certas ocasiões a ter a altura de meio metro, a intercessão dos caminhos, as dificuldades nas comunicações, e muitas outras circunstâncias de igual peso e não menor grandeza, justificam muito bem a mudança daqueles montanheses, que, pela maior parte, nem vinho provam! Há povoados e lugares de vinte a vinte e cinco proprietários, em que, quando muito, só ficam três, como vigiando e fiscalizando os seus haveres e os dos emigrantes também. Nestas ocasiões, a gente percorre um, e outro, e outro ponto, sem encontrar uma única pessoa! Um deserto, com toda a sua cor sombria o seu triste desolamento! Parece que a vida humana, do mesmo modo que a vida da vegetação, pára, tornando o quadro tristemente impressionador. E no entretanto a neve vai caindo em cada dia, sobrepondo camada sobre camada, o frio redobra de intensidade, os dias tornam-se diminutos, as noites mais que muito longas, e, em vez dos latidos dos cães que guardavam o gado, dos pios dos passaritos, das vozes mais ou menos alegres da natureza, apenas se ouve, de dia, o estampido das cachoeiras que descem da montanha em ondulações tortuosas e irregulares, e de noite, os uivos dos lobos famintos, que se aventuram até ás portas das cabanas, procurando assim a preza apetecida!”